Bem-aventurados somos nós, que cremos!

(Vandeia Ramos)

Estamos em oitava pascal e no domingo da misericórdia, dia em que os discípulos estão reunidos no cenáculo, em que nós nos reunimos na santa missa. Jesus ressuscitou e não aparece mais para a multidão. Ele aparece para seus discípulos, para Santa Faustina, para inúmeros santos ao longo da história e, hoje, de modo especial, Ele está conosco nas leituras, na hóstia consagrada e em cada um de nós. Já podemos celebrar com São Paulo: “não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim!” (Gl 2, 20)
Tomé não estava na primeira vez que Jesus esteve com os seus após a ressurreição e não acreditou. Quantos não estão conosco no domingo? Quantos já passaram pela iniciação cristã e acabaram se afastando? Sempre precisamos nos perguntar se nosso testemunho é convincente, se buscamos acolher nossos irmãos, se a nossa comunidade está consciente de suas limitações e trabalha para superá-las.
Na Igreja nascente, após a superação das primeiras dificuldades, temos a comunidade cristã em uma atividade intensa de serviço aos demais. Encontravam-se unidos e, com os dons recebidos, atraíam multidões. Muitos vinham para receber e alguns ficavam tão encantados com tamanha graça que Deus derrama através dos seus que se juntavam aos discípulos. Unidade e serviço se apresentam como seguimento do Cristo.
Não significa que a vida do discípulo é simples e fácil. Ao contrário. Todos os apóstolos morreram martirizados, com exceção de João. Este, além de ver seus amigos irem, é preso por assumir a Palavra em sua vida. Não existe vida humana sem sacrifício, dor e sofrimento. Todos nós estamos sujeitos às questões próprias da existência. Só que, ao assumirmos nossa cruz, o morrer em cada dia, deixamos de lutar contra a morte e entregamos tudo o que temos e o que somos aos cuidados de Deus. Ele sabe de todas as coisas e cuida de nós.
Ao assumirmos o sofrimento inerente à condição humana e ofertarmos, em Cristo, ao Pai, recebemos a misericórdia como dom. É a imagem pintada por Santa Faustina, a secretária da Divina Misericórdia. Quem conhece sua história lembra que Deus escolhe os menores para seus maiores favores. Por isso que estamos aqui na catequese. De uma simples pessoa, Ele nos torna arautos, mensageiros da Boa Nova.
Na imagem original, temos um fundo escuro. A memória do túmulo, da morte, da escuridão, de nossas dificuldades e sofrimentos. No centro, irrompe Jesus iluminado, com seu coração transpassado pela lança. Não há um retorno à condição anterior. Vencer a morte não é voltar à existência que se tinha antes. No entanto, Jesus nos apresenta seu coração aberto à humanidade, a cada um de nós, do qual sai raios de misericórdia, o sangue e a água do batismo tornados acessíveis e dirigidos aos que O contemplam.
A partir de tudo que passou, das chagas abertas em suas mãos e pés, de seu coração transpassado, é que derrama sobre nós sua misericórdia. Na Encíclica Deus Carita Est, Bento XVI nos lembra que justiça é garantir ao outro o que lhe é direito, amor é dar o que é seu, e misericórdia é dar-se a si mesmo. E Jesus se entrega totalmente a nós na Páscoa, ressuscitando-nos em sua humanidade transpassada pela dor, tornando-se acessível a nós.
No Ressuscitado, Deus não está mais atrás do véu do templo. Na face do Misericordioso, podemos contemplá-lo, aproximar-nos, colocar-nos em sua presença, deixar-nos envolver e tornar-nos seus filhos. A dor não é mais a última palavra. A morte não venceu. Nas diversas situações da vida, aprendemos a entregar e deixar-nos conduzir. Sabemos o fim da história. João é o nosso spoiler.
Com o tempo, os problemas do mundo se agravam, a capacidade de auto destruição cresce, muito concorre para que enfraqueçamos e nos afastemos de nossa esperança. No entanto, é justamente na comunidade reunida no domingo que temos um encontro marcado com Jesus. É na confissão que temos rios de misericórdia sendo constantemente derramados sobre nós. É no caminhar juntos que podemos testemunhar e cantar juntos o quanto o Senhor é bom, eterna é a sua misericórdia!

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A fórmula secreta de São João Bosco para ganhar na loteria

Quer saber como ganhar na loteria? São João Bosco revela os “números mágicos” que você deve jogar para sempre levar o prêmio.

Viveu, no século XIX, um homem muito famoso por seus milagres e profecias. Mesmo antes de morrer em odor de santidade, a fama de São João Bosco se espalhava por todos os lados. A uns, anunciava-lhes por quantos anos havia de viver; a outros, dizia-lhes a profissão que teriam no futuro; e, a muitos, adivinhava-lhes os pecados antes que os contassem no confessionário. Ao todo, Dom Bosco – como era chamado – realizou mais de oitocentos milagres.

Conta-se que um homem pobre, tendo ouvido falar das maravilhas que operava este humilde sacerdote, correu um dia à sua procura para perguntar-lhe algo muito importante: a fórmula para ganhar na loteria. O rapaz queria que o santo lhe dissesse que números deveria escolher na hora de comprar o bilhete.

São João Bosco pensou por um momento e logo lhe respondeu com plena segurança:

“Os ‘números mágicos’ para que você ganhe na loteria são estes: 10, 7 e 14. Jogue-os, em qualquer ordem, que você conseguirá.”

O homem se encheu de alegria e já ia sair correndo para comprar o bilhete, quando o santo, tomando-o pelo braço, disse-lhe sorridente: “Um momento, porque não lhe expliquei bem os números, nem lhe disse de que tipo de loteria eu estava falando. Veja, estes números significam o seguinte:

  • 10 quer dizer que você deve cumprir os Dez Mandamentos;
  • 7, que você deve receber com frequência os Sacramentos;
  • e 14, que você deve praticar as 14 obras de misericórdia, tanto as corporais como as espirituais.”

O santo concluiu: “Se você cumprir estas três coisas: observar os Mandamentos, receber bem os Sacramentos e praticar as obras de misericórdia, ganhará na melhor e mais extraordinária de todas as loterias, que é a glória eterna do Céu.”

O homem compreendeu e, ao invés de procurar a lotérica, foi ao asilo para oferecer uma esmola.

A esmola faz parte das 7 obras de misericórdia corporal, que são:

  1. Dar de comer a quem tem fome;
  2. Dar de beber a quem tem sede;
  3. Vestir os nus;
  4. Dar pousada aos peregrinos;
  5. Assistir aos enfermos;
  6. Visitar os presos;
  7. Enterrar os mortos.

Há ainda as obras de misericórdia espiritual, que são as seguintes:

  1. Dar bom conselho;
  2. Ensinar os ignorantes;
  3. Corrigir os que erram;
  4. Consolar os aflitos;
  5. Perdoar as injúrias;
  6. Sofrer com paciência as fraquezas do próximo;
  7. Rogar a Deus por vivos e defuntos.

Longe de ser uma invenção distante da realidade, a lista das obras de misericórdia constitui uma forma prática de viver o próprio mandamento do amor ao próximo, em atenção ao que Cristo ensinou e pediu que fizéssemos aos mais pequeninos dos nossos irmãos (cf. Mt 25, 40). Embora tenha sido negligenciada em alguns ambientes de catequese, essa relação continua sendo, junto com os Mandamentos e os Sacramentos, a escada segura para “ganhar na loteria” da vida eterna.

10, 7 e 14: invista todo o seu coração nestes números e você será verdadeiramente feliz aqui na terra e no Céu!

(Fonte)

Fotos Feira Bíblica

Ontem foi o dia da nossa Feira Bíblica, a maquete da minha turminha ficou assim:

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(O Sermão da Montanha)

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(O Povo de Deus)

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(Jesus)

Fizemos também dois cartazes:

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Como falamos sobre as duas Bem Aventuranças “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!” e “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia!” (Mt 5, 6-7), colocamos um avental com essa imagem:

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E servimos em uma bandeja versículos que continham a palavra JUSTIÇA.

Também procuramos fazer um gesto concreto de misericórdia, colocando um cofrinho para arrecadar doações para a equipe do sopão paroquial:

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Veja outras FOTOS da nossa feira Bíblica, clicando aqui!

Ah! Eu ganhei uma linda Bíblia no sorteio da feira:

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E o primeiro versículo que eu li nela foi esse:

“Mais vale um bocado de pão seco, com a PAZ, do que uma casa cheia de carnes, com a discórdia.” (Prov 17,1)

Espero que tenham gostado e me contem como foi a feira bíblica na paróquia de vocês, ok? Uma semana feliz e fiquem com Deus!

Ladainha da Divina Misericórdia

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Senhor, tende Piedade de nós!

Jesus Cristo, tende Piedade de nós!

Senhor, tende Piedade de nós!

Jesus Cristo, ouvi-nos!

Jesus Cristo, atendei-nos!

Deus Pai do Céu! Tende de Piedade de nós!

Deus Filho Redentor do mundo! Tende de Piedade de nós!

Deus Espírito Santo! Tende de Piedade de nós!

Santíssima Trindade, que sois um só Deus! Tende de Piedade de nós!

Misericórdia Divina, que brota no seio do Pai, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, atributo máximo de Deus, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, mistério insondável, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, fonte que brota no mistério da Santíssima Trindade, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que nenhuma mente, nem humana, nem angélica pode perscrutar, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, da qual provém toda a vida e felicidade, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, mais sublime do que os Céus, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, fonte de milagres e prodígios, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que envolve o universo todo, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que desce ao mundo na Pessoa do Verbo Encarnado, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que brotou da chaga aberta do Coração de Jesus, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, encerrada no Coração de Jesus para nós e sobretudo para os pecadores, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, imperscrutável na instituição da Eucaristia, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, na instituição da Santa Igreja, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, no Sacramento do Santo Batismo, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, na nossa justificação por Jesus Cristo, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que nos acompanha por toda a vida, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que nos envolve de modo particular na hora da morte, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que nos concede a vida imortal, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que nos acompanha em todos os momentos da vida, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que nos defende do fogo do inferno, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, na conversão dos pecadores endurecidos, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, enlevo para os Anjos, inefável para os Santos, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que nos eleva de toda miséria, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, fonte de nossa felicidade e alegria, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que do nada nos chama para a existência, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que abrange todas as obras das Suas mãos, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que coroa tudo que existe e que existirá, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, na qual todos somos imersos, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, doce consolo para os corações atormentados, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, única esperança dos desesperados, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, repouso dos corações, paz em meio ao terror, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, delícia e êxtase dos Santos, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que desperta a confiança onde não há esperança, eu confio em Vós.

Oremos: Ó Deus Eterno, em quem a misericórdia é insondável e o tesouro da compaixão é inesgotável, olhai propício para nós e multiplicai em nós a Vossa misericórdia, para que não desesperemos nos momentos difíceis, nem esmoreçamos, mas nos submetamos com grande confiança à Vossa Santa Vontade, que é Amor e a própria Misericórdia. Amém.

(Extraído do Diário da Ir. Faustina 949-950)

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Papa Francisco perdoa padre Cícero

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Em longa correspondência enviada ao Bispo Diocesano de Crato, Dom Fernando Panico, o Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, afirmou que: “A presente mensagem foi redigida por expressa vontade de Sua Santidade o Papa Francisco, na esperança de que Vossa Excelência Reverendíssima não deixará de apresentar à sua Diocese e aos romeiros do Padre Cícero a autentica interpretação da mesma, procurando por todos os meios apoiar e promover a unidade de todos na mais autentica comunhão eclesial e na dinâmica de uma evangelização que dê sempre e de maneira explicita o lugar central a Cristo, principio e meta da História”.

A mensagem lembra, inicialmente, as festas pelo centenário de criação da Diocese de Crato acrescentando “que (essas comemorações) põem em realce a figura do Padre Cícero Romão Batista e a nova Evangelização, procurando concretamente ressaltar os bons frutos que hoje podem ser vivenciados pelos inúmeros romeiros que, sem cessar, peregrinam a Juazeiro atraídos pela figura daquele sacerdote. Procedendo desta forma, pode-se perceber que a memória do Padre Cícero Romão Batista mantém, no conjunto de boa parte do catolicismo deste país, e, dessa forma, valoriza-la desde um ponto de vista eminentemente pastoral e religioso, como um possível instrumento de evangelização popular”.

Lembrando que Deus sempre se serve de pobres instrumentos para realizar suas maravilhas e que todos nós somos “vasos de argila” (2Co 4,7) em Suas mãos, o texto afirma, sem dúvida alguma, que Padre Cícero, pelo seu intenso amor pelos mais pobres e por sua inquebrantável confiança em Deus, foi esse instrumento escolhido por Ele. O Padre respondeu a este chamado, movido por um desejo sincero de estender o Reino de Deus.

A seguir, alguns tópicos da correspondência:

“Mas é sempre possível, com a distância do tempo e o evoluir das diversas circunstâncias, reavaliar e apreciar as várias dimensões que marcaram a ação do Padre Cícero como sacerdote e, deixando à margem os pontos mais controversos, por em evidência aspectos positivos de sua vida e figura, tal como é atualmente percebida pelos fiéis”.

“É inegável que o Padre Cícero Romão Batista, no arco de sua existência, viveu uma fé simples, em sintonia com o seu povo e, por isso mesmo, desde o início, foi compreendido e amado por este mesmo povo”.

“Deixou marcas profundas no povo nordestino a intensa devoção do Padre Cícero à Virgem Maria” no seu título de “Mãe das Dores e das Candeias” (…) Como não reconhecer, Dom Fernando, na devoção simples e arraigada destes romeiros, o sentido consciente de pertença à Igreja Católica, que tem na Mãe de Jesus Cristo um dos seus elementos mais característicos?

“A grande romaria do dia de Finados, iniciada pelo Padre Cícero, transmite a dimensão escatológica da existência humana. Pois, como afirma o documento de Aparecida, Nossos povos (…) têm sede de vida e felicidade em Cristo. (…)

“Não deixa de chamar a atenção o fato de que estes romeiros, desde então, sentindo-se acolhidos e tendo experimentado, através da pessoa do sacerdote, a própria misericórdia de Deus, com ele estabeleceram – e continuam estabelecendo no presente – uma relação de intimidade, chamando-o na carinhosa linguagem popular nordestina de “padim”, ou seja, considerando-o como um verdadeiro padrinho de batismo, investido da missão de acompanhá-los e de ajuda-los na vivência da sua fé”.

“No momento em que a Igreja inteira é convidada pelo Papa Francisco a uma atitude de saída, ao encontro das periferias existenciais, a atitude do Padre Cícero em acolher a todos, especialmente aos pobres e sofredores, aconselhando-os e abençoando-os, constitui sem dúvida, um sinal importante e atual”.

“O afeto popular que cerca a figura do Padre Cícero pode constituir um alicerce forte para a solidificação da fé católica no ânimo do povo nordestino (…). Portanto, é necessário, neste contexto, dirigir nossa atenção ao Senhor e agradecê-lo por todo o bem que ele suscitou por meio do Padre Cícero”.

“Assim fazendo, abrem-se inúmeras perspectivas para a evangelização, na linha desta recomendação do Documento de Aparecida; “Deve-se dar catequese apropriada que acompanhe a fé já presente na religiosidade popular”. (Documento de Aparecida, 300).

“Ao mesmo tempo que me desempenho da honra de transmitir uma fraterna saudação do Santo Padre a todo o povo fiel do sertão do Ceará, com os seus Pastores, bendizendo a Deus pelos luminosos frutos de santidade que a semente do Evangelho faz brotar nestas terras abençoadas, valho-me do ensejo para lhe testemunhar minha fraterna estima e me confirmar de Vossa Excelência Reverendíssima devotíssimo no Senhor.”

(Fonte)

Um pouco da história de Padre Cícero:

Cícero Romão Batista
24/3/1844, Crato (CE) – 20/71934, Juazeiro do Norte (CE)

O filho de Joaquim Romão Batista e Joaquina Vicência Romana, desde pequeno já demonstrava vocação para o sacerdócio. Aos 12 anos fez votos de castidade, influenciado pela leitura da vida de São Francisco de Assis. Entrou para o seminário em 1865, em Fortaleza.

Retornou à sua cidade natal onde permaneceu um tempo ensinando latim no colégio local. No natal de 1871 viajou a convite do amigo Prof. José Joaquim Marrocos para celebrar a Missa do Galo no pequeno vilarejo de Juazeiro do Norte, que na época pertencia ao município de Crato. No ano seguinte voltaria para a vila onde passaria grande parte da sua vida, desta vez para ser o vigário.

Uma de suas primeiras medidas na cidade foi reformar com auxílio de doações e esmolas a pequena capela erguida pelo antecessor em homenagem a Nossa Senhora das Amparo e que posteriormente viraria de Nossa Senhora das Dores. Passou a desenvolver um intenso trabalho junto a comunidade, ganhando rapidamente o respeito e admiração dos moradores. Cuidou pessoalmente de alguns problemas da cidade, ajudando a acabar com a prostituição e com as bebedeiras.

Entretanto o fato que o colocaria em um patamar superior iria acontecer apenas em 1889, quando no dia 6 de março a moradora Maria de Araújo recebeu uma hóstia que segundo relatos se transformou em sangue.

O milagre continuou a acontecer por dois meses e transformou a pequena Juazeiro em um centro de peregrinação. O então pároco foi alçado pela população ao patamar de santo a ponto de considerarem conselhos como dons espirituais.

A Igreja Católica rapidamente interveio. O Bispo do Ceará, Dom Joaquim José Oliveira enviou uma comissão a Juazeiro formada pelos Padres Clicério da Costa Lobo e Francisco Ferreira Antero. O primeiro relatório afirmava o milagre. Uma segunda comissão foi enviada, desta vez os representantes foram os Padres Antônio Alexandrino de Alencar e Manoel Cândido . Dias depois um novo parecer foi dado justificando o sangue na hóstia como fruto de uma ferida na garganta de Maria de Araújo.

O medo de uma nova Guerra de Canudos fez os coronéis locais pressionarem a arquidiocese, e esta, por sua vez, pressionou Roma. Em 1898 o Padre Cícero foi afastado de suas funções e exilado na vila do Salgueiro. No mesmo ano chegou a Juazeiro Floro Bartolomeu, atraído pelo cobre da região.Rapidamente virou amigo do Padre.

Logo em seguida foi ao Vaticano, onde passou oito meses e teve a suspensão confirmada. Não adiantou, o “Padim” voltou para Juazeiro com tantos devotos quanto antes. Proibido de exercer suas funções como padre e incentivado pro Floro Bartolomeu, passou a exercer atividades políticas.

Em 22 de julho de 1911 conseguiu que Juazeiro do Norte fosse elevada a categoria de cidade com Padre Cícero sendo o prefeito. Chegou a ser deputado (nunca tomou posse) e vice-presidente do Ceará.

Em 1914 apoiou a chamada “Guerra Santa” inflamada por Floro Bartolomeu contra o governo estadual. Juazeiro foi o centro da revolução que culminou com a queda do governador Franco Rebelo. Com o sucesso do movimento (que foi apoiado pelo governo federal), Padre Cícero começou a ser visto como um importante líder político na região.

padre-cícero-lampiaoEm 1926 foi pedido para que ele participasse da negociação com Lampião que deveria mobilizar seu bando contra a Coluna Prestes que percorria o Brasil. O cangaceiro era devoto de Padre Cícero, mas nem isso o impediu de se aproveitar da situação. Lampião pegou as armas, os mantimentos e o cargo de capitão e foi na direção oposta dos inimigos.

O poder político do “Padim” acabou com a Revolução de 1930. Seu poder espiritual continuou entretanto mesmo após sua morte, quatro anos depois. Em 1º de novembro de 1969 foi inaugurada na cidade uma estátua de 25 m de Padre Cícero.

Ainda hoje milhares de devotos compartilham da fé em Padre Cícero e partem em grandes romarias para Juazeiro do Norte.

(Fonte)

28 DE MARCO 2014, CONCURSO DE FOTOGRAFIAS O MEU CARIRI. Marcilene Errera venceu na categoria religiosidade e obteve o segundo lugar, com uma bela imagem do Padre Cícero.  - REGIONAL - 30cr0293  -  MARCILENE ERRERA

(Foto de Marcilene Errera)

O que é indulgência plenária? Como alcançá-la no Ano da Misericórdia?

terçomaoA doutrina e o uso das indulgências na Igreja Católica há vários séculos encontram sólido apoio na Revelação divina, e vem dos Apóstolos.

“Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida aos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos”. (Norma 1 do Manual das Indulgências).

O Catecismo da Igreja Católica nos ensina que: “Pelas indulgências, os fiéis podem obter para si mesmos e também para as almas do Purgatório, a remissão das penas temporais, sequelas dos pecados” (n. 1498).

O pecado tem duas consequências: a culpa e a pena. A culpa é perdoada na Confissão; a pena, que é a desordem que o pecado provoca no pecador e nos outros, e que precisa ser reparado, é eliminada pela indulgência que pode ser plenária (total) ou parcial.

De acordo com o Manual das Indulgências, para se ganhar uma indulgência plenária (uma vez por dia apenas), para si mesmo ou para as almas, deve-se fazer:

a) uma Confissão individual rejeitando todos os pecados (basta uma Confissão para várias indulgências);

b) receber a Sagrada Eucaristia;

c) rezar pelo Papa ao menos um Pai-nosso e uma Ave-Maria.

Não é necessário que tudo seja feito no mesmo dia. Além disso, escolher uma dessas práticas:

1- Adoração ao Santíssimo Sacramento pelo menos por meia hora (concessão n. 3)

2- Leitura espiritual da Sagrada Escritura ao menos por meia hora (concessão n. 50);

3 – Piedoso exercício da Via Sacra (concessão n. 63);

4- Recitação do Rosário de Nossa Senhora na igreja, no oratório ou na família ou na comunidade religiosa ou em piedosa associação (concessão n. 63).

 

Para o Ano da Misericórdia o Papa Francisco autorizou outros meios de “alcançar misericórdia” por meio da indulgência plenária. Esta prática pode, então, substituir uma das quatro opções citadas acima: Rosário, ou Adoração do Santíssimo, ou Via Sacra, ou leitura bíblica meditada.

Segundo a carta do Papa Francisco a D.Rino Fisichella, presidente do pontifício conselho para a promoção da nova evangelização, se concede a indulgência para o Ano Santo:

1- PEREGRINAÇÃO ATÉ A PORTA SANTA

“Para viver e obter a indulgência os fiéis são chamados a realizar uma breve peregrinação rumo à Porta Santa, aberta em cada Catedral ou nas igrejas estabelecidas pelo Bispo diocesano, e nas quatro Basílicas Papais em Roma, como sinal do profundo desejo de verdadeira conversão”.

2-DOENTES E PESSOAS IMPOSSIBILITADAS

“Penso também em quantos, por diversos motivos, estiverem impossibilitados de ir até à Porta Santa, sobretudo os doentes e as pessoas idosas e sós, que muitas vezes se encontram em condições de não poder sair de casa. Viver com fé e esperança jubilosa este momento de provação, recebendo a comunhão ou participando na santa Missa e na oração comunitária, inclusive através dos vários meios de comunicação, será para eles o modo de obter a indulgência jubilar”.

3-ENCARCERADOS

“O meu pensamento dirige-se também aos encarcerados, que experimentam a limitação da sua liberdade. Nas capelas dos cárceres poderão obter a indulgência, e todas as vezes que passarem pela porta da sua cela, dirigindo o pensamento e a oração ao Pai, que este gesto signifique para eles a passagem pela Porta Santa, porque a misericórdia de Deus, capaz de mudar os corações, consegue também transformar as grades em experiência de liberdade”.

4-OBRAS DE MISERICÓRDIA ESPIRITUAIS OU CORPORAIS

“Todas as vezes que um fiel viver uma ou mais destas obras pessoalmente obterá sem dúvida a indulgência jubilar. Daqui o compromisso a viver de misericórdia para alcançar a graça do perdão completo e exaustivo pela força do amor do Pai que não exclui ninguém. Portanto, tratar-se-á de uma indulgência jubilar plena, fruto do próprio evento que é celebrado e vivido com fé, esperança e caridade”.

5-FIÉIS FALECIDOS

“A indulgência jubilar pode ser obtida também para quantos faleceram. A eles estamos unidos pelo testemunho de fé e caridade que nos deixaram. Assim como os recordamos na celebração eucarística, também podemos, no grande mistério da comunhão dos Santos, rezar por eles, para que o rosto misericordioso do Pai os liberte de qualquer resíduo de culpa e possa abraçá-los na beatitude sem fim”.

6-FIÉIS QUE FREQUENTAREM IGREJAS DA FRATERNIDADE SÃO PIO X

[A Indulgência também] “é dirigida aos fiéis que por diversos motivos sentem o desejo de frequentar as igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade São Pio X. Movido pela exigência de corresponder ao bem destes fiéis, estabeleço por minha própria vontade que quantos, durante o Ano Santo da Misericórdia, se aproximarem para celebrar o Sacramento da Reconciliação junto dos sacerdotes da Fraternidade São Pio X, recebam validamente e licitamente a absolvição dos seus pecados”.

Que neste Ano Santo que se iniciará, saibamos aproveitar a oportunidade para vivê-lo intensamente e buscar ir ao encontro dessa fonte inesgotável de misericórdia que nasce do Coração de Deus.

Prof. Felipe Aquino

(Fonte)