Os povos da Bíblia


O grande assunto da Bíblia é a história do povo de Deus morador no país de Canaã. Mas ela é história de muitos outros povos, a quem Deus acompanhou com o mesmo cuidado. A região habitada por eles era a mesma que, hoje, chamamos de Oriente Médio. Os principais povos que fazem parte da história bíblica são:
Egípcios: viviam da agricultura nas margens do rio Nilo. Formaram um poderoso império em 3000 a.C.. Tinham vários deuses (politeísmo), mas foram os primeiros a falar de um Deus único (monoteísmo). Até hoje vemos lá pirâmides imensas, construídas com trabalhos forçados para serem túmulos dos faraós (leiam Ex 1,11). Por isso, obras públicas imensas, feitas com o suor do povo, são chamadas hoje de obras faraônicas.
Cananeus: viviam em Canaã quando os israelitas conquistaram as cidades e dividiram o país entre suas próprias tribos (Jz 1,9). Sua religião era ligada à agricultura. Os deuses mais importantes eram Baal, deus da chuva, e Astarte ou Asserá, deusa da fertilidade (Jz 2,11-13).
Filisteus: chegaram depois dos israelitas e se instalaram na beira do mar. Tentaram conquistar Canaã (Jz 13,1). Os israelitas tiveram que organizar um forte exército para defender o sistema de tribos.
Amonitas, moabitas e edomitas: viviam do lado direito do rio Jordão, como pastores. Ao longo de sua história, fizeram guerras e alianças com Israel. Eram como primos dos israelitas, pois descendiam todos da família de Abraão.
Assírios: faziam parte de um poderoso império que explorava outros povos através do comércio. Como tinha um exército forte, sempre levava a melhor nos acordos comerciais. Os pobres ficavam cada vez mais miseráveis e a Assíria cada vez mais rica. É parecido com o que acontece hoje entre países ricos e pobres. Quando um povo se recusava a fazer parte desse jogo, a Assíria invadia o país rebelde e destruía tudo. Em 722 a.C., destruiu o norte de Israel e levou os israelitas para longe. (2Rs 17,3-6).
Babilônios: pertenciam a um império tão antigo quanto o império do Egito. Viviam na Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates que garantiam prosperidade econômica. Babilônia se comunicava com o Egito através de várias estradas. As principais estradas do Oriente Antigo passavam por Canaã. Por isso, todos os impérios queriam Ter o controle político e militar dessa região.
Muitas tradições religiosas da Babilônia foram aproveitadas na Bíblia. Por exemplo, as histórias de dilúvio (Gn 6-9).

A VIDA EM CANAÃ
Em Canaã, diversos povos viviam da agricultura e do pastoreio. Eles se organizavam em clãs ou grandes famílias. Vários clãs formavam uma tribo.
Nos clãs, a mulher e a criança eram consideradas propriedades do homem, como o rebanho e a terra. O líder da família era chamado de patriarca.
Os clãs viviam em pequenas aldeias em torno das cidades. Cada cidade tinha um rei, um exército (para proteger a cidade de invasores) e um santuário (onde eram adorados os deuses de cada povo).
Os camponeses viviam do trabalho na terra. Os reis, guerreiros e sacerdotes viviam dos impostos que cobravam dos camponeses e das tribos vizinhas dominadas. É o sistema tributário, pois se baseava nos tributos (impostos) que os mais fracos eram obrigados a pagar aos mais fortes.
O imposto podia ser pago de duas formas: com produtos da terra ou com trabalhos forçados para o rei. Era o sistema usado por todos os grandes impérios, como o Egito (Ex 1,11).
Muitos camponeses se revoltavam com esse sistema. Uns fugiam para as montanhas onde os exércitos não chegavam. Outros se organizavam e procuravam uma nova vida numa nova terra. Foi o caso dos Hebreus no Egito, que clamaram a Javé e foram ouvidos. (Ex 2,23).

É muito importante conhecer o modo de vida daquela época. Como vamos entender a ação de Deus na vida sem olhar para a vida? Seria o mesmo que passear no escuro: a gente não vê nada e ainda corre o risco de pisar onde não deve…

FORMAÇÃO DO POVO DE DEUS
O povo de Deus é como o povo brasileiro: formado de muitas raças e culturas diferentes, que foram se misturando e formando um novo grupo.
Assim foi em Canaã. Gente de diversas regiões foi chegando e formando um único povo unido por um ideal: terra e pão, igualdade e justiça.
Esses povos brigavam muito, mas também se misturavam através de alianças e casamentos. Javé, o Deus da vida, era o ponto de união. Aderir a Javé era o mesmo que aderir à defesa da vida.
O povo de Deus não era apenas o grupo de israelitas, nem é hoje só o grupo de católicos (Am 9,7).

Faz parte do povo de Deus toda pessoa que luta pela vida e é solidária com os irmãos. Povo de Deus é povo a caminho da “terra prometida” de cada dia.

Fonte: Folheto Ecoando 3 – formação interativa com catequistas – Editora Paulus

À luz da vida, à luz da Bíblia

Para iniciarmos este tema tão importante, comecemos com o seguinte questionamento:
• Como a Bíblia está presente na catequese de sua comunidade? Muito presente? Pouco presente?

A Bíblia ocupa um lugar especial na catequese. Pois esta tem como tarefa importante a iniciação bíblica do catequizando. A catequese deve colocá-lo em contato com a Palavra de Deus, para encontrar nela a força na caminhada de sua vida, no crescimento de sua fé.
Muitas vezes, na catequese, há maior preocupação com a doutrina a ser transmitida aos catequizandos do que com a vivência da Palavra de Deus.

A Palavra de Deus é de fato anunciada aos catequizandos quando ajuda a clarear o Projeto de Deus para nós, hoje. Como?
1- Procurando comparar a Palavra de Deus com a REALIDADE em que vivemos. A situação de vida do povo é sempre o “chão” da leitura bíblica. Recorrer a Bíblia para iluminar o nosso hoje. Comparar as situações semelhantes do Povo de Deus com a nossa.
2- Todo texto da BÍBLIA deve ser aprofundado, levando em conta a situação do povo no tempo em que foi escrito, para iluminar a nossa situação hoje. O Estudo da Sagrada Escritura supõe tomar o Livro em nossas mãos e manejá-lo com muito gosto e interesse. O gosto pela Bíblia exige iniciação e prática.

AO CATEQUISTA CABE A TAREFA DE:
• dar uma introdução, levando o catequizando a ter conhecimento básico sobre a Bíblia e ensinar a manuseá-la;
• procurar que os catequizandos tenham conhecimento dos pontos importantes da História da Salvação;
• ajudar a confrontar a vida, seu comportamento, com a Palavra de Deus;
• esclarecer as dúvidas e dificuldades;
• despertar nos catequizandos o gosto pela Bíblia.

3- A Bíblia deve ser lida e refletida num grupo de fé e de oração, porque a Bíblia é o Livro da COMUNIDADE. A partir da comunidade o grupo vai se tornando, um grupo de amizade, de oração e de ação catequética.

Podemos comparar estes três elementos: Realidade – Bíblia – Comunidade com o tripé de uma mesa. Há necessidade dos três pezinhos para que a mesa fique firme.
A Bíblia na catequese pode ser usada com diferentes métodos. Um dos métodos é a leitura bíblica dos 4 LADOS. Este método ajuda a encarnar o texto bíblico numa realidade concreta.
Jesus viveu numa certa época, num país de determinada situação social – econômica – religiosa – política. Podemos analisar os textos bíblicos usando essa técnica que nos ajuda a unir a leitura bíblica com a realidade do povo da Bíblia.

Como era a situação da Palestina no tempo de Jesus?
Lado econômico: Como vivia o povo? O que comia? Quais os tipos de trabalho? O que produzia? Qual o salário? Quais os impostos? Quais eram os ricos e os pobres?
Lado social: Com quem Jesus se relacionava? Quais as classes de pessoas que existiam? Quais seus interesses?
Lado político: Quem estava no poder? Como o povo era organizado? Quais eram os partidos? Quais os conflitos?
Lado ideológico-religioso: O que as pessoas e os grupos sociais pensavam da vida? E da sociedade? O que pensavam da religião? Como praticavam a religião?
Lembremo-nos que o texto bíblico nunca é neutro; a partir de uma realidade há lutas, conflitos e esperanças.
Esse estudo ajuda a avaliar o método da leitura bíblica na nossa catequese.

Que a luz da Palavra de Deus seja luz para a nossa vida!

• Como usar a Bíblia na catequese? Trocar experiências com o grupo de catequistas.
• Analise com o grupo o 1º capítulo do Evangelho de Marcos e procure descobrir os seus quatro lados: econômico – social – político – religioso.

Fonte: Folheto Ecoando 8 – formação interativa com catequistas – Editora Paulus

Falando sobre Criação para os Jovens

dias-de-criacao

SABIA QUE…?

Deus não criou o mundo em sete dias

Você acredita que esse relato pode ser lido ao pé da letra, como se junto a Deus houvesse um repórter? O objetivo do relato não é narrar cientificamente a história da criação do mundo, história que se desconhece, mas afirmar que Deus é a origem de tudo, inclusive do tempo que foi preciso na criação. O autor emprega uma linguagem simbólica e poética para exprimir estas crenças provenientes da tradição sacerdotal. A sabedoria, o amor e o poder absoluto de Deus foram a origem de tudo. A fé não pode se opor à razão humana, pois Deus é a origem tanto da razão quanto da fé. Os investigadores que estudam com sinceridade as ciências, mesmo sem o propor, chegam à conclusão de que Deus criou todas as coisas. A Bíblia não proporciona dados arqueológicos nem científicos, mas fala da origem e do sentido da vida. Deus coroou sua obra tão variada e bela criando os seres humanos e entregando-lhes a criação para seu domínio e seu controle. Estas narrações respondem a perguntas comuns da humanidade: de onde venho? Para onde vou? Quando você ler a Bíblia, pense que Deus fez você por amor, acompanha você na viagem de sua vida e espera você no final dela com os braços abertos. Muito obrigado, Senhor! (Gn 1,1–2,4)

VIVA A PALAVRA

Somos o ponto culminante da criação Deus faz tudo benfeito, e nos fez pessoas à sua imagem e semelhança, com a finalidade de que possamos viver e nos relacionar com ele. A todos nós criou com a mesma dignidade, homens e mulheres, de cores negra, amarela, branca e vermelha… e também os mestiços e mulatos. Todos refletimos a beleza e a grandeza de Deus; ninguém possui o modelo exclusivo de beleza nem a máxima inteligência, nem o amor por excelência, pois nenhum grupo humano pode monopolizar a semelhança com Deus. Tal semelhança com Deus, e o fato de que só conosco compartilhou seus atributos, nos faz o ponto culminante da criação. Deu-nos liberdade para escolher o caminho da vida, capacidade de amar, conhecer, analisar, procriar e transformar. Desde o princípio estabeleceu um diálogo conosco, coisa que não fez com o resto da criação. Reveja os parágrafos anteriores e:

  • Identifique duas verdades que mais afirmam sua autoestima, a verdade que mais desafia você a mudar de atitudes e de condutas, e a verdade que o faz agradecer mais a Deus a maravilha que você é.
  • Faça uma oração de louvor e agradecimento por você ser quem é; e uma pedindo para usar bem sua liberdade e desenvolver suas capacidades ao colocá-las em ação, procurando cada vez ser mais semelhante a Deus. (Gn 1,26-28)

REFLITA

Criados por amor e para amar

No princípio Deus criou o céu e a terra […] (Gn 1,1). Este pequeno versículo é fundamental em nossa fé. O universo não foi criado por acidente, nem somos uma série de átomos unidos ao acaso ou uma combinação casual de circunstâncias cósmicas. Deus o criou como expressão dinâmica e criadora de seu amor, e nos criou para que amemos a terra, a água, os animais… e, sobretudo, o povo, e assim vivamos em harmonia com ele e com a criação. A criação vem do Amor e pede amor. Como você sente o amor de Deus através de toda a criação? Quanto você ama as criaturas de Deus? (Gn 2,4)

PERSPECTIVA CATÓLICA

Um dia para o Senhor

O Gênesis apresenta a criação em sete etapas, que chama dias. O sétimo dia Deus descansou, abençoou o dia e o consagrou com seu descanso. Os judeus consagravam o sábado a Deus. Os cristãos lhe consagramos o domingo, “o primeiro dia da semana” (Mt 28,1), porque Jesus ressuscitou nesse dia. Domingo provém do latim dominica dies, que quer dizer “dia do Senhor”. O trabalho e o descanso são nossa vida e ambos nos unem a Deus. Ao trabalhar colaboramos com Deus em sua criação. Ao descansar podemos dedicar-lhe tempo e recordar-nos de que somos livres e não devemos ser escravos do trabalho. Nós católicos celebramos em família a eucaristia dominical. Nela proclamamos a alegria da criação e o descanso de Deus quando viu que tudo era muito bom (Gn 1,31). A Igreja nos pede que dediquemos o domingo a honrar a Deus em um ato de confiança nele. Quando por razões de força maior necessitamos trabalhar no domingo, é importante dedicar o dia do trabalho a Deus de maneira especial e, se for possível, consagrar-lhe um dia durante a semana. Como você honra o domingo? (Gn 2,1-3)

SABIA QUE…?

Deus é meu criador: sou obra sua

Leia Gênesis 2, o qual apresenta um segundo relato da criação do universo. Deixe-se levar pela beleza e pela profundidade das imagens desse relato javista. O pó da terra e o sopro divino indicam que o ser humano é matéria e espírito; um corpo animado por uma alma imortal, com desejos de voltar para Deus. “Fizeste-nos para ti, e nosso coração não encontra repouso até chegar a ti”, diz Santo Agostinho.

  • A criação da mulher da costela do homem simboliza que ambos temos igual dignidade, sem distinção de sexo, idade, raça ou grau de educação. Mostra que a unidade do casal é a comunhão mais íntima entre as pessoas.
  • Deus faz desfilar os animais diante do ser humano para que lhes dê nome, pois dar nome era sinal de poder e de autoridade. Todas as coisas foram criadas para o ser humano, que é responsável por elas, pelo que devemos usá-las com respeito e amor. Nessa verdade se apoia a ecologia, ou ciência que cuida do equilíbrio da criação. Busque o Salmo 8, medite-o em seu coração e ore com suas ideias e palavras. (Gn 2,4-5)

PERSPECTIVA CATÓLICA

O pecado original rompeu a relação com Deus

Com imagens vivas, próprias de um relato popular, o Gênesis narra como o pecado introduz o sofrimento e a morte na criação, onde tudo era muito bom (Gn 1,31). Ao criar o ser humano à sua imagem e semelhança, Deus estabeleceu uma aliança de amor com a humanidade. O amor nasce livremente do coração e não pode ser forçado; por isso, quando Adão e Eva desobedecem a Deus, rompem sua relação de amor com ele, cometendo o pecado original, o primeiro pecado da história. Dessa primeira separação de Deus deriva nossa tendência a usar mal a liberdade e a não responder positivamente a seu amor. O pecado nos afasta de Deus quando, em detrimento dele, preferimos a nós mesmos, o que traz consequências de sofrimento e morte. Mas o bem e o amor de Deus triunfam sobre o mal, ideia representada na derrota sofrida pela serpente, símbolo do mal, por meio de uma mulher (Gn 3,15). Não se deixe abater pelo mal que existe ao seu redor, porque Deus enviou Jesus justamente para nos livrar do pecado e dar-nos a vida eterna. Ao contrário, empregue bem sua liberdade; volte sua mente e seu coração para Deus, e sinta-se acolhido pelos braços amorosos do Criador. (Gn 3,1-24)

(Fonte – Bíblia Católica Jovem Ave Maria)