A Oração do Pai Nosso

Jesus orando

Escrita entre os anos 75-85 dC, a oração do Pai Nosso fazia parte do Catecismo dos Catecúmenos, parte da didaqué do Sermão da Montanha. Na Igreja Primitiva se costumava rezar a oração do Pai Nosso com muito respeito, durante a administração dos Sacramentos. Na Celebração Eucarística já era rezado antes da Comunhão, como hoje. Era denominado “Oração Dominical” ou “Oração dos Fiéis”.
A oração do Pai Nosso constituía um grande tesouro para os membros da Igreja. Só podia ser rezada pelos batizados a partir da Primeira Comunhão. Igualmente não podia ser rezada pelos “penitentes”. A Introdução era assim: “Chamados por Nosso Senhor Jesus Cristo e instruídos por seus divinos ensinamentos, ousamos dizer: Pai Nosso…”

São dois os textos existentes: o de Mateus (Mt 6, 9-13) e o de Lucas (Lc 11,3-4), sendo que o de Mateus é o mais longo, com 7 petições. O de Lucas tem apenas 5 petições. A razão dessa diferença está no contexto cultural: Mateus escreveu para judeus e Lucas para gregos.
Na introdução, Mateus censura as práticas piedosas dos fariseus, bem como o esnobismo, nas esmolas e no jejum. Recomenda não rezar como eles e evitar a loquacidade.
Em Lucas, os discípulos veem o Senhor rezando e lhe pedem: “Ensina-nos a orar”. Ele insiste: “Perseverança na oração”, “Pedi e vos será dado”, “o pai dá coisas boas aos filhos”.
Lucas começa com a invocação: “Abbá” (aramaico) = Pai querido. Mateus usa uma fórmula judaica, mais longa. “Pai nosso que estás nos céus” e acrescenta “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”, lembrando que é vontade de Deus que a santificação de seu nome e a vinda do Reino aconteçam. E ainda acrescenta “mas livra-nos do mal” (do Maligno), isto é, do grande mal de cair na tentação.
O texto mais antigo é o de Lucas, enquanto que a redação mais completa é a de Mateus. Este introduz explicações e, portanto, representa um crescimento.

Jesus reza e ensina a oração aos seus discípulos. Os diversos grupos, fariseus, essênios, etc. se caracterizavam pela maneira própria de rezar, que lhes conferia identidade e assegurava a unidade do grupo. Os discípulos de Jesus pedem que Ele lhes ensine uma oração específica. O pedido mostra que eles têm consciência como comunidade messiânica. O Pai Nosso é sinal distintivo do cristão, um elemento unificador. Ele inaugura a oração em nome de Jesus.
No AT Deus é chamado de “Pai” 14 vezes. No NT Jesus dá um sentido novo a esta palavra. Jesus costuma invocar Deus com “Abbá”. Ele se dirige ao Pai como uma criança, na simplicidade e no abandono filial e nos convida a fazer o mesmo.

“Santificado seja o teu nome e venha o teu reino” – se referem à revelação plena do Reino de Deus no fim dos tempos. Com a vinda do Reino, o Senhor será santificado, não profanado. Pede-se a manifestação definitiva do Reino. São apelos lançados da profundeza da alma, que denotam um abandonar-se confiante nas mãos de Deus. Revelam a certeza de que Deus já iniciou a obra da salvação. Espera-se tão somente a plena realização.
“Dá-nos hoje nosso pão de amanhã” – visa o pão de cada dia, mas também o pão da salvação. “Pão da Vida” e “água viva” simbolizam a plenitude dos dons messiânicos. A “ceia do Senhor” é instrumento de comunhão e fraternidade. O “pão de amanhã” abrange a vida em sua globalidade, em sua plenitude. Pedir o Pão da Vida é pedir a santificação do cotidiano.
“E perdoa-nos nossas ofensas como também nós perdoamos aos que nos tem ofendido” – é o critério para a grande prestação de contas para qual caminhamos. Reflete a consciência do pecado. Só o perdão de Deus nos pode salvar. A era do Messias é o tempo do perdão. Quem reza o Pai Nosso lembra a si mesmo o dever de perdoar. O tempo messiânico é o tempo da misericórdia.
“E não dos deixes cair em tentação”. Deus não tenta (cf Tg 1,13). Não se pede para livrar da tentação, mas da grande tentação de negar a Deus. É um grito de socorro para não fraquejar.

No Pai Nosso pedimos o que realmente é importante: a glória de Deus, o Reino de Deus, o pão da vida, a misericórdia. Jesus ensina que a oração precisa ser: humilde diante de Deus e diante dos homens, confiante na bondade do Pai, insistente. E que é atendida quando feita com fé, em nome de Jesus e quando se pede coisas boas: o Espírito Santo, o perdão, o bem dos perseguidores e a vinda do Reino.

(Resumo da aula do Padre Arno – Escola de Formação Cristã)

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Natividade de São João Batista

A liturgia faz-nos celebrar a Natividade de São João Batista, o único Santo do qual se comemora o nascimento, porque marcou o início do cumprimento das promessas divinas

João é aquele «profeta», identificado com Elias, que estava destinado a preceder imediatamente o Messias para preparar o povo de Israel para a sua vinda …

Depois de Nossa Senhora, talvez seja João Batista o santo mais venerado pelos Cristãos. Como a Santa Mãe de Deus, dele também se celebra a data de dois nascimentos: para a vida terrena, em 24 de junho, e para a vida eterna em 29 de agosto. Aliás, São João e Maria Santíssima eram parentes bem próximos.

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Já no Antigo Testamento encontramos trechos que se referem a São João Batista, o Precursor: estrela da manhã que com o seu brilho excedia o brilho de todas as outras estrelas e anunciava a manhã do dia abençoado, iluminado pelo Sol espiritual de Cristo (Mal 4, 2). Ver Isaías.

Por causa de suas pregações, São João foi logo tido como profeta. Aquela categoria de homens especialmente escolhidos pela Providencia que, falando por inspiração divina, prenunciam os acontecimentos, ouvem e interpretam os passos do Criador na história, orientando o caminhar do povo de Deus.

Os Santos Evangelhos referem-se a ele como sendo um desses homens. Talvez como sendo o maior deles (Lc 7, 26-28), uma vez que com São João Batista a missão profética atingiu sua plenitude e ele é um dos elos de ligação entre o Antigo e o Novo Testamento.

Os outros profetas foram um prenúncio do Batista. Só ele pôde apresentar o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo em pessoa como sendo o messias prometido, o salvador e redentor da humanidade.

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O Evangelista São Lucas nos conta que João, o “Batista”, o “Precursor”, nasceu numa cidade do reino de Judá, perto de Hebron, nas montanhas, ao sul de Jerusalém e que era descendente do santo patriarca Abraão, iniciador da historia do povo de Israel.

Seu pai foi o sacerdote São Zacarias (da geração de Aarão) e sua Mãe foi Santa Isabel (da geração de Davi), prima da Virgem Maria, mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo. São Lucas ressalta também as circunstâncias sobrenaturais que precederam o nascimento de João Batista: Isabel, estéril e já idosa, viu ser possível realizar seu justo desejo de ter um descendente quando o arcanjo São Gabriel anunciou a Zacarias, seu esposo, que ela daria a luz a um filho. O menino deveria chamar-se João e seria o precursor do Salvador.

Pela graça de Deus o menino não foi morto no massacre dos inocentes quando milhares de crianças foram assassinadas na região de Belém a mando de Herodes. Alguns meses depois de engravidar-se, Isabel recebeu a visita de Nossa Senhora: “Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.

E exclamou em alta voz: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio.” (Lc 1, 39-44).

Essas circunstâncias, impregnados de um clima sobrenatural, foram preparadas sabiamente pela Divina Providencia para que o papel de João Batista fosse realçado como precursor de Cristo. Esses fatos aconteceram por volta do ano 5, antes de Cristo, no território onde habitava a tribo de Judá.

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Estando ainda em sua juventude, João retirou-se para o deserto. Nesse ambiente austero, recolhido e afastado dos homens ele preparou-se para sua missão. Vestido de pêlos de camelo e um cinturão de couro, ele alimentava-se apenas de mel silvestre e gafanhotos. Com jejuns e orações, colocou-se por inteiro na presença do Altíssimo, levando uma vida extremamente coerente com seus ensinamentos. Permaneceu no deserto até por volta de seus trinta anos quando iniciou suas pregações às margens do rio Jordão.

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A relevância do papel de São João Batista reside no fato de ter sido ele o “precursor” de Cristo. Foi ele a voz que clamava no deserto anunciando a chegada do Messias não cessando, jamais, de chamar os homens à conversão: “Arrependei-vos e convertei-vos, pois o reino de Deus está próximo”. Em suas pregações Insistia sempre para que os judeus, pela penitência, se preparassem pois estava próxima a chegada do Messias prometido.

João passou a ser conhecido como “Batista” por causa da importância que dava ao batismo, um ritual de purificação corporal onde a imersão na água simbolizava a mudança de vida interior do batizado.

Prisao de Sao Joao Batista - Igreja de São João Batista, Halifax (Canadá).jpg

Não deixava nunca de salientar aos seus ouvintes e discípulos que “Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque antes de mim ele já existia! Eu também não o conhecia, mas vim batizar com água para que ele fosse manifestado a Israel”.

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João pregou também na corte de Herodes Antipas, tetrarca da Galiléia. Foi ai que ele teve oportunidade de denunciar a vida escandalosa que o governante levava. E foi também essa denuncia que serviu de motivo para que João Batista fosse preso. Ele só não foi condenado à morte nessa ocasião porque o tetrarca sabia da popularidade do já muito conhecido pregador e temia a reação do povo diante dessa medida extrema.

Porém, como relata o evangelista São Marcos (6, 21-29), aconteceu que durante as comemorações do aniversário de Herodes, Salomé, filha de Herodíades – mulher com a qual o governante mantinha um relacionamento irregular e imoral – agradou tanto ao aniversariante que este prometeu atender qualquer pedido feito pela moça.

Instigada pela mãe, ela pediu a cabeça de João Batista. Herodes cumpriu o que havia prometido: mandou degolar João Batista e sua cabeça foi trazida numa bandeja e entregue a Salomé.

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“Entre os filhos de mulher, ninguém ultrapassa João Batista” (Lc 7, 28): a vaidade, o orgulho, a soberba, jamais encontraram lugar em seu coração. Por causa de sua austeridade e de sua fidelidade cristã, ele foi confundido com o próprio Jesus Cristo, mas, imediatamente, ele retruca: “Eu não sou o Cristo, mas fui enviado diante dele.” (Jo 3, 28) e “não sou digno de desatar a correia de sua sandália”. (Jo 1, 27). João batizou Jesus, embora não quisesse fazê-lo, dizendo: “Eu é que tenho necessidade de ser batizado por ti e tu vens a mim ?” (Mt 3, 14).

Quando seus discípulos hesitantes não sabiam a quem seguir, ele apontava na direção daquele que é o único caminho: “Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. (Jo 1, 29).

E dava testemunho de Jesus: “Eu vi o Espírito descer do céu, como pomba, e permanecer sobre ele. Pois eu não o conhecia, mas quem me enviou disse-me: Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, é ele que batiza com Espírito Santo. Eu vi, e por isso dou testemunho: ele é o Filho de Deus!”

Oração a São João Batista

São João Batista, fostes a voz que clamou no deserto: “Endireitai os caminhos do Senhor… fazei penitência, porque no meio de vós está quem não conheceis e do qual eu não sou digno de desatar os cordões das sandálias”, ajudai-me a fazer penitência das minhas faltas para que eu me torne digno do perdão daquele que vós anunciastes com estas palavras: “Eis o Cordeiro de Deus, eis aquele que tira os pecados do mundo”. São João Batista, rogai por nós!

Fonte: Arautos

Consagração ao Imaculado Coração de Maria

Imaculado Coração de Maria

Ó Rainha do Santíssimo Rosário, auxílio dos cristãos, refúgio do gênero humano, vencedora de todas as batalhas de Deus!

Ante vosso Trono nos prostramos suplicantes, seguros de impetrar misericórdia e de alcançar graça e oportuno auxílio e defesa nas presentes calamidades, não por nossos méritos, mas sim unicamente pela imensa bondade de vosso maternal Coração.

Nesta hora trágica da história humana, a Vós, a vosso Imaculado Coração, nos entregamos e nos consagramos, não apenas em união com a Santa Igreja, corpo místico de vosso Filho Jesus, que sofre e sangra em tantas partes e de tantos modos atribulada, mas sim também com todo o mundo dilacerado por atrozes discórdias, abrasado em um incêndio de ódio, vítima de suas próprias iniqüidades.

Que vos comovam tantas ruínas materiais e morais, tantas dores, tantas angústias de pais e mães, de esposos, de irmãos, de crianças inocentes;

Tantas vidas cortadas em flor, tantos corpos despedaçados na horrenda carnificina, tantas almas torturadas e agonizantes, tantas em perigo de perderem-se eternamente.

Vós, Oh! Mãe de misericórdia, consegui-nos de Deus a paz; e, ante tudo, as graças que podem converter-se em um momento os humanos corações, as graças que reparam, conciliam e asseguram a paz.

Rainha da paz, rogai por nós e dai ao mundo em guerra a paz por quem suspiram os povos, a paz na verdade, na justiça, na caridade de Cristo.

Dai a paz das armas e a paz das almas, para que na tranqüilidade da ordem se dilate o reino de Deus.
Concedei vossa proteção aos infiéis e a quantos jazem ainda nas sombras da morte; concedeis a paz e fazei que brilhe para eles o sol da verdade e possam repetir com nós ante o único Salvador do mundo: glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade.

Dai a paz aos povos separados pelo erro ou a discórdia, especialmente a aqueles que vos professam singular devoção e nos quais não havia casa onde não se achasse honrada vossa venerada imagem (hoje quiçá oculta e retirada para melhores tempos), e fazei que retornem ao único redil de Cristo sob o único verdadeiro Pastor.

Obtende paz e liberdade completa para a Igreja Santa de Deus; contei o dilúvio inundante do neopaganismo, fomentai nos fiéis o amor à pureza, a prática da vida cristã e do zelo apostólico, a fim de que aumente em méritos e em número o povo dos que servem a Deus.

Finalmente, assim como foram consagrados ao Coração de vosso Filho Jesus a Igreja e todo o gênero humano, para que, postas nele todas as esperanças, fosse para eles sinal e prenda de vitória e de salvação;

De igual maneira, Oh! Mãe nossa e Rainha do Mundo, também nos consagramos para sempre a Vós, a vosso Imaculado Coração, para que vosso amor e patrocínio acelerem o triunfo do Reino de Deus, e todas as gentes, pacificadas entre si e com Deus, Vos proclamem bem-aventurada e entoem convosco, de um extremo a outro da terra, o eterno Magníficat de glória , de amor, de reconhecimento ao Coração de Jesus, no qual apenas se podem achar a Verdade, a Vida e a Paz.

Amém.

O Pai Nosso e os Dez Mandamentos

Não sei se você já percebeu que na Oração do Pai Nosso que se encontra em Mt 6, 9-14, Jesus praticamente repassa os Dez mandamentos da Lei. Coincidência ou não, o fato é que quando Jesus é instado pelos discípulos para que lhes ensine a rezar, praticamente rezou um por um os Dez Mandamentos. Era como se dissesse:

Quando rezarem, respondam com ‘sim’ aos Dez Mandamentos.

-Digam a Deus, a quem se deve amar acima de tudo e a quem não se pode nem sequer imaginar, PAI NOSSO, QUE ESTAIS NOS CÉUS.
-Digam a Ele, que não quer que se desrespeite seu santo nome com juramentos inúteis, SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME.
-Digam a Ele, que exige respeito que se reserve um dia de descanso, especialmente para que haja mais tempo para a oração, VENHA A NÓS O VOSSO REINO.
-Digam a Ele, que exige respeito pela pessoa dos pais como seus representantes na terra, SEJA FEITA VOSSA VONTADE ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU.
-Digam a Ele, que exige respeito à vida e ao corpo, ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU.
-Digam a Ele, que proíbe o roubo, ENTÃO, PAI DAÍ-NOS HOJE O PÃO NOSSO DE CADA DIA.
-Digam a Ele, que não admite que se manche a honra do próximo e manda que se respeite o nome dele, PERDOAI-NOS NOSSAS OFENSAS ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS OS NOSSOS DESAFETOS.
-Digam a Ele que proíbe até o desejo mau, tanto com relação às pessoas já comprometidas quanto com relação aos bens dos outros, E NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO. MAS LIVRAI-NOS DO MAL”.

O Pai-nosso é uma oração de maturidade. É como se Jesus ensinasse no Pai-nosso que cada um de nós dissesse ao Pai: “que vossos mandamentos sejam respeitados, Pai. Ensinai-nos a viver de acordo com eles”… Eis uma oração de abandono e uma prece de quem coloca sua vida inteira nas mãos de Deus, aceitando totalmente o plano dele, sem queixas, sem revolta, sem acomodação também, porque querer o que Deus quer não tem nada de acomodado.

(Pe. Zezinho)
Livro: Porque Deus me chamou…
Ed. Paulinas. S. Paulo, 1986. (p.73-74)

Quem reza se salva

O evangelho de São Lucas apresenta Nosso Senhor como verdadeiro mestre da oração. Por 9 vezes Jesus é apresentado em oração.

Durante o Batismo (3,21) depois da pesca milagrosa e da cura do leproso (5,16), antes da escolha dos Apóstolos (6,12), antes da confissão de Pedro (9,18), durante a Transfiguração (9,28-29), no hino de júbilo (10,21), antes de ensinar o Pai Nosso (11,1), no Monte das Oliveiras (22,41), na Cruz (23, 34.46).

O Filho de Deus, criador do céu e da terra, se faz homem para nos ensinar a humildade e a grandeza da oração. Humildade pois com a oração nos apresentamos diante de Deus como mendigos de sua misericórdia e lhe pedimos a graça da salvação à qual não temos direito. Grandeza, porque só os anjos e os homens podem rezar. Os animais nunca rezam. “O homem fica maior, quando se põe de joelhos”.

Com a parábola do amigo insistente (11, 5-8) e com a da viúva e do juiz iníquo (18, 1-7), São Lucas nos transmite o ensinamento de Jesus que atravessará os séculos: é necessário rezar sempre e sem desanimar (cf. Lc 18,1).

Ou seja, trata-se de uma necessidade que encontra seu fundamento mais na nossa condição de criaturas do que na natureza de Deus. Por isto, seria muito inadequado pensarmos que Deus é como o amigo acomodado da parábola ou como um juiz injusto. Deus não precisa ser convencido de nada, somos nós quem precisamos desta insistência. Mas, se é assim, como podemos explicar a eficácia da oração?

Atualmente é bastante comum encontrarmos duas explicações distorcidas da oração.

  • a) Uma visão bastante difundida é a negação da providência divina. Para estes teólogos não existiriam milagres, pois Deus seria prisioneiro das leis da natureza que ele mesmo criou (cf., por exemplo, Andrés Torres Queiruga, Repensar o mal: da ponerologia à teodiceia, Paulinas, São Paulo, 2011, 328p.). A consequência é que a oração se torna uma realidade centrada no próprio homem.
  • b) No outro extremo temos uma visão supersticiosa e mágica da oração que pretende mudar a vontade de Deus. Como se Deus fosse caprichoso e como se suas decisões fossem veleidades arbitrárias e não desígnio amoroso.

Santo Tomás de Aquino nos ensina que a oração não tem por finalidade mudar a vontade de Deus (cf. Suma Teológica II-II, q. 83, a. 2). Na realidade com a oração somos nós quem entramos em seus planos eternos, pois Deus quando dispôs o seu plano de amor não decidiu apenas o que iria acontecer, mas também a forma como as coisas iriam acontecer. Por isto a oração é de grande eficácia pois existem alguns desígnios de Deus que são condicionais. Ou seja, é como se Deus tivesse dito desde toda eternidade: “Concederei esta graça se me pedirem e, se não me pedirem, não concederei”.

Brota, então, espontâneo o pedido do discípulo a Jesus: “Senhor, ensina-nos a rezar!”

Nosso Senhor então nos ensina o “Pai Nosso”.

Santo Agostinho nos recorda que, se orarmos como convém, “não diremos nada que não se encontre nesta oração do Senhor” (Carta a Proba, 12, 22). E Santo Tomás de Aquino explicita: “Na Oração Dominical, não somente se pede tudo aquilo que podemos desejar retamente, como também a ordem em que devemos desejar: de tal forma que essa oração nos ensina não somente a pedir como também a normativa de nosso sentimentos” (Suma Teológica, II-II, q. 83, a. 9).

  • 1) Pedimos a glória de Deus (santificado seja o vosso nome) e a nossa (venha a nós o vosso reino).
  • 2) Pedimos meios para alcançá-la: a obediência (seja feita a vossa vontade – omitido em Lucas) e os auxílios (o pão nosso de cada dia nos dai hoje – pão seja espiritual, seja material)
  • 3) Pedimos que nos afaste os impedimentos: o pecado (perdoai-nos as nossas ofensas); a tentação (não nos deixeis cair em tentação); os castigos (livrai-nos do mal – omitido por Lucas).

Assim, a oração é, em primeiro lugar, o meio de darmos glória a Deus e de entrarmos na sua glória. Ou seja, a principal eficácia da oração é a nossa santificação.

É forçosa então a conclusão: não é possível alcançar a santidade sem rezar e rezar muito. É esta mesma verdade que, de forma muito direta e acertada, ensina Santo Afonso Maria de Ligório quando diz: Chi prega, certamente si salva; chi non prega, certamente si danna.

Eis as suas palavras por inteiro:

Terminemos este primeiro ponto, concluindo de tudo o que dissemos que, quem reza, certamente se salva e quem não reza, certamente será condenado. Todos os bem-aventurados, exceto as crianças, salvaram-se pela oração. Todos os condenados se perderam porque não rezaram. Se tivessem rezado, não se teriam perdido. E este é e será o maior desespero no inferno: o poder ter alcançado a salvação com facilidade, pedindo a Deus as graças necessárias. E, agora, esses miseráveis não têm mais tempo de rezar. (A Oração. Aparecida, Santuário, 2008, cap. 1, n. 28, pg. 42

(Fonte)

Ato de desagravo ao Sagrado Coração de Jesus

(Rezado nas primeiras sextas-feiras de cada mês)

Sagrado Coração de Jesus
Dulcíssimo Jesus, cuja infinita caridade para com os homens é deles tão ingratamente correspondida com esquecimentos, friezas e desprezos, eis-nos aqui prostrados, diante do vosso altar, para vos desagravarmos, com especiais homenagens, da insensibilidade tão insensata e das nefandas injúrias com que é de toda parte alvejado o vosso dulcíssimo Coração.
Reconhecendo, porém, com a mais profunda dor, que também nós, mais de uma vez, cometemos as mesmas indignidades, para nós, em primeiro lugar, imploramos a vossa misericórdia, prontos a expiar não só! as próprias culpas, senão também as daqueles que, errando longe do caminho da salvação, ou se obstinam na sua infidelidade, não vos querendo como pastor e guia, ou, conculcando as promessas do batismo, sacudiram o suavíssimo jugo da vossa santa Lei.
De todos estes tão deploráveis crimes, Senhor, queremos nós hoje desagravar-vos, mas particularmente da licenças dos costumes e imodéstias do vestido, de tantos laços de corrupção armados à inocência, da violação dos dias santificados, das execrandas blasfêmias contra vós e vossos santos, dos insultos ao vosso vigário e a todo o vosso clero, do desprezo e das horrendas e sacrílegas profanações do Sacramento do divino Amor, e enfim, dos atentados e rebeldias oficiais das nações contra os direitos e o magistério da vossa Igreja.
Oh, se pudéssemos lavar com o próprio sangue tantas iniqüidades!
Entretanto, para reparar a honra divina ultrajada, vos oferecemos, juntamente com os merecimentos da Virgem Mãe, de todos os santos e almas piedosas, aquela infinita satisfação que vós oferecestes ao Eterno Pai sobre a cruz, e que não cessais de renovar todos os dias sobre os nossos altares.
Ajudai-nos, Senhor, com o auxílio da vossa graça, para que possamos, como é nosso firme propósito, com a viveza da fé, com a pureza dos costumes, com a fiel observância da lei e caridade evangélicas, reparar todos os pecados cometidos por nós e por nossos próximos, impedir por todos os meios novas injúrias à vossa divina Majestade e atrair ao vosso serviço o maior número de almas possível.
Recebei, oh! benigníssimo Jesus, pelas mãos de Maria Santíssima Reparadora, a espontânea homenagem deste nosso desagravo, e concedei-nos a grande graça de perseverarmos constantes até a morte no fiel cumprimento dos nossos deveres e no vosso santo serviço, para que possamos chegar todos à Pátria bem-aventurada, onde vós, com o Pai e o Espírito Santo, viveis e reinais, Deus, por todos os séculos dos séculos. Assim seja.