Somos todos da Imaculada

(Vandeia Ramos)

Logo no início do ano litúrgico temos a celebração da Imaculada Conceição de Maria, a concebida sem pecado original. Em frente a tantos desafios, podemos olhar para Nossa Senhora e vermos que Deus não desistiu de nós e de derramar suas graças. Que graça maior que a de recomeçar novamente a Criação?
Na Imaculada Conceição, podemos entender que o pecado, ainda que faça parte de nós, não é inerente. Só então pode o Cristo ser gerado, na pureza completa de uma mulher, da Mulher. Assim, a Imaculada nos chama também à pureza, ao recomeço, à santidade.
Assim temos as leituras da liturgia de hoje: a ação de Deus quer ser precedida da nossa aceitação, seja no “sim” de Maria, seja no “sim” de Zacarias. Também quer que preparemos o caminho, que sejamos preparados. Não podemos entrar numa turma, num cenáculo, num grupo de catequese e achar que o Espírito Santo vai agir em nós sem que consideremos sua ação anterior, em nossa preparação pessoal para a missão que nos é confiada. Entre o nascimento de João Batista e o de Jesus, tem a preparação de nove meses de seus pais.
Sabemos que a nossa preparação nunca estará completamente pronta, mas também sabemos que Deus só espera o nosso “sim” para começar a agir conosco e preparar o caminho para que nossos catecúmenos possam receber dignamente a Jesus.
Na gestação de João Batista podemos ver a esperança da Promessa que começa a ser cumprida. Um arauto é enviado para preparar o povo. Somos arautos que preparam Jesus Sacramento na Iniciação Cristã. Então, é o momento de tirarmos o cansaço do ano, o luto das perdas, as preocupações, e nos revestirmos da glória que o Advento nos traz. Já podemos anunciar que a Paz está chegando! A misericórdia vem vindo! A alegria de um Menino que nos é dado já começa a inundar os corações.
É o momento da comunhão. A exigência do Evangelho para sermos testemunhas é que seja anunciado a todos, e com nossas vidas. É a hora de perdoar, de olhar nos olhos, de suavizar a voz, de buscar o abraço. É a hora de rezar para que a graça de Deus aja em nossos corações. É o momento da Imaculada, que permite que a glória de Deus brilhe para todos através de si. Dirigindo nosso olhar para Maria, podemos ver a grandeza de Deus em sua pessoa, bem como a que nós somos chamados.
É o momento de cantar junto com Nossa Senhora que o Senhor faz maravilhas conosco, enchendo-nos da certeza de que Deus não nos abandonou e vem a nós em seu Filho. Que possamos, juntos com Maria, exultar de alegria no Senhor!

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O nosso “sim” no “sim” de Maria

(Vandeia Ramos)

Uma voz clama: “Preparai o caminho.” Começa o Advento, o período de espera em que Jesus vem ao nosso encontro. Colocamo-nos ao lado de Maria em expectativa. A atitude cristã de esperar não é passiva, mas de festa. Como Mãe, Nossa Senhora se preocupa com o que é necessário para o nascimento do seu filho. E nós, como estamos nos preparando e ajudando os nossos a se prepararem? É preciso estar com tudo pronto.
O evangelho de Lucas nos lembra que Ele não é bem vindo pelos que temem a justiça. Como uma criança inocente causa tanto desconforto? Aqui podemos pensar nos projetos pessoais e de grupos em defender acirradamente o controle de natalidade com métodos abortivos. Ainda hoje uma criança é uma ameaça à vida de tantos… Ainda hoje uma criança inspira medo em pessoas, famílias, instituições e projetos de vida e de governo.
Uma criança, sempre um presente de Deus, exige uma mudança de vida, o romper com o egoísmo, um sair de si e voltar-se para as necessidades de outra pessoa, a confiança em quem envia o presente, muitas vezes de modo heróico, como Nossa Senhora. Pensemos numa adolescente do meio do nada de Nazaré, recém-casada, sem pais, que o filho não é do marido, numa sociedade marcadamente patriarcal, legalista e de moralismo exigente.
Queremos muito de Deus, mas em que medida confiamos? Em que medida aceitamos o que Ele nos apresenta? Maria não responde o “sim” porque acredita em sua capacidade maternal ou em suas condições materiais. O “sim” de Maria é de quem acredita Naquele que lhe presenteia, que vai cuidar dela e de seu Filho, que vai garantir tudo o que for necessário. É neste “sim” que o nosso precisa ser vivido. É esta radicalidade que possibilita seu e o nosso ficar em pé perante Deus.
Sabemos de tudo que envolve nossa vida e dos nossos. Muitas vezes o que queremos está ao alcance do nosso “sim”, da nossa entrega, do dar o passo da fé sem se preocupar com as nossas condições e limitações. É na distância de uma perna que se encontra a realização do que Deus preparou para nós e o que quer realizar através de nós. A um passo, temos o cumprimento das promessas. Com um “sim”, o Espírito Santo paira sobre Maria e o Pai envia seu Filho. Com um “sim”, o Sol da Justiça brilha na humanidade, o futuro se torna presente, no qual nossos catecúmenos são inseridos na dinâmica da salvação.
Sabemos que nosso “sim” precisa ser constantemente renovado, seja no credo, seja na riqueza da liturgia, seja em cada encontro de catequese. Vamos aprendendo uns com os outros sobre o amor de Deus que se manifesta em nossa vida, superando nossas dificuldades e dando sentido a elas. Na comunidade, aprendemos e ensinamos a agradecer e a seguir, tendo a escuta constante da Palavra, bem como a participação na vida familiar do céu através dos sacramentos.
Não vamos sozinhos a Deus. Vamos juntos. Não anunciamos sozinhos a sua vinda, mas como Igreja, acompanhados por Nossa Senhora, no anúncio de quem entra em processo de abertura e preparação para a vinda do Salvador. É o encontro entre a vinda de Deus até nós e nossa elevação em oração.
Preparemo-nos com Maria para o Natal. Que seja vivido em família e em comunidade, como Igreja que aguarda a vinda de seu Salvador.

Festas Marianas e a maternidade espiritual

(Vandeia Ramos*)

Este fim de semana está sendo uma celebração à ternura. Começamos com Nossa Senhora Aparecida, lembrando a cada um de nós que ela sempre intercede pelo Brasil. Continua com Nossa Senhora de Fátima, apresentando o terço como o segredo para se chegar ao coração de Deus. E amanhã é o dia dos professores, os que nos acompanham ao longo de nossa vida, sendo referência em nosso crescimento e maturidade.
Entre a saúde e a beleza, podemos situar aqui a Sabedoria como expressão de Deus nestas festas. Entre Nossa Senhora, os professores e nós, catequistas, temos o anúncio com a própria vida de uma riqueza que não se compra, mas que se oferece gratuitamente aos demais: o Filho de Deus.
Palavra Encarnada do Pai, que nos faz um com Ele, oferece-nos a própria Mãe como refúgio dos que já perderam a esperança. Mãe é sempre referência de ternura, de amor que não desiste, mesmo quando tudo corrobora contra. Na maternidade espiritual de Maria, nós também vamos aprendendo a não desistir dos que Deus colocou sob nossa responsabilidade. E podemos mesmo dizer que os mais difíceis acabam tendo uma atenção especial, pois sabemos que são os que mais precisam.
O trabalho de catequese é como o do jovem rico que quer seguir a Jesus, mas precisa deixar tudo. Estamos aqui porque não estamos dormindo, nos divertindo, vendo televisão ou cuidando de nossas coisas pessoais. Todas elas válidas. Mas escolhemos algo melhor. Deixamos o resto para trás porque descobrimos que há uma pérola preciosa dentro de cada concha que nos chega.
Sabemos também que esta escolha exige que o deixar nossa vida para trás seja algo constante, em um “sim” cotidiano, principalmente quando as dificuldades aparecem. Seguir a Cristo é se colocar como portador de uma espada de dois gumes, muitas vezes ferindo pessoas que amamos no testemunho que damos. Entre olhar para nossa família e a que nos é apresentada pelo serviço de catequese, nem sempre a escolha é fácil, mas precisa ser sempre feita.
Jesus não tem pressa. Ele diz para que voltemos para casa e ordenemos nossa vida a partir do que Ele nos oferece. Nossos amores e nossa família são orientados para o Amor Maior e para a resposta que precisamos dar. Família e amigos passam a ser expressão do amor que temos por Deus. É aqui que a diferença se faz e encontramos a força necessária para seguir e passar pelas dificuldades. Sabemos que não estamos sozinhos. Seguimos com a Mãe que nos orienta neste caminhar.
Assim, podemos exultar de alegria no Senhor, pois Ele é conosco! Somos seus servos e seguimos ouvindo o que Ele nos disser (Jo 2, 5).
Que Jesus, através de sua Mãe, um pouquinho de sua ternura, para que possamos ser melhor educadores de seus filhos!

(*) Sou Vandeia Ramos, catequista desde meus 14 anos. Sou professora da rede municipal do Rio de Janeiro, desde alfabetização às aulas de Ensino Religioso e História. Sou formada em Pedagogia, História e em Teologia. Pós graduada em Alfabetização e em Administração Escolar, mestrado em Teologia. Atuo como formadora em diferentes movimentos e pastorais, sendo a responsável pelo Apostolado Mariano São João Paulo II (formação para a consagração pelo método de São Luís Maria Grignion de Montfort) e coordenadora arquidiocesana da Pastoral da Educação. Também atuo como produtora de conteúdo de aulas, revisora de livro didático e aulas on line para graduação em Teologia.

Pelo dia dos teus anos

(Dom Marcos Barbosa, OSB)

Salve, Rainha, nós te saudamos pelo dia dos teus anos, a ti, que és a única a fazê-lo eternamente, pois talvez nem passaste pela morte, ou logo a venceste, retirada do sepulcro pelos anjos impacientes. Nós filhos de Eva, que temos a certeza de morrer um dia, te saudamos e convocamos, a cada instante, para a hora, o momento de nossa morte. Queremos-te agora, mas também naquela hora decisiva. Tu, e mais ninguém em teu lugar. Porque só tu podes tudo. Poderás obter que o teu Filho prepare diretamente o nosso coração, se já os outros sacerdotes não lhe tiverem acesso, pela distância ou enevoado véu que nos envolva. Tu estarás presente. Tu és a mais presente, e não apenas a mais bendita entre as mulheres.

Já o anjo te achou presente. Tu respondeste: “ Eis a escrava , que a sua vontade se faça… E logo já estavas presente junto à velha Isabel, que ia precisar de ti como criada, como escrava, quando te saudava, ao chegares: “ Bendita é o fruto do teu ventre!” E, depois, já estavas de novo presente junto àquele que te tomara por esposa. Ele é que pensou em deixar-te. Seja porque duvidasse da tua fidelidade, como pretendem alguns, seja porque pressentisse o que em ti se passava e não ousasse permanecer à sombra de um Deus.

E tu estavas presente em Belém. E nem podia ser de outro modo. Pois eras tu que levavas em ti o que devia nascer entre as palhas. Podia faltar a estrela, faltassem os anjos, o boi, o burro, e até mesmo José – só tu não podias faltar, jardim eternamente fechado, fonte lacrada, jorrando no entanto a salvação do mundo. Tu estavas presente. E que presença a tua naquela noite em que não disseste palavra, como se as palavras te distraíssem da contemplação absoluta! Guardavas, como escreve São Lucas, todas as coisas no coração. Guardavas, guardavas tudo, como um cofre imenso, arca de duas alianças, que vai recolhendo rápidos tesouros. Guardaste os anjos, guardaste a manjedoura, guardaste os panos que o envolviam, guardaste os pastores, como alguém recolhe numa grande caixa, no dia dos Reis, o presépio de cada ano … Só por São Lucas sabemos a existência de tudo, e foi ele teu confidente.

Tu estavas sempre presente em Nazaré, com a mesa posta para teu marido e teu Filho. Eles é que nem sempre estavam. Aos doze anos o menino, já quase um mocinho, desapareceu por três dias: estaria cuidando dos negócios do Pai do céu, e tu nem compreendeste. Depois foi José que partiu para sempre, assistido por ti, pois era preciso que santificasses também a viuvez, como santificaras a orfandade, a virgindade, o matrimônio e a própria maternidade. Os outros é que te deixavam, não tu.

Em cada momento importante o Evangelho usa a teu respeito o verbo estar. “ Houve um casamento em Caná da Galileia, e a mãe de Jesus estava lá.” E, então já compreendias, antecipavas a hora do teu Filho , exigias o vinho, precursor das bodas de sangue. E, agora, ele sempre ausente, cercado, devorado pela multidão faminta de pães e de prodígios, talvez de amor. E nem protestas quando lhe vão dizer: “Tua mãe e teus irmãos estão aí…”, e ele responde: “Quem é minha mãe e meus irmãos! Todo aquele que cumpre a minha palavra”.

Mas houve um momento em que também O deixaste. Pois a tua presença O impediria de sofrer, no Horto, tudo o que era preciso para pagar os pecados do mundo, do primeiro ao ultimo. Tu, a sem pecado, serias um oásis, gota de mel no amargo cálice. Mas, depois que ele sofrera o máximo, o infinito, já estás também no calvário, Stabat Mater, Não Lhe faltaste, Santa Maria, Mãe de Deus, na hora de Sua morte. Não faltarás também na hora da nossa. Pois, na pessoa de João, nos deu a ti como filhos.

Não estavas, com as outras Marias, no sepulcro do Ressuscitado; pois, adivinhando a sua vontade, passaste a cuidar da sua Igreja: as Escrituras te apontam no Cenáculo, Rainha dos apóstolos. Estarás, daí por diante, com todos nós. Discreta, mas pronta a intervir ao menor apelo, ou mesmo antes, ou mesmo sem ele.

Salve, Rainha, salve, estrela do mar! Rainha das virgens, das esposas e das mães; e das donas-de-casa, em Nazaré; e dos viajantes, em Belém; e das festas, em Caná; e dos poetas ao compor o Magnificat; e das viúvas, ao assistir a morte de José; e das dores, ao pé da cruz; e dos anjos, que te saúdam e trazem recados. Rainha de todos, mas escrava nossa, servidora nossa. Sempre atenta, sempre solicita, sempre a nos preparar o mais belo presente, mesmo quando, como hoje , o aniversário é teu!

(Natividade de Nossa Senhora – dia 8 de setembro)

E Maria vem até nós

(Vandeia Ramos)

Hoje a Igreja do Brasil celebra a solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao céu. Da quarta-feira, dia 15 de agosto, passa para o primeiro domingo depois.
A importância de Maria é indicada pelo então cardeal Ratzinger e hoje nosso amado Papa Emérito Bento XVI, no texto O signo da Mulher, quando diz que é preciso fazer uma Teologia da Mulher, ou seja, ler a Sagrada Escritura a partir da presença de Maria de Gênesis ao Apocalipse. O primeiro casal homem e mulher, depois da queda, é substituído pela Mãe e Filho de Gn 3, 15. Da descendência da Mulher sai o Filho, que vem ao mundo para sermos mais do que perdoados em nossos pecados. Ele vem para fazer-nos filhos.
A todo patriarca do Antigo Testamento temos uma matriarca. As mulheres são figuras do que Maria vai nos apresentar quando chegar a plenitude dos tempos. É ela que, quando o céu se abre em Ap 11, 19, é nos apresentada por Deus como a Arca do Testamento. Rainha do céu e da terra, ela é vestida de sol e coroada com doze estrelas. Maria é Rainha porque é Mãe do Rei, como em 1Rs 2, 19. Ela não é o Sol. Sua fidelidade a Deus a faz brilhar com Sua glória. E traz uma coroa não de espinhos. O Filho tem algo especial para Sua Mãe: Rainha do Universo, a filha de Sião brilha com as 12 tribos de Israel, no Novo Povo, com os 12 apóstolos.
A que vence o Dragão pela sua humildade e obediência, é cuidada por Deus e elevada ao céu para que se complete a história da salvação. Sentada no lugar que lhe é preparado, aos pés de Maria podemos fazer o que nos é reservado: em nossas batalhas da vida, pisarmos na cabeça da serpente. Ajoelhados ao calcanhar de Nossa Senhora, armados com o terço, seguimos os passos de Jesus, na maternidade de Maria.
Logo depois que Jesus ressuscita, como bom Filho, eleva Sua Mãe amada para perto de Si.
É muito bonito o cuidado que Nossa Senhora tem conosco. Ela não caminha acima de nós, mas segue na frente, indicando-nos o Caminho do Céu. Ao longo da história, ela tem vindo inúmeras vezes à humanidade para nos lembrar: “Fazei o que Ele vos disser” (Jo 2, 5).
Ela não nos espera, acomodada no céu. Ela se apressa em vir ao nosso encontro, pois não quer deixar nenhum de nós de fora. Ela entra na nossa casa e nos saúda, a cada um de nós. E ensina-nos seu canto de louvor a Deus, para que possamos cantar juntos com ela, agora e por toda a eternidade:
A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada, porque o Todo Poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome é santo, e sua misericórdia se estende de geração em geração, a todos que o respeitam. Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração, derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. Encheu de bens os famintos e despediu os ricos de mãos vazias. Socorreu a Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre.” (Lc 1, 46-55)

Um momento com Nossa Senhora da Conceição Aparecida

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Mãe, hoje te chamamos de Aparecida, a Nossa Senhora que apareceu diante de nós. Calada, nos fizeste encontrar-te em meio ao murmúrio das águas. Do céu escutaste o clamor dos que de ti precisavam.
Buscavam peixes… Encontraram a Rainha. Buscavam a coragem… Encontraram a esperança. Buscavam trabalho… Encontraram a fé. E nada se perdeu, nem os peixes, nem a coragem, nem a fé… “Eis aí a tua Mãe”.Assim continuas a ser nossa Mãe, nossa protetora, nossa companheira nas pescarias da nossa vida. Tua cor lembra o amor sem fronteiras, sem preconceitos, sem medidas. Amor que leva à igualdade, que clama fraternidade, que propõe liberdade. Foste colhida e acolhida como uma peregrina que chega, uma estrangeira de águas distantes, mas escolhida e querida como Senhora da nossa casa, da nossa pátria, da nossa vida.
Acolhe agora, em teu Sagrado Coração as súplicas do teu povo brasileiro. Ave cheia de Graça espalha por este Brasil imenso a graça da tua coragem, a candura da tua fé. Enternece os corações endurecidos pela ganância, distorcidos pela mentira, embrutecidos pelo egoísmo; vê Mãe, que deles depende o alívio de tantas misérias e dores.
E porque és bendita entre todas as mulheres, te confiamos também nossos próprios filhos. Ajuda-nos a resgatar os que se perderam, a libertar os confusos, a curar os feridos e adoecidos pelas maldades do mundo. Acolhe e abraça nossas crianças que ora colocamos a teus pés. Ajuda-nos a ensinar-lhes o que de ti e de teu filho Jesus temos experimentado. A misericórdia que acolhe, a ternura que acalenta, o amor que perdoa, que vai ao encontro… Tem-nos faltado a serenidade que escuta, a espera paciente, a confiança no irmão, a sabedoria da escolha… Há tanto que lutar pelas coisas da vida, que esquecemos o valor da própria vida… Da nossa, da Tua e a do Teu filho, Jesus… “Fazei o que Ele vos disser”.
És a Senhora do Silêncio, pronta a ouvir, perceber e sentir como nós nos sentimos, como e onde estamos… Tão grande é teu amor, que sempre te aproximas preenchendo nosso espaço, ocupando nossos corações, iluminando nossos caminhos, ensinando-nos a viver.
Nossa Senhora da Conceição Aparecida, espalha teu suave perfume para renovar em nós a esperança de vermos socorridos e libertados os pequeninos, os humilhados, os famintos, os descalços, os injustiçados. Faz-nos caminhar com coragem e sabedoria pra fazer acontecer à vontade de teu Deus e Senhor aqui na terra para então merecermos o céu. Protege com teu manto este Brasil, este chão que nos acolhe nas tribulações da vida e no descanso da morte. E quando esta hora chegar, que sejamos dignos de Te chamar de Mãe, como Teu filho Jesus.
Amamos você doce Senhora, a nossa Senhora da Conceição Aparecida, que veio, apareceu pra ficar aqui, com todos os brasileiros, mas também acolhe, com o mesmo amor, todos aqueles que essa terra, tão brasileira, sabe abraçar. Amém

(Rosabel De Chiaro)