Catequista, adorador em espírito e verdade

(Vandeia Ramos)


Chegou Jesus a uma cidade do Brasil, a sua, em que tinha uma Igreja no centro, a partir da qual as casas foram construídas. E sentou-se na praça. Era em torno da hora do almoço e todos estavam cuidando de sua própria vida. Chegou uma jovem que foi comprar água, pois tinha acabado em casa e todos precisavam beber. Jesus a encontra e pede um pouco de sua garrafa, pois seus discípulos tinham ido providenciar um lanche e ainda não tinham voltado.
A jovem, com pouca roupa por causa do calor e em uma moda que muitos discutiriam, com marcas no corpo, desconfiou Daquele que lhe pedia. Estava tão acostumada a ser vista com desprezo que se fechava em si mesma. E questiona como que Aquele Homem poderia dirigir a palavra à ela.
Jesus lhes responde: se conhecesses o dom de Deus, não se preocuparia com a fala dos demais, pois somente Deus basta! E o sorriso iluminaria toda a sua pessoa, mesmo que não viesse ao seu rosto. A jovem responde: Senhor, não me conheces, à minha família, meus vizinhos ou mesmo as pessoas deste bairro, como podes saber o que é bom para nós?
Jesus lhes responde: quem se alimenta do Pão do Céu não terá mais fome nem medo, pois nada mais poderá abalar. Não são problemas com água ou com vírus, pois todos eles vão passar. Precisamos cuidar da criação, das pessoas, com a sabedoria que é dom de Deus, para que possamos viver melhor e cuidar do Jardim. É no cuidar e no guardar o que lhes foi dado que poderá passar pelas situações difíceis e mesmo limites.
A mulher disse a Jesus: Senhor, dai-me deste Pão, para que nem eu nem minha família soframos com a contaminação da água nem com a proliferação de vírus e outras doenças, e assim não precise me expor na rua para buscar água e comida.
Jesus lhes disse: vá buscar seus amigos. Ela respondeu: não tenho amigos, todos se foram quando começaram as dificuldades e precisei ficar em casa para cuidar das pessoas mais idosas da minha família. Jesus disse: disseste bem, não tens mais amigos; tiveste muitos, quando deixastes as pessoas mais importantes por diversão e falsas companhias, enfraquecendo sua pessoa, seu corpo, e deixando a todos em situações de espera. A jovem: Senhor, sabes tudo, deves ser um religioso, mas conheci muitos que não foram fiéis a Deus e ao que anunciavam.
Jesus: meu discípulo Paulo já anunciou que estou voltando, e estou aqui agora, para que cada um faça sua escolha fundamental pelo que realmente é importante em sua vida, em um passo definitivo para a eternidade. É preciso que sejas luz do mundo para que Meu Espírito brilhe com a Verdade. Não em notícias fakes ou indiferença com os que mais precisam. É preciso que tenhais responsabilidade e cuidado com os que estão à sua volta – neles terás minha Presença.
Os discípulos chegaram e perguntaram por que Jesus falava com aquela jovem, que parecia mais preocupada consigo mesma. A jovem, no caminho de casa, saiu falando para todos de sua conversa, e muitos saíram para ir ao Encontro de Jesus, buscando o Pão do Céu.
Jesus disse aos seus discípulos: é em momentos de crise que se pode conhecer meus amigos, os que fazem a vontade do Pai, que servem junto com os demais nas inúmeras necessidades, como atendendo os doentes em hospitais e em casa, ajudando com o alimento, informando na verdade, sendo esperança quando o desespero está à porta de tantos… Muitos acreditam porque uma jovem testemunha seu encontro com Jesus, como fazemos na catequese.
No entanto, em muitas cidades a catequese e os serviços pastorais estão sendo suspensos. Há um drama acontecendo e é preciso que estejamos atentos às orientações de nossos bispos e autoridades da saúde. É o momento pelo qual nos preparamos em nosso alimento semanal, no Pão que recebemos. A messe aguarda os operários para que sirvam de acordo com o momento pontual que estamos enfrentando.
É importante que sejamos testemunhas no mundo de que o Senhor está presente entre nós. Então, não fechemos nosso coração e ouçamos hoje a voz de Deus! Que Nossa Senhora traga a cada um de nós em seu Imaculado Coração, para que possamos fazer o que seu Filho nos disser!

Entre o julgar e a responsabilidade no pecado

(Vandeia Ramos)

Chama nossa atenção o constante movimento de Jesus: da noite na montanha ao ensinamento ao povo de dia. Entre o recolhimento constante e a saída para anunciar, ensina-nos a fazer o mesmo movimento: de nossas coisas, nossos afazeres, nossa vida pessoal, às idas para a Iniciação Cristã, para o trabalho, para as missões que Deus nos confia. É em missão que somos surpreendidos pelos questionamentos, em nossa coerência cristã. Nossos catecúmenos, suas famílias, nossos amigos, pessoas com que lidamos em nosso cotidiano frequentemente nos questionam sobre a fé, seja por dúvida, seja para nos colocar à prova. E Jesus nos apresenta uma perspectiva evangélica para responder, que só conseguimos identificar se a tivermos vivendo, no conjunto de toda a Boa Nova.
A mulher surpreendida em adultério é apresentada, com a memória da Lei sobre o apedrejamento. Quantas vezes não nos apresentam armadilhas semelhantes? Quantas vezes somos chamados a nos posicionarmos em julgamentos, como se fosse uma questão de isto ou aquilo, e o centro fosse a letra e não a pessoa humana? É sempre um julgamento, com o ápice no Gólgota. O modo como vivemos a quaresma nos ajuda a nos posicionarmos perante a cruz e, consequentemente, frente às diversas questões.
Aqui temos uma mulher, acusada historicamente de ser a sedutora dos homens. A compreensão é de que ela é associada à serpente e o homem, inocente e fraco frente às suas artimanhas, precisa se impor para não ser dominado. Com argumentos semelhantes e derivados se justifica uma estrutura de opressão, de reclusão, autoritarismo, entre violência doméstica, pública e diferentes graus de cidadania. E podemos fazer a mesma leitura para outros grupos, como menores e idosos.
Especificamente quanto à questão da mulher, é preciso lembrar de que a humanidade é dupla, criada em uma solidão original que tem a unidade de dois como expressão de amor, conforme nos ensina São João Paulo II. Só na perspectiva desta unidade que podemos falar de salvação e de plenitude humanas. Daí a gravidade de toda e qualquer ação contra a mulher. Daí também rompermos com permanências históricas e sociais sobre suas diferentes formas de atuação. Vale a pena ler a carta apostólica de São João Paulo II, Mulieris Dignitatem. O texto O Signo da Mulher, do então cardeal Ratzinger (nosso amado Papa Emérito Bento XVI) é uma reflexão sempre oportuna e atual sobre o escrito de seu antecessor.
Sobre este trecho específico do evangelho, temos a situação marginal a que a mulher é inserida, explorando sua pessoa de diversas maneiras, para acabar sendo acusada de sedução. Hoje temos a expressão de “acusar a vítima”. Mas Jesus também não acusa os homens. Ele sabe que a estrutura que violenta a mulher, em uma aparente fraqueza masculina, também o coloca como vítima de si, em uma constante repetição de Gn 3, 12, em que, omitindo-se de sua culpa, acusa a mulher e, por fim, o próprio Deus, de seu pecado.
Em uma atualização de Gn 3, 11, Jesus pede que, quem não tiver pecado, atire a primeira pedra. O coração humano sabe que é responsável pelos seus próprios atos e, um a um, cada homem presente vai se retirando. Uma verdade é estabelecida com a saída de cada um: a responsabilidade. A participação da mulher no adultério não é negada, e sim redimensionada, como foi o fruto em relação às demais árvores do jardim.
Somente sozinho com a mulher é que Jesus lhe dirige a palavra. Pelo costume de então, não se devia falar com uma em público. Além de Jesus não querer expor a intimidade do que tinha para lhe falar. Não seria assim o julgamento final, onde poderíamos perceber nossa participação pessoal na estrutura de pecado que temos? De reconhecermos nossa atuação? De não podermos acusar aos demais sem antes nos percebermos como responsáveis? Não é a semana de confissão em muitas de nossas paróquias, preparando para a Páscoa?
“Do modo como julgares, serás julgado” (Mt 7, 2), e tantas outras passagens. É deste modo que Deus prepara seu povo, seus escolhidos. É deste modo que conhecemos a misericórdia de Deus e seguimos ao seu encontro. Assim, estaremos preparados para cantar na manhã da Ressurreição: Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!

Como pobres viúvas

(Vandeia Ramos)

Nas leituras de hoje temos duas figuras importantes: a viúva e o mediador. Na Antiguidade, a viúva era a que tinha sido casada e, como tal, tinha se desvinculado de sua família para assumir a do marido. Sem ele, ela ficava sozinha. Daí a necessidade de filhos para ser amparada. Retrata bem a situação da mulher que, mesmo com um papel social importante, sua presença no espaço público a expunha a muitos incômodos. No entanto, a Palavra sempre orientou para que as mesmas fossem amparadas.
Mesmos com mudanças de estruturas históricas, ainda precisamos de legislação, nem sempre suficiente, para garantir a cidadania feminina. Não só pela própria vida, mas pelo cuidado da família, pois as mulheres são vítimas de exploração. Sua dignidade não é respeitada em diversos espaços, mesmo com a insistência de diversos escritos bíblicos, como o do profeta Elias. Ele assume função de mediador junto a Deus no sustento da viúva, que alcançará a plenitude no Sumo Sacerdócio de Jesus, que assume a nossa humanidade para que superemos nele estas nossas contradições.
Quando refletimos sobre a Mulher e sobre a Viúva, a pessoa de Maria nos vem à mente. Ela é a que abre mão de tudo que tem, inclusive de seu Filho, por nós. Fico visualizando Jesus vendo a pobre viúva entregando tudo ao templo e lembrando de sua Mãe… O “quase nada” de Maria que, por Jesus, valeu a nossa salvação. Aí vem uma multidão confusa, ricos, aquele publicano presunçoso, e acha que pode comprar os favores de Deus com dinheiro… Quantas Mães não deveriam estar ali, oferecendo-se e tudo que tem a Deus, em uma fé inabalável?
Importante identificarmos o modo com que Jesus e toda a Sagrada Escritura tratam a mulher para que nos esvaziemos do senso comum e percebamos a dignidade a que é chamada. A presença constante suprindo as necessidades do Filho e dos apóstolos, presença junto à cruz, chamadas a anunciar a Ressurreição aos discípulos, em Pentecostes, administrando as comunidades na Igreja nascente… Presença de serviço e oração em nossas comunidades, e nos grupos de Iniciação Cristã.
Também é preciso lembrar que A Igreja é Mãe… da qual somos filhos e filhas, com chamados específicos por ela, para ela, nela e com ela. E um deles é a oferta “de tudo o que somos e o que temos”, como a pobre viúva. Quantas moedas temos ofertado? Quantos talentos nos foram dados para o serviço que estamos dispondo? Estamos servindo a Igreja e o mundo ou nos servindo deles?
O Salmo nos lembra o Magnificat, o Canto de Maria, que não só entrega tudo que tem a Deus, como entrega a si mesma, bendizendo as maravilhas que Deus faz. O cuidado e a ternura que Deus tem conosco, com cada um de nós, é o início do seu Reino. Afinal, “não temas!”, pois Ele prometeu estar conosco todos os dias, até o fim!

Entre a piedade de Jesus e a alegria da esperança

(Vandeia Ramos)

Estou eu aqui lembrando do falecido Pe Léo comentando a passagem do evangelho de hoje. A liturgia no segundo turno das eleições nos faz algumas indicações. A primeira e sempre pertinente é nos lembrar quem é o Senhor e Salvador: Jesus. Não é nenhum dos candidatos a qualquer cargo do pleito. Não que eles não sejam importantes. São. Mas enquanto pessoas responsáveis pelo cuidado do povo a partir do cargo que se propõem a ocupar.
Em alguns casos, estamos nos juntando ao cego e dizendo: Jesus, tem piedade de nós. O povo anda tão sofrido, tão desesperançoso. Vemos isso na realidade de vida de nossos catecúmenos. E lembro do Pe Leo quando Jesus pergunta o que o cego quer. Se é cego já pressupõe que deseja ver. Então porque Jesus pergunta? Porque é preciso que confessemos que queremos ver. Muitos não querem. Ver as coisas de Deus envolve resposta ao que vemos e comprometimento de vida. Queremos mesmo ver? Aí Jesus responde: A tua fé te cura! Às vezes eu acho que nossa fé está mais nos demais que em nós mesmos ou em Deus…
Os que crêem serão “o resto de Israel”. Serão os mais sofridos. Os que enfrentaram a escravidão da Babilônia e viram a libertação. Não se venderam por cargos, facilidades ou depositaram sua esperança neste ou naquele. Quando Ciro, o Grande, rei da Pérsia, liberta o povo, o que lhe resta? Na luta com as nossas dificuldades, corremos o risco de nos perdermos a nós mesmos. Entre cegos e aleijados, temos mulheres prestes a dar a luz. Israel está para se renovar. E continuamos, mesmo entre dores e sofrimentos, pois sabemos em que direção e a quem olhamos.
Pelo batismo, somos reis, profetas e sacerdotes. Enquanto catequistas, estamos a nos oferecer pelos nossos. Também enquanto família, estudantes, profissionais… Pelo serviço, reinamos. Pelo Espírito, anunciamos. Entre oferecer os nossos dons e fazer sacrifícios para que o amor de Deus prevalesça entre nós, vamos nos configurando a Cristo. E participamos com Ele da Eucaristia. Como Igreja, somos o seu Corpo, alimento de caminhada de muitos. Também somos o seu Sangue que passa a ser oferecido por todos. Como diria São João Paulo II, no martírio do dia a dia, uma gota de sangue. Até a última.
É nesta dinâmica entre pedir para ver e conseguir identificar a ação de Deus no nosso dia a dia, fazer de nossa vida uma oferta de amor e sacrifício, que vamos nos configurando a Cristo, no resto de Israel, entre perdas e esperança renovada de Deus em nós. Neste dia a dia, nossas lágrimas vão regando o arado a que fomos destinados, deixando-se guiar pelas mãos de Nosso Senhor, sabendo que no fim, tudo é para sua glória. Que esta certeza seja a nossa alegria, nas sementes que espalhamos e no sorriso de quem vê algo mais do que nossas limitações humanas!

O Pai Nosso, uma escola de oração

(Padre João Carlos)

Vocês devem rezar assim (Mt 6, 9)
O Pai Nosso é mais do que uma oração. É uma escola de oração. É como um discípulo ou uma discípula deve rezar sempre. No Pai Nosso, podemos encontrar as quatro características da oração dos discípulos do Senhor.
A primeira característica é que é feita com INTIMIDADE e CONFIANÇA EM DEUS. Não se trata de uma audiência de um servo com seu patrão. Trata-se do diálogo amoroso entre pai e filho ou filha. Por isso, Jesus ensina a invocar a Deus como “pai”, “Pai Nosso”. Jesus chamou a atenção dos discípulos para não imitarem os fariseus, nem os pagãos. Em contraposição ao exibicionismo dos fariseus e mestres de lei, Jesus os orientou a proceder como um filho que conversa com seu pai ou sua mãe, a portas fechadas no seu quarto. Nunca imitar os pagãos nesse assunto da oração, recomendou Jesus. Eles recorrem à força de muitas palavras para serem ouvidos. O Pai já está sabendo de nossas necessidades antes que abramos a boca. INTIMIDADE E CONFIANÇA EM DEUS. É a primeira característica.
A segunda característica da oração cristã, sublinhada no Pai Nosso, é que ela busca, em primeiro lugar, A GLÓRIA DE DEUS. É quando a oração vira louvor, adoração. Os primeiros pedidos do Pai Nosso, segundo Mateus, referem-se a Deus, buscando a sua honra e a sua glória. “Santificado seja o vosso nome, venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu”. São três pedidos, todos dirigidos à glória de Deus: a santificação do seu nome, a vinda do seu Reino, a realização de sua vontade. Buscar, em primeiro lugar, a GLÓRIA DE DEUS. É a segunda característica.
A terceira característica da oração cristã é o pedido a Deus pelo NOSSO BEM TEMPORAL E ESPIRITUAL. É o que nós precisamos para viver com dignidade e em santidade. No Pai Nosso, são quatro os pedidos em nosso favor. “O pão nosso de cada dia, nos dai hoje. Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”. O pão de cada dia, o perdão dos pecados, a vitória sobre a tentação e a libertação do mal. O ‘pão de cada dia’ compreende o emprego, o trabalho, a refeição, a segurança… São as necessidades de nossa sobrevivência. Mas, nem só de pão vive o homem. Também precisamos do perdão dos pecados e da restauração da vida, a partir da conversão e do crescimento do homem novo. Igualmente, precisamos da vitória sobre a tentação e a libertação do mal. A BUSCA DO NOSSO BEM é a terceira característica.
A quarta característica da oração cristã é o COMPROMISSO. Nos três primeiros pedidos do Pai Nosso, desejando a glória de Deus, na verdade estamos nos comprometendo em santificar o seu nome, acolher o seu Reino, realizar a sua vontade. Nos quatro pedidos em nosso favor, não estamos delegando tudo a Deus, para ficar de braços cruzados esperando ele agir. Reconhecendo a mão de Deus em nossa vida, estamos nos comprometendo a ganhar o pão de cada dia com o nosso trabalho, a nos esforçar no caminho da conversão e do perdão aos nossos agressores, a fugir das ocasiões de pecado e a lutar contra o mal. A oração nos compromete. COMPROMISSO é a quarta característica.

(Fonte)

Somos semeadores

(Vandeia Ramos)

Muito bonita a imagem da leitura de ontem de Ezequiel (Ez 17,22-24), de vivermos sob a sombra do Senhor. Nesta relação de confiança que não tememos enfrentar a morte, pela certeza de ir ao seu encontro. No entanto, temos uma missão enquanto estamos por aqui: de semear.
O evangelho nos traz imagens muito bonitas. Ele vai do serviço que, de repente, dá frutos, ao encontro pessoal com Jesus, que nos ilumina e nos ajuda a entender sua Palavra.
Temos vivido momentos difíceis. A aprovação do aborto na Argentina e o crescimento da cultura da morte nos questiona sobre o trabalho que temos feito, onde está a catequese, a mistagogia, o testemunho evangélico no mundo. Há momentos que parecem que a fé está enterrada na terra sem força… A violência e o sofrimento do mundo nos confrontam.
Com isso, nos sentimos impulsionados a tomarmos partido, a assumirmos uma posição frente a diversas situações. Muitas vezes nos deixamos tomar por ira e atitudes de confronto, passando de vítimas a agressores.
É aqui a armadilha que precisamos ficar atentos.
Que há uma cultura que quer nos perder e nos envolver em suas tramas, é fato. Que quer colocar a pessoa como centro e responsável, é inegável. Que desfigura o rosto humano em massa, em inimigo, em alguém a combater, é cada vez mais óbvio.
E aqui perdemos a fé de que Deus é o Senhor de todas as coisas, de que conduz a história, de que cuida de cada um de nós com um amor terno, que nos chama a morrer como a semente para que possamos dar frutos como o grão de mostarda.
Sim. Há situações que nos confrontam e interpelam. Mas nós também sabemos qual é o caminho para Ele. Se há um espaço crescente para a cultura de morte, testemunhemos como redobrado amor o anúncio da vida. Temos tudo o que nos é necessário: a comunhão, a confissão e a oração.
É permitir-se a alegria de encontrar Jesus depois do encontro com a multidão. É o recolhimento no silêncio para a entrega de todas as nossas preocupações e abertura para a escuta.
Sabemos a quem recorrer como modelo: Nossa Senhora. O que ela faria em nosso lugar? O que Maria fez quando Herodes ordenou a matança das crianças inocentes? Qual a atitude perante a morte de seu Filho?
Seguir acreditando quando tudo concorre contra é um exercício diário de viver entre a sombra do cedro e o continuar semeando, de deixar-se morrer na terra para germinar e o silêncio do encontro pessoal com Cristo, de aprender a rezar o terço para, junto com Maria, compreender os mistérios de Deus para conosco.
Não estamos sozinhos! Jesus e Maria caminham conosco.