Eucaristia – parte 3

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CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA

O lugar ordinário da celebração é a igreja (matriz ou capelas) ou, na falta desses, outro ambiente condigno (cân. 932, §1). Celebrações em casas ou locais particulares podem ser realizadas, mas o critério deve ser estritamente pastoral e eclesial, evitando-se todo e qualquer privilégio.

Para evitar o acúmulo de serviço pastoral e para não cometer injustiças, os padres conscientizem os fiéis para que as missas de sétimo (7°) dia sejam celebradas no dia da celebração costumeira da comunidade.

Nas celebrações eucarísticas e cultos dominicais, a Palavra seja proclamada do lecionário, evangeliário, ou diretamente da Bíblia. Salvo em circunstâncias particulares, os folhetos litúrgicos.

Tenham uma função sugestiva, nunca restritiva do empenho e criatividade do presidente e da equipe litúrgica. Que na celebração eucarística, adote-se sempre como livro de referência de todo o rito o Missal Romano Católico.

Os sacerdotes e demais ministros procurem conscientizar os féis para que não recebam a comunhão aleatoriamente. Haja, porém, muito cuidado e sensibilidade pastorais para não submeter as pessoas a situações humilhantes. Os divorciados e desquitados que vivem maritalmente estão impedidos de comungar, bem como os amasiados.

Obs.: Se o presidente ou ministros que distribuem a Comunhão notarem a aproximação de alguém que não pode comungar por algum motivo grave, não negue a Comunhão, para evitar o escândalo. Entretanto, procure-se um diálogo particular com a pessoa em momento oportuno.

Quem já recebeu a Eucaristia pode recebê-la novamente no mesmo dia, desde que seja dentro da celebração eucarística (CDC, 917 e CIC, 1388).

A participação na missa nos domingos e dias festivos e a comunhão e confissão anuais continuam a ser preceito da Igreja, mas recomenda-se vivamente aos fiéis que recebam a Eucaristia nos domingos e dias festivos ou ainda com maior freqüência (CIC, 1389 e 2042).

“Deve-se receber a hóstia na palma da mão e comungá-la ainda diante do ministro. É inconveniente recebê-la com os dedos em forma de pinça e, andando, colocá-la na boca” (CNBB, Pastoral dos sacramentos de iniciação cristã, n° 2a). O fiel pode também optar pela comunhão na boca.

Dê-se a devida importância à comunhão sob as duas espécies, pois “manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor” (IGMR, 240). O Missal Romano especifica os casos permitidos (n° 242).

Permite-se a comunhão sob as duas espécies, seja comungando no cálice, como por intinção. Em nenhum dos dois casos o fiel pode comungar com as próprias mãos.

O preceito pascal pode ser cumprido da Quinta-feira santa até Pentecostes (CDC, 920 §2).

Para se conservar o Santíssimo Sacramento numa capela é necessário:

– que a capela e o sacrário ofereçam segurança;

– que semanalmente a comunidade se reúna para a celebração da Palavra;

– que seja celebrada a missa periodicamente;

– que haja consentimento do ordinário local.

Ministro da Sagrada Eucaristia e o Ministro extraordinário da Sagrada Comunhão

“Ministro ordinário da sagrada comunhão é o Bispo, o presbítero e o diácono” (CDC, 910 §1).

“Ministro extraordinário da sagrada comunhão é o acólito ou outro fiel designado de acordo com o cân. 230, §3” (CDC, 910 §2).

Que haja na comunidade ao menos um ministro extraordinário da sagrada comunhão e um ministro da proclamação da palavra;

“A ninguém é lícito conservar e reter para si a Eucaristia na própria casa ou levá-la consigo em viagens, a não ser por necessidade pastoral, como levá-la aos doentes ou levá-la de
uma igreja a outra a fim de ser distribuída” (CDC, 935).

Os párocos são responsáveis pela escolha e formação dos ministros extraordinários da sagrada comunhão e da Palavra. Atenham-se aos seguintes critérios, quanto ao candidato:

– ser engajado na paróquia;

– ter maturidade suficiente, a critério do pároco;

– participar dos encontros de formação;

São funções dos ministros extraordinários da sagrada comunhão: levar a comunhão aos doentes e auxiliar na distribuição da Eucaristia durante as missas.

O clérigo tem sempre o dever de distribuir a comunhão aos fiéis.

MISSAS E SITUAÇÕES ESPECIAIS

Haja o devido cuidado e atenção com a exposição do Santíssimo Sacramento. Exige-se que haja um contexto de oração e adoração. “O ministro da exposição e da benção é o sacerdote ou diácono; em circunstâncias especiais, apenas a exposição e reposição, mas não a benção, é o acólito (instituído pelo bispo), um ministro extraordinário da sagrada comunhão, ou outra pessoa delegada pelo ordinário local, observando-se as prescrições do Bispo diocesano” (CDC, 943).

Não é permitido, no final da missa, haver benção do Santíssimo Sacramento. Para se garantir o devido respeito, procure-se realizar a adoração nas igrejas e que o ostensório permaneça em local fixo, salvo nas procissões de Corpus Christi.

Por ocasião das festas familiares, sociais e cívicas, pode ser celebrada a Eucaristia, desde que haja razão pastoral. Devem ser asseguradas as condições necessárias para uma celebração de fé, evitando que esta se torne um simples número a mais, para abrilhantar a festa.

Missas por ocasião de formaturas podem ser celebradas nas Igrejas ou nas escolas, desde que os formandos estejam devidamente preparados.

As missas de exéquias podem ser celebradas todos os dias, exceto nos domingos e solenidades de preceito. Exclua-se destas missas a prática de elogio fúnebre.

Onde e quando houver fundadas razões, as paróquias podem deixar o piedoso costume da missa de corpo presente. Tais razões sejam explicadas aos fiéis e incluam-se na missa comunitária as intenções do(s) defunto(s). Explique-se ainda o valor da celebração das exéquias como modo ordinário a ser adotado em nossas comunidades.

Sejam criadas em todas as paróquias da diocese as equipes de liturgia e de canto pastoral, em vista da melhor participação dos fiéis.

Ao ausentar-se da paróquia, procure o pároco encontrar um sacerdote que possa substituí-lo em tal período, afim de que os fiéis leigos não fiquem sem assistência sacramental e espiritual. A ausência justificável por diversos motivos, inclusive o mês de férias conforme de direito, o ordinário local deve ser comunicado.

Recomenda-se com insistência a antiga e preciosa prática da visita ao SS. Sacramento. Por isso, as igrejas estejam abertas ao público durante o dia, segundo as possibilidades.

PARA OS MINISTROS ORDENADOS

“Os paramentos sacros têm uma função importante nas celebrações litúrgicas: primeiramente, o fato deles não serem usados no cotidiano, tendo assim um caráter cultual, ajuda-nos a romper com o cotidiano e suas preocupações, no momento da celebração do culto divino. Além disso, as formas largas das vestimentas, como por exemplo da casula, põem em segundo plano a individualidade de quem as veste, enfatizando seu papel litúrgico. Pode-se dizer que a “ocultação” do corpo do ministro sob as vestes, em certo sentido, despersonaliza-o, removendo o ministro celebrante do centro, para revelar o verdadeiro Protagonista da ação litúrgica: Cristo. A forma das vestes, portanto, lembra-nos que a liturgia é celebrada in persona Christi, e não em próprio nome”, (Departamento das celebrações liturgicas do sumo pontifice – A vestição dos paramentos litúrgicos e as respectivas orações).

Nenhum ministro ordenado deverá presidir ou concelebrar a Eucaristia se não estiver revestido dos paramentos litúrgicos.

Na celebração eucarística, não é permitido aos diáconos e leigos proferir as orações, especialmente a oração eucarística, ou executar as ações próprias do sacerdote celebrante (CDC, 907).

É proibido aos sacerdotes católicos concelebrar a Eucaristia junto com sacerdotes ou ministros de Igrejas ou comunidades que não estão em plena comunhão com a Igreja católica (CDC, 908).

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Eucaristia – parte 2

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PREPARAÇÃO DA MISSA

Tendo em conta a natureza e a circunstância de cada assembléia, toda a celebração deve favorecer a participação consciente, ativa e plena dos fiéis. Tal celebração, animada pelo fervor da fé, da esperança e da caridade é um direito e um dever dos cristãos em virtude do Batismo (SC, 14).

Os padres usem com criatividade o mais possível os documentos litúrgicos, as diversas orações eucarísticas, gestos litúrgicos e leituras bíblicas alternativas, quando as rubricas permitirem.

Invista-se na formação de leigos para integrar as equipes litúrgicas, de modo a contribuírem eficazmente para o aprimoramento das celebrações.

PREPARAÇÃO À PRIMEIRA EUCARISTIA

“É dever primeiramente dos pais ou dos responsáveis e do pároco cuidar que as crianças que atingiram o uso da razão se preparem convenientemente e sejam nutridas, quanto antes, com este divino alimento, após a confissão sacramental; compete também ao pároco velar para que não se aproximem do sagrado banquete as crianças que ainda não atingiram o uso da razão ou aquelas que ele julgar não estarem suficientemente dispostas” (CDC, 914). É importante ressaltar que os pais ou responsáveis devem estar ativamente envolvidos no processo catequético dos catequizandos.

Em caso de grave necessidade, como é aquele da morte iminitente, a criança que sabe distinguir o pão eucarístico de outro alimento qualquer, não somente poderá, como deve receber este augusto sacramento.

A catequese deve acontecer na comunidade cristã de residência ou onde a família participa regularmente.

Em caso de mudança do catequizando, deve ser apresentada na nova paróquia a transferência assinada pelo catequista e pelo pároco de origem, atestando sua participação nos encontros da
respectiva etapa, bem como o material utilizado.

“Os adultos que ainda não fizeram a Primeira Comunhão oferecem especial ocasião à comunidade para iniciá-los de modo mais consciente. Não se tenha pressa em admitir à comunhão, mas se cuide com muito carinho de sua inserção e comprometimento comunitário” (cf. Pastoral dos Sacr. da Inic. Cristã, CNBB, nº 2a, p.105). A preparação seja feita com subsídios produzidos ou indicados pela diocese, seguindo ao menos duas etapas de preparação.

Dedique-se atenção e carinho especiais às pessoas com deficiência física e mental, sempre em diálogo com os pais.

A paróquia e/ou a diocese devem proporcionar formação permanente a todos os catequistas. Estes sejam admitidos a partir dos seguintes critérios: sejam crismados, sejam acompanhados pastoralmente pelo pároco, participem dos encontros e reuniões de catequistas, tenham disponibilidade para os encontros catequéticos semanais.

Quanto aos adultos que procuram a preparação para o sacramento da Eucaristia, certifique-se que sejam batizados. A preparação seja feita com subsídios indicados pelo pároco, seguindo ao menos duas etapas de preparação.

CELEBRAÇÃO DA PRIMEIRA EUCARISTIA

A celebração da Primeira Eucaristia é uma festa religiosa da comunidade, portanto:

– seja celebrada na própria comunidade, preparando-se os familiares e a comunidade para este acontecimento.

– cuide-se da vestimenta harmoniosa das crianças e adolescentes, evitando-se todo luxo e pompa.

– Os neo-comungantes devem ser ouvidos em confissão individual antes da celebração, estendendo-se o convite aos pais e familiares, se possível.

– Recomende-se à toda a família que participe ativamente da vida comunitária, favorecendo a perseverança do neo-comungante.

Eucaristia

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O sacramento da Eucaristia faz parte da Iniciação Cristã. Pela Comunhão Eucarística, aqueles que foram salvos em Cristo pelo Batismo e a Ele mais profundamente configurados pela Confirmação participam, com toda a comunidade, do sacrifício do Senhor (cf. CIC, 1332; PO 5b).

Jesus cumpriu sua promessa de instituir a Eucaristia (Jo 6, 51. 54-56) na última ceia que celebrou com seus discípulos, antes de se oferecer em sacrifício ao Pai, em memória de sua morte e
ressurreição, e ordenou aos seus que a celebrassem até a sua volta (Mt 26, 17-29; Mc 14, 12-25; Lc 22, 7-20; 1 Cor 11, 23-27), constituindo os sacerdotes do Novo Testamento (cf. CIC, 1337).

“o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: Isto é o meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim.Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de mim. Assim, todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice lembrais a morte do Senhor, até que venha.” (1 Cor 11, 23-26).

A Eucaristia, Ação de Graças (Lc 22,19), é também conhecida como Ceia do Senhor (1 Cor 11,20), Fração do Pão (At 2, 42.46; 20, 7.11), Assembleia Eucarística (1 Cor 11, 17-34), memorial da paixão e da ressurreição do Senhor (Lc 22,19), Santo Sacrifício, Sacrifício de Louvor (Hb 13,15), Sacrifício Espiritual (1 Pd 2,5), Sacrifício Puro e Santo (Ml 1, 11), Santo Sacrifício da Missa, Santíssimo Sacramento, Comunhão, Santa Missa (cf. CIC, 1328 – 1330).

A Igreja denomina de transubstanciação a mudança de toda substância do pão na substância do Corpo de Cristo Nosso Senhor e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1374 – 1376). O Santíssimo Sacramento da Eucaristia contém verdadeiramente, realmente e substancialmente o Corpo e o Sangue, juntamente com a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou seja, Cristo todo. “A Eucaristia é a presença salvífica de Jesus na comunidade dos fiéis e seu alimento espiritual (…), é dom por excelência, porque dom dele mesmo, da sua pessoa na humanidade sagrada, e também de sua obra de salvação” (EE 9.11).

Pelo Sacrifício Eucarístico de seu Corpo e Sangue, o Senhor “perpetua pelos séculos, até que volte, o Sacrifício da Cruz, confiando assim à Igreja, sua dileta esposa, o memorial de sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal, em que o Cristo nos é comunicado em alimento, o espírito é repleto de graça e nos é dado o penhor da futura glória” (Sacrosanctum Concilium, 47).

“O Sacrifício Eucarístico, memorial da morte e ressurreição do Senhor, em que se perpetua pelos séculos o sacrifício da cruz, é o ápice e a fonte de todo o culto e da vida cristã, por ele é significada e se realiza a unidade de todo povo de Deus, e se completa a construção do corpo de Cristo” (cân. 897). “Os demais sacramentos, como, aliás, todos os ministérios eclesiásticos e tarefas apostólicas, se ligam à Sagrada Eucaristia e a ela se ordenam, pois a Santíssima Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo, nossa Páscoa e pão vivo, dando vida aos homens, através de sua carne vivificada e vivificante pelo Espírito Santo” (PO 5b; cân. 897).

Na Eucaristia, Cristo une sua Igreja e todos os seus membros ao sacrifício de louvor e de ação de graças que, de uma vez por todas, ofereceu na cruz ao Pai; por este sacrifício, derrama sobre a Igreja as graças da salvação.

A Eucaristia impele a participar na missão de Cristo: anunciar a boa nova da salvação, denunciar o pecado, estar a serviço do reino.

“Augustíssimo sacramento é a santíssima Eucaristia, na qual se contém, se oferece e se recebe o próprio Cristo Senhor e pela qual continuamente vive e cresce a Igreja. O Sacrifício eucarístico, memorial da morte e ressurreição do Senhor, em que se perpetua pelos séculos o Sacrifício da cruz, é o ápice e a fonte de todo o culto e da vida cristã, por ele é significada e se realiza a unidade do povo de Deus, e se completa a construção do Corpo de Cristo. Os outros sacramentos e todas as obras de apostolado da Igreja se relacionam intimamente com a santíssima Eucaristia e a ela se ordenam” (CDC, 897 ).

“A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo: isto é, da obra da salvação realizada pela vida, morte, e ressurreição de Cristo, obra esta tornada presente pela ação litúrgica” (CIC, 1409).

“Celebrar o mistério de Cristo é celebrar Cristo em nossa vida e a nossa vida em Cristo. À luz do mistério pascal, a caminhada do continente latino-americano, marcado pelo mal e em busca de
uma libertação integral, deve ser interpretada como processo pascal” (cf. Animação da vida litúrgica no Brasil, Doc. 43 CNBB, n° 204 e 205).

O que pedes a Jesus?

menina rezandoJoei era uma menina que as Irmãs de Caridade encontraram abandonada pelos pais às margens do Rio Amarelo da Grande China.
Estava a criancinha a morrer de fome e frio, quando as Irmãs a levaram para o hospital.
Logo que as vestiram e alimentaram, dando-lhe leite quente, começou a pequenina a recobrar a vida e a saúde. Foi batizada e logo brilhou a inteligência em seus olhinhos vivos e começou a conhecer a Deus e a aprender as coisas do céu. Andava já pelos oito anos e gostava de assistir à doutrina com as crianças que se preparavam para a primeira comunhão. Mas a sua memória não acompanhava o seu coração e quando o missionário foi examiná-la, teve que dar-lhe a triste notícia de que não seria admitida à primeira comunhão enquanto não soubesse melhor a doutrina.
Julgava o Padre que essa determinação a deixaria indiferente. Mas não foi assim.
Daquele dia em diante notou-se uma mudança extraordinária no comportamento da menina.
Em lugar de brincar, como antes, com as crianças de sua idade, Joei começou a passar seus recreios na capela aos pés de Jesus.
Um dia, estando Joei diante do Santíssimo, o Padre acercou-se dela devagarinho e ouviu que repetia com freqüência o nome de Jesus.
– Que é que fazeis aí?
– Estou visitando o Santíssimo Sacramento.
– Visitando o Santíssimo!? tu nem sabes quem é o Santíssimo…
– É meu Jesus, respondeu Joei.
– Bem; e que pedes a Jesus?
Então, com as mãos postas e sem levantar a cabeça, com lágrimas nos olhos, respondeu com indizível doçura:
– Peço a Jesus que me dê Jesus.
E a pequena Joei teve licença de fazer sua primeira comunhão.

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

(Fonte)

Eucaristia, sacramento do Amor

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A liturgia da Quinta-feira Santa nos fala do amor, com a cerimônia do Lava-pés, a proclamação do novo mandamento, a instituição do sacerdócio ministerial e a instituição da Eucaristia, em que Jesus se faz nosso alimento, dando-nos seu corpo e sangue. É a manifestação profunda do seu amor por nós, amor que foi até onde podia ir: “Como Ele amasse os seus amou-os até o fim”.

A Eucaristia é o amor maior, que se exprime mediante tríplice exigência: do sacrifício, da presença e da comunhão. O amor exige sacrifício e a Eucaristia significa e realiza o sacrifício da cruz na forma de ceia pascal. Nos sinais do pão e do vinho, Jesus se oferece como Cordeiro imolado que tira o pecado do mundo: “Ele tomou o pão, deu graças, partiu-o e distribuiu a eles dizendo: isto é o meu Corpo que é dado por vós. Fazei isto em memória de ‘ mim. E depois de comer, fez o mesmo com o cálice dizendo: Este cálice é a nova aliança em meu sangue, que é derramado por vós” (Lc 22,19-20).

Pão dado, sangue derramado pela redenção do mundo. Eis aí o sacrifício como exigência do amor.

O amor, além do sacrifício, exige presença. A Eucaristia é a presença real do Senhor que faz dos sacrários de nossas Igrejas centro da vida e da oração dos fiéis.

A fé cristã vê no sacrário de nossas igrejas a morada do Senhor plantada ao lado da morada dos homens, não os deixando órfãos, fazendo-lhes companhia, partilhando com eles as alegrias e as tristezas da vida, ensinando-lhes o significado da verdadeira solidariedade: “Estarei ao lado de vocês como amigo todos os momentos da vida”. Eis a presença, outra exigência do amor.

Vida eucarística é vida solidária com os pobres e necessitados. Não posso esquecer a corajosa expressão de Madre Teresa de Calcutá que, com a autoridade do seu impressionante testemunho de dedicação aos mais abandonados da sociedade, dizia: “A hora santa diante da Eucaristia deve nos conduzir até a hora santa diante dos pobres. Nossa Eucaristia é incompleta se não levar-nos ao serviço dos pobres por amor.”

O amor não só exige sacrifício e presença, mas exige também comunhão. Na intimidade do diálogo da última Ceia, Jesus orou com este sentimento de comunhão com o Pai e com os seus discípulos: “Que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti… que eles estejam em nós” (Jo 17,20-21).

Jesus Eucarístico é o caminho que leva a esta comunhão ideal. Comer sua carne e beber seu sangue é identificar-se com Ele no modo de pensar, nos sentimentos e na conduta da vida. Todos que se identificam com Ele passam a ter a mesma identidade entre si: são chamados de irmãos seus e o são de verdade, não pelo sangue, mas pela fé. Eucaristia é vida partilhada com os irmãos. Eis a comunhão como exigência do amor.

Vida eucarística é amar como Jesus amou. Não é simplesmente amar na medida dos homens o que chamamos de filantropia. É amar na medida de Deus o que chamamos de caridade. A caridade nunca enxerga o outro na posição de inferioridade. É a capacidade de sair de si e colocar-se no lugar do outro com sentimento de compaixão, ou seja, de solidariedade com o sofrimento do outro. Caridade é ter com o outro uma relação de semelhança e reconhecer-se no lugar em que o outro se encontra…

Na morte redentora na cruz, Cristo realiza a suprema medida da caridade “dando sua vida” e amando seus inimigos no gesto do perdão: “Pai, perdoai-lhes pois eles não sabem o que fazem.” A Eucaristia não deixa ficar esquecido no passado esse gesto, que é a prova maior do amor de Deus por nós. Para isso, deixa-nos o mandamento: “Façam isso em minha memória”.

Caridade solidária é o gesto de descer até o necessitado para tirá-lo da sua miséria e trazê-lo de volta a sua dignidade. A Eucaristia é o gesto da caridade solidária de Deus pela humanidade. “Eu sou o Pão da vida que desceu do céu. Quem come deste Pão vencerá a morte e terá vida para sempre”.

(Fonte)

Instituição da Eucaristia

Ensinamentos dos Santos sobre a Eucaristia

1 – São João Crisóstomo: “Deu-se todo não reservando nada para si”. “Não comungar seria o maior desprezo a Jesus que se sente “doente de amor” (Ct 2,4-5)”.

2 – São Boaventura: “Ainda que friamente aproxime-se confiando na misericórdia de Deus”.

3 – São Francisco de Sales: “Duas espécies de pessoas devem comungar com frequência: os perfeitos para se conservarem perfeitos, e os imperfeitos para chegarem à perfeição”.

4 – Santa Teresa de Ávila: “Não há meio melhor para se chegar à perfeição”. “Não percamos tão grande oportunidade para negociar com Deus. Ele [Jesus] não costuma pagar mau a hospedagem se o recebemos bem”. “Devemos estar na presença de Jesus Sacramentado, como os Santos no céu, diante da Essência Divina”.

5 – São Bernardo: “A comunhão reprime as nossas paixões: ira e sensualidade principalmente”. “Quando Jesus está presente corporalmente em nós, ao redor de nós, montam guarda de amor os anjos”.

6 – Santo Ambrósio: “Eu que sempre peco, preciso sempre do remédio ao meu alcance.”

7 – São Gregório Nazianzeno: “Este pão do céu requer que se tenha fome. Ele quer ser desejado”.

“O Santíssimo Sacramento é fogo que nos inflama de modo que, retirando-no do altar, espargimos tais chamas de amor que nos tornam terríveis ao inferno.”

8 – São Tomás de Aquino: “A comunhão destrói a tentação do demônio.”

9 – Santo Afonso de Ligório: “A comunhão diária não pode conviver com o desejo de aparecer, vaidade no vestir, prazeres da gula, comodidades, conversas frívolas e maldosas. Exige oração, mortificação, recolhimento.” “Ficai certos de que todos os instantes da vossa vida, o tempo que passardes diante do Divino Sacramento será o que vos dará mais força durante a vida, mais consolação na hora da morte e durante a eternidade”.

10 – Santo Agostinho: “Não somos nós que transformamos Jesus Cristo em nós, como fazemos com os outros alimentos que tomamos, mas é Jesus Cristo que nos transforma nele.”

“Sendo Deus onipotente, não pôde dar mais; sendo sapientíssimo, não soube dar mais; e sendo riquíssimo, não teve mais o que dar.”

“A Eucaristia é o pão de cada dia que se toma como remédio para a nossa fraqueza de cada dia.”

“Na Eucaristia Maria perpetua e estende a sua maternidade.”

Concílio de Trento: “Remédio pelo qual somos livres das falhas cotidianas e preservados dos pecados mortais.”

(Fonte)

A real presença de Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento

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No capítulo 6 do Evangelho de São João, vemos Nosso Senhor Jesus Cristo fazendo uma série de coisas preparatórias para o Seu discurso sobre a Eucaristia: primeiro Ele faz o milagre da multiplicação dos pães (Jo 6,5-13), mostrando assim Sua capacidade de modificar miraculosamente as coisas criadas, mais exatamente o pão. Em seguida, Ele caminha por sobre as água (Jo 6,19-20), mostrando Seu controle sobre o Seu próprio Corpo. Estando então demonstradas estas Suas capacidades, Ele faz o Seu discurso eucarístico (Jo 6,27-59).

Ele inicia este discurso afirmando que devemos buscar não a comida que perece (isto é, os alimentos do dia a dia), mas aquela que dura até a Vida Eterna, que Ele nos dará (Jo 6,27). Em seguida Ele trata do maná, prefiguração da Eucaristia, e afirma com todas as letras que o maná não era o verdadeiro Pão dos Céus; o verdadeiro Pão dos Céus é Ele (Jo 6,31-40).

Os judeus, porém, não acreditaram, e começaram a murmurar contra Ele. Ele então reafirma ser Sua Carne o verdadeiro pão dos Céus (Jo 6,41-51). Os judeus, então, ficam completamente escandalizados, e perguntam como Ele poderia dar a Sua Carne a comer. Note-se que o verbo que é usado na pergunta deles, no Evangelho segundo S. João, é o verbo “phagein” (comer, deglutir). Nosso Senhor então responde reafirmando o que já dissera, usando porém palavras ainda mais fortes. Ele diz que quem não comer a Sua Carne e não beber o Seu Sangue não terá a vida eterna, e afirma que Sua Carne é verdadeiramente uma comida e Seu Sangue verdadeiramente uma bebida (Jo 6, 52-59). O verbo que é usado nesta resposta não é mais o verbo “phagein”, mas o verbo “trogô”, que significa mastigar, dilacerar com os dentes. Ele está mostrando que não é uma parábola, não é um simbolismo. É, como Ele diz, “verdadeiramente uma comida” e “verdadeiramente uma bebida”(Jo 6,55), que deve ser mastigada, dilacerada com os dentes.

Muitos daqueles que O seguiam, então, não suportaram as palavras de Nosso Senhor. Ele, porém, não retirou o que dissera. Afirmou, ao contrário, que é o “espírito” (as palavras que dissera – Jo 6,60-65) que vivifica, não a “carne” (as opiniões das pessoas apegadas ao mundo). Muitos dos que antes O seguiam, então, se retiraram e não mais andaram com Ele, por não suportarem Seu ensinamento sobre a Eucaristia. Note-se, como curiosidade, que o versículo que conta isso (Jo 6,66) é o único versículo “666” de todo o Novo Testamento…

Os Apóstolos também receberam então de Nosso Senhor um ultimato: ou aceitavam Suas palavras ou iam embora também eles. São Pedro, o primeiro Papa, falando em nome de toda a Igreja, disse então que não se afastariam d’Ele.

O Evangelho segundo S. João, onde lemos este belo e forte discurso do Senhor, é o único Evangelho que não traz a narrativa da instituição da Eucaristia. Por que isso acontece? Porque S. João o escreveu muito depois dos outros Evangelhos (por volta do ano 90 d.C.); a narração da instituição da Eucaristia já era conhecida por todos os cristãos. Era, porém, necessário reafirmar a verdadeira Doutrina ensinada por Cristo acerca de Sua Carne e Seu Sangue, pois havia já naquele tempo hereges que negavam o valor da Eucaristia. A estes respondia S. João.

Nas narrativas da instituição da Eucaristia (Mt 26,26s; Mc 14,22s; Lc 22,19s; I Cor 11,23s) vemos que Nosso Senhor disse que o Pão e o Vinho são Seu Corpo e Seu Sangue (“Isto é Meu Corpo; Isto é o cálice do Meu Sangue). Teria sido perfeitamente possível, dada a riqueza da sofisticada língua grega em que foram escritos os Evangelhos, escrever “isto significa”, ou “isto representa”. Não é porém isto o que está escrito. Está escrito que “isto é” o Corpo e o Sangue de Cristo. Esta é também, evidentemente, a Fé pregada por São Paulo, quando escreve aos Coríntios que “todo aquele que comer o pão ou beber do cálice do Senhor indignamente, tornar-se culpado do corpo e do sangue do Senhor… Pois quem come e bebe sem fazer distinção de tal corpo, come e bebe a própria condenação? ( I Cor 11,27-29 ).

É evidente que o Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo é um acontecimento único, que não precisa jamais ser repetido. Na Santa Missa, não há repetição do Sacrifício; Nosso Senhor não é imolado de novo. A Sua imolação única, porém, passa a estar novamente presente, por graça de Deus, para que possamos, nós também, receber seus frutos quase dois mil anos depois. Note-se que quando Deus mandou sacrificar o Cordeiro da Páscoa no Egito e marcar as portas com seu sangue, Ele também mandou comer da carne do Cordeiro (Ex 12). Ora, o Cordeiro era figura de Cristo, que é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Jo 1,29). Não basta o Sacrifício do Cordeiro; temos também que comer Sua Carne.

Louvado seja sempre Nosso Senhor Jesus Cristo!

Fonte: A Hora de São Jerônimo.