Vós valeis mais…

(Vandeia Ramos)

A gente olha ao redor e parece tudo uma confusão, da política à saúde. Ninguém pode dizer como vai ficar a educação este ano. E a insegurança faz com que desconfiemos de tudo e de todos, das informações que passam, das instituições, das lideranças… Tem gente que nem acredita mais em Deus… Mas nós seguimos nos refugiando em seu colo no meio de toda tempestade ou calmaria.
E quem está em Deus, do que poderá ter medo? Quem é mais forte? O covid-19? Quem inventou, tratou de alguma mutação, espalhou, deturpou informações, escondeu projeções de contágio, usou de posições para tirar vantagens financeiras e políticas, e mesmo imperialistas? Frente a governos, países e mesmo impérios, parece que somos muito pequenos… brigando entre máscaras e respiradores… entre o “fica em casa”, a necessidade profissional e, em algumas vezes, psicológica, em sair para evitar situações complicadas na família e mesmo pessoais.
Não vemos o vírus que está sendo apontado como causador da pandemia, mas vemos que o ser humano não anda bem consigo mesmo. Vemos que pessoas se aproveitam da situação para tirar proveito. Vemos pressão em cima de autoridades para abrirem ou fecharem acesso a espaços. Não estamos vendo esta mesma pressão sobre a Igreja no último mês?
As mídias sociais são arenas de conflito e enfrentamento pela tensão histórica ou pontual que se acumulam. Nós olhamos tudo e vemos briga de poder, orgulho e vaidade como mais importantes que a vida humana e o bem comum. E a Verdade, onde está? Nós sabemos: não é onde, mas em quem. Para nós, a Verdade é uma Pessoa: Jesus Cristo. E é Ele que precisa ser revelado através dos seus, da afirmação de quem somos perante todos, em sermos ponto de referência e estabilidade na confusão em que o mundo se encontra.
Estamos em um momento de misericórdia, em que ofensas, medo, engano e desforra parecem ser o cotidiano dos noticiários. A Igreja não está imune à situação. Vira e mexe se torna referência de noticiários fakes ou não, em que é exposta à dura crítica, em que cada um de nós sente como pessoal a situação, pois somos Igreja.
Também pecamos e nossas falhas são motivo de vergonha para os demais. É comum que nos preocupemos com as notícias e situações paroquiais, como se não fizéssemos parte ou fôssemos imunes a qualquer erro. Sim, há a fraqueza humana, em que tentamos fazer o que é certo, mas nossa limitação dificulta e que precisamos nos esforçar em virtude para superar. E há também o vício, em que estamos corrompidos em fazer o que é errado, em prejudicar ao outro para tirar vantagens pessoais, sem se importar com as consequências para os demais.
Adão nos lembra que todos nós trazemos a escolha em crescer no amor e exercitarmos as virtudes, para superarmos nossas dificuldades, e que também podemos nos acomodar no pecado, aprofundando a indiferença e o egoísmo, sem se incomodar com os demais. Ambas as posições estão em uma situação de afastamento de Deus, pois são imperfeitas.
Somente com a vinda de Jesus podemos ser mais do que pessoas que buscam ser melhores. Em Jesus, somos seus amigos, filhos de Deus, em que formamos uma única família, que é reunida e aprende todos juntos a serem melhores dia a dia. Uma família à luz da de Nazaré, em que nós aprendemos a conviver com as limitações uns dos outros, a perdoar, a ter nossa referência, a nos refugiarmos em Nossa Senhora, a ouvir a Deus.
Esta abundância da vida divina transborda na terra e ilumina nossas dificuldades, nossos problemas, a situação confusa… Ela nos lembra que nosso Pai está cuidando de nós, que nos conhece, sabe do que precisamos, não deixa faltar seu apoio, sustenta nas dificuldades…
Nós valemos mais do que qualquer coisa que está ao nosso redor, pois não somos um objeto, somos filhos de Deus. E Ele, pelo seu imenso amor, nos guarda.

Senhor, ajudai-nos a ser misericordiosos

(Vandeia Ramos)


Das três leituras de hoje, o evangelho de João foi o último a ser escrito, em torno do ano 90. Jesus Ressuscitado aparece para os seus. Ele não é mais o homem das multidões. Agora sua divindade é revelada somente aos seus escolhidos, àqueles que se encontram reunidos no domingo, sua Igreja. Aqui, Ele é bem-vindo, não precisa que lhe abram a porta, somente que sintonizem o canal da televisão ou que iniciem a live no horário marcado. Sua família o espera!
Entre nós, Jesus se coloca e logo anuncia: “A paz esteja convosco”. Não temos Jesus sacramental pela situação em que vivemos. No entanto, sabemos que Ele é real em nossa casa, na Palavra proclamada, acolhida, meditada, vivida. Sua graça nos basta!
Ele nos mostra as mãos e os lados. Não é um fantasma, uma alucinação, uma fantasia ou mera imaginação. Jesus traz as marcas da Paixão, do que passou por nós. Sua divindade traz sua humanidade glorificada, revela o sentido do tempo que viveu, apresente o germe do que é esperado dos seus. E nós ficamos felizes por tê-lo! Ele verdadeiramente está entre nós, conosco, em nossa casa, em nossa família!
Jesus dá-nos a sua paz, não para que a guardemos. Dá-nos para fazer de nossa vida uma única vida com Ele. Do mesmo modo que Ele veio para cumprir a vontade do Pai, Jesus nos envia para uma missão: continuar o que Ele começou. Temos aqui claramente o envio da Igreja, na administração dos bens espirituais. Do lado transpassado do Ressuscitado, um rio de misericórdia centrado no primeiro domingo após a Páscoa por São João Paulo II.
Em missão, nossa catequese se torna criativa, em casa e pelas mídias sociais, muitos trabalhando e outros nas atividades do cuidado da casa. Cuidar com amor é nossa primeira necessidade hoje, é a mensagem que precisamos anunciar. Cuidar dos que chegam atrasados, como os Tomés, atualizando com paciência sobre o que perderam, das grandes diferenças de idade que podem ficar mais distantes com a maior convivência, cuidar dos doentes ainda que tragam risco para quem atende, cuidar da limpeza mesmo que precise repetir constantemente, cuidar da alimentação para que a saúde seja forte, cuidar da imunidade para sermos mais resistentes e cuidar de nossa fé para que possamos ser os “seus” de Jesus.
Somos felizes porque começamos nossa vida de fé acreditando sem termos visto. Hoje, podemos ver Jesus em cada aspecto de nossa vida, sabendo que Ele caminha conosco, que fazemos parte de seu Corpo, que o recebemos em nossa casa-igreja, em nossa perseverança em cuidar uns dos outros, rezando e agradecendo, cuidando e partilhando com os que mais precisam, não deixando que os que dependem da Igreja fiquem desprotegidos.
Passamos por um momento de grande provação, mas sabemos que é só isso: um momento. Em que precisamos rever nossa vida, como acreditamos, o modo como encontramos Jesus, em que centramos nossa fé. Como toda prova, teremos algumas perdas, que nem sempre serão fáceis. Mas também sabemos que não estaremos sozinhos. Somos Igreja peregrina que caminha sob a direção do Espírito Santo.
Muitos estão precisando da misericórdia hoje. Não é só dia de pedir a misericórdia de Jesus para nós, mas para todos os que precisam. É dia de sermos uma Igreja de misericórdia: pelos doentes que não então mais encontrando vaga nos hospitais, pelas famílias que não sabem o que fazer com os seus doentes, pelos médicos que têm decisões difíceis a tomar, pela equipe de apoio que precisam ser precisos e rápidos pela demanda do trabalho, pelos falecidos que a família não conseguiu cuidar e acompanhar até o final, pelos doentes em situação de rua que nem serão identificados, pelos que serão preteridos por políticas públicas e por tantos outros que trazemos em nossos corações e por outros tantos que só Jesus pode identificar.
Neste domingo de oitava pascal, domingo da misericórdia, em um mundo que perde a confiança em tudo que vinha se apoiando, podemos aclamar com alegria: Jesus, eu confio em vós!

Catequista, adorador em espírito e verdade

(Vandeia Ramos)


Chegou Jesus a uma cidade do Brasil, a sua, em que tinha uma Igreja no centro, a partir da qual as casas foram construídas. E sentou-se na praça. Era em torno da hora do almoço e todos estavam cuidando de sua própria vida. Chegou uma jovem que foi comprar água, pois tinha acabado em casa e todos precisavam beber. Jesus a encontra e pede um pouco de sua garrafa, pois seus discípulos tinham ido providenciar um lanche e ainda não tinham voltado.
A jovem, com pouca roupa por causa do calor e em uma moda que muitos discutiriam, com marcas no corpo, desconfiou Daquele que lhe pedia. Estava tão acostumada a ser vista com desprezo que se fechava em si mesma. E questiona como que Aquele Homem poderia dirigir a palavra à ela.
Jesus lhes responde: se conhecesses o dom de Deus, não se preocuparia com a fala dos demais, pois somente Deus basta! E o sorriso iluminaria toda a sua pessoa, mesmo que não viesse ao seu rosto. A jovem responde: Senhor, não me conheces, à minha família, meus vizinhos ou mesmo as pessoas deste bairro, como podes saber o que é bom para nós?
Jesus lhes responde: quem se alimenta do Pão do Céu não terá mais fome nem medo, pois nada mais poderá abalar. Não são problemas com água ou com vírus, pois todos eles vão passar. Precisamos cuidar da criação, das pessoas, com a sabedoria que é dom de Deus, para que possamos viver melhor e cuidar do Jardim. É no cuidar e no guardar o que lhes foi dado que poderá passar pelas situações difíceis e mesmo limites.
A mulher disse a Jesus: Senhor, dai-me deste Pão, para que nem eu nem minha família soframos com a contaminação da água nem com a proliferação de vírus e outras doenças, e assim não precise me expor na rua para buscar água e comida.
Jesus lhes disse: vá buscar seus amigos. Ela respondeu: não tenho amigos, todos se foram quando começaram as dificuldades e precisei ficar em casa para cuidar das pessoas mais idosas da minha família. Jesus disse: disseste bem, não tens mais amigos; tiveste muitos, quando deixastes as pessoas mais importantes por diversão e falsas companhias, enfraquecendo sua pessoa, seu corpo, e deixando a todos em situações de espera. A jovem: Senhor, sabes tudo, deves ser um religioso, mas conheci muitos que não foram fiéis a Deus e ao que anunciavam.
Jesus: meu discípulo Paulo já anunciou que estou voltando, e estou aqui agora, para que cada um faça sua escolha fundamental pelo que realmente é importante em sua vida, em um passo definitivo para a eternidade. É preciso que sejas luz do mundo para que Meu Espírito brilhe com a Verdade. Não em notícias fakes ou indiferença com os que mais precisam. É preciso que tenhais responsabilidade e cuidado com os que estão à sua volta – neles terás minha Presença.
Os discípulos chegaram e perguntaram por que Jesus falava com aquela jovem, que parecia mais preocupada consigo mesma. A jovem, no caminho de casa, saiu falando para todos de sua conversa, e muitos saíram para ir ao Encontro de Jesus, buscando o Pão do Céu.
Jesus disse aos seus discípulos: é em momentos de crise que se pode conhecer meus amigos, os que fazem a vontade do Pai, que servem junto com os demais nas inúmeras necessidades, como atendendo os doentes em hospitais e em casa, ajudando com o alimento, informando na verdade, sendo esperança quando o desespero está à porta de tantos… Muitos acreditam porque uma jovem testemunha seu encontro com Jesus, como fazemos na catequese.
No entanto, em muitas cidades a catequese e os serviços pastorais estão sendo suspensos. Há um drama acontecendo e é preciso que estejamos atentos às orientações de nossos bispos e autoridades da saúde. É o momento pelo qual nos preparamos em nosso alimento semanal, no Pão que recebemos. A messe aguarda os operários para que sirvam de acordo com o momento pontual que estamos enfrentando.
É importante que sejamos testemunhas no mundo de que o Senhor está presente entre nós. Então, não fechemos nosso coração e ouçamos hoje a voz de Deus! Que Nossa Senhora traga a cada um de nós em seu Imaculado Coração, para que possamos fazer o que seu Filho nos disser!

Catequista, mediador da misericórdia

(Vandeia Ramos)

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O Evangelho de hoje nos ensina a não desistirmos. Ano a ano podemos encontrar aquele catecúmeno mais difícil, mais resistente, mesmo revoltado e frequentemente agressivo, que está ali obrigado por alguém, e faz de tudo para demonstrar sua irritação. Quando o vemos no início, já pensamos: quem será a / o catequista sorteado? E (quase) desejando que não seja a gente mesmo.
Também temos o que falta, o da família difícil, outro que é indiferente… A parábola fala de 99 ovelhas que ficam e somente 1 que foge. Mas tem momentos que parece justamente o contrário: o rebanho ameaça se perder. E nós nem sempre sabemos o que fazer, como proceder.
A última parábola recebe alguns nomes da crítica teológica: o Filho Pródigo, o Pai Misericordioso, os Dois Irmãos… Vou apontar duas ideias que possam ajudar a pensarmos em nossa realidade.
Quando Jesus narra a história dos dois irmãos e do pai, não sentimos falta de mais alguém? Cadê a mãe / esposa? Fico pensando naquela mulher que, somente com sua presença, mesmo sem falar, não fica sentindo falta do filho mais novo, pensando nos riscos de ir ao mundo, com saudades, de ouvidos atentos em busca de notícias. E esta postura não deixa o pai e o irmão indiferentes. Ao contrário. A presença da mãe o faz lembrar da ausência de um dos filhos. Não ficamos um pouco assim quando algum dos nossos começa a faltar e desiste? Não ficamos esperando qualquer chance de ajudar, ainda que à distância?
Na narrativa, o filho mais velho é chamado a participar da festa do retorno e não fica claro se ele vai ou não. Para nós, Jesus é o Primogênito. Só que Ele não fica no céu cuidando das coisas do Pai, esperando nosso arrependimento e retorno. Muito pelo contrário. Jesus é o irmão que vem ao nosso encontro para estender a mão e nos guiar de volta. Com Ele, sentimo-nos seguros da acolhida. Às vezes falta uma mão estendida para ajudar a quem está longe. Alguém em quem se possa confiar. Alguém que ama incondicionalmente, independente de erros e fraquezas. E, como catequistas e cristãos, somos chamados a ser este alguém no Alguém.
E a imagem do Bom Pastor nos fica mais nítida. O que não é dito, mas subetendido para os ouvintes, é que o Pastor, ao resgatar a ovelha perdida e a conduzir em seus ombros, precisa primeiro quebrar-lhe a perna. O filho mais novo precisou ir parar entre os porcos para se entender e a situação em que se encontrava. Quantas vezes só nos damos conta de nossa pequenez quando somos chamados à realidade de modo frequentemente doloroso?
Já podemos ver esta imagem em Moisés. Mesmo o povo tendo caído na idolatria, ele se associa aos seus para os proteger junto a Deus. Por causa de Moisés, o povo é poupado. Esta é a sorte dos santos, de se colocarem como mediadores entre Deus e as pessoas, oferecendo-se em sacrifício pelos demais. E fica claro quando nos colocamos na defesa dos que mais precisam, das crianças e jovens mais complicados, insistindo que vale a pena continuar.
Que modelo de esperança melhor que o de São Paulo? Tanto aprontou, perseguiu, resistiu. E, no momento apropriado, seu coração se abriu à graça. Sua vida a partir de então não foi das mais tranquilas. Mas ele tinha a missão de conduzir para a família os que estavam mais distantes. E por eles sofreu percorrendo da Palestina à Ásia Menor, até chegar à Roma, do chicote ao naufrágio, para que o Evangelho chegasse a todos. E ainda nos deixa: “ai de mim se eu não evangelizar!”
Ai de nós, catequistas, se não evangelizarmos. Ai de nós se não testemunharmos com nossa vida o quanto Deus faz maravilhas por nós. Ai de nós se não formos presença da Misericórdia. Ai de nós, se não formos outros Cristos junto aos nossos catecúmenos.
Somente, então, ao chegar à nossa hora, poderemos cantar com os santos: “Vou agora levantar-me. Volto à casa do meu Pai.”

Bem-aventurados somos nós, que cremos!

(Vandeia Ramos)

Estamos em oitava pascal e no domingo da misericórdia, dia em que os discípulos estão reunidos no cenáculo, em que nós nos reunimos na santa missa. Jesus ressuscitou e não aparece mais para a multidão. Ele aparece para seus discípulos, para Santa Faustina, para inúmeros santos ao longo da história e, hoje, de modo especial, Ele está conosco nas leituras, na hóstia consagrada e em cada um de nós. Já podemos celebrar com São Paulo: “não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim!” (Gl 2, 20)
Tomé não estava na primeira vez que Jesus esteve com os seus após a ressurreição e não acreditou. Quantos não estão conosco no domingo? Quantos já passaram pela iniciação cristã e acabaram se afastando? Sempre precisamos nos perguntar se nosso testemunho é convincente, se buscamos acolher nossos irmãos, se a nossa comunidade está consciente de suas limitações e trabalha para superá-las.
Na Igreja nascente, após a superação das primeiras dificuldades, temos a comunidade cristã em uma atividade intensa de serviço aos demais. Encontravam-se unidos e, com os dons recebidos, atraíam multidões. Muitos vinham para receber e alguns ficavam tão encantados com tamanha graça que Deus derrama através dos seus que se juntavam aos discípulos. Unidade e serviço se apresentam como seguimento do Cristo.
Não significa que a vida do discípulo é simples e fácil. Ao contrário. Todos os apóstolos morreram martirizados, com exceção de João. Este, além de ver seus amigos irem, é preso por assumir a Palavra em sua vida. Não existe vida humana sem sacrifício, dor e sofrimento. Todos nós estamos sujeitos às questões próprias da existência. Só que, ao assumirmos nossa cruz, o morrer em cada dia, deixamos de lutar contra a morte e entregamos tudo o que temos e o que somos aos cuidados de Deus. Ele sabe de todas as coisas e cuida de nós.
Ao assumirmos o sofrimento inerente à condição humana e ofertarmos, em Cristo, ao Pai, recebemos a misericórdia como dom. É a imagem pintada por Santa Faustina, a secretária da Divina Misericórdia. Quem conhece sua história lembra que Deus escolhe os menores para seus maiores favores. Por isso que estamos aqui na catequese. De uma simples pessoa, Ele nos torna arautos, mensageiros da Boa Nova.
Na imagem original, temos um fundo escuro. A memória do túmulo, da morte, da escuridão, de nossas dificuldades e sofrimentos. No centro, irrompe Jesus iluminado, com seu coração transpassado pela lança. Não há um retorno à condição anterior. Vencer a morte não é voltar à existência que se tinha antes. No entanto, Jesus nos apresenta seu coração aberto à humanidade, a cada um de nós, do qual sai raios de misericórdia, o sangue e a água do batismo tornados acessíveis e dirigidos aos que O contemplam.
A partir de tudo que passou, das chagas abertas em suas mãos e pés, de seu coração transpassado, é que derrama sobre nós sua misericórdia. Na Encíclica Deus Carita Est, Bento XVI nos lembra que justiça é garantir ao outro o que lhe é direito, amor é dar o que é seu, e misericórdia é dar-se a si mesmo. E Jesus se entrega totalmente a nós na Páscoa, ressuscitando-nos em sua humanidade transpassada pela dor, tornando-se acessível a nós.
No Ressuscitado, Deus não está mais atrás do véu do templo. Na face do Misericordioso, podemos contemplá-lo, aproximar-nos, colocar-nos em sua presença, deixar-nos envolver e tornar-nos seus filhos. A dor não é mais a última palavra. A morte não venceu. Nas diversas situações da vida, aprendemos a entregar e deixar-nos conduzir. Sabemos o fim da história. João é o nosso spoiler.
Com o tempo, os problemas do mundo se agravam, a capacidade de auto destruição cresce, muito concorre para que enfraqueçamos e nos afastemos de nossa esperança. No entanto, é justamente na comunidade reunida no domingo que temos um encontro marcado com Jesus. É na confissão que temos rios de misericórdia sendo constantemente derramados sobre nós. É no caminhar juntos que podemos testemunhar e cantar juntos o quanto o Senhor é bom, eterna é a sua misericórdia!

A fórmula secreta de São João Bosco para ganhar na loteria

Quer saber como ganhar na loteria? São João Bosco revela os “números mágicos” que você deve jogar para sempre levar o prêmio.

Viveu, no século XIX, um homem muito famoso por seus milagres e profecias. Mesmo antes de morrer em odor de santidade, a fama de São João Bosco se espalhava por todos os lados. A uns, anunciava-lhes por quantos anos havia de viver; a outros, dizia-lhes a profissão que teriam no futuro; e, a muitos, adivinhava-lhes os pecados antes que os contassem no confessionário. Ao todo, Dom Bosco – como era chamado – realizou mais de oitocentos milagres.

Conta-se que um homem pobre, tendo ouvido falar das maravilhas que operava este humilde sacerdote, correu um dia à sua procura para perguntar-lhe algo muito importante: a fórmula para ganhar na loteria. O rapaz queria que o santo lhe dissesse que números deveria escolher na hora de comprar o bilhete.

São João Bosco pensou por um momento e logo lhe respondeu com plena segurança:

“Os ‘números mágicos’ para que você ganhe na loteria são estes: 10, 7 e 14. Jogue-os, em qualquer ordem, que você conseguirá.”

O homem se encheu de alegria e já ia sair correndo para comprar o bilhete, quando o santo, tomando-o pelo braço, disse-lhe sorridente: “Um momento, porque não lhe expliquei bem os números, nem lhe disse de que tipo de loteria eu estava falando. Veja, estes números significam o seguinte:

  • 10 quer dizer que você deve cumprir os Dez Mandamentos;
  • 7, que você deve receber com frequência os Sacramentos;
  • e 14, que você deve praticar as 14 obras de misericórdia, tanto as corporais como as espirituais.”

O santo concluiu: “Se você cumprir estas três coisas: observar os Mandamentos, receber bem os Sacramentos e praticar as obras de misericórdia, ganhará na melhor e mais extraordinária de todas as loterias, que é a glória eterna do Céu.”

O homem compreendeu e, ao invés de procurar a lotérica, foi ao asilo para oferecer uma esmola.

A esmola faz parte das 7 obras de misericórdia corporal, que são:

  1. Dar de comer a quem tem fome;
  2. Dar de beber a quem tem sede;
  3. Vestir os nus;
  4. Dar pousada aos peregrinos;
  5. Assistir aos enfermos;
  6. Visitar os presos;
  7. Enterrar os mortos.

Há ainda as obras de misericórdia espiritual, que são as seguintes:

  1. Dar bom conselho;
  2. Ensinar os ignorantes;
  3. Corrigir os que erram;
  4. Consolar os aflitos;
  5. Perdoar as injúrias;
  6. Sofrer com paciência as fraquezas do próximo;
  7. Rogar a Deus por vivos e defuntos.

Longe de ser uma invenção distante da realidade, a lista das obras de misericórdia constitui uma forma prática de viver o próprio mandamento do amor ao próximo, em atenção ao que Cristo ensinou e pediu que fizéssemos aos mais pequeninos dos nossos irmãos (cf. Mt 25, 40). Embora tenha sido negligenciada em alguns ambientes de catequese, essa relação continua sendo, junto com os Mandamentos e os Sacramentos, a escada segura para “ganhar na loteria” da vida eterna.

10, 7 e 14: invista todo o seu coração nestes números e você será verdadeiramente feliz aqui na terra e no Céu!

(Fonte)