Catequista: arauto de Cristo Rei

(Vandeia Ramos)

Interessante de nós notarmos que muita gente, ainda hoje, considera que, quanto mais rica e ornada a igreja, melhor expressa a glória de Deus. Para os hebreus, que não conheciam muita coisa além da Palestina, o Templo de Jerusalém era deslumbrante, brilhando com a luz do sol, como se a grandiosidade de Deus estivesse diretamente relacionada à riqueza do Templo.
No entanto, no ano 70 d.C., o Império Romano invadiu Jerusalém depois de uma revolta, e colocou o Templo abaixo, junto com a vida de mais de um milhão de judeus. Tudo o que lhes era mais caro, centro da fé, habitação de Deus na terra, foi destruído. Deus teria sido junto? Onde estaria Deus no meio da confusão? Não é o que perguntamos quando acontecem coisas difíceis, nem esperadas nem desejadas? O que fizemos de errado? Ou será que colocamos nossa atenção no brilho efêmero?
Muitas vezes temos um olhar romântico e idealista sobre a vida, sobre a realidade. Acreditamos que tudo caminha para um final feliz, como um conto de fadas. Só que sabemos que a convivência humana não é tão simples assim. As histórias terminam no melhor momento. Nós também teremos uma Vida de Eterna Felicidade. Mas antes precisaremos estar prontos para ela, fazer uma escolha firme, em um “sim” constante e perseverante.
Isso significa que considerar conflitos como cotidianos é algo razoável, ainda que não sejamos nós a fomentá-los. Sabemos que a busca de poder e posições sociais, políticas e econômicas suscita jogos de interesses, em que alguns desejam dominar a tantos. E isso termina em guerras, prisões e diversas situações.
Só que temos a promessa de, fazendo o que é o melhor, a vontade de Deus, Jesus estará sempre conosco e, em situações difíceis, o Espírito Santo nos inspirará. A quem temeremos? Não significa que será fácil, e sim que precisamos ser firmes quanto ao que acreditamos e nossa opção fundamental por Deus.
Israel passou pelo cativeiro da Babilônia e, quando voltou para Jerusalém, muitos foram cuidar dos próprios interesses, deixando a reconstrução do Templo, e consequente identidade enquanto povo, de lado. Isso significa que os conflitos ficaram acirrados, com disputa por terras, espaço para construção da moradia e postos de liderança perante o povo. O sentido da vida estava fragilizado. O profeta Miquéias nos lembra que estas preocupações cotidianas só têm sentido se forem voltadas a partir da justiça, o que se refere à centralidade em Deus.
São Paulo nos vai indicar que o caminho é o serviço comunitário. Na espera da volta de Jesus, alguns queriam se aproveitar e não trabalhar. Mas queriam usufruir do fruto do trabalho dos demais. Com a Criação, Deus nos deu tanto, mas na orientação de cultivar e guardar. Não é para uso egoísta, e sim pelo bem de todos. Neste dia do Pobre, nós temos a preocupação com os que não têm condições de garantir o próprio sustento e que comumente são espoliados de condições dignas de vida. Tudo o que Deus dá é para todos, e não é justo que tantos fiquem sem acesso ao mínimo.
Dos anawin, os que deixaram tudo para seguir Deus, temos sua direção: aos que mais precisam, condição da justiça e da paz. E Jesus vem nos ensinar o caminho. Não para ser deixado para depois. E sim agora, já. Pois não sabemos quando o noivo vem.
O Ano Litúrgico se encerra na semana que vem. A Liturgia anuncia que o Retorno está próximo. A justiça que não fizermos, teremos que prestar conta. Entre o Jesus Juiz e o Jesus Amigo, como nos colocamos?
Precisamos ser modelos de serviço para nossos catecúmenos. Através de nós, Jesus manifesta sua Justiça. Comecemos o quanto antes a anunciar Cristo Rei do Universo.

Corações ao alto!

(Vandeia Ramos)

Não é novidade para nós, catequistas, que a centralidade de nosso anúncio é Jesus Cristo. A Boa Nova é que, na plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho para que estabelecesse conosco uma Nova Aliança, centrada em sua entrega total na cruz, seguida de sua Ressurreição. E tudo começa com os apóstolos e por Jerusalém. Por isso a Igreja é apostólica, no testemunho dos primeiros que são chamados para a missão de anunciar o que viram e ouviram.
Após os três anos de convívio, da realidade da Paixão-Morte-Ressurreição, Jesus passa 40 dias com os seus para que possam relacionar todas as experiências vividas a partir da relação entre cruz e vida. Só após ver Jesus Ressuscitado que muitos conseguem passar pelo drama do Calvário. Poucos somos os que sustentam o ouvir o anúncio do sofrimento e seguir em pé frente às dificuldades. Somente ao lado de Maria que João consegue.
Jesus sabe o quanto somos difíceis, que nosso coração é de pedra, que, por mais que acompanhemos sua vida e sua sabedoria, somos incapazes de elaborar sua mensagem de modo fiel. Por isso não nos deixa sozinhos, mantêm-nos reunidos na Nova Jerusalém, a que desce do céu e encontra a terra na Eucaristia. Ele promete o envio do Espírito, que fará tudo ganhar sentido de tal forma em nós que podemos ser seus instrumentos no anúncio de sua Mensagem.
Com os discípulos, somos levados por Jesus para fora. O mundo nos espera. E Ele nos abençoa. Portadores de sua bênção, podemos acompanhar sua ida ao céu. Nosso coração já não pertence a este mundo. Nossos olhos ficam admirando sua glória ao ser elevado. A alegria de saber que há muito mais nos aguardando faz com que fiquemos confortados ao voltarmos para casa, para nossos afazeres, nossos estudos e trabalhos. Sabemos que no domingo que vem teremos mais.
Ele vai, mas promete que voltará. Promete seu Espírito para nos confortar e animar. Precisamos Dele para aceitar que o Reino é no tempo do Pai, e não no nosso. Não é quando queremos, mas de uma difícil aprendizagem de vivermos na realidade que nos é dada, na qual somos chamados a agir em nome do Filho. Imbuídos do Espírito, somos enviados às nossas turmas, cenáculos, diferentes espaços familiares e sociais. Até à última pessoa.
Não podemos ver Jesus com os olhos. Frequentemente, quando pensamos Nele, nosso coração vai ao alto, ao céu, aos anjos e santos, à Nossa Senhora e a São José. No cansaço e na alegria, na dor e na dúvida. Quantas vezes nos perdemos de nós mesmos e nos voltamos ao céu?
Muitas vezes a realidade nos chama de volta. Aparece alguém que nos lembra que Jesus foi, mas volta, só que não agora. Neste momento, é hora de servirmos. Ao ir ao próximo que nossa vida ganha sentido, que superamos o cansaço pela necessidade do outro, que nossa alegria é partilhada, que o amor faz com que suportemos a dor, que a dúvida é sanada na nossa própria relação com a cruz.
Na vida entre o Calvário e a ascensão, entre a realidade e o céu, temos um caminho a percorrer, que nos prepara para a chegada do Espírito. A Ressurreição já é uma realidade que faz com que a morte seja somente um momento pelo qual passamos. A ascensão é a continuidade do caminho, pelo qual um dia seremos levados da terra a Jesus. Daqui já podemos vislumbrar, ainda que de modo velado, o Senhor em seu trono no céu, acima de tudo e de todos, dirigindo a história para Ele.
O caminho é o da elevação de todas as coisas a Deus. É o convite pessoal que nos faz de O acompanharmos. Inserir-nos em seu Mistério é anunciar com a própria vida que Jesus é o Senhor, no qual nos alegramos, adoramos e acompanhamos sua subida.
Aclamemos, Igreja, que Deus se elevou! E esperemos aqui o dia em nosso canto de vida se unirá definitivamente ao de todo o céu, no anúncio de que Deus é o Altíssimo, que reina sobre todas as nações.

Jesus vai voltar!

Entre nós cristãos, especialmente catequistas, não pode haver dúvida sobre isso,  então vejamos o que o Catecismo da Igreja Católica (Compêndio) nos diz sobre este assunto:

«DE ONDE VIRÁ A JULGAR OS VIVOS E OS MORTOS»

133. Como reina agora o Senhor Jesus?

Senhor do cosmos e da história, Cabeça da sua Igreja, Cristo glorificado permanece misteriosamente sobre a terra, onde o Seu Reino já está presente como germe e início na Igreja. Ele um dia voltará em glória, mas não sabemos quando. Por isso, vivemos vigilantes, rezando: «Vem, Senhor» (Ap 22,20).

134. Como se realizará a vinda do Senhor na glória?

Após o último abalo cósmico deste mundo que passa, a vinda gloriosa de Cristo acontecerá com o triunfo definitivo de Deus na Parusia de Cristo e com o Juízo final. Assim se cumprirá o Reino de Deus.

135. Como é que Cristo julgará os vivos e os mortos?

Cristo julgará com o poder adquirido como Redentor do mundo, vindo para salvar os homens. Os segredos dos corações serão revelados, bem como o procedimento de cada um em relação a Deus e ao próximo. Cada homem será repleto de vida ou condenado para a eternidade segundo as suas obras. Assim se realizará «a plenitude de Cristo» (Ef 4,13), na qual «Deus será tudo em todos» (1 Cor 15,28).

«CREIO NA VIDA ETERNA»

 207. O que é a vida eterna?

A vida eterna é a que se iniciará imediatamente após a morte. Ela não terá fim. Será precedida para cada um por um juízo particular realizado por Cristo, juiz dos vivos e dos mortos, e será confirmada pelo juízo final.

208. O que é o juízo particular?

É o julgamento de retribuição imediata, que cada um, a partir da morte, recebe de Deus na sua alma imortal, em relação à sua fé e às suas obras. Tal retribuição consiste no acesso à bem-aventurança do céu, imediatamente ou depois de uma adequada purificação, ou então à condenação eterna no inferno.

214. Em que consistirá o Juízo final?

O juízo final (universal) consistirá na sentença de vida bem-aventurada ou de condenação eterna, que o Senhor Jesus, no seu regresso como juiz dos vivos e dos mortos, pronunciará em relação aos «justos e injustos» (At 24, 15), reunidos todos juntos diante d’Ele. A seguir a tal juízo final, o corpo ressuscitado participará na retribuição que a alma teve no juízo particular.

215. Quando terá lugar este juízo final?

O juízo final terá lugar no fim do mundo, do qual só Deus conhece o dia e a hora.

216. Em que consiste a esperança dos novos céus e da nova terra?

Depois do juízo final, o próprio universo, libertado da escravidão da corrupção, participará na glória de Cristo com a inauguração dos «novos céus e da nova terra» (2 Ped 3,13). Será assim alcançada a plenitude do Reino de Deus, ou seja a realização definitiva do desígnio salvífico de Deus de «recapitular em Cristo todas as coisas, as do céu e as da terra» (Ef1,10). Deus será então «tudo em todos» (1 Cor 15,28), na vida eterna.

Fonte: CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – Compêndio

Quando Cristo Voltará?

Jesus vai voltar

Muitas vezes as profecias sobre a vinda de Cristo iminente são sugeridas pela necessidade que temos de encontrar uma “saída” para os tempos difíceis em que se vive. Por isso a Igreja é muito cautelosa nesse ponto, e sempre nos lembra:

At 1,7 – “Não toca a vós ter conhecimento dos tempos e momentos que o Pai fixou por sua própria autoridade”.

Mc 13,32 – “Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém os conhece, nem mesmo os anjos do céu, nem mesmo o Filho, mas, sim, o Pai só”.

Santo Agostinho interpreta essa passagem dizendo que Jesus diz não saber esta data, porque está fora do depósito das verdades que Ele veio revelar aos homens; não pertence à sua missão de Salvador revelar essa data (In Ps 36 Migne 36,355).

O Magistério da Igreja quer que se respeite essa vontade de Deus de deixar oculta aos homens essa data.

No Concílio Universal de Latrão V, em 1516, foi decretado:

“Mandamos a todos os que estão, ou futuramente estarão incumbidos da pregação, que de modo nenhum presumam afirmar ou apregoar determinada época para os males vindouros para a vinda do Anticristo ou para o dia do juízo. Com efeito a Verdade diz: “Não toca a vós ter conhecimento dos tempos e momentos que o Pai fixou por Sua própria autoridade. Consta que os que até hoje ousaram afirmar tais coisas mentiram, e, por causa deles, não pouco sofreu a autoridade daqueles que pregam com retidão. Ninguém ouse predizer o futuro apelando para a Sagrada Escritura, nem afirmar o que quer que seja, como se o tivesse recebido do Espírito Santo ou de revelação particular, nem ouse apoiar-se sobre conjecturas vãs ou despropositadas. Cada qual deve, segundo o preceito divino, pregar o Evangelho a toda a criatura, aprender a detestar o vício, recomendar e ensinar a prática das virtudes, a paz e a caridade mútuas, tão recomendadas por nosso Redentor”.

Em 1318, o Papa João XXII, condenando os erros dos chamados Fraticelli disse:

“Há muitas outras coisas que esses homens presunçosos descrevem como que em sonho a respeito do curso dos tempos e do fim do mundo, muitas coisas a respeito da vinda do Anticristo, que lhes parece estar às portas, e que eles anunciam com vaidade lamentável. Declaramos que tais coisas são, em parte, frenéticas, em parte doentias, em parte fabulosas. Por isso nós os condenamos com os seus autores em vez de as divulgar ou refutar” (Curso de Escatologia – D. Estevão Bettencourt, págs. 123 / 124).

(Fonte)