Penitência – parte 2

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MODALIDADES

A Sagrada Congregação para o Culto Divino estabeleceu três modalidades de administração do sacramento da reconciliação:

– Confissão individual dos penitentes, sem o rito penitencial coletivo.
– Rito penitencial coletivo com confissão e absolvição individuais.
– Rito penitencial coletivo com confissão e absolvição gerais.

ABSOLVIÇÃO COLETIVA

Por sua vez a Conferência Nacional dos Bispos dos Brasil reunidos na sua 43ª Assembléia Geral em 2005 estabeleceu alguns aspectos da Celebração do Sacramento da Penitência com relação à legislação complementar ao Código de Direito Canônico, tendo em vista a absolvição sacramental coletiva. Assim foi decidido:

– A absolvição sacramental coletiva de acordo com o cân. 961 §2 sem a prévia confissão individual poderá ser permitida pelo bispo diocesano em “situações objetivamente excepcionais” (MD, 4 a ) como:

a) A dificuldade de locomoção dos fiéis e pastores, numa vasta extensão territorial:

b) A existência de inúmeras “comunidades de fiéis isolados, onde o sacerdote só pode passar uma ou poucas vezes ao ano ( MD, 4 a: cân. 961 § 2 );

c) Quando, devido ao número de penitentes, não houver sacerdotes suficientes para ouvirem as confissões de cada um, dentro de tempo razoável, de tal modo que os penitentes fossem obrigados a permanecer durante muito tempo privados da graça sacramental (CDC, 961 §1).

– Além daquilo que é prescrito nos cân. 960-963, o bispo diocesano deverá ainda levar em consideração o quanto segue:

a) A absolvição coletiva, como meio extraordinário, não pode suplantar, pura e simplesmente, a confissão individual e íntegra com absolvição, único meio ordinário de reconciliação sacramental (MD 1 a).

b) Estabeleçam-se horários favoráveis, fixos e freqüentes, para facilitar aos fiéis o acesso à confissão individual (MD 1 b e 2 ).

c) Ministros e penitentes poderão, sem culpa própria, recorrer a esse meio extraordinário de reconciliação, sempre que houver grave necessidade (CDC, 961 §1).

Embora insistindo na necessidade de se aproximar quanto antes da confissão individual, antes de receber nova absolvição geral, o recurso, mesmo repetido, a essa forma extraordinária de reconciliação, pode legitimar-se surgindo causa justa (MD, 8). Não se pode, portanto, ignorando tais situações, impedir simplesmente ou restringir seu emprego pastoral.

d) Para dar licitamente a absolvição coletiva, fora do perigo de morte, não basta que, em vista do número de penitentes, os confessores sejam insuficientes para atendê-los na forma devida, em espaço de tempo razoável. Requer-se, além disso, que sem a absolvição coletiva, esses fiéis, sem culpa própria, permaneceriam, por cerca de um mês, privados do perdão sacramental ou da comunhão; ou lhes seria muito penoso ficar sem esses sacramentos (MD 4 b,c,d).

e) Não constitui suficiente necessidade, a mera grande afluência de penitentes, não só em ocasiões de uma festa solene ou de uma peregrinação, mas nem mesmo por turismo ou outras razões semelhantes devidas à crescente mobilidade das pessoas (MD, 4 f )

– Fora destas condições que a justificam, não se pode dar a absolvição coletiva. O Rito penitencial coletivo com absolvição individual continua recomendado, sobretudo nos tempos fortes penitenciais.

CASOS RESERVADOS

– A absolvição de alguns pecados particularmente graves e o levantamento de penas, como a excomunhão, são reservados à Sé Apostólica ou ao Bispo do lugar ou a presbíteros por ele
autorizados. O Código de Direito Canônico prevê nove casos que incorrem em excomunhão latae sententiae. Destes, alguns casos são reservados à Sé Apostólica:

a) Profanação das espécies sagradas, reservado à Sé Apostólica (CDC, 1367);

b) Violência física contra o Romano Pontífice, reservado à Sé Apostólica (CDC,1370);

c) Tentativa de absolvição do cúmplice em pecado contra o sexto mandamento do Decálogo, reservado à Sé Apostólica (CDC, 1378);

d) Consagração ilícita de um bispo sem mandato pontifício; incorre na mesma pena o bispo ordenado ilicitamente, reservado à Sé Apostólica (CDC, 1382);

e) Violação direta do segredo da Confissão, reservado à Sé Apostólica (CDC, 1388 §1);

f) Apostasia, Heresia e Cisma (CDC, 1364 §1);

(Obs: o Papa Francisco autorizou que todos os padres da Igreja Católica possam perdoar o pecado do aborto (Carta Apostólica “Misericordia et misera” item 12 )

OUTRAS ORIENTAÇÕES

– Nas paróquias e comunidades assistidas por algum sacerdote, fixe-se num lugar bem visível os horários de atendimento a confissões individuais, inclusive para pessoas que não podem acorrer ao sacramento em horário comercial. Elimine-se a confissão individual durante a missa ou outra celebração da comunidade no mesmo recinto (Euch. Myst. 17).

– Pela constante instrução, o pároco faça os fiéis compreenderem que a celebração da Sagrada Eucaristia e o próprio ato penitencial na missa ou fora dela, sem a absolvição sacramental, tem o poder de perdoar os pecados veniais, desde que leve a práticas concretas de atos de amor a Deus, obras de caridade e de misericórdia. Assim poderá ser evitada a busca rotineira e exagerada da absolvição, que pode esvaziar o sentido profundo do sacramento. Contudo é recomendável que os pecados veniais sempre sejam reparados pela confissão auricular na medida da possibilidade.

– Para absolvição usa-se a fórmula atual, em vernáculo, mantendo-se as mãos estendidas, ou pelo menos a direita, sobre a cabeça do penitente.

– A penitência imposta aos fiéis não seja uma simples recitação de preces, que praticamente fazem esquecer o caráter penitencial. Seja sim, uma tarefa concreta, com perspectivas comunitárias (CNBB, Rito penit., p. 44).

– Onde for possível, valorize-se uma breve celebração de encerramento do rito penitencial comunitário; assim, a celebração do sacramento da reconciliação no espírito eclesial encontra expressão de alegria pascal e de profunda gratidão pela manifestação da misericórdia de Deus (CNBB, Past. da penit., 3.3.4).

– Diante do “grave obscurecimento da consciência moral em muitos homens” (RP, 18) através da catequese penitencial, os párocos expliquem a seus fiéis que toda a vida do cristão deve ser impregnada do espírito de penitência e que neste contexto se enquadra o sacramento da reconciliação, como suma expressão de conversão (CNBB, Past da penit., 3.3.8).

– Seja conferida solenidade especial à Primeira Confissão, quer pela preparação, quer pelo espírito de penitência que a envolve. É aconselhável que seja celebrada após a catequese sobre o pecado, como sacramento do amor e da volta ao Pai e não necessariamente às vésperas Primeira Eucaristia.

– Os casais unidos só no civil e os amasiados não podem receber a absolvição sacramental, salvo em perigo de morte. Mas é importante que sejam acolhidos, e orientados.

– A sede apropriada para ouvir confissões seja, normalmente, o confessionário tradicional, permitindo assim aos fiéis e confessores que o desejem, seu livre uso (MD 9,b ), ou outro recinto conveniente, claramente indicado e de fácil acesso, de modo que os fiéis se sintam convidados à prática do sacramento da penitência. (CNBB, 14a. Assembléia geral).

– Os presbíteros com uso de ordem, possuem a faculdade de remeter as penas não reservadas à Santa Sé. Para remeter a pena não é necessária fórmula alguma, basta a intenção do confessor bem como a manifestação e o arrependimento do penitente.

– Que adote-se todas as orientações do RITUAL DA PENITÊNCIA.

Os componentes da confissão sacramental que o penitente deve saber:

– Exame de Consciência. É preciso avaliar a consciência com coragem, segundo a luz do Espírito Santo.

– Contrição ou Arrependimento. Consiste na “dor da alma e a detestação do pecado cometido, com propósito de não tornar a pecar” (Trento, Sessão XIV, sobre o Sacramento da Penitência, cap. IV. Denzinger, p.429). Desta contrição interior depende a autenticidade da penitência. A conversão deve atingir intimamente o homem para iluminá-lo cada dia com maior intensidade e configurá-lo cada vez mais ao Cristo (cf. Ritual da Penitência, n.6).

– Confissão dos pecados: A confissão das culpas que procede do verdadeiro conhecimento de si mesmo diante de Deus, e da contrição dos pecados. Para obter a reconciliação é preciso declarar ao sacerdote todos os pecados graves não confessados. A Igreja recomenda a confissão das falta veniais (cf. ibidem).

– Absolvição: Ao pecador que manifestou sua conversão ao ministro da Igreja, pela confissão sacramental, Deus concede o perdão mediante o sinal da absolvição, e assim se realiza o sacramento da penitência (cf. ibidem).

– Satisfação: A verdadeira conversão se completa pela satisfação das culpas, pela mudança de vida e pela reparação ao dano causado. As obras e a medida da satisfação devem adaptar-se a cada penitente para que cada um restaure a ordem que lesou e possa curar-se com o remédio adequado (cf. ibidem).

CELEBRAÇÃO

As diversas partes do ato litúrgico para a reconciliação individual orientada pelo sacerdote são:

– Acolhimento do penitente: com o sinal da cruz e alguma exortação oportuna que pode ser um texto bíblico, um texto da Igreja ou palavras espontâneas semelhantes (cf. Ritual da Penitência, n. 41-42).

– Leitura da Palavra de Deus se for conveniente, portanto trata-se de uma iniciativa facultativa (ibidem, n. 43).

– Confissão dos pecados pelo penitente (ibidem, n. 44).

– Aconselhamento do sacerdote e exortação à contrição das culpas (ibidem).

– Ação penitencial ao penitente para a satisfação pelos pecados e renovação de sua vida (ibidem).

– Oração do Ato de Contrição pelo penitente: o sacerdote deve possibilitar que o penitente adote a fórmula de oração que melhor lhe convier (ibidem, n.45).

– Oração da absolvição sacerdotal: com as mãos estendidas sobre a cabeça do penitente, pelo menos a mão direita, o sacerdote, depois de tê-lo ouvido, pronuncia a fórmula da absolvição, dizendo: DEUS, PAI DE MISERICÓRDIA, QUE, PELA MORTE E RESSURREIÇÃO DE SEU FILHO, RECONCILIOU O MUNDO CONSIGO E ENVIOU O ESPÍRITO SANTO PARA REMISSÃO DOS PECADOS, TE CONCEDA, PELO MINISTÉRIO DA IGREJA, O PERDÃO E A PAZ. E EU TE ABSOLVO DOS TEUS PECADOS, EM NOME DO PAI, E DO FILHO, E DO ESPÍRITO SANTO (ibidem, n. 46).

– Despedida do penitente (ibidem, n. 47).

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Penitência

Sacramentos de Cura

Pelos sacramentos da iniciação cristã, o homem recebe a vida nova de Cristo. Ora, esta vida nós a trazemos “em vasos de argila”. (2Cor 4,7). Agora, ela ainda se encontra “escondida com Cristo em Deus”. (Cl 3,3). Estamos ainda em “nossa morada terrestre”, sujeitos ao sofrimento, à doença e à morte. Esta nova vida de filhos de Deus pode se tornar debilitada e até perdida pelo pecado. (CIC 1420).

O Senhor Jesus Cristo, médico de nossas almas e de nossos corpos, que remiu os pecados do paralítico e restituiu-lhe a saúde do corpo, quis que sua Igreja continuasse, na força do Espírito Santo, sua obra de cura e de salvação, também junto de seus próprios membros. É esta a finalidade dos dois sacramentos de cura: o sacramento da Penitência e o sacramento da Unção dos Enfermos. (CIC 1421).

papa francisco confessando

PENITÊNCIA

O sacramento da penitência ou reconciliação é essencial para a vida da Igreja. A santidade da Igreja, componente de sua sacramentalidade, depende, em grande parte, da prática adequada deste sacramento. A penitência restitui ao batizado a condição de nova criatura, perdida pelo pecado original. Seria ilusório querer alcançar a santidade, segundo a vocação que cada um recebeu de Deus, sem se aproximar com frequência e fervor deste sacramento da conversão e da santificação (cf. João Paulo II, Discurso aos participantes do curso sobre “Foro íntimo”, em 27 de maio de 2004. L´Oss. Romano, ed. Port.,nº. 14, 03 de abril de 2004, p.05).

O ministério do perdão, que Cristo exerceu como sacerdote, por sua encarnação (cf. Tomás de Aquino, S. Th. Q. XXII, a. III, ad primum), ele quis que fosse continuado pela Igreja. Ele
instituiu pessoalmente este sacramento quando, na tarde do domingo da ressurreição, disse: “Recebei o Espírito Santo; os pecados daqueles que perdoardes serão perdoados. Os pecados daqueles que não perdoardes não serão perdoados” (Jo 20, 22-23).

Este sacramento não só concede a remissão dos pecados, como também leva a uma verdadeira ressurreição espiritual. Quem se confessa com o desejo de progredir não recebe apenas o perdão de Deus e a graça do Espírito Santo, mas também uma luz preciosa para o caminho de perfeição.

As diferentes denominações deste sacramento no ajudam a entender seus sentidos diversos, mas complementares:

I. Sacramento da conversão: é um convite de Jesus à conversão e à volta ao Pai.

II. Sacramento da Penitência: traz a exigência de um esforço pessoal e eclesial de conversão e de arrependimento.

III. Sacramento da confissão: a acusação dos pecados ou confissão das faltas ao sacerdote é parte essencial deste sacramento.

IV. Sacramento do perdão: pela absolvição sacramental, Deus concede o perdão e a paz.

V. Sacramento da reconciliação: este sacramento confere ao pecador o amor de Deus que reconcilia. “Reconciliai-vos com Deus” (2 Cor 5, 20).

Para o bom proveito do sacramento da reconciliação, é importante fazer uma preparação pessoal ou comunitária, que inclua o exame de consciência. “A confissão individual e íntegra e a absolvição constituem o único modo ordinário, pelo qual o fiel, consciente de pecado grave, se reconcilia com Deus e com a Igreja” (cân. 960).

Elementos necessários para a confissão sacramental:

I. Arrependimento ou contrição: é chamado perfeito quando nasce do amor para com Deus. Se estiver fundado em outros motivos, será um arrependimento imperfeito.

II. Confissão dos pecados: para obter a reconciliação, é preciso declarar ao sacerdote todos os pecados graves não confessados. A Igreja recomenda, embora não seja essencial ao sacramento da penitência, a confissão das faltas veniais.

III. Absolvição dada pelo confessor: após o aconselhamento e a penitência.

IV. Satisfação ou penitência: é o cumprimento de certos atos reparadores do prejuízo causado pelo pecado e para restabelecer os hábitos próprios ao discípulo de Cristo.

O sacramento da penitência supõe um processo contínuo de conversão, de retorno à comunhão com Deus e com os irmãos. Por isso, é também o sacramento da alegria pascal, de louvor
e de ação de graças.

A fórmula da absolvição em uso na Igreja latina exprime os elementos essenciais do sacramento: “Deus, Pai de misericórdia, que, pela morte e ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito Santo para remissão dos pecados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz. E eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Ritual Romano, Rito da Penitência, fórmula da absolvição).

“No sacramento da penitência, os fiéis que confessam seus pecados ao ministro legítimo, arrependidos e com o propósito de se emendarem, alcançam de Deus, mediante a absolvição dada pelo ministro, o perdão dos pecados cometidos após o batismo, e ao mesmo tempo se reconciliam com a Igreja, à qual ofenderam pelo pecado” (CDC, 959).

O catolicismo é uma religião de redenção. O perdão dos pecados faz parte da essência de nossa fé. O perdão, a reconciliação é iniciativa de Deus (cf. Jo 3, 16-18). O perdão nos foi dado pelos méritos de Cristo e supõe da parte do fiel penitente uma resposta confiante, o arrependimento e a conversão. Para tanto, nos é dada a graça de Deus. Nos passos de Cristo, “a Igreja não cessa de convidar seus membros à conversão e restauração da vida e a manifestarem a vitória de Cristo sobre o pecado pela celebração da penitência, esmerando-se em valorizar a prática da confissão” (CNBB, doc. 43, n° 88).

Assim, “tendo diante dos olhos as situações atuais, é necessário formar a consciência moral dos fiéis, dando-lhes a verdadeira noção de pecado (CNBB, doc. 6, Pastoral da penitência, 4.1.2)”.

Por fim, “a confissão individual se desenvolva numa linha de diálogo e colóquio fraternal entre penitente e confessor. A penitência, celebrada de modo individual, não pode reduzir-se ao perdão dos pecados, mas deve colocar em realce o valor personalizante do aconselhamento, da orientação de vida e da direção espiritual (CNBB, idem, 4.4.1.4)”.

Oração de arrependimento

(Franco Guizzetti)

Nesta semana após a Páscoa a compaixão e renovação estão muito fortes em nossas mentes e coração. Existe um ditado que fala que “há quatro coisas que não voltam atrás: a pedra atirada, a palavra dita, a ocasião perdida e o tempo passado”.

Quantos de nós, em algum momento da vida pessoal ou profissional, não falamos algo muito chato para alguém? Ou teve alguma atitude que agrediu alguém e deixou mágoas com cicatrizes profundas?

No momento, acreditamos que temos razão das atitudes e palavras agressivas. Mas, se pararmos para uma análise mais detalhada, sem o calor do momento, veremos que poderíamos resolver o assunto de outra forma ou sem agressão.

Só que há pessoas que acreditam que falar “o que bem entender” para as outras é normal. Elas pensam que são donas da verdade e acreditam que podem ser agressivas em cada gesto ou palavra. Ainda mais se forem contrariadas.

Pior ainda se magoamos pessoas que não fizeram nada. Aí temos dois trabalhos: o de arrependimento e de tentar o perdão da pessoa. Vá com calma. Tem horas que temos que ser mais rígidos. Mas, não a toda hora e sem motivo. Trabalhe em você o perdão e o arrependimento e controle mais a mente e língua explosiva.

Que energia jogada fora. Falar o que não se deve e depois ficar arrependido. Cresça amigo ou amiga. Mude sua postura de “dono do mundo”. Ouça mais e fale menos. E, arrependa-se de tanta agressividade espalhada. Pense neste tema e faça a oração de arrependimento abaixo.

oração

Oração de Arrependimento

Senhor Jesus, eu quero agora me prostrar diante da maior prova do teu amor por mim: a tua cruz redentora, reconheço todo meu pecado que pesou sobre teu corpo, fazendo com que teu sangue jorrasse para o perdão destes meus pecados.

Ó Jesus, eu te peço: perdoe-me por todo mal instalado no meu coração; toda raiz de ódio, inveja, gula, julgamento, maledicências, mentiras, egoísmo, orgulho, vaidade , vícios, e desregramentos, preguiça, avareza, sensualidade, soberba, impaciência, gritarias, palavrões e aberrações.

Eu me arrependo também de toda infidelidade a ti, das vezes que busquei a solução dos meus problemas em lugares onde não te professam como único e verdadeiro Deus, Senhor e Salvador.

Senhor, reconheço toda minha fraqueza e te peço agora: dá-me a força do teu Espírito Santo para que eu não volte mais a pecar e, no momento em que for cometê-lo, que eu saiba evitar e não volte mais a pecar.

Jesus, tende piedade de mim! Obrigado Senhor, pelo teu perdão, por me ensinar a me arrepender sempre de minhas faltas. Obrigado pelo teu infinito amor. Amém.

(Fonte)

O que é indulgência plenária? Como alcançá-la no Ano da Misericórdia?

terçomaoA doutrina e o uso das indulgências na Igreja Católica há vários séculos encontram sólido apoio na Revelação divina, e vem dos Apóstolos.

“Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida aos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos”. (Norma 1 do Manual das Indulgências).

O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que: “Pelas indulgências, os fiéis podem obter para si mesmos e também para as almas do Purgatório, a remissão das penas temporais, sequelas dos pecados” (n. 1498).

O pecado tem duas consequências: a culpa e a pena. A culpa é perdoada na Confissão; a pena, que é a desordem que o pecado provoca no pecador e nos outros, e que precisa ser reparado, é eliminada pela indulgência que pode ser plenária (total) ou parcial.

De acordo com o Manual das Indulgências, para se ganhar uma indulgência plenária (uma vez por dia apenas), para si mesmo ou para as almas, deve-se fazer:

a) uma Confissão individual rejeitando todos os pecados (basta uma Confissão para várias indulgências);

b) receber a Sagrada Eucaristia;

c) rezar pelo Papa ao menos um Pai-nosso e uma Ave-Maria.

Não é necessário que tudo seja feito no mesmo dia. Além disso, escolher uma dessas práticas:

1- Adoração ao Santíssimo Sacramento pelo menos por meia hora (concessão n. 3)

2- Leitura espiritual da Sagrada Escritura ao menos por meia hora (concessão n. 50);

3 – Piedoso exercício da Via Sacra (concessão n. 63);

4- Recitação do Rosário de Nossa Senhora na igreja, no oratório ou na família ou na comunidade religiosa ou em piedosa associação (concessão n. 63).

 

Para o Ano da Misericórdia o Papa Francisco autorizou outros meios de “alcançar misericórdia” por meio da indulgência plenária. Esta prática pode, então, substituir uma das quatro opções citadas acima: Rosário, ou Adoração do Santíssimo, ou Via Sacra, ou leitura bíblica meditada.

Segundo a carta do Papa Francisco a D.Rino Fisichella, presidente do pontifício conselho para a promoção da nova evangelização, se concede a indulgência para o Ano Santo:

1- PEREGRINAÇÃO ATÉ A PORTA SANTA

“Para viver e obter a indulgência os fiéis são chamados a realizar uma breve peregrinação rumo à Porta Santa, aberta em cada Catedral ou nas igrejas estabelecidas pelo Bispo diocesano, e nas quatro Basílicas Papais em Roma, como sinal do profundo desejo de verdadeira conversão”.

2-DOENTES E PESSOAS IMPOSSIBILITADAS

“Penso também em quantos, por diversos motivos, estiverem impossibilitados de ir até à Porta Santa, sobretudo os doentes e as pessoas idosas e sós, que muitas vezes se encontram em condições de não poder sair de casa. Viver com fé e esperança jubilosa este momento de provação, recebendo a comunhão ou participando na santa Missa e na oração comunitária, inclusive através dos vários meios de comunicação, será para eles o modo de obter a indulgência jubilar”.

3-ENCARCERADOS

“O meu pensamento dirige-se também aos encarcerados, que experimentam a limitação da sua liberdade. Nas capelas dos cárceres poderão obter a indulgência, e todas as vezes que passarem pela porta da sua cela, dirigindo o pensamento e a oração ao Pai, que este gesto signifique para eles a passagem pela Porta Santa, porque a misericórdia de Deus, capaz de mudar os corações, consegue também transformar as grades em experiência de liberdade”.

4-OBRAS DE MISERICÓRDIA ESPIRITUAIS OU CORPORAIS

“Todas as vezes que um fiel viver uma ou mais destas obras pessoalmente obterá sem dúvida a indulgência jubilar. Daqui o compromisso a viver de misericórdia para alcançar a graça do perdão completo e exaustivo pela força do amor do Pai que não exclui ninguém. Portanto, tratar-se-á de uma indulgência jubilar plena, fruto do próprio evento que é celebrado e vivido com fé, esperança e caridade”.

5-FIÉIS FALECIDOS

“A indulgência jubilar pode ser obtida também para quantos faleceram. A eles estamos unidos pelo testemunho de fé e caridade que nos deixaram. Assim como os recordamos na celebração eucarística, também podemos, no grande mistério da comunhão dos Santos, rezar por eles, para que o rosto misericordioso do Pai os liberte de qualquer resíduo de culpa e possa abraçá-los na beatitude sem fim”.

6-FIÉIS QUE FREQUENTAREM IGREJAS DA FRATERNIDADE SÃO PIO X

[A Indulgência também] “é dirigida aos fiéis que por diversos motivos sentem o desejo de frequentar as igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade São Pio X. Movido pela exigência de corresponder ao bem destes fiéis, estabeleço por minha própria vontade que quantos, durante o Ano Santo da Misericórdia, se aproximarem para celebrar o Sacramento da Reconciliação junto dos sacerdotes da Fraternidade São Pio X, recebam validamente e licitamente a absolvição dos seus pecados”.

Que neste Ano Santo que se iniciará, saibamos aproveitar a oportunidade para vivê-lo intensamente e buscar ir ao encontro dessa fonte inesgotável de misericórdia que nasce do Coração de Deus.

Prof. Felipe Aquino

(Fonte)

O Papa explica o Jubileu da Misericórdia e o perdão do aborto

Carta do Santo Padre a Mons. Fisichella, esclarecendo a indulgência, a absolvição de pecados graves e a possibilidade dos membros da Comunidade São Pio X de confessar-se válida e licitamente

ano-santo-da-misericordiaO Papa Francisco enviou uma carta ao arcebispo Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, na qual especifica alguns particulares sobre o Jubileu da Misericórdia.

Na carta, o Santo Padre explica desde como obter uma indulgência jubilar plena – até mesmo para os defuntos, fruto do próprio acontecimento que se celebra e se vive com fé, esperança e caridade, e para as pessoas que não podem mover-se livremente, como anciãos ou presos – até o perdão que poderão administrar os sacerdotes àqueles que cometeram ou estiveram envolvidos em abortos, “sabendo conjugar palavras de genuína acolhida com uma reflexão que ajude a compreender o pecado cometido, e indicar um itinerário de conversão verdadeira”.

Além disso, àqueles que fazem parte da Comunidade de São Pio X, que não estão em plena comunhão com a Igreja, o Papa concede-lhes a possibilidade de confessar-se durante este ano jubilar da Misericórdia, recebendo licitamente a absolvição.

***

Ao Venerado Irmão
D. Rino Fisichella
Presidente do Pontifício Conselho
para a Promoção da Nova Evangelização

A proximidade do Jubileu Extraordinário da Misericórdia permite-me focar alguns pontos sobre os quais considero importante intervir para consentir que a celebração do Ano Santo seja para todos os crentes um verdadeiro momento de encontro com a misericórdia de Deus. Com efeito, desejo que o Jubileu seja uma experiência viva da proximidade do Pai, como se quiséssemos sentir pessoalmente a sua ternura, para que a fé de cada crente se revigore e assim o testemunho se torne cada vez mais eficaz.

O meu pensamento dirige-se, em primeiro lugar, a todos os fiéis que em cada Diocese, ou como peregrinos em Roma, viverem a graça do Jubileu. Espero que a indulgência jubilar chegue a cada um como uma experiência genuína da misericórdia de Deus, a qual vai ao encontro de todos com o rosto do Pai que acolhe e perdoa, esquecendo completamente o pecado cometido. Para viver e obter a indulgência os fiéis são chamados a realizar uma breve peregrinação rumo à Porta Santa, aberta em cada Catedral ou nas igrejas estabelecidas pelo Bispo diocesano, e nas quatro Basílicas Papais em Roma, como sinal do profundo desejo de verdadeira conversão. Estabeleço igualmente que se possa obter a indulgência nos Santuários onde se abrir a Porta da Misericórdia e nas igrejas que tradicionalmente são identificadas como Jubilares. É importante que este momento esteja unido, em primeiro lugar, ao Sacramento da Reconciliação e à celebração da santa Eucaristia com uma reflexão sobre a misericórdia. Será necessário acompanhar estas celebrações com a profissão de fé e com a oração por mim e pelas intenções que trago no coração para o bem da Igreja e do mundo inteiro.

Penso também em quantos, por diversos motivos, estiverem impossibilitados de ir até à Porta Santa, sobretudo os doentes e as pessoas idosas e sós, que muitas vezes se encontram em condições de não poder sair de casa. Para eles será de grande ajuda viver a enfermidade e o sofrimento como experiência de proximidade ao Senhor que no mistério da sua paixão, morte e ressurreição indica a via mestra para dar sentido à dor e à solidão. Viver com fé e esperança jubilosa este momento de provação, recebendo a comunhão ou participando na santa Missa e na oração comunitária, inclusive através dos vários meios de comunicação, será para eles o modo de obter a indulgência jubilar. O meu pensamento dirige-se também aos encarcerados, que experimentam a limitação da sua liberdade. O Jubileu constituiu sempre a oportunidade de uma grande amnistia, destinada a envolver muitas pessoas que, mesmo merecedoras de punição, todavia tomaram consciência da injustiça perpetrada e desejam sinceramente inserir-se de novo na sociedade, oferecendo o seu contributo honesto. A todos eles chegue concretamente a misericórdia do Pai que quer estar próximo de quem mais necessita do seu perdão. Nas capelas dos cárceres poderão obter a indulgência, e todas as vezes que passarem pela porta da sua cela, dirigindo o pensamento e a oração ao Pai, que este gesto signifique para eles a passagem pela Porta Santa, porque a misericórdia de Deus, capaz de mudar os corações, consegue também transformar as grades em experiência de liberdade.

Eu pedi que a Igreja redescubra neste tempo jubilar a riqueza contida nas obras de misericórdia corporais e espirituais. De facto, a experiência da misericórdia torna-se visível no testemunho de sinais concretos como o próprio Jesus nos ensinou. Todas as vezes que um fiel viver uma ou mais destas obras pessoalmente obterá sem dúvida a indulgência jubilar. Daqui o compromisso a viver de misericórdia para alcançar a graça do perdão completo e exaustivo pela força do amor do Pai que não exclui ninguém. Portanto, tratar-se-á de uma indulgência jubilar plena, fruto do próprio evento que é celebrado e vivido com fé, esperança e caridade.

Enfim, a indulgência jubilar pode ser obtida também para quantos faleceram. A eles estamos unidos pelo testemunho de fé e caridade que nos deixaram. Assim como os recordamos na celebração eucarística, também podemos, no grande mistério da comunhão dos Santos, rezar por eles, para que o rosto misericordioso do Pai os liberte de qualquer resíduo de culpa e possa abraçá-los na beatitude sem fim.

Um dos graves problemas do nosso tempo é certamente a alterada relação com a vida. Uma mentalidade muito difundida já fez perder a necessária sensibilidade pessoal e social pelo acolhimento de uma nova vida. O drama do aborto é vivido por alguns com uma consciência superficial, quase sem se dar conta do gravíssimo mal que um gesto semelhante comporta. Muitos outros, ao contrário, mesmo vivendo este momento como uma derrota, julgam que não têm outro caminho a percorrer. Penso, de maneira particular, em todas as mulheres que recorreram ao aborto. Conheço bem os condicionamentos que as levaram a tomar esta decisão. Sei que é um drama existencial e moral. Encontrei muitas mulheres que traziam no seu coração a cicatriz causada por esta escolha sofrida e dolorosa. O que aconteceu é profundamente injusto; contudo, só a sua verdadeira compreensão pode impedir que se perca a esperança. O perdão de Deus não pode ser negado a quem quer que esteja arrependido, sobretudo quando com coração sincero se aproxima do Sacramento da Confissão para obter a reconciliação com o Pai. Também por este motivo, não obstante qualquer disposição em contrário, decidi conceder a todos os sacerdotes para o Ano Jubilar a faculdade de absolver do pecado de aborto quantos o cometeram e, arrependidos de coração, pedirem que lhes seja perdoado. Os sacerdotes se preparem para esta grande tarefa sabendo conjugar palavras de acolhimento genuíno com uma reflexão que ajude a compreender o pecado cometido, e indicar um percurso de conversão autêntica para conseguir entender o verdadeiro e generoso perdão do Pai, que tudo renova com a sua presença.

Uma última consideração é dirigida aos fiéis que por diversos motivos sentem o desejo de frequentar as igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade São Pio X. Este Ano Jubilar da Misericórdia não exclui ninguém. De diversas partes, alguns irmãos Bispos referiram-me acerca da sua boa fé e prática sacramental, porém unida à dificuldade de viver uma condição pastoralmente árdua. Confio que no futuro próximo se possam encontrar soluções para recuperar a plena comunhão com os sacerdotes e os superiores da Fraternidade. Entretanto, movido pela exigência de corresponder ao bem destes fiéis, estabeleço por minha própria vontade que quantos, durante o Ano Santo da Misericórdia, se aproximarem para celebrar o Sacramento da Reconciliação junto dos sacerdotes da Fraternidade São Pio X, recebam validamente e licitamente a absolvição dos seus pecados.

Confiando na intercessão da Mãe da Misericórdia, recomendo à sua protecção a preparação deste Jubileu Extraordinário.

Vaticano, 1 de Setembro de 2015

Franciscus

(ZENIT.org)

Família lugar do perdão

 Família

Não existe família perfeita! Não temos pais perfeitos, não somos perfeitos, não nos casamos com uma pessoa perfeita nem temos filhos perfeitos. Temos queixas uns dos outros. Decepcionamos uns aos outros.

Por isso, não há casamento saudável nem família saudável sem o exercício do perdão. O perdão é vital para nossa saúde emocional e sobrevivência espiritual. Sem perdão a família se torna uma arena de conflitos e um reduto de mágoas.

Sem perdão a família adoece. O perdão é a assepsia da alma, a faxina da mente e a alforria do coração. Quem não perdoa não tem paz na alma nem comunhão com Deus. A mágoa é um veneno que intoxica e mata. Guardar mágoa no coração é um gesto autodestrutivo. É autofagia. Quem não perdoa adoece física, emocional e espiritualmente.

É por isso que a família precisa ser lugar de vida e não de morte; território de cura e não de adoecimento; palco de perdão e não de culpa. O perdão traz alegria onde a mágoa produziu tristeza; cura, onde a mágoa causou doença.

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Jesus está disfarçado em sua casa, por Pe Léo!

(Fonte)