Catequista: morre para viver

(Vandeia Ramos)

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Estamos nos aproximando do final do ano litúrgico e as leituras nos fazem refletir sobre o final da vida, da história, para onde estamos indo. Quem sabe para onde vai, sabe por onde ir e como ir. O fim direciona o caminho.
A conversa de Jesus com os saduceus vem de uma pergunta maldosa, pois eles não acreditavam na ressurreição. Estavam testando Jesus, utilizando a própria Palavra de Deus. Para Israel, a descendência era muito importante, pois prepararia a vinda do Salvador. Mas Este já estava ali e não foi reconhecido como tal.
Com a Encarnação, toda a Antiga Aliança se realiza plenamente na Nova Aliança, ultrapassando a morte e apresentando a Vida Eterna. O que não estava claro, teve o véu retirado. O sentido do matrimônio é elevado a de sacramento, sinal de Deus em nós. No Céu, tendo a visão face a face, não precisaremos mais de sinal, pois seremos em Deus. Então, seremos ressuscitados e teremos a vida plena e em abundância. Deus será tudo em nós.
Aqui temos o sentido escatológico de vida e de morte, em relação a Deus. Ou viveremos em Deus ou Deus não será presente para nós. Uma escolha que começamos a fazer e a viver aqui e agora.
O Livro de Macabeus nos apresenta que esta é a fé de boa parte de Israel desde o século II a.C., quando o livro é terminado. Na perícope completa, a mãe incentiva a cada um dos filhos a morrer em Deus, ainda que passassem por martírios e mesmo pela morte, pois seriam somente momentos de preparação para o Encontro final. Esta certeza que os sustentou pelas duras provações. E ela acompanha os filhos, para ser a última a passar pelo sofrimento.
E é esta fé que nos sustenta nos percalços da vida, nas dificuldades, no cansaço, nos problemas… Tudo passa. E Deus está conosco, em todos os momentos, ajudando-nos a sermos melhores a partir do que vivemos.
Esta experiência de morte e ressurreição é o que testemunhamos na catequese, que passa verdade através dos ensinamentos, que torna a doutrina viva, a Palavra encarnada. É Cristo que vive em nós que testemunhamos e tornamos presente em cada Encontro.
A verdadeira liberdade dos filhos de Deus se manifesta em cada momento, pois não nos prendemos a eles nem estes se tornam maiores do que são, fechando nossa mente e nosso coração. Olhar para fora de si e para além de cada momento, para o fim do caminho, da vida, do tempo litúrgico, nos traz a memória de que Deus está logo ali, logo após a fronteira entre o aqui e o ali, o agora e um novo agora.
Caminhamos ao Seu Encontro definitivo, com nosso Amigo segurando pela nossa mão e ajudando a passar pelas alegrias e tristezas, pela saúde e doença, como o Esposo que conduz a noiva e ela se deixa conduzir, na confiança do amor que vivem.
Assim, a morte será somente um piscar de olhos, um momento entre tudo que passamos e o novo que nos aguarda, a esperança sendo superada pela visão face a face.
As preces vão ser respondidas, as lágrimas vão secar, a dor vai passar. Todo nosso ser anseia e aguarda pelo Encontro. A Misericórdia será tudo em nós. Entraremos na Vida Eterna, para a qual somos agora preparados. O querigma catequético não termina na cruz e na morte. Ele aponta para a ressurreição, para o encontro definitivo, para a Felicidade plena.
Vivamos este tempo como quem aguarda esta chegada, na alegria mal contida de encontrar Jesus face a face. Sigamos pela estrada que nos resta olhando para o além do agora, que está para chegar!

Refugiados no Senhor

(Vandeia Ramos)

Muito bonito o cuidado de Daniel ao contrastar o período de angústia de suas visões com a salvação do povo de Israel. Período sempre necessário de purificação, maior quando há uma perda do sentido do que é certo e do que é errado, em que as pessoas se afastam de Deus, a moral se esvazia e a ética é desconsiderada. É justamente nas tribulações, nas dificuldades, nos tormentos, que os que são de Deus se levantam e manifestam Sua presença. Bem como os que não são. Mas tem um versículo que parece tocar diretamente o nosso coração de catequistas: “Mas os que tiverem sido sábios brilharão como o firmamento; e os que tiverem ensinado a muitos homens os caminhos da virtude brilharão como as estrelas, por toda a eternidade” (Dn 12, 3).
Como cristãos, somos chamados a sermos sábios, na sabedoria de Jesus Cristo e na filiação de Maria, Sede de Sabedoria. Não é o nosso acordar cedo, sair no calor, planejar nossa catequese, que faz o nosso sacrifício ser aceito pelo Pai. Não que isso e muito mais não sejam importantes. No entanto, é o sacrifício único de Jesus que coloca todas as nossas dificuldades aos pés do Pai. Em Sua humanidade, o Filho recolhe nossas ofertas de amor, por amor e em seu amor e as torna Seu Corpo na Consagração do Pão. Nosso dia a dia, nossas ofertas, nossa perseverança em seguir no que é de Deus, testemunhando, sofrendo, rindo, formando, que vamos sendo conformados em Jesus Cristo.
E não são somente nossas ofertas que são oferecidas a Deus. Ao oferecermos, nós nos tornamos outros cristos, cristãos, semelhança. A gente percebe no evangelho que Jesus usa a mesma linguagem de Daniel, com as mesmas figuras. Só que aqui diz que as estrelas vão cair do céu e as forças serão abaladas. Está acabando o ano litúrgico e a linguagem escatológica é forte. Sabemos que muitos dos que deveriam ser estrelas no céu, responsáveis pela formação do Povo de Deus, caem com freqüência. É com muita dor que presenciamos sua queda. Sabemos que muitas vezes esta queda nos ameaça. É com angústia que precisamos estender as mãos para sermos constantemente levantados. Precisamos nos firmar com mais força na videira para sermos galhos que florescem.
Nas dificuldades do mundo, é no Senhor que nos colocamos. Para isso, não poupemos os instrumentos que Ele mesmo nos oferece, a começar com os sacramentos, direção da Iniciação Cristã: a força do Batismo, a constante confissão, o freqüência da Eucaristia, a Confirmação.
Na catequese semanal, a atenção ao que anunciamos, pois muitas vezes estamos falando o que primeiro nós mesmos precisamos ouvir. E neste domingo em especial, temos a direção ao fim do ser humano, a que viemos ao mundo: para o Céu. Aprendamos a não desviar os olhos de nossa meta, a ter o Caminho de Deus a nossa frente, a seguir com alegria, a descansar tranquilos para alcançarmos a felicidade eterna. Aprendamos e ensinemos que Deus nos guarda e que nele nos refugiamos!