Formação de comunidades catequizadoras


Formar comunidades catequizadoras exige, num primeiro passo, crescer na comunicação com outras pessoas.
A sociedade oferece muitos meios para isso, como o telefone, Internet e outras formas de comunicação, facilitando o intercâmbio e permitindo a comunicação, mesmo com pessoas que estejam bem distantes de nós.
Na Igreja, também existem muitos grupos que ampliam a comunicação entre pessoas: organizações, comissões, associações, movimentos… Multiplicam-se as reuniões, as assembleias, os encontros, crescendo novos círculos de amizades.
Pela comunicação e acolhimento a catequese assume atividades evangelizadoras, movida pelo Espírito Santo. Essas atividades Têm como finalidade manter o próprio grupo, tornando-o comunidade catequizadora.

Quando a comunidade se torna catequizadora?
Quando:
• anuncia ao mundo a Boa Nova do Reino de Deus;
• dá testemunho de fraternidade, fazendo opção pelos pobres e levando ao compromisso com a justiça e a libertação;
• aprofunda a fé dos que participam da comunidade;
• transforma a sociedade pela força da oração, do testemunho e do anúncio da Palavra de Deus;
• celebra na comunidade os Sacramentos, a presença de Jesus na Eucaristia nas manifestações de religiosidade popular, especialmente, na devoção a Maria e aos Santos.

A COMUNIDADE DE JESUS
Olhando para Jesus, percebemos de imediato que ele fez a experiência de anunciar o Reino em grupo, formando uma comunidade:
• formou um grupo (Mt 4,18-22; Mc 1,16-20);
• chamou os apóstolos pelo nome (Mt 10,2-4);
• enviou-os em missão e deu-lhes as necessárias instruções (Mt 10,5-33);
• deu testemunho autêntico (Mt 16,21-23);
• e apresentou-lhes as exigências da missão (Mt 10,25-28).

COMUNIDADE CATEQUIZADORA É UMA COMUNIDADE DE IRMÃOS
“Para os cristãos, é de particular importância a forma comunitária de vida, como testemunho de amor e unidade. A catequese não pode limitar-se às dimensões individuais” (Medellin 8.10).
A comunidade catequizadora congrega pessoas de todas as etapas da vida, pessoas que têm o mesmo projeto, que se conhecem e que se amam. Por isso, a catequese não pode deixar de ter dimensão comunitária.

O PROGRAMA DE VIDA DA COMUNIDADE CATEQUIZADORA
1- Comunhão e participação
Antes de motivar a formação de uma comunidade, nós catequistas devemos participar da nossa comunidade nos unindo às pessoas nas diversas pastorais.
2- A comunidade é origem, lugar e meta da catequese
A comunidade catequizadora não é só espaço natural da catequese, mas o ambiente privilegiado para a educação da fé, de forte experiência de Igreja e onde se atualiza e se vive a presença de Jesus Ressuscitado.
3- Programar e planejar a catequese
Quando a comunidade deseja ser catequizadora deve ter a preocupação de planejar cuidadosamente a ação catequética, buscando dar respostas às exigências da realidade sócio-cultural-religiosa. É importante fixar prioridades e metas concretas de acordo com a realidade dentro do Plano de Pastoral.
A pessoa do sacerdote é muito importante nesta participação. De seu zelo e criatividade depende a eficácia da comunidade catequizadora.
• Quais são as atividades pastorais que existem em nossa comunidade?
• Qual é a participação de cada pessoa do nosso grupo nessas atividades da comunidade?

Fonte: Folheto Ecoando 5 – formação interativa com catequistas – Editora Paulus

A nossa parte – dinâmica

Participantes: Indeterminado (todos os que estiverem participando)

Tempo Estimado: 30 minutos.

Material: garrafa plástica transparente de 2 litros vazia, tampinhas da garrafa (quanto maior o número de tampinhas mais rápido se transcorre a dinâmica) e água o suficiente, leia a preparação.

Objetivo: Mostrar que se cada um fizer a sua parte, tudo pode ser transformado (Essa dinâmica também pode ser usada para mostrar a importância de cada um dentro da Igreja).

Preparação: Você deve em casa preparar o material, pegue a garrafa plástica transparente (essas de refrigerante de 2 litros), corte-a ao meio, iremos utilizar a parte de baixo para depositar a água. Digamos que essa dinâmica será entre 40 participantes, então com ajuda da tampinha vá adicionando água na parte que você cortou até completar as 40 tampinhas de água. Observe até onde irá encher de água a garrafa que você cortou. Sugiro que você marque um pouco acima (um centímetro) e corte novamente, deixando uma margem pequena para não transbordar a água.

Descrição: Coloque a parte da garrafa que você cortou sobre uma mesa e peça para que um dos participantes encha a tampinha com água e deposite essa água na parte da garrafa cortada. Mostre a todos que quase nem se percebe a quantidade de água que está ali. Agora peça para que todos os participantes adicionem também uma tampinha com água na parte da garrafa cortada.

Quando todos terminarem, mostre como encheu a garrafa cortada que quase chegou a transbordar.

Conclusão: No início ninguém deu valor a pouca quantidade de água que ali estava, mas depois cada um também fez a sua parte e aquele pouquinho (a tampinha cheia de água) acabou se tornando muito. Sendo assim temos que fazer a nossa vez e conscientizar a todos que também devem fazer o mesmo. Adicione o seu comentário baseando nisso e conclua a dinâmica conforme a sua necessidade.

Dinâmica criada por Anderson – Paróquia Imaculada Conceição da Vila Rezende – Piracicaba SP.

(Fonte)

Arquidiocese do Rio constitui 1.046 novos MESCs

A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro constituiu mais de mil novos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão (Mesc’s) durante celebração eucarística presidida pelo arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta, na manhã de sábado, 26 de setembro, na Catedral Metropolitana, no Centro.
“É um exército de Cristo”, disse o cardeal, em referência aos 1.046 novos ministros que se somam aos oito mil existentes.
Os ministros investidos são de sete vicariatos territoriais, sendo 158 do Oeste, 251 do Norte, 16 da Leopoldina, 102 de Jacarepaguá, 255 do Suburbano, 121 do Sul e 143 de Santa Cruz.
Dom Orani ressaltou que todo cristão batizado é chamado por Deus para viver uma vida de santidade. “O ministro deve ter essa vocação e a vontade de dar exemplo aos seus irmãos”, disse. “Receber de Deus o chamado para ser um Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão é ter ainda mais a confirmação de que o Senhor o convoca para uma vida santa. É o próprio Cristo que se leva nas mãos. É uma missão que faz o ministro configurar sua vida a Jesus”.
Durante a Missa, o cardeal celebrou o rito de investidura, perguntando aos candidatos sobre a responsabilidade do ministério, e dando-lhes a bênção. Os materiais dos Mescs (teca, manual e bolsa do viático) também foram abençoados.
Os candidatos a receberem o ministério são escolhidos pelo pároco da comunidade de origem e, depois, direcionados a participar de curso de formação, que acontece em cada um dos vicariatos.
A organização do curso é realizada pela Comissão Arquidiocesana, que conta com a liderança leiga da ministra Maria Carolina Cancella de Amorim, em parceria com as coordenações vicariais e clérigos que acompanham o trabalho.
O assessor eclesiástico, padre Marcelo Batista, explica que o Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão é, na Igreja Católica, um leigo a quem é dada a permissão, de forma temporária, de distribuir a Eucaristia aos fiéis, na missa ou noutras circunstâncias, quando não há um ministro ordenado (bispo, presbítero ou diácono) que o possa fazer. Os ministros realizam também a Celebração da Palavra com distribuição da Comunhão nas comunidades e na casa dos enfermos. “É necessário que tão íntima participação no serviço eucarístico seja realizada com o pleno conhecimento de causa e com toda dignidade”, diz. Uma das atribuições dos Mescs é assistir com a comunhão os enfermos impossibilitados de participarem da Santa Missa.

Veja abaixo as fotos, com destaque para os novos Ministros da minha paróquia:

Novos Ministros RJ

(Fonte)

O amor de Deus no mundo

(Prof. Felipe Aquino)

amor de Deus

Jesus veio ao mundo para salvá-lo. Depois de cumprir até o fim a sua missão, passando pela morte e ressurreição, deixou a Igreja para continuar a obra da salvação de cada pessoa. Para isto, enviou os Apóstolos: “Ide a todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). Esta é, portanto, a missão da Igreja e também de cada um de nós que recebeu o santo Batismo.

Cada cristão deve ser, como diziam os Padres da Igreja, “alter Christus” (um outro Cristo) que vai pelo mundo propagando o Evangelho, com a vida e com as palavras. Em cada cristão, consciente disso, Cristo continua a Sua missão salvífica. Assim, Ele nos deu a honra e a glória de o ajudarmos a construir o Seu Reino, que também é nosso. Desfrutará das delícias desse Reino eterno, todo aquele que tiver trabalhado para construí-lo.

Antes de Jesus partir para a Casa do Pai, Ele rezou profundamente pelos seus. É a oração sacerdotal de Jesus, que São João teve a felicidade de captar, naquela noite amarga em que o Senhor foi traído por Judas, negado por Pedro e abandonado pelos apóstolos. Antes de sofrer a Paixão, e enfrentar a morte, ele recomendou-nos ao Pai:

“Não peço que os tires do mundo, mas que os livre do mal. Eles não são do mundo, como eu não sou do mundo” (Jo 17,15-16).

Não somos do mundo, não pertencemos a este mundo, mas Jesus nos quer vivendo nele, para levá-lo a Deus.

Jesus precisa do cristão na sociedade, para ser “a luz do mundo e o sal da terra”(Mt 5,13-14). Sem os cristãos, o mundo não tem luz e não tem saúde moral e espiritual.

Diante de tantas profanações da pessoa humana, diante de tanta corrupção, diante de tanto roubo, de tanto crime, de tanta prostituição e pornografia, enfim, diante de tantas trevas, não é difícil de se concluir que a luz de Cristo ainda brilha muito pouco, mesmo numa civilização que se diz cristã. Por isso tudo, é urgente evangelizar; é urgente acender a luz de Cristo, no mundo do trabalho, no mundo da ciência, no mundo da economia, no mundo das leis, no mundo do comércio…

E esta é exatamente a missão que o Senhor confiou a cada um de nós leigos, que vivemos no mundo.

O documento do Concilio Vaticano II, sobre os leigos, Apostolicam Actuositatem, conclama-nos a abraçar a missão de iluminar o mundo com a luz de Cristo:

“Nosso tempo exige dos leigos um zelo não menor pois as circunstâncias atuais reclamam deles um apostolado mais intenso e mais amplo” (AA,1)

“Faz-se porém mister que os leigos assumam a renovação da ordem temporal como sua função própria ” (AA,7)

O santo Concilio, iluminado pelo Espírito, deixou claro a nossa missão: consagrar o mundo em que vivemos a Deus. Estabelecer nele as Suas leis, construir nele o Seu Reino. E nesta imensa tarefa, ninguém está dispensado. Alguém já disse que no Reino de Deus não há desempregados e nem aposentados. Todos são indispensáveis. Cada um recebeu dons próprios que os outros não receberam; é mister colocar esses dons a serviço da construção do Reino de Cristo para a glória do Pai e a salvação dos irmãos.

A mola propulsora de todo este trabalho há de ser sempre o amor a Deus e aos irmãos. Deus nos deu tudo: a vida, o ser, o mundo material com todas as suas belezas e riquezas, e nos deu o Seu Filho Único para sofrer e morrer pela nossa salvação. O que mais poderíamos pedir a Deus? Nada. Resta-nos agradecer. Mas não apenas com palavras e orações, mas com o comprometimento de toda a nossa existência no Seu projeto de reunir de novo todos os homens em Jesus Cristo, pela Igreja.

Cristo veio a nós e deu-nos a maior prova de amor que alguém poderia dar – deu a Sua vida – a fim de que pudéssemos voltar para a Casa do Pai, onde a felicidade é eterna. E Ele precisa agora de cada um para salvar a todos. Então, o nosso agradecimento será realizado se lhe entregarmos o coração e as mãos.

Jesus ama loucamente cada uma das suas criaturas humanas, pois cada uma delas é única, irrepetível, criada à sua imagem e semelhança. Por isso Ele não quer perder nenhuma de suas ovelhas, por mais fraca que seja. Ele garantiu que há mais alegria no céu por um único pecador que se converta; mais até por causa de noventa e nove justos que já fazem penitência (Lc 15). Veja como Ele ama cada um com um amor eterno!

Cada um de nós aqui na terra, pode fazer acontecer uma festa entre os anjos de Deus lá no céu, toda vez que convertemos um pecador do seu mal caminho. Esta é uma grande prova de amor a Deus. Não importa que você não possa converter a muitos; mas Deus espera que você converta para Ele aquele que está ao alcance do seu braço; aquele que é o seu próximo mais próximo.

Comece amando-o, gratuitamente. Não diga a ele logo: “Deus te ama”, pois ele pode não acreditar. Diga-lhe primeiro: “eu te amo”; e prove isto com os seus atos. Só depois, você vai dizer-lhe: “Deus te ama”; aí, então, ele vai acreditar, e vai querer conhecer o seu Deus. O amor é o combustível da evangelização. Ninguém pode evangelizar se não for movido pelo amor; amor a Deus e amor aos filhos de Deus.

A única recompensa que deve esperar aquele que abraçou esta missão, é a alegria de agradar ao seu Deus e ter o seu nome escrito no céu. Se buscarmos outra recompensa que não seja esta, perdemos todo o mérito diante de Deus. “Já receberam a sua recompensa” (Mt 6,2.5.16).

Cada um de nós deve se apropriar daquela palavra do Apóstolos:

“Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se me impõe. Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho! Se o fizesse da minha iniciativa, mereceria recompensa. Se o faço independentemente de minha vontade, é uma obrigação que se me impõe.” (1 Cor 9,16-18).

Quando Deus chamou o profeta Jeremias para revelar sua dura palavra aos hebreus que já não obedeciam as Suas leis, o profeta teme medo, e viu-se como se fosse uma criança despreparada para a missão. Mas o Senhor não pensava assim.

“Ah! Senhor Javé, eu nem sei falar, pois que sou como uma criança”.

Replicou porém o Senhor:

Não digas: “Sou apenas uma criança;” porquanto irás procurar todos aqueles aos quais te enviar, e a eles dirás o que Eu ordenar. Não os deves temer porque estarei contigo para livrar-te – oráculo do Senhor. ” (Jer 1, 4-8).

Quando o Senhor nos envia em seu Nome, seja ao próximo mais próximo, seja aos confins da terra, Ele nos dá a Sua graça; e, mais ainda, a Sua própria Presença.

“Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt 28,20)

Não tenhamos, portanto, nem medo e nem desânimo, pois a obra é Dele, e a batalha lhe pertence, somos apenas os seus comandados.

(Fonte)

Sínodo da família apresenta relatório das discussões

Relatório aborda reflexões dos padres sinodais sobre temáticas como situação dos divorciados, homossexuais e contracepção
sinodo dos bispos

A segunda semana dos trabalhos do Sínodo dos Bispos sobre família começou com a apresentação de um relatório, o Relatio post disceptationem, sobre as reflexões feitas até agora. Apresentado pelo relator-geral do Sínodo, Cardeal Péter Erdő, nesta segunda-feira, 13, o documento pede, em linhas gerais, paciência e delicadeza para com as famílias feridas.

As reflexões do documento são fruto do diálogo sinodal e indicam perspectivas que devem ser amadurecidas nas Igrejas locais e na Assembleia de 2015. “Não se trata de decisões tomadas nem de perspectivas fáceis. Todavia, o caminho colegial dos bispos e o envolvimento de todo o povo de Deus sob a ação do Espírito Santo poderá guiar-nos para encontrar caminhos de verdade e de misericórdia para todos”.

O relatório apresenta algumas perspectivas pastorais para lidar com as diversas situações familiares atuais. Quanto ao matrimônio, o documento reitera a necessidade de focalizar seu sentido sacramental, sem considerá-lo somente como uma “tradição cultural ou uma exigência social”. Também se defende a preparação dos noivos para o casamento e o acompanhamento pastoral dos primeiros anos de vida matrimonial.

Os padres sinodais alertam sobre a necessidade de caminhos pastorais novos, que partam da efetiva realidade das fragilidades familiares. Destaca-se a necessidade de cuidar das famílias feridas por situações diversas, seja por fatores pessoais ou culturais e econômicos. Nesses casos, não se trata de buscar soluções únicas, pautadas no “tudo ou nada”, mas o diálogo iniciado no Sínodo deve continuar nas Igrejas locais.

Divórcio, nulidade, casais recasados

Segundo o documento, muitos padres sinodais destacaram a necessidade de agilizar os procedimentos para o reconhecimento dos casos de nulidade. Entre as propostas apresentadas, foram indicadas a superação da necessidade da dupla sentença conforme, a possibilidade de determinar um caminho administrativo sob responsabilidade do bispo diocesano e um processo sumário a ser realizado em casos de nulidade notória.

Quanto à possibilidade de conceder os sacramentos da Penitência e da Eucaristia, alguns argumentaram a favor da disciplina atual em força do seu fundamento teológico. Outros se expressaram a favor de uma maior abertura em condições bem precisas. Para alguns, o eventual acesso aos sacramentos ocorreria se fosse precedido de um caminho penitencial, sob responsabilidade do bispo diocesano, e com um empenho claro em favor dos filhos. “Seria uma possibilidade não generalizada, fruto de um discernimento caso a caso”.

Homossexuais

O relatório também aborda o acolhimento às pessoas homossexuais, destacando que elas têm dons e qualidades a oferecerem à comunidade cristã. Mas é reafirmada a posição da Igreja: não equiparar as uniões entre pessoas do mesmo sexo ao matrimônio entre um homem e uma mulher.

O cardeal brasileiro Dom Damasceno explica que a Igreja não discrimina, mas também não aprova uniões homossexuais

A união entre pessoas do mesmo sexo foi um dos assuntos abordados na Assembleia Sinodal, na tarde desta quarta-feira, 8, que falou sobre os desafios pastorais da família. Os trabalhos foram abertos pelo Presidente Delegado, Cardeal Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida (SP).

Algumas mídias no Brasil noticiaram que Dom Damasceno teria pedido no Sínodo que a Igreja aceite as uniões homossexuais. Em entrevista à Rádio Vaticano, o cardeal esclareceu a questão. Ele disse que a Igreja não discrimina essas pessoas, mas também não equipara tais uniões ao casamento segundo a concepção da Igreja.

“Esse tema da homossexualidade eu não tratei na minha introdução. Evidentemente [a Igreja] não promove nem estimula, é claro, muito menos aprova a união dessas pessoas, mas respeita suas opções, uma vez que em muitos países, inclusive no Brasil, sabemos que o STF reconheceu essas uniões como estáveis, na qual as pessoas gozam de determinados direitos que lhes são garantidos, mas a Igreja nunca considerou essas uniões ou as equiparou ao matrimônio, como o entende a Igreja”.

O que Dom Damasceno afirmou em seu discurso de ontem foi que, no Sínodo, não se pretende ter uma visão “legalista” sobre temas como divórcio ou união homoafetiva, mas “fazer que a Igreja seja a casa paterna onde há lugar para cada um, com a sua vida”.

Transmissão da vida

Sobre a transmissão da vida, o documento cita a mentalidade difundida de reduzir a geração da vida a uma variável da projeção individual ou do casal. Os padres sinodais defenderam o adequado ensino sobre os métodos naturais, convidando a redescobrir a mensagem de Paulo VI na encíclica Humanae Vitae, sobre a regulação da natalidade.

Casal brasileiro fala no Sínodo sobre abertura a ter filhos

Arturo e Hermelinda defenderam a necessidade de guiar os casais para a perfeição humana e cristã da relação sexual.

O casal brasileiro Arturo e Hermelinda Zamperlini deu seu testemunho na assembleia sinodal, com a presença do Papa Francisco. Na 7a Congregação Geral, o tema em discussão foi os desafios pastorais sobre a abertura do casal à vida.

Nenhum casal pode guardar para si as graças e frutos da vida matrimonial, disseram. O casal refletiu sobre a administração da vida sexual e, utilizando os ensinamentos do fundador da Equipe de Nossa Senhora, padre Henri Caffarel, destacaram a relação entre o casal e a sexualidade.

“Padre Caffarel propõe um percurso fascinante: da sexualidade ao amor. O casal é o lugar onde se articulam as três funções da sexualidade: a função relação, a função prazer e a função fecundidade. O casal se constrói ao integrar de forma equilibrada essas três dimensões”.

Segundo Arturo e Hermelinda, é preciso guiar os casais para a perfeição humana e cristã da relação sexual. Eles entendem a geração de filhos como um gesto sublime de amor pela doação da vida. “O casal não é fecundo só porque gera filhos, mas porque se ama e, amando-se, abre-se à vida”.

Controle de natalidade

Em seu discurso, o casal mencionou ainda a questão do controle de natalidade, lembrando que muitos casais católicos não se sentem obrigados a utilizar apenas o método natural. Segundo eles, métodos naturais teoricamente são bons, mas carecem de praticidade na cultura atual.

“Casais, principalmente jovens, vivem um ritmo de vida que não lhes permite praticar esses métodos, uma vez que demandam tempo para treinamento, e tempo é produto raro no mundo em que vivemos. E o pior: por ser superficialmente explicado e, por isso mesmo, mal utilizado, o método natural ganha a fama injusta de ser inseguro e assim muitas vezes ineficiente. Portanto, mais uma vez com sinceridade admitimos que não é seguido pela maioria dos casais católicos”.

O casal encerrou sua reflexão pedindo que o magistério se apresse em dar aos padres e aos fiéis linhas de uma pedagogia pastoral que ajude a adotar e observar os princípios da Humanae Vitae, encíclica de Paulo VI sobre a regulação da natalidade.

“É necessário e urgente a prolação de uma orientação fácil e segura, que responda às exigências do mundo atual, sem ferir o essencial da moral católica que precisará ser amplamente difundida”.

Arturo e Hermelinda participam do Sínodo da Família como auditores. Eles fazem parte do Movimento das Equipes de Nossa Senhora, cujo carisma é a espiritualidade conjugal, e são os responsáveis pelo Movimento no Brasil.

Evangelização

Defende-se o anúncio do Evangelho da família como uma urgência para a nova evangelização, dizendo que a Igreja deve fazer isso com ternura de mãe e clareza de mestre. Destaca-se que a evangelização é responsabilidade de todo o povo de Deus, cada um com seu próprio ministério e carisma.

O relatório defende ainda a conversão de toda a prática pastoral em relação às famílias. Para isso, os bispos insistiram na renovação da formação dos presbíteros e outros agentes pastorais, mediante um maior envolvimento das próprias famílias nesses trabalhos.

Realidade das famílias

Além das perspectivas pastorais, o relatório contém outras duas partes, que falam sobre a realidade das famílias e o Evangelho da família. São abordadas questões sobre o matrimônio, filhos que crescem somente com um dos pais (o pai ou a mãe), o crescente número de divórcios, a violência contra a mulher, o contexto de guerra e violência, em que se vê uma situação familiar deteriorada, e o fenômeno das migrações.

“Neste contexto, a Igreja necessita dizer uma palavra de esperança e de significado (…) É preciso acolher as pessoas com a sua existência concreta, saber apoiá-las na busca, encorajar o desejo de Deus e a vontade de sentir-se plenamente parte da Igreja, mesmo quem experimentou o fracasso ou se encontra nas situações mais variadas. Isto exige que a doutrina da fé, de fazer conhecer sempre mais seus conteúdos fundamentais, seja proposta junto à misericórdia”.

Os trabalhos do Sínodo seguem com os círculos menores – pequenos grupos de discussão mais aprofundada – a partir do documento apresentado hoje. As reflexões seguem até domingo, 19. O Sínodo da Família começou no dia 5 de outubro e tem como tema “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”.

(Enviado por email pelo Padre João de Deus, da Paróquia Nossa Senhora do Rosário)

Papa inaugura o Sínodo: trabalhar com liberdade e criatividade em prol da família

sinodoO Papa Francisco inaugurou oficialmente neste domingo, 5 de outubro, a III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos com a missa celebrada na Basílica Vaticana.
Concelebraram com o Pontífice os cerca de 190 padres sinodais que a partir desta segunda-feira, no Vaticano, debaterão o tema “Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”.

Comentando as leituras do dia, a imagem da vinha do Senhor inspirou a homilia do Santo Padre, por representar o projeto de Deus para a humanidade.

O “sonho” do Senhor é o seu povo: Ele plantou-o e cultiva-o, com amor paciente e fiel, para se tornar um povo santo, um povo que produza muitos e bons frutos de justiça.
Mas tanto na antiga profecia como na parábola de Jesus, o sonho de Deus fica frustrado, pois a ganância e a soberba dos agricultores, aos quais a vinha foi confiada, impediram-lhes de cultivá-la.
“A tentação da ganância está sempre presente”. “A ganância de poder e de dinheiro.” E os agricultores arruínam o projeto do Senhor pois não trabalham para Ele, mas só para os seus interesses, “carregando sobre os ombros do povo pesos insuportáveis”. Quando, na verdade, a tarefa dos líderes do povo é cultivar a vinha com liberdade, criatividade e diligência.

Todavia, advertiu o Papa, há sempre um risco à espreita, ou seja, de que a ganância e a hipocrisia deixem que alguns servidores de Deus caiam na tentação de se apoderar de sua vinha. Para não frustrar o sonho do Senhor, é preciso se deixar guiar pelo Espírito Santo, que dá a sabedoria e a capacidade de trabalhar com liberdade e criatividade.

“Irmãos sinodais, para cultivar e guardar bem a vinha, é preciso que os nossos corações e as nossas mentes sejam guardados em Cristo Jesus pela «paz de Deus que ultrapassa toda a inteligência», como diz São Paulo. Assim, os nossos pensamentos e os nossos projetos estarão de acordo com o sonho de Deus: formar para Si um povo santo que Lhe pertença e produza os frutos do Reino de Deus”, concluiu o Pontífice.

(Fonte)

sagradafamilia

ORAÇÃO À SAGRADA FAMÍLIA PELO SÍNODO
Jesus, Maria e José
em vós nós contemplamos
o esplendor do verdadeiro amor,
a vós dirigimo-nos com confiança.
Sagrada Família de Nazaré,
faz também das nossas famílias
lugares de comunhão e cenáculos de oração,
autênticas escolas do Evangelho
e pequenas igrejas domésticas.
Sagrada Família de Nazaré,
nunca mais nas famílias se vivam experiências
de violência, fechamento e divisão:
quem quer que tenha sido ferido ou escandalizado
receba depressa consolação e cura.
Sagrada Família de Nazaré,
o Sínodo dos Bispos
possa despertar de novo em todos a consciência
da índole sagrada e inviolável da família,
a sua beleza no desígnio de Deus.
Jesus, Maria e José
escutai, atendei a nossa súplica.

ORAÇÃO UNIVERSAL

Irmãos e irmãs!

Como família dos filhos de Deus e animados pela fé, elevemos as nossas súplicas ao Pai, a fim de que as nossas famílias, sustentadas pela graça de Cristo, se tornem autênticas igrejas domésticas onde se vive e se dá o testemunho do amor de Deus.

Oremos e, juntos, digamos:

Senhor, abençoai e santificai as nossas famílias

Pelo Papa Francisco: que o Senhor, que o chamou a presidir à Igreja na caridade, o sustente no seu ministério ao serviço da unidade do Colégio episcopal e de todo o Povo de Deus, oremos:

Pelos Padres sinodais e pelos outros participantes na III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos: que o Espírito do Senhor ilumine as suas mentes, a fim de que a Igreja possa enfrentar os desafios sobre a família, em fidelidade ao desígnio de Deus, oremos:

Por aqueles que têm responsabilidades no governo das Nações: que o Espírito Santo inspire projetos que valorizem a família como célula fundamental da sociedade, segundo o desígnio divino e sustentem as famílias em situações difíceis, oremos:

Pelas famílias cristãs: que o Senhor, que pôs na comunhão esponsal o selo da sua presença, faça das nossas famílias cenáculos de oração, íntimas comunidades de vida e de amor, à imagem da Sagrada Família de Nazaré, oremos:

Pelos cônjuges em dificuldade: que o Senhor, rico em misericórdia, os acompanhe mediante a ação maternal da Igreja, com compreensão e paciência, no seu caminho de perdão e de reconciliação, oremos:

Pelas famílias que, por causa do Evangelho, devem deixar as suas terras: que o Senhor, que com Maria e José experimentou o exílio no Egito, os conforte com a sua graça e lhes abra caminhos de caridade fraternal e de solidariedade humana, oremos:

Pelos avós: que o Senhor, que foi recebido no Templo pelos Santos anciãos Simeão e Ana, os torne sábios colaboradores dos pais na transmissão da fé e na educação dos filhos, oremos:

Pelas crianças: que o Senhor da vida, que no seu ministério os acolheu, fazendo deles modelos para entrar no Reino dos Céus, suscite em todos o respeito pela vida nascente e inspire programas educativos em conformidade com a visão cristã da vida, oremos:

Pelos jovens: que o Senhor, que santificou as bodas de Caná, os leve a redescobrir a beleza da índole sagrada e inviolável da família no desígnio divino e sustente o caminho dos noivos que se preparam para o matrimônio, oremos:

Ó Deus, que não abandonais a obra das vossas mãos, escutai as nossas invocações:

Enviai o Espírito do vosso Filho para iluminar a Igreja no início do caminho sinodal a fim de que, contemplando o esplendor do verdadeiro amor que resplandece na Sagrada Família de Nazaré, dela aprenda a liberdade e a obediência para enfrentar com audácia e misericórdia os desafios do mundo de hoje.

Por Cristo nosso Senhor. Amém.

(Fonte)