Eucaristia – parte 3

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CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA

O lugar ordinário da celebração é a igreja (matriz ou capelas) ou, na falta desses, outro ambiente condigno (cân. 932, §1). Celebrações em casas ou locais particulares podem ser realizadas, mas o critério deve ser estritamente pastoral e eclesial, evitando-se todo e qualquer privilégio.

Para evitar o acúmulo de serviço pastoral e para não cometer injustiças, os padres conscientizem os fiéis para que as missas de sétimo (7°) dia sejam celebradas no dia da celebração costumeira da comunidade.

Nas celebrações eucarísticas e cultos dominicais, a Palavra seja proclamada do lecionário, evangeliário, ou diretamente da Bíblia. Salvo em circunstâncias particulares, os folhetos litúrgicos.

Tenham uma função sugestiva, nunca restritiva do empenho e criatividade do presidente e da equipe litúrgica. Que na celebração eucarística, adote-se sempre como livro de referência de todo o rito o Missal Romano Católico.

Os sacerdotes e demais ministros procurem conscientizar os féis para que não recebam a comunhão aleatoriamente. Haja, porém, muito cuidado e sensibilidade pastorais para não submeter as pessoas a situações humilhantes. Os divorciados e desquitados que vivem maritalmente estão impedidos de comungar, bem como os amasiados.

Obs.: Se o presidente ou ministros que distribuem a Comunhão notarem a aproximação de alguém que não pode comungar por algum motivo grave, não negue a Comunhão, para evitar o escândalo. Entretanto, procure-se um diálogo particular com a pessoa em momento oportuno.

Quem já recebeu a Eucaristia pode recebê-la novamente no mesmo dia, desde que seja dentro da celebração eucarística (CDC, 917 e CIC, 1388).

A participação na missa nos domingos e dias festivos e a comunhão e confissão anuais continuam a ser preceito da Igreja, mas recomenda-se vivamente aos fiéis que recebam a Eucaristia nos domingos e dias festivos ou ainda com maior freqüência (CIC, 1389 e 2042).

“Deve-se receber a hóstia na palma da mão e comungá-la ainda diante do ministro. É inconveniente recebê-la com os dedos em forma de pinça e, andando, colocá-la na boca” (CNBB, Pastoral dos sacramentos de iniciação cristã, n° 2a). O fiel pode também optar pela comunhão na boca.

Dê-se a devida importância à comunhão sob as duas espécies, pois “manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e se exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor” (IGMR, 240). O Missal Romano especifica os casos permitidos (n° 242).

Permite-se a comunhão sob as duas espécies, seja comungando no cálice, como por intinção. Em nenhum dos dois casos o fiel pode comungar com as próprias mãos.

O preceito pascal pode ser cumprido da Quinta-feira santa até Pentecostes (CDC, 920 §2).

Para se conservar o Santíssimo Sacramento numa capela é necessário:

– que a capela e o sacrário ofereçam segurança;

– que semanalmente a comunidade se reúna para a celebração da Palavra;

– que seja celebrada a missa periodicamente;

– que haja consentimento do ordinário local.

Ministro da Sagrada Eucaristia e o Ministro extraordinário da Sagrada Comunhão

“Ministro ordinário da sagrada comunhão é o Bispo, o presbítero e o diácono” (CDC, 910 §1).

“Ministro extraordinário da sagrada comunhão é o acólito ou outro fiel designado de acordo com o cân. 230, §3” (CDC, 910 §2).

Que haja na comunidade ao menos um ministro extraordinário da sagrada comunhão e um ministro da proclamação da palavra;

“A ninguém é lícito conservar e reter para si a Eucaristia na própria casa ou levá-la consigo em viagens, a não ser por necessidade pastoral, como levá-la aos doentes ou levá-la de
uma igreja a outra a fim de ser distribuída” (CDC, 935).

Os párocos são responsáveis pela escolha e formação dos ministros extraordinários da sagrada comunhão e da Palavra. Atenham-se aos seguintes critérios, quanto ao candidato:

– ser engajado na paróquia;

– ter maturidade suficiente, a critério do pároco;

– participar dos encontros de formação;

São funções dos ministros extraordinários da sagrada comunhão: levar a comunhão aos doentes e auxiliar na distribuição da Eucaristia durante as missas.

O clérigo tem sempre o dever de distribuir a comunhão aos fiéis.

MISSAS E SITUAÇÕES ESPECIAIS

Haja o devido cuidado e atenção com a exposição do Santíssimo Sacramento. Exige-se que haja um contexto de oração e adoração. “O ministro da exposição e da benção é o sacerdote ou diácono; em circunstâncias especiais, apenas a exposição e reposição, mas não a benção, é o acólito (instituído pelo bispo), um ministro extraordinário da sagrada comunhão, ou outra pessoa delegada pelo ordinário local, observando-se as prescrições do Bispo diocesano” (CDC, 943).

Não é permitido, no final da missa, haver benção do Santíssimo Sacramento. Para se garantir o devido respeito, procure-se realizar a adoração nas igrejas e que o ostensório permaneça em local fixo, salvo nas procissões de Corpus Christi.

Por ocasião das festas familiares, sociais e cívicas, pode ser celebrada a Eucaristia, desde que haja razão pastoral. Devem ser asseguradas as condições necessárias para uma celebração de fé, evitando que esta se torne um simples número a mais, para abrilhantar a festa.

Missas por ocasião de formaturas podem ser celebradas nas Igrejas ou nas escolas, desde que os formandos estejam devidamente preparados.

As missas de exéquias podem ser celebradas todos os dias, exceto nos domingos e solenidades de preceito. Exclua-se destas missas a prática de elogio fúnebre.

Onde e quando houver fundadas razões, as paróquias podem deixar o piedoso costume da missa de corpo presente. Tais razões sejam explicadas aos fiéis e incluam-se na missa comunitária as intenções do(s) defunto(s). Explique-se ainda o valor da celebração das exéquias como modo ordinário a ser adotado em nossas comunidades.

Sejam criadas em todas as paróquias da diocese as equipes de liturgia e de canto pastoral, em vista da melhor participação dos fiéis.

Ao ausentar-se da paróquia, procure o pároco encontrar um sacerdote que possa substituí-lo em tal período, afim de que os fiéis leigos não fiquem sem assistência sacramental e espiritual. A ausência justificável por diversos motivos, inclusive o mês de férias conforme de direito, o ordinário local deve ser comunicado.

Recomenda-se com insistência a antiga e preciosa prática da visita ao SS. Sacramento. Por isso, as igrejas estejam abertas ao público durante o dia, segundo as possibilidades.

PARA OS MINISTROS ORDENADOS

“Os paramentos sacros têm uma função importante nas celebrações litúrgicas: primeiramente, o fato deles não serem usados no cotidiano, tendo assim um caráter cultual, ajuda-nos a romper com o cotidiano e suas preocupações, no momento da celebração do culto divino. Além disso, as formas largas das vestimentas, como por exemplo da casula, põem em segundo plano a individualidade de quem as veste, enfatizando seu papel litúrgico. Pode-se dizer que a “ocultação” do corpo do ministro sob as vestes, em certo sentido, despersonaliza-o, removendo o ministro celebrante do centro, para revelar o verdadeiro Protagonista da ação litúrgica: Cristo. A forma das vestes, portanto, lembra-nos que a liturgia é celebrada in persona Christi, e não em próprio nome”, (Departamento das celebrações liturgicas do sumo pontifice – A vestição dos paramentos litúrgicos e as respectivas orações).

Nenhum ministro ordenado deverá presidir ou concelebrar a Eucaristia se não estiver revestido dos paramentos litúrgicos.

Na celebração eucarística, não é permitido aos diáconos e leigos proferir as orações, especialmente a oração eucarística, ou executar as ações próprias do sacerdote celebrante (CDC, 907).

É proibido aos sacerdotes católicos concelebrar a Eucaristia junto com sacerdotes ou ministros de Igrejas ou comunidades que não estão em plena comunhão com a Igreja católica (CDC, 908).

Eucaristia – parte 2

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PREPARAÇÃO DA MISSA

Tendo em conta a natureza e a circunstância de cada assembléia, toda a celebração deve favorecer a participação consciente, ativa e plena dos fiéis. Tal celebração, animada pelo fervor da fé, da esperança e da caridade é um direito e um dever dos cristãos em virtude do Batismo (SC, 14).

Os padres usem com criatividade o mais possível os documentos litúrgicos, as diversas orações eucarísticas, gestos litúrgicos e leituras bíblicas alternativas, quando as rubricas permitirem.

Invista-se na formação de leigos para integrar as equipes litúrgicas, de modo a contribuírem eficazmente para o aprimoramento das celebrações.

PREPARAÇÃO À PRIMEIRA EUCARISTIA

“É dever primeiramente dos pais ou dos responsáveis e do pároco cuidar que as crianças que atingiram o uso da razão se preparem convenientemente e sejam nutridas, quanto antes, com este divino alimento, após a confissão sacramental; compete também ao pároco velar para que não se aproximem do sagrado banquete as crianças que ainda não atingiram o uso da razão ou aquelas que ele julgar não estarem suficientemente dispostas” (CDC, 914). É importante ressaltar que os pais ou responsáveis devem estar ativamente envolvidos no processo catequético dos catequizandos.

Em caso de grave necessidade, como é aquele da morte iminitente, a criança que sabe distinguir o pão eucarístico de outro alimento qualquer, não somente poderá, como deve receber este augusto sacramento.

A catequese deve acontecer na comunidade cristã de residência ou onde a família participa regularmente.

Em caso de mudança do catequizando, deve ser apresentada na nova paróquia a transferência assinada pelo catequista e pelo pároco de origem, atestando sua participação nos encontros da
respectiva etapa, bem como o material utilizado.

“Os adultos que ainda não fizeram a Primeira Comunhão oferecem especial ocasião à comunidade para iniciá-los de modo mais consciente. Não se tenha pressa em admitir à comunhão, mas se cuide com muito carinho de sua inserção e comprometimento comunitário” (cf. Pastoral dos Sacr. da Inic. Cristã, CNBB, nº 2a, p.105). A preparação seja feita com subsídios produzidos ou indicados pela diocese, seguindo ao menos duas etapas de preparação.

Dedique-se atenção e carinho especiais às pessoas com deficiência física e mental, sempre em diálogo com os pais.

A paróquia e/ou a diocese devem proporcionar formação permanente a todos os catequistas. Estes sejam admitidos a partir dos seguintes critérios: sejam crismados, sejam acompanhados pastoralmente pelo pároco, participem dos encontros e reuniões de catequistas, tenham disponibilidade para os encontros catequéticos semanais.

Quanto aos adultos que procuram a preparação para o sacramento da Eucaristia, certifique-se que sejam batizados. A preparação seja feita com subsídios indicados pelo pároco, seguindo ao menos duas etapas de preparação.

CELEBRAÇÃO DA PRIMEIRA EUCARISTIA

A celebração da Primeira Eucaristia é uma festa religiosa da comunidade, portanto:

– seja celebrada na própria comunidade, preparando-se os familiares e a comunidade para este acontecimento.

– cuide-se da vestimenta harmoniosa das crianças e adolescentes, evitando-se todo luxo e pompa.

– Os neo-comungantes devem ser ouvidos em confissão individual antes da celebração, estendendo-se o convite aos pais e familiares, se possível.

– Recomende-se à toda a família que participe ativamente da vida comunitária, favorecendo a perseverança do neo-comungante.

Eucaristia

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O sacramento da Eucaristia faz parte da Iniciação Cristã. Pela Comunhão Eucarística, aqueles que foram salvos em Cristo pelo Batismo e a Ele mais profundamente configurados pela Confirmação participam, com toda a comunidade, do sacrifício do Senhor (cf. CIC, 1332; PO 5b).

Jesus cumpriu sua promessa de instituir a Eucaristia (Jo 6, 51. 54-56) na última ceia que celebrou com seus discípulos, antes de se oferecer em sacrifício ao Pai, em memória de sua morte e
ressurreição, e ordenou aos seus que a celebrassem até a sua volta (Mt 26, 17-29; Mc 14, 12-25; Lc 22, 7-20; 1 Cor 11, 23-27), constituindo os sacerdotes do Novo Testamento (cf. CIC, 1337).

“o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: Isto é o meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim.Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de mim. Assim, todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice lembrais a morte do Senhor, até que venha.” (1 Cor 11, 23-26).

A Eucaristia, Ação de Graças (Lc 22,19), é também conhecida como Ceia do Senhor (1 Cor 11,20), Fração do Pão (At 2, 42.46; 20, 7.11), Assembleia Eucarística (1 Cor 11, 17-34), memorial da paixão e da ressurreição do Senhor (Lc 22,19), Santo Sacrifício, Sacrifício de Louvor (Hb 13,15), Sacrifício Espiritual (1 Pd 2,5), Sacrifício Puro e Santo (Ml 1, 11), Santo Sacrifício da Missa, Santíssimo Sacramento, Comunhão, Santa Missa (cf. CIC, 1328 – 1330).

A Igreja denomina de transubstanciação a mudança de toda substância do pão na substância do Corpo de Cristo Nosso Senhor e de toda a substância do vinho na substância do seu sangue (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1374 – 1376). O Santíssimo Sacramento da Eucaristia contém verdadeiramente, realmente e substancialmente o Corpo e o Sangue, juntamente com a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou seja, Cristo todo. “A Eucaristia é a presença salvífica de Jesus na comunidade dos fiéis e seu alimento espiritual (…), é dom por excelência, porque dom dele mesmo, da sua pessoa na humanidade sagrada, e também de sua obra de salvação” (EE 9.11).

Pelo Sacrifício Eucarístico de seu Corpo e Sangue, o Senhor “perpetua pelos séculos, até que volte, o Sacrifício da Cruz, confiando assim à Igreja, sua dileta esposa, o memorial de sua morte e ressurreição: sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade, banquete pascal, em que o Cristo nos é comunicado em alimento, o espírito é repleto de graça e nos é dado o penhor da futura glória” (Sacrosanctum Concilium, 47).

“O Sacrifício Eucarístico, memorial da morte e ressurreição do Senhor, em que se perpetua pelos séculos o sacrifício da cruz, é o ápice e a fonte de todo o culto e da vida cristã, por ele é significada e se realiza a unidade de todo povo de Deus, e se completa a construção do corpo de Cristo” (cân. 897). “Os demais sacramentos, como, aliás, todos os ministérios eclesiásticos e tarefas apostólicas, se ligam à Sagrada Eucaristia e a ela se ordenam, pois a Santíssima Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo, nossa Páscoa e pão vivo, dando vida aos homens, através de sua carne vivificada e vivificante pelo Espírito Santo” (PO 5b; cân. 897).

Na Eucaristia, Cristo une sua Igreja e todos os seus membros ao sacrifício de louvor e de ação de graças que, de uma vez por todas, ofereceu na cruz ao Pai; por este sacrifício, derrama sobre a Igreja as graças da salvação.

A Eucaristia impele a participar na missão de Cristo: anunciar a boa nova da salvação, denunciar o pecado, estar a serviço do reino.

“Augustíssimo sacramento é a santíssima Eucaristia, na qual se contém, se oferece e se recebe o próprio Cristo Senhor e pela qual continuamente vive e cresce a Igreja. O Sacrifício eucarístico, memorial da morte e ressurreição do Senhor, em que se perpetua pelos séculos o Sacrifício da cruz, é o ápice e a fonte de todo o culto e da vida cristã, por ele é significada e se realiza a unidade do povo de Deus, e se completa a construção do Corpo de Cristo. Os outros sacramentos e todas as obras de apostolado da Igreja se relacionam intimamente com a santíssima Eucaristia e a ela se ordenam” (CDC, 897 ).

“A Eucaristia é o memorial da Páscoa de Cristo: isto é, da obra da salvação realizada pela vida, morte, e ressurreição de Cristo, obra esta tornada presente pela ação litúrgica” (CIC, 1409).

“Celebrar o mistério de Cristo é celebrar Cristo em nossa vida e a nossa vida em Cristo. À luz do mistério pascal, a caminhada do continente latino-americano, marcado pelo mal e em busca de
uma libertação integral, deve ser interpretada como processo pascal” (cf. Animação da vida litúrgica no Brasil, Doc. 43 CNBB, n° 204 e 205).