Santificados pelo sofrimento

(Prof. Felipe Aquino)

O sofrimento santifica?

Sentimos em nossa carne, que a conquista da santidade é algo que supera as nossas forças humanas, por isso os santos parecem aos nossos olhos como sobre-humanos. Na verdade, foi com o auxílio da graça de Deus que chegaram ao estado da bem-aventurança. “O que é impossível à natureza, é possível à graça de Deus”, disse Santo Agostinho. Ele ensina que a graça não anula e nem dispensa a natureza, a enriquece.

Como Deus nos vocacionou para sermos santos, Ele dirige a nossa vida e os nossos passos sempre nessa direção. Na medida que a nossa liberdade o consente Ele dirige os nossos passos para esse fim. É por isso que nos acontecimentos de nossa vida muitas vezes não entendemos o que nos sucede. Na verdade é a mão de Deus a nos conduzir.

O médico não prescreve o medicamento que agrada ao paciente, mas aquele que o cura. Assim também, como o Médico das almas, Deus nos apresenta muitas vezes remédios amargos, mas é para a nossa santificação. Assim, as provações e as tentações que Deus permite que nos atinjam são para o nosso bem espiritual. A Bíblia nos dá essa certeza. Àqueles que querem ser seus discípulos o Senhor exige: “Tome a sua cruz cada dia e siga-me” (Lc 9,23). Após a disposição interior de “renunciar a si mesmo”, é preciso a mesma disposição para “tomar a cruz cada dia”. Foi com a cruz que o Cordeiro de Deus tirou o pecado do mundo, e é também com a cruz que Ele tira o pecado enraizado em cada um de nós. Sabemos que o sofrimento não é obra de Deus, é a consequência do pecado.

“O salário do pecado é a morte”(Rom 6,23). Para dar um sentido ao sofrimento, Jesus o transformou em “matéria prima” da nossa salvação. Quem quer chegar à santidade não deve ter medo da cruz e deve toma-la, resolutamente, “a cada dia”, como disse Jesus, porque é ela que nos santificará.

Para entender essa pedagogia divina vamos examinar o que nos ensina a Carta aos hebreus, no capítulo 12, sobre as provações. Começa dizendo que assim como fizeram os santos, devemos nos “desvencilhar das cadeias do pecado” (v.1), enfrentando o “combate que nos é proposto”, como Jesus, que “suportou a cruz” (v.2), sem se deixar “abater pelo desânimo”(v 3). Em seguida mostra”nos que tudo é válido na luta contra o pecado. “Ainda não tendes resistido até ao sangue, na luta contra o pecado” (v.4).

Nesta luta vale a pena derramar até o próprio sangue, a própria vida. Em seguida a Carta recorda a citação dos Provérbios que diz:“Filho meu, não desprezes a correção do Senhor. Não desanimes,quando repreendido por ele, pois o Senhor corrige a quem ama e castiga todo aquele que reconhece por seu filho”(Prov. 3,11).

Assim como nós pais terrenos, corrigimos os nossos filhos, porque os amamos, Deus também o faz conosco. Quantas vezes eu precisei segurar no colo os meus filhos, quando ainda pequenos, para que o farmacêutico os aplicasse uma injeção. Só o amor por eles me obrigaria a tal ato, mesmo com o seu choro nos meus ouvidos. Assim também Deus faz conosco; por amor, permite que as provações arranquem as ervas daninhas do jardim precioso de nossa alma.

A palavra de Deus diz: “não desprezes a correção do Senhor” (v.5), portanto devemos acolhe-la, amá-la, mesmo que nos incomode. E ela continua: “Estais sendo provados para a vossa correção: é Deus que vos trata como filhos. Ora, qual é o filho a quem seu pai não corrige ?” (v. 7). Somos filhos legítimos de Deus, e não bastardos, por isso Ele nos corrige (V.8). E a palavra de Deus nos diz que Ele nos corrige “para nos comunicar a sua santidade” (v.10). Aí está a razão pela qual Jesus nos manda abraçar a cruz de cada dia. É pelas pequenas e numerosas cruzinhas de cada dia que o Artista Divino vai moldando a nossa alma, à sua própria imagem. A nós cabe ter paciência e aceitar cada sofrimento, cada revés, cada humilhação, cada doença, enfim, cada golpe do Artista, com resignação e ação de graças.

A nossa natureza sempre se revolta, se impacienta e se agita desesperada, e com isso, só faz aumentar ainda mais o sofrimento e agrava a situação. O segredo para se sofrer com paciência é não olhar nem para o passado e nem para o futuro, mas viver, na fé, o presente. Um dos grandes conselhos que Jesus nos deixou no Sermão da Montanha foi este:“Não vos preocupeis pois com o dia de amanhã (…). A cada dia basta o seu mal” (Mt 6,34). Deus sempre nos dará a graça necessária para carregar, com determinação, a cruz de cada dia que nos santifica.

Cada um de nós têm a sua própria cruz, única e exclusiva, pois para cada tipo de doença há um remédio próprio.

A nossa cruz “de cada dia” é formada de tudo o que fazemos e sofremos: o trabalho diário, as preocupações, a falta de dinheiro, a doença, o acidente, a contrariedade, as calúnias, os mal entendidos, enfim, tudo, o que nos desagrada. Tudo isto se torna sagrado quando abraçado na fé e colocado no cálice do sangue do Senhor celebrado a cada dia no altar.

Certa vez, andando no Cemitério, por entre as sepulturas, em dado momento deparei”me com essa frase em uma delas: “A melhor oração é o sofrimento”. É verdade, pensei, mas desde que seja abraçado na fé e na paciência, e oferecido ao Pai junto com o sangue de Jesus.

A cruz se torna mais suave quando é aceita por amor a Deus. Jesus mesmo ensinou à confidente do seu Coração, Soror Benigna Consolata, como se deve sofrer: “Quando sofres, quer interna quer externamente, não percas o merecimento da dor. Sofre unicamente por Mim”. Sofrer tudo por amor a Jesus, eis o segredo de sofrer bem . Santo Agostinho tem uma frase que nos ensina bem tudo isso: “Quando se ama não se sofre, e se sofre, ama-se o sofrimento”. Quanto mais calados sofrermos, sem ficarmos buscando o consolo das pessoas que nos cercam, choramingando as nossas dores, tanto mais cresceremos na santidade, e tanto mais teremos méritos diante de Deus. A maior vitória sobre o sofrimento, qualquer que ele seja, será sempre o nosso silêncio e aceitação.

Muitas vezes nos impomos uma série de mortificações, mas os santos ensinam que as melhores cruzes são aquelas que Deus permite que cheguem a nós. “São Francisco de Sales dizia que: “As cruzes que encontramos pelas ruas são excelentes, e que mais o são ainda” e tanto mais quanto mais importunas ”as que se nos deparam em casa”. Valem mais as cruzes do que as disciplinas e os jejuns. De que adianta a penitência que voluntariamente nos impomos, se não aceitamos aquelas que diariamente Deus nos impõe, na medida exata da nossa correção? De nada valeria o sacrifício de um enfermo que quisesse tomar muitos remédios amargos que não fosse aquele receitado pelo médico. De forma alguma devemos desprezar as mortificações que nos impomos, contudo, mais importante do que elas são as que a divina providência nos manda.

São Paulo dizia aos romanos que “tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus” (Rom 8,28). Deus sabe aproveitar todos os acontecimentos da nossa vida para o nosso bem. Aceitar isso é ter fé, é saber abandonar-se nas mãos divinas, como o enfermo se entrega nas mãos do médico em que confia.

Tudo o que podemos passar nesta vida é pouco em vista da grande obra de santificação que Deus quer fazer em nós. Não podemos perder de vista o objetivo de Deus Pai que nos “predestinou para sermos conforme à imagem de seu Filho” (Rom 8,29). São Paulo tinha isto tão certo que disse aos romanos:

“Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada” (Rom 8,18).

É grande demais a obra que Deus está fazendo em nós. Santo Agostinho nos ensina que Deus “não permitiria o mal se não soubesse tirar dele um bem maior”. E que muitas vezes Deus permite que o mal nos atinja para evitar um mal maior.

As provações nos fortalecem para o combate espiritual; por isso, os Apóstolos sempre estimularam os fiéis a enfrentá”las com coragem. São Pedro diz:

“Caríssimos, não vos perturbeis no fogo da provação, como se vos acontecesse alguma coisa extraordinária. Pelo contrário, alegrai”vos em ser participantes dos sofrimentos de Cristo…”(1 Pe 4,12).

E ele ensina que a provação nos levará à perfeição:

“O Deus de toda graça, que vos chamou em Cristo à sua eterna glória, depois que tiverdes padecido um pouco, vos aperfeiçoará, vos tornará inabaláveis, vós fortificará” (1 Pe 5,10).

É importante notar que o Apóstolo ensina-nos que a provação nos “aperfeiçoará-e nos tornará “inabaláveis”. É importante não se deixar perturbar no fogo da provação. Não se exasperar, não perder a paz e a calma, pois é exatamente isto que o tentador deseja. Uma alma agitada fica a seu bel-prazer. Não consegue rezar, fica irritada, mal humorada, triste, indelicada com os outros, etc. O antídoto contra tudo isso é a humilde aceitação da vontade de Deus no exato momento em que algo desagradável nos ocorre, dando, de imediato, glória a Deus, como São Paulo ensina: “Em todas as circunstâncias dai graças, pois esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus” (1 Tes 5,16). É preciso fazer esse grande e difícil exercício de dar glória a Deus na adversidade. Nesses momentos gosto de ficar glorificando a Deus, rezando muitas vezes o “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo …” até que minha alma se acalme e se abandone aos cuidados de Deus. Essa atitude muito agrada a Deus, pois é a expressão da fé pura de quem se abandona aos seus cuidados. É como a fé de Maria e de Abraão que “esperaram contra toda a esperança” (Hb 11,17-19), e assim, agradaram a Deus sobremaneira.

Jó agradou muito a Deus porque no meio de todas as provações, tendo perdido todos os seus bens e todos os seus filhos, ainda assim soube dizer com fé :

“Nu sai do ventre da minha mãe, nu voltarei. O Senhor deu, o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor! ” (Jo 1,21).

Afirmam os santos que vale mais um “bendito seja Deus!” pronunciado com o coração, no meio do fogo da provação, do que mil atos de ação de graças quando tudo vai bem.

O pecado original corrompeu tão intensamente o estado de santidade e de justiça original, em que Deus nos criou que, só mesmo com as provações Ele retira as “ervas daninhas” que se entranharam no jardim da nossa alma, que é propriedade de Deus. O Jardineiro divino da nossa alma sabe os métodos que deve empregar para limpar cada alma. Santa Teresa diz que sentiu Jesus dizer-lhe:

“Fica sabendo que as pessoas mais queridas de meu Pai são as que são mais afligidas com os maiores sofrimentos”. E por isso afirmava que não trocaria os seus sofrimentos por todos os tesouros do mundo. Tinha a certeza de que Deus a santificava pelas provações. A santa chega a dizer que “quando alguém faz algum bem a Deus, o Senhor lhe paga com alguma cruz”. Para nós essas palavras parecem até um absurdo, mas não para os santos, que conheceram todo o poder salvífico e santificador do sofrimento.

São Paulo ensina que:
“As nossas tribulações de momento são leves e nos preparam um peso de glória eterna” (2Cor 4,17).

Quando São Francisco de Assis passava um dia sem nada sofrer por Deus, temia que Deus tivesse se esquecido dele. São João Crisóstomo, doutor da Igreja, diz que “é melhor sofrer do que fazer milagres, já que aquele que faz milagres se torna devedor de Deus, mas no sofrimento Deus se torna devedor do homem”.

Só aceitaremos e amaremos o sofrimento quando enterdermos, como os santos, que por meio dele, Deus destrói em nós as más inclinações interiores e exteriores, que impedem a nossa santificação. As ofensas, as injúrias, os desprezos, os cinismos irritantes, as doenças, as dores, as lágrimas, as tentações, a humilhação do pecado próprio, etc., nos são necessários pois dão-nos a oportunidade de lutarmos contra as nossas misérias.

Isto não quer dizer que Deus seja o autor do mal, ou que Ele se alegre com o nosso sofrimento, não. O que Deus faz, de maneira até amável, é transformar o sofrimento, que é o salário do próprio pecado do homem, em matéria prima de sua própria salvação, dando assim, um sentido à dor. A partir daí, sob à luz da fé, podemos sofrer com esperança. É o enorme abismo que nos separa dos ateus, para quem a dor e a morte, continuam a ser o mais terrível dos absurdos da vida humana.

A paciência na dor é a grande arma do santo. São Tiago afirma que a paciência produz uma obra perfeita. Veja o que ele diz:

“Meus irmãos, tende por motivo de grande alegria o serdes submetidos a múltiplas provações, pois sabeis que a vossa fé, bem provada, leva à perseverança, mas é preciso que a perseverança produza uma obra perfeita, a fim de serdes perfeitos e íntegros sem nenhuma deficiência” (Tg 1,2″4).

A provação produz a perseverança, e por ela, passo a passo, chegaremos à perfeição, é o que nos ensina com essas palavras São Tiago.

O capítulo dois do Livro do Eclesiástico é o “hino da paciência”. Deveríamos decorar suas palavras:

“Meu filho, se entrares para o serviço de Deus (…) prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com paciência (…) não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência” (Eclo 2,1-3).

“Aceita tudo o que te acontecer; na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus, pelo cadinho da humilhação” (4-6).

Essas palavras precisam ser muito bem assimiladas, amadas e vividas. É a paciência que nos levará ao céu. São Gregório Magno afirma que todos os santos foram mártires ou pela espada ou pela paciência. São Paulo gloriava-se nas provações:

“Nós nos gloriamos também nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a perseverança…” (Rom 5,3-5).

Sofrer com paciência é sabedoria, pois assim se vive com paz. Quem sofre sem paciência e sem fé, revolta-se, desespera-se, e sofre em dobro, além de fazer os outros sofrerem também. Santo Afonso diz que “neste vale de lágrimas não pode ter a paz interior senão quem recebe e abraça com amor os sofrimentos, tendo em vista agradar a Deus”. Segundo ele “essa é a condição a que estamos reduzidos em consequência da corrupção do pecado”.

É preciso aqui, ressaltar ainda uma vez mais, que as mortificações que aparecem contra a nossa vontade são as mais agradáveis a Deus, quando as abraçamos com fé e paciência. Diz o livro dos Provérbios que:

“Mais vale o homem paciente do que corajoso” (Pr 16,32).

Quando eu tinha vinte e dois anos de idade, recém formado na Faculdade, fui aprovado em concurso para Professor de uma Faculdade Federal de Engenharia. Casei-me no mesmo ano e nosso primeiro filho nasceu no ano seguinte. Sentia-me como um rei; tudo estava perfeito na minha vida. De repente, em poucos dias comecei a sentir a minha vista enfraquecer. Fui ao médico e ele constatou uma doença incurável, ceratocone, deformação da córnea. Eu teria que usar lentes de contato, de vidro, para sempre, até quem sabe, me submeter um dia a transplante das córneas.

Tudo aquilo, tão rápido, despencou sobre a minha cabeça como uma tempestade; e eu fiquei perguntando a Deus o que tudo aquilo significava. Isto já faz vinte e quatro anos. Lembro-me que naqueles dias, perguntei ao Pe Jonas Abib, que era o nosso diretor espiritual, sobre aquilo que eu sofria. Ele me disse:

“Eu não sei o que Deus quer com isso, mas certamente ele tem um plano atrás desses acontecimentos”.

Hoje, 24 anos depois, posso avaliar o quanto esta enfermidade ajudou-me a crescer espiritualmente. Talvez eu não estivesse hoje escrevendo essas páginas sobre o valor do sofrimento, se tudo isso não tivesse ocorrido. Aprendi a ser mais paciente comigo, com a doença, com os outros. Tive que fazer três transplantes das córneas, e atrás de tudo isto sempre vi a vontade de Deus na minha vida.

O homem de fé é aquele que está pronto a dizer sempre, em qualquer circunstância da vida: “Bendito seja Deus!”

(Fonte)

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A celebração mais linda

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O Sábado Santo não é um dia vazio, em que “nada acontece”. Nem uma duplicação da Sexta-feira Santa. A grande lição é esta: Cristo está no sepulcro, desceu à mansão dos mortos, ao mais profundo que pode ir uma pessoa. O próprio Jesus está calado. Ele, que é Verbo, a Palavra, está calado. Depois de Seu último grito na cruz – “Por que me abandonaste?” –, Ele cala no sepulcro agora. Descanse: “tudo está consumado!”.

Vigília Pascal
Durante o Sábado Santo, a Igreja permanece junto ao sepulcro do Senhor, meditando Sua Paixão e Morte, Sua descida à mansão dos mortos, esperando, na oração e no jejum, Sua Ressurreição. Todos os elementos especiais da vigília querem ressaltar o conteúdo fundamental da noite: a Páscoa do Senhor, Sua passagem da morte para a vida.
A celebração acontece no sábado à noite. É uma vigília em honra ao Senhor, de maneira que os fiéis, seguindo a exortação do Evangelho (cf. Lc 12,35-36), tenham acesas as lâmpadas, como os que aguardam seu senhor chegar, para que, os encontre em vigília e os convide a sentar à sua mesa.

Bênção do fogo
Fora da Igreja, prepara-se a fogueira. Estando o povo reunido em volta dela, o sacerdote abençoa o fogo novo. Em seguida, o Círio Pascal é apresentado ao sacerdote. Com um estilete, o padre faz nele uma cruz, dizendo palavras sobre a eternidade de Cristo.
Assim, ele expressa, com gestos e palavras, toda a doutrina do império de Cristo sobre o cosmos, exposta em São Paulo. Nada escapa da Redenção do Senhor, e tudo – homens, coisas e tempo – estão sob Sua potestade.

Procissão do Círio Pascal
As luzes da igreja devem permanecer apagadas. O diácono toma o Círio e o ergue, por algum tempo, proclamando: “Eis a luz de Cristo!”. Todos respondem: “Demos graças a Deus!”.
Os fiéis acendem suas velas no fogo do Círio Pascal e entram na igreja. O Círio, que representa o Cristo Ressuscitado, a coluna de fogo e de luz que nos guia pelas trevas e nos indica o caminho à terra prometida, avança em procissão.

Proclamação da Páscoa
O povo permanece em pé com as velas acesas. O presidente da celebração incensa o Círio Pascal. Em seguida, a Páscoa é proclamada.
Esse hino de louvor, em primeiro lugar, anuncia a todos a alegria da Páscoa, a alegria do Céu, da Terra, da Igreja, da assembleia dos cristãos. Essa alegria procede da vitória de Cristo sobre as trevas. Terminada a proclamação, apagam-se as velas.

Liturgia da Palavra
Nesta noite, a comunidade cristã se detém mais que o usual na proclamação da Palavra.
As leituras da vigília têm uma coerência e um ritmo entre elas. A melhor chave é a que nos deu o próprio Cristo: “E começando por Moisés, percorrendo todos os profetas, explicava-lhes (aos discípulos de Emaús) o que dele se achava dito em todas as Escrituras” (Lc 24, 27).

Liturgia Batismal
A noite de Páscoa é o momento que tem mais sentido celebrar os sacramentos da iniciação cristã. O sacerdote que preside a celebração, nesta noite, tem a faculdade de conferir também a confirmação do batismo, para fazer visível a unidade dos sacramentos da iniciação.
Se houver batismo, deverão chamar os catecúmenos, que serão apresentados pelos padrinhos à Igreja reunida.

Ladainha de todos os santos
Nós, Igreja peregrina, em profunda comunhão com a Igreja do Céu, reafirmamos nossa fé e pedimos a intercessão daqueles que nos precederam na glória do Cristo ressuscitado.

Bênção da água batismal
Durante a oração, o sacerdote mergulha o Círio Pascal na água uma ou três vezes. Se houver batismo, cada catecúmeno renuncia ao demônio, faz a profissão de fé e é batizado.
A bênção da água trata-se, sobretudo, de bendizer a Deus por tudo o que Ele fez, por meio da água, ao longo da História da Salvação. Neste momento, o padre implora ao Senhor que, hoje, também este sinal atualize o Espírito de vida sobre os batizados.

Renovação das promessas batismais
Após o rito do batismo (se houver) ou da bênção da água, todos, em pé e com as velas acesas, renovam as promessas do batismo.
Terminada a renovação das promessas, o sacerdote asperge o povo com a água benta, enquanto todos cantam. Neste dia, é omitido o creio; em seguida, é presidida a oração dos fiéis.

Liturgia Eucarística
A Celebração Eucarística é o ápice da Noite Pascal. É a Eucaristia central de todo o ano, mais importante que a do Natal ou da Quinta-feira Santa. Cristo, o Senhor Ressuscitado, nos faz participar de Seu Corpo e de Seu Sangue, como memorial da Sua Páscoa. É o ponto mais importante da celebração.

“Eis que Eu venho”

(Vandeia Ramos)

Antevéspera de Natal e a expectativa já está no ar. A Igreja e as casas arrumadas, as famílias finalizando as preparações, o sentimento da ausência de alguns doendo mais forte… Depois de um ano tão intenso, começamos o ano litúrgico com a espera Daquele que vem para fazer tudo novo.
Na profecia de Miqueias podemos ter bem claro como Deus se utiliza das ações humanas que, mesmo com fim em si mesmas, são renovadas para que a Glória se manifeste. Mesmo com o censo obrigando José a ir até Belém fazer o recadastramento, o profeta já tinha anunciado que ali nasceria o Salvador. Aqui identificamos com facilidade Quem é que comanda a história e intervém na hora certa em nosso favor. Também é no nosso dia a dia.
A abertura dos corações de José e Maria nesta confiança faz com que não se prendam nas dificuldades, no atravessar Israel, Samaria e parte da Judeia, com uma gravidez chegando ao fim, para irem até Belém. Eles sabem que Deus cuida de nós. Não ficam presos no mimimi, na reclamação do calor, da areia do deserto, no autoritarismo de Herodes, nas condições insalubres de vida. Eles simplesmente seguem fazendo o que precisa ser feito. A preocupação está centrada no Filho que está chegando. Fazem o que lhes cabe e seguem o caminho.
É nesta confiança que nove meses antes Maria atravessou o mesmo caminho para ir até a casa de Isabel, logo no início de sua gravidez. Ela não chamou as amigas para celebrar a notícia, não marcou evento no Facebook, não começou a organizar o chá de bebê, não colocou anúncio no jornal nem mesmo foi a José. Ela foi ao encontro de quem precisava, como faz conosco hoje. E temos um dos trechos mais belos e ternos no Evangelho, da “Mãe do meu Senhor” que nos visita, sem merecermos.
No início da gravidez, Isabel, cheia do Espírito Santo, sem ultrassonografia, diz que sua prima está grávida, que é um Menino, e que este Menino é o seu Senhor. Aqui temos a centralidade da Encarnação na defesa da Vida, desde o início da gestação. Temos aqui a confiança de Maria, “que acreditou” e acredita quando somos fracos para não acreditarmos, sustentando nossa fé. Nesta confiança leva Jesus até Isabel e a presença da Mulher e sua descendência (Gn 3, 15) santifica João Batista no ventre de sua mãe. Pela “dobradinha” Mãe e Filho, o antigo se faz novo, a alegria inicia pelo cumprimento da Promessa do Senhor.
Hoje, nossa face já mostra os sinais de nossa salvação. Que possamos abrir as portas de nossas casas e de nossos corações para acolhermos a Família de Nazaré que está chegando. E que nossa família seja um pouco de Jesus, Maria e José. Um Feliz Natal para todos!

Mensagem do Papa aos fiéis brasileiros pela Campanha da Fraternidade

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Neste tempo quaresmal, de bom grado me uno à Igreja no Brasil para celebrar a Campanha “Fraternidade e a superação da violência”, cujo objetivo é construir a fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da Palavra de Deus, como caminho de superação da violência. Desse modo, a Campanha da Fraternidade de 2018 nos convida a reconhecer a violência em tantos âmbitos e manifestações e, com confiança, fé e esperança, superá-la pelo caminho do amor visibilizado em Jesus Crucificado.

Jesus veio para nos dar a vida plena (cf. Jo 10, 10). Na medida em que Ele está no meio de nós, a vida se converte num espaço de fraternidade, de justiça, de paz, de dignidade para todos (cf. Exort. Apost. Evangelii gaudium, 180). Este tempo penitencial, onde somos chamados a viver a prática do jejum, da oração e da esmola nos faz perceber que somos irmãos. Deixemos que o amor de Deus se torne visível entre nós, nas nossas famílias, nas comunidades, na sociedade.

“É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” (1 Co 6,2; cf. Is 49,8), que nos traz a graça do perdão recebido e oferecido. O perdão das ofensas é a expressão mais eloquente do amor misericordioso e, para nós cristãos, é um imperativo de que não podemos prescindir. Às vezes, como é difícil perdoar! E, no entanto, o perdão é o instrumento colocado nas nossas frágeis mãos para alcançar a serenidade do coração, a paz. Deixar de lado o ressentimento, a raiva, a violência e a vingança são condições necessárias para se viver como irmãos e irmãs e superar a violência. Acolhamos, pois, a exortação do Apóstolo: “Que o sol não se ponha sobre o vosso ressentimento” (Ef 4, 26).

Sejamos protagonistas da superação da violência fazendo-nos arautos e construtores da paz. Uma paz que é fruto do desenvolvimento integral de todos, uma paz que nasce de uma nova relação também com todas as criaturas. A paz é tecida no dia-a-dia com paciência e misericórdia, no seio da família, na dinâmica da comunidade, nas relações de trabalho, na relação com a natureza. São pequenos gestos de respeito, de escuta, de diálogo, de silêncio, de afeto, de acolhida, de integração, que criam espaços onde se respira a fraternidade: “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8), como destaca o lema da Campanha da Fraternidade deste ano. Em Cristo somos da mesma família, nascidos do sangue da cruz, nossa salvação. As comunidades da Igreja no Brasil anunciem a conversão, o dia da salvação para conviverem sem violência.

Peço a Deus que a Campanha da Fraternidade deste ano anime a todos para encontrar caminhos de superação da violência, convivendo mais como irmãos e irmãs em Cristo. Invoco a proteção de Nossa Senhora da Conceição Aparecida sobre o povo brasileiro, concedendo a Bênção Apostólica. Peço que todos rezem por mim.

Vaticano, 27 de janeiro de 2018.

Franciscus PP.

(Fonte: Canção Nova)

Catequista

Com o coração e a mente em DEUS e os pés na realidade do irmão,
Anunciamos com alegria e entusiasmo o que o CRISTO nos ensinou, para
Transformar a sociedade, construindo a “civilização do AMOR”.
Ergamos nossa voz contra a injustiça. Sejamos profetas,
Quando necessário for
Uma vez, duas, três, todos os dias…
Insistir sempre, agredir nunca.
Sejamos pessoas de PAZ, LUZ e SAL, nossa vocação.
Trabalhemos, com eficácia, no MINISTÉRIO DA PALAVRA.
Amor, a meta do nosso caminhar…
“Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos.”

 

A gente escuta sempre que ser catequista não é ser funcionário da igreja e que catequista não tem salário, mas nem precisa… a gente recebe muito mais do que dinheiro!

O abecedário do cristão

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Agradeça a Deus por cada circunstância da sua vida.

Busque a excelência, não a perfeição.

Confesse-se com frequência e humildade.

Devolva o que você pegou emprestado.

Empreste suas coisas com generosidade.

Faça pequenos atos de fé ao longo do dia.

Gostem ou não de você, faça o bem a todos.

Hora de dormir: agradeça, peça perdão.

Invista seu tempo em atos de caridade.

Jamais se esqueça da salvação da sua família.

Leia a Bíblia diariamente.

Mantenha-se atento aos sinais do amor de Deus.

Não culpe os outros pelos seus problemas.

Ore pelos seus inimigos.

Perdoe sempre, incondicionalmente.

Que as pessoas enxerguem Jesus em você.

Reconheça sua fragilidade e confie na Graça.

Seja gentil com todos.

Trate as pessoas como Jesus as trataria.

Una-se a Maria ao longo da jornada.

Viva bem a missa, mesmo quando não tiver vontade.

Xô, tristeza! A alegria é o distintivo do cristão.

Zele pela dignidade do seu próximo.

(Fonte)