Como pobres viúvas

(Vandeia Ramos)

Nas leituras de hoje temos duas figuras importantes: a viúva e o mediador. Na Antiguidade, a viúva era a que tinha sido casada e, como tal, tinha se desvinculado de sua família para assumir a do marido. Sem ele, ela ficava sozinha. Daí a necessidade de filhos para ser amparada. Retrata bem a situação da mulher que, mesmo com um papel social importante, sua presença no espaço público a expunha a muitos incômodos. No entanto, a Palavra sempre orientou para que as mesmas fossem amparadas.
Mesmos com mudanças de estruturas históricas, ainda precisamos de legislação, nem sempre suficiente, para garantir a cidadania feminina. Não só pela própria vida, mas pelo cuidado da família, pois as mulheres são vítimas de exploração. Sua dignidade não é respeitada em diversos espaços, mesmo com a insistência de diversos escritos bíblicos, como o do profeta Elias. Ele assume função de mediador junto a Deus no sustento da viúva, que alcançará a plenitude no Sumo Sacerdócio de Jesus, que assume a nossa humanidade para que superemos nele estas nossas contradições.
Quando refletimos sobre a Mulher e sobre a Viúva, a pessoa de Maria nos vem à mente. Ela é a que abre mão de tudo que tem, inclusive de seu Filho, por nós. Fico visualizando Jesus vendo a pobre viúva entregando tudo ao templo e lembrando de sua Mãe… O “quase nada” de Maria que, por Jesus, valeu a nossa salvação. Aí vem uma multidão confusa, ricos, aquele publicano presunçoso, e acha que pode comprar os favores de Deus com dinheiro… Quantas Mães não deveriam estar ali, oferecendo-se e tudo que tem a Deus, em uma fé inabalável?
Importante identificarmos o modo com que Jesus e toda a Sagrada Escritura tratam a mulher para que nos esvaziemos do senso comum e percebamos a dignidade a que é chamada. A presença constante suprindo as necessidades do Filho e dos apóstolos, presença junto à cruz, chamadas a anunciar a Ressurreição aos discípulos, em Pentecostes, administrando as comunidades na Igreja nascente… Presença de serviço e oração em nossas comunidades, e nos grupos de Iniciação Cristã.
Também é preciso lembrar que A Igreja é Mãe… da qual somos filhos e filhas, com chamados específicos por ela, para ela, nela e com ela. E um deles é a oferta “de tudo o que somos e o que temos”, como a pobre viúva. Quantas moedas temos ofertado? Quantos talentos nos foram dados para o serviço que estamos dispondo? Estamos servindo a Igreja e o mundo ou nos servindo deles?
O Salmo nos lembra o Magnificat, o Canto de Maria, que não só entrega tudo que tem a Deus, como entrega a si mesma, bendizendo as maravilhas que Deus faz. O cuidado e a ternura que Deus tem conosco, com cada um de nós, é o início do seu Reino. Afinal, “não temas!”, pois Ele prometeu estar conosco todos os dias, até o fim!

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Entre a piedade de Jesus e a alegria da esperança

(Vandeia Ramos)

Estou eu aqui lembrando do falecido Pe Léo comentando a passagem do evangelho de hoje. A liturgia no segundo turno das eleições nos faz algumas indicações. A primeira e sempre pertinente é nos lembrar quem é o Senhor e Salvador: Jesus. Não é nenhum dos candidatos a qualquer cargo do pleito. Não que eles não sejam importantes. São. Mas enquanto pessoas responsáveis pelo cuidado do povo a partir do cargo que se propõem a ocupar.
Em alguns casos, estamos nos juntando ao cego e dizendo: Jesus, tem piedade de nós. O povo anda tão sofrido, tão desesperançoso. Vemos isso na realidade de vida de nossos catecúmenos. E lembro do Pe Leo quando Jesus pergunta o que o cego quer. Se é cego já pressupõe que deseja ver. Então porque Jesus pergunta? Porque é preciso que confessemos que queremos ver. Muitos não querem. Ver as coisas de Deus envolve resposta ao que vemos e comprometimento de vida. Queremos mesmo ver? Aí Jesus responde: A tua fé te cura! Às vezes eu acho que nossa fé está mais nos demais que em nós mesmos ou em Deus…
Os que crêem serão “o resto de Israel”. Serão os mais sofridos. Os que enfrentaram a escravidão da Babilônia e viram a libertação. Não se venderam por cargos, facilidades ou depositaram sua esperança neste ou naquele. Quando Ciro, o Grande, rei da Pérsia, liberta o povo, o que lhe resta? Na luta com as nossas dificuldades, corremos o risco de nos perdermos a nós mesmos. Entre cegos e aleijados, temos mulheres prestes a dar a luz. Israel está para se renovar. E continuamos, mesmo entre dores e sofrimentos, pois sabemos em que direção e a quem olhamos.
Pelo batismo, somos reis, profetas e sacerdotes. Enquanto catequistas, estamos a nos oferecer pelos nossos. Também enquanto família, estudantes, profissionais… Pelo serviço, reinamos. Pelo Espírito, anunciamos. Entre oferecer os nossos dons e fazer sacrifícios para que o amor de Deus prevalesça entre nós, vamos nos configurando a Cristo. E participamos com Ele da Eucaristia. Como Igreja, somos o seu Corpo, alimento de caminhada de muitos. Também somos o seu Sangue que passa a ser oferecido por todos. Como diria São João Paulo II, no martírio do dia a dia, uma gota de sangue. Até a última.
É nesta dinâmica entre pedir para ver e conseguir identificar a ação de Deus no nosso dia a dia, fazer de nossa vida uma oferta de amor e sacrifício, que vamos nos configurando a Cristo, no resto de Israel, entre perdas e esperança renovada de Deus em nós. Neste dia a dia, nossas lágrimas vão regando o arado a que fomos destinados, deixando-se guiar pelas mãos de Nosso Senhor, sabendo que no fim, tudo é para sua glória. Que esta certeza seja a nossa alegria, nas sementes que espalhamos e no sorriso de quem vê algo mais do que nossas limitações humanas!

O Pai Nosso, uma escola de oração

(Padre João Carlos)

Vocês devem rezar assim (Mt 6, 9)
O Pai Nosso é mais do que uma oração. É uma escola de oração. É como um discípulo ou uma discípula deve rezar sempre. No Pai Nosso, podemos encontrar as quatro características da oração dos discípulos do Senhor.
A primeira característica é que é feita com INTIMIDADE e CONFIANÇA EM DEUS. Não se trata de uma audiência de um servo com seu patrão. Trata-se do diálogo amoroso entre pai e filho ou filha. Por isso, Jesus ensina a invocar a Deus como “pai”, “Pai Nosso”. Jesus chamou a atenção dos discípulos para não imitarem os fariseus, nem os pagãos. Em contraposição ao exibicionismo dos fariseus e mestres de lei, Jesus os orientou a proceder como um filho que conversa com seu pai ou sua mãe, a portas fechadas no seu quarto. Nunca imitar os pagãos nesse assunto da oração, recomendou Jesus. Eles recorrem à força de muitas palavras para serem ouvidos. O Pai já está sabendo de nossas necessidades antes que abramos a boca. INTIMIDADE E CONFIANÇA EM DEUS. É a primeira característica.
A segunda característica da oração cristã, sublinhada no Pai Nosso, é que ela busca, em primeiro lugar, A GLÓRIA DE DEUS. É quando a oração vira louvor, adoração. Os primeiros pedidos do Pai Nosso, segundo Mateus, referem-se a Deus, buscando a sua honra e a sua glória. “Santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu”. São três pedidos, todos dirigidos à glória de Deus: a santificação do seu nome, a vinda do seu Reino, a realização de sua vontade. Buscar, em primeiro lugar, a GLÓRIA DE DEUS. É a segunda característica.
A terceira característica da oração cristã é o pedido a Deus pelo NOSSO BEM TEMPORAL E ESPIRITUAL. É o que nós precisamos para viver com dignidade e em santidade. No Pai Nosso, são quatro os pedidos em nosso favor. “O pão nosso de cada dia, nos dai hoje. Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”. O pão de cada dia, o perdão dos pecados, a vitória sobre a tentação e a libertação do mal. O ‘pão de cada dia’ compreende o emprego, o trabalho, a refeição, a segurança… São as necessidades de nossa sobrevivência. Mas, nem só de pão vive o homem. Também precisamos do perdão dos pecados e da restauração da vida, a partir da conversão e do crescimento do homem novo. Igualmente, precisamos da vitória sobre a tentação e a libertação do mal. A BUSCA DO NOSSO BEM é a terceira característica.
A quarta característica da oração cristã é o COMPROMISSO. Nos três primeiros pedidos do Pai Nosso, desejando a glória de Deus, na verdade estamos nos comprometendo em santificar o seu nome, acolher o seu Reino, realizar a sua vontade. Nos quatro pedidos em nosso favor, não estamos delegando tudo a Deus, para ficar de braços cruzados esperando ele agir. Reconhecendo a mão de Deus em nossa vida, estamos nos comprometendo a ganhar o pão de cada dia com o nosso trabalho, a nos esforçar no caminho da conversão e do perdão aos nossos agressores, a fugir das ocasiões de pecado e a lutar contra o mal. A oração nos compromete. COMPROMISSO é a quarta característica.

(Fonte)

Somos semeadores

(Vandeia Ramos)

Muito bonita a imagem da leitura de ontem de Ezequiel (Ez 17,22-24), de vivermos sob a sombra do Senhor. Nesta relação de confiança que não tememos enfrentar a morte, pela certeza de ir ao seu encontro. No entanto, temos uma missão enquanto estamos por aqui: de semear.
O evangelho nos traz imagens muito bonitas. Ele vai do serviço que, de repente, dá frutos, ao encontro pessoal com Jesus, que nos ilumina e nos ajuda a entender sua Palavra.
Temos vivido momentos difíceis. A aprovação do aborto na Argentina e o crescimento da cultura da morte nos questiona sobre o trabalho que temos feito, onde está a catequese, a mistagogia, o testemunho evangélico no mundo. Há momentos que parecem que a fé está enterrada na terra sem força… A violência e o sofrimento do mundo nos confrontam.
Com isso, nos sentimos impulsionados a tomarmos partido, a assumirmos uma posição frente a diversas situações. Muitas vezes nos deixamos tomar por ira e atitudes de confronto, passando de vítimas a agressores.
É aqui a armadilha que precisamos ficar atentos.
Que há uma cultura que quer nos perder e nos envolver em suas tramas, é fato. Que quer colocar a pessoa como centro e responsável, é inegável. Que desfigura o rosto humano em massa, em inimigo, em alguém a combater, é cada vez mais óbvio.
E aqui perdemos a fé de que Deus é o Senhor de todas as coisas, de que conduz a história, de que cuida de cada um de nós com um amor terno, que nos chama a morrer como a semente para que possamos dar frutos como o grão de mostarda.
Sim. Há situações que nos confrontam e interpelam. Mas nós também sabemos qual é o caminho para Ele. Se há um espaço crescente para a cultura de morte, testemunhemos como redobrado amor o anúncio da vida. Temos tudo o que nos é necessário: a comunhão, a confissão e a oração.
É permitir-se a alegria de encontrar Jesus depois do encontro com a multidão. É o recolhimento no silêncio para a entrega de todas as nossas preocupações e abertura para a escuta.
Sabemos a quem recorrer como modelo: Nossa Senhora. O que ela faria em nosso lugar? O que Maria fez quando Herodes ordenou a matança das crianças inocentes? Qual a atitude perante a morte de seu Filho?
Seguir acreditando quando tudo concorre contra é um exercício diário de viver entre a sombra do cedro e o continuar semeando, de deixar-se morrer na terra para germinar e o silêncio do encontro pessoal com Cristo, de aprender a rezar o terço para, junto com Maria, compreender os mistérios de Deus para conosco.
Não estamos sozinhos! Jesus e Maria caminham conosco.

Tudo concorre para o bem

“Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados para a salvação, de acordo com o projeto de Deus.” (Rm 8, 28)
No fundo, o que é certo 100% em nossos planos, humanamente falando?
Nem a certeza de que teremos um novo amanhecer é 100%. Ninguém pode afirmar ao certo quanto a estrela Sol ainda durará. A ciência estima, mas certeza mesmo, não tem.  Quanto tempo a terra ainda durará antes de um colapso meteorológico que tornará a vida quase impossível? Ninguém sabe com certeza quando…
Quando perguntam a Jesus quando será o final dos tempos, também Ele diz que só o Pai sabe…
Então, porque continuamos dormindo fazendo planos e confiando que acordaremos no dia seguinte? E porque isso acontece com ateus e também crentes em Deus?
Porque Deus nos fez seres humanos com capacidades e, entre elas,  confiar em uma esperança. E na esperança de um novo dia, queremos tentar fazer o melhor possível. Isso gera confiança, mas também preocupações  (pré ocupar-se com algo que nem sabemos se acontecerá).
Então, certeza mesmo, os crentes em Deus só tem uma: que se confiarmos e procurarmos fazer Sua vontade, se O amarmos, tudo concorrerá para o nosso bem. E por quê? 2 motivos: Ele é 100% amor e conhece todos os desdobramentos por ser omniciente. Logo, no que depender d’Ele, confiamos no melhor.
Portanto, viva na incerteza do “como”, “da forma” que será, mas na certeza de que o amanhã nos conduzirá para o bem se amarmos a Deus e tentarmos cumprir suas orientações.
Sei que nas horas em que os problemas vêm, a razão tem que fazer muita força para vencer a emoção e que não é fácil, mas Deus sabe de quê somos feitos e nos ajudará.
Continue confiando em Deus e pedindo Sua orientação.
Certeza? Só duas: Que Deus existe e que Ele nos ama. E como diz Santa Teresa d’Ávila: Só Deus basta…
(Antônio José – Fundador da Comunidade Filhos da Redenção)

Você já está salvo?

Alguns versículos bíblicos para meditarmos sobre isso…

escada salvação céu

“Assim, pois, aquele que julga estar de pé, tome cuidado para não cair”. (1Cor 10,12)

“Aí alguém se aproximou dele e disse: ‘Mestre, que farei de bom para ter a vida eterna?’ Respondeu [Jesus]: ‘Por que me perguntas sobre o que é bom? O Bom é um só. Mas se queres entrar para a Vida, guarda os mandamentos'”. (Mt 19,16-17)

“E eis que um doutor da lei se levantou e disse para experimentá-lo: ‘Mestre, que farei para herdar a vida eterna?’ Ele disse: ‘Que está escrito na Lei? Como lês?’. Ele então respondeu: ‘Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, com toda a tua força e de todo o teu entendimento; e a teu próximo como a ti mesmo’. Jesus disse: ‘Respondeste corretamente; faze isso e viverás'”. (Lc 10,25-28)

“Em verdade, em verdade vos digo: quem escuta a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não vem a julgamento, mas passou da morte à vida”. (Jo 5,24)

“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia”.(Jo 6,54)

“E sereis odiados por todos por causa do meu nome. Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo”. (Mt 10,22)

“Aquele que crer e for batizado será salvo; o que não crer será condenado”. (Mc 16,16)

“Respondeu-lhe Jesus: ‘Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus”. (Jo 3,5)