Santíssima Trindade, comunhão de amor

(Vandeia Ramos)

Como o nome indica, Trindade significa três: três Pessoas e um único Deus. Presente ao longo do Antigo Testamento, os hebreus não tinham conhecimento deste mistério, que só no Novo foi revelado por Jesus. Entre “Eu e o Pai somos um” e o envio do Espírito Santo, foram diversas vezes que o Filho indicou o relacionamento de amor divino. O que não significa que tenha sido fácil a Igreja explicar e mesmo definir. Como nos diz o Evangelho de hoje, Jesus sabia que a compreensão seria no momento oportuno e, enquanto Mistério divino, esta mesma compreensão não se esgotaria, sempre aberta a aprofundamento.
Mistério central da fé cristã (batismo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo), cada Pessoa divina é distinta e atua junta com as demais, como podemos identificar desde o livro do Gênesis. A partir do Pai, através do Filho, no Espírito Santo, a humanidade caminha na história, tendo a Igreja como a Esposa que reúne os filhos e os apresenta a Deus.
Entre vários momentos que podemos apontar como privilegiados na Sagrada Escritura, podemos contemplar o momento em que Deus (Pai), tendo criado tudo pela Palavra (Filho), com o Espírito pairando sobre as águas, suspende sua ação. Percebemos que é chegado um momento importante, em que tudo o feito até então se dirige. E diz: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”.
Deus, comunhão entre Pessoas, em um ato de amor, deseja ser amado livremente, alegrar-se com os filhos do homem. Antes de tudo ser criado, a pessoa humana era desejada e querida, cada um de nós já era amada desde a eternidade. E Deus aguardava o momento de nossa criação, já preparando tudo com a devida ordem, prevendo toda e qualquer necessidade que poderíamos ter.
A Criação é suspensa. Na continuidade do pó da terra, como oleiro, Deus cuida com ternura do ser humano, infundindo o sopro divino, que rompe com os demais, diferenciando, fazendo-nos portadores do Espírito. O humus se torna homo. Não para vivermos sozinhos e isolados em nossa solidão, mas uma humanidade dual, homem e mulher, chamados a se relacionarem desde sempre com Deus. A partir da comunhão trinitária, temos a relação entre Deus, a humanidade e a criação. Cada um de nós é chamado a viver no amor divino entre nós, como continuidade da relação que vivemos com Deus.
Do mesmo modo em que o mundo espiritual antecede a criação da terra, há mais em nossa vida e que a supera, transpassando-a. Este amor infundido pelo Projeto que Jesus revela, aponta que há uma realidade em que somos chamados a nos realizarmos como filhos de Deus, seguindo o exercício das virtudes e sustentando nossa comunhão de fé.
Ao contemplarmos a Criação, o Universo, o ser humano ao longo da história, podemos perceber como somos tão pequenos, praticamente insignificantes. Considerando nossa vida pessoal, os cuidados, a ternura, o amor de que somos frutos e, ao mesmo tempo, acompanhados por Deus, sabemos que somos muito queridos e amados.
Entre a grandiosidade do cosmos e nossa pequenez, a Trindade se manifesta de modo pessoal a cada um de nós. O que leva o salmista a perguntar: “Senhor, que é o homem para dele assim vos lembrardes e o tratardes com tanto carinho?’
Nesta consciência humilde frente a grandeza divina, podemos nos juntar à Igreja, aqui e por toda a eternidade, e cantarmos juntos: Ó Senhor, nosso Deus, como é grande vosso nome por todo o universo!

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Creio em Deus Pai…

(Vandeia Ramos)

Crer em Deus Pai, tendo o dia dos Pais como celebrativo, é nos colocarmos como filhos sempre acolhidos em seu colo e poder falar: Abbá! Em Deus, aprendemos a sermos melhores filhos dos nossos pais aqui e sermos melhores pais.

Sabemos o quanto é cansativo sermos quem somos, que tem momentos que somos como Elias no deserto, praticamente desistindo de continuar. Parece que as forças nos faltam. A gente olha ao redor e tudo indica que não há mais possibilidade de seguir. Paramos e entregamos toda nossa resistência a Deus. Entregamos nossa família, nosso trabalho, nosso serviço… E dizemos: Senhor, fiz o meu possível, não consigo mais continuar, cuida dos que não posso cuidar. Deus sabe que o que precisamos é de seu colo. Também somos crianças neste mundo e precisamos de descanso e acolhimento. É o momento que somos embalados como crianças e descansamos no Senhor. Ele nos coloca para dormir e nos alimenta até que estejamos restabelecidos. Precisamos deste tempo de vez em quando. Os nossos também precisam descansar de nós muitas vezes. Só então poderemos ouvir: Levanta-te e come! Ainda tens um longo caminho para percorrer!

Nessa experiência vamos descobrindo “quão suave é o Senhor!” Precisamos ser também suaves com as pessoas que Ele coloca sob nossa responsabilidade. Este é o nosso caminho no mundo. Na catequese, na família, no trabalho, nos estudos. Principalmente com aqueles que mais nos desafiam a ir além de nós mesmos. Quantas pessoas só estão esperando descansar em nós, conosco, como fazemos com o Senhor?

São Paulo nos indica que ser cristão não é ser de qualquer jeito, que trazemos uma marca de sermos com os demais, que nos distingue no mundo. “Ser imitadores de Deus.” Isso nos tira o fôlego e, num primeiro momento, parece que somos incapazes. E somos. Por isso que temos o Espírito Santo. Por isso que nos alimentamos da Palavra de Deus e da Eucaristia. Por isso que, quando não conseguimos, podemos correr para a Confissão. O Pai sabe de nossas dificuldades e está sempre nos oferecendo seu colo. Não é isso que fazemos com os nossos? Nossos filhos, nossos pais, nossas crianças e jovens, com as pessoas de modo em geral? Ser imitador de Deus… Um desafio a ser aceito todo dia, por toda a vida…

Só quem vive como filho no colo do Pai, quem aprende em Jesus, pode ser um pai à sua imagem por aqui… Que grande beleza o Pai constitui os pais! Serem sua expressão de amor entre os filhos, ensinarem a cada um a ser filho de Deus, sendo seus filhos!

Que Deus infunda este espírito de paternidade em cada homem, para que seja expressão do amor divino entre nós! Que Deus abençoe todos os pais! Obrigada, Deus, por ser o Pai que sempre nos aconchega em seu colo!

E Deus descansa…

(Vandeia Ramos)

“Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher… foi o sexto dia… Ele abençoou o sétimo dia e o consagrou, porque nesse dia repousara de toda a obra da Criação.”
E voltamos ao nosso trabalho…
Bom estar aqui justamente quando estamos refletindo sobre o dia do Senhor.
Israel renova a antiguidade instituindo o dia em que todos deixam suas atividades cotidianas. Não há precedente na história. É o legado que deixam para toda a humanidade, o dia em que se para de trabalhar.
Um detalhe é que o dia em que o Senhor descansa é o dia depois que criou a humanidade, ou seja, é o primeiro dia em que a pessoa humana está viva.
A obra de Deus está completa e Ele a entrega a nós.
Deus vai descansar no ser humano.
O sabath judaico, descanso de Deus e primeiro da criação do homem, modifica a história.
Nossa vida ganha ritmo. Do mesmo modo que somos vivificados pelo sopro divino, nosso cotidiano é configurado pelo respirar da “parada restauradora na caminhada rumo ao céu”.
Deus descansa, mas não é solitário. Ele nos chama para descansar com Ele, descansar nele.
E vamos à missa, reunimo-nos com nossa família, servimos nas diferentes pastorais e movimentos da Igreja.
Em comunhão, ofertamos nosso viver, nosso trabalho, as pessoas pelas quais somos responsáveis. E voltamos para o ritmo semanal no exercício de viver como Corpo de Cristo no mundo.
Uma nova humanidade surge. A que Deus descansa no fazer humano, no Espírito que configura o Cristo, na oferta da vida diária ao Pai.
Ofertamos também este blog que se faz Igreja nas mídias sociais. Que ele esteja sempre no serviço de amor a Deus.

Os povos da Bíblia


O grande assunto da Bíblia é a história do povo de Deus morador no país de Canaã. Mas ela é história de muitos outros povos, a quem Deus acompanhou com o mesmo cuidado. A região habitada por eles era a mesma que, hoje, chamamos de Oriente Médio. Os principais povos que fazem parte da história bíblica são:
Egípcios: viviam da agricultura nas margens do rio Nilo. Formaram um poderoso império em 3000 a.C.. Tinham vários deuses (politeísmo), mas foram os primeiros a falar de um Deus único (monoteísmo). Até hoje vemos lá pirâmides imensas, construídas com trabalhos forçados para serem túmulos dos faraós (leiam Ex 1,11). Por isso, obras públicas imensas, feitas com o suor do povo, são chamadas hoje de obras faraônicas.
Cananeus: viviam em Canaã quando os israelitas conquistaram as cidades e dividiram o país entre suas próprias tribos (Jz 1,9). Sua religião era ligada à agricultura. Os deuses mais importantes eram Baal, deus da chuva, e Astarte ou Asserá, deusa da fertilidade (Jz 2,11-13).
Filisteus: chegaram depois dos israelitas e se instalaram na beira do mar. Tentaram conquistar Canaã (Jz 13,1). Os israelitas tiveram que organizar um forte exército para defender o sistema de tribos.
Amonitas, moabitas e edomitas: viviam do lado direito do rio Jordão, como pastores. Ao longo de sua história, fizeram guerras e alianças com Israel. Eram como primos dos israelitas, pois descendiam todos da família de Abraão.
Assírios: faziam parte de um poderoso império que explorava outros povos através do comércio. Como tinha um exército forte, sempre levava a melhor nos acordos comerciais. Os pobres ficavam cada vez mais miseráveis e a Assíria cada vez mais rica. É parecido com o que acontece hoje entre países ricos e pobres. Quando um povo se recusava a fazer parte desse jogo, a Assíria invadia o país rebelde e destruía tudo. Em 722 a.C., destruiu o norte de Israel e levou os israelitas para longe. (2Rs 17,3-6).
Babilônios: pertenciam a um império tão antigo quanto o império do Egito. Viviam na Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates que garantiam prosperidade econômica. Babilônia se comunicava com o Egito através de várias estradas. As principais estradas do Oriente Antigo passavam por Canaã. Por isso, todos os impérios queriam Ter o controle político e militar dessa região.
Muitas tradições religiosas da Babilônia foram aproveitadas na Bíblia. Por exemplo, as histórias de dilúvio (Gn 6-9).

A VIDA EM CANAÃ
Em Canaã, diversos povos viviam da agricultura e do pastoreio. Eles se organizavam em clãs ou grandes famílias. Vários clãs formavam uma tribo.
Nos clãs, a mulher e a criança eram consideradas propriedades do homem, como o rebanho e a terra. O líder da família era chamado de patriarca.
Os clãs viviam em pequenas aldeias em torno das cidades. Cada cidade tinha um rei, um exército (para proteger a cidade de invasores) e um santuário (onde eram adorados os deuses de cada povo).
Os camponeses viviam do trabalho na terra. Os reis, guerreiros e sacerdotes viviam dos impostos que cobravam dos camponeses e das tribos vizinhas dominadas. É o sistema tributário, pois se baseava nos tributos (impostos) que os mais fracos eram obrigados a pagar aos mais fortes.
O imposto podia ser pago de duas formas: com produtos da terra ou com trabalhos forçados para o rei. Era o sistema usado por todos os grandes impérios, como o Egito (Ex 1,11).
Muitos camponeses se revoltavam com esse sistema. Uns fugiam para as montanhas onde os exércitos não chegavam. Outros se organizavam e procuravam uma nova vida numa nova terra. Foi o caso dos Hebreus no Egito, que clamaram a Javé e foram ouvidos. (Ex 2,23).

É muito importante conhecer o modo de vida daquela época. Como vamos entender a ação de Deus na vida sem olhar para a vida? Seria o mesmo que passear no escuro: a gente não vê nada e ainda corre o risco de pisar onde não deve…

FORMAÇÃO DO POVO DE DEUS
O povo de Deus é como o povo brasileiro: formado de muitas raças e culturas diferentes, que foram se misturando e formando um novo grupo.
Assim foi em Canaã. Gente de diversas regiões foi chegando e formando um único povo unido por um ideal: terra e pão, igualdade e justiça.
Esses povos brigavam muito, mas também se misturavam através de alianças e casamentos. Javé, o Deus da vida, era o ponto de união. Aderir a Javé era o mesmo que aderir à defesa da vida.
O povo de Deus não era apenas o grupo de israelitas, nem é hoje só o grupo de católicos (Am 9,7).

Faz parte do povo de Deus toda pessoa que luta pela vida e é solidária com os irmãos. Povo de Deus é povo a caminho da “terra prometida” de cada dia.

Fonte: Folheto Ecoando 3 – formação interativa com catequistas – Editora Paulus

Sinal do Reino entre nós


O QUE ENTENDEMOS POR “REINO DE DEUS”?
Esta expressão aparece mais de cem vezes nos evangelhos.
É necessário entender porque Jesus falava sobre o Reino. Na época de Jesus, existiam reis, reinos, reinados. O rei tinha poder absoluto sobre o povo e dizia que seu poder vinha diretamente de Deus.
Assim como hoje nós desejamos que o Brasil tenha um regime político mais justo, os judeus também aspiravam por um novo rei, na esperança de mudar o poder.
Por exemplo: quando se falava do Reino de Deus no tempo do reino de César, significava a negação do poder de César.

Onde está o Reino de Deus ou o Reino dos Céus?
Muita gente ainda pensa que o Reino dos Céus é só depois da nossa morte.
O Reino que Jesus revelava e queria que se realizasse era o Projeto do Pai de salvar e libertar toda a humanidade trazendo-lhe felicidade plena. Projeto que consiste na vivência da justiça, da fraternidade, da liberdade, da paz, do serviço, da alegria e da fé.
Foi muito difícil entender que tipo de reinado Jesus estava anunciando e prometendo. Depois da vinda do Espírito Santo os seguidores de Jesus perceberam o que era a Boa Notícia do Reino.

Para que os seus discípulos e o povo entendessem a Boa Notícia, Jesus lhes falava por meio de parábolas.
As parábolas foram o meio que Jesus escolheu para falar sobre as maravilhas de Deus e de seu Reino.
Há no evangelho algumas dezenas de parábolas que visam explicar esse Reino que a pessoa deve despertar e desenvolver dentro de si.
O povo não entendia o que na realidade era esse Reino. Jesus falava dele através de comparações e analogias.

Dizia só o que era semelhante a esse reino…
“semelhante a um grão de mostarda” (Mt 13,31-32)…
“a uma mulher que põe um pouco de fermento na massa” (Mt 13,33)…
“a um comprador que procura pérolas preciosas” (Mt 13,45-46)…
“a uma rede lançada ao mar” (Mt 13, 47-50)…
“a um tesouro escondido” (Mt 13,44).

Jesus afirmou que o Reino de Deus não tem o mesmo sentido de um reinado dominante, de um modelo político que assume o poder numa sociedade onde há mordomias, súditos, privilégios. O Reino de Deus não é algo que vem de fora. O Reino de Deus está dentro de nós, entre nós, como uma semente. Esse Reino de Deus existe em todas as pessoas; mas, na maior parte está dormente, em fase embrionária. Muitos não sabem que o Reino é uma maneira de viver. Compete aos catequistas despertar nos corações dos catequizandos a existência dessa semente do Reino para que cresça no mundo a Vida: a justiça, o amor e a liberdade.

Viver o Reino de Deus, aqui e agora, significa uma contínua conversão, uma mudança de vida:
“O Reino de Deus está próximo. Convertam-se e acreditem na Boa Notícia” (Mc 1,15).
A Igreja é chamada a viver as exigências do Reino. A Igreja deve ser o modelo, a amostra do que é o Reino como Jesus propôs.

A IGREJA É SINAL E SACRAMENTO DO REINO
O Reino de Deus é mais amplo e abrangente do que a Igreja.
A Igreja está a serviço do Reino. Todas as pessoas, todos os povos que vivem os valores do Reino (paz, justiça, fraternidade, partilha…) pertencem ao Reino de Deus.
Como catequistas estamos a serviço do Reino, que é crer e vivenciar o que aprendemos pela fé. É viver o amor de Deus em união com os irmãos.

• Ler o capítulo 13 de Mateus, descobrindo e partilhando no grupo as comparações do Reino de Deus.
• Como podemos anunciar isto aos catequizandos e ser sinal do reino de Deus de forma clara e convincente?

Fonte – Folheto Ecoando 10 – formação interativa com catequistas – Editora Paulus

Somente a Tua graça me basta, e nada mais!

(Prof. Felipe Aquino)

Dom de si

O que é o dom de si?

Somos de Deus, Ele nos criou, nos tirou do nada, sem Ele nada somos. Como diz o salmista, somos as ovelhas do Seu rebanho (Sl 94); a Ele pertencemos por direito de criação.

Então, nossa vida só poderá ser boa e só alcançaremos a felicidade se entregarmos o dom da vida a Ele que é o Senhor.

O Pe. José Schrijvers ensina isso maravilhosamente em seu livro “Dom de Si”:

Dar-se a Deus é entregar-se o corpo, a alma e a vida, abandonar-se todas as capacidades, aspirações e sentimentos, desejos e temores, esperanças e planos futuros, reservando apenas o cuidado de O amar.

Dar-se a Deus é esquecer-se de si, é depositar no coração de Cristo todas as preocupações, todas as solicitudes e mil contratempos da vida cotidiana; é confiar-lhe todos os interesses pessoais, encarregando-O de prover a tudo, de tudo remediar.

Dar-se a Deus é desprender-se de si mesmo para só Nele pensar; é consagrar-se às obras que visam a Sua glória, é estender na medida das próprias forças o Reino da verdade, da justiça, do amor, da liberdade; é devotar-se aos outros por amor no Mestre, é auxiliar, instruir, aliviar, e, principalmente, converter e conduzir a Deus.

O dom de si a Deus é como o “fiat” (faça-se) de Nossa Senhora, da Anunciação do Anjo ao Calcário, sem nada perguntar, nada exigir e nada reclamar, apenas obedecer. É o abandono completo a todos os desígnios da Providência divina que nos leva para o melhor e mais rápido caminho da santificação.

Poder mergulhar a todo instante no oceano sem fundo da Divindade.

É selar com Deus um pacto eterno, ceder-lhe todo o coração para possuir totalmente o Seu Coração.

Basta voltarmo-nos para Deus a cada momento, por um ato de amor, e oferecer-lhe o ser que Dele recebemos.

O dom de si a Deus é reconhecer com amor e gratidão o Seu soberano domínio e poder sobre mim.

É pousar a vida no seio de Deus; abandonar-se em Seus braços como a criancinha nos braços do Pai, ou como a criança que é levada pelas mãos da mãe.

É entender que Deus é o principio e o fim único de todas as criaturas e de cada uma em particular. Cada uma delas tem a sua razão de ser, pois tem um Criador. Ele é o Alfa e o Ômega “o Princípio e o Fim” (Ap 1,8).

Todos os seres criados cumprem fielmente e infalivelmente o destino que Deus lhes marcar. São assim os seres irracionais. Só o homem recebeu de Deus o maravilhoso e privilégio de alcançar o seu fim pela livre escolha da sua vontade.

Jesus é o Senhor da História. Os acontecimentos dela aconteceram porque Deus permitiu e foi dirigido para um fim. Os homens são instrumentos inconscientes do divino Mestre.

Senhor, sois o meu fim último, o termo de toda a minha existência. Entrego-me a Vós por um ato livre da minha vontade; quero renovar este ato tantas vezes quantas me concederdes a graça de fazê-lo.

Santo Agostinho disse que “Em Deus residem as causas de tudo o que acontece, as imutáveis origens de todas as coisas mutáveis e as razões eternas de todas as coisas temporais” (Confissões I, V).odomdesi

Deus sabe o caminho para me levar à santidade. Ele conhece o meu pobre coração, as minhas paixões desordenadas, as minhas lutas e fraquezas, as minhas vitórias e a infinita paciência que teria de ter para comigo.

Que alegria saber, que eu, pobre e débil criatura, ocupo o pensamento de Deus. Ele reserva para si o cuidado de me santificar; traçar o caminho e me leva pela mão.

Não me compete perguntar-lhe as razões da Sua conduta para comigo. Não devo questionar-lhe porque me criou assim com essas aptidões e incapacidades, com essas paixões e inspirações. São os Seus eternos desígnios sobre mim. De nada devo pedir-lhe contas.

O destino que o Senhor concebeu para cada alma é lhe mostrado no decorrer da vida. Deus nos diz: “Adora e aceita” (Eclo 2). A alma deve responder-lhe: “Aceito, amo e abandono-me à Vossa ação”. O que me cumpre fazer é segui-Vos passo a passo na estrada da vida, com a criança agarrada à mão de sua mãe. Sei que tudo o que vem de Vós para mim é bom, porque tudo foi previsto e regulado pela Vossa amável Providência.

(Fonte)