Refugiados no Senhor

(Vandeia Ramos)

Muito bonito o cuidado de Daniel ao contrastar o período de angústia de suas visões com a salvação do povo de Israel. Período sempre necessário de purificação, maior quando há uma perda do sentido do que é certo e do que é errado, em que as pessoas se afastam de Deus, a moral se esvazia e a ética é desconsiderada. É justamente nas tribulações, nas dificuldades, nos tormentos, que os que são de Deus se levantam e manifestam Sua presença. Bem como os que não são. Mas tem um versículo que parece tocar diretamente o nosso coração de catequistas: “Mas os que tiverem sido sábios brilharão como o firmamento; e os que tiverem ensinado a muitos homens os caminhos da virtude brilharão como as estrelas, por toda a eternidade” (Dn 12, 3).
Como cristãos, somos chamados a sermos sábios, na sabedoria de Jesus Cristo e na filiação de Maria, Sede de Sabedoria. Não é o nosso acordar cedo, sair no calor, planejar nossa catequese, que faz o nosso sacrifício ser aceito pelo Pai. Não que isso e muito mais não sejam importantes. No entanto, é o sacrifício único de Jesus que coloca todas as nossas dificuldades aos pés do Pai. Em Sua humanidade, o Filho recolhe nossas ofertas de amor, por amor e em seu amor e as torna Seu Corpo na Consagração do Pão. Nosso dia a dia, nossas ofertas, nossa perseverança em seguir no que é de Deus, testemunhando, sofrendo, rindo, formando, que vamos sendo conformados em Jesus Cristo.
E não são somente nossas ofertas que são oferecidas a Deus. Ao oferecermos, nós nos tornamos outros cristos, cristãos, semelhança. A gente percebe no evangelho que Jesus usa a mesma linguagem de Daniel, com as mesmas figuras. Só que aqui diz que as estrelas vão cair do céu e as forças serão abaladas. Está acabando o ano litúrgico e a linguagem escatológica é forte. Sabemos que muitos dos que deveriam ser estrelas no céu, responsáveis pela formação do Povo de Deus, caem com freqüência. É com muita dor que presenciamos sua queda. Sabemos que muitas vezes esta queda nos ameaça. É com angústia que precisamos estender as mãos para sermos constantemente levantados. Precisamos nos firmar com mais força na videira para sermos galhos que florescem.
Nas dificuldades do mundo, é no Senhor que nos colocamos. Para isso, não poupemos os instrumentos que Ele mesmo nos oferece, a começar com os sacramentos, direção da Iniciação Cristã: a força do Batismo, a constante confissão, o freqüência da Eucaristia, a Confirmação.
Na catequese semanal, a atenção ao que anunciamos, pois muitas vezes estamos falando o que primeiro nós mesmos precisamos ouvir. E neste domingo em especial, temos a direção ao fim do ser humano, a que viemos ao mundo: para o Céu. Aprendamos a não desviar os olhos de nossa meta, a ter o Caminho de Deus a nossa frente, a seguir com alegria, a descansar tranquilos para alcançarmos a felicidade eterna. Aprendamos e ensinemos que Deus nos guarda e que nele nos refugiamos!

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