Cidadãos do céu

(Vandeia Ramos)

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Nossa vida é repleta de preocupações, ainda mais no domingo… Amanhã a semana “útil” começa e já separamos roupa, lanche… Precisamos garantir o nosso e dos demais… Sabemos o quanto um sorriso e um abraço pode tanto mudar nosso dia, semana, como de todos. Cumprimentar as pessoas na rua, agradecer, desculpar-se… tanta diferença faz num mundo indiferente para relações mais humanas…
Aqui que entramos com Jesus. Somos novas criaturas, cidadãos do céu. Não é que bens materiais não sejam importantes, afinal temos contas a pagar. É que eles são instrumentos de vida, e não motivos de vida. Trabalhamos porque nosso servir contribui de alguma forma para um mundo melhor, mais fraterno. O salário é consequência, não objetivo. Ao trabalhador, o justo valor. Se sou professora, por exemplo, trabalho para que meus alunos aprendam. Deus deu o suficiente para todos. Então, se abunda de um lado, está faltando de outro. Somos ricos em dons. Eles os são dados para partilhar, para que cheguem aos demais.
Casa, comida, roupa, um valor para emergências… necessidades que temos e que são justas. E situações de crise são momentos privilegiados para que avaliemos o que realmente é necessário. Quantos pares de calçado? Quantas roupas? Utensílios diversos… O mercado consumidor fomentou questões que fomos aceitando sem o devido discernimento. Olhemos em torno de nós e vejamos o quanto realmente poderíamos passar sem. Qual a última vez que fizemos uma geral em nossas coisas?
E se Jesus nos chamar esta noite, estamos prontos para deixarmos tudo para trás e seguir adiante? O que seria mais difícil? Onde está seu tesouro? Será que enchemos nossa vida de vento? Será que trabalhamos e estudamos para juntar poeira? Existe uma distância entre sobreviver, viver e luxo.
Podemos nos perguntar também quanto ao tempo que gastamos com cada atividade. Realmente, quantas nos são necessárias? Faço por que quero, por que preciso ou por que é um chamado de Deus? Vivo para servir ou vivo para me servir das coisas e das pessoas? Onde está o centro da minha vida?
Estamos no mês das vocações e hoje celebramos o sacerdócio ministerial, tendo o Cura D’Ars como modelo. Desde criança, São João Maria tinha Deus como centro da sua vida. Nascido em 1786, vésperas da Revolução Francesa, sabemos o quão difíceis eram estes tempos para viver a fé. No entanto, São João Maria não olhou para suas dificuldades e tempo como empecilhos, e sim como desafios. E enfrentou-os.
É de conhecimento suas dificuldades de aprendizagem no seminário, como na elaboração das homilias. Então ele acordava cedo para ter mais tempo de se preparar. Se há um problema, é para ser superado. Sem perder a perspectiva da vida eterna, via as pessoas como irmãs, enternecendo-se pelas que mais precisavam. Do quase nada que tinha, colocou Deus como seu tudo, em uma vida de escolha fundamental.
Da perspectiva do céu, olhava as coisas da terra. A partir de Deus, via o mundo. Da relação amorosa com Nossa Senhora, tinha a todos como irmãos. Entre o altar e o confessionário, acolhia sua comunidade, que reconhecia no cura mais que um amigo: alguém a partir do qual se poderia chegar ao céu.
Celebrar o dia do padre, é centralizar toda a vida cristã na Eucaristia, no próprio Jesus Cristo, e em seu Corpo Místico, a Igreja. É repensar como Ele nos deixou sua continuidade a partir de ministros especiais, que escolheram aceitar a vocação de serem os que, através de suas palavras, trazer a Palavra até nós. Tal dignidade requer o sustento de sua comunidade, principalmente através de orações.
A vida espiritual se torna ponto de partida para todas as demais dimensões. É o que vai dando sentido, direção e retorno. Do Povo de Deus, Ele chama alguns para ser refúgio do Senhor, alimentando-nos em nossa caminhada. “Que a bondade do Senhor e nosso Deus repouse [sobre nossos sacerdotes,] sobre nós e nos conduza! Tornai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho.”

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Ser Igreja no mundo

(Vandeia Ramos)

Esta semana estive no Simpósio Introdução ao Cristianismo, de J. Ratzinger. É um livro de nosso Bento XVI que apresenta o Credo à luz do Concílio Vaticano II (1962-1965). Teólogo novo, é chamado em 1962 a ser perito. Em 1967 leciona a disciplina de Cristologia, de onde sai a obra, publicada em 1968.
Sua profundidade em ler a Sagrada Escritura e a Tradição da Igreja torna esta produção atual ainda hoje.
Assim podemos acompanhar os diversos pastores que tivemos e de como afirmar-se como Igreja agindo no mundo, em diferentes épocas e lugares, exigiu um salto de fé permanente: enfrentar novas línguas, a estrutura do Império Romano, o encontro da fé judaica com o pensamento filosófico grego, a fundação de mosteiros, os novos mundos… E hoje temos o desafio de evangelizar os cristãos.
Somos ovelhas conduzidas pelo Pastor, que não desistiu de nós, que permanece conosco até o fim. Que aparece ressuscitado para Maria Madalena e, através dela, nos chama pelo nome. Que nos faz anunciadores de Cristo Ressuscitado para os apóstolos e para o mundo, porque Ele vai para o Seu Pai e nosso Pai, Seu Deus e Nosso Deus.
Fico pensando o que não será ouvir Jesus nos chamar pelo nome quando for a nossa hora… Conduzir-nos ao Pai, nosso Pai e nosso Deus…
A profissão de fé que fazemos todo domingo na Missa nos confirma neste caminho. Preparamo-nos para o céu desde o Batismo, até que estejamos plenos para o encontro definitivo. Somos pessoas novas, reconciliadas com Deus, feitos seus filhos, membros de seu Corpo Místico, a Igreja.
Temos uma missão importante a anunciar no mundo, pois tem muitas ovelhas sem pastor. Nossa presença é importante. Acolhemos os irmãos que procuram nas paróquias, como vamos no dia a dia ser presença de Jesus Cristo no mundo.
Mas Ele cuida de nós, leva-nos a lugares desertos para descansar…
Aqui não podemos deixar de lembrar do sacerdócio ministerial, heróico em dias que professam valores divergentes aos do Evangelho. Que enfrentam tanto para nos garantir a Eucaristia. Com afeto especial, pelos Papas Francisco e Bento XVI, que seguem sendo unidade da Igreja neste mundo.
Deixo uma oração:

ORAÇÃO PELOS SACERDOTES

Ordem – parte 2

 


O estágio pastoral

Entende-se por estágio pastoral o empenho permanente em favor da obra missionária, dedicação otimista e esperançosa pela evangelização e catequese em nível de comunidade paroquial e diocese, atingindo as tantas realidades e situações destinatárias da Palavra de vida.

Haja na comunidade paroquial uma pastoral vocacional organizada, assumida pelas equipes vocacionais paroquiais, esclarecendo os jovens sobre os diversos serviços na Igreja.

Os párocos deem todo o apoio aos candidatos ao sacerdócio que surgirem em suas paróquias. Sejam encaminhados aos encontros vocacionais da diocese ou, se o candidato pedir, a outras formas de acompanhamento vocacional.

As comunidades paroquiais, esclarecidas e incentivadas pelo pároco, contribuam com a taxa
mensal estipulada pela diocese, em favor das vocações.

Os assessores diocesanos de pastorais, acompanhem os seminaristas nesse nível de formação, para que se capacitem, sobretudo, ao trabalho de equipe.

Os seminaristas, comportem-se como integrantes humildes nas pastorais que escolheram ou foram designados. Nas pastorais, antes de tudo, estão para ver, ouvir e aprender, portanto se
libertem o quanto antes de toda forma de autossuficiência e arrogância, que não cedam à tentação de se sobressaírem dos padres, assessores e coordenadores.

A personalização pastoral ainda é um grande problema que devemos superar, pois ela fragiliza a pastoral e a condiciona à vontade de quem dela toma posse.

Os seminaristas em estágio pastoral sejam acolhidos como irmãos na Fé e acompanhados com alegria.

Exige-se dos seminaristas os seguintes requisitos:

– Reta intenção e vontade livre, idoneidade espiritual, moral e intelectual; adequada saúde física e psíquica, a capacidade de arcar com o ônus sacerdotal e de exercer os ofícios pastorais (OT, 6).

– Encontrar-se num processo normal de amadurecimento humano e afetivo, que leve a abraçar com alegria e generosidade o celibato.

– Estar vivendo uma profunda experiência de fé, no seguimento de Jesus Cristo.

– Estar inserido, comprometido com uma comunidade cristã e com a diocese.

– Comprovar capacidade catequética e apologética

– Estar inserido e comprometido com uma pastoral ou serviço em nível de diocese.

– Ter espírito apostólico.

– Ter consciência de ter sido escolhido por Deus para um ministério especial.

– Ter participado dos encontros vocacionais por pelo menos um ano seguido.

– Apresentar carta de aprovação do respectivo pároco.

– O rito de Admissão à vida clerical aconteça no momento do ingresso no curso teológico (CDC, 1034 §1).

– Os Ministérios de Leitor e Acólito podem ser conferidos a partir do início do segundo ano de teologia (CDC, 1035 §1).

– Antes da sagrada ordenação, o candidato deve apresentar seu pedido de ordenação ao Ordinário Local. Na elaboração deste pedido o candidato considere as orientações do cân. 1036.

– O candidato só poderá ser admitido ao Diaconato após a conclusão dos estudos teológicos. O ano de estágio pastoral, depois da conclusão dos estudos teológicos, poderá ser exigido para a ordenação diaconal.

– O Presbiterado pode ser conferido após seis meses de exercício do Diaconato (CDC, 1031 §1).

Antes que um candidato receba a Ordenação diaconal ou presbiteral, deve realizar os seguintes atos e assinar os respectivos documentos:

a) Antes da Ordenação diaconal deve fazer a Profissão de fé católica, diante do bispo diocesano ou seu delegado, e deve assiná-la com a própria mão (cf. cân. 833, 6).

b) Antes da Ordenação diaconal e presbiteral deve prestar juramento de fidelidade ao bispo diocesano, de acordo com a fórmula apresentada nos “Documentos do Magistério
sobre a „Professio Fidei.. (Congregação para a Doutrina da Fé, 09/01/1989).

c) Antes da Ordenação diaconal e presbiteral deve fazer igualmente uma declaração pessoal sobre sua liberdade para receber a Sagrada ordenação e sobre sua consciência
acerca das obrigações e compromissos que ela implica para a vida toda, especialmente no que se refere ao sagrado celibato (CDC, 277 §1) se não se trata de candidatos ao diaconato
permanente casados. Tal declaração deve ser manuscrita e expressa com palavras próprias, e não copiada de um formulário (CDC, 1026; 1028 e 1036 ).

Convém que estes atos sejam públicos e que se realizem diante do povo cristão, durante a celebração de uma Santa Missa e após a homilia.

CELEBRAÇÃO

As ordenações são momentos fortes de intensa comunhão, alegria e densa catequese vocacional em toda a Diocese. Por isso sejam muito bem preparadas na vida do candidato e na comunidade paroquial, onde devera ser feito um movimento preparatório, através de uma catequese vocacional e litúrgica, despertando no povo, principalmente nos jovens, vivo interesse pela celebração do Sacramento da Ordem. Esse acontecimento leve os fiéis a se sentirem mais responsáveis pelo surgimento das vocações e pelo acompanhamento das mesmas, através de orações, catequese vocacional e contribuições financeiras. Principalmente as famílias sejam levadas a essa conscientização.

As ordenações sejam realizadas em dias, horários e locais que facilitem, não somente a participação do povo, mas principalmente a presença maciça dos presbíteros que, nessa sugestiva concelebração, acolhe seus novos colegas na família sacerdotal.

Resumindo (CIC 1591 – 1600)

A Igreja é, na sua totalidade, um povo sacerdotal. Graças ao Batismo, todos os fiéis participam no sacerdócio de Cristo. Esta participação chama-se «sacerdócio comum dos fiéis». Na base deste sacerdócio e ao seu serviço, existe uma outra participação na missão de Cristo: a do ministério conferido pelo sacramento da Ordem, cuja missão é servir em nome e na pessoa de Cristo-Cabeça no meio da comunidade.

O sacerdócio ministerial difere essencialmente do sacerdócio comum dos fïéis, porque confere um poder sagrado para o serviço dos mesmos fiéis. Os ministros ordenados exercem o seu serviço junto do povo de Deus pelo ensino (munus docendi), pelo culto divino (munus liturgicum) e pelo governo pastoral (munus regendi).

Desde as origens, o ministério ordenado fui conferido e exercido em três graus: o dos bispos, o dos presbíteros e o dos diáconos. Os ministérios conferidos pela ordenação são insubstituíveis na estrutura orgânica da Igreja: sem bispo, presbíteros e diáconos, não pode falar-se de Igreja.

O bispo recebe a plenitude do sacramento da Ordem que o insere no colégio episcopal e faz dele o chefe visível da Igreja particular que lhe é confiada. Os bispos, enquanto sucessores dos Apóstolos e membros do Colégio, têm parte na responsabilidade apostólica e na missão de toda a Igreja, sob a autoridade do Papa, sucessor de São Pedro.

Os presbíteros estão unidos aos bispos na dignidade sacerdotal e, ao mesmo tempo, dependem deles no exercício das suas funções pastorais; são chamados a ser os cooperadores providentes dos bispos; formam, d volta do seu bispo, o presbitério, que assume com ele a responsabilidade da Igreja particular: Os presbíteros recebem do bispo o encargo duma comunidade paroquial ou duma função eclesial determinada.

Os diáconos são ministros ordenados para as tarefas de serviço da Igreja; não recebem o sacerdócio ministerial, mas a ordenação confere-lhes funções importantes no ministério da Palavra, culto divino, governo pastoral e serviço da caridade, encargos que eles devem desempenhar sob a autoridade pastoral do seu bispo.

O sacramento da Ordem é conferido pela imposição das mãos, seguida duma solene oração consecratória, que pede a Deus para o ordinando as graças do Espírito Santo, requeridas para o seu ministério. A ordenação imprime um carácter sacramental indelével.

A Igreja confere o sacramento da Ordem somente a homens (viris) batizados, cujas aptidões para o exercício do ministério tenham sido devidamente reconhecidas. Compete à autoridade da Igreja a responsabilidade e o direito de chamar alguém para receber a Ordem.

Na Igreja latina, o sacramento da Ordem para o presbiterado, normalmente, apenas é conferido a candidatos decididos a abraçar livremente o celibato e que manifestem publicamente a sua vontade de o guardar por amor do Reino de Deus e do serviço dos homens.

Pertence aos bispos o direito de conferir o sacramento da Ordem nos seus três graus.

 

Ordem

Sacramentos a serviço da comunhão e da missão dos fiéis

Os sacramentos da ordem e do matrimônio, estão ordenados à salvação de outrem. Se contribuem também para a salvação pessoal, isso acontece por meio do serviço aos outros. Conferem uma missão particular na Igreja e servem para a edificação do Povo de Deus. (CIC 1534)

Nesses sacramentos, os que já foram consagrados pelo Batismo e pela Confirmação para o sacerdócio comum de todos os fiéis podem receber consagrações específicas. Os que recebem o sacramento da Ordem são consagrados para ser, em nome de Cristo, pela palavra e pela graça de Deus, os pastores da Igreja. Por sua vez, os esposos cristãos, para cumprir dignamente os deveres de seu estado, são fortalecidos e como que consagrados por um sacramento especial. (CIC 1535, cf. LG 11, GS 48,2)

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ORDEM

São Paulo diz a seu discípulo Timóteo: “Eu te exorto a reavivar o dom de Deus que há em ti pela imposição das minhas mãos” (2 Tm 1,6), e “se alguém aspira ao episcopado, boa obra deseja” (1 Tm 3,1). A Tito diz ele: “Eu te deixei em Creta para cuidares da organização e ao mesmo tempo para que constituas presbíteros em cada cidade, cada qual devendo ser como te prescrevi” (Tt 1,5).

O sacerdócio ministerial difere essencialmente do sacerdócio comum dos fiéis porque confere um poder sagrado para o serviço junto ao povo de Deus, através do ensinamento (munus docendi), do culto divino (munus liturgicum) e do governo pastoral (munus regendi) (cf. CIC 1592).

Desde as origens, o ministério ordenado foi conferido e exercido em três graus: o do bispo, o dos presbíteros e dos diáconos. Os ministérios conferidos pela ordenação são insubstituíveis na estrutura orgânica da Igreja.

Sem o bispo, os presbíteros e os diáconos, não se pode falar de Igreja (CIC 1593).

Com o sacramento da ordem, por instituição divina, alguns entre os fiéis, através do caráter indelével com que são assinalados, são constituídos ministros sagrados; aqueles portanto que são consagrados destinam-se a servir, cada um no seu grau, com novo e peculiar título, o povo de Deus (CDC 1008).

Aqueles que estão constituídos na ordem dos bispos ou sacerdotes recebem a missão e o poder de agir na pessoa de Cristo Cabeça; os diáconos são habilitados para servir o povo de Deus na diaconia da liturgia, da palavra e caridade” (CDC, 1009 §3).

A Ordem é o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo a seus apóstolos continua sendo exercida na Igreja até o fim dos tempos; é portanto o sacramento do ministério apostólico. Comporta três graus : o episcopado, o presbiterato e o diaconato” (CIC 1536).