A Jesus, por Maria: a fraternidade do catequista

(Vandeia Ramos)

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Hoje a Igreja celebra a natividade de Nossa Senhora, o início da Salvação, Aquela que vem antes, a Mãe, que fará escolhas constantes em favor de Deus desde pequenina. A máxima “a salvação vem pela maternidade”, já indicada no proto-evangelho de Gn 3, 15, começa seu cumprimento. É como um raio que anuncia o nascer do Sol. Por Maria temos Jesus. Por 30 anos, o Filho viveu na casa de Maria, dez vezes mais do que sua vida pública. Isso nos diz muito.
Como Nossa Senhora se abandonou nas mãos da misericórdia de Deus, direcionando sua vida até o “sim” ao anjo Gabriel, a prontidão em seguir José até Belém e de lá até o Egito, o retorno e o reencontro com a família, o acompanhar a ida ao mundo de seu único Filho, sustentar a dor na cruz até a alegria da Ressurreição. Através de si e de sua compaixão, oferece Jesus por nós.
O “sim” de Maria não teve cálculo. Ela não se preocupou com o que poderia precisar, o que teria de abrir mão, o que passaria. Ela responde na confiança de quem a chama. É Nossa Senhora Educadora, que nos ensina a doar-nos inteiramente a Deus em seu Filho. A partir dela, podemos renunciar ao nosso tempo, às diversas necessidades que temos, ao tempo com a família, ao descanso… Para fazer uma opção fundamental de vida: responder ao Senhor, na confiança de que Ele providencia tudo o que nos é necessário.
Sendo Nossa Senhora a primeira discípula, temos um modelo a seguir retamente. Também somos chamados em nosso dia a dia em nosso cotidiano a seguir a Jesus, sem olhar para trás, sem deixar que nada nos faça hesitar.
Por mais que pudéssemos imaginar as consequências de nossa escolha, seja por Deus ou não, sabemos de nossa limitação para com a liberdade das pessoas, das consequências de cada ato nosso ou dos demais, das diversas coisas que podem acontecer. E podemos atribuir à nossa experiência de vida, das diversas vezes que imaginamos determinados acontecimentos e outros vieram sem que esperássemos. Perdemos tempo e ficamos ansiosos em vão.
Por outro lado, é com agradável alegria que somos constantemente surpreendidos quando deixamos que Deus cuide de tudo, sentindo-nos constantemente cuidados e confortados, com tanta atenção que Deus nos dispensa. E o faz através de diversas pessoas ao nosso redor, muitas das quais agem em nosso favor quando menos esperamos.
É um processo de fraternidade, de olhar para a mesma direção, de reconhecer no outro um irmão atento. O que também nos chama a nos sensibilizarmos com os nossos catecúmenos. Tantos vem destroçados com tantos dramas e precisam de um abraço, um olhar, uma atenção? Não é comum percebermos somente com um primeiro olhar? Assim vamos aprendendo a cuidarmos uns dos outros em Cristo.
Assim, podemos todos juntos, catequistas e catecúmenos, com tantos irmãos reunidos na Igreja com Maria e com Jesus, exultando de alegria, na certeza de que somos cuidados e conduzidos por Deus, nosso refúgio.

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Consagrados por Maria

(Vandeia Ramos)

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Logo após o anúncio do anjo, Maria dirige-se “apressadamente” para casa de sua prima Isabel. Ela é a Mãe que não espera nosso chamado, mas nos conhece e nossas necessidades. Maria é figura da Igreja. Através dela, podemos receber Jesus e aprendermos a “fazer tudo o que Ele disser”.
Isabel, cheia do Espírito Santo, identifica-a como “a Mãe do meu Senhor”. Ela acabou de ficar grávida e sua prima anuncia que será mãe não de um simples menino, mas do Senhor, ensinando-nos a vê-la como o primeiro Sacrário. Não há competição entre Mãe e Filho. Onde Maria está, Jesus também está.
É através de sua maternidade que nos chega o Salvador. Desde Gn 3, 15, Mãe e Filho fazem parte da mesma promessa, que vai perpassar toda a Sagrada Escritura, do Gênesis ao Apocalipse. Como disse São João Paulo II, na Encíclica Redemptoris Mater, é preciso que conheçamos Nossa Senhora a partir da Bíblia, considerando uma Teologia da Mulher. O então Cardeal Ratzinger, hoje nosso fofo Papa Emérito Bento XVI, a partir desta encíclica, escreveu um brilhante texto, “Sob signo da Mulher”.
Em Maria, toda a humanidade, de modo especial as mulheres, participam da vida da graça e podem cantar o Magnificat, glorificando a Deus pelas maravilhas que faz a nós, em nós, e em seu povo. Ela anuncia com todo o seu ser quem é Deus e a que missão chama o ser humano: a gestarem em conjunto uma nova filiação divina, de sermos filhos no Filho.
Da maternidade de Jesus, Nossa Senhora recebe aos pés da cruz de seu Filho a todos nós. Quando Jesus tinha dado tudo de si, deu-nos sua Mãe para sermos seus discípulos amados, irmãos, e a levarmos para casa. São Luís Maria Grignion de Montfort diz que todos os santos são gerados enquanto tais no ventre de Maria. As Igrejas mais antigas têm a cúpula em cima do altar na forma de um útero, identificando Nossa Senhora como Mãe da Igreja, Mãe dos filhos de Deus.
Ele é a Arca da Aliança, sinal de esperança, vestida da graça do Filho, o Sol. A luz, que reflete Jesus, está em quarto crescente e não consegue mais iluminar – é a Igreja desacreditada e perseguida, sem voz para proteger os seus. Quando tudo parece perdido, Nossa Senhora nos vem como sinal de que temos Advogada. E é no deserto que a Igreja se encontra protegida, no esvaziamento de tudo e na plena confiança de que estaremos sempre guardados.
Jesus, tendo ascendido ao céu, como quis ter uma Mãe na terra, também quis que a acompanhasse. Maternidade é para a eternidade. Santa Brígida nos conta que, em uma visão, viu Jesus dizer a Maria: “Mãe, nada me negaste na terra. É justo que nada te negue no céu”. O Perfeito Filho da Perfeita Mãe.
Depois de uma coroa de espinhos, Jesus eleva sua Mãe à mesma dignidade, a de Rainha do Céu e da Terra, seguindo o mandamento que nos deu de “honrar os pais”. Honrar que pode ser traduzido por glorificar. Então, um Filho não pode ser maior que a Mãe. Aqui não é uma questão de natureza, mas de graça. Enquanto Jesus é Rei por natureza, eleva sua Mãe pela graça ao céu, com uma coroa de doze estrelas.
A Assunção de Maria é uma figura de nossa própria ressurreição. Jesus foi primeiro e não poderia deixar sua Mãe com uma dignidade que não lhe fosse semelhante. Por Maria, a pessoa humana inteira encontra-se salva, em corpo e alma, carne e espírito. Tendo vencido a morte, Jesus eleva sua Mãe, participante desde o primeiro instante, da Encarnação à Paixão, da alegria à dor.
Por Maria, podemos entender o grau de amor que Deus tem por nós, confiando em passar nove meses em seu ventre, trinta anos em sua casa, três anos em idas e vindas. Na hora mais difícil, Jesus quis sua Mãe com Ele, aos pés da cruz. Como negar à ela a participação nas alegrias do céu?
Ela avança com seu exército em frente de batalha, com o cortejo de seus filhos, nós, para ser recebida pelo Rei e ser colocada à sua direita. Quem reconhece a grandeza de Maria, sabe o quanto Deus é grande. O que mais poderia querer o Filho além de que também a amemos e a levemos para casa?

Conheça a história de Nossa Senhora de Fátima

Em todo o Portugal e em todos os países do mundo, particularmente no Brasil, tem-se criado, no decorrer da história, fortes raízes à devoção a Nossa Senhora de Fátima. O início e características desta devoção muito de semelhante tem à de Nossa Senhora de Lourdes. Como em Lourdes, Nossa Senhora que se dignou comunicar à menina Bernadete de Soubirous, hoje santa canonizada pela Igreja, Maria Santíssima em Fátima apareceu, (no ano de 1917) por diversas vezes às três crianças: Lúcia de Jesus dos Santos e seus primos Francisco e Jacinta Marto. Entre Lúcia e a Aparição estabeleceu-se diálogo da duração de dez minutos. Jacinta via a Aparição e ouvia-lhe as palavras dirigidas a Lúcia; Francisco via apenas a Aparição, sem, porém, ouvir coisa alguma, apesar de se achar na mesma distância e possuir ótimo ouvido.
PRIMEIRA APARIÇÃO
Quando Nossa Senhora apareceu pela primeira vez em Fátima, no dia 13 de maio de 1917, Lúcia acabara de completar 10 anos; Francisco estava para completar 9; e Jacinta, a menor, tinha pouco mais de 7 anos.
A aparição era de uma donzela formosíssima, que parecia ter dezoito anos de idade, e vinha rodeada de claridade fulgurante, tanto que as crianças na primeira vez se assustaram e pensaram em fugir. A aparição, porém, de voz dulcíssima, as tranquilizou, e assim ficaram. O folheto publicado pelo Visconde de Montelo sobre as aparições diz o seguinte: “O vestido da Senhora era de uma alvura puríssima de neve, assim como o manto, orlado de ouro que lhe cobria a cabeça e a maior parte do corpo. O rosto, de uma riqueza de linhas irrepreensíveis e que tinha um não sei que de sobrenatural e divino, apresentava-se sereno e grave e como que toldado de uma leve sombra de tristeza. Das mãos, juntas à altura do peito, pendia-lhe rematado por uma cruz de ouro, um lindo rosário, cujas contas brancas brancas de arminho, pareciam pérolas. De todo o seu vulto, circundado de um esplendor mais brilhante que o sol, irradiavam feixes de luz, especialmente do rosto, de uma formosura impossível de descrever, incomparavelmente superior a qualquer beleza humana.
As crianças, surpreendidas, pararam bem perto da Senhora, dentro da luz que a envolvia. Nossa Senhora então deu início a seguinte conversação com Lúcia:
– Não tenhais medo. Eu não vos faço mal.
– De onde é Vossemecê?
– Sou do Céu.
– E que é que Vossemecê quer?
– Vim para vos pedir que venhais aqui seis meses seguidos, no dia 13, a esta mesma hora. Depois vos direi quem sou e o que quero. Depois, voltarei ainda aqui uma sétima vez.
– E eu vou para o Céu?
– Sim, vais.
– E a Jacinta?
– Também.
– E o Francisco?
– Também; mas tem que rezar muitos Terços. Lucia lembrou-se então de perguntar por duas jovens suas amigas que haviam falecido pouco tempo antes:
– A Maria das Neves já está no Céu?
– Sim, está.
– E a Amélia?
– Estará no Purgatório até o fim do mundo.
Nossa Senhora fez então um convite explícito aos pastorinhos:
– Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido, e de súplica pela conversão dos pecadores?
– Sim, queremos.
– Ides, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto.
Nossa Senhora ainda acrescentou: “Rezem o Terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra”. Depois, começou a Se elevar majestosamente pelos ares na direção do nascente, até que desapareceu.
A aparição convidou as criaturas a voltarem todos os meses no dia treze, durante seis meses no dia treze, durante seis meses consecutivos àquele local, popularmente conhecido pelo nome de Cova da Iria, situado a pouco mais de dois quilômetros da igreja paroquial de Fátima.
A princípio ninguém prestava crédito às afirmações das crianças, que eram apodadas de mentirosas por toda a gente, mesmo pelas pessoas de suas famílias. A 13 de junho (dia da 2ª aparição) umas 50 pessoas acompanharam os videntes, na esperança de presenciarem o que quer que fosse de extraordinário. Nos meses seguintes o concurso de curiosos e devotos aumentou consideravelmente, reunindo-se talvez 5.000 pessoas em julho, 18.000 em agosto e 30.000 em setembro, junto a azinheira sagrada.
No momento em que se verificava a aparição, inúmeros sinais misteriosos de que muitas pessoas fidedignas dão testemunho, se sucederam uns após outros na atmosfera e no firmamento.
A aparição recomendou insistentemente que todos fizessem penitência e rezassem o terço do Rosário. Comunicou às crianças um segredo, que não podiam revelar a ninguém, e prometeu-lhes o céu.
SEGUNDA APARIÇÃO
A 13 de junho, os videntes não estavam sós, mais 50 pessoas haviam comparecido ao local.
A pequena Jacinta não conseguira guardar o segredo que os três haviam combinado, e se espalhara a notícia da aparição.
Desta vez, foi Lúcia que principiou a falar:
– Vossemecê que me quer?
– Quero que venhais aqui no dia 13 do mês que vem, que rezeis o terço todos os dias, e que aprendais a ler. Depois direi o que quero.
Lúcia pediu a Nossa Senhora a cura de um doente.
– Se se converter, curar-se-á durante o ano.
– Queria pedir-lhe para nos levar para o Céu.
– Sim, a Jacinta e o Francisco, levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer Servir-se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. A quem a abraçar, prometo a salvação; e serão queridas de Deus estas almas, como flores postas por Mim a adornar o seu trono.
– Fico cá sozinha?
– Não, filha. E tu sofres muito? Não desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio, e o caminho que te conduzirá até Deus.
Nossa Senhora, como da primeira vez, elevou-se com majestosa serenidade e foi-se distanciando, rumo ao nascente.
TERCEIRA APARIÇÃO
A 13 de julho, mais de 2 mil pessoas haviam comparecido à Cova da Iria.
As pessoas presentes notaram uma nuvenzinha de cor acinzentada pairando sobre a azinheira; notaram também que o sol se ofuscou e um vento fresco soprou, aliviando o calor daquele auge de verão.
Novamente foi Lúcia que iniciou a conversação:
– Vossemecê que me quer?
– Quero que venham aqui no dia 13 do mês que vem, que continuem a rezar o Terço todos os dias, em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela lhes poderá valer.
– Queria pedir-lhe para nos dizer Quem é; para fazer um milagre com que todos acreditem que Vossemecê nos aparece.
– Continuem a vir aqui, todos os meses. Em outubro direi Quem sou, o que quero, e farei um milagre que todos hão de ver para acreditar.
Lucia fez então alguns pedidos de graças e curas. Nossa Senhora respondeu que deviam rezar o Terço para alcançarem as graças durante o ano. Depois, prosseguiu:
– Sacrificai-vos pelos pecadores, e dizei muitas vezes, em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: Ó Jesus, é por vosso amor, pela conversão dos pecadores, e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.
Deu-se então a visão do Inferno, descrita, anos depois, pela Irmã Lúcia. Esta visão constitui a primeira parte do Segredo de Fátima, revelada apenas em 1941, assim como a segunda parte a seguir:
Após a terrível visão do inferno, os três pastorinhos levantaram os olhos para Nossa Senhora, como que para pedir socorro, e Ela, com bondade e tristeza, prosseguiu:
– Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar. Mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior.
Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal de Deus vos dá, de que vai punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir, virei pedir consagração da Rússia ao meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem aos meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á, a Rússia se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz. Em Portugal, se conservará sempre o Dogma de Fé; etc…
(Aqui se insere a terceira parte do Segredo de Fátima, revelada pelo Papa em 13 de maio de 2000.)
– Isso não digais a ninguém. ao Francisco sim, podes dizê-lo.
Após uma pausa prosseguiram:
– Quando rezardes o terço, dizei depois de cada mistério: Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem.
– Vossemecê não me quer mais nada?
– Não. Hoje não te quero mais nada.
E como das outras vezes, começou a se elevar com majestade na direção do nascente, até desaparecer por completo.
QUARTA APARIÇÃO
Os três pastorinhos foram sequestrados, na manhã do dia 13 de agosto, pelo administrador de Ourém, a cuja jurisdição pertencia Fátima. Ele achava que os segredos de Nossa Senhora se referiam a um acontecimento político que abaria com a República, recém instalada em Portugal.
Como eles nada revelaram do segredo-mesmo tendo sido deixados sem comida, presos juntamente com criminosos comuns e sofrido forte pressão – o truculento administrador acabou por desistir do intento e devolveu os videntes a suas famílias. Mas com isso, eles tinham perdido a visita da Bela Senhora, que descera à cova de Iria, mas não os encontrara.
Dois dias depois, entretanto, a Virgem novamente lhes apareceu,em um local chamado Valinhos.
Como das outras vezes, seguiu-se o diálogo:
– Que é que Vossemecê me quer?
– Quero que continueis a ir à Cova da Iria no dia 13; que continueis a rezar o Terço todos os dias.
No último mês, farei o milagre para que todos acreditem.
– Que é que Vossemecê quer que se faça ao dinheiro que o povo deixa na Cova da Iria?
– Façam dois andores. Um, leva-o tu com a Jacinta e mais duas meninas, vestidas de branco; o outro, que leve o Francisco com mais três meninos. O dinheiro dos andores é para a festa de Nossa Senhora do Rosário; e o que sobrar é para a ajuda de uma capela, que hão de mandar fazer.
– Queria pedir-Lhe a cura de alguns doentes.
– Sim, alguns curarei durante o ano. Rezai, rezai muito; e o que fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o inferno, por não haver quem se sacrifique e peça por elas.
Em seguida, como de costume, começou a se elevar e desapareceu na direção do nascente.
Pediu que naquele local se erigisse uma capela em sua honra e declarou que no dia 13 de outubro havia de fazer um milagre para que todo o povo acreditasse que Ela realmente tinha ali aparecido. Em 13 de agosto, momentos antes da hora da aparição, as crianças foram ardilosamente raptadas pelo administrador do Conselho, que as reteve em sua casa durante dois dias, ameaçando-as de morte se não se desdissessem ou pelo menos não revelassem o segredo que a aparição lhes tinha confiado.
QUINTA APARIÇÃO
A 13 de setembro, já eram 15 ou 20 mil as pessoas presentes no local das aparições. A Virgem assim falou:
– Continuem a rezar o Terço, para alcançarem o fim da guerra. Em outubro virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo, São José com o Menino Jesus, para abençoarem o mundo. Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda. (que usavam cingida aos rins)
Trazei-a só durante o dia.
– Têm-me pedido para Lhe pedir muitas coisas: a cura de alguns doentes, de um surdo-mudo.
– Sim, alguns curarei. Outros, não, Em outubro farei o milagre para que todos acreditem.
Em seguida, começou a se elevar e desapareceu no firmamento.
SEXTA APARIÇÃO (Milagre do Sol)
A 13 de outubro, era imensa a multidão que acorrera á Cova da Iria: 50 a 70 mil pessoas. A maior parte chegara na véspera e ali passara a noite. Chovia torrencialmente e o solo se transformara num imenso lodaçal.
A multidão rezava o terço quando, à hora habitual, Nossa Senhora apareceu sobre a azinheira:
– Que é que Vossemecê me quer?
– Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra; que sou a Senhora do Rosário; que continuem sempre a sempre rezar o Terço todos os dias. A guerra vai acabar, e os militares voltarão em breve para suas casas.
– Eu tinha muitas coisas para lhe pedir: se curava uns doentes e se convertia uns pecadores, etc. …
– Uns sim, outros não. É preciso que se emendem; que peçam perdão dos seus pecados. Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido.
Nesse momento, abriu as mãos e fez com que elas se refletissem no Sol, e começou a Se elevar, desaparecendo no firmamento. Enquanto Se elevava, o reflexo de sua própria luz se projetava no Sol. Os pastorinhos então viram, ao lado do Sol, o Menino Jesus com São José e Nossa Senhora. São José e o Menino traçavam com a mão gestos em forma de cruz, parecendo abençoar o mundo.
Desaparecida esta visão, Lúcia viu Nosso Senhor a caminho do Calvário e Nossa Senhora das Dores. Ainda uma vez Nosso Senhor traçou com a mão um sinal da Cruz, abençoando a multidão.
Por fim aos olhos de Lúcia apareceu Nossa Senhora do Carmo com o Menino Jesus ao colo, com aspecto soberano e glorioso.
As três visões recordaram, assim, os Mistérios gasosos, os dolorosos e os gloriosos do Santo Rosário.
Enquanto se passavam essas cenas, a multidão espantada assistiu ao grande milagre prometido pela Virgem para que todos cressem.
No momento em que Ela se elevava da azinheira e rumava para o nascente, o Sol apareceu por entre as nuvens, como um grande disco prateado, brilhando com fulgor fora do comum, mas sem cegar a vista. E logo começou a girar rapidamente, de modo vertiginoso. Depois parou algum tempo e recomeçou a girar velozmente sobre si mesmo, à maneira de uma imensa bola de fogo. Seus bordos tornaram-se, a certa altura, avermelhados e o Astro-Rei espalhou pelo céu chamas de fogo num redemoinho espantoso. A luz dessas chamas se refletia nos rostos dos assistentes, nas árvores, nos objetos todos, os quais tomavam cores e tons muito diversos, esverdeados, azulados avermelhados, alaranjados etc.
Três vezes o Sol, girando loucamente diante dos olhos de todos, se precipitou em zigue-zague sobre a terra, para pavor da multidão que, aterrorizada, pedia a Deus perdão por seus pecados e misericórdia.
O fenômeno durou cerca de 10 minutos . Todos o viram, ninguém ousou pô-lo em duvida, nem mesmo livre-pensadores e agnósticos que ali haviam acorrido por curiosidade ou para zombar da credulidade popular.
Não se tratou, como mais tarde imaginaram pessoas sem fé, de um fenômeno de sugestão ou excitação coletiva, porque foi visto a até 40 km de distância, por muitas pessoas que estavam fora do local da aparições e portanto fora da área de influência de uma pretensa sugestão ou excitação.
Mais um pormenor espantoso notado por muitos: as roupas, que se encontravam encharcadas pela chuva no início do fenômeno, haviam secado prodigiosamente minutos depois.?
Toda imprensa, inclusive a de grande circulação se referiu, em termos respeitosos e com bastante desenvolvimento de Fátima. As apreciações destes fatos, mesmo no campo católico, não foram unânimes. As afirmações das crianças relativas ao próximo fim da grande guerra européia, contribuiram para essa divergência de opiniões. Mas apesar disso, de ano para ano, a devoção a Nossa Senhora do Rosário de Fátima aumenta e propaga-se por toda a parte. O concurso de peregrinos é enorme e verifica-se especialmente no dia 13 de cada mês, nos domingos, nos dias consagrados à Santíssima Virgem e, mais do que nunca, no dia 13 de maio e no dia 13 de outubro de cada ano.
A história e o tempo deixaram registradas ocorrências de inúmeras graças, curas prodigiosas e milagres atribuídos à intervenção de Nossa Senhora de Fátima.
Diante dos acontecimentos de Fátima, a Igreja deixou-se ficar na maior reserva e teve muita cautela, investigando e analisando o fatos por não curto espaço de tempo. O Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Antônio Mendes Belo (falecido em 04 de agosto de 1929, na idade de 87 anos), só em 26 de junho de 1927, isto é, 10 anos depois das aparições, foi a Fátima, onde benzeu a via sacra colocada junto a estrada de Leiria a Fátima, muito depois de outros bispos e prelados terem visitado Fátima, por exemplo, o Arcebispo de Évora, o Primaz D. Manoel Vieira de Maos, o Núncio Apostólico de Lisboa e o Bispo de Funchal. Em 1931 o Episcopado Português fez a solene consagração do país a Nossa Senhora do Rosário de Fátima.
Lúcia, viveu até os 97 anos de idade, e morreu santamente no dia 13/02/2005 no mosteiro Carmelita de Coimbra, onde estava reclusa desde 1948.

(FONTE)

Maria ♡

Há um estilo mariano na atividade evangelizadora da Igreja. Porque sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afeto.
N’Ela, vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes, que não precisam maltratar os outros para se sentir importantes.
Fixando-A, descobrimos que aquela que louvava a Deus porque “derrubou os poderosos de seus tronos” e “aos ricos despediu de mãos vazias” (Lc 1, 52.53) é mesma que assegura o aconchego dum lar à nossa busca de justiça. E é a mesma também que conserva cuidadosamente “todas estas coisas ponderando-as no seu coração” (Lc 2, 19).
Maria sabe reconhecer os vestígios do Espírito de Deus tanto nos grandes acontecimentos como naqueles que parecem imperceptíveis. É contemplativa do mistério de Deus no mundo, na história e na vida diária de cada um e de todos.
É a mulher orante e trabalhadora em Nazaré, mas é também nossa Senhora da prontidão, a que sai “à pressa” (Lc 1, 39) da sua povoação para ir ajudar os outros.
Esta dinâmica de justiça e ternura, de contemplação e de caminho para os outros faz d’Ela um modelo eclesial para a evangelização.
Pedimos-Lhe que nos ajude, com a sua oração materna, para que a Igreja se torne uma casa para muitos, uma mãe para todos os povos, e torne possível o nascimento dum mundo novo.
É o Ressuscitado que nos diz, com uma força que nos enche de imensa confiança e firmíssima esperança: “Eu renovo todas as coisas” (Ap 21, 5).
Com Maria, avançamos confiantes para esta promessa, e dizemos-Lhe:

Virgem e Mãe Maria,
Vós que, movida pelo Espírito,
acolhestes o Verbo da vida
na profundidade da vossa fé humilde,
totalmente entregue ao Eterno,
ajudai-nos a dizer o nosso “sim”
perante a urgência, mais imperiosa do que nunca,
de fazer ressoar a Boa Nova de Jesus.

Vós, cheia da presença de Cristo,
levastes a alegria a João o Batista,
fazendo-o exultar no seio de sua mãe.
Vós, estremecendo de alegria,
cantastes as maravilhas do Senhor.
Vós, que permanecestes firme diante da Cruz
com uma fé inabalável,
e recebestes a jubilosa consolação da ressurreição,
reunistes os discípulos à espera do Espírito
para que nascesse
a Igreja evangelizadora.

Alcançai-nos agora um novo ardor de ressuscitados
para levar a todos o Evangelho da vida
que vence a morte.
Dai-nos a santa ousadia de buscar novos caminhos
para que chegue a todos
o dom da beleza que não se apaga.

Vós, Virgem da escuta e da contemplação,
Mãe do amor, esposa das núpcias eternas
intercedei pela Igreja, da qual sois o ícone puríssimo,
para que ela nunca se feche nem se detenha
na sua paixão por instaurar o Reino.

Estrela da nova evangelização,
ajudai-nos a refulgir com o testemunho da comunhão,
do serviço, da fé ardente e generosa,
da justiça e do amor aos pobres,
para que a alegria do Evangelho
chegue até aos confins da terra
e nenhuma periferia fique privada da sua luz.

Mãe do Evangelho vivente,
manancial de alegria para os pequeninos,
rogai por nós.
Amém . Aleluia!

Fonte: Evangelii Gaudium(Primeira Exortação Apostólica do Papa Francisco)

O segredo de Maria

(Por Luzia Santiago)

“Maria, a Mãe da sabedoria, nos ensina o seu segredo.

Trabalhe e reze. Fique em silêncio, reze, ame e reze. Escute e reze.
Não discuta, não queira ter razão: cale-se.
Não julgue, não condene: ame.
Não olhe, não queira saber: abandone-se.
Não arrazoe, não entre na profundidade dos problemas: creia.
Não se agite, não procure fazer: reze.
Não se inquiete, não se preocupe: tenha fé.
Quando você fala, Deus se cala e você diz coisas equivocadas.
Quando discute, Deus é esquecido e você peca.
Quando você argumenta, Deus é humilhado e você pensa em coisas vãs.
Quando você se apura, Deus é distanciado e você tropeça e cai.
Quando você se agita, Deus é lançado fora e você fica na escuridão.
Quando você julga o irmão, Deus é crucificado e você se julga a si mesmo.
Quando você condena o irmão, Deus morre e você se condena a si mesmo.
Quando desobedece, Deus fica distante e você morre.

É o segredo de Maria, no dia a dia, no corre-corre, no cotidiano, nas várias situações, nós vamos seguir Maria.

“Eis que Eu venho”

(Vandeia Ramos)

Antevéspera de Natal e a expectativa já está no ar. A Igreja e as casas arrumadas, as famílias finalizando as preparações, o sentimento da ausência de alguns doendo mais forte… Depois de um ano tão intenso, começamos o ano litúrgico com a espera Daquele que vem para fazer tudo novo.
Na profecia de Miqueias podemos ter bem claro como Deus se utiliza das ações humanas que, mesmo com fim em si mesmas, são renovadas para que a Glória se manifeste. Mesmo com o censo obrigando José a ir até Belém fazer o recadastramento, o profeta já tinha anunciado que ali nasceria o Salvador. Aqui identificamos com facilidade Quem é que comanda a história e intervém na hora certa em nosso favor. Também é no nosso dia a dia.
A abertura dos corações de José e Maria nesta confiança faz com que não se prendam nas dificuldades, no atravessar Israel, Samaria e parte da Judeia, com uma gravidez chegando ao fim, para irem até Belém. Eles sabem que Deus cuida de nós. Não ficam presos no mimimi, na reclamação do calor, da areia do deserto, no autoritarismo de Herodes, nas condições insalubres de vida. Eles simplesmente seguem fazendo o que precisa ser feito. A preocupação está centrada no Filho que está chegando. Fazem o que lhes cabe e seguem o caminho.
É nesta confiança que nove meses antes Maria atravessou o mesmo caminho para ir até a casa de Isabel, logo no início de sua gravidez. Ela não chamou as amigas para celebrar a notícia, não marcou evento no Facebook, não começou a organizar o chá de bebê, não colocou anúncio no jornal nem mesmo foi a José. Ela foi ao encontro de quem precisava, como faz conosco hoje. E temos um dos trechos mais belos e ternos no Evangelho, da “Mãe do meu Senhor” que nos visita, sem merecermos.
No início da gravidez, Isabel, cheia do Espírito Santo, sem ultrassonografia, diz que sua prima está grávida, que é um Menino, e que este Menino é o seu Senhor. Aqui temos a centralidade da Encarnação na defesa da Vida, desde o início da gestação. Temos aqui a confiança de Maria, “que acreditou” e acredita quando somos fracos para não acreditarmos, sustentando nossa fé. Nesta confiança leva Jesus até Isabel e a presença da Mulher e sua descendência (Gn 3, 15) santifica João Batista no ventre de sua mãe. Pela “dobradinha” Mãe e Filho, o antigo se faz novo, a alegria inicia pelo cumprimento da Promessa do Senhor.
Hoje, nossa face já mostra os sinais de nossa salvação. Que possamos abrir as portas de nossas casas e de nossos corações para acolhermos a Família de Nazaré que está chegando. E que nossa família seja um pouco de Jesus, Maria e José. Um Feliz Natal para todos!