Ir aonde Jesus deve ir

(Vandeia Ramos)

Dentre tantos, Jesus nos escolheu. Não para ficarmos na arquibancada ou no banco da Igreja, e sim para nos enviar à sua frente. Muitas vezes somos os primeiros a anunciar a Boa Nova a nossos catecúmenos. Sabemos que é uma missão grandiosa, o quão inútil e insuficientes somos, que é preciso muito mais para a centralidade do Evangelho: a vida em comunidade a partir de Jesus Cristo. Somos chamados a sermos discípulos que apontam para esta realidade, de inserir os que nos são colocados sob nossa responsabilidade no cotidiano da vida da Igreja, com tudo o que isso significa.
Formar novos discípulos não termina com nossa ação. É preciso que eles sejam acolhidos e orientados, dando continuidade à sua caminhada. Pastorais e movimentos precisam estar em diálogo com a catequese para abrirem-se aos novos, continuando a própria formação de acordo com seu servir na Igreja.
Também precisamos ter a sensibilidade de compreendermos que o anúncio é exigente, permeando a vida e formando uma nova pessoa em Jesus Cristo. Isso vai configurando a cada um de nós e aos nossos de um sentido de vida que frequentemente vai contrastar com uma cultura estruturada pelo pecado. E a luz vai incomodar as trevas… Isso é só um chamado à realidade, não ameaça ou para termos medo. É preciso saber que incômodos, perseguições e adversidades são comuns a quem segue o Evangelho. Justamente assim que temos o discernimento de percebermos quem somos e o que fazemos.
Somos portadores da paz. Não precisamos ir armados, esperando o pior, com resposta pronta para tudo. Lidamos com pessoas, muitas vezes de coração ferido, magoadas, com uma história em que o problema cresceu tanto que escravizou, viciando a vida. Nossa presença precisa iluminar, nosso olhar perpassar a superfície, nossa fala alcançar o íntimo, o silêncio ser amoroso. Muitas barreiras podem ser derrubadas com um sorriso e um abraço. Outras, levam tempo. Ainda outras, não nos cabem. Façamos o nosso melhor e sigamos em frente com a consciência de sermos guiados pelo Espírito, retornando a Deus todo o nosso viver.
Sem pressa, é importante vivermos o momento que nos é oferecido como presente. Estejamos com as pessoas sem nos preocuparmos com a quantidade e com a missão seguinte. Aprendamos a receber tudo que nos cabe em uma situação, sejam coisas boas ou mesmo humilhações, aprendendo a calar e a humildade, rezar e seguir nos passos de Jesus. Se Ele passou momentos difíceis por aqui, não esperemos que conosco seja diferente. Mas também teve encontros com pessoas que o amam e morrem por Ele. Sejamos um destes.
Fazer-nos outros cristos na terra é a missão de discípulo. Na catequese, como nas demais atividades de nossa vida, somos nós que recebemos primeiro o aprendizado: identificamos os pontos importantes do encontro, pensamos como melhor desenvolver, os instrumentos necessários e acompanhamos se os mesmos foram bem recebidos. Neste movimento, reservamos um tempo para repensar a vida à luz da Boa Nova, muitas vezes citando situações pessoais para ilustrar. Vamos percebendo o quanto vencemos grandes batalhas por não estarmos sozinhos. A realidade do céu é cada dia mais firme.
Ser Igreja no mundo é ser permanentemente alimentados por esta Mãe, que nos forma desde o batismo e nos acompanha até o último respiro. Nosso cansaço é depositado em cada Eucaristia, a partir da qual somos enviados como mensageiros da caridade ao mundo. Pela Igreja somos cuidados por Deus, em tudo que precisamos, desde o Pão ao Amigo, da família de Nazaré ao trabalho nosso de cada dia. Não estamos sozinhos! Jerusalém se torna nossa casa.
Somos todos irmãos, unidade que abrange a diversidade de povos, raças, culturas, idades, nem sempre fácil de conviver, mas com a certeza de que não estamos ali por nós mesmos. A paz e a misericórdia que recebemos com nossas próprias dificuldades são a cura de nossas feridas, que também são oferecidas através de nós. Como Cristo crucificado, chegamos flagelados, cansados, machucados. Carregamos as cicatrizes como parte de quem somos, bem como sinal do cuidado que recebemos. Aprendemos que nossa dor é instrumento de proximidade com muitos e que, cuidando dos demais, a nossa ferida é cuidada.
Assim, nosso canto não é solitário, mas em família. Juntos, podemos proclamar as maravilhas que nos faz o Senhor através uns dos outros, anunciando a grandiosidade de sua obra através de Jerusalém, a Mãe Igreja que reúne, cuida e prepara a cada um de nós para o Céu.

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Catequistas, embaixadores de Cristo!

(Vandeia Ramos)

O Evangelho de hoje é conhecido tanto como Evangelho do Filho Pródigo como Evangelho dos Dois Irmãos, o que traz duas perspectivas diferentes. Quando nossa atenção recai sobre o Filho Pródigo, a figura do Pai se destaca. Tradicionalmente lemos nós mesmos, pecadores insistentes, e nossa permanente necessidade da misericórdia de Deus. A ordem é simples: vivemos na casa do Pai, mas frequentemente desviamos a atenção e acabamos sendo atraídos para coisas que o mundo nos oferece: vida fácil, prazer, falsas amizades, diversão desregrada… tudo centralizado no que suponhamos ser uma necessidade ou mesmo o que nos deixamos convencer como sendo o melhor. Claro que, quando o dinheiro, a saúde, a beleza, a juventude… acabam, ficamos abandonados à própria sorte, entre os miseráveis, os impuros, os porcos. Nem seu alimento, o resto dos demais, temos permissão de comer. Quantos de nossos irmãos não estão esquecidos nestas condições?…
Para uma família judaica tradicional, fica faltando uma personagem importante, que dificilmente aparece em público, mas está em momentos decisivos: a Mãe. Ela não só se ressente da ausência do Filho, como sua tristeza sensibiliza a família. Em toda visita, ela recebe a esperança de ter notícias. Há os que defendem que é esta tristeza-esperança que sustenta a sensibilidade do Pai. Fazemos rapidamente a relação com Nossa Senhora.
E temos o Irmão Mais Velho. Quantas vezes não nos colocamos como os certinhos, que não hesitam em colocar o dedo na cara de tantos, acusando-os de pecadores, pagãos… Caso nós estivéssemos no lugar do Pai, o que faríamos com nosso Irmão? O que já nos acostumamos fazer com aqueles que se afastam da família por diversos motivos? E os que não vivem a mesma fé que nós? Que não concordam com nossa opção política, profissional, moral?
Toda vez que leio este Evangelho, lembro de uma pregação do Frei Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia. Ele identifica o Filho Mais Velho, não como um de nós, egoísta e moralmente centrados. Ele diz que Jesus é o Primogênito. Ele não fica limitado à casa do Pai, cuidando de seus negócios. Jesus vem até nós, vai ao encontro de seus irmãos, para tentar levar-nos de volta. Caso não consiga, não nos deixa sem o necessário para viver, à mercê de porcos.
Nós não somos iniciantes na fé, somos catequistas. Temos um caminho de vivência em contínua misericórdia de Deus para conosco. Ser Filho Pródigo, abandonado às misérias de porcos, não responde devidamente ao nosso perfil. Então o de Filho Mais Velho, de nossos catecúmenos, fica melhor. Somos os que se colocam como os “certinhos”, detentores de um código moral legalista, rápidos em julgar e lentos em acolher? Não estou falando de pieguismos, de que devemos fechar os olhos para o pecado. Sem este discurso em que nos colocamos como juiz que critica quem se coloca com juiz, e que não chega ao necessário.
Temos muitas demandas sociais que gritam de dor, que assumem atitudes e movimentos que muitas vezes se apresentam contra a fé que cremos. Estamos entre uma estrutura social que impõe fardos pesados aos demais. Acusamos a vítima de seu próprio sofrimento e dor, colocando-nos frequentemente ao lado dos que a fazem sofrer. Sem direito, assumimos o lugar do Pai, afastando-nos emocionalmente dos irmãos perdidos entre as misérias do mundo, em uma postura que vai do indiferente ao acusador. O discurso comum reforça o conflito, o confronto, a raiva.
Perante a dor do outro, que tem sua dignidade humana ameaçada, o que se espera de um cristão? O que Jesus e/ou Nossa Senhora fariam em nosso lugar? O Pai não se preocupou se entre os hebreus que saíram do Egito haviam os que tinham um caráter discutível, Ele enviou o Maná para todos. Também não era de modo permanente, mas com o tempo de que pudessem colher o fruto do próprio trabalho.
Somos “embaixadores de Cristo”, através de quem Jesus chega aos demais. Somos os que continuamente deixam suas casas para ir ao encontro dos que mais precisam, pois estes já não têm condições de se levantarem por si e caminhar. Somos enviados para aliviar o jugo de sua condenação, assumindo sobre nós sua dor, carregando sobre nós o julgamento dos que “dize com quem andas e eu te direi quem és”. Enquanto não conseguem caminhar sozinhos, nós cuidamos de suas feridas. Um “olho nos olhos”, uma presença que diz ao outro que ele não está sozinho, uma mão estendida, fazem mais do que discursos raivosos e condenativos, que mais reforçam a miséria do que restabelece a dignidade.
Só quem se percebe em sua limitação e continuamente vive a misericórdia, identifica a dor dos que gritam, ainda que usem palavras que escondem suas feridas profundas em raiva e ódio. Só assim podem anunciar em cada atitude quão suave é o Senhor!

Guiados pelo Espírito no deserto

(Vandeia Ramos)

“Jesus, cheio do Espírito…no deserto, Ele era guiado pelo Espírito”. É comum nossa atenção ao Evangelho de hoje ser dirigida ao diabo. A força deste personagem é a de quem contrapõe a Jesus, tentando levá-lo ao pecado. É o recurso que São Lucas apresenta para que nos identifiquemos com Jesus e que a relação é pessoal. Quero chamar a atenção para a presença silenciosa do Espírito. Somos católicos, batizados, assíduos à Eucaristia e à Confissão. Então também somos cheios do Espírito. E nossa vida com frequência é um deserto. Esta passagem nos lembra quem nos leva e nos acompanha na aridez.
Em época de quaresma, Jesus não come nada. Ele sabe que tem uma missão difícil à frente e se prepara. Não espera chegar os problemas, não vive buscando a alegria efêmera, não senta e aguarda ser servido. Cheio do Espírito, deixa-se guiar. Junto, o diabo está presente. A Escritura não avisa sua chegada, só apresenta o diálogo. São três intervenções: o alimento do pão, o poder e a glória dos reinos, e a adoração ao pecado.
Jesus não dialoga, não bate papo, não “ouve”. Ele rompe com Gn 3, quando o primeiro casal, que cai na armadilha da serpente e à ela se associa, deixando Deus em um lado oposto. Quando Jesus fala, é com a própria Palavra de Deus. Aqui está o jogo entre o ser, o ter e o poder. Nós, como o primeiro casal, acabamos por abrir a guarda e somos imprudentes. Quanto nos oferecem e a gente para e ouve? “Se és…” confrontando-nos, questionando quem somos – nosso orgulho entra em cheque. Quanto já se tentou nos diminuir? Comprar? Não são os tipos de pecado que temos aqui? Frequentemente, ao tentarmos nos autovalorizar, acabamos por nos diminuirmos – nada pode ser maior que ser filho de Deus. Vendemo-nos por prazeres superficiais, falas vazias, objetos pelos quais somos escravizados.
Jesus sabe quem é, o que tem e seu poder. Não precisa provar nada a ninguém. E ainda nos ensina o que e como fazer: respondamos aos dramas de nossa vida na filiação divina, na comunidade de fé e na humildade de sabermos quem somos.
Tudo é do Pai, que leva a nós e aos nossos ao Egito, que cuida de todos. Entre o maltrato e a opressão, nos tornamos grandes, fortes e numerosos. E a voz do povo se volta para o clamor a Deus pelas nossas misérias. Quando realmente nós queremos e estamos dispostos a largar as cebolas do Egito e atravessar o deserto, recebemos a Terra Prometida. Não para nos fartarmos, e sim para que lembremos de quem somos, de onde viemos e quem nos conduz, entregando tudo que temos nas mãos de quem realmente pertence.
É esta entrega total de tudo o que somos e o que temos que anunciamos nossa fé, que nos faz superar diferenças na família de Jesus. No testemunho desta caminhada rumo ao céu, podemos anunciar e sempre pedir, do mais íntimo do nosso coração: Em minhas dores, ó Senhor, permanecei junto de mim!

Sobre o ser cristão

(Vandeia Ramos)

Entre tantas ideias modernas, a consciência cristã tem ficado abafada devido às ondas que varrem a sociedade. Muitas vezes tenho a impressão que não prestamos a devida atenção ao básico, ao que é mais importante, ao, como diz nosso amado Papa Emérito Bento XVI, à hierarquia de verdades. Meditemos o evangelho de Lucas: Jesus desce da montanha e fala à multidão. Não faz acepção de pessoas, não discrimina, e ensina aos discípulos que o anúncio não tem limites. É para todos! Ele não ensina a gente a ficar de mimimi, fofoquinha, postando os pecados dos demais nas mídias sociais, só porque muitas vezes somos atingidos. Jesus nos apresenta uma dignidade muito maior, heroica, que cala fundo em quem somos: pobres, famintos e chorosos. Ele não fixa nossa condição como meramente humana, mas a utiliza como a que precisa de Deus. Sem este testemunho pessoal, como apresentar o mesmo aos nossos catecúmenos?
E não para aqui. A recompensa por injúrias, perseguições, maldições, mas que sejam “falsas” (Mt 5, 11) E por causa do Filho, é a alegria e a exultação. Como lembra o Papa Francisco na exortação Gaudete et Exultate, a humilhação é o caminho da humildade. Jesus não diz para irmos para o Facebook ficar reclamando, para as mídias contar nossos “causos”, para o mundo anunciar nosso drama. Ele diz simplesmente para nos alegrarmos. É aqui que pisamos no orgulho, na posição de acharmos que somos mais que os demais, que somos os “certinhos” da parada. O silêncio, tão custoso no pisar na vaidade, é que forja o cristão, o que se configura ao Cristo na cruz, à Nossa Senhora em toda a sua vida. “Manso e humilde…” Os verdadeiros profetas, anunciadores do Reino…
É no silêncio, muitas vezes fruto da dor da humilhação, do sufocar a rebelião do encontro entre a injustiça com o orgulho e a vaidade ferida, que nos encontramos no deserto da existência. Quando parece que tudo nos é tirado é que se afirma a única certeza: Deus é a nossa força e Nele esperamos! Temos Advogada junto ao Trono, temos intercessores, temos a Justiça e a Misericórdia. No silêncio ao mundo e ao que é humano, nos refugiamos e nos colocamos perante o Senhor.
Não somos catequistas para vivermos entre farturas e gargalhadas, elogios e luxo. Como cristãos, sabemos e anunciamos que o caminho é o da Cruz e da Ressurreição. Ensinamos o que e a Quem procurar e pedir por uma relação pessoal com Deus. É nesta realidade radical que esperamos no relacionamento com as pessoas. Sim, seremos humilhados, ofendidos, injustiçados, como Jesus o foi. E a certeza de que ressuscitamos com Ele nos dá a paz que precisamos, a esperança de que não estamos sozinhos, de que há Alguém com o qual todo o resto perde seu brilho e importância. Vejamos o rosto de alegre paz dos santos… com tudo o que eles nos têm a ensinar sobre o cristianismo.
Juntemo-nos aos que cantam a glória de Deus e cantemos com toda a certeza de quem somos e o que fazemos aqui: É feliz quem a Deus se confia!

Experiência humana, compromisso com a justiça

A catequese deve partir da vida, onde ocorrem muitos fatos, ainda que nem todos tenham igual importância. Há experiências profundas no íntimo de cada pessoa. O Evangelho ilumina as experiências de vida, lugar de encontro com Deus.
Deus nos oferece a sua Palavra para dar à pessoa resposta as suas interrogações, como também aos acontecimentos sociais. Daí, que a catequese não só ilumina o íntimo da pessoa, como procura esclarecer o que acontece em volta dela: na família, bairro, cidade, etc.
O Evangelho dá sentido a nossa vida. Jesus vive conosco uma situação histórica, política, religiosa, chamando-nos à fraternidade e à justiça.
É inevitável o nosso compromisso com a justiça de forma concreta junto aos nossos irmãos.
A justiça é a virtude que exige uma sociedade igualitária, respeito às pessoas, expulsando as desigualdades desumanas. Diante da competição desenfreada de nosso século, a justiça estabelece normas para melhor acolher os mais fracos, os excluídos, buscando igualdade para todos.
A justiça é fruto do amor, da fraternidade. Uma sociedade justa e igualitária é o feliz caminho para se obter a paz. A paz está inscrita no coração de todo homem como uma exigência da vida cristã.
A justiça e a fraternidade estão presentes em toda a história bíblica. Os profetas clamavam contra as injustiças cometidas pelos reis e pelos juízes que oprimiam os pobres.
Em muitos textos do Novo Testamento, a injustiça dos fariseus hipócritas é rejeitada. Eles julgavam ter alcançado a justiça pela realização externa das obras da Lei. Jesus condena esta atitude e ensina que: “se vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos céus” (Mt 5,20).
São Paulo ressalta que “o Espírito é vida por causa da justiça” (Rm 8,10) e São João acrescenta em sua carta que “todo o que não pratica a justiça não é de Deus, como também aquele que não ama o seu irmão” (1Jo 3,10).
Em nosso continente, o documento de Medellin (II Conferência Geral do Episcopado Latino Americano, Medellin, Colômbia, 1968) destacou o tema da justiça social. O destaque maior e a necessidade mais urgente, conforme o documento, e a mudança social para que se transformem não apenas os indivíduos, mas também as próprias estruturas em que se baseia a nossa sociedade. Uma mudança que abranja os campos econômico, político e cultural.
A partir deste documento foram elaborados outros em nível nacional e Latino-americano. As Igrejas do nosso continente assumiram a tarefa de denunciar as injustiças sociais tão gritantes da sociedade. As comunidades se dedicaram ao estudo dos profetas, procurando ter maior senso crítico, viver o Evangelho, prolongando a missão de Jesus Cristo.
Neste sentido, o ideal e a prática da justiça fazem com que os cristãos participem da paz, que é um fruto do Espírito Santo; e porque criam um mundo onde o amor e a justiça se tornam presença de Deus entre nós.
Ao apresentar sua mensagem, a catequese deve orientar e promover o processo de transformação social, exigido pela atual situação de injustiça em que se encontram marginalizados um grande número de pessoas de nossa sociedade.

• Quais as experiências humanas que são importantes na transmissão do Evangelho? Por quê?
• Como podemos anunciar a justiça e denunciar a injustiça em nossos encontros catequéticos?

Fonte: Folheto Ecoando 7 – formação interativa com catequistas – Editora Paulus

Os amigos do Noivo trabalham para conquistar a noiva para Ele

Precisamos de pessoas que revelem o rosto paternal e maternal de Deus.

jesus é o noivo

“Caríssimos, esta é a confiança que temos no filho de Deus: se lhe pedimos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve. E se sabemos que ele nos ouve em tudo o que lhe pedimos, sabemos que possuímos o que havíamos pedido.
Se alguém vê seu irmão cometer um pecado que não conduz à morte, que ele reze, e Deus lhe dará a vida; isto, se, de fato, o pecado cometido não conduz à morte. Existe um pecado que conduz à morte, mas não é a respeito deste que eu digo que se deve rezar.
Toda iniquidade é pecado, mas existe pecado que não conduz à morte. Sabemos que todo aquele que nasceu de Deus não peca. Aquele que é gerado por Deus o guarda, e o Maligno não o pode atingir.
Nós sabemos que somos de Deus, ao passo que o mundo inteiro está sob o poder do Maligno. Nós sabemos que veio o Filho de Deus e nos deu inteligência para conhecermos aquele que é o Verdadeiro. E nós estamos com o Verdadeiro, no seu Filho Jesus Cristo. Este é o Deus verdadeiro e a Vida eterna. Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (I Jo 5, 14-21).

Vida de oração

Esta leitura nos fala que Deus atende a nossa oração, as orações de nossos pedidos se forem segundo a vontade Dele. Há pessoas que crescem em estatura, ficam adultos, mas são como um bebe chorão. Algumas pessoas me pedem oração e depois eu verifico que nem fé eles tinham. Quando Deus não dá aquilo que pedem, ficam decepcionadas com o Senhor.

Daí eu pergunto: “Você acha que Deus só escuta a sua oração quando Ele faz aquilo que você quer?”. Nós rezamos e pedimos no nosso jeito, mas Deus ouve a oração do jeito Dele. O Senhor não está obrigado a fazer a nossa vontade. Nós achamos que trocamos de lugares, nos tornamos senhores. Nós pedimos e Deus nos serve.

Três respostas de Deus para nós

Deus pode dar três respostas para as nossas orações.

Primeira resposta – Sim. Vou te dar o que você quer.
Segunda resposta: Deus pode te pedir um tempo – Espere! Ainda não é hora.
E terceiro, Deus pode também dizer – Não! Um não, também é resposta.

Agora, com tudo isso que eu disse, me responda: Rezar é fácil?
As pessoas pensam: “Se é assim, do jeito de Deus, então não vou rezar. Vou fazer do meu jeito”. Deus tira coisas pequenas hoje, para que coisas grandes possam acontecer lá na frente. E você chora pelas migalhas.

O lixo disfarçado de luxo

Será que o diabo não disfarça o pecado? O pecado é envenenado, e nós comemos achando que é bom e gostoso.

Há momentos em que você faz alguma coisa e pensa: “Tem alguma coisa errada aqui”; “Há algo de errado na voz do fulano”; “Não sinto paz”. A palavra sabedoria vem de sabor. Tem coisas que parecem verdade mas são mentiras, tem coisas que parecem mentira, mas são verdade. Nessas horas, quem nos dá a sabedoria? É o Espírito Santo.

Você anda digerindo coisa ruim e culpando os outros? Dizendo: “É o meu marido, são os meus filhos”? Deus vê o nosso coração. Cuidado com o que você vem engolindo, cuidado com aquilo que o mundo vem te ensinando e quando dá errado, você acaba culpando os da sua família.

O Brasil está cheio de “pseudos” intelectuais que não sabem nada de vida, eles são analfabetos espirituais. Tem gente que sabe várias línguas, mas nunca se ajoelharam para rezar.

Dizem que, o que Deus criou está errado, o que a família viveu até hoje está errado. Não! O verdadeiro é Jesus Cristo, Nele está toda a verdade.

Distinguir a verdade da mentira

Como podemos separar a verdade da mentira? Pelo Espírito Santo. Entendimento, sabedoria, inteligência, sem o Espírito Santo você acha que está agradando a Deus, mas está O desagradando com sua ações.

O homem vê aparência, Deus vê o coração.

Meus irmãos! Quem não rezar, vai levar muito lixo para o seu coração. Quantos maridos levam lixo pra dentro de casa – pornografia, adultério; quantas esposas levam fofoca e conversa fiada? Não deixe o mundo tornar isso atrativo. Num primeiro momento pode parecer bonito, mas depois vai causar desilusão.

Gente! Pecar é ótimo, é bom! Se o pecado fosse ruim, ninguém pecava. O problema são as consequências do pecado. Isso Eva não sabia, ela achou que era só o ato. Ela comeu do fruto e de tão delicioso, ofertou também a Adão.

Quem planta colhe. Quem planta benção, colherá benção. Quem planta Deus, com Deus colherá.

Se você não gosta do que esta colhendo, mude a semente. Semear é opcional, colher é obrigatório. O que você fizer contra sua natureza, irá pagar com juros e correção monetária. Deus perdoa sempre, o ser humano de vez em quando, a natureza não perdoa nunca. O que você fizer contra sua natureza, irá pagar.

Queira conhecer o que é verdadeiro, porque aí você descarta o que é fácil e mentiroso.

Quero ser amigo do Noivo

E o Evangelho: “Jesus foi com seus discípulos para a região da Judeia. Permaneceu aí com eles e batizava. Também João estava batizando, em Enon, perto de Salim, onde havia muita água. Aí chegavam as pessoas e eram batizadas.
João ainda não tinha sido posto no cárcere. Alguns discípulos de João estavam discutindo com um judeu a respeito da purificação. Foram a João e disseram: “Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão e do qual tu deste testemunho, agora está batizando e todos vão a ele”.
João respondeu: “Ninguém pode receber alguma coisa, se não lhe for dada do céu. Vós mesmos sois testemunhas daquilo que eu disse: ‘Eu não sou o Messias, mas fui enviado na frente dele’. É o noivo que recebe a noiva, mas o amigo, que está presente e o escuta, enche-se de alegria ao ouvir a voz do noivo. Esta é a minha alegria, e ela é completa. É necessário que ele cresça e eu diminua”
(Jo 3, 22-30).

Sabe do que o evangelho está falando?

De situações em que, quando alguém do mesmo ramo que você , começa se destacar mais, comprar mais, a receber mais propostas. Disseram isso a João. “As pessoas gostam mais Dele (Jesus) do que de você”.

Incentive os dons dos outros

Se essa frase é dita na empresa ou na Igreja, ao invés, de incentivarmos os dons do outro, vamos cortando. Ao invés de nos alegrarmos com o dom do outro, a gente vai persegui-lo. Até dentro da Igreja, ao invés de sentirmos alegria, pelo que Deus faz na vida do outro, começamos a “detonar”, excluir, até que a pessoa desiste do dom que recebeu.

Precisamos fazer como João. “Eu sou amigo do noivo”. A nossa vocação de sacerdote é ser amigo do noivo por excelência. Que você se apaixone pelo noivo. Quando assumirmos nossa vocação de amigos do noivo, a maioria dos problemas de nossas paroquias e pastorais vão desaparecendo.

Nem o inferno pode destruir a igreja, Jesus disse isso a Pedro. Mas, o que o inferno não pode a desunião pode. Jesus também disse que um reino desunido, contra si mesmo, não há de subsistir. Ninguém pode apropriar-se de uma função se não for Deus quem der.

Senhor, que eu seja teu colaborador! Não me deixe ser levado por ciúmes. Cada um tem o seu dom, que eu jamais ceda a tentação de centrar a atenção das pessoas em mim. Mas que eu seja uma vidraça transparente, que todos te vejam através de mim. Porque Tu deves crescer e eu diminuir.

Amem!

Padre Chrystian Shankar

Pároco do Santuário Nossa Senhora Aparecida em Divinópolis – MG

(Fonte)