Aos pais, o desafio de amar

(Vandeia Ramos)

Acabarmos o último domingo do ano onde tudo começa: na família. Do ventre da mãe até o aconchego do lar, Deus nos colocou em um Paraíso. Este é seu plano original para nós. Portanto, o amor entre os mais próximos será também o nosso maior desafio ao longo da vida. Eu diria mesmo que os problemas do mundo passam pela não compreensão ou por um entendimento deturpado do que seja família. Afinal, da família doméstica para a família humana é só o tamanho dos nossos braços…
Aqui temos a pessoa de Maria. Romper com a limitação cultural do que seja a Mulher e a Mãe ajuda a entendermos o que é ser mulher e mãe no mundo, bem como a dificuldade que muitos têm em olhar para a Mãe de Jesus e chamá-la de Nossa Mãe. É a fala dela que ouvimos no evangelho de hoje junto a Jesus. É pelo “sim” de Maria que começa nossa Redenção, é seu silêncio em momentos difíceis que garante a vida do Filho, é sua presença discreta que garante as necessidades, sua dor que sustenta a Igreja aos pés da cruz. Maria, Mãe e Mulher, pré-figurada nas grandes matriarcas do Antigo Testamento, espelho de toda mulher cristã no Novo.
José, o humilde José, que sabe da gravidez de três meses de sua esposa e não se sente digno de assumir a paternidade do Filho de Deus. Ele confia em Maria e na grandeza do que o Pai pode fazer através dos seus. E precisa da graça que o anjo traz no sonho para deixar-se conduzir para nos ensinar o que seja a paternidade. A partir de então, é a ele que o anjo se dirige para conduzir a Família de Nazaré. Isso não lhe reveste de um autoritarismo, mas faz com que cresça em humildade em ser o guardião de tão grande tesouro.
Jesus, o Filho de Deus, que quis vir ao mundo através de uma família. Ele se torna Filho de Maria e de José, com tudo que isso significa. A Palavra pela qual tudo foi feito, que deu o mandamento no Monte Sinai de “amar pai e mãe”, quis um pai e uma mãe. Quis viver o Paraíso em ser Filho na Família de Nazaré. E ensinou a humildade a nós, na grandiosidade do que é crescer em obediência aos pais, mesmo sendo, pela lei de então, maior de idade após os 12 anos.
Deus não nos manda amar nosso pai e nossa mãe. O mandamento usa a palavra “honrar”, que também pode ser traduzida por “glorificar”. Os pais não podem estar abaixo de nós, pois são nossos pais. Na Sagrada Escritura, o amor é reservado às pessoas maduras. Amar pai e mãe significa ter alcançado a maturidade enquanto pessoa, que nossa fé nos ajuda a percorrer.
Na honra aos pais, temos a continuidade dos ensinamentos de Deus, que nos agraciou com um plano específico para cada um de nós, iniciado em nossa família, em sua história, em seus dramas. Aprender a amá-los é a resposta de agradecimento a Deus pelo dom da vida, dado através da história desta maria e deste josé, a quem nós somos confiados. Sim, o Pai sabia de tudo o que isso iria significar para nós e mesmo assim nos confiou a eles. Junto, nos deu a graça de ser Sua presença de santidade em nossa família, olhando para nossos pais pelos olhos da fé, de Deus que nos dá o paraíso através do encontro destas pessoas.
Mas temos muito o que aprender com a Família de Nazaré: precisamos ser cada dia mais parecidos com Jesus, Maria e José, para que a graça de Deus possa ser melhor identificada no mundo. Que nossa família, nesta oitava de Natal, possa cantar o quanto é feliz em temer o Senhor e trilhar seus caminhos! E que 2019 seja a estrada de graça em que aprendamos a agradecer a Deus tudo o que recebermos!

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Natal

“E a Palavra se fez carne e veio armar sua tenda entre nós. Nós vimos a sua glória (Jo 1, 14)

Na carta aos Filipenses, São Paulo descreve a encarnação do Verbo como um movimento do alto para baixo, do Céu para a Terra, de Deus para os homens, e que volta para Deus:

“Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens… humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso, Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor (Fl 2, 6-11).

Não se trata de comemorar o nascimento do menino Jesus. Claro que ele vem como um bebê, frágil e indefeso, mas se trata de comemorar a salvação que nos vem.

Por isso nós repetimos os anjos que cantam hoje nasceu para nós um salvador, por isso lemos na noite do dia 24 “A graça de Deus se manifestou trazendo salvação para todos os homens” (Tt 2, 11).

Isso tudo nos manifesta duas grandes verdades:

I – O próprio Deus na pessoa de seu Filho (que é Deus de Deus e Luz da Luz) despoja-se de sua divindade encarnando-se na nossa humanidade;
II – Cristo eleva-nos a um status verdadeiramente humano, tirando-nos da condição de Adão (pecado Original) e devolvendo-nos a condição de Imagem e Semelhança.

Em Jesus a criação, toda ela, atualiza de modo concreto e definitivo sua forma mais perfeita de existência, seu ser de Deus e seu alcançar a Deus. Daí a conclusão de que o homem só, verdadeiramente, existirá integralmente quando chegar a Deus. Sendo Jesus a imitação perfeita do Pai, e entendendo-se por imitação tornar-se presente, neste sentido Jesus torna presente Deus no meio dos homens.

E aqui entra o mistério do menino que nasce em uma pequena gruta em Belém. E nasce justamente para ser o Emanuel (Mt 1, 23). O numero 525 do Catecismo nos diz que a terra oferece uma gruta ao inacessível.

E por quê? Por amor a nós, para a nossa salvação!

Fazendo-se fraco, nos tornou fortes. Assumindo a morte, nos dá a imortalidade. Fazendo-se Homem, nos eleva a Deus.

Por isso, os anjos não se contêm de alegria e cantam: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados” (Lc 2,14).

Por 4 semanas não proclamamos o Glória nas Missas em atitude de espera, para que hoje, na missa de Natal, nos unamos novamente ao coro dos anjos numa explosão de louvor e alegria.

Com a liturgia de hoje, peçamos que Jesus nasça em nosso coração, mesmo que este seja uma simples manjedoura não muito apropriada para o recém-nascido. O que Ele quer é estar em nós, quer ser Deus Conosco (Is 7,14)

Portanto, Abre bem as portas do teu coração e deixa a luz do céu entrar

FELIZ NATAL! Jesus nasce hoje também em você!!!
A Paz do Cristo que é a nossa Paz!

(Carlos Francisco Bonard – Comunidade Filhos da Redenção)

“Eis que Eu venho”

(Vandeia Ramos)

Antevéspera de Natal e a expectativa já está no ar. A Igreja e as casas arrumadas, as famílias finalizando as preparações, o sentimento da ausência de alguns doendo mais forte… Depois de um ano tão intenso, começamos o ano litúrgico com a espera Daquele que vem para fazer tudo novo.
Na profecia de Miqueias podemos ter bem claro como Deus se utiliza das ações humanas que, mesmo com fim em si mesmas, são renovadas para que a Glória se manifeste. Mesmo com o censo obrigando José a ir até Belém fazer o recadastramento, o profeta já tinha anunciado que ali nasceria o Salvador. Aqui identificamos com facilidade Quem é que comanda a história e intervém na hora certa em nosso favor. Também é no nosso dia a dia.
A abertura dos corações de José e Maria nesta confiança faz com que não se prendam nas dificuldades, no atravessar Israel, Samaria e parte da Judeia, com uma gravidez chegando ao fim, para irem até Belém. Eles sabem que Deus cuida de nós. Não ficam presos no mimimi, na reclamação do calor, da areia do deserto, no autoritarismo de Herodes, nas condições insalubres de vida. Eles simplesmente seguem fazendo o que precisa ser feito. A preocupação está centrada no Filho que está chegando. Fazem o que lhes cabe e seguem o caminho.
É nesta confiança que nove meses antes Maria atravessou o mesmo caminho para ir até a casa de Isabel, logo no início de sua gravidez. Ela não chamou as amigas para celebrar a notícia, não marcou evento no Facebook, não começou a organizar o chá de bebê, não colocou anúncio no jornal nem mesmo foi a José. Ela foi ao encontro de quem precisava, como faz conosco hoje. E temos um dos trechos mais belos e ternos no Evangelho, da “Mãe do meu Senhor” que nos visita, sem merecermos.
No início da gravidez, Isabel, cheia do Espírito Santo, sem ultrassonografia, diz que sua prima está grávida, que é um Menino, e que este Menino é o seu Senhor. Aqui temos a centralidade da Encarnação na defesa da Vida, desde o início da gestação. Temos aqui a confiança de Maria, “que acreditou” e acredita quando somos fracos para não acreditarmos, sustentando nossa fé. Nesta confiança leva Jesus até Isabel e a presença da Mulher e sua descendência (Gn 3, 15) santifica João Batista no ventre de sua mãe. Pela “dobradinha” Mãe e Filho, o antigo se faz novo, a alegria inicia pelo cumprimento da Promessa do Senhor.
Hoje, nossa face já mostra os sinais de nossa salvação. Que possamos abrir as portas de nossas casas e de nossos corações para acolhermos a Família de Nazaré que está chegando. E que nossa família seja um pouco de Jesus, Maria e José. Um Feliz Natal para todos!

Preparação para o Natal

Árvore de Natal

Um dos grandes símbolos do período natalino, a árvore de Natal simboliza, segundo a tradição da Igreja Católica, a vida. Mas, em meio a dias de expectativa para a chegada das festas de fim de ano, ficamos nos perguntando: qual o dia adequado para montar a árvore?

A árvore deve começar a ser montada no Primeiro Domingo do Tempo do Advento, quando se inicia o tempo do advento para a Igreja. Vale lembrar ainda que a árvore não deve ser montada toda de uma vez: o ideal é acrescentar enfeites e adereços aos poucos, durante as quatro semanas do advento, que é, para os católicos, tempo de preparação.

A preparação da árvore deve ser intensificada durante a última semana que antecede o Natal. “Até o Segundo Domingo do Tempo do Advento , tudo ainda é muito sóbrio, mesmo nas leituras feitas nas missas do advento. É só a partir do Terceiro Domingo do Tempo do Advento que a Bíblia começa a falar do nascimento de Jesus, e se inicia um momento de maior expectativa. Esse é o momento, portanto, de intensificar a decoração da árvore”, afirma.

Presépio

A montagem do presépio, também tradicional em tempos de Natal, deve seguir a mesma linha da preparação da árvore de Natal. “Aos poucos, pode-se começar a montar a gruta, colocar os animais e os pastores, mas Maria, José e o menino Jesus devem fazer parte do presépio apenas mais próximo do Natal”.

O presépio foi uma invenção de São Francisco de Assis para lembrar a simplicidade e as dificuldades enfrentadas por Maria e José no nascimento de Jesus. A orientação para quem pretende seguir a tradição católica é não sofisticar os presépios com luzes e enfeites.

É muito importante envolver as crianças na montagem dos presépios, e o ideal seria que eles fossem feitos nas próprias casas, pelas crianças, para que eles percebam o real sentido do Natal.

Hora de desmontar

Tradicionalmente, o dia de desmontar a árvore de Natal, o presépio e toda a decoração natalina é 6 de janeiro, o Dia de Reis. É nesse dia que três magos, pessoas sábias, encontram o menino Jesus e ele é então revelado a todas as nações. Termina então o tempo de Natal, o tempo de expectativa, e começa o tempo comum para a Igreja.

Coroa do Advento

Um dos grandes símbolos do Natal para a Igreja é a coroa do advento. Formada com ramos verdes e em formato de círculo, a coroa simboliza a unidade e a perfeição, sem começo e sem fim. A coroa representa o nascimento do rei. Em cada um dos quatro domingos do advento uma vela é acesa. Com a proximidade do nascimento de Jesus, a luz se torna mais intensa, e é o Natal enquanto festa da luz que celebramos.

(Fonte)

Eu amo ser catequista!

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A minha turminha de catequese tem 27 crianças com idade entre 07 e 09 anos. São muito pequenos, portanto preciso ser criança como eles, falar a linguagem deles.  A gente sempre brinca, canta, faz desenho e conversa bastante.

O tema do encontro de ontem, apesar de estarmos em junho, foi o nascimento do Menino Jesus: o Presépio, o Natal, a Família de Nazaré… (estou seguindo a sequência do livrinho deles).

Aqui fui eu tentando desenhar no quadro o diálogo de Jesus e Maria quando se reencontram no templo:

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Além do tema do livro, aproveitei para falar um pouco sobre a Missa, pois eles ainda não conseguem se concentrar e entender o grande momento de oração que é a Santa Missa e, como estou fazendo um curso de liturgia na paróquia, aproveitei para antecipar este tema também com eles.

Li essa historinha:

A FESTA DO CEBOLINHA

Você também foi convidado para a festa de aniversário do Cebolinha. Preste muita atenção em tudo que acontece, depois nós vamos ver que a Missa é uma festa também!

FESTA DO CEBOLINHACebolinha está muito feliz! É seu aniversário!
Ele convidou muitas pessoas para sua festa.
Dona Maria Cebola, a mãe do Cebolinha, preparou tudo com
muito carinho: bolo, enfeites, mesa, músicas, brincadeiras…
Cada pessoa que chegava para a festa era recebida com alegria pela família, deixando todos muito à vontade.
O Cascão e o Cebolinha estavam de mal por causa de uma briga no futebol, mas Cascão aceitou o convite do amigo e quando chegou à festa, abraçou o Cebolinha e pediu desculpas.
As pessoas estavam animadas e conversavam sobre suas vidas, sobre os acontecimentos da última semana, sobre seus problemas e suas alegrias. Então, o Seu
Cebola, pai do Cebolinha, começou a contar coisas de quando ele ainda era bem pequenino. Falava com orgulho de como o seu filho era esperto, bonzinho, inteligente…
Muitas pessoas começaram a abraçar o Cebolinha, desejando-lhe feliz aniversário, tudo de bom e que Deus lhe iluminasse e lhe cobrisse de bênçãos.
O Cebolinha ganhou muitos presentes. As pessoas que chegavam, vinham lhe ofertar seu presente com um grande sorriso de felicidade.
Sua mãe trouxe um bolo lindo e colocou sobre a mesa, junto com os refrigerantes.
Cebolinha estava abrindo seus presentes, cada um lhe dava mais alegria que o outro…
Então, ele olhou para sua mãe e falou:
“Lembla, mãe? No ano passado a vovó estava aqui também. Agola ela já está lá no céu, e eu sei que um dia nos vamos nos encontlar com ela, junto com Nossa Senhola, os anjos e os santos… Por falar em santo, que bom que o Padle João veio, né mãe?”
“É mesmo Cebolinha. Ele batizou você quando ainda era um bebê e agora tá aqui festejando seu aniversário!”
Chegou a hora de cantar PARABÉNS. Todos ficaram de pé, se aproximaram da mesa
e cantaram com entusiasmo.
Partiu-se o bolo e serviu-se o refrigerante. Todos comeram e beberam. Estava uma
delícia!!!
Cada um que ia embora agradecia a família pela festa, pela receptividade, por tudo.
E se despediam com um sorriso e um até breve.
No dia seguinte, Cebolinha foi brincar com seus presentes. Então, ele viu que tinha
muitos, muitos brinquedos e resolveu dar alguns deles para o Cascão.

Depois contei que a Missa também é uma grande festa para nós, comparando com a festa da historinha teremos:

missa festa

Eu perguntei para eles se alguma coisa tinha mudado nas suas vidas desde que começaram a frequentar a Catequese…  Eles disseram que sim, que passaram a ajudar mais a mamãe em casa, a respeitar os outros e a não fazer coisas erradas na escola. Eu fiquei muito feliz e disse que a Missa e a Catequese nos tornam Missionários e temos que levar aos outros que convivem conosco as coisas que aprendemos na Igreja.

Então entreguei uns coraçõezinhos, feitos com EVA e com um pedacinho de ímã atrás e pedi que eles colassem na geladeira da casa deles, sem falar nada, para ver quem iria reparar no recadinho de Deus para eles. No próximo encontro vão me contar qual a reação da família…

Vejam como ficaram:

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As frases foram essas:

  • Jesus te ama! E eu também!!
  • Converse com Deus. Ele é seu melhor amigo.
  • Sinta-se especial.
  • Deus ama você.
  • É bom ser importante,  mas é mais importante ser bom.
  • “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.” Jesus Cristo
  • Lembre-se sempre de Deus, pois Ele nunca te esquece…
  • O Senhor é meu pastor, nada me faltará. (Sl 23,1)
  • Seu sorriso pode ser a semente de um mundo mais feliz!
  • Confia no Senhor com todo o teu coração. (Pr 3,5)
  • A amizade é uma benção de Deus.

(A historinha e as frases encontrei nesta apostila aqui)