Um conto bíblico

(Sheila Jorge)

Havia um pai muito bondoso que construiu com todo carinho um parquinho de diversões para seus filhos, Elza e João.
Tinha balanço, escorrega, gangorra e um brinquedo totalmente diferente de tudo o que eles conheciam, construído sobre uma árvore, mas os proibiu de brincarem lá por enquanto, pois ainda não tinha terminado de checar todos os itens de segurança e poderia ser muito perigoso para eles.
Disse que poderiam brincar em todos os brinquedos do parquinho, menos naquele.
As crianças, ao mesmo tempo em que ficaram felizes com este presentão do papai, ficaram curiosas e tristes por não poderem brincar naquele brinquedo em especial.
Juca era o menino mais esperto da escola de Elza e percebeu que ela estava pensativa e um pouco triste, então na hora do recreio foi conversar com ela. Quando descobriu o motivo, começou a “colocar minhocas” em sua cabeça, dando maus conselhos, dizendo que não deveria ser nada perigoso brincar naquele brinquedo, os pais é que se preocupam demais, dizia ele.
– Pensa como deve ser legal subir lá! Você vai poder mostrar para o seu pai que já está grande como ele e vai enxergar a rua toda lá de cima!
Ela ficou tão empolgada com as ideias de Juca que, assim que chegou em casa, foi correndo subir no brinquedo da árvore.
E não é que era divertido mesmo? Tanto que ela chamou seu irmão para brincar junto.
Só que no meio da brincadeira, os dois lembraram-se do que o pai havia dito: que não queria que eles brincassem ali. Perceberam que estavam fazendo algo errado e se esconderam.
Quando o papai chegou do trabalho, chamou pelos dois, perguntando onde estavam.
Eles disseram que tinham ouvido os passos do papai no quintal e ficaram com medo.
– Por que ficaram com medo? Por acaso vocês subiram no brinquedo que eu os proibi de brincar?
João respondeu:
– A Elza me chamou para brincar e eu fui.
O pai perguntou por que ela fez isso e Elza respondeu:
– Um coleguinha da escola disse que seria legal e eu fui brincar.
O papai ficou muito triste e decepcionado… Os colocou de castigo e desmontou todo o parquinho, nem eles nem nenhuma outra criança poderia mais brincar ali, por causa da desobediência deles.
Juca também foi castigado, ganhou uma advertência na caderneta da escola, mas não aprendeu nada, pois continua por aí dando conselhos errados aos seus coleguinhas.
Depois disso, Elza e João perceberam que não vale à pena um momento de alegria fazendo coisas erradas, se isso vai trazer tanta tristeza depois, pra gente e pra quem a gente ama.

(Baseado em Gênesis 3, 1-24)

A perfeita alegria

(segundo São Francisco de Assis)

Uma alegria radical, surpreendente e incompreensível para a mente do mundo

alegria

Vindo uma vez São Francisco de Perusa para Santa Maria dos Anjos com Frei Leão em tempo de inverno, e como o grandíssimo frio fortemente o atormentasse, chamou Frei Leão, o qual ia mais à frente, e disse assim:

“Irmão Leão, ainda que o frade menor desse na terra inteira grande exemplo de santidade e de boa edificação, escreve todavia, e nota diligentemente que nisso não está a perfeita alegria”.

E andando um pouco mais, chama pela segunda vez:

“Irmão Leão, ainda que o frade menor desse vista aos cegos, curasse os paralíticos, expulsasse os demônios, fizesse surdos ouvirem e andarem coxos, falarem mudos, e mais ainda, ressuscitasse mortos de quatro dias, escreve que nisso não está a perfeita alegria”.

E andando um pouco, São Francisco gritou com força:

“Ó irmão Leão, se o frade menor soubesse todas as línguas e todas as ciências e todas as escrituras e se soubesse profetizar e revelar não só as coisas futuras, mas até mesmo os segredos das consciências e dos espíritos, escreve que não está nisso a perfeita alegria”.

Andando um pouco além, S. Francisco chama ainda com força:

“Õ irmão Leão, ovelhinha de Deus, ainda que o frade menor falasse com língua de anjo e soubesse o curso das estrelas e as virtudes das ervas; e lhe fossem revelados todos os tesouros da terra e conhecesse as virtudes dos pássaros e dos peixes e de todos os animais e dos homens e das árvores e das pedras e das raízes e das águas, escreve que não está nisso a perfeita alegria”.

E caminhando um pouco, S. Francisco chamou em alta voz:

“Ô irmão Leão, ainda que o frade menor soubesse pregar tão bem que convertesse todos os infiéis à fé cristã, escreve que não está nisso a perfeita alegria”.

E durando este modo de falar pelo espaço de duas milhas, Frei Leão, com grande admiração, perguntou-lhe e disse:

“Pai, peço-te, da parte de Deus, que me digas onde está a perfeita alegria”.

E São Francisco assim lhe respondeu: “Quando chegarmos a Santa Maria dos
Anjos, inteiramente molhados pela chuva e transidos de frio, cheios de lama e aflitos de fome, e batermos à porta do convento e o porteiro chegar irritado e disser:

‘Quem são vocês?’; e nós dissermos: ‘Somos dois dos vossos irmãos’, e ele disser: ‘Não dizem a verdade; são dois vagabundos que andam enganando o mundo e roubando as esmolas dos pobres; fora daqui’;  e não nos abrir e deixar-nos estar ao tempo, à neve e à chuva com frio e fome até à noite: então, se suportarmos tal injúria e tal crueldade, tantos maus tratos, prazenteiramente, sem nos perturbarmos e sem murmurarmos contra ele e pensarmos humildemente e caritativamente que o porteiro verdadeiramente nos tinha reconhecido e que Deus o fez falar contra nós: ó irmão Leão, escreve que nisso está a perfeita alegria.

E se perseverarmos a bater, e ele sair furioso e como a importunos malandros nos expulsar com vilanias e bofetadas dizendo: ‘Fora daqui, ladrõezinhos vis, vão para o hospital, porque aqui ninguém lhes dará comida nem cama’; se suportarmos isso pacientemente e com alegria e de bom coração, ó irmão Leão, escreve que nisso está a perfeita alegria.

E se ainda, constrangidos pela fome e pelo frio e pela noite, batermos mais e chamarmos e pedirmos pelo amor de Deus com muitas lágrimas que nos abra a porta e nos deixe entrar, e se ele mais escandalizado disser: ‘Vagabundos importunos, pagar-lhes-ei como merecem’: e sair com um bastão nodoso e nos agarrar pelo capuz e nos atirar ao chão e nos arrastar pela neve e nos bater com o pau de nó em nó: se nós suportarmos todas estas coisas pacientemente e com alegria, pensando nos sofrimentos de Cristo bendito, as quais devemos suportar por seu amor; ó irmão Leão, escreve que aí e nisso está a perfeita alegria, e ouve, pois, a conclusão, irmão Leão.

Acima de todas as graças e de todos os dons do Espírito Santo, os quais Cristo concede aos amigos, está o de vencer-se a si mesmo, e voluntariamente pelo amor suportar trabalhos, injúrias, opróbrios e desprezos, porque de todos os outros dons de Deus não nos podemos gloriar por não serem nossos, mas de Deus, do que diz o Apóstolo: ‘Que tens tu que o não hajas recebido de Deus? E se dele o recebeste, por que te gloriares como se o tivesses de ti?’

Mas na cruz da tribulação de cada aflição nós nos podemos gloriar, porque isso é nosso e assim diz o Apóstolo: “Não me quero gloriar, senão na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo”‘.

(Encontrei  este texto no livro “Aos Pés da Cruz” – Devocionário São Pio de Pietrelcina, que meu irmão me deu…)

 

O fazendeiro e o relógio

Era uma vez um fazendeiro que descobriu que tinha perdido o relógio no celeiro. O relógio não era um objeto qualquer; ele tinha um valor sentimental.
Após buscar por todas as partes entre o feno, ele desistiu e recorreu à ajuda de um grupo de crianças que estava brincando do lado de fora do celeiro.
Ele prometeu a elas que a pessoa que encontrasse o seu relógio seria recompensada.
Ao ouvir isso, as crianças correram para dentro do celeiro e entraram no meio de toda a pilha de feno, mas ainda assim não conseguiram encontrar o relógio.
Quando o fazendeiro estava prestes a desistir, um menino aproximou-se dele e pediu mais uma chance.
O fazendeiro olhou para ele e pensou: Por que não?
Afinal de contas, esse garoto parece sincero o suficiente.
Então, o fazendeiro mandou o menino de volta ao celeiro. Depois de um tempo, o menino saiu com o relógio em sua mão!
O fazendeiro ficou feliz e surpreso ao mesmo tempo, e então ele perguntou ao menino como ele havia conseguido encontrar já que todos os outros meninos não conseguiram.
O menino respondeu: Eu não fiz nada a não ser ficar sentado no chão escutando.
No silêncio, eu escutei o tique-taque do relógio e apenas olhei para a direção certa.

Uma mente em paz pode pensar melhor do que uma mente confusa.
Dê alguns minutos de silêncio à sua mente todos os dias, e veja o quanto isso lhe ajuda a definir a sua vida da maneira que você espera que ela seja.

A mãe

fases da vida da mulher

A jovem mãe inicia seus passos na estrada da vida:

– “É longa a estrada? “perguntou ela. “Sim”, respondeu-lhe o guia: “o caminho é longo e cheio de dificuldades. Envelhecerás antes de chegares ao ponto final; mas esse final será melhor do que o inicio”.

E a jovem mãe sentia-se tão feliz que não podia crer na possibilidade de dias melhores do que os do presente. Então, brincava com os filhinhos, colhia-lhes flores ao longo do caminho, banhava-se com eles nas águas límpidas dos regatos; e o sol brilhava sobre eles; a vida era boa, e a jovem mão exclamou: “Nada haverá, mais belo, mais encantador do que isto !”

Desceu, então, a noite; desabou o temporal; a estrada era escura; os filhos, tremendo de frio e medo. E a mãe aconchegando-os a si, agasalhou-os com seu manto; e as crianças, protegidas, murmuraram: “Oh mamãe, nada mais temeremos, pois estás conosco, e mal algum nos pode sobrevir !” E a mãe exclamou: “Isto é mais valioso que o esplendor do dia, pois ensinei meus filhos a serem corajosos”.

Raiou a manhã seguinte. Eis uma montanha à frente. Começaram a subir; os filhos sentiam-se cansados; a mãe sentia-se cansada também; mas animava-os a todo instante, dizendo-lhes: “Um pouco de paciência e chegaremos ao alto”. Assim, as crianças iam subindo … e ao chegar ao topo da montanha, disseram: “Não poderíamos subir e vencer sem o teu auxílio, mamãe”. E a mãe, ao deitar-se naquela noite, contemplando as estrelas, exclamou: “O dia de hoje foi melhor que o de ontem; pois meus filhos adquiriram força em face das dificuldades. Ontem, dei-lhes coragem; hoje, dei-lhes vigor”.

E o dia seguinte raiou com estranhas nuvens que escureciam a terra – nuvens de guerra, ódio e pecado. Os filhos, caminhando às apalpadelas, tropeçavam; e a mãe animava-os: “Olhem para cima; levantem o olhar para a luz”. E eles, erguendo os olhos, divisaram, além das nuvens, uma Glória Eterna que os guiou e os protegeu na jornada através da escuridão. E, ao findar aquele dia, exclamou a mãe: “Este foi o melhor de todos os dias pois hoje revelei Deus a meus filhos”. 

Iam se passando os dias, as semanas, os meses, os anos … E aquela mãe chegou à velhice … ela sentia-se definhada, curvada sob o peso dos anos. Mas seus filhos estavam crescidos, fortes, cheios de coragem. E quando a estrada se tornava difícil, eles a auxiliavam; quando o caminho era áspero e pedregoso, tomavam-na nos braços, pois era delicada como uma pena. Depois de algum tempo, chegaram a uma colina, e além dessa colina distinguiram uma estrada brilhante, terminada por largos portões dourados. E a mãe exclamou: “Cheguei ao fim da jornada. Agora eu sei que o termo é melhor do que o princípio, pois meus filhos podem andar sozinhos, e seus filhos depois deles”.

E os filhos lhe disseram: “Tu andarás sempre conosco, Mamãe; mesmo depois de haveres atravessado os portões”. E eles esperaram, vigiando-a enquanto seguia sozinha, até que os portões se fecharam sobre ela. Então exclamaram: “Nós não a podemos ver, porém, ela ainda está conosco. Uma mãe como a nossa é mais do que uma memória. Ela é uma Presença Viva.”

amor de mãe

O que pedes a Jesus?

menina rezandoJoei era uma menina que as Irmãs de Caridade encontraram abandonada pelos pais às margens do Rio Amarelo da Grande China.
Estava a criancinha a morrer de fome e frio, quando as Irmãs a levaram para o hospital.
Logo que as vestiram e alimentaram, dando-lhe leite quente, começou a pequenina a recobrar a vida e a saúde. Foi batizada e logo brilhou a inteligência em seus olhinhos vivos e começou a conhecer a Deus e a aprender as coisas do céu. Andava já pelos oito anos e gostava de assistir à doutrina com as crianças que se preparavam para a primeira comunhão. Mas a sua memória não acompanhava o seu coração e quando o missionário foi examiná-la, teve que dar-lhe a triste notícia de que não seria admitida à primeira comunhão enquanto não soubesse melhor a doutrina.
Julgava o Padre que essa determinação a deixaria indiferente. Mas não foi assim.
Daquele dia em diante notou-se uma mudança extraordinária no comportamento da menina.
Em lugar de brincar, como antes, com as crianças de sua idade, Joei começou a passar seus recreios na capela aos pés de Jesus.
Um dia, estando Joei diante do Santíssimo, o Padre acercou-se dela devagarinho e ouviu que repetia com freqüência o nome de Jesus.
– Que é que fazeis aí?
– Estou visitando o Santíssimo Sacramento.
– Visitando o Santíssimo!? tu nem sabes quem é o Santíssimo…
– É meu Jesus, respondeu Joei.
– Bem; e que pedes a Jesus?
Então, com as mãos postas e sem levantar a cabeça, com lágrimas nos olhos, respondeu com indizível doçura:
– Peço a Jesus que me dê Jesus.
E a pequena Joei teve licença de fazer sua primeira comunhão.

Tesouro de Exemplos – Pe. Francisco Alves

(Fonte)

A lenda da Cotovia

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Existe na Polônia uma bela e comovente lenda sobre a criação da cotovia.

Quando Deus viu que os primeiros homens, expulsos do paraíso, trabalhavam duramente, e durante o trabalho inclinavam tristemente a cabeça para o solo, tomou um punhado de terra e lançou-a ao ar…

E este punhado de terra assim lançado por Deus, transformou-se num passarinho, a primeira cotovia, cujo canto faz elevar para o céu a cabeça do homem e conforta o lavrador banhado em suor.

A cotovia da nossa vida terrestre é a nossa fé inquebrantável em Deus. Quando nossa cabeça fatigada se inclina para a terra, a fé levanta-a para as alturas.

Quando as ondas do sofrimento quase nos sepultam; a fé nos alenta. E quando o sofrimento da existência nos crava na cruz, a fé nos dá de novo consolação e alívio.

A lenda continua…

A pequena cotovia quis mostrar-se reconhecida para com Deus e enquanto o Salvador percorria, pregando, a Palestina, todos os dias pousava na janela da Virgem Maria.

Na Cruz a cotovia pousou numa das mãos ensanguentadas e às bicadas procurou arrancar o cravo pontiagudo.

Tentou…, mas não pode consegui-lo. Baixou então para junto da Mãe Dolorosa e com seu canto enternecedor consolou-a da sua imensa amargura…

A nossa fé em Deus e os nossos olhos postos em Jesus Crucificado não podem arrancar os cravos da nossa cruz; mas, pelo menos, falam-nos da outra vida, da eterna felicidade, cujas portas se nos abrem por meio do sofrimento suportado com paciência.

Por isso, ainda que sejamos envolvidos pela noite negra da dor e pela escuridão mais densa do que a do Egito, a nossa alma receberá os raios consoladores da eterna felicidade.

Homens, irmãos, todos os que estais crucificados pela dor: Ouvis o canto consolador da cotovia, da nossa Fé?…

‒ Quero o que Deus quer!

(Fonte: Mons. Thamer Tóth, O Redentor, Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 1ª edição)