Fazei-nos, Senhor, mestres em tua Sabedoria

(Vandeia Ramos)

Estamos começando a Semana Bíblica em muitas paróquias. O livro de estudo proposto é o da Sabedoria, trecho da primeira leitura deste domingo. Ele nos lembra que precisamos ser sábios. Mas o que significa a sabedoria? De modo geral, ela passa pela observação da realidade, da criação, a reflexão tentando entender como esta realidade se dá e uma ação a partir deste conhecimento.
Não é o que acontece conosco nas turmas de catequese? Primeiro observamos nossos catecúmenos, suas famílias, o que ajuda e o que atrapalha nos ensinamentos. Depois procuramos entender porque seus comportamentos e atitudes são como são. Assim podemos elaborar as atividades e as falas que melhor possam apresentar a fé para eles.
Esta sabedoria, também presente no mundo, começa assim em Israel e vai amadurecendo de acordo com as dificuldades que o Povo de Deus enfrenta. Quando chegamos nos livros sapienciais, o contato maduro com outros povos ajuda o sábio a entender que a sabedoria é fruto do amor de Deus e que se pode chegar a Ele através tanto da reflexão da fé como da compreensão de como a criação se organiza. Aqui temos a razão como acesso ao diálogo com os diferentes de nossa fé.
No Novo Testamento, temos as parábolas sapienciais de Jesus. São Paulo (1Cor 1, 20-21) contrapõe a sabedoria da cruz à sabedoria do mundo. Mateus identifica Jesus com a sabedoria (Mt 11, 19). Só que aí vem Tiago e expõe nossas feridas: há inveja e rivalidades entre nós, em nós. Ele questiona nossa atitude de cristãos, portadores da Sabedoria Encarnada, que, em vez de aprendermos a testemunhar esta nossa identidade, ficamos desconfiados de quem ocupa posição de coordenação e de autoridade. Queremos posições de liderança, mas não queremos assumir a responsabilidade nem do que nos cabe, quanto mais de uma situação que mais exigente.
Somos pessoas privilegiadas. Deus nos chamou para sermos sua voz junto às nossas crianças, jovens e adultos, a sermos mestres em sua sabedoria. Pela responsabilidade com nosso serviço, somos impelidos a aprender para melhor ensinar. E também aprendemos a nos mantermos na infância espiritual, que garante a entrada do céu, a sustentarmos nossa juventude por mais tempo, a percebermos as dores, alegrias e sofrimentos que os adultos trazem consigo e que não desistem de continuar.
Na sequência de nossas catequeses, vamos aprendendo o que precisamos ensinar e a ser gente com outras gentes. A sermos os que servem à nova geração. A acolher a todos, independente das dificuldades que trazem. A ficarmos atentos ao que é necessário e ao que nos cabe intervir para que tudo dê certo. Assim, ser catequista é alguém que frequenta a escola de Sabedoria de Deus.
Entre os orgulhosos e violentos, muitas vezes nós entre eles, vamos aprendendo no cotidiano de nosso servir a fazê-lo muitas vezes com o sacrifício de nosso coração, nosso tempo, nossas dificuldades, aprendendo a testemunhar que “é o Senhor que sustenta minha vida!”.

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E você, catequista, quem dizes que sou?

(Vandeia Ramos)

Sabemos que uns dos maiores desafios que a Igreja tem hoje é que o Evangelho seja anunciado com a nossa vida. Assim, considerar o mês de setembro como o mês da Bíblia é buscar entender com a nossa vida o que Deus quer falar a nós e através de nós. E voltamos à pergunta de Jesus: e nós, quem dizemos que Jesus é? A continuação do evangelho destaca que não podemos dissociar a Pessoa de Jesus com sua obra, culminada na cruz e na ressurreição.
Escutar a Palavra de Deus é deixar que ela caia em nosso coração e modifique quem somos. Ter fé é associar o que acreditamos ao que fazemos. Ser cristão é ser outro Cristo. E isso envolve o catequista de modo especial, principalmente no anúncio do que seja Verdade. Não a minha ou a sua. Não o que achamos que seja. Anunciar a Verdade é anunciar Jesus Cristo. E com toda a nossa pessoa.
Ser cristão é carregar a própria cruz, e não arrastá-la. É saber que precisamos estar prontos para ser sovado como pão, para que o fermento possa agir e sermos alimento para os nossos. E, no momento das dificuldades estarmos prontos para dizer: Eis-me aqui, Senhor, envia-me (Is 6, 8). Isso significa que, em nossas atividades diárias vamos ser confrontados em nossa pessoa, em nossa fé. Aqui temos duas questões importantes:
– o martírio e a perseguição: pelas pessoas próximas, mídias sociais, diferentes âmbitos… Papa Francisco nos lembra que cristão se faz humilde nas humilhações, que nos faz parecer com Jesus em sua cruz. Aqui está o salto de fé: aceitar-se ou não ser moldado. Sabemos que é este o anúncio evangélico, mas o quanto somos surpreendidos com esta simples ideia? Quem achamos que Jesus é? O que vai formar um governo na terra como Reino de Deus? Esperamos uma teocracia em que os cristãos vão assumir, por serem cristãos, posições no governo? Ou já conseguimos ver que o Caminho Jesus é o que Deus se manifesta em nós e através de nós em nossa capacidade de suportar as dores e sofrimentos do mundo? Precisamos aprender a ouvir seus dramas dos nossos catecúmenos e, através deles, ver o sentido da ação de Deus – aqui está o anúncio do Evangelho.
– Deus é meu Auxílio: diante de tantas questões que enfrentamos, quem dizeis que sou? Isaías e Marcos colocam esta relação de Deus que se revela justamente nos que sofrem sua cruz sabendo que há alguém que sustenta. Não precisamos discutir, rebater, brigar, agredir. Temos um Auxiliador que é por nós. Daí o silêncio. Nele, é Ele quem fala através de nós, em nós.
Só então vamos poder anunciar com o testemunho de nossa vida que andamos na presença de Deus, que não temos medo de enfrentar a vida com toda a sua beleza e dificuldades. Em um mundo perdido em si, em que nossas crianças e jovens buscam sentido no que lhes esvazia, é preciso anunciar: “Eu amo o Senhor, porque ouve o grito da minha oração”.

Jesus Cristo: Palavra humana que responde a Deus

(Vandeia Ramos)

No mês de setembro estamos acompanhando a importância da Sagrada Escritura na nossa vida. Semana passada vimos que, da primeira à última página, Deus nos chama a ouvi-lo. E hoje vamos refletir sobre nossa resposta.
Muitas vezes vivemos como surdos a Deus. Discordamos de várias de suas orientações, queremos que as coisas se realizem como acreditamos, como se nós pudéssemos ser referência para toda a humanidade. Não é que não acreditemos, mas que não conseguimos entender o alcance do que nos pede, da beleza de todo seu plano de amor, tão envolvidos estamos nos problemas nossos de cada dia. E, se vivemos realmente buscando, começamos a entender que sozinhos não conseguimos. Precisamos de ajuda. E começamos a pedir a Ele.
E nossos catecúmenos nos são apresentados. Cada um traz dramas próprios de sua condição, natureza, família. Temos a tendência a não querer ouvir, a sermos guias cegos de outros cegos, que devem confiar no que nós falamos. Quantas vezes temos dificuldades com os que nos apresentam problemas que não conseguimos sequer parar para ouvir? Quantas vezes algum comportamento específico nos causa resistência? Quantas vezes queremos escolher o que consideramos melhor, mais fácil ou mais simples? Mas foi isso que fomos chamados a fazer? E o que devemos então fazer?
Enquanto equipe de iniciação cristã, cabe a nós reunirmo-nos com os demais e partilhar nossas dificuldades. O trabalho se faz em comunidade e em comunhão. E, como equipe que traz junta a responsabilidade de todos, irmos ao encontro de Jesus. Fico pensando sobre o Evangelho de hoje se, ao curar o homem surdo, o quanto Jesus também não está nos curando quanto às suas palavras. E o “ouve, Israel” ressoa em nosso coração, como o chamado permanente a ouvir a Palavra.
A língua do homem também é solta. Não para ficar reclamando, vendo a dificuldade acima da graça, o pecado acima da benção. Também aqui, quando os amigos o levam a Jesus, não poderia ser nós levando nossos catecúmenos? Quem é que sai bendizendo a Deus depois, não são todos?
No fundo, ser catequista não é testemunhar não só a experiência que trazemos com Deus como acompanharmos dando graças o que Ele faz na vida daqueles que nos são postos sob nossa responsabilidade? Acho muito bonito como Deus, para fazer sua obra, quer não só que participemos dela, mas que, de algum modo, ainda sejamos vistos através dela.
Assim, podemos cantar juntos, catequistas e catecúmenos: “Bendize minha alma, ao Senhor. Bendirei ao Senhor toda a vida!”

“Ouve, Israel”: a Bíblia é Palavra de Deus

(Vandeia Ramos)

É mês da Bíblia e nossa atenção se volta de modo especial para a Sagrada Escritura. Que ela ajude a configurar nossa vida, nosso falar, nosso ser, a Deus.
Do Gênesis ao Apocalipse transpassa o “ouve, Israel”. Da orientação do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal passando pelos mandamentos, pelos profetas e culminando na Palavra que se encarna, primeiro o Logos, o próprio Jesus Cristo, e depois, através do Espírito Santo, em cada um de nós, Igreja, até a batalha final do Apocalipse e, finalmente, Maranatá.
É a Palavra que edifica, que nos torna sábios e inteligente. Enquanto pessoa, família, catequista, Igreja, cidadão. Ela é o caminho para compreendermos a relação entre o “amar a Deus sobre todas as coisas” e o “amai ao próximo como a ti mesmo”. É o ouvir, confiar, seguir que nos coloca a caminho da casa do Senhor, no seu monte santo.
Ouvir a Sagrada Escritura não é só com os ouvidos. Não é entrar por um e sair pelo outro. Ouvir é acolher no coração, órgão que bombeia o sangue, e a Palavra, para todo o corpo. Ouvir a Palavra é deixar-se configurar pelo que ela anuncia: a Boa Nova.
Ouvir a Palavra é exercitar o dom da sabedoria e o dom da ciência, para distinguir o que é costume dos homens e verdade de Deus. É saber sempre voltar ao amor primeiro, ao primeiro anúncio, ao “princípio”, para podermos olhar para o fim último nosso: o amor de Deus.
Este amor é vivido de diferentes modos ao longo da história. De que modo ele melhor pode ser anunciado hoje? O que podemos deixar para trás, porque foram expressões do tempo, e o que precisamos afirmar sempre, porque toca a eternidade? Este é o desafio da iniciação cristã hoje.
Jesus é o Logos, a Palavra-Ato. Tudo que Ele disse, Ele fez. É todo do Pai. Neste ser no mundo que nos ensinou o caminho.
Assim, Jesus é o Catequista Primeiro. Ele anuncia o que vive e vive o que anuncia. Por isso pode se colocar como “caminho, verdade e vida”. São Paulo segue e diz que “já não sou que vivo, mas Cristo que vive em mim”.
Não há catequese sem configurar-se à Palavra, de fazer da própria vida o anúncio de Jesus Cristo, vivo e atuante no mundo através de cada um de nós, Igreja.
Que o Espírito Santo nos configure também em Palavra de Deus no mundo, para que nosso servir catequético seja sempre a dinâmica entre o ouvir com o coração e o viver-anunciar Jesus ao mundo.

Jesus ensina a ler a Bíblia

Ouvi muitas pessoas dizerem que começaram a leitura da Bíblia e desistiram por não compreender o que estava escrito. E que o modo de Deus agir é difícil de assimilar pois se manifesta castigando, vingando…, por outro lado, falava às pessoas e hoje parece ter-se calado. Mesmo assim, em Setembro, mês da Bíblia, somos chamados pela Igreja, a nos aproximar das Escrituras. Mas como fazê-lo de uma maneira que não nos assuste e não nos desanime e tenha sentido para a nossa vida e nossa caminhada?

“As palavras que vos disse são espírito e vida” (Jo 6,63b)
Jesus mesmo nos ajuda a compreendermos as características da Palavra ao dizer que ela é espírito e vida. É próprio do espírito o seu caráter dinâmico, pois é sopro (ruah), vento, livre, maleável, de tal modo que não se pode prendê-lo, enquadrá-lo. Portanto, é uma realidade dinâmica que precisa ser captada no hoje da nossa existência e não congelado em um passado distante e incompreensível. É no presente das pessoas e comunidades que ele se transforma em vida. A Palavra deixa de ser um corpo estranho se a percebermos como ação de Deus geradora de vida: “Faça-se … e fez-se…” . Deus continua a vir até nós com sua Palavra criadora, esta palavra atravessa e ultrapassa a Bíblia. Hoje ela continua a ser dinâmica (espírito) e criadora(vida). Se é assim, então para que recorremos ao texto bíblico? “Não ardia o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, quando nos explicava as escrituras?” (Lc 24,32)

As escrituras precisam ser entendidas no caminho, na vida cotidiana. Nos ensina Carlos Mesters que na Bíblia há tudo o que faz chorar e sorrir, ou seja, a existência que se manifesta na alegria, na festa, na dança, na reza, na luta, na dor, na derrota, no recomeço… . Jesus mostra aos discípulos de Emaús, caminhando com eles, que a escritura ganha sentido quando iluminada pela vida concreta. E aquela por sua vez ajuda a encontrar o sentido mais profundo da vida. Jesus, que continua sua caminhada conosco, é o exegeta a mostrar que temos que misturar a Vida com a Bíblia e a Bíblia com a nossa Vida para podermos compreendê-la, e para que o nosso coração possa arder.

“…é semelhante a um pai de família que do seu tesouro tira coisas novas e velhas.” (Mt 13,52)
Novamente Jesus nos dá o utro indicativo interessante para lermos a Bíblia e a Vida. Deve ser lida na perspectiva do reinado de Deus que se faz concreto na vida do seu povo. Jesus aponta que aquele que está dentro da perspectiva do Reino, é como um pai de família que tira coisas novas e velhas do seu tesouro. O maior tesouro que temos é a vida. Isso me faz comparar a Bíblia e a vida com uma colcha de retalhos, também feita de panos novos e velhos. Fazer uma colcha de retalhos exige paciência para ir juntando, aos poucos, os pedaços antigos e guardando os novos sem deixá-los se perder; exige sensibilidade e criatividade para dispor as cores de maneira harmoniosa, separar o que presta e o que deve ser descartado e por último habilidade para costurar tudo em uma única nova peça. O povo de Deus na Bíblia também faz como quem monta colcha de retalhos. Junta histórias antigas, cânticos, preces, mitos, narrativas de libertação, ditados, profecias, atas, novelas…, que são importantes para entender e dar sentido à sua vida e à sua história, e agrupam tudo em uma grande colcha, a Bíblia. Quando lemos um livro da Bíblia percebemos ali várias histórias, de várias épocas, basta observar a quantidade de citações de outros livros que aparecem num só livro. Jesus também foi um mestre na arte de fazer colcha de retalhos, por exemplo ao dizer que dava um novo mandamento aos seus discípulos de amarem-se uns aos outros, citando um texto antigo do Lv 19,18.

“…quem escuta a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna…” (Jo 5,24)
Uma colcha de retalhos é nova, embora os tecidos que estão nela costurados são de diversas épocas, tamanhos e cores. Qual é, então, a costura que faz com que possamos chamar de Palavra de Deus experiências de vida tão diversas como as encontradas nos diferentes livros da Bíblia? E qual é a costura que une as diversas dimensões de nossas vidas? Mais uma vez Jesus nos mostra a saída. É a fé no Deus da vida e da história, a certeza de que Ele caminha conosco e caminhou com o povo da Bíblia que costura e que torna nova e bela as diversas realidades humanas tocadas por Deus. É a fé que une o local e o universal, o presente ao passado e ao futuro, abre espaços e rompe limites, até os da morte.

“Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste essas coisas aos sábios e doutores e as
revelaste aos pequeninos.” (Mt 11,25)

Em toda a história do povo de Deus e na vida de Jesus, os pequenos, pobres, excluídos de todos os tipos, foram aqueles que estiveram abertos para o Reino. E Deus sempre fez opção preferencial por aqueles que não tinham nenhuma perspectiva do ponto de vista econômico, político, religioso e social. São esses os primeiros a seguir Jesus. Assim, eles são critério para compreender o modo de Deus agir na Bíblia e na Vida. A leitura da Bíblia e a leitura da Vida precisa ser com e através dos pobres hoje, dos excluídos; para que tenha um mínimo de fidelidade ao projeto sonhado por Deus.

“Jesus fez ainda, diante de seus discípulos, muitos outros sinais, que não se acham escritos neste livro.” (Jo 20,30)
Jesus continua a caminhar diante de seus discípulos e continua a fazer muitos sinais. Voltamos a perceber que a Palavra de Deus atravessa mas, não se esgota na Bíblia. É preciso que agucemos nossa sensibilidade, fortaleçamos nossa fé e nosso compromisso com os excluídos para ler o grande livro da vida, iluminados pela Bíblia que Deus continua a escrever. Todos somos chamados a sermos criativos em reunir retalhos velhos e novos, e com eles continuar na tarefa de tecer a colcha do Reino de Deus e da nossa vida, onde todos possam agasalhar-se.

(Escrito por: Pe. Álvaro Macagnan)

Mês da Bíblia – parte 2

COMO LER A BÍBLIA?

a. A Bíblia é a oração mais completa que existe.

b. O verdadeiro Cristão deve ter uma, e usá-la todo dia, não como um enfeite ou amuleto, aberto no Salmo 90 e esquecida em cima de um móvel. Deve ser lida, meditada, orada e escutada. O Espírito Santo transmite a voz de Deus através das Escrituras Sagradas. Todo dia Jesus nos fala diretamente ao coração.

c. Selecione a leitura. Há várias formas de se fazer isto… Você pode seguir a sugestão da Igreja e ler as leituras selecionadas para o tempo litúrgico em que estiver (algumas Bíblias trazem essa seleção de textos em apêndice no final do volume) ou ler a Bíblia na forma seqüencial, a partir do primeiro livro (neste caso, particularmente sugiro que se inicie pelo Novo Testamento – por ser mais dinâmico – para só depois se passar para o Antigo Testamento).

d. Leia com atenção – sem pressa e meditando – cada versículo. Não se incomode de precisar voltar a ler alguma passagem não muito clara. Releia todo o texto mais uma ou duas vezes, pois sempre acabamos percebendo algo que deixamos escapar na leitura anterior…

e. Identifique-se com os personagens em cada cena. Se estiver lendo os Evangelhos, coloque-se no lugar do sofredor Lázaro, no lugar de Mateus convidando Jesus para uma refeição…

f. Considere tudo o que Jesus fala como diretamente dirigido a você. Ao ler as epístolas, além da voz do Apóstolo e do Espírito Santo, reconheça a voz da Igreja, exortando-o a aumentar e amadurecer a fé.

Faça estudo tomando nota das passagens que mais o tocam. Neste ponto, sugere-se que se utilize o método do Pe. Jonas Abib, dividindo as citações em cinco pontos:

I. Promessas: é tudo aquilo que Deus promete àqueles que cumprem (ouvem e praticam) a Sua Palavra. São promessas em que podemos seguramente confiar. Ex.: “Onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou no meio deles” (Mt 18,20); v.tb.: Jo 1,12; Lc 11,13; Ef 6,8;

II. Ordens: são os mandamentos que devemos obedecer durante a nossa vida, onde demonstramos a nossa fidelidade a Deus. Ex.: “Amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado” (Jo 13,34); v.tb.: Mt 5,37; Mc 16,15; Lc 6,27-28;

III. Princípios Eternos: são as leis que regem o Reino de Deus e não devem ser confundidos com as ordens. São os segredos do funcionamento do Reino. Ex.: “Para os puros, todas as coisas são puras. Para os corruptos e descrentes, nada é puro; até sua mente e consciência são corrompidas” (Tt 1,15); v.tb.: Lc 6,36; 18,14; 1Tm 6,7;

IV. Mensagem de Deus para Hoje: certamente Deus tem uma mensagem para você. Faça de maneira pessoal, com suas próprias palavras; e

V. Como Aplicar a Leitura na Vida

COMO APLICAR A LEITURA NA VIDA?

É a parte mais pessoal e mais concreta. Anote e coloque em prática tudo o que descobrir. É a maneira decisiva para mudar o comportamento (ser e agir) e o relacionamento com Deus –

EM RESUMO:

(como sugere Frei Ignácio Larrañaga na pedagogia das Oficinas de Oração e Vida)

a. Ler a Palavra lentamente;

b. Saboreá-la gozosamente;

c. Meditá-la cordialmente;

d. Que a Palavra seja para você:

· lâmpada: que ilumine seu caminho

· pão: que alimente sua alma

· fogo: que incendeie o fervor

· rota: que o conduza à salvação

· pulsar: que anime seu espírito

· vida: que jamais acabará

· Dedique um tempo diário para estudar e meditar a Bíblia: pode ser pela manhã, logo após acordar; ou, depois do almoço ou da janta; ou antes de dormir; ou, ainda, qualquer outro horário que se adapte ao seu tempo livre. A quantidade de tempo também pode ser livremente estabelecida: 10, 30, 60 minutos ou mais. Quanto mais tempo você tiver, melhor! Porém, divida o tempo total para as duas atividades que devem ser feitas: leitura e estudo. O ideal é dividir na ordem de 1/3 e 2/3, respectivamente. Assim, se você resolver dedicar 15 minutos diários, use 5 minutos para leitura e 10 minutos para o estudo. Após estabelecer o horário que melhor o satisfaça, cumpra-o rigorosamente, não esquecendo nem adiando nenhum dia, mesmo que se sinta cansado. Lembre-se: devemos amar a Deus sobre todas as coisas!

Se você não tiver uma Bíblia, adquira uma. Compre, entretanto, em livrarias católicas pois as versões comercializadas por livrarias evangélicas são incompletas quanto ao Antigo Testamento (faltam 7 livros e alguns trechos de Ester e Daniel). Existem Bíblias com uma linguagem mais simples (ex.: “Bíblia Ave Maria”) e outras mais técnicas (ex: “Bíblia de Jerusalém”); leve aquela que esteja dentro da sua linguagem e das suas condições. Além disso, compre um caderno e também um comentário bíblico. As editoras católicas disponibilizam diversos comentários, dos mais simples aos mais completos. Folheie-os com calma e encontre um que atenda seus requisitos de linguagem e complexidade.
Adquirido o material e chegada a hora do estudo, com a Bíblia nas mãos, inicie com uma oração ao Espírito Santo, pedindo para que o ilumine. Pode ser a seguinte ou uma outra semelhante e espontânea:

Espírito Santo: Tu inspiraste estas palavras. Ilumina a minha mente para que eu possa compreendê-las. Vem, Espírito Santo, ilumina o meu coração e o meu entendimento. Ajuda-me a reconhecer a Verdade eterna que preciso para agradar a Deus. Amém.”

Selecione a leitura.

Leia com atenção – sem pressa e meditativamente – cada versículo. Não se incomode de precisar voltar a ler alguma passagem não muito clara. Releia todo o texto mais uma ou duas vezes, pois sempre acabamos percebendo algo que deixamos escapar na leitura anterior…
Considere tudo o que Jesus fala como diretamente dirigido a você. Ao ler as epístolas, além da voz do Apóstolo e do Espírito Santo, reconheça a voz da Igreja, exortando-o a aumentar e amadurecer a fé.

Termine a leitura também com uma oração ao Espírito Santo, como, por exemplo:

“Fala, Senhor: teu servo está te ouvindo. Aqui estou, Senhor!”, ou “Senhor: aqui estamos, Tu e eu, juntos agora. Fala-me, pois eu te escuto! Amém”. Faça, então, um breve silêncio.

Inicie o estudo lendo com calma e atenção o comentário sobre o texto lido. Leia também todas as notas de rodapé existentes na sua Bíblia: elas são importantes principalmente para os pontos mais obscuros.

Prossiga o estudo tomando nota das passagens que mais o tocam. Neste ponto, sugiro que se utilize o método do Pe. Jonas Abib, dividindo as citações em cinco pontos:

1. Promessas: é tudo aquilo que Deus promete àqueles que cumprem (ouvem e praticam) a Sua Palavra. São promessas em que podemos seguramente confiar.

2. Ex.: “Onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou no meio deles” (Mt 18,20); v.tb.: Jo 1,12; Lc 11,13; Ef 6,8.

3. Ordens: são os mandamentos que devemos obedecer durante a nossa vida, onde demonstramos a nossa fidelidade a Deus. Ex.: “Amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado” (Jo 13,34); v.tb.: Mt 5,37; Mc 16,15; Lc 6,27-28.

4. Princípios Eternos: são as leis que regem o Reino de Deus e não devem ser confundidos com as ordens. São os segredos do funcionamento do Reino. Ex.: “Para os puros, todas as coisas são puras. Para os corruptos e descrentes, nada é puro; até sua mente e consciência são corrompidas” (Tt 1,15); v.tb.: Lc 6,36; 18,14; 1Tm 6,7.

5. Mensagem de Deus para Hoje: certamente Deus tem uma mensagem para você. Faça de maneira pessoal, com suas próprias palavras.

6. Como Aplicar a Leitura na Vida: é a parte mais pessoal e mais concreta. Anote e coloque em prática tudo o que descobrir. É a maneira decisiva para mudar o comportamento (ser e agir) e o relacionamento com Deus.

· Para terminar o estudo, releia o comentário bíblico e as suas anotações. Observe, então, a incrível unidade que existe entre eles. Se você quiser – e é altamente recomendado! – tente relembrar a leitura do dia anterior; se possível, memorize o versículo principal, o núcleo da mensagem.

Termine o seu “dever de casa” com uma oração espontâneaagradecendo a Deus pelas descobertas do dia e certo de ter aumentado a sua intimidade com Ele.

Lembre-se sempre: Não caia no erro de querer ler somente a Bíblia sem a ajuda da Igreja, achando que pode interpretá-la de forma particular. Essa tese é protestante e anti-bíblica. Foi por causa disso que o sectarismo se instalou no mundo cristão, existindo hoje mais de 20.000 denominações – todas elas com mensagens “muito particulares” e distintas umas das outras.
Regras de Ouro para ler a Bíblia:

1. Leia a Bíblia todos os dias

2. Tenha uma hora marcada para a Leitura

3. Marque a duração da Leitura

4. Escolha um bom lugar

5. Leia com lápis ou caneta na mão

6. Faça tudo em espírito de oração