Deus pode estar punindo a humanidade com esta pandemia?


Hoje eu abri a Bíblia em uma passagem do Antigo Testamento sobre o templo de Salomão, onde o Senhor diz:


“Mas se vos desviardes de mim e negligenciardes os preceitos e mandamentos que vos prescrevi, para servirdes a outros deuses e render-lhes culto, então extirpar-vos-ei da terra que vos dei, e arrojarei para longe de mim este templo que consagrei a meu nome, e dele farei para todas as nações pagãs objeto de fábula e de riso.
Este templo, tão excelso, será para todos os transeuntes um objeto de espanto. Eles dirão: Como tratou o Senhor dessa maneira esta terra e este templo?
E responderão: É porque abandonaram o Senhor, o Deus de seus pais, que os tinha tirado do Egito, e se apegaram a outros deuses, prostrando-se diante deles e rendendo-lhes culto. Eis porque fez sobrevir a eles todas essas calamidades.” (II Crônicas 7,19-22)

Então me questionei: será que Deus pode estar punindo a humanidade com esta pandemia?
Mas meu noivo e professor, da Comunidade Filhos da Redenção, Antônio José, me respondeu:


Penso que a própria humanidade se pune ao se afastar de Deus e de seus preceitos.
Sempre houve na história da humanidade epidemias e pandemias:
(https://brasilescola.uol.com.br/curiosidades/grandes-epidemias-da-historia.htm)
Porém, com integração menor entre os povos antigamente, muitas epidemias se limitavam apenas a atingir duramente alguns povos. Não havia circulação internacional como hoje (muitas e rápidas).
Logo é algo que periodicamente ocorre e ocorrerá.
A questão é: o ser humano está enfrentando a pandemia com princípios cristãos? Vejamos:

  • Falta de respiradores – em alguns casos, fábricas cancelam vendas feitas porque outro pagou mais… Isso é de Deus?
  • Hospitais de campanha que demoram séculos pra ficarem prontos E COM DENÚNCIAS DE SUPERFATURAMENTO!
    Isso é de Deus?
  • Pessoas se aglomerando. Se fosse a questão de isso acontecer porque muitos têm que sair pra trabalhar, seria pelo menos justificável. Mas fazem isso para soltar pipa! Pra fazer bailes! Só querem sabem de satisfazer seus próprios prazeres. Isso é cristão?

E tantos outros…

Assim, vale o texto bíblico de que é porque abandonaram o Senhor e se apegaram a deuses (dinheiro, ego,…) , mas não propriamente que Deus enviou a calamidade.
Entendo assim este momento que vivemos…

Catequista, adorador em espírito e verdade

(Vandeia Ramos)


Chegou Jesus a uma cidade do Brasil, a sua, em que tinha uma Igreja no centro, a partir da qual as casas foram construídas. E sentou-se na praça. Era em torno da hora do almoço e todos estavam cuidando de sua própria vida. Chegou uma jovem que foi comprar água, pois tinha acabado em casa e todos precisavam beber. Jesus a encontra e pede um pouco de sua garrafa, pois seus discípulos tinham ido providenciar um lanche e ainda não tinham voltado.
A jovem, com pouca roupa por causa do calor e em uma moda que muitos discutiriam, com marcas no corpo, desconfiou Daquele que lhe pedia. Estava tão acostumada a ser vista com desprezo que se fechava em si mesma. E questiona como que Aquele Homem poderia dirigir a palavra à ela.
Jesus lhes responde: se conhecesses o dom de Deus, não se preocuparia com a fala dos demais, pois somente Deus basta! E o sorriso iluminaria toda a sua pessoa, mesmo que não viesse ao seu rosto. A jovem responde: Senhor, não me conheces, à minha família, meus vizinhos ou mesmo as pessoas deste bairro, como podes saber o que é bom para nós?
Jesus lhes responde: quem se alimenta do Pão do Céu não terá mais fome nem medo, pois nada mais poderá abalar. Não são problemas com água ou com vírus, pois todos eles vão passar. Precisamos cuidar da criação, das pessoas, com a sabedoria que é dom de Deus, para que possamos viver melhor e cuidar do Jardim. É no cuidar e no guardar o que lhes foi dado que poderá passar pelas situações difíceis e mesmo limites.
A mulher disse a Jesus: Senhor, dai-me deste Pão, para que nem eu nem minha família soframos com a contaminação da água nem com a proliferação de vírus e outras doenças, e assim não precise me expor na rua para buscar água e comida.
Jesus lhes disse: vá buscar seus amigos. Ela respondeu: não tenho amigos, todos se foram quando começaram as dificuldades e precisei ficar em casa para cuidar das pessoas mais idosas da minha família. Jesus disse: disseste bem, não tens mais amigos; tiveste muitos, quando deixastes as pessoas mais importantes por diversão e falsas companhias, enfraquecendo sua pessoa, seu corpo, e deixando a todos em situações de espera. A jovem: Senhor, sabes tudo, deves ser um religioso, mas conheci muitos que não foram fiéis a Deus e ao que anunciavam.
Jesus: meu discípulo Paulo já anunciou que estou voltando, e estou aqui agora, para que cada um faça sua escolha fundamental pelo que realmente é importante em sua vida, em um passo definitivo para a eternidade. É preciso que sejas luz do mundo para que Meu Espírito brilhe com a Verdade. Não em notícias fakes ou indiferença com os que mais precisam. É preciso que tenhais responsabilidade e cuidado com os que estão à sua volta – neles terás minha Presença.
Os discípulos chegaram e perguntaram por que Jesus falava com aquela jovem, que parecia mais preocupada consigo mesma. A jovem, no caminho de casa, saiu falando para todos de sua conversa, e muitos saíram para ir ao Encontro de Jesus, buscando o Pão do Céu.
Jesus disse aos seus discípulos: é em momentos de crise que se pode conhecer meus amigos, os que fazem a vontade do Pai, que servem junto com os demais nas inúmeras necessidades, como atendendo os doentes em hospitais e em casa, ajudando com o alimento, informando na verdade, sendo esperança quando o desespero está à porta de tantos… Muitos acreditam porque uma jovem testemunha seu encontro com Jesus, como fazemos na catequese.
No entanto, em muitas cidades a catequese e os serviços pastorais estão sendo suspensos. Há um drama acontecendo e é preciso que estejamos atentos às orientações de nossos bispos e autoridades da saúde. É o momento pelo qual nos preparamos em nosso alimento semanal, no Pão que recebemos. A messe aguarda os operários para que sirvam de acordo com o momento pontual que estamos enfrentando.
É importante que sejamos testemunhas no mundo de que o Senhor está presente entre nós. Então, não fechemos nosso coração e ouçamos hoje a voz de Deus! Que Nossa Senhora traga a cada um de nós em seu Imaculado Coração, para que possamos fazer o que seu Filho nos disser!

O Menino Jesus e o Culto Mariano e Josefino

(Vandeia Ramos)

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Epifania, do grego, nos lembra clareza de compreensão. Em epistemologia, segundo Piaget, poderíamos chamar de acomodação, ou seja, a capacidade que temos de inserirmos uma nova informação ao que sabemos, iluminando tudo o anteriormente entendido.
Nossa imagem da chegada dos Reis Magos é influenciada pelo presépio de São Francisco de Assis, em que todos os personagens que envolvem o nascimento de Jesus estariam em uma mesma cena, em um único tempo. São Francisco, ao elaborar tal representação, tinha uma intenção teológica, tendo em consideração as pessoas as quais se dirigia. No entanto, a Palavra tem algumas especificações que nos ajudam em alguns aspectos.
Enquanto Messias, Jesus era esperado por Israel para libertar do jugo romano. Tal expectativa causava desconforto nas lideranças, pois não sabemos o que esperar de um bebê. Então elaboramos projeções de nossos medos para tentar justificar a necessidade de uma cultura de morte, seja por bem estar material pessoal ou familiar, seja pela tentativa de eliminar grupos específicos, como pobres, negros, diferenças genéticas, justificando na legislação e em ideologias a intervenção estatal: novos Herodes, príncipes venerados por muitos.
Aí chegam uns pagãos de outros povos, guiados pela sua própria cultura de observação da Criação, e anuncia para as lideranças de Israel que seu esperado Messias está entre eles. São recebidos no palácio, com toda a pompa de sua posição, indicando que são proeminentes e que deveriam estar em uma comitiva. São sábios que percebem as manipulações e que seguem para encontrar o Menino.
Aqui há um vácuo de tempo, entre o nascimento de Jesus em uma manjedoura e a chegada dos magos em uma casa, considerando que Jesus já tinha sido circuncidado (8 dias) e apresentado ao templo para a purificação (40 dias), já que em seguida José é orientado pelo anjo Gabriel para se retirar com Maria e o Menino para o Egito.
Como os pastores hebreus na noite de Natal, os magos encontram Jesus com sua Mãe. É Deus cumprindo a Promessa: Israel seria a luz para as nações, trazendo paz aos de boa-vontade. Assim, primeiro temos os pais, seguidos pelos pastores, o sinagogo que faz a circuncisão em uma celebração da comunidade, os sacerdotes do Templo de Jerusalém… Sem ignorar os pagãos, sem que os seus o percebam, o Evangelho é anunciado!
Ao chegarmos na casa, José nos recebe à porta e Maria cuida do Filho. Nosso olhar sabe a quem procurar, mas sabemos que precisamos pedir licença aos pais, que garantem que o Filho seja bem acolhido. Profetas, apóstolos e pagãos recebem o abraço do Menino a partir do colo de sua Mãe.
A visita dos magos, com os presentes tão necessários à sobrevivência em terra egípcia, completa e ilumina o quadro tão familiar da família humana, em que a porta do céu tem alguém nos abre, outra pessoa cuida e Jesus abre seus bracinhos pedindo colo e abraço de todos.

Catequista: arauto de Cristo Rei

(Vandeia Ramos)

Interessante de nós notarmos que muita gente, ainda hoje, considera que, quanto mais rica e ornada a igreja, melhor expressa a glória de Deus. Para os hebreus, que não conheciam muita coisa além da Palestina, o Templo de Jerusalém era deslumbrante, brilhando com a luz do sol, como se a grandiosidade de Deus estivesse diretamente relacionada à riqueza do Templo.
No entanto, no ano 70 d.C., o Império Romano invadiu Jerusalém depois de uma revolta, e colocou o Templo abaixo, junto com a vida de mais de um milhão de judeus. Tudo o que lhes era mais caro, centro da fé, habitação de Deus na terra, foi destruído. Deus teria sido junto? Onde estaria Deus no meio da confusão? Não é o que perguntamos quando acontecem coisas difíceis, nem esperadas nem desejadas? O que fizemos de errado? Ou será que colocamos nossa atenção no brilho efêmero?
Muitas vezes temos um olhar romântico e idealista sobre a vida, sobre a realidade. Acreditamos que tudo caminha para um final feliz, como um conto de fadas. Só que sabemos que a convivência humana não é tão simples assim. As histórias terminam no melhor momento. Nós também teremos uma Vida de Eterna Felicidade. Mas antes precisaremos estar prontos para ela, fazer uma escolha firme, em um “sim” constante e perseverante.
Isso significa que considerar conflitos como cotidianos é algo razoável, ainda que não sejamos nós a fomentá-los. Sabemos que a busca de poder e posições sociais, políticas e econômicas suscita jogos de interesses, em que alguns desejam dominar a tantos. E isso termina em guerras, prisões e diversas situações.
Só que temos a promessa de, fazendo o que é o melhor, a vontade de Deus, Jesus estará sempre conosco e, em situações difíceis, o Espírito Santo nos inspirará. A quem temeremos? Não significa que será fácil, e sim que precisamos ser firmes quanto ao que acreditamos e nossa opção fundamental por Deus.
Israel passou pelo cativeiro da Babilônia e, quando voltou para Jerusalém, muitos foram cuidar dos próprios interesses, deixando a reconstrução do Templo, e consequente identidade enquanto povo, de lado. Isso significa que os conflitos ficaram acirrados, com disputa por terras, espaço para construção da moradia e postos de liderança perante o povo. O sentido da vida estava fragilizado. O profeta Miquéias nos lembra que estas preocupações cotidianas só têm sentido se forem voltadas a partir da justiça, o que se refere à centralidade em Deus.
São Paulo nos vai indicar que o caminho é o serviço comunitário. Na espera da volta de Jesus, alguns queriam se aproveitar e não trabalhar. Mas queriam usufruir do fruto do trabalho dos demais. Com a Criação, Deus nos deu tanto, mas na orientação de cultivar e guardar. Não é para uso egoísta, e sim pelo bem de todos. Neste dia do Pobre, nós temos a preocupação com os que não têm condições de garantir o próprio sustento e que comumente são espoliados de condições dignas de vida. Tudo o que Deus dá é para todos, e não é justo que tantos fiquem sem acesso ao mínimo.
Dos anawin, os que deixaram tudo para seguir Deus, temos sua direção: aos que mais precisam, condição da justiça e da paz. E Jesus vem nos ensinar o caminho. Não para ser deixado para depois. E sim agora, já. Pois não sabemos quando o noivo vem.
O Ano Litúrgico se encerra na semana que vem. A Liturgia anuncia que o Retorno está próximo. A justiça que não fizermos, teremos que prestar conta. Entre o Jesus Juiz e o Jesus Amigo, como nos colocamos?
Precisamos ser modelos de serviço para nossos catecúmenos. Através de nós, Jesus manifesta sua Justiça. Comecemos o quanto antes a anunciar Cristo Rei do Universo.

Os povos da Bíblia


O grande assunto da Bíblia é a história do povo de Deus morador no país de Canaã. Mas ela é história de muitos outros povos, a quem Deus acompanhou com o mesmo cuidado. A região habitada por eles era a mesma que, hoje, chamamos de Oriente Médio. Os principais povos que fazem parte da história bíblica são:
Egípcios: viviam da agricultura nas margens do rio Nilo. Formaram um poderoso império em 3000 a.C.. Tinham vários deuses (politeísmo), mas foram os primeiros a falar de um Deus único (monoteísmo). Até hoje vemos lá pirâmides imensas, construídas com trabalhos forçados para serem túmulos dos faraós (leiam Ex 1,11). Por isso, obras públicas imensas, feitas com o suor do povo, são chamadas hoje de obras faraônicas.
Cananeus: viviam em Canaã quando os israelitas conquistaram as cidades e dividiram o país entre suas próprias tribos (Jz 1,9). Sua religião era ligada à agricultura. Os deuses mais importantes eram Baal, deus da chuva, e Astarte ou Asserá, deusa da fertilidade (Jz 2,11-13).
Filisteus: chegaram depois dos israelitas e se instalaram na beira do mar. Tentaram conquistar Canaã (Jz 13,1). Os israelitas tiveram que organizar um forte exército para defender o sistema de tribos.
Amonitas, moabitas e edomitas: viviam do lado direito do rio Jordão, como pastores. Ao longo de sua história, fizeram guerras e alianças com Israel. Eram como primos dos israelitas, pois descendiam todos da família de Abraão.
Assírios: faziam parte de um poderoso império que explorava outros povos através do comércio. Como tinha um exército forte, sempre levava a melhor nos acordos comerciais. Os pobres ficavam cada vez mais miseráveis e a Assíria cada vez mais rica. É parecido com o que acontece hoje entre países ricos e pobres. Quando um povo se recusava a fazer parte desse jogo, a Assíria invadia o país rebelde e destruía tudo. Em 722 a.C., destruiu o norte de Israel e levou os israelitas para longe. (2Rs 17,3-6).
Babilônios: pertenciam a um império tão antigo quanto o império do Egito. Viviam na Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates que garantiam prosperidade econômica. Babilônia se comunicava com o Egito através de várias estradas. As principais estradas do Oriente Antigo passavam por Canaã. Por isso, todos os impérios queriam Ter o controle político e militar dessa região.
Muitas tradições religiosas da Babilônia foram aproveitadas na Bíblia. Por exemplo, as histórias de dilúvio (Gn 6-9).

A VIDA EM CANAÃ
Em Canaã, diversos povos viviam da agricultura e do pastoreio. Eles se organizavam em clãs ou grandes famílias. Vários clãs formavam uma tribo.
Nos clãs, a mulher e a criança eram consideradas propriedades do homem, como o rebanho e a terra. O líder da família era chamado de patriarca.
Os clãs viviam em pequenas aldeias em torno das cidades. Cada cidade tinha um rei, um exército (para proteger a cidade de invasores) e um santuário (onde eram adorados os deuses de cada povo).
Os camponeses viviam do trabalho na terra. Os reis, guerreiros e sacerdotes viviam dos impostos que cobravam dos camponeses e das tribos vizinhas dominadas. É o sistema tributário, pois se baseava nos tributos (impostos) que os mais fracos eram obrigados a pagar aos mais fortes.
O imposto podia ser pago de duas formas: com produtos da terra ou com trabalhos forçados para o rei. Era o sistema usado por todos os grandes impérios, como o Egito (Ex 1,11).
Muitos camponeses se revoltavam com esse sistema. Uns fugiam para as montanhas onde os exércitos não chegavam. Outros se organizavam e procuravam uma nova vida numa nova terra. Foi o caso dos Hebreus no Egito, que clamaram a Javé e foram ouvidos. (Ex 2,23).

É muito importante conhecer o modo de vida daquela época. Como vamos entender a ação de Deus na vida sem olhar para a vida? Seria o mesmo que passear no escuro: a gente não vê nada e ainda corre o risco de pisar onde não deve…

FORMAÇÃO DO POVO DE DEUS
O povo de Deus é como o povo brasileiro: formado de muitas raças e culturas diferentes, que foram se misturando e formando um novo grupo.
Assim foi em Canaã. Gente de diversas regiões foi chegando e formando um único povo unido por um ideal: terra e pão, igualdade e justiça.
Esses povos brigavam muito, mas também se misturavam através de alianças e casamentos. Javé, o Deus da vida, era o ponto de união. Aderir a Javé era o mesmo que aderir à defesa da vida.
O povo de Deus não era apenas o grupo de israelitas, nem é hoje só o grupo de católicos (Am 9,7).

Faz parte do povo de Deus toda pessoa que luta pela vida e é solidária com os irmãos. Povo de Deus é povo a caminho da “terra prometida” de cada dia.

Fonte: Folheto Ecoando 3 – formação interativa com catequistas – Editora Paulus

Papa Francisco perdoa padre Cícero

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Em longa correspondência enviada ao Bispo Diocesano de Crato, Dom Fernando Panico, o Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, afirmou que: “A presente mensagem foi redigida por expressa vontade de Sua Santidade o Papa Francisco, na esperança de que Vossa Excelência Reverendíssima não deixará de apresentar à sua Diocese e aos romeiros do Padre Cícero a autentica interpretação da mesma, procurando por todos os meios apoiar e promover a unidade de todos na mais autentica comunhão eclesial e na dinâmica de uma evangelização que dê sempre e de maneira explicita o lugar central a Cristo, principio e meta da História”.

A mensagem lembra, inicialmente, as festas pelo centenário de criação da Diocese de Crato acrescentando “que (essas comemorações) põem em realce a figura do Padre Cícero Romão Batista e a nova Evangelização, procurando concretamente ressaltar os bons frutos que hoje podem ser vivenciados pelos inúmeros romeiros que, sem cessar, peregrinam a Juazeiro atraídos pela figura daquele sacerdote. Procedendo desta forma, pode-se perceber que a memória do Padre Cícero Romão Batista mantém, no conjunto de boa parte do catolicismo deste país, e, dessa forma, valoriza-la desde um ponto de vista eminentemente pastoral e religioso, como um possível instrumento de evangelização popular”.

Lembrando que Deus sempre se serve de pobres instrumentos para realizar suas maravilhas e que todos nós somos “vasos de argila” (2Co 4,7) em Suas mãos, o texto afirma, sem dúvida alguma, que Padre Cícero, pelo seu intenso amor pelos mais pobres e por sua inquebrantável confiança em Deus, foi esse instrumento escolhido por Ele. O Padre respondeu a este chamado, movido por um desejo sincero de estender o Reino de Deus.

A seguir, alguns tópicos da correspondência:

“Mas é sempre possível, com a distância do tempo e o evoluir das diversas circunstâncias, reavaliar e apreciar as várias dimensões que marcaram a ação do Padre Cícero como sacerdote e, deixando à margem os pontos mais controversos, por em evidência aspectos positivos de sua vida e figura, tal como é atualmente percebida pelos fiéis”.

“É inegável que o Padre Cícero Romão Batista, no arco de sua existência, viveu uma fé simples, em sintonia com o seu povo e, por isso mesmo, desde o início, foi compreendido e amado por este mesmo povo”.

“Deixou marcas profundas no povo nordestino a intensa devoção do Padre Cícero à Virgem Maria” no seu título de “Mãe das Dores e das Candeias” (…) Como não reconhecer, Dom Fernando, na devoção simples e arraigada destes romeiros, o sentido consciente de pertença à Igreja Católica, que tem na Mãe de Jesus Cristo um dos seus elementos mais característicos?

“A grande romaria do dia de Finados, iniciada pelo Padre Cícero, transmite a dimensão escatológica da existência humana. Pois, como afirma o documento de Aparecida, Nossos povos (…) têm sede de vida e felicidade em Cristo. (…)

“Não deixa de chamar a atenção o fato de que estes romeiros, desde então, sentindo-se acolhidos e tendo experimentado, através da pessoa do sacerdote, a própria misericórdia de Deus, com ele estabeleceram – e continuam estabelecendo no presente – uma relação de intimidade, chamando-o na carinhosa linguagem popular nordestina de “padim”, ou seja, considerando-o como um verdadeiro padrinho de batismo, investido da missão de acompanhá-los e de ajuda-los na vivência da sua fé”.

“No momento em que a Igreja inteira é convidada pelo Papa Francisco a uma atitude de saída, ao encontro das periferias existenciais, a atitude do Padre Cícero em acolher a todos, especialmente aos pobres e sofredores, aconselhando-os e abençoando-os, constitui sem dúvida, um sinal importante e atual”.

“O afeto popular que cerca a figura do Padre Cícero pode constituir um alicerce forte para a solidificação da fé católica no ânimo do povo nordestino (…). Portanto, é necessário, neste contexto, dirigir nossa atenção ao Senhor e agradecê-lo por todo o bem que ele suscitou por meio do Padre Cícero”.

“Assim fazendo, abrem-se inúmeras perspectivas para a evangelização, na linha desta recomendação do Documento de Aparecida; “Deve-se dar catequese apropriada que acompanhe a fé já presente na religiosidade popular”. (Documento de Aparecida, 300).

“Ao mesmo tempo que me desempenho da honra de transmitir uma fraterna saudação do Santo Padre a todo o povo fiel do sertão do Ceará, com os seus Pastores, bendizendo a Deus pelos luminosos frutos de santidade que a semente do Evangelho faz brotar nestas terras abençoadas, valho-me do ensejo para lhe testemunhar minha fraterna estima e me confirmar de Vossa Excelência Reverendíssima devotíssimo no Senhor.”

(Fonte)

Um pouco da história de Padre Cícero:

Cícero Romão Batista
24/3/1844, Crato (CE) – 20/71934, Juazeiro do Norte (CE)

O filho de Joaquim Romão Batista e Joaquina Vicência Romana, desde pequeno já demonstrava vocação para o sacerdócio. Aos 12 anos fez votos de castidade, influenciado pela leitura da vida de São Francisco de Assis. Entrou para o seminário em 1865, em Fortaleza.

Retornou à sua cidade natal onde permaneceu um tempo ensinando latim no colégio local. No natal de 1871 viajou a convite do amigo Prof. José Joaquim Marrocos para celebrar a Missa do Galo no pequeno vilarejo de Juazeiro do Norte, que na época pertencia ao município de Crato. No ano seguinte voltaria para a vila onde passaria grande parte da sua vida, desta vez para ser o vigário.

Uma de suas primeiras medidas na cidade foi reformar com auxílio de doações e esmolas a pequena capela erguida pelo antecessor em homenagem a Nossa Senhora das Amparo e que posteriormente viraria de Nossa Senhora das Dores. Passou a desenvolver um intenso trabalho junto a comunidade, ganhando rapidamente o respeito e admiração dos moradores. Cuidou pessoalmente de alguns problemas da cidade, ajudando a acabar com a prostituição e com as bebedeiras.

Entretanto o fato que o colocaria em um patamar superior iria acontecer apenas em 1889, quando no dia 6 de março a moradora Maria de Araújo recebeu uma hóstia que segundo relatos se transformou em sangue.

O milagre continuou a acontecer por dois meses e transformou a pequena Juazeiro em um centro de peregrinação. O então pároco foi alçado pela população ao patamar de santo a ponto de considerarem conselhos como dons espirituais.

A Igreja Católica rapidamente interveio. O Bispo do Ceará, Dom Joaquim José Oliveira enviou uma comissão a Juazeiro formada pelos Padres Clicério da Costa Lobo e Francisco Ferreira Antero. O primeiro relatório afirmava o milagre. Uma segunda comissão foi enviada, desta vez os representantes foram os Padres Antônio Alexandrino de Alencar e Manoel Cândido . Dias depois um novo parecer foi dado justificando o sangue na hóstia como fruto de uma ferida na garganta de Maria de Araújo.

O medo de uma nova Guerra de Canudos fez os coronéis locais pressionarem a arquidiocese, e esta, por sua vez, pressionou Roma. Em 1898 o Padre Cícero foi afastado de suas funções e exilado na vila do Salgueiro. No mesmo ano chegou a Juazeiro Floro Bartolomeu, atraído pelo cobre da região.Rapidamente virou amigo do Padre.

Logo em seguida foi ao Vaticano, onde passou oito meses e teve a suspensão confirmada. Não adiantou, o “Padim” voltou para Juazeiro com tantos devotos quanto antes. Proibido de exercer suas funções como padre e incentivado pro Floro Bartolomeu, passou a exercer atividades políticas.

Em 22 de julho de 1911 conseguiu que Juazeiro do Norte fosse elevada a categoria de cidade com Padre Cícero sendo o prefeito. Chegou a ser deputado (nunca tomou posse) e vice-presidente do Ceará.

Em 1914 apoiou a chamada “Guerra Santa” inflamada por Floro Bartolomeu contra o governo estadual. Juazeiro foi o centro da revolução que culminou com a queda do governador Franco Rebelo. Com o sucesso do movimento (que foi apoiado pelo governo federal), Padre Cícero começou a ser visto como um importante líder político na região.

padre-cícero-lampiaoEm 1926 foi pedido para que ele participasse da negociação com Lampião que deveria mobilizar seu bando contra a Coluna Prestes que percorria o Brasil. O cangaceiro era devoto de Padre Cícero, mas nem isso o impediu de se aproveitar da situação. Lampião pegou as armas, os mantimentos e o cargo de capitão e foi na direção oposta dos inimigos.

O poder político do “Padim” acabou com a Revolução de 1930. Seu poder espiritual continuou entretanto mesmo após sua morte, quatro anos depois. Em 1º de novembro de 1969 foi inaugurada na cidade uma estátua de 25 m de Padre Cícero.

Ainda hoje milhares de devotos compartilham da fé em Padre Cícero e partem em grandes romarias para Juazeiro do Norte.

(Fonte)

28 DE MARCO 2014, CONCURSO DE FOTOGRAFIAS O MEU CARIRI. Marcilene Errera venceu na categoria religiosidade e obteve o segundo lugar, com uma bela imagem do Padre Cícero.  - REGIONAL - 30cr0293  -  MARCILENE ERRERA

(Foto de Marcilene Errera)