Fé e missão: a vida do catequista

(Vandeia Ramos)

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É comum percebermos à nossa volta uma crise de fé. Os problemas se acumulam em nossa família, no mundo e nem sempre vemos em nossa comunidade o que esperamos de uma Igreja. É comum procurarmos paliativos, momentos de exaltação do sentimento, referência em pessoas que se tornam modelos, referenciais. Escutamos e falamos que vamos à missa tal, o terço de uma pessoa, oração desta forma… parecem planos de fuga em que, por um tempo, esquecemos do que nos aflige e descansamos em Deus.
Só que depois precisamos voltar à dureza do dia a dia na saudade do que vivemos e na expectativa de quando poderemos ter estes instantes novamente. O cotidiano, o corriqueiro, deixa de ter o devido retorno e satisfação para que possamos nos servir de confortos temporários.
O evangelho vai nos apresentar uma proposta: assumirmos que nossa fé é menor que um grão de mostarda, que somos muito pequenos frente a tudo ao nosso redor, mas buscarmos o socorro no Senhor. Não em pessoas ou em momentos furtivos. Os discípulos pedem por mais fé para enfrentarem as dificuldades do dia a dia, e não momentos de descanso.
Jesus ainda nos lembra de nosso lugar. Não somos Igreja para nos servirmos de seus bens, mesmo que espirituais. Somos Igreja para servir aos demais. É deste modo que recebemos a força necessária para continuar. Somos “servos inúteis” que primeiro servem a um Senhor que não precisa de nós, mas que quer que participemos de sua obra. Não estamos aqui para buscarmos uma vida de regalias. A messe está à espera dos operários. Na ida ao serviço, de continuar apesar de tudo parecer que é contrário ao que acreditamos, que Jesus nos dá a fé que pedimos.
Na perseverança, temos a prova de que Deus é o Senhor de tudo, inclusive de nossa vida. Ele que a dirige. Na ida aos demais, Ele nos fala e nos mostra o seu cuidado terno conosco. E percebemos, entre alegres e cheios de temor, que “fazemos o que devemos fazer”.
Se há muitos problemas no mundo, não estamos sozinhos para enfrentá-los. Jesus já foi à frente e estende a mão para atravessar conosco pela vida, para que estejamos onde Ele já está. O “salto da fé” na confiança que, no momento que Deus achar melhor, o mar vai se acalmar.
Nas palavras da Sagrada Escritura encontramos nossa força e missão. Entre o “não temas”, “ide” e “Eu estarei convosco até o fim”, seguimos na fé que nos sustenta e nos impulsiona a irmos adiante.
Não estamos começando na vida. Se olharmos pelo caminho que já percorremos, poderemos ver as maravilhas que Deus já fez, como que Sua atenção nos detalhes é repleta de riqueza. Não nos esqueçamos do quanto somos privilegiados de sermos catequistas, de podermos crescer juntos com outros e com nossos catecúmenos. Afinal, o que anunciamos é para quem? Não falamos muitas vezes o que nós mesmos deveríamos ouvir primeiro?
Abramos nossos corações para a missão que nos é confiada e sigamos adiante, na certeza de que vamos com um céu inteiro conosco.

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Santificados pelo sofrimento

(Prof. Felipe Aquino)

O sofrimento santifica?

Sentimos em nossa carne, que a conquista da santidade é algo que supera as nossas forças humanas, por isso os santos parecem aos nossos olhos como sobre-humanos. Na verdade, foi com o auxílio da graça de Deus que chegaram ao estado da bem-aventurança. “O que é impossível à natureza, é possível à graça de Deus”, disse Santo Agostinho. Ele ensina que a graça não anula e nem dispensa a natureza, a enriquece.

Como Deus nos vocacionou para sermos santos, Ele dirige a nossa vida e os nossos passos sempre nessa direção. Na medida que a nossa liberdade o consente Ele dirige os nossos passos para esse fim. É por isso que nos acontecimentos de nossa vida muitas vezes não entendemos o que nos sucede. Na verdade é a mão de Deus a nos conduzir.

O médico não prescreve o medicamento que agrada ao paciente, mas aquele que o cura. Assim também, como o Médico das almas, Deus nos apresenta muitas vezes remédios amargos, mas é para a nossa santificação. Assim, as provações e as tentações que Deus permite que nos atinjam são para o nosso bem espiritual. A Bíblia nos dá essa certeza. Àqueles que querem ser seus discípulos o Senhor exige: “Tome a sua cruz cada dia e siga-me” (Lc 9,23). Após a disposição interior de “renunciar a si mesmo”, é preciso a mesma disposição para “tomar a cruz cada dia”. Foi com a cruz que o Cordeiro de Deus tirou o pecado do mundo, e é também com a cruz que Ele tira o pecado enraizado em cada um de nós. Sabemos que o sofrimento não é obra de Deus, é a consequência do pecado.

“O salário do pecado é a morte”(Rom 6,23). Para dar um sentido ao sofrimento, Jesus o transformou em “matéria prima” da nossa salvação. Quem quer chegar à santidade não deve ter medo da cruz e deve toma-la, resolutamente, “a cada dia”, como disse Jesus, porque é ela que nos santificará.

Para entender essa pedagogia divina vamos examinar o que nos ensina a Carta aos hebreus, no capítulo 12, sobre as provações. Começa dizendo que assim como fizeram os santos, devemos nos “desvencilhar das cadeias do pecado” (v.1), enfrentando o “combate que nos é proposto”, como Jesus, que “suportou a cruz” (v.2), sem se deixar “abater pelo desânimo”(v 3). Em seguida mostra”nos que tudo é válido na luta contra o pecado. “Ainda não tendes resistido até ao sangue, na luta contra o pecado” (v.4).

Nesta luta vale a pena derramar até o próprio sangue, a própria vida. Em seguida a Carta recorda a citação dos Provérbios que diz:“Filho meu, não desprezes a correção do Senhor. Não desanimes,quando repreendido por ele, pois o Senhor corrige a quem ama e castiga todo aquele que reconhece por seu filho”(Prov. 3,11).

Assim como nós pais terrenos, corrigimos os nossos filhos, porque os amamos, Deus também o faz conosco. Quantas vezes eu precisei segurar no colo os meus filhos, quando ainda pequenos, para que o farmacêutico os aplicasse uma injeção. Só o amor por eles me obrigaria a tal ato, mesmo com o seu choro nos meus ouvidos. Assim também Deus faz conosco; por amor, permite que as provações arranquem as ervas daninhas do jardim precioso de nossa alma.

A palavra de Deus diz: “não desprezes a correção do Senhor” (v.5), portanto devemos acolhe-la, amá-la, mesmo que nos incomode. E ela continua: “Estais sendo provados para a vossa correção: é Deus que vos trata como filhos. Ora, qual é o filho a quem seu pai não corrige ?” (v. 7). Somos filhos legítimos de Deus, e não bastardos, por isso Ele nos corrige (V.8). E a palavra de Deus nos diz que Ele nos corrige “para nos comunicar a sua santidade” (v.10). Aí está a razão pela qual Jesus nos manda abraçar a cruz de cada dia. É pelas pequenas e numerosas cruzinhas de cada dia que o Artista Divino vai moldando a nossa alma, à sua própria imagem. A nós cabe ter paciência e aceitar cada sofrimento, cada revés, cada humilhação, cada doença, enfim, cada golpe do Artista, com resignação e ação de graças.

A nossa natureza sempre se revolta, se impacienta e se agita desesperada, e com isso, só faz aumentar ainda mais o sofrimento e agrava a situação. O segredo para se sofrer com paciência é não olhar nem para o passado e nem para o futuro, mas viver, na fé, o presente. Um dos grandes conselhos que Jesus nos deixou no Sermão da Montanha foi este:“Não vos preocupeis pois com o dia de amanhã (…). A cada dia basta o seu mal” (Mt 6,34). Deus sempre nos dará a graça necessária para carregar, com determinação, a cruz de cada dia que nos santifica.

Cada um de nós têm a sua própria cruz, única e exclusiva, pois para cada tipo de doença há um remédio próprio.

A nossa cruz “de cada dia” é formada de tudo o que fazemos e sofremos: o trabalho diário, as preocupações, a falta de dinheiro, a doença, o acidente, a contrariedade, as calúnias, os mal entendidos, enfim, tudo, o que nos desagrada. Tudo isto se torna sagrado quando abraçado na fé e colocado no cálice do sangue do Senhor celebrado a cada dia no altar.

Certa vez, andando no Cemitério, por entre as sepulturas, em dado momento deparei”me com essa frase em uma delas: “A melhor oração é o sofrimento”. É verdade, pensei, mas desde que seja abraçado na fé e na paciência, e oferecido ao Pai junto com o sangue de Jesus.

A cruz se torna mais suave quando é aceita por amor a Deus. Jesus mesmo ensinou à confidente do seu Coração, Soror Benigna Consolata, como se deve sofrer: “Quando sofres, quer interna quer externamente, não percas o merecimento da dor. Sofre unicamente por Mim”. Sofrer tudo por amor a Jesus, eis o segredo de sofrer bem . Santo Agostinho tem uma frase que nos ensina bem tudo isso: “Quando se ama não se sofre, e se sofre, ama-se o sofrimento”. Quanto mais calados sofrermos, sem ficarmos buscando o consolo das pessoas que nos cercam, choramingando as nossas dores, tanto mais cresceremos na santidade, e tanto mais teremos méritos diante de Deus. A maior vitória sobre o sofrimento, qualquer que ele seja, será sempre o nosso silêncio e aceitação.

Muitas vezes nos impomos uma série de mortificações, mas os santos ensinam que as melhores cruzes são aquelas que Deus permite que cheguem a nós. “São Francisco de Sales dizia que: “As cruzes que encontramos pelas ruas são excelentes, e que mais o são ainda” e tanto mais quanto mais importunas ”as que se nos deparam em casa”. Valem mais as cruzes do que as disciplinas e os jejuns. De que adianta a penitência que voluntariamente nos impomos, se não aceitamos aquelas que diariamente Deus nos impõe, na medida exata da nossa correção? De nada valeria o sacrifício de um enfermo que quisesse tomar muitos remédios amargos que não fosse aquele receitado pelo médico. De forma alguma devemos desprezar as mortificações que nos impomos, contudo, mais importante do que elas são as que a divina providência nos manda.

São Paulo dizia aos romanos que “tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus” (Rom 8,28). Deus sabe aproveitar todos os acontecimentos da nossa vida para o nosso bem. Aceitar isso é ter fé, é saber abandonar-se nas mãos divinas, como o enfermo se entrega nas mãos do médico em que confia.

Tudo o que podemos passar nesta vida é pouco em vista da grande obra de santificação que Deus quer fazer em nós. Não podemos perder de vista o objetivo de Deus Pai que nos “predestinou para sermos conforme à imagem de seu Filho” (Rom 8,29). São Paulo tinha isto tão certo que disse aos romanos:

“Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada” (Rom 8,18).

É grande demais a obra que Deus está fazendo em nós. Santo Agostinho nos ensina que Deus “não permitiria o mal se não soubesse tirar dele um bem maior”. E que muitas vezes Deus permite que o mal nos atinja para evitar um mal maior.

As provações nos fortalecem para o combate espiritual; por isso, os Apóstolos sempre estimularam os fiéis a enfrentá”las com coragem. São Pedro diz:

“Caríssimos, não vos perturbeis no fogo da provação, como se vos acontecesse alguma coisa extraordinária. Pelo contrário, alegrai”vos em ser participantes dos sofrimentos de Cristo…”(1 Pe 4,12).

E ele ensina que a provação nos levará à perfeição:

“O Deus de toda graça, que vos chamou em Cristo à sua eterna glória, depois que tiverdes padecido um pouco, vos aperfeiçoará, vos tornará inabaláveis, vós fortificará” (1 Pe 5,10).

É importante notar que o Apóstolo ensina-nos que a provação nos “aperfeiçoará-e nos tornará “inabaláveis”. É importante não se deixar perturbar no fogo da provação. Não se exasperar, não perder a paz e a calma, pois é exatamente isto que o tentador deseja. Uma alma agitada fica a seu bel-prazer. Não consegue rezar, fica irritada, mal humorada, triste, indelicada com os outros, etc. O antídoto contra tudo isso é a humilde aceitação da vontade de Deus no exato momento em que algo desagradável nos ocorre, dando, de imediato, glória a Deus, como São Paulo ensina: “Em todas as circunstâncias dai graças, pois esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus” (1 Tes 5,16). É preciso fazer esse grande e difícil exercício de dar glória a Deus na adversidade. Nesses momentos gosto de ficar glorificando a Deus, rezando muitas vezes o “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo …” até que minha alma se acalme e se abandone aos cuidados de Deus. Essa atitude muito agrada a Deus, pois é a expressão da fé pura de quem se abandona aos seus cuidados. É como a fé de Maria e de Abraão que “esperaram contra toda a esperança” (Hb 11,17-19), e assim, agradaram a Deus sobremaneira.

Jó agradou muito a Deus porque no meio de todas as provações, tendo perdido todos os seus bens e todos os seus filhos, ainda assim soube dizer com fé :

“Nu sai do ventre da minha mãe, nu voltarei. O Senhor deu, o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor! ” (Jo 1,21).

Afirmam os santos que vale mais um “bendito seja Deus!” pronunciado com o coração, no meio do fogo da provação, do que mil atos de ação de graças quando tudo vai bem.

O pecado original corrompeu tão intensamente o estado de santidade e de justiça original, em que Deus nos criou que, só mesmo com as provações Ele retira as “ervas daninhas” que se entranharam no jardim da nossa alma, que é propriedade de Deus. O Jardineiro divino da nossa alma sabe os métodos que deve empregar para limpar cada alma. Santa Teresa diz que sentiu Jesus dizer-lhe:

“Fica sabendo que as pessoas mais queridas de meu Pai são as que são mais afligidas com os maiores sofrimentos”. E por isso afirmava que não trocaria os seus sofrimentos por todos os tesouros do mundo. Tinha a certeza de que Deus a santificava pelas provações. A santa chega a dizer que “quando alguém faz algum bem a Deus, o Senhor lhe paga com alguma cruz”. Para nós essas palavras parecem até um absurdo, mas não para os santos, que conheceram todo o poder salvífico e santificador do sofrimento.

São Paulo ensina que:
“As nossas tribulações de momento são leves e nos preparam um peso de glória eterna” (2Cor 4,17).

Quando São Francisco de Assis passava um dia sem nada sofrer por Deus, temia que Deus tivesse se esquecido dele. São João Crisóstomo, doutor da Igreja, diz que “é melhor sofrer do que fazer milagres, já que aquele que faz milagres se torna devedor de Deus, mas no sofrimento Deus se torna devedor do homem”.

Só aceitaremos e amaremos o sofrimento quando enterdermos, como os santos, que por meio dele, Deus destrói em nós as más inclinações interiores e exteriores, que impedem a nossa santificação. As ofensas, as injúrias, os desprezos, os cinismos irritantes, as doenças, as dores, as lágrimas, as tentações, a humilhação do pecado próprio, etc., nos são necessários pois dão-nos a oportunidade de lutarmos contra as nossas misérias.

Isto não quer dizer que Deus seja o autor do mal, ou que Ele se alegre com o nosso sofrimento, não. O que Deus faz, de maneira até amável, é transformar o sofrimento, que é o salário do próprio pecado do homem, em matéria prima de sua própria salvação, dando assim, um sentido à dor. A partir daí, sob à luz da fé, podemos sofrer com esperança. É o enorme abismo que nos separa dos ateus, para quem a dor e a morte, continuam a ser o mais terrível dos absurdos da vida humana.

A paciência na dor é a grande arma do santo. São Tiago afirma que a paciência produz uma obra perfeita. Veja o que ele diz:

“Meus irmãos, tende por motivo de grande alegria o serdes submetidos a múltiplas provações, pois sabeis que a vossa fé, bem provada, leva à perseverança, mas é preciso que a perseverança produza uma obra perfeita, a fim de serdes perfeitos e íntegros sem nenhuma deficiência” (Tg 1,2″4).

A provação produz a perseverança, e por ela, passo a passo, chegaremos à perfeição, é o que nos ensina com essas palavras São Tiago.

O capítulo dois do Livro do Eclesiástico é o “hino da paciência”. Deveríamos decorar suas palavras:

“Meu filho, se entrares para o serviço de Deus (…) prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com paciência (…) não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência” (Eclo 2,1-3).

“Aceita tudo o que te acontecer; na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus, pelo cadinho da humilhação” (4-6).

Essas palavras precisam ser muito bem assimiladas, amadas e vividas. É a paciência que nos levará ao céu. São Gregório Magno afirma que todos os santos foram mártires ou pela espada ou pela paciência. São Paulo gloriava-se nas provações:

“Nós nos gloriamos também nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a perseverança…” (Rom 5,3-5).

Sofrer com paciência é sabedoria, pois assim se vive com paz. Quem sofre sem paciência e sem fé, revolta-se, desespera-se, e sofre em dobro, além de fazer os outros sofrerem também. Santo Afonso diz que “neste vale de lágrimas não pode ter a paz interior senão quem recebe e abraça com amor os sofrimentos, tendo em vista agradar a Deus”. Segundo ele “essa é a condição a que estamos reduzidos em consequência da corrupção do pecado”.

É preciso aqui, ressaltar ainda uma vez mais, que as mortificações que aparecem contra a nossa vontade são as mais agradáveis a Deus, quando as abraçamos com fé e paciência. Diz o livro dos Provérbios que:

“Mais vale o homem paciente do que corajoso” (Pr 16,32).

Quando eu tinha vinte e dois anos de idade, recém formado na Faculdade, fui aprovado em concurso para Professor de uma Faculdade Federal de Engenharia. Casei-me no mesmo ano e nosso primeiro filho nasceu no ano seguinte. Sentia-me como um rei; tudo estava perfeito na minha vida. De repente, em poucos dias comecei a sentir a minha vista enfraquecer. Fui ao médico e ele constatou uma doença incurável, ceratocone, deformação da córnea. Eu teria que usar lentes de contato, de vidro, para sempre, até quem sabe, me submeter um dia a transplante das córneas.

Tudo aquilo, tão rápido, despencou sobre a minha cabeça como uma tempestade; e eu fiquei perguntando a Deus o que tudo aquilo significava. Isto já faz vinte e quatro anos. Lembro-me que naqueles dias, perguntei ao Pe Jonas Abib, que era o nosso diretor espiritual, sobre aquilo que eu sofria. Ele me disse:

“Eu não sei o que Deus quer com isso, mas certamente ele tem um plano atrás desses acontecimentos”.

Hoje, 24 anos depois, posso avaliar o quanto esta enfermidade ajudou-me a crescer espiritualmente. Talvez eu não estivesse hoje escrevendo essas páginas sobre o valor do sofrimento, se tudo isso não tivesse ocorrido. Aprendi a ser mais paciente comigo, com a doença, com os outros. Tive que fazer três transplantes das córneas, e atrás de tudo isto sempre vi a vontade de Deus na minha vida.

O homem de fé é aquele que está pronto a dizer sempre, em qualquer circunstância da vida: “Bendito seja Deus!”

(Fonte)

Entre a piedade de Jesus e a alegria da esperança

(Vandeia Ramos)

Estou eu aqui lembrando do falecido Pe Léo comentando a passagem do evangelho de hoje. A liturgia no segundo turno das eleições nos faz algumas indicações. A primeira e sempre pertinente é nos lembrar quem é o Senhor e Salvador: Jesus. Não é nenhum dos candidatos a qualquer cargo do pleito. Não que eles não sejam importantes. São. Mas enquanto pessoas responsáveis pelo cuidado do povo a partir do cargo que se propõem a ocupar.
Em alguns casos, estamos nos juntando ao cego e dizendo: Jesus, tem piedade de nós. O povo anda tão sofrido, tão desesperançoso. Vemos isso na realidade de vida de nossos catecúmenos. E lembro do Pe Leo quando Jesus pergunta o que o cego quer. Se é cego já pressupõe que deseja ver. Então porque Jesus pergunta? Porque é preciso que confessemos que queremos ver. Muitos não querem. Ver as coisas de Deus envolve resposta ao que vemos e comprometimento de vida. Queremos mesmo ver? Aí Jesus responde: A tua fé te cura! Às vezes eu acho que nossa fé está mais nos demais que em nós mesmos ou em Deus…
Os que crêem serão “o resto de Israel”. Serão os mais sofridos. Os que enfrentaram a escravidão da Babilônia e viram a libertação. Não se venderam por cargos, facilidades ou depositaram sua esperança neste ou naquele. Quando Ciro, o Grande, rei da Pérsia, liberta o povo, o que lhe resta? Na luta com as nossas dificuldades, corremos o risco de nos perdermos a nós mesmos. Entre cegos e aleijados, temos mulheres prestes a dar a luz. Israel está para se renovar. E continuamos, mesmo entre dores e sofrimentos, pois sabemos em que direção e a quem olhamos.
Pelo batismo, somos reis, profetas e sacerdotes. Enquanto catequistas, estamos a nos oferecer pelos nossos. Também enquanto família, estudantes, profissionais… Pelo serviço, reinamos. Pelo Espírito, anunciamos. Entre oferecer os nossos dons e fazer sacrifícios para que o amor de Deus prevalesça entre nós, vamos nos configurando a Cristo. E participamos com Ele da Eucaristia. Como Igreja, somos o seu Corpo, alimento de caminhada de muitos. Também somos o seu Sangue que passa a ser oferecido por todos. Como diria São João Paulo II, no martírio do dia a dia, uma gota de sangue. Até a última.
É nesta dinâmica entre pedir para ver e conseguir identificar a ação de Deus no nosso dia a dia, fazer de nossa vida uma oferta de amor e sacrifício, que vamos nos configurando a Cristo, no resto de Israel, entre perdas e esperança renovada de Deus em nós. Neste dia a dia, nossas lágrimas vão regando o arado a que fomos destinados, deixando-se guiar pelas mãos de Nosso Senhor, sabendo que no fim, tudo é para sua glória. Que esta certeza seja a nossa alegria, nas sementes que espalhamos e no sorriso de quem vê algo mais do que nossas limitações humanas!

Doutrina da Fé publica Instrução sobre sepultura e cremação

A norma eclesiástica vigente em matéria de cremação de cadáveres é regulada pelo Código de Direito Canônico: “A Igreja recomenda vivamente que se conserve o piedoso costume de sepultar os corpos dos defuntos; mas não proíbe a cremação, a não ser que tenha sido preferida por razões contrárias à doutrina cristã.”

“É preciso sublinhar que, não obstante esta norma, a prática da cremação se difundiu muito no âmbito da Igreja Católica. Em relação à prática de conservação das cinzas, não existe uma específica norma canônica. Por isso, algumas Conferências Episcopais se dirigiram à Congregação para a Doutrina da Fé levantando questões acerca da prática de conservar a urna cinerária em casa ou em lugares diferentes do cemitério, e sobretudo de espalhar as cinzas na natureza”, disse o Cardeal Müller na coletiva.

“Seguindo a antiga tradição cristã, a Igreja recomenda insistentemente que os corpos dos defuntos sejam sepultados no cemitério ou num lugar sagrado.  Ao lembrar a morte, sepultura e ressurreição do Senhor, mistério à luz do qual se manifesta o sentido cristão da morte, a inumação é a forma mais idônea para exprimir a fé e a esperança na ressurreição corporal. A sepultura nos cemitérios ou noutros lugares sagrados responde adequadamente à piedade e ao respeito devido aos corpos dos fiéis defuntos. Enterrando os corpos dos fiéis defuntos, a Igreja confirma a fé na ressurreição da carne e se separa de comportamentos e ritos que envolvem concepções errôneas sobre a morte: seja o aniquilamento definitivo da pessoa; seja o momento da sua fusão com a Mãe natureza ou com o universo; seja como uma etapa no processo da reencarnação; seja ainda, como a libertação definitiva da “prisão” do corpo.”

Conservação as cinzas

“Quaisquer que sejam as motivações legítimas que levaram à escolha da cremação do cadáver, as cinzas do defunto devem ser conservadas, por norma, num lugar sagrado, isto é, no cemitério ou, se for o caso, numa igreja ou num lugar especialmente dedicado a esse fim determinado pela autoridade eclesiástica.”

Segundo o documento, “a conservação das cinzas em casa não é consentida. Somente em casos de circunstâncias graves e excepcionais, o Ordinário, de acordo com a Conferência Episcopal ou o Sínodo dos Bispos das Igrejas Orientais, poderá autorizar a conservação das cinzas em casa. As cinzas, no entanto, não podem ser divididas entre os vários núcleos familiares e deve ser sempre assegurado o respeito e as adequadas condições de conservação das mesmas.

Para evitar qualquer tipo de equívoco panteísta, naturalista ou niilista, não é permitida a dispersão das cinzas no ar, na terra ou na água ou, ainda, em qualquer outro lugar. Exclui-se, ainda a conservação das cinzas cremadas sob a forma de recordação comemorativa em peças de joalharia ou em outros objetos.

“Espera-se que esta nova Instrução possa fazer com que os fiéis cristãos tenham mais consciência de sua dignidade de filhos de Deus. Estamos diante de um novo desafio para evangelização da morte”, concluiu o Cardeal Müller. (MJ)

(Fonte)

A seguir, a íntegra do documento (clique no link):

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

Instrução Ad resurgendum cum Christo
a propósito da sepultura dos defuntos
e da conservação das cinzas da cremação

Oração para superar os momentos de angústia

(Prof. Felipe Aquino)

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Meu Senhor, minha alma está perturbada e angustiada; o medo e o pânico tomam conta de mim. Sei que isto acontece por causa da minha falta de fé, da falta de abandono nas tuas mãos santas e de não confiar totalmente no teu poder Infinito. Perdoa-me Senhor e aumenta a minha fé. Não olhe para a minha miséria e para o meu egocentrismo.

Eu sei que estou apavorado porque teimo e insisto, por minha miséria, em ficar contando apenas com as minhas forças humanas miseráveis, com os meus métodos e com os meus recursos. Perdoa-me Senhor e salva-me, ó meu Deus. Dá-me a graça da fé Senhor, dá-me a graça de confiar no Senhor sem medidas, sem olhar para o perigo, mas olhar somente para ti Senhor; socorre-me ó meu Deus.

Sinto-me só e abandonado, e não há quem possa me ajudar, a não ser o Senhor. Abandono-me em tuas mãos Senhor, nelas eu coloco as rédeas da minha vida, a direção do meu caminhar, e deixo os resultados nas tuas mãos. Eu creio em Vós Senhor, mas aumenta a minha fé. Eu sei que o Senhor ressuscitado caminha do meu lado, mas assim mesmo eu ainda temo, porque não consigo abandonar-me inteiramente em tuas mãos. Socorre a minha fraqueza, Senhor.

Sei meu Senhor, que para vós não há “beco sem saída”, não há problema sem solução. Sei que o Senhor pode fazer jorrar água da pedra e sei que pode transformar água em vinho e pedras em pães. Sei que o Senhor dá ordens aos ventos e ao mar…, e sei que nenhum passarinho cai por terra sem a vossa vontade, e que os fios de meus cabelos estão todos contados (Mt 10,29-30). Eu sei Senhor que o Senhor cuida das aves do céu e dos lírios dos campos, que não semeiam e não ceifam, e o Senhor lhes dá o alimento e as vestes, que valem muito menos do que nós. Eu sei de tudo isto Senhor, mas a minha fé é fraca; me perdoe, me cure e aumente a minha fé Senhor! Eu não desisto de procurar-te e de alcançar uma fé firme.

Em teu Nome levanto a minha cabeça Senhor, e expulso o medo e a angústia de minha alma. Em teu Nome Senhor eu não temerei mal algum, porque sei que o Senhor é o meu Pastor e nada me faltará; eu sei que o Senhor é protetor da minha vida; eu nada temerei.

Deixo tudo nas tuas mãos agora Senhor, seja feita a Vossa santa vontade em minha vida meu Deus. Eu aceito tudo e estou pronto para tudo que o Senhor quiser para mim, pois não pode haver coisa melhor para mim. Entrego o meu passado, o meu presente e o meu futuro em tuas mãos; tudo seja teu Senhor. Faça tudo o que o Senhor quiser fazer de mim. Mesmo que eu perca todos os meus bens, mesmo que eu perca a minha vida, eu quero fazer a tua vontade Senhor. Eu sei que não me faltará nada porque estou em tuas mãos.

Eu aceito tudo Senhor, aceito tudo. Eu sou todo teu, e tudo o que sou e que tenho te pertence meu Deus. Não quero estar apegado a nada; e sei que o Senhor está me libertando de todas essas amarras que me prendem a este mundo. O Senhor me quer livre, desapegado e despojado de tudo. Agora entendo um pouco mais Senhor o que o Senhor está fazendo em mim com este sofrimento que às vezes esmaga a minha alma.

Sei que TUDO concorre para o bem dos que te amam Senhor (Rm 8,28) e eu te amo Senhor; sou miserável pecador, mas te amo. Então, sei que tudo o que o Senhor permitir que me aconteça será para o meu bem, ainda que eu não entenda nada do que esteja acontecendo comigo agora. Sei que no fogo desta provação o Senhor está me moldando, está me lapidando, está me salvando e mudando para melhor. Sei que é no cadinho do fogo do sofrimento que o Senhor purifica as almas. Dai-me a graça de suportar tudo Senhor, na fé, com paciência, resignação, te dando sempre graças. Sei que amanhã eu colherei os frutos de toda esta provação. Bendito sejas Senhor!

E por isso eu quero te louvar Senhor, porque eu creio que o Senhor me ama e nada me acontece sem que o Senhor permita. Seja louvado Senhor, seja bendito o teu santo nome, seja glorificado, exaltado, amado e servido ó meu Deus.

Não quero ser covarde e fugir da missão que o Senhor me der; quero assumir convosco e avançar com tua graça. Sei que convosco eu nunca recuarei pois sei que não me faltará a tua graça Senhor; o Senhor não dá a missão sem a graça necessária. Sei que esta missão é difícil, mas agradeço ao Senhor por me tê-la dado, e eu quero cumpri-la somente por amor a Vós.

Quero fazer tudo com a intercessão de Nossa Senhora, Jesus. Sei que Maria, tua Mãe e minha Mãe, me segue e não me deixa recuar. Quero fazer tudo em Maria, com Maria, por Maria e para Maria, consagrado ao Seu amado Coração de Mãe que me guia e protege.

Sei que o Senhor ressuscitado caminha a meu lado, eu seguro em tuas mãos, lanço-me nos teus braços. Sei que o Senhor cuida de mim. Diante de cada problema quero te perguntar: Como vamos resolver isto Senhor? Eu não sei mas o Senhor sabe. Dá-me teu Santo Espírito, dá-me tua sabedoria e tua força. Vem Espírito Santo, ocupa a minha mente e o meu coração. Quero ser teu ó Divino Espírito Santo, quero ser renovado em vós, na fé e no amor de Deus.

Não permito Senhor que a tristeza tome conta de mim. Quero alegrar-me SEMPRE no Senhor, porque o Senhor está perto (Fl 4, 4s). Em teu Nome eu lanço fora toda a tristeza de minha alma e toda preocupação. Em teu Nome não permito que minha alma seja sufocada e minha vida esmagada e estragada pela tristeza.

Não quero mais ficar olhando para a tempestade que me assusta Senhor, e me enfraquece a fé; quero apenas olhar para o Senhor, com olhar fixo e confiante, no meio da tormenta e da dúvida. Não me deixe ser engolido pelo medo da tempestade Senhor. Ainda que eu tenha de atravessar o vale da morte, não temerei, pois o Senhor vai comigo.

Não quero mais estar aflito Senhor, pois sei que nenhuma aflição vem de Vós, mas do inimigo malvado. Não me deixe cair em sua tentação Senhor e me livre de sua presença e de sua ação sobre a minha mente e minha pessoa.

Sei que o Senhor estará comigo sempre, para me livrar de todos os perigos.”

“Levanta-se Deus pela intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, São Miguel Arcanjo e todas as milícias celestes; sejam dispersos todos os seus inimigos e fujam de Sua face todos os que o odeiam. Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.”

Retirado do livro: A Luta Contra a Depressão

(Fonte)

“Alguém que eu amava morreu!”

Dom Pedro Brito Guimarães – Arcebispo de Palmas (TO)

finados

“Alguém que eu amava morreu” é o titulo de um livro – sem querer fazer propaganda, recomendo a todos que o leiam – do autor Earl A. Grollman. Ao mesmo tempo, é um livro sobre a morte e sobre a vida. Uma verdadeira chacoalhada na nossa postura com relação à morte de um ente querido. Foi escrito para ajudar as pessoas que estão sofrendo com a perda de um ser amado – parceiro(a), filho(a), mãe, pai, irmão(a), amigo(a) – a lidarem com as emoções da dor da morte e do luto e a experimentar, com sabedoria, esperança e fé, novamente a alegria. Para além da literatura, esta é, afinal, a experiência de vida, pela qual todos nós passamos ou passaremos. O desejo mais profundo do coração humano é a imortalidade. Saber e sentir-se finito é um dos maiores dramas do ser humano. Morrer, nem pensar! Nossa vida é medida pelo tempo. Poucos são os que acham que já viveram demais. Todos se acham no direito de esticar, o mais que puder, a sua vida aqui na terra. O que fazer então para matar esta sede de infinito? Basta ler um livro, ou há algo mais profundo para meditar?

O cristianismo vem em socorro desta angústia humana, ao apresentar o maior presente que Deus nos dá: a vida eterna. A morte entrou no mundo pelo pecado. A vida eterna começa no batismo, atravessa a morte e não tem fim. Crer na ressurreição é um elemento essencial da fé cristã. Crendo na ressurreição, somos cristãos. Não crendo, não somos cristãos (cf.Tertuliano, em Catecismo da Igreja Católica, n. 991), pois, “se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação, e vã também é a vossa fé” (1Cor 15,14). Foi Jesus quem disse: “quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12,32). Ele já foi levantado da terra, na cruz. E já nos atraiu a Ele. Jesus é a nossa páscoa, nossa ressurreição e nossa vida: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá. E todo aquele que nele que vive e crê em mim, não morrerá jamais. Crês nisto?” (Jo 11,25-26). A fé na ressurreição é a base da fé em Deus. A vida, vista nesta ótica, é como o amor, nunca termina (1Cor 13,8). “Não morro, entro na vida” (Santa Teresinha). Quem crê em Deus crê na vida eterna. Quem tiver comido do seu corpo e bebido do seu sangue terá a vida eterna (Jo 6,54).

Por que ir ao cemitério do dia de Finados? O que a Igreja indica litúrgico e espiritualmente para este dia de Finados? Ela indica três motivos para se rezar pelos defuntos: a comunhão que existe entre todos os membros de Cristo, vivos e mortos; consolar, confortar e prestar ajuda espiritual a quem ainda está vivo; e, por fim, ajudar espiritualmente a pessoa que morreu a se purificar e chegar a Deus. Para este dia de Finados, destacaremos cinco atitudes que podemos ter e devemos fazer:

Visitar o cemitério: para meditar sobre o mistério da vida, da morte e da ressurreição. Ele guarda os corpos que serviram à vida, até a chegada da morte, à espera da ressurreição, no dia final. Foi nos cemitérios (catacumbas) que a Igreja se escondia das perseguições em Roma. Ali ela cresceu e aprendeu a respeitar a vida dos mártires da fé e a rezar por eles. Ir ao cemitério é lembrar-se da Palavra do Senhor de que todos somos pó, mas em Cristo voltaremos à vida. A visita ao cemitério desperta em nós a fé na ressurreição.

Rezar pelos defuntos: é uma obra de misericórdia. Santo Agostinho dizia: “uma lágrima se evapora, uma flor murcha, só a oração chega ao trono de Deus”. Oferecer a Deus o sacrifício de seu Filho, Jesus, feito uma vez por todas, mas renovado liturgicamente em nossos altares, suplicando a Deus a remissão dos pecados dos mortos que ainda poderão passar pela purificação.

Levar flores: simbolizam a saudade e o pedido de oração para que estejam na glória de Deus. Elas mostram que respeitamos os sepulcros dos mortos, em consideração à fé de que ressuscitarão no último dia. E que, vivos ou mortos, pertencemos ao Senhor, somos um só corpo. O que fazemos de bom redunda em benefício para todos, nesta ou na outra vida. Não leve ao cemitério apenas flores materiais, mas também flores espirituais da oração, da fé e do amor.

Acender vela: é um holocausto em miniatura. A vida é como uma vela acesa que se derrete diariamente até a consumação total na morte. Acenda velas, mas não esqueça que elas são o símbolo do Senhor Ressuscitado e da fé na vida eterna. Enquanto a sua vela se queimar, eleve uma prece a Deus por seus irmãos que já partiram. Ela substitui, perante a Deus, a pessoa que a acende e se consome como um holocausto oferecido a Deus.

Receber indulgência: para aqueles ou aquelas que visitarem o cemitério e rezarem pelos defuntos, de primeiro a oito de novembro, é concedida a Indulgência Plenária, nas condições costumeiras: a confissão sacramental, a comunhão eucarística e as orações nas intenções do papa (cf. Anotações para o dia de Finados, Diretório Litúrgico da CNBB 2015, p. 184).

Portanto, visitando o cemitério, limpando os túmulos, colocando flores, acendendo velas e rezando pelos entes queridos falecidos, mesmo depois de admitirmos a morte de alguém querido, haverá um salto de qualidade na nossa vida. Na visita ao cemitério reserve um tempo para a oração pessoal; acenda velas e peça que seus entes queridos cheguem à plena luz de Cristo; cubra suas sepulturas com flores que falam do seu amor; ajude na limpeza do ambiente dos túmulos; participe da celebração eucarística ou da Palavra e comungue, se puder; professe sua fé na ressurreição e na vida eterna. Cristo ressuscitado estará lá, neste dia, para enxugar nossas lágrimas, fortalecer nossa fé e aumentar a nossa esperança (cf. padre Francisco Sehnem, SJC, Revista Brasil Cristão, novembro / 2013).

“É melhor para nós, entregues à morte pelos homens, esperar, da parte de Deus, que seremos ressuscitados por Ele (2Mc 7,14). São José, padroeiro da boa morte, e sua esposa, a Virgem Maria, intercedam a Deus, agora e na hora da nossa morte. Que as almas dos fiéis defuntos, pela misericórdia de Deus, descansem em paz. Amém!

(Fonte)

Para trabalhar o tema de Finados com as crianças da catequese:

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