Jesus ensina a ler a Bíblia

Ouvi muitas pessoas dizerem que começaram a leitura da Bíblia e desistiram por não compreender o que estava escrito. E que o modo de Deus agir é difícil de assimilar pois se manifesta castigando, vingando…, por outro lado, falava às pessoas e hoje parece ter-se calado. Mesmo assim, em Setembro, mês da Bíblia, somos chamados pela Igreja, a nos aproximar das Escrituras. Mas como fazê-lo de uma maneira que não nos assuste e não nos desanime e tenha sentido para a nossa vida e nossa caminhada?

“As palavras que vos disse são espírito e vida” (Jo 6,63b)
Jesus mesmo nos ajuda a compreendermos as características da Palavra ao dizer que ela é espírito e vida. É próprio do espírito o seu caráter dinâmico, pois é sopro (ruah), vento, livre, maleável, de tal modo que não se pode prendê-lo, enquadrá-lo. Portanto, é uma realidade dinâmica que precisa ser captada no hoje da nossa existência e não congelado em um passado distante e incompreensível. É no presente das pessoas e comunidades que ele se transforma em vida. A Palavra deixa de ser um corpo estranho se a percebermos como ação de Deus geradora de vida: “Faça-se … e fez-se…” . Deus continua a vir até nós com sua Palavra criadora, esta palavra atravessa e ultrapassa a Bíblia. Hoje ela continua a ser dinâmica (espírito) e criadora(vida). Se é assim, então para que recorremos ao texto bíblico? “Não ardia o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, quando nos explicava as escrituras?” (Lc 24,32)

As escrituras precisam ser entendidas no caminho, na vida cotidiana. Nos ensina Carlos Mesters que na Bíblia há tudo o que faz chorar e sorrir, ou seja, a existência que se manifesta na alegria, na festa, na dança, na reza, na luta, na dor, na derrota, no recomeço… . Jesus mostra aos discípulos de Emaús, caminhando com eles, que a escritura ganha sentido quando iluminada pela vida concreta. E aquela por sua vez ajuda a encontrar o sentido mais profundo da vida. Jesus, que continua sua caminhada conosco, é o exegeta a mostrar que temos que misturar a Vida com a Bíblia e a Bíblia com a nossa Vida para podermos compreendê-la, e para que o nosso coração possa arder.

“…é semelhante a um pai de família que do seu tesouro tira coisas novas e velhas.” (Mt 13,52)
Novamente Jesus nos dá o utro indicativo interessante para lermos a Bíblia e a Vida. Deve ser lida na perspectiva do reinado de Deus que se faz concreto na vida do seu povo. Jesus aponta que aquele que está dentro da perspectiva do Reino, é como um pai de família que tira coisas novas e velhas do seu tesouro. O maior tesouro que temos é a vida. Isso me faz comparar a Bíblia e a vida com uma colcha de retalhos, também feita de panos novos e velhos. Fazer uma colcha de retalhos exige paciência para ir juntando, aos poucos, os pedaços antigos e guardando os novos sem deixá-los se perder; exige sensibilidade e criatividade para dispor as cores de maneira harmoniosa, separar o que presta e o que deve ser descartado e por último habilidade para costurar tudo em uma única nova peça. O povo de Deus na Bíblia também faz como quem monta colcha de retalhos. Junta histórias antigas, cânticos, preces, mitos, narrativas de libertação, ditados, profecias, atas, novelas…, que são importantes para entender e dar sentido à sua vida e à sua história, e agrupam tudo em uma grande colcha, a Bíblia. Quando lemos um livro da Bíblia percebemos ali várias histórias, de várias épocas, basta observar a quantidade de citações de outros livros que aparecem num só livro. Jesus também foi um mestre na arte de fazer colcha de retalhos, por exemplo ao dizer que dava um novo mandamento aos seus discípulos de amarem-se uns aos outros, citando um texto antigo do Lv 19,18.

“…quem escuta a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna…” (Jo 5,24)
Uma colcha de retalhos é nova, embora os tecidos que estão nela costurados são de diversas épocas, tamanhos e cores. Qual é, então, a costura que faz com que possamos chamar de Palavra de Deus experiências de vida tão diversas como as encontradas nos diferentes livros da Bíblia? E qual é a costura que une as diversas dimensões de nossas vidas? Mais uma vez Jesus nos mostra a saída. É a fé no Deus da vida e da história, a certeza de que Ele caminha conosco e caminhou com o povo da Bíblia que costura e que torna nova e bela as diversas realidades humanas tocadas por Deus. É a fé que une o local e o universal, o presente ao passado e ao futuro, abre espaços e rompe limites, até os da morte.

“Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste essas coisas aos sábios e doutores e as
revelaste aos pequeninos.” (Mt 11,25)

Em toda a história do povo de Deus e na vida de Jesus, os pequenos, pobres, excluídos de todos os tipos, foram aqueles que estiveram abertos para o Reino. E Deus sempre fez opção preferencial por aqueles que não tinham nenhuma perspectiva do ponto de vista econômico, político, religioso e social. São esses os primeiros a seguir Jesus. Assim, eles são critério para compreender o modo de Deus agir na Bíblia e na Vida. A leitura da Bíblia e a leitura da Vida precisa ser com e através dos pobres hoje, dos excluídos; para que tenha um mínimo de fidelidade ao projeto sonhado por Deus.

“Jesus fez ainda, diante de seus discípulos, muitos outros sinais, que não se acham escritos neste livro.” (Jo 20,30)
Jesus continua a caminhar diante de seus discípulos e continua a fazer muitos sinais. Voltamos a perceber que a Palavra de Deus atravessa mas, não se esgota na Bíblia. É preciso que agucemos nossa sensibilidade, fortaleçamos nossa fé e nosso compromisso com os excluídos para ler o grande livro da vida, iluminados pela Bíblia que Deus continua a escrever. Todos somos chamados a sermos criativos em reunir retalhos velhos e novos, e com eles continuar na tarefa de tecer a colcha do Reino de Deus e da nossa vida, onde todos possam agasalhar-se.

(Escrito por: Pe. Álvaro Macagnan)

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Mês da Bíblia – parte 2

COMO LER A BÍBLIA?

a. A Bíblia é a oração mais completa que existe.

b. O verdadeiro Cristão deve ter uma, e usá-la todo dia, não como um enfeite ou amuleto, aberto no Salmo 90 e esquecida em cima de um móvel. Deve ser lida, meditada, orada e escutada. O Espírito Santo transmite a voz de Deus através das Escrituras Sagradas. Todo dia Jesus nos fala diretamente ao coração.

c. Selecione a leitura. Há várias formas de se fazer isto… Você pode seguir a sugestão da Igreja e ler as leituras selecionadas para o tempo litúrgico em que estiver (algumas Bíblias trazem essa seleção de textos em apêndice no final do volume) ou ler a Bíblia na forma seqüencial, a partir do primeiro livro (neste caso, particularmente sugiro que se inicie pelo Novo Testamento – por ser mais dinâmico – para só depois se passar para o Antigo Testamento).

d. Leia com atenção – sem pressa e meditando – cada versículo. Não se incomode de precisar voltar a ler alguma passagem não muito clara. Releia todo o texto mais uma ou duas vezes, pois sempre acabamos percebendo algo que deixamos escapar na leitura anterior…

e. Identifique-se com os personagens em cada cena. Se estiver lendo os Evangelhos, coloque-se no lugar do sofredor Lázaro, no lugar de Mateus convidando Jesus para uma refeição…

f. Considere tudo o que Jesus fala como diretamente dirigido a você. Ao ler as epístolas, além da voz do Apóstolo e do Espírito Santo, reconheça a voz da Igreja, exortando-o a aumentar e amadurecer a fé.

Faça estudo tomando nota das passagens que mais o tocam. Neste ponto, sugere-se que se utilize o método do Pe. Jonas Abib, dividindo as citações em cinco pontos:

I. Promessas: é tudo aquilo que Deus promete àqueles que cumprem (ouvem e praticam) a Sua Palavra. São promessas em que podemos seguramente confiar. Ex.: “Onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou no meio deles” (Mt 18,20); v.tb.: Jo 1,12; Lc 11,13; Ef 6,8;

II. Ordens: são os mandamentos que devemos obedecer durante a nossa vida, onde demonstramos a nossa fidelidade a Deus. Ex.: “Amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado” (Jo 13,34); v.tb.: Mt 5,37; Mc 16,15; Lc 6,27-28;

III. Princípios Eternos: são as leis que regem o Reino de Deus e não devem ser confundidos com as ordens. São os segredos do funcionamento do Reino. Ex.: “Para os puros, todas as coisas são puras. Para os corruptos e descrentes, nada é puro; até sua mente e consciência são corrompidas” (Tt 1,15); v.tb.: Lc 6,36; 18,14; 1Tm 6,7;

IV. Mensagem de Deus para Hoje: certamente Deus tem uma mensagem para você. Faça de maneira pessoal, com suas próprias palavras; e

V. Como Aplicar a Leitura na Vida

COMO APLICAR A LEITURA NA VIDA?

É a parte mais pessoal e mais concreta. Anote e coloque em prática tudo o que descobrir. É a maneira decisiva para mudar o comportamento (ser e agir) e o relacionamento com Deus –

EM RESUMO:

(como sugere Frei Ignácio Larrañaga na pedagogia das Oficinas de Oração e Vida)

a. Ler a Palavra lentamente;

b. Saboreá-la gozosamente;

c. Meditá-la cordialmente;

d. Que a Palavra seja para você:

· lâmpada: que ilumine seu caminho

· pão: que alimente sua alma

· fogo: que incendeie o fervor

· rota: que o conduza à salvação

· pulsar: que anime seu espírito

· vida: que jamais acabará

· Dedique um tempo diário para estudar e meditar a Bíblia: pode ser pela manhã, logo após acordar; ou, depois do almoço ou da janta; ou antes de dormir; ou, ainda, qualquer outro horário que se adapte ao seu tempo livre. A quantidade de tempo também pode ser livremente estabelecida: 10, 30, 60 minutos ou mais. Quanto mais tempo você tiver, melhor! Porém, divida o tempo total para as duas atividades que devem ser feitas: leitura e estudo. O ideal é dividir na ordem de 1/3 e 2/3, respectivamente. Assim, se você resolver dedicar 15 minutos diários, use 5 minutos para leitura e 10 minutos para o estudo. Após estabelecer o horário que melhor o satisfaça, cumpra-o rigorosamente, não esquecendo nem adiando nenhum dia, mesmo que se sinta cansado. Lembre-se: devemos amar a Deus sobre todas as coisas!

Se você não tiver uma Bíblia, adquira uma. Compre, entretanto, em livrarias católicas pois as versões comercializadas por livrarias evangélicas são incompletas quanto ao Antigo Testamento (faltam 7 livros e alguns trechos de Ester e Daniel). Existem Bíblias com uma linguagem mais simples (ex.: “Bíblia Ave Maria”) e outras mais técnicas (ex: “Bíblia de Jerusalém”); leve aquela que esteja dentro da sua linguagem e das suas condições. Além disso, compre um caderno e também um comentário bíblico. As editoras católicas disponibilizam diversos comentários, dos mais simples aos mais completos. Folheie-os com calma e encontre um que atenda seus requisitos de linguagem e complexidade.
Adquirido o material e chegada a hora do estudo, com a Bíblia nas mãos, inicie com uma oração ao Espírito Santo, pedindo para que o ilumine. Pode ser a seguinte ou uma outra semelhante e espontânea:

Espírito Santo: Tu inspiraste estas palavras. Ilumina a minha mente para que eu possa compreendê-las. Vem, Espírito Santo, ilumina o meu coração e o meu entendimento. Ajuda-me a reconhecer a Verdade eterna que preciso para agradar a Deus. Amém.”

Selecione a leitura.

Leia com atenção – sem pressa e meditativamente – cada versículo. Não se incomode de precisar voltar a ler alguma passagem não muito clara. Releia todo o texto mais uma ou duas vezes, pois sempre acabamos percebendo algo que deixamos escapar na leitura anterior…
Considere tudo o que Jesus fala como diretamente dirigido a você. Ao ler as epístolas, além da voz do Apóstolo e do Espírito Santo, reconheça a voz da Igreja, exortando-o a aumentar e amadurecer a fé.

Termine a leitura também com uma oração ao Espírito Santo, como, por exemplo:

“Fala, Senhor: teu servo está te ouvindo. Aqui estou, Senhor!”, ou “Senhor: aqui estamos, Tu e eu, juntos agora. Fala-me, pois eu te escuto! Amém”. Faça, então, um breve silêncio.

Inicie o estudo lendo com calma e atenção o comentário sobre o texto lido. Leia também todas as notas de rodapé existentes na sua Bíblia: elas são importantes principalmente para os pontos mais obscuros.

Prossiga o estudo tomando nota das passagens que mais o tocam. Neste ponto, sugiro que se utilize o método do Pe. Jonas Abib, dividindo as citações em cinco pontos:

1. Promessas: é tudo aquilo que Deus promete àqueles que cumprem (ouvem e praticam) a Sua Palavra. São promessas em que podemos seguramente confiar.

2. Ex.: “Onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou no meio deles” (Mt 18,20); v.tb.: Jo 1,12; Lc 11,13; Ef 6,8.

3. Ordens: são os mandamentos que devemos obedecer durante a nossa vida, onde demonstramos a nossa fidelidade a Deus. Ex.: “Amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado” (Jo 13,34); v.tb.: Mt 5,37; Mc 16,15; Lc 6,27-28.

4. Princípios Eternos: são as leis que regem o Reino de Deus e não devem ser confundidos com as ordens. São os segredos do funcionamento do Reino. Ex.: “Para os puros, todas as coisas são puras. Para os corruptos e descrentes, nada é puro; até sua mente e consciência são corrompidas” (Tt 1,15); v.tb.: Lc 6,36; 18,14; 1Tm 6,7.

5. Mensagem de Deus para Hoje: certamente Deus tem uma mensagem para você. Faça de maneira pessoal, com suas próprias palavras.

6. Como Aplicar a Leitura na Vida: é a parte mais pessoal e mais concreta. Anote e coloque em prática tudo o que descobrir. É a maneira decisiva para mudar o comportamento (ser e agir) e o relacionamento com Deus.

· Para terminar o estudo, releia o comentário bíblico e as suas anotações. Observe, então, a incrível unidade que existe entre eles. Se você quiser – e é altamente recomendado! – tente relembrar a leitura do dia anterior; se possível, memorize o versículo principal, o núcleo da mensagem.

Termine o seu “dever de casa” com uma oração espontâneaagradecendo a Deus pelas descobertas do dia e certo de ter aumentado a sua intimidade com Ele.

Lembre-se sempre: Não caia no erro de querer ler somente a Bíblia sem a ajuda da Igreja, achando que pode interpretá-la de forma particular. Essa tese é protestante e anti-bíblica. Foi por causa disso que o sectarismo se instalou no mundo cristão, existindo hoje mais de 20.000 denominações – todas elas com mensagens “muito particulares” e distintas umas das outras.
Regras de Ouro para ler a Bíblia:

1. Leia a Bíblia todos os dias

2. Tenha uma hora marcada para a Leitura

3. Marque a duração da Leitura

4. Escolha um bom lugar

5. Leia com lápis ou caneta na mão

6. Faça tudo em espírito de oração

Mês da Bíblia – parte 1


Definição: A palavra Bíblia significa “livro” ou “Livros”. Coleção de livros, escritos em épocas diferentes, por autores diferentes sob a inspiração direta de Deus.

Pode-se dizer ainda, que a Bíblia é um conjunto de 73 livros com vários títulos ou denominações: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Evangelhos, várias epístolas etc., os quais podem ser localizados pelo índice geral dela.

Divide-se em duas partes bem destacáveis: o Antigo Testamento e o Novo Testamento. Testamento é o nome que se dá à Aliança “contraída” com Abraão e “cumprida” em Jesus Cristo. Enquanto projeção da de Abraão designou-se por Antigo Testamento aos acontecimentos a ela correlatos; e, quando afins à Nova Aliança em Jesus Cristo, tomou o nome de Novo Testamento. É que um testamento “traz” disposições que devem ser “cumpridas” após a morte de um dos testadores, no caso, Abraão no Antigo e Jesus no Novo, “trazendo”, para o Homem “cumprir”, “disposições de última vontade”, e “uma herança”.

Vem geralmente dividida em capítulos e versículos. Os capítulos são especificados por números maiores colocados num começo de narrativa parcial e os versículos por algarismos menores colocados antes das frases que compõem o capítulo. Costuma-se dar títulos aos vários capítulos, ou a trechos deles, também conhecidos por “perícopes”, que foram ai incorporados pretendendo facilitar a compreensão e a localização por assuntos, mas não fazem parte integrante e indestacável do contexto.

Sinônimos: Sagrada Escritura, Livro Santo, Bíblia Sagrada, Livro dos Livros.

Os livros da Bíblia contêm a história daquilo que Deus fez com o mundo e com seu povo, bem como as reflexões de homens privilegiados sobre essa atividade divina. A Sagrada Escritura não é uma coleção de verdades abstratas, mas revela uma realidade divina concreta: a ação divina na história, e como os homens dela se tornaram conscientes.

Descreve, portanto a história da salvação, mostrando como Deus a prometeu e esboçou e como começou a realizá-la, na perspectiva da sua plenitude futura. Essa salvação, que é o próprio Cristo, é prometida e “prefigurada” no Antigo Testamento, e não apenas por palavras e promessas, mas, sobretudo, pelos acontecimentos da historia, no sentido em que a Sagrada Escritura nos narra e interpreta; a eleição do antigo povo de Deus, a sua salvação e a sua ruína como nação, a sua purificação gradativa, os seus profetas, santos, heróis; o seu culto e instituições significam uma salvação, a cuja realização já dava início, mas cuja plenitude apenas anunciavam, é a salvação que Cristo trouxe e que é ele mesmo.

O Novo Testamento é em primeiro lugar a narrativa de como essa Salvação se manifestou na pessoa de Cristo, na sua missão, pregação, morte, ressurreição e glorificação, e na função de sua Igreja. Após reflete como, sob a iluminação do Espírito, cresceu a consciência do sentido da Salvação naqueles fatos. Posteriormente, fala sobre a consumação dessa Salvação que a Igreja aguarda. O Sentido da Escritura e, a história e a realização da Salvação em Cristo, em que todas as coisas são reunidas.

O Antigo Testamento é formado por 46 livros, a saber:

– Pentateuco: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio.

– Livros Históricos: Josué, Juízes, Rute, Samuel I, Samuel II, Reis I, Reis II, Crônicas I, Crônicas II, Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester, Macabeus I, Macabeus II.

– Livros Poéticos e Sapienciais: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria, Eclesiástico.

– Livros Proféticos: Isaias, Jeremias, Lamentações, Baruc, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias.

O Novo Testamento é formado por 27 livros, assim dividido:

Evangelhos (ou Livros Históricos):

Segundo São Mateus – escrito para os Judeus e quer provar que Jesus e o Filho de Deus, o Messias prometido, anunciado e esperado (JESUS – O MESTRE DA JUSTIÇA);

Segundo São Marcos – escrito para os Romanos com a finalidade de provar que Jesus e o Filho de Deus, Senhor e Soberano de toda a natureza (QUEM É JESUS?);

Segundo São Lucas – escrito para os pagãos. No seu Evangelho dá muita ênfase a universalidade da Salvação, ao perdão dos pecados, à oração, à perseverança (COM JESUS NASCE UMA NOVA HISTÓRIA);

Segundo São João – escrito para os cristãos em Antioquia ou em Éfeso. Apresenta o Cristo, Filho de Deus, sofredor e glorificado com “água viva de Vida Eterna”, “pão vivo descido do céu”, “luz do mundo”, “bom pastor”, “caminho, verdade e vida”. Diz quem é Jesus para quem crê (O CAMINHO DA VIDA).

Os três primeiros evangelhos (Mateus, Marcos e Lucas), são considerados “Evangelhos Sinóticos” pois apresentam uma semelhança e ordem de narração e apresentação de fatos.

Atos dos Apóstolos (Livro Histórico) – escrito por São Lucas tem a finalidade de relatar os acontecimentos relacionados com a vida da Igreja Primitiva.

Epístolas de São Paulo: aos Romanos, aos Coríntios I, aos Coríntios II, aos Gálatas, aos Efésios, aos Filipenses, aos Colossenses, aos Tessalonicenses I, aos Tessalonicenses II, a Timóteo I, a Timóteo II, a Tito, a Filemon, aos Hebreus (autor desconhecido, mas atribuída a São Paulo); e Epistolas Católicas ou Universais: de São Tiago, de São Pedro I, de São Pedro II, de São João I, de São João II, de São João III, de São Judas – com o significado de “cartas” são mensagens que os Apóstolos escreveram para as Comunidades Cristãs com o intuito de animá-las e estimulá-las a crescerem e se desenvolverem.

Apocalipse – palavra que significa “revelação”, foi escrito por São João. O Apocalipse supõe, sempre, Revelação de Deus aos homens. São coisas ocultas que irão acontecer, conhecidas somente por Deus e por Ele reveladas.

POR QUÊ A BÍBLIA É IMPORTANTE?

O Evangelho – é a palavra viva de Deus que suscita nos homens uma nova vida e os congrega numa comunidade de amor, sendo, pois o Jesus Cristo presente.

Evangelização – é a manifestação da Palavra Viva de Deus. Essa Palavra Viva é Jesus Cristo atualmente presente na vida das comunidades. A Palavra Viva leva-nos diretamente ao Evangelho. O contato com sua letra é apenas um convite a um trampolim para atingir o Espírito de Vida, pois o Espírito Santo é o primeiro evangelizador e o mais profundo comentador e orientador da leitura comunitária do Evangelho como Palavra Viva.

JESUS É A PALAVRA DO PAI

Diz-se que Jesus é a PALAVRA porque manifesta ou revela o Pai, tal como Ele mesmo o diz:

“Jesus lhe disse: “Filipe, há tanto tempo estou convosco e não me conheces? Quem me tem visto, tem visto o Pai. Como podes dizer: mostra-nos o Pai?” (Jo 14,9).

Também Paulo e João o dizem:

“Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda criatura…” (Col 1,15)”;

“No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus” (…)

“Ninguém jamais viu a Deus.o Filho Unigênito, que está no seio do Pai, é quem o deu a conhecer.” (Jo 1,1.18).

Palavra Viva – o Evangelho anunciado aos pobres (Lc 4, 16 ss) e a força da Comunidade dos Pequeninos, os depositários das promessas de Jesus (Mt 11, 25ss), é sinal de um mundo novo que está despontando em nossa história. A palavra muda a vida, a família, a comunidade, o trabalho e o bairro. Ela é fermento, e deve nos alegrar, nos unir, nos transformar e nos comprometer com o Reino de Deus. É cumprir o nosso Batismo, onde somos Sacerdote, Profeta e Rei. O próprio Cristo no Evangelho de Mateus nos diz: “Ide, pois, ensinai todas as gentes, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinando-as a observar as coisas que vos mandei. Eu estarei convosco todos os dias, até fim do mundo” (Mt. 28, 19-20).

A Palavra de Deus – não deve ser discutida, mas proclamada e acolhida, sobretudo no grupo e na comunidade. Isto é, não se discute, nem se contesta o que se expõe, mas acolhe-se cada idéia sobre a palavra no nosso coração. Ao assimilarmos a mensagem da pregação feita pela Palavra, devemos começar a vive-la de maneira cada vez mais concreta, em especial: na maneira de conviver com os irmãos; nas celebrações comunitárias(Liturgia); e na maneira de explicar a vida comunitária na família (às crianças, e aos jovens) e aos novos convertidos.

A força transformadora da Palavra, junto a nós cristãos, deve nos tirar do comodismo, fazendo com que assumamos o nosso papel ou lugar na Igreja do Cristo Vivo, na Catequese, na Pastoral, pelo Dízimo, vivendo a solidariedade, a fraternidade e caridade no amor de Deus.

Ao abrir o livro de Deus – a Bíblia, não devemos procurar respostas para satisfazer a curiosidade, mas procurar concretamente o que Deus promete, pede e fala.

Os povos da Bíblia


O grande assunto da Bíblia é a história do povo de Deus morador no país de Canaã. Mas ela é história de muitos outros povos, a quem Deus acompanhou com o mesmo cuidado. A região habitada por eles era a mesma que, hoje, chamamos de Oriente Médio. Os principais povos que fazem parte da história bíblica são:
Egípcios: viviam da agricultura nas margens do rio Nilo. Formaram um poderoso império em 3000 a.C.. Tinham vários deuses (politeísmo), mas foram os primeiros a falar de um Deus único (monoteísmo). Até hoje vemos lá pirâmides imensas, construídas com trabalhos forçados para serem túmulos dos faraós (leiam Ex 1,11). Por isso, obras públicas imensas, feitas com o suor do povo, são chamadas hoje de obras faraônicas.
Cananeus: viviam em Canaã quando os israelitas conquistaram as cidades e dividiram o país entre suas próprias tribos (Jz 1,9). Sua religião era ligada à agricultura. Os deuses mais importantes eram Baal, deus da chuva, e Astarte ou Asserá, deusa da fertilidade (Jz 2,11-13).
Filisteus: chegaram depois dos israelitas e se instalaram na beira do mar. Tentaram conquistar Canaã (Jz 13,1). Os israelitas tiveram que organizar um forte exército para defender o sistema de tribos.
Amonitas, moabitas e edomitas: viviam do lado direito do rio Jordão, como pastores. Ao longo de sua história, fizeram guerras e alianças com Israel. Eram como primos dos israelitas, pois descendiam todos da família de Abraão.
Assírios: faziam parte de um poderoso império que explorava outros povos através do comércio. Como tinha um exército forte, sempre levava a melhor nos acordos comerciais. Os pobres ficavam cada vez mais miseráveis e a Assíria cada vez mais rica. É parecido com o que acontece hoje entre países ricos e pobres. Quando um povo se recusava a fazer parte desse jogo, a Assíria invadia o país rebelde e destruía tudo. Em 722 a.C., destruiu o norte de Israel e levou os israelitas para longe. (2Rs 17,3-6).
Babilônios: pertenciam a um império tão antigo quanto o império do Egito. Viviam na Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates que garantiam prosperidade econômica. Babilônia se comunicava com o Egito através de várias estradas. As principais estradas do Oriente Antigo passavam por Canaã. Por isso, todos os impérios queriam Ter o controle político e militar dessa região.
Muitas tradições religiosas da Babilônia foram aproveitadas na Bíblia. Por exemplo, as histórias de dilúvio (Gn 6-9).

A VIDA EM CANAÃ
Em Canaã, diversos povos viviam da agricultura e do pastoreio. Eles se organizavam em clãs ou grandes famílias. Vários clãs formavam uma tribo.
Nos clãs, a mulher e a criança eram consideradas propriedades do homem, como o rebanho e a terra. O líder da família era chamado de patriarca.
Os clãs viviam em pequenas aldeias em torno das cidades. Cada cidade tinha um rei, um exército (para proteger a cidade de invasores) e um santuário (onde eram adorados os deuses de cada povo).
Os camponeses viviam do trabalho na terra. Os reis, guerreiros e sacerdotes viviam dos impostos que cobravam dos camponeses e das tribos vizinhas dominadas. É o sistema tributário, pois se baseava nos tributos (impostos) que os mais fracos eram obrigados a pagar aos mais fortes.
O imposto podia ser pago de duas formas: com produtos da terra ou com trabalhos forçados para o rei. Era o sistema usado por todos os grandes impérios, como o Egito (Ex 1,11).
Muitos camponeses se revoltavam com esse sistema. Uns fugiam para as montanhas onde os exércitos não chegavam. Outros se organizavam e procuravam uma nova vida numa nova terra. Foi o caso dos Hebreus no Egito, que clamaram a Javé e foram ouvidos. (Ex 2,23).

É muito importante conhecer o modo de vida daquela época. Como vamos entender a ação de Deus na vida sem olhar para a vida? Seria o mesmo que passear no escuro: a gente não vê nada e ainda corre o risco de pisar onde não deve…

FORMAÇÃO DO POVO DE DEUS
O povo de Deus é como o povo brasileiro: formado de muitas raças e culturas diferentes, que foram se misturando e formando um novo grupo.
Assim foi em Canaã. Gente de diversas regiões foi chegando e formando um único povo unido por um ideal: terra e pão, igualdade e justiça.
Esses povos brigavam muito, mas também se misturavam através de alianças e casamentos. Javé, o Deus da vida, era o ponto de união. Aderir a Javé era o mesmo que aderir à defesa da vida.
O povo de Deus não era apenas o grupo de israelitas, nem é hoje só o grupo de católicos (Am 9,7).

Faz parte do povo de Deus toda pessoa que luta pela vida e é solidária com os irmãos. Povo de Deus é povo a caminho da “terra prometida” de cada dia.

Fonte: Folheto Ecoando 3 – formação interativa com catequistas – Editora Paulus

À luz da vida, à luz da Bíblia

Para iniciarmos este tema tão importante, comecemos com o seguinte questionamento:
• Como a Bíblia está presente na catequese de sua comunidade? Muito presente? Pouco presente?

A Bíblia ocupa um lugar especial na catequese. Pois esta tem como tarefa importante a iniciação bíblica do catequizando. A catequese deve colocá-lo em contato com a Palavra de Deus, para encontrar nela a força na caminhada de sua vida, no crescimento de sua fé.
Muitas vezes, na catequese, há maior preocupação com a doutrina a ser transmitida aos catequizandos do que com a vivência da Palavra de Deus.

A Palavra de Deus é de fato anunciada aos catequizandos quando ajuda a clarear o Projeto de Deus para nós, hoje. Como?
1- Procurando comparar a Palavra de Deus com a REALIDADE em que vivemos. A situação de vida do povo é sempre o “chão” da leitura bíblica. Recorrer a Bíblia para iluminar o nosso hoje. Comparar as situações semelhantes do Povo de Deus com a nossa.
2- Todo texto da BÍBLIA deve ser aprofundado, levando em conta a situação do povo no tempo em que foi escrito, para iluminar a nossa situação hoje. O Estudo da Sagrada Escritura supõe tomar o Livro em nossas mãos e manejá-lo com muito gosto e interesse. O gosto pela Bíblia exige iniciação e prática.

AO CATEQUISTA CABE A TAREFA DE:
• dar uma introdução, levando o catequizando a ter conhecimento básico sobre a Bíblia e ensinar a manuseá-la;
• procurar que os catequizandos tenham conhecimento dos pontos importantes da História da Salvação;
• ajudar a confrontar a vida, seu comportamento, com a Palavra de Deus;
• esclarecer as dúvidas e dificuldades;
• despertar nos catequizandos o gosto pela Bíblia.

3- A Bíblia deve ser lida e refletida num grupo de fé e de oração, porque a Bíblia é o Livro da COMUNIDADE. A partir da comunidade o grupo vai se tornando, um grupo de amizade, de oração e de ação catequética.

Podemos comparar estes três elementos: Realidade – Bíblia – Comunidade com o tripé de uma mesa. Há necessidade dos três pezinhos para que a mesa fique firme.
A Bíblia na catequese pode ser usada com diferentes métodos. Um dos métodos é a leitura bíblica dos 4 LADOS. Este método ajuda a encarnar o texto bíblico numa realidade concreta.
Jesus viveu numa certa época, num país de determinada situação social – econômica – religiosa – política. Podemos analisar os textos bíblicos usando essa técnica que nos ajuda a unir a leitura bíblica com a realidade do povo da Bíblia.

Como era a situação da Palestina no tempo de Jesus?
Lado econômico: Como vivia o povo? O que comia? Quais os tipos de trabalho? O que produzia? Qual o salário? Quais os impostos? Quais eram os ricos e os pobres?
Lado social: Com quem Jesus se relacionava? Quais as classes de pessoas que existiam? Quais seus interesses?
Lado político: Quem estava no poder? Como o povo era organizado? Quais eram os partidos? Quais os conflitos?
Lado ideológico-religioso: O que as pessoas e os grupos sociais pensavam da vida? E da sociedade? O que pensavam da religião? Como praticavam a religião?
Lembremo-nos que o texto bíblico nunca é neutro; a partir de uma realidade há lutas, conflitos e esperanças.
Esse estudo ajuda a avaliar o método da leitura bíblica na nossa catequese.

Que a luz da Palavra de Deus seja luz para a nossa vida!

• Como usar a Bíblia na catequese? Trocar experiências com o grupo de catequistas.
• Analise com o grupo o 1º capítulo do Evangelho de Marcos e procure descobrir os seus quatro lados: econômico – social – político – religioso.

Fonte: Folheto Ecoando 8 – formação interativa com catequistas – Editora Paulus

Falando sobre Criação para os Jovens

dias-de-criacao

SABIA QUE…?

Deus não criou o mundo em sete dias

Você acredita que esse relato pode ser lido ao pé da letra, como se junto a Deus houvesse um repórter? O objetivo do relato não é narrar cientificamente a história da criação do mundo, história que se desconhece, mas afirmar que Deus é a origem de tudo, inclusive do tempo que foi preciso na criação. O autor emprega uma linguagem simbólica e poética para exprimir estas crenças provenientes da tradição sacerdotal. A sabedoria, o amor e o poder absoluto de Deus foram a origem de tudo. A fé não pode se opor à razão humana, pois Deus é a origem tanto da razão quanto da fé. Os investigadores que estudam com sinceridade as ciências, mesmo sem o propor, chegam à conclusão de que Deus criou todas as coisas. A Bíblia não proporciona dados arqueológicos nem científicos, mas fala da origem e do sentido da vida. Deus coroou sua obra tão variada e bela criando os seres humanos e entregando-lhes a criação para seu domínio e seu controle. Estas narrações respondem a perguntas comuns da humanidade: de onde venho? Para onde vou? Quando você ler a Bíblia, pense que Deus fez você por amor, acompanha você na viagem de sua vida e espera você no final dela com os braços abertos. Muito obrigado, Senhor! (Gn 1,1–2,4)

VIVA A PALAVRA

Somos o ponto culminante da criação Deus faz tudo benfeito, e nos fez pessoas à sua imagem e semelhança, com a finalidade de que possamos viver e nos relacionar com ele. A todos nós criou com a mesma dignidade, homens e mulheres, de cores negra, amarela, branca e vermelha… e também os mestiços e mulatos. Todos refletimos a beleza e a grandeza de Deus; ninguém possui o modelo exclusivo de beleza nem a máxima inteligência, nem o amor por excelência, pois nenhum grupo humano pode monopolizar a semelhança com Deus. Tal semelhança com Deus, e o fato de que só conosco compartilhou seus atributos, nos faz o ponto culminante da criação. Deu-nos liberdade para escolher o caminho da vida, capacidade de amar, conhecer, analisar, procriar e transformar. Desde o princípio estabeleceu um diálogo conosco, coisa que não fez com o resto da criação. Reveja os parágrafos anteriores e:

  • Identifique duas verdades que mais afirmam sua autoestima, a verdade que mais desafia você a mudar de atitudes e de condutas, e a verdade que o faz agradecer mais a Deus a maravilha que você é.
  • Faça uma oração de louvor e agradecimento por você ser quem é; e uma pedindo para usar bem sua liberdade e desenvolver suas capacidades ao colocá-las em ação, procurando cada vez ser mais semelhante a Deus. (Gn 1,26-28)

REFLITA

Criados por amor e para amar

No princípio Deus criou o céu e a terra […] (Gn 1,1). Este pequeno versículo é fundamental em nossa fé. O universo não foi criado por acidente, nem somos uma série de átomos unidos ao acaso ou uma combinação casual de circunstâncias cósmicas. Deus o criou como expressão dinâmica e criadora de seu amor, e nos criou para que amemos a terra, a água, os animais… e, sobretudo, o povo, e assim vivamos em harmonia com ele e com a criação. A criação vem do Amor e pede amor. Como você sente o amor de Deus através de toda a criação? Quanto você ama as criaturas de Deus? (Gn 2,4)

PERSPECTIVA CATÓLICA

Um dia para o Senhor

O Gênesis apresenta a criação em sete etapas, que chama dias. O sétimo dia Deus descansou, abençoou o dia e o consagrou com seu descanso. Os judeus consagravam o sábado a Deus. Os cristãos lhe consagramos o domingo, “o primeiro dia da semana” (Mt 28,1), porque Jesus ressuscitou nesse dia. Domingo provém do latim dominica dies, que quer dizer “dia do Senhor”. O trabalho e o descanso são nossa vida e ambos nos unem a Deus. Ao trabalhar colaboramos com Deus em sua criação. Ao descansar podemos dedicar-lhe tempo e recordar-nos de que somos livres e não devemos ser escravos do trabalho. Nós católicos celebramos em família a eucaristia dominical. Nela proclamamos a alegria da criação e o descanso de Deus quando viu que tudo era muito bom (Gn 1,31). A Igreja nos pede que dediquemos o domingo a honrar a Deus em um ato de confiança nele. Quando por razões de força maior necessitamos trabalhar no domingo, é importante dedicar o dia do trabalho a Deus de maneira especial e, se for possível, consagrar-lhe um dia durante a semana. Como você honra o domingo? (Gn 2,1-3)

SABIA QUE…?

Deus é meu criador: sou obra sua

Leia Gênesis 2, o qual apresenta um segundo relato da criação do universo. Deixe-se levar pela beleza e pela profundidade das imagens desse relato javista. O pó da terra e o sopro divino indicam que o ser humano é matéria e espírito; um corpo animado por uma alma imortal, com desejos de voltar para Deus. “Fizeste-nos para ti, e nosso coração não encontra repouso até chegar a ti”, diz Santo Agostinho.

  • A criação da mulher da costela do homem simboliza que ambos temos igual dignidade, sem distinção de sexo, idade, raça ou grau de educação. Mostra que a unidade do casal é a comunhão mais íntima entre as pessoas.
  • Deus faz desfilar os animais diante do ser humano para que lhes dê nome, pois dar nome era sinal de poder e de autoridade. Todas as coisas foram criadas para o ser humano, que é responsável por elas, pelo que devemos usá-las com respeito e amor. Nessa verdade se apoia a ecologia, ou ciência que cuida do equilíbrio da criação. Busque o Salmo 8, medite-o em seu coração e ore com suas ideias e palavras. (Gn 2,4-5)

PERSPECTIVA CATÓLICA

O pecado original rompeu a relação com Deus

Com imagens vivas, próprias de um relato popular, o Gênesis narra como o pecado introduz o sofrimento e a morte na criação, onde tudo era muito bom (Gn 1,31). Ao criar o ser humano à sua imagem e semelhança, Deus estabeleceu uma aliança de amor com a humanidade. O amor nasce livremente do coração e não pode ser forçado; por isso, quando Adão e Eva desobedecem a Deus, rompem sua relação de amor com ele, cometendo o pecado original, o primeiro pecado da história. Dessa primeira separação de Deus deriva nossa tendência a usar mal a liberdade e a não responder positivamente a seu amor. O pecado nos afasta de Deus quando, em detrimento dele, preferimos a nós mesmos, o que traz consequências de sofrimento e morte. Mas o bem e o amor de Deus triunfam sobre o mal, ideia representada na derrota sofrida pela serpente, símbolo do mal, por meio de uma mulher (Gn 3,15). Não se deixe abater pelo mal que existe ao seu redor, porque Deus enviou Jesus justamente para nos livrar do pecado e dar-nos a vida eterna. Ao contrário, empregue bem sua liberdade; volte sua mente e seu coração para Deus, e sinta-se acolhido pelos braços amorosos do Criador. (Gn 3,1-24)

(Fonte – Bíblia Católica Jovem Ave Maria)