A importância dos sacramentos da “Iniciação Cristã” na Igreja

A Assembleia Geral da CNBB, ocorrendo entre os dias 26 de abril e 04 de maio, está debatendo a importância da Iniciação à vida Cristã na Igreja e, consequentemente, também os sacramentos do Batismo, da Confirmação (ou Crisma) e da Eucaristia. Não se pretende, evidentemente, esgotar o amplo assunto, que tem um texto base para ser debatido e posteriormente votado para um futuro documento de nossa conferência episcopal sobre tão importante questão.

A iniciação à vida cristã tem um dinamismo próprio, que nos vem da antiga tradição da Igreja e que tanto necessitamos hoje. A nossa Arquidiocese tem um trabalho já há um bom tempo sendo construído e aprofundado.

No passado tínhamos a preparação para os Sacramentos, agora a ênfase é a vida cristã, porém sempre é importante, nestes momentos de definição, aprofundarmos um pouco sobre os Sacramentos ligados à Iniciação Cristã.

É bom recordar a importante definição teológico-linguística do termo Sacramento de acordo com a explanação feita pela Igreja: “A palavra grega mysterion foi traduzida, no latim, por dois termos: mysterium e sacramentum. Na segunda interpretação, o termo sacramentum exprime prevalentemente o sinal visível da realidade oculta da salvação, indicada pelo termo mysterium. Neste sentido, o próprio Cristo é o mistério da salvação: ‘Nem há outro mistério senão Cristo’ (Santo Agostinho. Epistulale 187, 11,34: Patrologia Latina 33,845). A obra salvífica da sua humanidade santa e santificadora é o sacramento da salvação, que se manifesta e atua nos sacramentos da Igreja (que as Igrejas do Oriente chamam também ‘os santos mistérios’). Os sete sacramentos são os sinais e os instrumentos pelos quais o Espírito Santo derrama a graça de Cristo, que é a Cabeça, na Igreja, que é o seu Corpo. A Igreja possui, pois, e comunica a graça invisível que significa: e é neste sentido analógico que é chamada ‘sacramento’”. (Catecismo da Igreja Católica, n. 774)

Como se vê, podemos formular a seguinte interpretação do conteúdo sacramental na vida eclesial: ele é um sinal (semeion, em grego) eficiente que realiza aquilo que significa ou assinala. Desse modo, teríamos uma importante definição: a santíssima Humanidade de Cristo é o sinal eficiente ou transmissor da graça divina; a Igreja, Seu Corpo Místico prolongado na História (cf. Cl 1,24) também o é. Ora, a Liturgia dessa mesma Igreja continua essa função com seus ritos sagrados, oferecendo aos fiéis sete canais da graça divina a nos levar à vida eterna, à qual todos somos chamados, dado sermos filhos no Filho (cf. Gl 4,5). Eis, porque podemos fazer um esquema de quanto foi dito: Vida Eterna → Jesus Cristo → Igreja → Sete Sacramentos → Graça Santificante → Cristão.

Importa, aliás, a propósito da eficácia – e não do mero simbolismo – sacramental, recordar Tertuliano (falecido em 220 aproximadamente), ao escrever sobre o Batismo e a Eucaristia, em vista da ressurreição do corpo e da alma no último dia (cf. Jo 6,40), que “A carne é o eixo da salvação… Lava-se o corpo a fim de que a alma seja purificada; unge-se o corpo a fim de que a alma seja consagrada… O corpo é nutrido pelo Corpo e Sangue de Cristo, a fim de que a alma se alimente de Deus… Não podem, pois, ser separados na recompensa, já que estão unidos nas obras de salvação”. (Sobre a Ressurreição da Carne 8, Patrologia Latina 2,852)

Santo Agostinho de Hipona († 430) também ensinava: “O que vedes, caríssimos, na mesa do Senhor, é pão e vinho; mas esse pão e esse vinho, acrescentando-se-lhes a palavra, tornam-se corpo e sangue de Cristo… Tira a palavra, e tens pão e vinho; acrescenta a palavra, e já tens outra coisa. E essa outra coisa o que é? Corpo e Sangue de Cristo. Tira a palavra, e tens pão e vinho; acrescenta a palavra, e tens um sacramento. A isso tudo vós dizeis: ‘Amem’. Dizer ‘Amem’ é subscrever. ‘Amem’ em latim significa: ‘É verdade’”. (Sermão 6,3)

Os sacramentos não representam apenas, mas efetuam ou realizam aquilo que significam, uma vez que a Palavra de Deus é viva e eficaz, de modo que, no plano salvífico, a palavra proclama o feito divino e o feito confirma essa palavra. Daí se poder afirmar que temos a Palavra → Feito e, em contrapartida complementadora, o Feito → Palavra. Daí se entender que o contato do cristão com Cristo, o Mestre, não se dá como em uma escola de Filosofia da Antiguidade ou de qualquer outra época, de modo apenas psicológico ou afetivo. Ao contrário, é uma união ontológica (do ser): o cristão é tocado, diretamente, por Cristo por meio dos sete sacramentos da Igreja, transmissores da graça divina a cada homem e mulher de todos os tempos e lugares.

Isso é o que nos ensina a propósito da relação Palavra e Feito, o Concílio Vaticano II: “Esta ‘economia’ da revelação realiza-se por meio de ações e palavras intimamente relacionadas entre si, de tal maneira que as obras, realizadas por Deus na história da salvação, manifestam e confirmam a doutrina e as realidades significadas pelas palavras; e as palavras, por sua vez, declaram as obras e esclarecem o mistério nelas contido. Porém, a verdade profunda tanto a respeito de Deus como a respeito da salvação dos homens, manifesta-se-nos, por esta revelação, em Cristo, que é, simultaneamente, o mediador e a plenitude de toda a revelação”. (Constituição Dei Verbum, n. 2)

Isso posto, convém que digamos uma palavra a propósito da ação dos Sacramentos na Igreja. Ela ensina que todo sacramento age ex opere operato, ou seja, por efeito próprio ou do rito em si, de modo que independe da santidade do ministro humano aplicador do rito. Em outras palavras, cada um dos sete sacramentos age por força própria, porque é Cristo, o ministro principal, a agir garantindo a autenticidade do rito, desde que nesse rito sejam utilizadas a matéria e a forma própria (na Eucaristia, a matéria é o pão e o vinho e a forma a repetição das palavras do Senhor na última Ceia).

Por aí vemos que Cristo age nos sacramentos não obstante a indignidade, maior ou menor, do ministro que O representa. O pecado ou a infidelidade do ministro não afetam a validade do sacramento. Por exemplo, um sacerdote pouco digno que celebre a Eucaristia, sendo validamente ordenado, aplicando a matéria e a forma apropriadas e tendo a intenção de fazer o que fez o Senhor Jesus, celebra de modo válido para o bem do Povo de Deus. Certo é que se espera do ministro ordenado que aja como tal e não à moda de um mero funcionário do sagrado e sem fé. Deve ele ter os mesmos sentimentos de Cristo (cf. Fl 2,5). Todavia, esse aspecto pessoal do ministro não invalida o sacramento, conforme já apontava São Tomás de Aquino na Suma Teológica III, q. 6, at. 4.

Com os sacramentos – que não dependem de forças tão somente humanas, mas da ação divina – não há dispensa do receptor de ter boas disposições a fim de que a graça recebida dê frutos. Quem recebe um sacramento em estado objetivo de pecado, além de não alcançar a graça daquele sacramento, ainda comete mais um pecado, o do sacrilégio, como lembra o Apóstolo Paulo no que concerne à Eucaristia (cf. 1Cor 11,29).

Isso porque, apesar da ação divina objetiva no sacramento, Deus respeita a liberdade de cada fiel, de modo que Santo Agostinho de Hipona podia afirmar: “Aquele que te criou sem ti, não te salva sem ti”. Quem se fecha à graça comete o pecado contra o Espírito Santo, pecado impossibilitador da salvação eterna (cf. Mt 12,31-32). É o caso em que Deus tudo faz pelo ser humano, mas este O responde com desdém, desperdiçando a graça oferecida e, por conseguinte, afastando-se d’Ele.

Diante desse quadro é que importa, e muito, a reflexão sobre a iniciação à vida cristã, que sejamos ajudados pela compreensão dos três sacramentos – canais da graça divina: o Batismo, a Crisma e a Eucaristia.

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

(Fonte)

Encontro ou aula?


O catequizando é um ser humano, uma pessoa que precisa ser assistida, amada, orientada e educada na fé.
A pedagogia escolar, nas antigas estruturas pedagógicas, trata o ser humano como aluno. O professor passa suas ideias, suas teorias bem formuladas e bem elaboradas para seus alunos.
A educação à fé ou catequese não é arte de passar ideias, mas a arte de apresentar o projeto de Deus na vida do catequizando, deixando-o se entusiasmar por Ele para viver esse projeto. O catequista deve ajudar a pessoa a descobrir o apelo do Espírito Santo à conversão e ao compromisso cristão.
O catequista, para acolher alguém como “catequizando” e não como “aluno”, deverá beber na pedagogia de Jesus Cristo.

CARACTERÍSTICAS DA PEDAGOGIA DE JESUS:
1- Ele conhecia a realidade de seus catequizandos, os seus discípulos; conhecia os seus trabalhos, suas tradições, sua fé.
2- Jesus era sensível a realidade. Ele falava do Reino a partir da realidade das pessoas; conhecia as suas preocupações, suas lutas e suas alegrias.
3- Jesus acolhia as pessoas. Estava sempre com o povo, principalmente com os pobres, com as crianças e com os pecadores. Visitava as pessoas, dando a todos atenção e apoio (Jo 11,35) e acabou entregando a sua vida pelos amigos (Jo 14,18; 15,13).

A partir desta pedagogia de Jesus o catequista deve:
· Procurar conhecer o catequizando como pessoa, como ser humano com quem se relacionará por um certo período de tempo;
· Respeitar suas características pessoais que se manifestam nas diferentes faixas etárias;
· Proporcionar um ambiente comunitário para ajudar os catequizandos nas suas necessidades e aspirações;
· Superar a tentação de fazer de um encontro catequético um doutrinamento meramente receptivo, passivo;
· Fazer com que o catequizando parta da sua experiência, desenvolva seus valores e seja o protagonista da sua educação à fé.

CATEQUESE GRUPAL X ESCOLA
Durante muito tempo, os encontros de catequese foram vividos como se fossem aulas de catecismo. Obedeciam a um ritmo de escola e não de evangelização.
Na aula, o professor expõe um conteúdo que deve ser assimilado pelos alunos, com a possibilidade de questionamentos, ou não. Mas nem sempre há conversa entre o professor e aluno.
E nós catequistas, fazemos perguntas ao catequizandos para ouvir a sua opinião ou para induzí-lo a dar a resposta que queremos? Se perguntamos desejando uma resposta conveniente à transmissão do tema, o encontro se torna uma simples aula ou palestra.
No encontro, que sempre é catequese grupal, as pessoas se encontram para troca de saberes. Não é só um que aprende ou que ensina.
Acontece uma verdadeira revolução na catequese quando a relação “professor-aluno” é substituída por um diálogo autêntico entre catequista e catequizando.

Vejamos quais são as maiores diferenças entre uma escola = “aula de catecismo” e uma catequese grupal = “encontro catequético”.

AULA DE CATECISMO:
* transmissão integral do conteúdo do livro de catecismo;
* fidelidade total ao conteúdo e às palavras do texto;
* o catequista é transmissor (professor) – é o centro das atenções;
* o catequizando é receptor (aluno), só ouve e assimila o conteúdo;
* a comunicação se dá em perguntas (do catequista) e respostas (do catequizando);
* o aprofundamento das relações não é prioridade;
* há relações secundárias entre os catequizandos e, às vezes, até com o catequista;
* formação de grupinhos e amizades até atrapalha o esquema de “aula”, pois pode favorecer conversas paralelas e desviar o interesse do tema.

ENCONTRO DE CATEQUESE:
* promove a vivência do amor fraterno no grupo;
* ilumina a vida do catequizando com a fé;
* fidelidade ao catequizando e sua realidade humana, como também à Jesus Cristo e à Igreja;
* o catequista é o animador do grupo, coordena o uso da palavra e estimula a participação de todos, e não é o centro das atenções;
* o catequizando participa ativamente e se compromete com a caminhada do grupo;
* a comunicação acontece em forma de diálogo, em que catequista e catequizando se revezam nos papéis de tranmissor e receptor;
* as relações humanas são as prioridades do grupo;
* há relações primárias – formação de amizades sempre mais profundas, entre os catequizandos e o catequista;
* há o respeito ao outro, numa dinâmica participativa e de corresponsabilidade.

Fonte: Folhetos Ecoando 25 e 28 – Formação Interativa de Catequistas – Editora Paulus

Querigma

Querigma X Catequese

Este dois aspectos são interdependentes mas são diferentes. Ambas as formas constituem a evangelização profética. Não podemos ficar somente com a evangelização querigmática, nem dividir e só ficar com a catequese.

Não podemos dividí-las, nem separá-las, uma pressupõe a outra, não podemos dar uma só coisa.

A proclamação querigmática nos leva à catequese como conseqüência, e esta não pode ser dada em antes assentar a base da proclamação querigmática primeiramente.

A proclamação querigmática é o primeiro anúncio de Jesus, é a primeira mensagem; a Boa Nova de Jesus. O querigma é o forte badalo do sino e, o ressoar que vem depois é a catequese.

A catequese é o ensino progressivo da fé. Deverá ser um ensino constante, seguindo uma seqüência progressiva.

Querigma – primeiro anúncio da Boa Nova

Catequese – ensino sistemático da fé.

– Pelo querigma eu levo o evangelizado a nascer para a fé (Nicodemos)

– Pela catequese eu levo o evangelizado a crescer na fé.

Heart for you

AS OITO METAS DO QUERIGMA

1° Experiência do amor de Deus:

O Evangelizador deverá ter uma experiência do amor de Deus. Mais do que falar sobre a manifestação do amor de Deus ao povo de Israel ou ao homem através de Jesus, tenho que levá-lo a ter uma experiência do amor de Deus.

Nós, os pregadores corremos um perigo – gostamos muito de falar e esse é um dos defeitos maiores do pregador.

Geralmente o pregador gosta muito de falar do amor de Deus, isto é muito bom porque através da palavra, da palestra, da comunicação, estamos apresentando Jesus vivo que experimentei e experimento, mas se eu, como pregador, não levo você que está me escutando a ter sua própria experiência do amor de Deus, não estarei cumprindo minha meta e não estará completa a proclamação querigmática. Mais que falar do amor de Deus é levar o evangelizado a ter uma experiência, que se sinta amado e que o viva e o experimente.

2° Consciência do pecado perante Deus

É muito importante que o evangelizado reconheça-se pecador. Se a pessoa não se sente enferma, se não sente nenhuma dor, se está muito bem, para que lhe serve um médico?

A pessoa necessita conscientizar-se que está enferma e que precisa de ajuda.

Muito mais importante é levar o evangelizado a sentir a necessidade de Deus do que lhe falar do pecado, que ele se conheça pecador, reconheça-se necessitado.

3° Encontro pessoal com Jesus

Muito mais que falar de Jesus, mais que explicar como foi e em que consistiu a morte de Jesus, mais que comprovar que Jesus ressuscitou, mais do que oferecer provas de que Jesus está vivo, mais do que explicar teologicamente nossa salvação por Jesus e em Jesus, o evangelizador deve levar o evangelizado a ter um encontro pessoal com Jesus.

Assim aconteceu com Tomé. Os Apóstolos falaram que Jesus esteve com eles, que havia ressuscitado, mas Tomé não acreditou. E tudo que eles disseram não convenceu a Tomé de que Jesus esteve com eles, mas quando Tomé encontrou-se com Jesus e pode tocá-Lo, apalpá-Lo, quando ele experimentou, ele se convenceu

4° Ato de fé

Levar o evangelizado a dar um passo de fé, um ato de que crê em Jesus, um ato que o leve a depender, de buscar, de confiar somente em Deus.

Levá-lo a um momento de conversão, a um desejo profundo de mudança, a um desejo de trocar sua vida pela vida de Jesus.

5° Aceitar Jesus

Eis que eu estou à porta e bato. Se alguém escuta minha voz e me abre eu entrarei e cearei com ele” (Ap 3, 20).

A porta do nosso coração não tem fechadura por fora, o nosso coração abre-se por dentro. Uma das metas então, é levar o evangelizado a proclamar não somente com a boca, mas com o coração.

6° Pedir e receber o Espírito Santo

Pedir uma unção do Espírito Santo no momento em que está evangelizando, lembrar que esse é o momento em que Deus sela com o Espírito Santo, manifestando seu amor, comprovando com a presença do Espírito Santo.

7° Integra-se à comunidade cristã

Se ao evangelizá-lo não o levo à comunidade, todo o meu esforço, todo o meu trabalho foi inútil porque estou anunciando a vida nova e a vida nova tem que conseguir em plenitude; essa plenitude é a comunidade que pode ajudar a permanecer, a seguir amando a Jesus, a seguir deixando seduzir através de sua palavra, dos sacramentos, através de sua Igreja e através dos irmãos.

8° Transformação de vida

É necessário que o evangelizado compreenda que a sua vida deve tomar outro rumo, deve ajustar-se a vida de Jesus. Ele deve ser estimulado, motivado a empreender um caminho de retorno.

(Fonte)