CREIO EM DEUS (…) TODO PODEROSO, CRIADOR DO CÉU E DA TERRA …(…) DE TODAS AS COISAS VISÍVEIS E INVISÍVEIS…

(Carlos Francisco Bonard)

Continuando o pensamento sobre o Credo, a luz do que ensina a Igreja Católica, temos a afirmativa de que Deus é Criador.

Este atributo está diretamente ligado ao primeiro trecho do Credo que diz Deus é TODO PODEROSO.

Como nós falamos no primeiro trecho apenas sobre a unidade de Deus, aqui falaremos sobre a sua onipotência também, tratando assim do fragmento todo.

Além de Pai, Deus também é todo poderoso. E o é devido a sua onipotência.

“Nós cremos que ela [a onipotência de Deus] é universal, pois Deus que criou tudo (Genesis 1, 1; João 1, 3), governa tudo e pode tudo, é também de amor, pois Deus é nosso Pai; e é misteriosa, pois somente a fé pode discerni-la, quando (a onipotência divina) “se manifesta na fraqueza” (2Cor 12,9)”.

Catecismo da Igreja Católica nº 268

Sendo Deus Todo-poderoso “no céu e na terra” (Salmo 134[135], 6), Ele ordena todas as coisas segundo a sua vontade.  Em Deus a palavra CRIAÇÃO tem seu significado pleno, vez que só Ele cria do nada. Nós até podemos fazer um invento, mas não estaremos criando, pois nós temos que usar alguma matéria prima para obtermos êxito. Na verdade nós adaptamos os materiais para a finalidade que almejamos.

Sendo assim, a criação é uma das “provas da existência de Deus”, e da sua onipotência.

“(…) o homem que procura a Deus descobre certas “vias” para aceder ao conhecimento de Deus. Chamamo-las também de “provas da existência de Deus”, não no sentido das provas que as ciências naturais buscam, mas no sentido de “argumentos convergentes e convincentes” que permitem chegar a verdadeiras certezas”.

Catecismo da Igreja Católica 31

Dissemos anteriormente que o homem é capaz de Deus, e que pelo uso da razão ele pode chegar a descobrir Deus.

Isso ocorre porque a criação, de certa forma, consegue de forma muito limitada, apontar para o esplendor de Deus.

Deus cria todas as coisas no seu Verbo ou na sua Sabedoria, que é o Filho. E cada coisa criada reflete alguma qualidade existente em Deus, por isso a criação fala de Deus:

“Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o seu sempiterno poder e divindade, se tornam visíveis à inteligência, por suas obras; de modo que não se podem escusar.”

Carta de São Paulo aos Romanos 1, 20

Leia também o que diz o livro da Sabedoria, no capítulo 13, dos versículos 1 ao 9:

“São insensatos por natureza todos os que desconheceram a Deus e, através dos bens visíveis, não souberam conhecer aquele que é, nem reconhecer o artista, considerando suas obras (…) pois é a partir da grandeza e da beleza das criaturas que, por analogia, se conhece o seu autor”

Sabedoria, 13, 1.5

Cada coisa criada era antes uma ideia de Deus. E Ele coloca na criação essa ideia, que é um reflexo, um vestígio da sua divindade (a criação em geral), e a sua imagem e semelhança (o homem).

Então, criando um leão, por exemplo, Deus o faz para representar uma qualidade sua, e daí vem a sua imponência.

Como Deus é um artista perfeito, cada criatura corresponde perfeitamente à ideia que Deus teve dela.

Deus não está na natureza, como sua substância. Deus não é a natureza e não é o mundo, que são, ainda que belos, limitados. Deus é absoluto, e não carece de evoluir.

É bom frisar essa realidade

Estas “vias” para chegar a Deus têm como ponto de partida a criação: o mundo material e a pessoa humana.

O mundo não pode ter origem nem fim em si mesmo. Isso é, sua razão de ser não pode ser ele próprio. A ordem da criação, a beleza e o desenvolvimento do mundo apontam para Deus.

Quando falamos de provas da existência de Deus, não nos referimos a uma certeza absoluta, pois Deus não pode ser provado cientificamente ou matematicamente. Falamos de uma certeza moral.

Através do raciocínio humano você, escutando a voz da consciência que nos impele para o bem e nos afasta ou adverte do mal, percebe a existência de Deus.

Voltando, vemos um movimento no mundo, ao qual o nosso intelecto nos aponta para algo fora dele que o cria.

Por exemplo, toda causa é anterior ao seu efeito, isso é, alguma coisa ocasiona outra coisa. Podemos pensar em algo, mas esse algo terá que ter uma causa anterior. A ORDEM NÃO BROTA DO CAOS, é necessário uma inteligência por trás da ordem.

A isso Santo Tomás de Aquino chama de CAUSA DAS CAUSAS NÃO CAUSADASou CAUSA INCAUSADA.

O nome pode assustar, mas a ideia é simples. Dou como exemplo um resfriado causado pela chuva que é causada pela evaporação que é causada pelo Sol. Se pararmos no Sol duas possibilidades ocorrem:

  1. O Sol sempre existiu (logo ele é causa de si mesmo);
  2. O Sol nem sempre existiu (teríamos que descobrir a causa da sua existência);

Se a ciência diz que tudo tem uma causa, ela irá se contradizer a si mesma se não afirmar que haja uma causa primeira.

Junto a esta teoria temos a teoria do SER NECESSÁRIO[i]. O que não existe não começa a existir se não mediante outrem [que já exista]. Seguindo esta linha de raciocínio filosófico vislumbramos novamente duas possibilidades:

  1. Há um processo ad infinitum de seres criadores;
  2. Há UM SER que tenha em SI MESMO a necessidade de existir, SEM RECEBÊ-LA DE OUTRO;

Quando olhamos a natureza, de uma forma geral, percebemos que há seres que começam a existir e seres que deixam de existir. Bebês são gerados, pessoas morrem; sementes brotam, árvores fenecem; plástico é produzido, e outro, ainda que demore séculos, é deteriorado. Logo TUDO O QUE VEMOS NA NATUREZA TEM A POSSIBILIDADE DE NÃO SER, pois em algum momento aquilo não existia.

Se tudo o que vemos na natureza têm a possibilidade de não ser, houve tempo em que nenhuma dessas coisas existia. Se nada existia, nada existiria hoje, porque aquilo que não existe não pode passar a existir por si mesmo.

Olhando para essa realidade, aquilo que não existia, não passa a existir por si só. A sua existência depende de um motivo anterior.

Logo é impossível que nada existia (um nada absoluto) por que tem que existir algo primeiro, que sempre esteve lá. Um ser que era necessário e absoluto e que existia antes de tudo.

“Isto [a inaudita precisão dos fenômenos do Big Bang] terá acontecido por acaso?! Mas que ideia absurda!”

Walter Thirring[ii].

Este ser necessário, absoluto, é Deus que não pode deixar de existir ou mesmo deixar de ser Deus, sob a consequência de passar a ser contingente, dependente. Ele é o ser necessário em virtude do qual os seres contingentes tem existência (quanto as 5 vias, deixo para aprofundar o tema em um momento posterior).

Não estou afirmando que a onipotência de Deus venha destes dois conceitos, apenas estou dando explicações racionais para a razão de se dizer que Deus é onipotente, e que ele existe.

No credo o parágrafo é lido junto. Temos um PAI TODO PODEROSO:

“tendes compaixão de todos, porque vós podeis tudo”

Sabedoria 11, 23

Logo sua onipotência e paternidade iluminam-se mutuamente. E isto nos fará crer no restante do Credo que será ainda abordado.

O símbolo dos apóstolos afirma que Deus é o criador do céu e da terra, enquanto o símbolo niceno-constantinopolitano esmiúça: “(…) de todas as coisas visíveis e invisíveis”. Quanto a isso o Compêndio nos diz:

“No princípio Deus criou o céu e a terra” (Gênesis 1, 1). A Igreja, na sua profissão de fé, proclama que Deus é o criador de todas as coisas visíveis e invisíveis: de todos os seres espirituais e materiais, isto é, dos anjos e do mundo visível, e em particular do homem”.

Compêndio da Igreja Católica nº 59

O termo “Céu e a terra” tem o significado de tudo.  Toda a criação foi feita por Deus, do nada. Sendo que:

  1. Terra – aqui ela é o mundo dos homens (Salmo 115[113B] 16[24]). O lugar das coisas “visíveis”;
  2. Céu ou céus, indica:
    1. Lugar das coisas invisíveis;
    1. Lugar dos seres imateriais – anjos;
  • A TERRA, o lugar das coisas visíveis.

Deus criou o mundo por força da sua palavra. A Bíblia mostra a obra de criação de forma simbólica no relato das origens. O mundo é feito por Ele em seis dias de trabalho, tendo descansado no sétimo (Genesis 1, 1-2, 4)[iii].

“No princípio, Deus criou os céus e a terra” (Genesis 1, 1). Dizer no princípio Deus criou é afirmar que antes dele nada havia. Apesar de parecer repetitivo, reforço isto pois extraímos daqui duas verdades:

  1. O mundo não surgiu de si mesmo;
  2. Antes do princípio não havia nada, tendo Deus criado tudo do nada;

Apesar de a criação ser atribuída ao Pai, Este não tem exclusividade, vez que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são “o único e indivisível princípio da criação”[iv].

Deus ama todas as suas criaturas (Salmo 145[149], 9) e aqui se reflete a dependência que temos do resto da criação. Poderíamos viver sem o sol? Sem as plantas ou os outros animais? A harmonia de todo este universo criado resulta em um equilíbrio na forma das leis da natureza, a qual descobrimos progressivamente.

“A beleza do universo. A ordem e a harmonia do mundo criado resultam da diversidade dos seres e das relações que existem entre eles. O homem as descobre progressivamente como leis da natureza. Elas despertam a admiração dos sábios. A beleza da criação reflete a infinita beleza do Criador. Ela deve inspirar o respeito e a submissão da inteligência do homem e de sua vontade”.

Catecismo da Igreja Católica 341

A catequese católica aponta para a realidade de que cada criatura possui sua bondade e sua perfeição próprias vez que o Deus que cria diz que “tudo isto era bom”.

Pode passar imperceptível a maioria das pessoas, mas a Igreja, baseado nisto chama o homem a estar em harmonia com a natureza evitando o uso desordenado da criação que acarrete a degradação do meio ambiente.

São Francisco de Assis no Cântico das Criaturas louva a beleza infinita de Deus que se manifesta de forma reflexa na Sua criação.

“Louvado sejas, ó meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente o senhor irmão Sol, que clareia o dia e com sua LUZ nos alumia. Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água, que é muito útil e humilde e preciosa e casta… Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã, a mãe Terra, que nos sustenta e governa, e produz frutos diversos e coloridas flores e ervas. Louvai e bendizei a meu Senhor, e dai-lhe graças, e servi-o com grande humildade.”

São Francisco de Assis

Essa manifestação reflexa não se dá pelo que a criatura é, mas por aquilo que ela faz, assim ele diz:

Especialmente o senhor irmão Sol, que clareia o dia e com sua LUZ nos alumia.

Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água, que é muito útil e humilde e preciosa e casta…

Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã, a mãe Terra, que nos sustenta e governa, e produz frutos diversos e coloridas flores e ervas.

Louvai e bendizei a meu Senhor, e dai-lhe graças, e servi-o com grande humildade.”

  • O CÉU, o lugar das coisas invisíveis.

Esta realidade se dá nos anjos e sua condição espiritual, incorpórea, invisível e imortal.

“Eles jamais poderão morrer, porque são iguais aos anjos e são filhos de Deus, porque são ressuscitados”

São Lucas, 20, 36

Por se tratarem de seres espirituais, os anjos são dotados de INTELIGENCIA e VONTADE[v], e, ao contrário dos homens, não necessitam dos sentidos. Diz Santo Tomás de Aquino “Os anjos sendo substâncias puramente simples, são como que formas que não são limitadas e determinadas por qualquer matéria, mas possuem, pela sua única natureza específica, todas as suas determinações substanciais”[vi].

Apesar de podermos dizer que o céu é o lugar da Igreja celeste, esta realidade da Igreja se dará de forma espiritual assim como os anjos[vii].  Quando a Igreja afirma em qual realidade se dará estas verdades ela implicitamente rechaça a TEOLOGIA A LIBERTAÇÃO.

Ocupando um lugar único da criação se encontra o homem que “Deus criou (…) à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o homem e a mulher” (Genesis 1, 27).

O Homem une, na sua natureza, o mundo material e o mundo espiritual, vez que, fazendo parte da criação visível, tem a capacidade de CONHECER e AMAR seu criador[viii]. Ele as une por que o Homem é “CORPORE ET ANIMA UNUS[ix] – UNO DE ALMA E CORPO – e esta alma é espiritual.

É claro que nem todas as realidades humanas serão divinas.

Mas cabe uma pergunta: Se Deus criou tudo, ele criou o Inferno?

Pensem sobre isso que responderemos a seguir.

Um abraço a todos

Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, dona nobis pacem.

(Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, dai-nos a paz.)


[i] A CAUSA INCAUSADA e O SER NECESSÁRIO são duas das 5 vias da prova da existência de Deus de Santo Tomás de Aquino;

[ii] 1927, físico austríaco;

[iii] Inicialmente continuei o texto abordando as teorias sobre a literalidade, ou não do relato da criação. Após muito escrever percebi que fugiria da temática inicial do Credo. Mas a quem interessar saber, no futuro poderemos falar sobre o Genesis, em especial as contradições do capítulo 1 e 2, e suas explicações teológicas;

[iv] Catecismo da Igreja Católica nº 316;

[v] Catecismo da Igreja Católica nº 330;

[vi] De Unitate Intelectus;

[vii] Compêndio da Igreja Católica nº 60 c/c 209;

[viii] Aspectos de sua ALMA ESPIRITUAL que desenvolveremos em momento;

[ix] Gaudium et Spes (SOBRE A IGREJA NO MUNDO ATUAL) 14;

Falando sobre Criação para os Jovens

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SABIA QUE…?

Deus não criou o mundo em sete dias

Você acredita que esse relato pode ser lido ao pé da letra, como se junto a Deus houvesse um repórter? O objetivo do relato não é narrar cientificamente a história da criação do mundo, história que se desconhece, mas afirmar que Deus é a origem de tudo, inclusive do tempo que foi preciso na criação. O autor emprega uma linguagem simbólica e poética para exprimir estas crenças provenientes da tradição sacerdotal. A sabedoria, o amor e o poder absoluto de Deus foram a origem de tudo. A fé não pode se opor à razão humana, pois Deus é a origem tanto da razão quanto da fé. Os investigadores que estudam com sinceridade as ciências, mesmo sem o propor, chegam à conclusão de que Deus criou todas as coisas. A Bíblia não proporciona dados arqueológicos nem científicos, mas fala da origem e do sentido da vida. Deus coroou sua obra tão variada e bela criando os seres humanos e entregando-lhes a criação para seu domínio e seu controle. Estas narrações respondem a perguntas comuns da humanidade: de onde venho? Para onde vou? Quando você ler a Bíblia, pense que Deus fez você por amor, acompanha você na viagem de sua vida e espera você no final dela com os braços abertos. Muito obrigado, Senhor! (Gn 1,1–2,4)

VIVA A PALAVRA

Somos o ponto culminante da criação Deus faz tudo benfeito, e nos fez pessoas à sua imagem e semelhança, com a finalidade de que possamos viver e nos relacionar com ele. A todos nós criou com a mesma dignidade, homens e mulheres, de cores negra, amarela, branca e vermelha… e também os mestiços e mulatos. Todos refletimos a beleza e a grandeza de Deus; ninguém possui o modelo exclusivo de beleza nem a máxima inteligência, nem o amor por excelência, pois nenhum grupo humano pode monopolizar a semelhança com Deus. Tal semelhança com Deus, e o fato de que só conosco compartilhou seus atributos, nos faz o ponto culminante da criação. Deu-nos liberdade para escolher o caminho da vida, capacidade de amar, conhecer, analisar, procriar e transformar. Desde o princípio estabeleceu um diálogo conosco, coisa que não fez com o resto da criação. Reveja os parágrafos anteriores e:

  • Identifique duas verdades que mais afirmam sua autoestima, a verdade que mais desafia você a mudar de atitudes e de condutas, e a verdade que o faz agradecer mais a Deus a maravilha que você é.
  • Faça uma oração de louvor e agradecimento por você ser quem é; e uma pedindo para usar bem sua liberdade e desenvolver suas capacidades ao colocá-las em ação, procurando cada vez ser mais semelhante a Deus. (Gn 1,26-28)

REFLITA

Criados por amor e para amar

No princípio Deus criou o céu e a terra […] (Gn 1,1). Este pequeno versículo é fundamental em nossa fé. O universo não foi criado por acidente, nem somos uma série de átomos unidos ao acaso ou uma combinação casual de circunstâncias cósmicas. Deus o criou como expressão dinâmica e criadora de seu amor, e nos criou para que amemos a terra, a água, os animais… e, sobretudo, o povo, e assim vivamos em harmonia com ele e com a criação. A criação vem do Amor e pede amor. Como você sente o amor de Deus através de toda a criação? Quanto você ama as criaturas de Deus? (Gn 2,4)

PERSPECTIVA CATÓLICA

Um dia para o Senhor

O Gênesis apresenta a criação em sete etapas, que chama dias. O sétimo dia Deus descansou, abençoou o dia e o consagrou com seu descanso. Os judeus consagravam o sábado a Deus. Os cristãos lhe consagramos o domingo, “o primeiro dia da semana” (Mt 28,1), porque Jesus ressuscitou nesse dia. Domingo provém do latim dominica dies, que quer dizer “dia do Senhor”. O trabalho e o descanso são nossa vida e ambos nos unem a Deus. Ao trabalhar colaboramos com Deus em sua criação. Ao descansar podemos dedicar-lhe tempo e recordar-nos de que somos livres e não devemos ser escravos do trabalho. Nós católicos celebramos em família a eucaristia dominical. Nela proclamamos a alegria da criação e o descanso de Deus quando viu que tudo era muito bom (Gn 1,31). A Igreja nos pede que dediquemos o domingo a honrar a Deus em um ato de confiança nele. Quando por razões de força maior necessitamos trabalhar no domingo, é importante dedicar o dia do trabalho a Deus de maneira especial e, se for possível, consagrar-lhe um dia durante a semana. Como você honra o domingo? (Gn 2,1-3)

SABIA QUE…?

Deus é meu criador: sou obra sua

Leia Gênesis 2, o qual apresenta um segundo relato da criação do universo. Deixe-se levar pela beleza e pela profundidade das imagens desse relato javista. O pó da terra e o sopro divino indicam que o ser humano é matéria e espírito; um corpo animado por uma alma imortal, com desejos de voltar para Deus. “Fizeste-nos para ti, e nosso coração não encontra repouso até chegar a ti”, diz Santo Agostinho.

  • A criação da mulher da costela do homem simboliza que ambos temos igual dignidade, sem distinção de sexo, idade, raça ou grau de educação. Mostra que a unidade do casal é a comunhão mais íntima entre as pessoas.
  • Deus faz desfilar os animais diante do ser humano para que lhes dê nome, pois dar nome era sinal de poder e de autoridade. Todas as coisas foram criadas para o ser humano, que é responsável por elas, pelo que devemos usá-las com respeito e amor. Nessa verdade se apoia a ecologia, ou ciência que cuida do equilíbrio da criação. Busque o Salmo 8, medite-o em seu coração e ore com suas ideias e palavras. (Gn 2,4-5)

PERSPECTIVA CATÓLICA

O pecado original rompeu a relação com Deus

Com imagens vivas, próprias de um relato popular, o Gênesis narra como o pecado introduz o sofrimento e a morte na criação, onde tudo era muito bom (Gn 1,31). Ao criar o ser humano à sua imagem e semelhança, Deus estabeleceu uma aliança de amor com a humanidade. O amor nasce livremente do coração e não pode ser forçado; por isso, quando Adão e Eva desobedecem a Deus, rompem sua relação de amor com ele, cometendo o pecado original, o primeiro pecado da história. Dessa primeira separação de Deus deriva nossa tendência a usar mal a liberdade e a não responder positivamente a seu amor. O pecado nos afasta de Deus quando, em detrimento dele, preferimos a nós mesmos, o que traz consequências de sofrimento e morte. Mas o bem e o amor de Deus triunfam sobre o mal, ideia representada na derrota sofrida pela serpente, símbolo do mal, por meio de uma mulher (Gn 3,15). Não se deixe abater pelo mal que existe ao seu redor, porque Deus enviou Jesus justamente para nos livrar do pecado e dar-nos a vida eterna. Ao contrário, empregue bem sua liberdade; volte sua mente e seu coração para Deus, e sinta-se acolhido pelos braços amorosos do Criador. (Gn 3,1-24)

(Fonte – Bíblia Católica Jovem Ave Maria)

Dia das Crianças

Já estão preparando alguma homenagem especial para as crianças da catequese? O dia delas está chegando!

Na minha paróquia vamos fazer um piquenique partilhado com muitas brincadeiras, juntando todas as turmas no jardim, pois temos um espaço bem grande ao ar livre. Vejam como foi o encontro com as famílias:

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Mas eu sempre gosto de dar uma lembrancinha para os meus pequenos, por isso estou procurando alguma ideia diferente na internet. Por enquanto encontrei essas, o que acham?

1) Livrinho para colorir:

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2) Porta lápis de Nossa Senhora Aparecida (pois é o dia dela também!):

lembrancinhamariacatequese

3) Jogo da memória da Arca de Noé:

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4) Relógio da oração (tem que imprimir e montar, para eles escolherem uma oração do dia):

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5) Jogo da velha (pode ser de EVA ou feltro):

jogo-da-velha-1

jogo-da-velha-2

6) E que tal uma peteca? (achei muito legal!):

peteca peteca-molde-copia

(Fonte 1/Fonte 2)

Se tiverem outras sugestões, podem mandar!

O sentido do casamento

(Prof. Felipe Aquino)

noivinhosO mesmo Deus que criou o homem e a mulher uniu-os em matrimônio. A Bíblia nos diz que, ao criar o homem, Deus sentiu-se insatisfeito, porque não encontrara em todos os seres criados nenhuma criatura que o completasse.

E Deus percebeu que “não é bom que o homem esteja só” (Gn 2,18a).

Então, disse ao homem: “Eu vou dar-lhe uma ajuda que lhe seja adequada” (Gn 2,18b), alguém que seria como você e que o ajude a viver. E fez a mulher. Retirou “um pedaço” do homem para criar a mulher (cf. Gn 2,21-22).

Nessa linguagem figurada, a Palavra de Deus quer nos ensinar que a mulher foi feita da mesma essência e da mesma natureza do homem, isto é, “à imagem e semelhança de Deus” (cf. Gn 1,26).

Santo Agostinho nos lembra que Deus, para fazer a mulher, não tirou um pedaço da cabeça do homem e nem um pedaço do seu calcanhar, por que a mulher não deveria ser chefe nem escrava do homem, mas companheira e auxiliar. Esse é o sentido da palavra que diz que Deus tirou “uma costela do homem” para fazer a mulher.

Ao ver Eva, Adão exclamou feliz: “Eis agora aqui, o osso de meus ossos e a carne de minha carne” (Gn 2,23a). Foi, sem dúvida, a primeira declaração de amor do universo. Adão se sentiu feliz e completo em sua carência. Então, Deus disse: “Por isso o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne” (Gn 2,24).

Isso quer dizer: serão uma só realidade, uma só vida, uma união perfeita. E Jesus fez questão de acrescentar: “Portanto, não separe o homem o que Deus uniu” (Mt 19,6b).

Após uni-los, Deus disse ao casal: “Frutificai e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a” (Gn 1,28). Aqui está o sentido mais profundo do casamento: “frutificai [crescei] e multiplicai”.

Deus quer que o casal, na união profunda do amor, cresça e se multiplique nos seus filhos; e daí surge a família, a mais importante instituição da humanidade. A família é a célula principal do plano de Deus para os homens e ela surge com o matrimônio.

É muito significativo que Deus tenha dito ao casal: “crescei”; e, em seguida, “multiplicai”. Isso mostra que a primeira dimensão do casamento é o crescimento mútuo do casal, realizado no seu amor fecundo. Ninguém pode multiplicar sem antes crescer. Como é que um casal vai educar os filhos, se eles, antes, não se educaram, não cresceram juntos?

O casamento não é uma aventura nem um “tiro no escuro” como dizem alguns; é, sim, um projeto sério de vida a dois, no qual cada um está comprometido em fazer o outro crescer, isto é, ser melhor a cada dia.

Se a esposa não se torna melhor por causa da presença do marido a seu lado, e vice-versa, então o casamento deles está sem sentido, pois não realiza sua primeira finalidade.

Também um namoro, um noivado, ou até uma simples amizade, não terão sentido se um não for para o outro um fermento de auxílio e crescimento.

Enfim, o casamento não é para “curtirmos a vida a dois”, egoisticamente; ele existe para vivermos ao lado de alguém muito especial e querido que queremos construir. É por isso que se diz que “amar não é querer alguém construído, mas, sim, construir alguém querido.”

Para ajudar o outro a crescer é preciso aceitá-lo como ele é, com todas as suas qualidades e defeitos. A partir daí é possível então, com muita paciência e carinho, ajudar o companheiro a crescer; e crescer quer dizer “atingir a maturidade como pessoa humana” no campo psicológico, emocional, espiritual, moral, etc.

(Fonte)

Adão e Eva existiram de verdade?

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Esta é uma pergunta que muitos católicos fazem. O Gênesis, em seus três primeiros capítulos, usa de linguagem figurada para revelar verdades religiosas, não científicas ou históricas.

Em resumo, a Bíblia quer nos ensinar apenas o seguinte:

1) Deus criou o ser humano, homem e mulher, podendo ter utilizado a evolução da matéria preexistente até chegar ao grau de complexidade do corpo humano;

2) O Senhor concedeu aos primeiros pais graças espirituais especiais: “justiça original” (harmonia consigo, com a mulher, com a natureza e com Deus), e “estado de santidade” (comunhão profunda com Deus, participação da vida divina), dons preter naturais (não sofrer, morrer, ciência infusa, etc).

3) O Criador indicou aos primeiros pais um modelo de vida, figurado pela proibição de comer a fruta da árvore da ciência do bem e do mal. Isso significava que o homem não deveria ser “o árbitro do bem e do mal”, e já que foi elevado à especial comunhão com Deus, devia comportar-se não simplesmente de acordo com seu bom senso ou suas intuições racionais, mas segundo às normas correspondentes de sua dignidade de filho de Deus;

4) O homem, por soberba e desobediência, disse não a esse modelo de vida e ao convite do Criador, perdendo assim o “estado de santidade” e de “justiça original”. Desta forma, o sofrimento e morte entraram no mundo por causa do pecado original; isto levou São Paulo a dizer que “o salário do pecado é a morte” (Rom 6, 23).

Não é preciso exagerar a perfeição do estado primitivo da humanidade por causa dos dons preter naturais, e da ” justiça original”. Foi um estado belo, mas do ponto de vista religioso e moral apenas, não sob o aspecto da civilização ou da cultura.

Os primeiros homens de que fala o Gênesis, podem muito bem ter sido rudimentares como mostram os indícios dos fósseis da pré-história. As idéias religiosas de Adão poderão ter sido puras, mas sob a forma de intuições concretas como dos povos primitivos e das crianças; não se tratava de altos conhecimentos teológicos.

Adão (= Adam, homem) e Eva (=Mãe dos viventes) representam o ser humano criado por Deus. São tão reais quanto é real o gênero humano. Deus se apresentou ao homem nas suas origens, ao homem real e não a um ser fictício. Eles existiram de fato; foram os primeiros seres humanos que receberam de Deus uma alma imortal.

Por outro lado, Adão e Eva não são nomes próprios como João, Pedro, Maria o são. Então, não necessariamente representam apenas o primeiro casal de humanos, mas os primeiros humanos. São nomes de origem hebraica que significam apenas “homem” e “mulher”. Por isso, a Igreja deixa para o estudo dos cientistas mostrar como os seres humanos surgiram trazidos por Deus; se de apenas um casal (monogenismo) ou de vários casais de um mesmo tronco (poligenismo). O que a Igreja não aceita é que a humanidade tenha surgido, ao mesmo tempo, de vários troncos, em lugares diferentes.

Prof. Felipe Aquino

(Fonte)

Com quem Caim se casou?

OLYMPUS DIGITAL CAMERAAlgumas pessoas ficam intrigadas com o casamento de Caim. Perguntam: Se no início da criação, Deus criou Eva e Adão, eles tiveram Caim e Abel. O primeiro matou o segundo, e Caim se casou… De onde surgiu a esposa dele, se havia só Adão, Eva e Caim?

Antes de tudo é preciso lembrar que o Gênesis não é um livro de ciências naturais e nem de história, de geografia e nem de etnologia, mas apenas um livro que revela verdades fundamentais sobre o mundo e o homem. Na Catequese feita pelo Papa Bento XVI, no dia 06 de fevereiro de 2013, explicou como o Gênesis deve ser interpretado:

“Como devemos compreender as narrações de Gênesis? A Bíblia não quer ser um manual de ciências naturais; quer, em vez disso, fazer compreender a verdade autêntica e profunda das coisas. A verdade fundamental que os relatos de Gênesis nos revelam é que o mundo não é um conjunto de forças entre conflitantes, mas tem a sua origem e a sua estabilidade no Logos, na Razão eterna de Deus que continua a sustentar o universo”.

Lendo a narração da morte de Abel por seu irmão Caim (Gn 4, 1-16) vemos que o autor já supõe um estado avançado da humanidade, onde os homens já domesticam os animais, Abel é pastor, e já cultivavam a terra; Caim é agricultor (4,2). É o período neolítico da humanidade, bem depois da Criação do homem em Adão e Eva. Caim funda uma cidade (4,17), tem medo de se encontrar com outros homens que o possam matar, etc.

Isto mostra que o texto foi escrito muito depois do acontecimento desses fatos; e que o autor sagrado narrou isto com base numa realidade que ele conhecia já por volta do século XIII antes de Cristo, e não na origem da humanidade. O autor do Gênesis o escreveu muito tempo depois da criação de Adão, Eva, Caim, etc. Ele se baseou em um Caim do seu tempo, cruel e assassino do irmão, para mostrar que o pecado abundou na face da terra depois do pecado de Adão.

Com base nesses traços literários, os estudiosos dizem que o autor sagrado relatou um fratricídio ocorrido nos tempos de Moisés, século XIII a.C. para mostrar que quando o homem se afasta de Deus, ele se torna perigoso para o próprio irmão. Assim, não se pode dizer que Caim e Abel da narrativa sejam filhos diretos dos primeiros pais, e nem era intenção do autor sagrado afirmar isto, afirma o grande monge falecido Dom Estevão Bettencourt.

Disso tudo vemos que não tem sentido a pergunta: “Com quem se casou Caim?” Se o assassinato de Abel é datado do século XIII a.C., então nesta época já havia homens sobre muitos lugares da terra.

Note-se também que Gn 5,3-4 diz que Adão e Eva tiveram o filho Set e outros filhos; neste caso, pode-se entender também que Caim tinha com quem se casar, ainda que fosse com uma irmã de sangue, o que não era empecilho na antiguidade. Esta é uma alternativa para quem não aceita a tese anterior.

A Bíblia não é um livro de História ou de raças (etnologia), mas apenas de verdades religiosas; devemos então nos preocupar em retirar apenas esta verdade.

Prof. Felipe Aquino

(Fonte)