Os maiores desafios depois do divórcio

(Judith Dipp)

Sabemos quão difícil é carregar a cruz, e um divórcio indesejado é uma cruz gigante

É fato que hoje muitas pessoas se divorciam na tentativa de melhorar sua vida, porém não estão cientes de todos os desafios que terão de enfrentar e as consequências inevitáveis que esse processo traz consigo.

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Na Bíblia, em Malaquias 2,16, Deus nos diz que odeia o divórcio. Em Mateus 19,60 vemos que o casamento é uma união permanente. “Muitos casamentos, que foram desfeitos por motivos triviais, poderiam ter sido salvos se marido e mulher tivessem sido capazes de se perdoar mais” (cf. Mateus 18,21-22).

Incertezas e angústias

Na justiça, o divórcio pode, muitas vezes, legalizar um estado de discórdia entre um casal, configurando um processo de disputa e exigindo a criação de novas estruturas de convivência doméstica, principalmente no que diz respeito a pais e filhos. Tanto no âmbito da Psicologia Clínica quanto no âmbito judicial, os estudos demonstram que os conflitos vividos pelos pais, antes e durante o processo de um divórcio, causam problemas de ajustamento nos filhos, que vivenciam o divórcio como um mistério que precisa ser explicado com clareza e objetividade. Todos os familiares vivenciam incertezas e angústias que ameaçam a estabilidade pessoal, exigindo a elaboração de uma perda.

Desafios do processo

Os desafios decorrentes desse processo são muitos. Os problemas financeiros, a criação de filhos, a solidão, muitas vezes esmagadora, e o sentimento de fracasso são alguns dos problemas e desafios que os divorciados enfrentam. Por mais que este tenha sido consensual, muitas vezes leva muito tempo para desaparecer.

Surgem sentimentos de perda, fracasso, desamparo, abandono, rejeição, medo, insegurança e incertezas circundando esses sujeitos, que afetam diretamente os novos arranjos familiares e que precisam ser trabalhados.

Seguem abaixo algumas dicas e os principais desafios que podemos enfrentar nesse processo:

Suporte

A primeira coisa aconselhável a ser feita é buscar um bom suporte espiritual e também psicológico. Nesse momento, é de fundamental importância poder contar com alguém de confiança, ter um espaço para compartilhar sua história e seus sentimentos, dividir as dores da perda e receber um suporte profissional para ajudá-lo a reestruturar a vida e se preparar para esse novo momento, onde muitos ajustes precisam ser feitos. Então, tanto a psicoterapia, na busca por um bom psicólogo, como também a direção espiritual feita por um bom sacerdote, podem constituir um ótimo ponto de partida. São meios bastante adequados para fortalecer a pessoa e também lhe proporcionar ferramentas para enfrentar com coragem os desafios que virão.

Vida financeira

Já diz o ditado que divórcio é sinônimo de prejuízo, e isso é um fato. Tudo o que o casal tinha antes será, agora, dividido por dois. A divisão das economias empobrece ambas as partes e isso é inevitável. Você vai perder reservas e aumentar os custos da sua vida. Portanto, deve estar preparado para isso.

Filhos

Visitas, pensão e educação. Não é preciso dizer que, muitas vezes, serão eles que arcarão com as duras consequências da separação dos pais. É preciso reservar tempo, com calma, para conversar e garantir a seus filhos que você os ama; sobretudo, explicar-lhes que eles não são os responsáveis pelo divórcio dos pais. Responda suas perguntas da forma mais sincera e objetiva possível, evite distribuir culpas e busque preservar e manter em harmonia a relação deles com o pai e a mãe. Continuar na mesma casa e manter a mesma rotina pode ajudar a também buscar uma boa rotina espiritual.

Amigos

Amigos são para sempre, mas a dura realidade é que, na separação, há também uma divisão natural daqueles com quem vocês mais conviviam enquanto casal. Por outro lado, é provável que o seu meio social mude naturalmente com o decorrer do tempo.

Moradia

Esse também pode ser um impasse entre o casal que se separa. Como a maioria dos processos caminha para que a guarda dos filhos seja compartilhada por ambos os genitores, ainda assim é comum que os filhos passem mais tempo com a mãe, que assume normalmente a rotina de escola, saúde, higiene, alimentação etc. Se isso não esbarrar em outros tipos de problemas, é aconselhável que a mãe permaneça no local de moradia anterior à separação, para que, dessa forma, altere-se o menos possível a rotina dos filhos. Num processo de divórcio consensual, a residência entra como objeto de partilha, mas pode ficar como “usufruto dos filhos” até que os mesmos atinjam a maioridade.

Identidade pessoal

Quem sou eu sem minha mulher, sem meus filhos ou marido? Essa pergunta pode rondar sua mente nos primeiros momentos depois de uma separação. Nesse aspecto, a ajuda de um bom profissional pode ser muito útil, para que, aos poucos, você possa recuperar de volta a sua identidade pessoal dentro desse novo modo de vida. Por isso, é importante ir atrás de referências, antigas ou novas, que venham reforçar sua identidade.

Vida familiar

Quando um casal decide se separar, há também um ajuste importante na vida dos familiares envolvidos direta ou indiretamente. É muito importante, nesse momento, voltar-se, um pouco mais, para os “seus familiares”, que podem ser, grande ajuda e suporte, sobretudo nas fases iniciais.

Outro aspecto importante será redefinir como ficarão as relações com a família do ex-cônjuge, com quem, muitas vezes, os laços são muito estreitos e já se considera parte da sua família também. Aos poucos, um novo formato de relação surgirá, mas procure sempre manter o vínculo dos avós e tios com seus filhos.

Estilo de vida e estado civil

Aqueles hábitos que você tinha antes de separar-se, como sua vida social e atividades de lazer, por exemplo, agora serão diferentes. Você tomará muitas decisões sozinho, a não ser as que envolvem seu tempo com seus filhos. Também pode acontecer, em alguns casos, que a mulher fique em tempo integral com os filhos, o que, certamente, acarretará sobrecarga, exigindo que ela se desdobre para dar conta do recado.

Alguns homens podem sentir-se novamente como na época de solteiros e ter o desejo de viver como tal, saindo com amigos solteiros, buscando namoricos e relações passageiras, até como forma de reviver os bons tempos antes do casamento. O fato é que a vida mudou e os tempos são outros, o matrimônio marca profundamente a vida de uma pessoa, e para nós cristãos é um laço indissolúvel. A não ser que um Tribunal Eclesiástico declare nula essa união.

Para muitas mulheres, pode ser até humilhante assumir perante a sociedade e a Igreja seu novo status como “divorciada”, principalmente se em seu coração não desejava a separação. Esse também é um tema que deve ser tratado com todo cuidado junto a um terapeuta ou diretor espiritual.

Atividades sociais

Casais normalmente têm atividades sociais diferentes de pessoas solteiras, sobretudo casais com filhos. Nessa nova condição de vida, tanto o homem com a mulher levarão algum tempo até ajustar novamente sua vida social, a escolher as companhias para sair, talvez encontrar pessoas que estejam no mesmo estado de vida.

Em alguns momentos, os filhos estarão presentes; em outros, você estará sozinho.
No início, pode parecer estranho ou até mesmo fazer com que você se sinta deslocado em determinado ambiente. Aos poucos, as coisas tendem a se definir e você se adaptará a esse novo contexto.

Nova união

É muito comum que, nesse momento, logo após a separação, muitas pessoas venham dar conselhos; um deles é que a melhor forma de esquecer um amor é encontrar outro.

“São numerosos hoje, em muitos países, os católicos que recorrem ao divórcio segundo as leis civis e contraem civilmente uma nova união. A Igreja, por fidelidade à palavra de Jesus Cristo – ‘Todo aquele que repudiar sua mulher e desposar outra comete adultério contra a primeira; e se essa repudiar seu marido e desposar outro comete adultério’ (Mc 10,11-12) –, afirma que não pode reconhecer como válida uma nova união se o primeiro casamento foi válido. Se os divorciados tornam-se a casar com outra pessoa, mesmo que no civil, ficam numa situação que contraria objetivamente a lei de Deus. Portanto, não podem ter acesso à comunhão eucarística enquanto perdurar essa situação. Pela mesma situação, não podem exercer certas responsabilidades eclesiais.

A reconciliação pelo sacramento da penitência só pode ser concedida aos que se mostram arrependidos por haver violado o sinal da aliança e fidelidade a Cristo, e se comprometem a viver uma continência completa.”

Matrimônio só deixa de existir quando sua nulidade é declarada, o que só pode ser feito por um Tribunal Eclesiástico.

Vida de oração e Igreja

Assim como foi dito no início, ter um bom terapeuta para acompanhá-lo nesse processo e um bom diretor espiritual são de fundamental importância, mas isso deve ser reforçado com uma vida constante de oração e frequência assídua à igreja, às Missas e aos sacramentos.

A Igreja, nesse momento, mais do que nunca é Mãe e deve acolher o divorciado. Sabendo da grande dificuldade que se avizinha, compadecendo-se da dor, a Igreja está sempre presente para perdoar e acolher, mesmo em caso de queda.

Sabemos quão difícil é carregar a cruz, e um divórcio indesejado é uma cruz gigante. Talvez essa seja uma oportunidade para um testemunho único, uma prova de amor a Deus maior que tudo, quando renunciamos ao amor a nós mesmos por uma prévia promessa feita a Ele, a do matrimônio. Então, no momento que conseguirmos olhar esse sofrimento como a cruz que nos assemelha a Cristo, unimos nossas dores às d’Ele, que, certamente, nos dará força, coragem e sabedoria necessárias para enfrentarmos esses desafios. Confiantes e certos de que não estamos sozinhos nessa luta, a Igreja nos acolhe e recebe; e Jesus Cristo caminha ao nosso lado. Confiantes em Suas promessas, podemos viver sem pecar.

(Fonte)

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Causas de nulidade de casamento

O código de Direito Canônico da Igreja enumera alguns itens que podem levar a nulidade do casamento

nulidade matrimonial

Muitas são as causas que podem tornar nulo o matrimônio sacramental. É preciso deixar claro que a Igreja não anula uniões sacramentais validamente contraídas e consumadas, mas pode, após processo do Tribunal Eclesiástico, reconhecer que nunca houve casamento, mesmo nos casos em que todos o tinham como válido.

Leva-se muito em conta as capacidades e limitações psíquicas dos noivos para contrair obrigações matrimoniais para sempre. Não basta analisar o comportamento externo de alguém para o conhecer; às vezes muitos atos das pessoas são irresponsáveis, assumidos sem consciência plena porque pode faltar o senso de responsabilidade, a maturidade ou a liberdade necessárias para que o ato tenha valor plenamente humano e jurídico.

Pode acontecer que o vínculo matrimonial nunca tenha existido, se ouvir um erro que torne o consentimento dos noivos inválido.

Quais os motivos pelos quais um casamento pode ser nulo? Há, segundo o Código de Direito Canônico da Igreja, dezenove motivos:

A. Falhas de consentimento (cânones 1057 e 1095-1102)

1. Falta de capacidade para consentir (cânon 1095)
2. Ignorância (cânon 1096)
3. Erro (cânones 1097-1099)
4. Simulação (cânon 1101)
5. Violência ou medo (cânon 1103)
6. Condição não cumprida (cânon 1102)

B. Impedimentos dirimentes (cânones 1083-1094)

7. Idade (cânon 1083)
8. Impotência (cânon 1084)
9. Vínculo (cânon 1085)
10. Disparidade de culto (cânon 1086,- cf cânones 1124s)
11.. Ordem Sacra (cânon 1087)
12. Profissão Religiosa Perpétua (cânon 1088)
13. Rapto (cânon 1089)
14. Crime (cânon 1090)
15. Consangüinidade (cânon 1091)
16. Afinidade (cânon 1092)
17. Honestidade pública (cânon 1093)
18. Parentesco legal por adoção (cânon 1094)

C. 19. Falta de forma canônica na celebração do matrimônio (cânones 1108-1123)

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Vamos colocar a seguir os Cânones do Código de Direito Canônico sobre cada item; um artigo explicativo de cada item pode ser lido no livro “Família, Santuário da Vida” (Ed. Cléofas)

A. Falhas de consentimento (cânones 1057 e 1095-1102)

«Cânon 1057 – § 1º- 0 matrimônio é produzido pelo consentimento legitimamente manifestado entre pessoas juridicamente hábeis, e esse consentimento não pode ser suprido por nenhum poder humano.
§ 2º- 0 consentimento matrimonial é o ato de vontade pelo qual o homem e a mulher, por aliança irrevogável, se entregam e se recebem mutuamente para constituir matrimônio».
0 consentimento matrimonial assim exigido pode ser impedido ou impossibilitado por:

1. Falta de capacidade para consentir (cânon 1095)
«Cânon 1095 – “São incapazes de contrair matrimônio:
1º- os que não têm suficiente uso da razão ;
2º- os que têm grave falta de discrição de juízo a respeito dos direitos e obrigações essenciais do matrimônio, que se devem mutuamente dar e receber;
3º- os que não são capazes de assumir as obrigações essenciais do matrimônio por causas de natureza psíquica».

2. Ignorância (cânon 1096)
«Cânon 1096 – § 1. Para que possa haver consentimento matrimonial, é necessário que os contraentes não ignorem, pelo menos, que o matrimônio é um consórcio permanente entre homem e mulher, ordenado à procriação da prole por meio de alguma cooperação sexual.
§ 2º Essa ignorância não se presume depois da puberdade».

3. Erro (cânones 1097 e 1099)

«Canôn 1099 – 0 erro a respeito da unidade, da indissolubilidade ou da dignidade sacramental do matrimônio, contanto que não determine a vontade, não vicia o consentimento matrimonial».
Para evitar o erro de direito e os problemas daí decorrentes, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil emitiu a seguinte norma:
«Cuidem os sacerdotes de verificar se os nubentes estão dispostos a assumir a vivência do matrimônio com todas as suas exigências, inclusive a de fidelidade total, nas várias circunstâncias e situações de sua vida conjugal e familiar. Tais disposições dos nubentes devem explicitar-se numa declaração de que aceitam o matrimônio tal como a lgreja o entende, incluindo a indissolubilidade» (Orientaçôes Pastorais sobre o Matrimônio, nº 2.15).

Cânon 1097, § 1º: «O erro de pessoa torna inválido o matrimônio».
«O erro de qualidade da pessoa, embora seja causa do contrato, não torna nulo o matrimônio, salvo se essa qualidade for direta e principalmente visada» (cânon 1097 § 2º).

Cânon 1098: «Quem contrai matrimônio, enganado por dolo perpetrado para obter o consentimento matrimonial, a respeito de alguma qualidade da outra parte, qualidade que, por sua natureza, possa perturbar gravemente o consórcio da vida conjugal, contrai-o indevidamente».

4. Simulação (cânon 1101)
«Presume-se que o consentimento interno está em conformidade com as palavras ou os sinais empregados na celebração do matrimônio» (§ 1º).
«Contudo, se uma das partes ou ambas, por ato positivo de vontade, excluem o próprio matrimônio, algum elemento essencial do matrimônio ou alguma propriedade essencial, contraem invalidamente» (§ 2º).

5. Violência ou medo (cânon 1103)
«É inválido o matrimônio contraído por violência ou por medo grave proveniente de causa externa, ainda que não dirigido para extorquir o consentimento, e quando, para dele se livrar, alguém se veja obrigado a contrair o matrimônio».

6. Condição não cumprida (cânon 1102)
«§ 1. “Não se pode contrair validamente o matrimônio sob condição de futuro.
§ 2. 0 matrimônio contraído sob condição de passado ou de presente é válido ou não, conforme exista ou não aquilo que é objeto da condição”.

B. Impedimentos dirimentes (Can. 1083-94)

7. A idade mínima para a validade de um casamento sacramental é 14 anos para as moças e 16 anos para os rapazes. Os Bispos podem dispensar dessa condição, mas rarissimamente o fazem. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil exige dois anos mais para os casamentos no Brasil, ou seja, 16 e 18 anos respectivamente; todavia esta exigência incide sobre a liceidade, não sobre a validade do casamento [4]. Cf. cânon 1083.

8. A impotência (ou incapacidade de praticar a cópula conjugal) anterior ao casamento e perpétua, absoluta ou relativa, é impedimento dirimente . Cf. cânon 1084.

9. O vínculo de um matrimônio validamente contraído, mesmo que não consumado. Cf. cânon 1085.

10. A disparidade do culto: é inválido o casamento entre um católico e uma pessoa não batizada, se a parte católica não pede dispensa do impedimento.

11. A ordenação diaconal, presbiteral ou episcopal. Cf. cânon 1087.

12. A profissão religiosa perpétua. Cf. cânon 1088.

13. Rapto; cf. cânon 1089. Uma mulher levada pela força não se pode casar validamente com quem a está violentando dessa maneira.

14. Crime; cf. cânon 1090. Os que matam seu ou sua consorte, para facilitar um casamento posterior estão impedidos de realizar validamente esse casamento. Da mesma forma, se um homem e uma mulher, de comum acordo, matam o esposo ou a esposa de um deles, não se podem casar validamente entre si.

15. Consangüinidade; cf. cânon 1091. Não há dispensa na linha vertical (pai com filha, avô com neta… ); na linha horizontal, o impedimento (dispensável) vai até o quarto grau, isto é, atinge tio e sobrinha e primos irmãos.

16. Afinidade na linha vertical; cf. cânon 1092. Não há matrimônio válido entre o marido e as consangüíneas da esposa e entre a esposa e os consangüíneos do marido, suposta a viuvez previamente ocorrida. (Nota do Autor: Por exemplo, um viúvo não pode casar-se com a mãe ou filha da ex-esposa). Na linha horizontal não há impedimento: um viúvo pode casar-se com uma irmã (solteira) de sua falecida esposa.

17. Honestidade pública; cf. cânon 1093. Quem vive uma união ilegítima, está impedido de se casar com os filhos ou os pais de seu (sua) companheiro (a).

18. Parentesco legal; cf. cânon 1094. Não é permitido o casamento entre o adotante e o adotado ou entre um destes e os parentes mais próximos do outro. Este impedimento, como outros desta lista, podem ser dispensados por dispensa emanada da autoridade diocesana.

19. Falta de forma Canônica na celebração (Can. 1108-23)

«Forma canônica» é o conjunto de elementos exigidos para a celebração ritual do casamento. Requer-se, com efeito, que a cerimônia se realize perante o pároco do lugar e, pelo menos, duas testemunhas (padrinhos).
«Cânon 1116 – § 1. Se não é possível, sem grave incômodo, ter o assistente competente de acordo com o direito, ou não sendo possivel ir a ele, os que pretendem contrair verdadeiro matrimônio podem contrai-lo válida e licitamente só perante as testemunhas:
1º- em perigo de morte ;
2º- fora do perigo de morte, contanto que prudentemente se preveja que esse estado de coisas vai durar por um mês.
§ 2. Em ambos os casos, se houver outro sacerdote ou diácono que possa estar presente, deve ser chamado, e ele deve estar presente à celebraçâo do matrimônio, juntamente com as testemunhas, salva a validade do matrimônio só perante as testemunhas».

Dissolução do matrimônio não consumado

Cânon 1142: «O matrimônio não consumado entre batizados ou entre uma parte batizada e outra não batizada pode ser dissolvido pelo Romano Pontífice por justa causa, a pedido de ambas as partes ou de uma delas, mesmo que a outra se oponha».

(Fonte)

Processos de nulidade matrimonial mais simples e rápidos

PAPA

Foram anunciadas na manhã de terça-feira (08/09) as principais mudanças decididas pelo Papa em relação aos processos de nulidade matrimonial.

O objetivo do Papa não é favorecer a nulidade dos matrimônios, mas a rapidez dos processos: simplificar, evitando que por causa de atrasos no julgamento, o coração dos fiéis que aguardam o esclarecimento sobre seu estado “não seja longamente oprimido pelas trevas da dúvida”.

As alterações constam nos dois documentos ‘Mitis Iudex Dominus Iesus’ (Senhor Jesus, manso juiz) e ‘Mitis et misericors Iesus’ (Jesus, manso e misericordioso), apresentados na Sala de Imprensa da Sé.

A reforma foi elaborada com base nos seguintes critérios:

1. Uma só sentença favorável para a nulidade executiva: não será mais necessária a decisão de dois tribunais. Com a certeza moral do primeiro juiz, o matrimônio será declarado nulo.

2. Juiz único sob a responsabilidade do Bispo: no exercício pastoral da própria ‘autoridade judicial’, o Bispo deverá assegurar que não haja atenuações ou abrandamentos.

3. O próprio Bispo será o juiz: para traduzir na prática o ensinamento do Concílio Vaticano II, de que o Bispo é o juiz em sua Igreja, auspicia-se que ele mesmo ofereça um sinal de conversão nas estruturas eclesiásticas e não delegue à Cúria a função judicial no campo matrimonial. Isto deve valer especialmente nos processos mais breves, em casos de nulidade mais evidentes.

4. Processos mais rápidos: nos casos em que a nulidade do matrimônio for sustentada por argumentos particularmente evidentes.

5. O apelo à Sé Metropolitana: este ofício da província eclesiástica é um sinal distintivo da sinodalidade na Igreja.

6. A missão própria das Conferências Episcopais: considerando o afã apostólico de alcançar os fiéis dispersos, elas devem sentir o dever de compartilhar a ‘conversão’ e respeitarem absolutamente o direito dos Bispos de organizar a autoridade judicial na própria Igreja particular. Outro ponto é a gratuidade dos processos, porque “a Igreja, mostrando-se mãe generosa, ligada estritamente à salvação das almas, manifeste o amor gratuito de Cristo, por quem fomos todos salvos”.

7. O apelo à Sé Apostólica: será mantido o apelo à Rota Romana, no respeito do antigo princípio jurídico de vínculo entre a Sé de Pedro e as Igrejas particulares.

8. Previsões para as Igrejas Orientais: considerando seu peculiar ordenamento eclesial e disciplinar, foram emanadas separadamente as normas para a reforma dos processos matrimoniais no Código dos Cânones das Igrejas Orientais.

Diante dos jornalistas credenciados, o juiz decano do Tribunal da Rota Romana, Mons. Pio Vito Pinto explicou que os decretos (motu proprio) são resultado do trabalho da comissão especial para a reforma destes processos, nomeada pelo Papa em setembro de 2014.
Também estavam na coletiva o Cardeal Francesco Coccopalmerio, Presidente do Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, e o arcebispo jesuíta Luis Francisco Ladaria, secretário da Congregação para a Doutrina da Fé.

(Fonte)

Se casar, não separe

“Aos casados mando (não eu, mas o Senhor) que a mulher não se separe do marido.
E, se ela estiver separada, que fique sem se casar, ou que se reconcilie com seu marido. Igualmente, o marido não repudie sua mulher.”
(1 Cor 7, 10-11)

Por que é tão difícil seguir este mandamento do Senhor?
E por que as pessoas não aceitam que alguém queira obedecê-lo?

matrimonio

O Papa João Paulo II levantou uma série de questões que são uma ameaça para as famílias na carta que escreveu em 1994 às famílias. Vamos ver algumas citações que João Paulo II disse nesta carta.

Como os inimigos de Deus sabem que não podem destruir Deus, eles se voltam sobre a criação de Deus neste mundo que é a família, porque todos nós estamos aqui por causa de uma família, as vocações surgem a partir de uma família.

Deus entrou dentro de Si mesmo e olhando para Si, criou o homem a Sua imagem. Ele não olhou para uma árvore ou um anjo para nos fazer, o modelo para que Deus nos fizesse foi Ele mesmo. Deus não fez o homem sozinho, porque o amor não pode existir só, então Deus fez a mulher. Fez a mulher diferente do homem fisicamente, psicologicamente, afetivamente. Quanto mais o homem for masculino e a mulher feminina, mas vai existir esta atração para o amor entre si.

É muito fácil concluir que se destruirmos esta instituição (família), nós vamos destruir a sociedade na sua estrutura básica. Se você tirar as rodas de um carro, ele não anda mais. Assim estão fazendo com a sociedade, destruindo a família.

Deus entrou na humanidade pela porta da família. Maria concebeu por obra do Espírito Santo, e José recebeu Maria em sua casa e ali se formou uma família, onde Deus habitou, viveu e se formou. Jesus fez da família um Santuário. Os primeiros cristãos chamavam a família de “Igreja doméstica”, justamente porque não era permitido o culto cristão a igreja primitiva se reunia nas casas, nas famílias.

A família e o serviço sacerdotal foram as únicas instituições humanas que Jesus elevou a sacramento. E como dizia o papa João Paulo II “a família está jurada de morte” na sociedade moderna. Existe uma engenharia social que está querendo destruir a família.

“Deus entrou na humanidade pela porta da família”

João Paulo II disse:

“Nos nossos dias, infelizmente, vários programas sustentados por meios muito poderosos parecem apostados na desagregação da família. (.) A família está sob a mira de ataque em muitas nações. Uma ideologia anti-família tem sido promovida por organizações e indivíduos que, muitas vezes, não obedecem princípios democráticos”.

A primeira ameaça à família, segundo João Paulo II, é o divórcio. Hoje quase que no mundo inteiro o divórcio está aprovado como lei. Deus disse: “não se separe o que Deus uniu”. E o homem diz: “sim, nós criamos uma lei que divide”. Então o homem se rebela, vai contra a Deus.

Outro ponto que o Papa fala é do “sexo seguro”. “O chamado ‘sexo seguro’, propagandeado pela civilização técnica, na realidade é, sob o perfil das exigências globais da pessoa, ‘radicalmente não seguro’, e mais, gravemente perigoso”, disse João Paulo II.

Quando foi aprovado a pilula anticoncepcional, o Papa Paulo VI disse: “vai ser a desgraça da sociedade”, porque o sexo vai ser usado apenas como objeto de prazer, como abertura para a pornografia, etc. O Papa disse isso a 50 anos atrás e nós estamos vendo hoje uma desgraça que pesa sobre a sociedade. A Europa está desesperada fazendo campanha para as pessoas terem filhos, porque está sendo invadida por imigrantes. Hoje na Europa se produz mais caixões do que berços, porque morre mais gente do que nasce.

O Papa fala também do “amor livre”: O ‘amor livre’ explora as fraquezas humanas, conferindo-lhes uma certa ‘moldura’ de nobreza com a ajuda da sedução e com o favor da opinião pública. Procura-se assim ‘tranquilizar’ a consciência, criando um ‘álibi moral’. Mas não se tomam em consideração todas as consequências que daí derivam, especialmente quando a pagá-las são, para além do cônjuge, os filhos, privados do pai ou da mãe e condenados a serem, de fato, órfãos de pais vivos.

O Papa chama a atenção de filhos que são “órfãos de pais vivos”, consequência do sexo livre. Todos nós que temos família sabemos da importância do calor do pai e do calor da mãe, como é seguro para uma criança poder correr para a segurança de um pai e de uma mãe. O papa João Paulo II disse que ninguém pode ser feliz sem experimentar o amor, e este amor é experimentado de forma particular na família porque lá você não é um RG, um CIQ. A família canta “parabéns pra você”, vai te visitar no hospital quando você está doente, não te trata como um número.

O Papa fala também de que a Igreja não pode reconhecer a união de pessoas do mesmo sexo. “Não é moralmente admissível a aprovação jurídica da prática homossexual. Ser compreensivos para com quem peca, e para com quem não é capaz de se libertar desta tendência, não significa abdicar das exigências da norma moral…Não há dúvida de que estamos diante de uma grande e terrível tentação” João Paulo II em 1994

A Igreja não é homofóbica, ela ama seus filhos como eles estão, mas não pode de forma alguma aceitar o pecado.

“Amar não é desfrutar do outro, amar é construir o outro”

Outra ameaça às famílias é a pornografia. Quantas mulheres me disseram que encontraram seus maridos de madrugada vendo pornografia na internet. Homens viciados em pornografia e muitas vezes estes homens não querem mais as suas mulheres, ou pior, querem fazer da sua esposa o que viu na tela do computador. Nós ficamos bravos quando vimos as pessoas profanando as igrejas, mas estamos aceitando a profanação do Santuário de Deus que são os filhos de Deus.

Hoje nós estamos vendo um mundo cruel, um mundo que faz tudo exatamente contra a vontade de Deus. Deus diz: “não matar” e eles propagam o aborto, a eutanásia, o adultério.

Qual a missão da Igreja? É a missão de Jesus Cristo, a Igreja é o braço de Cristo prolongado aos homens na história. E a missão de Cristo foi anunciada por João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Quantas pessoas estão derramando o seu sangue como Cristo derramou para denunciar o pecado. Nós precisamos levantar a voz e condenar o mal porque ele está ficando normal, ele entra em doses homeopáticas, vai tomando a nossa consciência e, aos poucos, vamos aceitando o que Deus reprova.

Outro ponto é a tal “geração independente”. O que é isso? A pessoa solteira cisma de ter um filho mas não quer casar, então ela arruma um namorado tem um filho, depois larga o namorado e vive apenas com um filho. Não! A criança não é uma boneca, a criança tem direito de ter um lar, uma família.

Prof. Felipe Aquino

Barrinha- (77)

Oração de consagração do matrimônio

aliancas_bibliaMeu Deus, animado pelo poder e pela força do Sacramento do Matrimônio, encontro-me hoje aqui, para consagrar totalmente e mais uma vez nosso relacionamento.

Consagro e relembro agora, com alegria, o dia em que pronunciamos no altar, perante o sacerdote, nossos parentes e amigos, o compromisso de nos tornarmos uma só carne através de um Sim, selado, confirmado e abençoado pelo Senhor.

Consagro nosso passado… Cada dia do nosso casamento em que pensei que não fosse capaz de sustentar e levar adiante o meu Sim. Entrego tudo ao Seu Amor, pedindo que cure em nosso coração as feridas que causaram dor e ressentimento.

Consagro nosso presente… Todas as situações que estamos vivendo agora coloco em Suas mãos. As dificuldades e as alegrias de nossa vida em comum. Peço a graça para dizer meu Sim no dia de hoje, pedindo perdão e perdoando profundamente (meu esposo/minha esposa).

Consagro nosso futuro… Consagro o Sim de cada dia que há de vir, vivendo cada um destes dias com o mesmo amor e entusiasmo do dia de nosso casamento.

Comprometo-me, deste momento em diante, a ser um instrumento de santificação e salvação eterna para (meu marido/minha esposa).

Amém.

(Pe. Eduardo Dougherty, scj)

(Fontes: aqui e aqui)

Católico divorciado pode namorar?

“Em primeiro lugar, confie na misericórdia infinita de Deus…”

divorcio

O matrimônio cristão:

O matrimônio é uma aliança ou contrato pelo qual o homem e a mulher aderem a uma instituição natural que origina uma comunhão de vida para sempre.;

A instituição natural do casamento apresenta três elementos essenciais: a unidade ou monogamia, isto é, a fidelidade a um só cônjuge ou a exclusividade da união matrimonial, o vínculo de “um com uma”; a indissolubilidade, isto é, a permanência do vínculo matrimonial através do tempo, “até que a morte os separe”; e a fecundidade, isto é, os filhos, os frutos dessa união

O matrimônio cristão não é apenas uma instituição natural, porque Jesus Cristo elevou essa instituição à dignidade de sacramento.

No Evangelho: Os fariseus vieram perguntar-lhe para pô-lo à prova: “É permitido a um homem rejeitar a sua mulher por qualquer motivo?” Respondeu-lhes Jesus: “Não lestes que o Criador no começo fez o homem e a mulher e disse: «Por isso o homem deixará seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne? Portanto, não separe o homem o que Deus uniu».” (Mat 19, 3-9)

unidade significa que o casamento se realiza entre um só homem e uma só mulher. É o que se chama também união monogâmica.

Em si mesma, a palavra indissolubilidade significa apenas que o matrimônio não pode ser dissolvido pelo divórcio; mas para além desse sentido meramente negativo, vimos já que significa principalmente algo mais profundo: a fidelidade conjugal, salvaguarda da unidade entre os esposos. O novo Catecismo frisa precisamente esta relação entre indissolubilidade e fidelidade: O casal de cônjuges forma «uma íntima comunhão de vida e de amor que o Criador fundou e dotou com leis próprias.

É instaurada pelo pacto conjugal, ou seja, pelo consentimento pessoal irrevogável» (Gaudium et spes 48, 1). Os dois entregam-se definitiva e totalmente um ao outro. Já não são dois, mas formam doravante uma só carne. A aliança livremente contraída pelos esposos impõe-lhes a obrigação de a manter una e indissolúvel (cf. Codex Iuris Canonici [CIC], cân. 1056). O que Deus uniu, o homem não separe (Mc 10, 9). “A fidelidade exprime a constância em manter a palavra dada. Deus é fiel. O sacramento do Matrimônio fez o homem e a mulher entrarem no âmbito da fidelidade de Cristo à Sua Igreja. Pela castidade conjugal, eles dão testemunho deste mistério perante o mundo” (n. 2365).”

O namoro cristão:

A idéia fundamental que deve presidir o namoro é esta: é preciso namorar sempre com o intuito de encontrar o futuro cônjuge.

Não se namora porque “todos têm” um namorado ou uma namorada, ou para ter alguém com quem passar o tempo, ou para satisfazer necessidades afetivas ou sexuais. O namoro encarado seriamente deve ter em vista o grande ideal de construir uma família perfeita que torne feliz a união conjugal.

O desquite e o divórcio:

Desquite é a separação dos cônjuges sem que exista ruptura do vínculo: as pessoas separam-se, mas continuam casadas.

O divórcio é a separação acompanhada de ruptura do vínculo, e, segundo a legislação brasileira, permite contrair novo matrimônio civil.

Uma pessoa católica desquitada pode comungar?

– Só o fato de estar desquitada não impede a pessoa de receber o Sacramento da Eucaristia. O que importa é que não se junte a outra pessoa para viver maritalmente. Se for este o caso, não poderá receber a Eucaristia enquanto não se separar e fizer a confissão oportuna.

A Igreja permite a separação [desquite]?

– A Igreja só permite a separação [desquite] quando não há outro meio de solucionar uma desavença matrimonial, a fim de evitar males maiores como os maus-tratos de um dos cônjuges e os maus exemplos para os filhos. O novo Catecismo diz a este respeito: «A separação dos esposos com a manutenção do vínculo matrimonial pode ser legítima em certos casos previstos pelo Direito Canônico» (cf. CIC, cân. 1151-1155)” (n. 2383)

A Igreja não aceita o divórcio por dois motivos:

1) porque contraria o Direito natural, que é plano de Deus;

2) porque contraria os mandamentos explícitos e positivos de Deus Criador e de Jesus Cristo.

Quando um católico se divorcia, pode casar-se pela segunda vez?

– Quando um católico se divorcia, não pode voltar a casar-se, nem pelo civil nem pelo religioso. Se o fizer pelo civil, por ser permitido pela lei, comete pecado grave. Isto vale também, apesar de sua aparente dureza, para o cônjuge injustamente abandonado. É precisamente porque está em jogo um valor socialmente importantíssimo – a fidelidade – que não se podem admitir exceções nesta matéria

A pessoa divorciada e “recasada” pode confessar-se e comungar?

– Esse pecado cria um estado de irregularidade que – segundo determina a Igreja – impede a pessoa de confessar-se (enquanto não se separar do seu companheiro ou viver com ele sem ter relações sexuais nem causar escândalo), bem como de comungar, porque não está em estado de graça, condição indispensável para se receber a Eucaristia. Como é evidente, a pessoa que se encontra civilmente divorciada sem culpa própria, ou que foi abandonada pelo cônjuge, pode confessar-se e comungar regularmente, como qualquer católico, se está em graça de Deus. Só deixaria de poder fazê-lo se contraísse uma nova união, pois estaria assim demonstrando com a sua atitude que ratifica a separação da qual, até então, foi apenas uma vítima inocente. 

O adultério:

O adultério é a relação sexual entre parceiros dos quais pelo menos um é casado. O adultério é um pecado grave por duas razões:

1) peca-se gravemente contra a castidade, já que o ato sexual realiza-se fora do matrimônio;

2) peca-se também gravemente contra a justiça, porque se lesam os direitos do outro cônjuge, que tem um direito exclusivo sobre o corpo do marido ou da esposa nos atos próprios da vida conjugal

A virtude da castidade:

Pode-se definir a castidade como a virtude que inclina a submeter prontamente e com alegria o uso da faculdade sexual aos ditames da razão iluminada pela fé. É preciso insistir que a castidade não é repressão, mas virtude que canaliza e conduz o amor, como as artérias conduzem o sangue ao coração. Neste sentido, Santo Agostinho diz que a castidade é um «amor ordenado que não subordina o maior ao menor».

Dom Rafael Llano Cifuentes, bispo de Nova Friburgo, licencidado em Direito Civil pela Universidade de Salamanca e Doutor em Direito Canônico pela Universidade Pontifícia de Santo Tomás de Roma, no livro “270 Perguntas e Respostas sobre Sexo e Amor“, Quadrante, Sociedade de Publicações Culturais, São Paulo, SP, 1995.

Baseando-se na explicação acima, podemos concluir que:

Uma pessoa católica casada pelo sacramento do matrimônio, separada (desquitada ou divorciada), independente do modo de separação, não deve namorar, porque ao namorar, quer castamente quer não-castamente, tem o intuito de encontrar o futuro cônjuge, se coloca em um estado de pecado grave de infidelidade matrimonial, perde a graça santificante, ficando assim impossibilitada de receber a comunhão sacramental. Pode, neste caso, realizar apenas a comunhão espiritual(*).

(*) Comunhão espiritual:

A Comunhão espiritual é um desejo ardente de receber Nosso Senhor Jesus Cristo presente na Eucaristia, sem que, todavia, se realize este desejo. Consta, a comunhão espiritual, de três atos:

a) ato de fé na Presença real,

b) recordação dos benefícios espirituais que Nosso Senhor Jesus Cristo nos grangeou por sua paixão, e que nos concede na santa comunhão,

 c) ato de caridade, unido à vontade de recebê-lo na comunhão sacramental.

 Pode-se fazer a comunhão espiritual a qualquer hora. Mas o momento mais oportuno, é o da comunhão do sacerdote, no sacrifício da missa.

Os efeitos da comunhão espiritual são da mesma natureza que os da comunhão sacramental, porém, de grau menor, e variáveis conforme os sentimentos de quem a faz. Seja qual for, o resultado da comunhão espiritual, é sempre muito boa, e sempre foi altamente preconizada e encarecida pela Igreja.

Boulenger,Doutrina Católica, Terceira Parte, Meios de Santificação, Liturgia, Livraria Francisco Alves, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Nihil Obstat – São Paulo, 1927 (Can. Dor. Martins Ladeira, censor)

 Exemplo de oração de comunhão espiritual: “Eu quisera , Senhor, receber-Vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu a vossa Santíssima Mãe, com o espírito e o fervor dos santos”.

(Fonte)

Receita de Reconciliação

(Pe. Zezinho, SCJ)

reconciliação casal

Minha mãe fazia um bolinho de polvilho excelente. As amigas pediam a receita e ela dava. Algumas conseguiam o mesmo produto e o mesmo gosto. Outras, não. Quando perguntavam porque, minha mãe dizia: Não basta fazer. Tem que ter leveza! …

Não existem receitas para a reconciliação de um casal em grave crise. Mas existem conselhos que em muitos casos acabam dando certo, isto porque encontram leveza num deles ou nos dois. Casais em vias de separação costumam pegar pesado, quase sempre um dos dois querendo que tudo volte a ser como era e o outro insistindo em partir para outra experiência, ou ao menos em terminar a convivência. Quando as posições se radicalizam não há como reconciliar. Não estão prontos. A expressão que trava tudo é: Sim, eu errei, mas a maior vítima sou eu!

Se conselhos ainda valem, anotem estes:

– Orem pedindo luzes. Não falem demais. Não levantem a voz. Palavrão, jamais. Não se xinguem. Não ameacem. Não se aterrorizem. Não batam toda a hora na porta do outro. Segurem as lágrimas, sobretudo se parecerem armação e chantagem. Não se façam de vítimas, mesmo que sejam. Não usem os filhos um contra o outro. Um não ataque os parentes do outro. Há bons e maus amigos: escolham a quem ouvir. Não aplaudam quem atacar o outro lado, para ficar bem com o seu. Não façam as coisas que queriam fazer, dizendo que só fez porque seu psicólogo ou seu conselheiro mandou. Não deturpem o que ouviram deles. Não puxem a brasa para a sua sardinha. Não remoam o passado na frente dos outros. Não o remoam, lembrando apenas os erros, caso se encontrem. Quem der perdão tem que pedi-lo, também. Ouçam-se muito e falem o menos possível. Um não interrompa o outro, nem a sós, nem diante dos conselheiros. Desarmem o coração por mais mágoa que levem. Meçam as palavras. Considerem as coisas boas que viveram juntos. Se no momento não dá mais para conviverem, ouçam bem seu diretor espiritual, seu advogado e quem entende de comportamento humano. O melhor lugar para conselhos não é o cabeleireiro, nem o bar da esquina! Não prometam o que não cumprirão. Não lavem roupa suja. Tentem achar a dignidade e o respeito. A cidade inteira não precisa saber do seu conflito.

Perdoar é muito difícil e pedir perdão também. Mas, quando uma ferida avançou demais, é preciso ir fundo na cura. O perdão e o arrependimento vão fundo. Reconciliar é tornar a conciliar as pessoas e o que as rodeia. É concordar no essencial, por as cabeças juntas, sentar-se juntos. Quem parou de fazer isso deve se imaginar, se não agora, quem sabe mais adiante, passada a poeira da briga, conversando e maneira civilizada. Cuidado com a palavra “não, nunca, jamais”. São balas perdidas. Acabam ricocheteando e acertando os filhos…

Fonte: www.padrezezinhoscj.com/