Bodas de Caná – Lectio Divina

LECTIO DIVINA

II Domingo do Tempo comum – Ano C

17 de janeiro de 2016 

“Cantem uma nova canção a Deus, o Senhor.

Cantem ao Senhor todos os povos da terra”.Sl 96.1

PREPARAÇÃO ESPIRITUAL

 Vem a mim, Espírito Santo,

Espírito de sabedoria:

dá-me visão e audição interiores

para que não me apegue às coisas materiais,

mas busque sempre as realidades do Espírito.

Vem a mim, Espírito Santo,

Espírito de amor;

faze com que meu coração

seja sempre capaz de mais caridade.

Vem a mim, Espírito Santo,

Espírito de Verdade:

concede-me chegar ao conhecimento da verdade

em toda a sua plenitude.

Vem a mim, Espírito Santo,

água viva que leva à vida eterna:

concede-me a graça de chegar

a contemplar o rosto da misericórdia, Jesus Cristo,

na alegria e na vida sem fim.[1]

 

TEXTO BÍBLICO: João 2.1-11


Jesus vai a um casamento

1Dois dias depois, houve um casamento no povoado de Caná, na região da Galileia, e a mãe de Jesus estava ali. 2Jesus e os seus discípulos também tinham sido convidados para o casamento. 3Quando acabou o vinho, a mãe de Jesus lhe disse:

— O vinho acabou.

4Jesus respondeu:

— Não é preciso que a senhora diga o que eu devo fazer. Ainda não chegou a minha hora.

5Então ela disse aos empregados:

— Façam o que ele mandar.

6Ali perto estavam seis potes de pedra; em cada um cabiam entre oitenta e cento e vinte litros de água. Os judeus usavam a água que guardavam nesses potes nas suas cerimônias de purificação. 7Jesus disse aos empregados:

— Encham de água estes potes.

E eles os encheram até a boca. 8Em seguida Jesus mandou:

— Agora tirem um pouco da água destes potes e levem ao dirigente da festa.

E eles levaram. 9Então o dirigente da festa provou a água, e a água tinha virado vinho. Ele não sabia de onde tinha vindo aquele vinho, mas os empregados sabiam. Por isso ele chamou o noivo 10e disse:

— Todos costumam servir primeiro o vinho bom e, depois que os convidados já beberam muito, servem o vinho comum. Mas você guardou até agora o melhor vinho.

11Jesus fez esse seu primeiro milagre em Caná da Galileia. Assim ele revelou a sua natureza divina, e os seus discípulos creram nele.

1. LEITURA

Que diz o texto? 

Mest. Leonardo Mongui Casas[2]

 ü  Algumas perguntas para ajudar-te em uma leitura atenta…

 O que aconteceu em Caná da Galileia? Quem havia sido convidado? O que responde Jesus quando Maria lhe diz que o vinho acabou? Qual a orientação que Maria dá aos que estavam servindo? O que faz Jesus com a água dos potes? O que fez e o que disse o dirigente da festa?

Algumas pistas para compreender o texto:

Para entender a importância do evangelho que nos narra as bodas de Caná, é necessário imaginar-nos como convidados que assistem pela primeira vez a uma festa de casamento judaica na época de Jesus.

Em primeiro lugar, ainda que agora nos pareça bastante estranho, nas bodas da época era preciso estar preparado para uma celebração que durava uma semana, razão por que os preparativos implicavam grandes esforços. Outro elemento bem característico era que somente o homem podia participar dos atos públicos, como é o caso do matrimônio; portanto, a presença das mulheres, especialmente de familiares e amigas, como no caso de Maria, estava ligada ao serviço dos convidados. Isto nos ajuda a entender por que Maria estava ciente dos inconvenientes que apareceram.

O vinho era importante não somente pela alegria que representava (Eclesiastes 10.19), mas também porque fazia parte dos elementos essenciais da vida cotidiana do povo e representava a bênção de Deus sobre um lar (Gênesis 27.28). De modo que, se em uma celebração o vinho viesse a faltar, não seriam poucos os comentários dos convidados a respeito dos esposos, de seus pais, da preparação da festa e, talvez, do futuro deles, dado que isto seria visto como um erro desonroso, e não o melhor presságio do que aconteceria com o casal.

De igual modo, podemos considerar os elementos que tornaram possível o milagre: a água, que na tradição judaica tem estreita relação com a vida, e os potes de pedra, que eram usados para que as pessoas pudessem lavar-se as mãos e purificar-se antes de comer. Portanto, não era necessariamente a melhor água para o consumo. Por outro lado, podemos ressaltar que o vinho que resulta do milagre não é apenas o que se exigia para que a festa continuassem, mas que é “o melhor vinho” (v. 10). Os “sinais” de Jesus não são apenas atraentes, mas, como tudo o que provém de Deus, são extraordinários.

Agora concentremo-nos nas atitudes das duas personagens principais:

Maria: ela mostra-se aberta ao serviço – é sua característica natural; está sempre atenta às necessidades de todos (por exemplo, a visita à sua prima Isabel – Lucas 1.39-56). Nesta parte do evangelho, vemo-la atenta aos noivos, fazendo o que pode e discretamente convidando Jesus a colocar-se também a serviço destes novos esposos (“O vinho acabou” – João 2.3). Finalmente, podemos destacar a confiança de Maria, transmitida aos servidores, em relação ao poder do Mestre: “Façam o que ele mandar” (v. 5); neste caso, podemos afirmar que, graças à intercessão de Maria, realiza-se o milagre.

Jesus: chamam a atenção as expressões “senhora” [no grego,” mulher”] e “ainda não chegou a minha hora”, no v. 4. No texto grego, Jesus usa a palavra “mulher” novamente em Jo 19.26, termo que, biblicamente, de modo geral, nos recorda Eva, a primeira mulher. Por outro lado, a preocupação de Jesus com a “hora” está muito relacionada ao estilo do evangelista, que ressalta o momento da paixão e morte de Jesus. Por fim, vale a pena destacar a atitude de humildade do Senhor para fazer acolher a solicitude de sua mãe, Maria, e colocar-se a serviço desse novo lar. Jesus envolve outras pessoas nesta obra maravilhosa: ordena aos empregados que façam alguns preparativos e, em seguida, diz-lhes que o vinho deve ser provado pelo “dirigente da festa” (vv. 6-7).

2. MEDITAÇÃO

O que o Senhor me diz no texto?

O evangelho apresenta um relato no qual todos os detalhes poderiam servir para nossa meditação. Hoje, detenhamo-nos no fato de que uma festa tenha sido o momento em que Jesus realizou seu primeiro milagre e, além do mais, por intercessão de sua mãe. Em uma festa, não pode faltar nem o vinho, nem a felicidade. Maria convida-nos, com sua sensibilidade materna, a aproximar-nos das pessoas e perceber suas necessidades, a fim de que a festa da vida nunca termine. Por conseguinte, mesmo que estejamos em um momento de alegria, as preocupações sempre permanecem na profundidade de nossos corações. Peçamos a Maria que nos ensine a ter atitudes de misericórdia, proporcionando calma para nós mesmos e servindo as demais pessoas em suas precisões.

São João Paulo II propõe-nos a seguinte reflexão: “Por sorte, com aqueles esposos ‘estava a Mãe de Jesus’ e, consequentemente, ‘Jesus também foi convidado para as bodas’ (Cfr. Jo 2.1-2); e, a pedido da Mãe, Jesus transformou milagrosamente a água em vinho; o banquete pôde prosseguir alegremente, e o esposo recebeu os cumprimentos do chefe da mesa (Cfr. Jo 2.9-10), admirado com a qualidade do último vinho servido.

Eis como, caríssimos irmãos e irmãs, o banquete de Caná nos fala de um outro banquete: o da vida, a que todos desejamos sentar-nos para experimentar um pouco de alegria. O coração humano é feito para a alegria e não nos devemos maravilhar se todos propendemos para essa meta. Infelizmente a realidade, pelo contrário, submete tantas pessoas à experiência, às vezes martirizante, da dor: doenças, lutos, desgraças, taras hereditárias, solidão, torturas físicas, angústias morais – um leque de ‘casos humanos’ concretos, cada um deles com um nome, um rosto e uma história.

Estas pessoas, se estão animadas pela fé (…),sabem que em tais situações, como em Caná, ‘está a Mãe de Jesus’: e onde está Ela, não pode faltar seu Filho. E esta a certeza que nos move…[3]

Continuemos nossa meditação com estas perguntas:

Convido Jesus e Maria para a festa de minha vida? Que coisas me impedem de ver as necessidades dos outros? Rezo pedindo a Deus pelas necessidades de meu país, de meus vizinhos, de meus companheiros? Tenho a fé de Maria e apresento em oração ao Senhor as necessidades dos demais?

3. ORAÇÃO

O que respondo ao Senhor me fala no texto?

Quando a vida é uma triste festa de casamento,

onde se acaba o vinho: ali estás tu, Maria.

Para que tudo se converta em festa,

tu nos trazes teu filho: ali estás tu, Maria.

Maria,

tu nos ajudas a sentir tua alegria.

A força de Deus é o amor que te guia,

e agora queremos compartilhar.[4]

4. CONTEMPLAÇÃO

Como ponho em prática, me minha vida, os ensinamentos do texto?

Senhor, tu és o vinho que alegra nossa vida.

5. AÇÃO

Com que me comprometo para demonstrar mudança?

Em minha casa, observo algumas das necessidades ou preocupações dos que vivem comigo, e oro por elas.

 “O melhor dos vinhos está na esperança, está para vir para cada pessoa que se arrisca a amar”.

Papa Francisco

 


[1] Oración al Espíritu Santo, San Agustín

[2] É leigo, membro da Associação de Missionários da Juventude na Colômbia, especialista em Ciências Bíblicas e Mestre em Pastoral de Juventude. Trabalha como Diretor Associado da Equipe Bíblica no Instituto Fé e Vida. Faz parte da Equipe Lecionautas desde o ano 2012.

[3] João Paulo II, Festa da Aparição de Nossa Senhora de Lourdes – 11 de fevereiro de 1980 (https://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/homilies/1980/documents/hf_jp-ii_hom_19800211_apparizione-lourdes.html)

[4] Canciones y oraciones salesianas – Alicante, España

(Fonte: Católico Orante)

Uma prova do amor e da fidelidade de Deus

Incêndio destrói tudo, mas imagem do Sagrado Coração permanece intacta

Sagrado Coração de Jesus

Um incêndio noturno cujas causas ainda não foram encontradas destruiu um dos edifícios do convento das Irmãs da Santa Face de Jesus (HFJ) em Manila, Filipinas. Em meio do desastre, que não produziu mortes nem feridos entre as religiosas, sobressaiu um grande sobrevivente: o Sagrado Coração de Jesus, cuja imagem ficou enegrecida pelas chamas mas que providencialmente conservou intacta sua figura.

A edificação afetada correspondia ao Generalato das religiosas, o qual perdeu a totalidade de seu interior sob a ação do fogo, que começou por volta das duas da madrugada do dia 30 de junho e não pôde ser contido pelos bombeiros até as cinco da manhã. As religiosas perderam todos os objetos que continha o lugar, incluindo valiosos arquivos e recursos da fundadora da congregação, a Madre Mary Therese Vicente.

Ao inspecionar o lugar durante o dia, as religiosas encontraram a imagem do Sagrado Coração de Jesus, praticamente o único objeto preservado das chamas, e destacado pelo serviço informativo dos Bispos das Filipinas, CBCP News como fez particularmente notório e simbólico, dado o carisma das religiosas. “Dei meu Coração como prova sensível de meu grande amor pelos homens”, recorda a mensagem de Jesus Cristo à Beata Pierina de Micheli citado na página oficial da comunidade na Internet, “e lhe dou meu rosto como objeto sensível de minha dor pelos pecados da humanidade”.

incêndio

Apesar de o ocorrido ser considerado uma tragédia, a ausência de perdas humanas é destacável, da mesma forma que as chamas não terem passado para outras casas da congregação, em particular a residência das religiosas e a Capela.

A comunidade das Irmãs da Santa Face de Jesus foi fundada pela Madre Mary Therese Laxamana Vicente em 1986 e seu carisma é definido como “a contemplação da Santa Face de Jesus”. As religiosas promovem sua espiritualidade própria, levam a cabo atividades de formação para leigos, assistem paróquias e se dedicam à educação católica em duas escolas locais.

(Fonte)

Em exumação, coração de padre é encontrado intacto 7 anos após morte

Restos mortais, inclusive o coração, foram expostos durante missa neste domingo (Foto: Reprodução / TV TEM)Restos mortais, inclusive o coração, foram expostos durante missa no domingo (Foto: Reprodução / TV TEM)

A igreja São João Batista de José Bonifácio (SP) recebeu neste domingo (7) fiéis de toda a região noroeste paulista para o início oficial dos trabalhos diocesanos para o processo de beatificação e canonização do Monsenhor Ângelo Angioni.

Ele morreu há sete anos e, segundo a Igreja Católica, ao exumar o corpo nesta semana, postuladores de Roma perceberam que o coração estava intacto e não se deteriorou com o tempo. Peritos começam agora uma investigação para a possível beatificação dele.

Ângelo Angioni, tido como Santo pelos fiéis, nasceu na Itália em 1915. Foi ordenado padre aos 23 anos. Chegou ao Brasil em 1951 e foi direto para José Bonifácio onde atuou por quase 60 anos. Morreu em 2008 e foi enterrado na Igreja Matriz. O túmulo do Monsenhor recebe centenas de fiéis todos os anos.

Monsenhor Ângelo Angioni (Foto: Reprodução / TV TEM)
Padre Ângelo Angioni (Foto: Reprodução / TV TEM)

A missa foi celebrada pelo bispo Dom Tomé Ferreira da Silva. Os integrantes do Tribunal Eclesiástico que vai analisar os milagres atribuídos ao Monsenhor foram apresentados à comunidade. No fim da celebração, os restos mortais do religioso, inclusive o coração, foram apresentados aos fiéis.

Dois postuladores de Roma estão na cidade desde o dia 29 e o que mais chamou a atenção foi o coração intacto do religioso. O processo de decomposição do corpo humano começa de dentro para fora e em até dois meses, o coração se desfaz. Em dois anos, a maioria dos corpos enterrados está totalmente decomposta, restando apenas ossos, cabelos, dentes e unhas.

Para o postulador Paulo Vilotta, a preservação de qualquer parte do corpo pode ocorrer por vários motivos. “Isso é um fator natural, pode acontecer com qualquer um de nós. Mas é um estímulo para rezar, pedir graças e elevar o padre, uma figura venerada na região”, comentou Vilotta.

Para que Ângelo Angioni seja declarado beato é preciso que a igreja reconheça um milagre pela intercessão do Monsenhor e depois, para ser considerado Santo, mais um milagre precisa ser comprovado pelos peritos do Vaticano. Um processo longo que pode durar décadas, mas depende dos fiéis que vão pode ajudar contando histórias e apresentando cartas e documentos que falem sobre os possíveis milagres.

Coração se deteriora em dois meses; Padre morreu há 7 anos (Foto: Reprodução / TV TEM)