“A Ressurreição de Jesus”


O núcleo central da fé cristã é a proclamação da Ressurreição de Jesus. Isto aparece na Escritura Sagrada com a afirmação paulina: “Se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação, e vã é também a nossa fé” (ICor 15,14). De fato, todo o conteúdo de nossa fé – doutrina, liturgia e moral – encontra nesta proclamação da vitória de Cristo sobre a morte o seu fundamento.

Ressuscitar dos mortos
Morrer significa a separação da alma e do corpo. Ora, Jesus tinha duas naturezas: a divina e a humana. Quando a alma de Jesus se separa de seu corpo, a natureza divina continua unida a estas duas realidades, possibilitando novamente a união delas. Esta união do corpo com a alma após a morte é chamada de Ressurreição dos mortos. Só Jesus podia realizá-la porque reunindo em si uma só pessoa com duas naturezas, sustentou com a divina a fraqueza da natureza humana, transformando-a de morte para vida. Isto é o que nos ensina São Gregório de Nissa: “Pela unidade da natureza divina, que permanece presente em cada uma das duas partes do homem, estas se unem novamente. Assim, a morte se produz pela separação do composto humano, e a Ressurreição, pela união das duas partes separadas”.

Qual a importância da Ressurreição de Cristo?
O CIC nos apresenta, pelo menos, cinco consequências importantes da Ressurreição do Senhor. Primeiro, diante dela, devemos crer que tudo o que Jesus falou e fez é verdadeiro, pois todo o seu ministério anterior é confirmado pela sua vitória sobre a morte. Além disto, ela é o cumprimento das promessas do Antigo Testamento, porque tudo aquilo que Deus tinha preparado e anunciado na história do povo da antiga aliança encontrou realização e cumprimento no triunfo de Jesus. A terceira consequência é a confirmação da identidade de Jesus. Diante da Ressurreição os títulos de Jesus ganham relevo e confirmação, sobretudo, aqueles que de maneira mais explícita revelam que Ele é Deus: “Eu Sou” (Jo 8,28) e “Filho de Deus” (At 13,32-33).
A quarta consequência é a justificação advinda da vitória definitiva sobre o pecado. Com sua Ressurreição, o Senhor “nos torna justos”, ou seja, recebemos a graça para vivermos uma vida nova. Esta vida é uma comunhão íntima com a do Crucificado-Ressuscitado. Com ela os homens recebem a adoção filial, isto é, nos tornamos irmãos de Jesus, e nEle, filhos do mesmo Pai. Esta adoção é fruto da graça de Deus que nos faz participantes da vida do Senhor. A quinta consequência é que a Ressurreição de Cristo se torna o princípio e a fonte da nossa ressurreição futura. Assim, como a alma e corpo de Cristo se uniram novamente após a morte; desta forma, nós esperamos a nossa ressurreição. Podemos olhar a morte como uma passagem para uma realização mais plena e como vitória sobre toda a dor e todo pecado.

O túmulo e as Aparições
Não existem no sentido estrito provas da Ressurreição de Cristo, visto que nenhum homem viu e documentou o momento exato dela. Todavia, o sepulcro vazio é um sinal essencial de tal evento. Contemplando o túmulo aberto, com os panos mortuários dobrados e a ausência do corpo do Senhor, as mulheres e os discípulos reconheceram a Ressurreição.
Após este reconhecimento, tanto as mulheres como os discípulos se encontraram com o Ressuscitado. Tal encontro se tornou a base da fé cristã: o testemunho daqueles primeiro discípulos, que além de terem vivido com o Senhor em vida, estiverem com Ele após a sua morte – Ele está vivo! O conteúdo dos relatos da aparição de Jesus é de caráter eclesiológico, ou seja, Jesus Ressuscitado está revelando os pontos centrais do tempo novo, inaugurado pela sua Páscoa – o tempo da Igreja.
Alguns teólogos querem interpretar a Ressurreição como um evento psicológico-social. Esta interpretação foge da compreensão da fé cristã católica. O CIC, no nº 644, diz: “A hipótese segundo a qual a ressurreição teria sido um ‘produto’ da fé (ou da credulidade) dos apóstolos carece de consistência. Muito pelo contrário, a fé que tinham na Ressurreição nasceu – sob a ação da graça divina – da experiência direta da realidade de Jesus ressuscitado”.

O Corpo Glorioso
Apesar de a Ressurreição ser o reencontro entre a alma e o corpo de uma pessoa após a morte, este último não se apresenta da mesma maneira como ele era antes da separação. Por causa do pecado, nesta vida, o corpo apresenta as seguintes debilidades: ele pode se separa da alma (morte), apresenta debilidades, deficiências e doenças, se torna instrumento para o pecado e perde a santidade original. Por ocasião das aparições do ressuscitado, podemos ver que o corpo não está mais submetido às consequências do pecado. Assim, ele se apresenta com as decorrentes qualidades: imortalidade (venceu a morte), integridade (venceu a dor e o sofrimento físico), impassibilidade (venceu a tentação ao pecado) e fulgor (refletirá a glória divina). Este corpo livre dos efeitos do pecado e renovado na Ressurreição chama-se corpo glorioso. A Ressurreição é a garantia da unidade pessoal liberta dos efeitos do pecado.

Para aprofundar…
Para saber mais sobre o assunto, indicamos CIC, nos 638 até 658; o Compêndio do Catecismo, da pergunta 126 à 131; o Youcat, da pergunta 104 até a 108; e, o Capítulo 1 da Gaudium et Spes.

Pe. Vitor Gino Finelon
Professor das Escolas de Fé e Catequese
Mater Ecclesiae e Luz e Vid

(Fonte)

 

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Por que os católicos não comem carne às sextas-feiras?

(Pe Paulo Ricardo)

jo-4-34

Muitos haverão de estranhar a pergunta, pois, aparentemente, caiu em completo desuso a proibição de se comer carne na sexta-feira. No entanto, pela legislação atual da Igreja, essa determinação ainda é válida e, portanto, em pleno vigor.

Abster-se de carne e jejuar na sexta-feira é uma prática plurissecular da Igreja e tem argumentos fortes em seu favor. O primeiro deles é que todos os cristãos precisam levar uma vida de ascese. Esta é uma regra básica da espiritualidade cristã.

Por meio de tal prática é que se pode alcançar com frutos a virtude da temperança, definida pelo Catecismo da Igreja Católica como sendo a “virtude moral que modera a atração pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens criados”[01]. Ela assegura o “domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos dentro dos limites da honestidade”[02].

Santo Tomás de Aquino diz que o “jejum foi estabelecido pela Igreja para reprimir as concupiscências da carne, cujo objeto são os prazeres sensíveis da mesa e das relações sexuais”[03]. Importante recordar que, na época de Santo Tomás, a disciplina exigia esta prática não só na sexta-feira, mas também na quarta e, além da carne, englobava os ovos e os laticínios.

Historicamente, fazer da sexta-feira um dia penitencial é algo que afunda suas raízes na época apostólica. A Didaqué, uma espécie de catecismo dos primeiros cristãos, dá conta de que o jejum era feito na quarta e na sexta-feira. A Igreja do Oriente, inclusive, permanece com esse costume.

Os Santos Padres também incentivaram sobremaneira este hábito que acabou se consolidando. No entanto, na Idade Média, o Papa Nicolau I, no século IX, instituiu como lei aquilo que era somente um costume. E, assim, a penitência passou a ser obrigatória para todos os cristãos a partir da idade da razão (sete anos).

Ainda no período medieval, em honra à Nossa Senhora, as pessoas passaram a jejuar também aos sábados. Deste modo, o domingo, grande Dia do Senhor, era precedido por dois dias de penitência, em preparação à Páscoa semanal.

Como a Igreja tem seus altos e baixos, tal costume se arrefeceu com o tempo e, inclusive, os fiéis passaram a se questionar acerca da obrigatoriedade da abstinência na sexta e se a não observância desse preceito se constituía um pecado mortal ou leve. Diante disso, o Papa Inocente III, no século XIII, decretou que realmente é pecado grave. E no século XVII, o Papa Alexandre VII anatematizou quem dissesse que não era pecado grave.

Essa foi a disciplina até 1983, quando houve a promulgação do novo Código de Direito Canônico. No cânon 1251, lemos que é obrigatório fazer “abstinência de carne ou de outro alimento […] em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades”. Com relação a este cânon, a CNBB afirma que o fiel católico brasileiro pode substituir a abstinência de carne por uma obra de caridade, um ato de piedade ou ainda trocar a carne por um outro alimento[04].

Atualmente, a exigência da lei é para aqueles que já completaram catorze anos de idade e não a partir da idade da razão, como era no início, conforme o cânon 1252 do mesmo Código.

Abster-se de carne e jejuar na sexta feira, além de fazer bem para a vida espiritual do fiel, pode ser uma ocasião de testemunho e de catequese para outros. Recusar publicamente, por amor a Cristo, tal prazer pode ser uma forma de incutir no próximo o desejo de também conhecer o Amado, por quem se faz sacrifícios.

Por fim, é importante recordar que o costume de se abster de carne na sexta-feira sempre esteve ligado à Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, portanto, é mister recuperá-lo a fim de aumentar ainda mais a devoção e a própria configuração Àquele que deu seu Sangue e sua vida por amor a nós, pobres criaturas. E, assim, como não amar de volta? Como não recordar – na sexta-feira – o grande amor que salvou a humanidade?

Referências

01) Catecismo da Igreja Católica, Edição revisada de acordo com o texto oficial em latim, 9ª edição, número 1809
02)Idem
03)Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, II, II, q. 147, a. 8
04)CNBB, Diretório da Liturgia e da organização da Igreja no Brasil, 2010

(Fonte)

jejum

Jesus vai voltar!

Entre nós cristãos, especialmente catequistas, não pode haver dúvida sobre isso,  então vejamos o que o Catecismo da Igreja Católica (Compêndio) nos diz sobre este assunto:

«DE ONDE VIRÁ A JULGAR OS VIVOS E OS MORTOS»

133. Como reina agora o Senhor Jesus?

Senhor do cosmos e da história, Cabeça da sua Igreja, Cristo glorificado permanece misteriosamente sobre a terra, onde o Seu Reino já está presente como germe e início na Igreja. Ele um dia voltará em glória, mas não sabemos quando. Por isso, vivemos vigilantes, rezando: «Vem, Senhor» (Ap 22,20).

134. Como se realizará a vinda do Senhor na glória?

Após o último abalo cósmico deste mundo que passa, a vinda gloriosa de Cristo acontecerá com o triunfo definitivo de Deus na Parusia de Cristo e com o Juízo final. Assim se cumprirá o Reino de Deus.

135. Como é que Cristo julgará os vivos e os mortos?

Cristo julgará com o poder adquirido como Redentor do mundo, vindo para salvar os homens. Os segredos dos corações serão revelados, bem como o procedimento de cada um em relação a Deus e ao próximo. Cada homem será repleto de vida ou condenado para a eternidade segundo as suas obras. Assim se realizará «a plenitude de Cristo» (Ef 4,13), na qual «Deus será tudo em todos» (1 Cor 15,28).

«CREIO NA VIDA ETERNA»

 207. O que é a vida eterna?

A vida eterna é a que se iniciará imediatamente após a morte. Ela não terá fim. Será precedida para cada um por um juízo particular realizado por Cristo, juiz dos vivos e dos mortos, e será confirmada pelo juízo final.

208. O que é o juízo particular?

É o julgamento de retribuição imediata, que cada um, a partir da morte, recebe de Deus na sua alma imortal, em relação à sua fé e às suas obras. Tal retribuição consiste no acesso à bem-aventurança do céu, imediatamente ou depois de uma adequada purificação, ou então à condenação eterna no inferno.

214. Em que consistirá o Juízo final?

O juízo final (universal) consistirá na sentença de vida bem-aventurada ou de condenação eterna, que o Senhor Jesus, no seu regresso como juiz dos vivos e dos mortos, pronunciará em relação aos «justos e injustos» (At 24, 15), reunidos todos juntos diante d’Ele. A seguir a tal juízo final, o corpo ressuscitado participará na retribuição que a alma teve no juízo particular.

215. Quando terá lugar este juízo final?

O juízo final terá lugar no fim do mundo, do qual só Deus conhece o dia e a hora.

216. Em que consiste a esperança dos novos céus e da nova terra?

Depois do juízo final, o próprio universo, libertado da escravidão da corrupção, participará na glória de Cristo com a inauguração dos «novos céus e da nova terra» (2 Ped 3,13). Será assim alcançada a plenitude do Reino de Deus, ou seja a realização definitiva do desígnio salvífico de Deus de «recapitular em Cristo todas as coisas, as do céu e as da terra» (Ef1,10). Deus será então «tudo em todos» (1 Cor 15,28), na vida eterna.

Fonte: CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA – Compêndio

Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua família.

Semeando Paz

O que realmente São Paulo quis dizer em Atos 16,31 – “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua família.” O que a Igreja diz a respeito? Um parente meu que não seja católico pode se salvar por minha fé em Cristo?

O versículo em questão (At 16,31) não deve ser lido isoladamente, ao contrário, há que se levar em conta o seu contexto. Essa, aliás, é uma regra fundamental para uma correta compreensão da Escritura Sagrada (sem esquecermos que a Bíblia precisa ser lida à luz da Tradição e do Magistério, obviamente).

Na passagem em questão, podemos perceber que, pela sua fé, o carcereiro salvaria a sua família na medida em que o seu compromisso com Cristo haveria de atingir também os seus familiares.

Com efeito, quando nos entregamos a Cristo, naturalmente iremos querer que não só os nossos familiares, mas também nossos amigos e todos aqueles que conhecemos tenham a mesma experiência.

Foi o que Paulo e Silas provavelmente quiseram dizer com a frase “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua família”. De fato, com a conversão do carcereiro, não só ele se fez batizar, mas toda a sua família (At 16,33), o que muito provavelmente incluiu as crianças pequenas, tanto que essa passagem é usada no Catecismo da Igreja Católica (CIC) como referência bíblica para o batismo infantil (§§ 1250 a 1252), prática que, ademais, remonta aos primórdios da Igreja.

Em suma, a passagem nos ensina a importância do nosso testemunho dentro da nossa família e do nosso compromisso com as almas dos nossos entes queridos.

Com relação a essa mesma passagem, vale a pena lermos também os parágrafos 1655 a 1658 do CIC:

VI. A Igreja doméstica
1655. Cristo quis nascer e crescer no seio da Sagrada Família de José e de Maria. A Igreja outra coisa não é senão a «família de Deus». Desde as suas origens, o núcleo aglutinante da Igreja era, muitas vezes, constituído por aqueles que, «com toda a sua casa», se tinham tornado crentes» (179). Quando se convertiam, desejavam que também «toda a sua casa» fosse salva (180). Estas famílias, que passaram a ser crentes, eram pequenas ilhas de vida cristã no meio dum mundo descrente.
1656. Nos nossos dias, num mundo muitas vezes estranho e até hostil à fé, as famílias crentes são de primordial importância, como focos de fé viva e irradiante. É por isso que o II Concílio do Vaticano chama à família, segundo uma antiga expressão, «Ecclesia domestica – Igreja doméstica» (181). É no seio da família que os pais são, «pela palavra e pelo exemplo […], os primeiros arautos da fé para os seus filhos, ao serviço da vocação própria de cada um e muito especialmente da vocação consagrada» (182).
1657. É aqui que se exerce, de modo privilegiado, o sacerdócio baptismal do pai de família, da mãe, dos filhos, de todos os membros da família, «na recepção dos sacramentos, na oração e acção de graças, no testemunho da santidade de vida, na abnegação e na caridade efectiva» (183). O lar é, assim, a primeira escola de vida cristã e «uma escola de enriquecimento humano» (184). É aqui que se aprende a tenacidade e a alegria no trabalho, o amor fraterno, o perdão generoso e sempre renovado, e, sobretudo, o culto divino, pela oração e pelo oferecimento da própria vida.
1658. Não podem esquecer-se, também, certas pessoas que estão, em virtude das condições concretas em que têm de viver, muitas vezes sem assim o terem querido, particularmente próximas do coração de Cristo, e que merecem, portanto, a estima e a solicitude atenta da Igreja, particularmente dos pastores: o grande número de pessoas celibatárias. Muitas delas ficam sem família humana, frequentemente devido a condições de pobreza. Algumas vivem a sua situação no espírito das bem-aventuranças, servindo a Deus e ao próximo de modo exemplar. Mas a todas é necessário abrir as portas dos lares, «igrejas domésticas», e da grande família que é a Igreja. «Ninguém se sinta privado de família neste mundo: a Igreja é casa e família para todos, especialmente para quantos estão “cansados e oprimidos” (Mt 11, 28)» (185).”

(Fonte)

O amor a Deus

Jesus resumiu os deveres do homem para com Deus nestas palavras: «Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente» (Mt 22, 37) . Elas são um eco imediato do apelo solene: «Escuta, Israel: o Senhor nosso Deus é o único» (Dt 6, 4).

Deus foi o primeiro a amar. O amor do Deus único é lembrado na primeira das «dez palavras». Em seguida, os mandamentos explicitam a resposta de amor que o homem é chamado a dar ao seu Deus.

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Veja abaixo o resumo do Catecismo da Igreja Católica para os 3 primeiros Mandamentos da Lei de Deus, que se referem ao Amor a Deus:

PRIMEIRO MANDAMENTO

2133. «Amarás o Senhor teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças» (Dt 6, 5).

2134. O primeiro mandamento chama o homem a crer em Deus, a esperar n’Ele e a amá-Lo sobre todas as coisas.

2135. «Ao Senhor teu Deus adorarás» (Mt 4, 10). Adorar a Deus, orar-Lhe, prestar-Lhe o culto que Lhe é devido, cumprir as promessas e votos que se Lhe fizeram, são actos da virtude da religião, que traduzem a obediência ao primeiro mandamento.

2136. O dever de prestar a Deus um culto autêntico diz respeito ao homem, individual e socialmente.

2137. O homem deve poder professar livremente a religião, tanto em privado como em público.

2138. A superstição é um desvio do culto que prestamos ao verdadeiro Deus. Manifesta-se na idolatria, bem como nas diferentes formas de adivinhação e magia.

2139. O ato de tentar a Deus por palavras ou por obras, o sacrilégio e a simonia são pecados de irreligião, proibidos pelo primeiro mandamento.

2140. Na medida em que rejeita ou recusa a existência de Deus, o ateísmo é um pecado contra o primeiro mandamento.

2141. O culto das imagens sagradas funda-se no mistério da encarnação do Verbo de Deus. E não é contrário ao primeiro mandamento.

SEGUNDO MANDAMENTO

2160. «Senhor; nosso Deus, como é admirável o vosso nome em toda a terra! (Sl 8, 2).

2161. O segundo mandamento manda respeitar o nome do Senhor: O nome do Senhor é santo.

2162. O segundo mandamento proíbe o uso inconveniente do nome de Deus. A blasfêmia consiste em usar o nome de Deus, de Jesus Cristo, da Virgem Maria e dos santos de modo injurioso.

2163. O juramento falso invoca Deus como testemunha duma mentira. O perjúrio é uma falta grave contra o Senhor; sempre fiel às suas promessas.

2164. «Não jurar nem pelo Criador, nem pela criatura, senão com verdade, por necessidade e com reverência» .

2165. No Batismo, o cristão recebe o seu nome na Igreja. Procurem os pais, os padrinhos e o pároco que lhe seja imposto um nome cristão. O patrocínio dum santo oferece um modelo de caridade e assegura a sua intercessão.

2166. O cristão começa as suas orações e as suas atividades pelo sinal da cruz «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen».

2167. Deus chama a cada um pelo seu nome.

TERCEIRO MANDAMENTO

2189. «Guarda o dia do sábado para o santificar» (Dt 5, 12). «O sétimo dia será um dia de repouso completo, consagrado ao Senhor» (Ex 31, 15).

2190. O sábado, que representava o acabamento da primeira criação, é substituído pelo domingo, que lembra a criação nova, inaugurada na ressurreição de Cristo.

2191. A Igreja celebra o dia da ressurreição de Cristo no oitavo dia que, com razão, se chama dia do Senhor ou domingo.

2192. «O domingo […] deve guardar-se em toda a Igreja como o primordial dia festivo de preceito» . «No domingo e outros dias santos de preceito, os fiéis têm obrigação de participar na Missa» .

2193. «No domingo e nos outros dias festivos de preceito, os fiéis […] abstenham-se daqueles trabalhos e negócios que impeçam o culto a prestar a Deus, a alegria própria do dia do Senhor ou o devido descanso do espírito e do corpo».

2194. A instituição do domingo contribui para que «todos gozem do tempo suficiente de repouso e lazer, que lhes permita atender vida familiar, cultural, social e religiosa» .

2195. Todo o cristão deve evitar impor a outrem, sem necessidade, o que o impeça de guardar o Dia do Senhor.

(Fonte)

Precisamos rezar a Maria e aos santos ou é melhor diretamente a Deus?

(Pe. Henry Vargas Holguín)

Santa Therezinha

Os santos não são criados pelo Papa, mas por Deus, mediante a graça concedida pela sua vida de fé, sua obediência e sua dedicação cristã. O que a Igreja e o Papa fazem é apenas certificar que eles estão na presença de Deus.

A prova da santidade de um fiel cristão está em dois milagres realizados pela sua intercessão – graças estas que eles obtêm de Deus. Quando falamos dos santos, estamos nos referindo às pessoas que estão perto de Deus.

A Igreja não obriga ninguém a invocar ou a ter devoção aos santos, mas os propõe como exemplos a serem imitados.

Algumas pessoas negam a intercessão dos santos, mas na Bíblia há inúmeras passagens que falam da intercessão.

“Interceder, pedir a favor de outrem, é próprio, desde Abraão, dum coração conforme com a misericórdia de Deus. No tempo da Igreja, a intercessão cristã participa na de Cristo: é a expressão da comunhão dos santos. Na intercessão, aquele que ora não ‘olha aos seus próprios interesses, mas aos interesses dos outros’ (Fl 2, 4), e chega até a rezar pelos que lhe fazem mal.” (Catecismo, 2635)

Quando Jesus disse “Pedi e recebereis” (Mt 7, 7), Ele estava fazendo ver a importância da oração de petição, e não colocou condições nem limites em seu ensinamento.

Ao longo da Bíblia, podemos encontrar inúmeros exemplos de intercessão diante de Deus. Moisés que intercede pelo povo de Israel é um clássico; sua intercessão aplaca a ira do Senhor pelo pecado do seu povo (Êx 32, 9-14).

E ainda que a oração seja dirigida a Deus, também é tradição na Igreja acudir a Nossa Senhora e aos santos como intercessores secundários. Nossa oração pode chegar a Deus através deles, como mensageiros.

Os primeiros cristãos não procuravam os apóstolos para que intercedessem por eles diante de Deus? A Bíblia mostra vários testemunhos disso.

Jesus não manda seus apóstolos dizerem às pessoas que recorram diretamente a Ele para que os cure, pelo contrário: envia os apóstolos a curar, ressuscitar mortos e expulsar demônios. Eles fazem isso em nome e com o poder de Jesus.

Os santos “não cessam de interceder a nosso favor, diante do Pai, apresentando os méritos que na terra alcançaram, graças ao Mediador único entre Deus e os homens, Jesus Cristo […]. A nossa fraqueza é assim grandemente ajudada pela sua solicitude fraterna” (Catecismo, 956).

A intercessão dos santos é “seu mais alto serviço ao plano de Deus. Podemos e devemos pedir-lhes que intercedam por nós e pelo mundo inteiro” (Catecismo, 2683).

Segundo o apóstolo São Paulo, todos nós devemos ser intercessores uns dos outros: “Intensificai as vossas invocações e súplicas. Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos. E orai também por mim, para que me seja dado anunciar corajosamente o mistério do Evangelho” (Ef 6, 18-19).

Os santos que estão no céu intercedem por nós porque eles continuam amando, mas agora em plenitude. “A oração do justo tem muito poder” (Tiago 5, 16). A mediação dos santos é real e eficaz, já que eles vivem a glória de estar com Cristo no céu.

É preciso ter claro: só Jesus nos dá a salvação. Os católicos não acreditam que os santos salvam, e sim que eles intercedem por todos. Os santos não nos afastam de Deus nem reduzem o sacrifício feito por Jesus, pelo contrário: com seu exemplo de vida cristã, eles nos incentivam a nos aproximarmos de Deus por meio de Jesus Cristo.

O fato de Jesus ser o único salvador não elimina o papel dos homens na história da salvação.

Quando um cristão intercede por alguém, ele o faz em nome de Jesus. E é Deus quem opera maravilhas. E quando alguém pede a intercessão de um santo, não está pedindo a graça diretamente a ele, mas, por meio dele, a Deus.

(Fonte)