O Catequista e a Palavra

(Vandeia Ramos)

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O Evangelho de hoje nos perturba e o alcance não é simples. Se pararmos para agradecer, vamos nos perceber como o rico, que tanto tinha. No nosso caso, o que temos é dom recebido por Deus. Recebemos a missão de anunciar a Palavra, de evangelizar. Somos responsáveis por catecúmenos e muito do que os cerca. Existe uma linha tênue neste privilégio, entre o serviço e o orgulho, entre reconhecer-se como servo inútil e possuidor do Reino, entre ser o administrador fiel e achar que o céu já é garantido, confundindo valores.
Na confusão em que facilmente caímos pelo orgulho, consideramos que o rico ainda tenha algo de bom ao se preocupar com os irmãos. Então, parece que seu lugar eterno quase chega a ser injusto, causando-nos certo desconforto.
No livro O Diálogo, de Santa Catarina de Siena, em sua relação mística com o Pai, ela pergunta sobre. A resposta surpreende: caso algum irmão vá para o inferno devido ao descaminho ensinado pelo rico, ele seria o responsável e responderia também. Do mesmo modo que nossos catecúmenos podem se tornar pessoas melhores pelo ensinamento da Palavra através de nossa mediação e, portanto, participamos mesmo que indiretamente de sua bondade, o que desencaminha também responderá.
Também podemos reportar sobre Jesus que, mesmo Ressuscitado, não é o suficiente para a fé de muitos. O Senhor, na cruz, diz que “tudo está consumado”. Tudo Ele fez, tudo Ele deu, até a Si mesmo. Mas, para muitas pessoas, não é o suficiente. O livre arbítrio que permite que não escolhamos a Deus é um mistério.
Aqui precisamos tomar muito cuidado para que não consideremos que somos mais que outros porque estamos a mais tempo na caminhada, porque tivemos mais oportunidades de crescer espiritualmente, de achar que o céu nos está garantido e podemos relaxar e só esperar a hora, desperdiçando os bens que nos foram confiados.
Para que ir à missa? Para que se confessar periodicamente? Para que buscar aprofundar o que sabe? Para que se preocupar com a própria santidade? Para que servir na comunidade? Para que pensarmos em missão no mundo através de uma profissão pelo bem comum, se o salário e as condições não for o que achamos que merecemos? Entre servir o mundo e se servir do que o mundo tem a oferecer é uma linha estreita, que nos apresenta se consideramos os demais realmente como irmãos ou como pessoas que disputam benefícios conosco.
Irmãos catequistas, precisamos guardar nossa missão, não como dom que colocamos de lado, e sim com integridade do melhor serviço que podemos fazer, dando-nos a nós mesmo na catequese, no estudo, nas orações, na preparação pessoal, na vida de fé, no exercício profissional em prol do bem comum, “para que eu trabalhe e o outro descanse”.
Além de termos a memória de Sâo Jerônimo, que teve a missão de traduzir a bíblia para o latim possibilitando o maior acesso à Palavra de Deus, também celebramos os arcanjos Miguel, Rafael e Gabriel. Na hierarquia de serviço que nos apresentam, em que “maior é o que serve”, sabemos que vamos ao que nos é apresentado acompanhados. “Quem como Deus”, “Deus cura” e “fortaleza de Deus” nos lembram que temos tudo o que precisamos: a graça.
Com os anjos e santos, podemos viver no serviço à Palavra através da catequese e de toda nossa vida, confiando que somos tão cuidados que podemos também cuidar uns dos outros, com atenção especial aos que mais precisam. É este amor que nos sustenta e nos guia que anunciamos, a Palavra que se encarna no mundo através de nós.
É o modo que Deus escolheu para que recebamos sua graça, através do anúncio Dele em nossa vida, no testemunho cotidiano. Através de cada um de nós, o Reino está no mundo, em nós. Bendigamos todos juntos a este Deus que nos escolheu para se tornar presente na humanidade.

Catequista, guardião do Amor

(Vandeia Ramos)

“SE me amas, guardará a minha Palavra…” A relação entre nós e Jesus é uma relação de amor. E, quem ama, ouve o que o Amado diz, confia, se enamora, sabe-se cuidado e bem orientado. Quem ama, guarda. E o Amado permanece em quem ama. E a vida ganha uma luz própria, de quem traz em si um segredo que só compreende quem também o tem.
Deus não se dá em partes, Ele se doa totalmente, enquanto Trindade: o Pai que envia o Filho e ambos, o Espírito. Primeiro vivemos nesta realidade, e só depois vamos compreender. Com auxílio do Espírito, recordando toda a ação de Deus em nossa vida. Iluminados no Amor, vamos aprendendo como não só a sermos amados, mas também a amar. E este amor vai sendo dirigido aos que estão à nossa volta.
Entre ser amado e amar, encontramos a paz. Não a paz de quem acumula coisas, de quem acredita ter tudo o que deseja, de quem sustenta relações com pessoas queridas. A paz que vem do céu envolve a tranquilidade de quem se sabe cuidado e que traz a presença de Deus em si. E isso é algo que nada nem ninguém pode retirar, perturbar, intimidar, sendo fonte permanente de uma alegria que enfrenta as dificuldades e os dramas da vida.
Nesta relação de ternura, ao se revelar, Jesus revela seus segredos. Ele conta para nós o que devemos esperar em sermos seus discípulos. Que sua retirada temporária significa um Dom maior para nós. Assim, podemos sustentar sua ausência em alguns momentos, como na Noite Escura, de São João da Cruz, pois é o caminho para a alegria do retorno. O amor faz com que possamos ouvir sobre o afastamento e esperar confiantes pelo retorno.
Aqui encontramos muitos que não se encontram nesta relação, alguns com uma concepção legalista do certo ou errado, na lei ou fora, que ficam impondo fardos pesados aos demais. O amor confiante é distorcido em uma série de preceitos com fim em si mesmos. A orientação terna para a Civilização do Amor se torna rígida e moralizante. Assim, a confusão entre orientações cresce e ameaça a unidade da Igreja. Uma rápida pesquisa na internet podemos identificar várias situações como esta.
Aqui também encontramos a referência à unidade e a centralidade da fé. Paulo e Barnabé, como nossos bispos, ao encontrarem situações controversas, não tomam a si mesmos como referências. Eles vão aos demais e, juntos, com auxílio do Espírito Santo, fazem o devido discernimento sobre a questão apresentada. É bonito o encontro e as deliberações, como a resposta que o Concílio de Jerusalém oferece para os cristãos de todos os tempos: frente ao transtorno que orientações indevidas suscitou, em unidade, valorizando o serviço dos discípulos que verdadeiramente atuam em nome de Jesus, enviam outros dois discípulos, afirmando a fé única, não como um fardo, mas como uma relação coerente de amor.
Na vivência desta realidade tão comum em nossas comunidades, em que elaboramos instrumentos como reunião de catequistas, Conselho Paroquial, além de inúmeras formações específicas que podemos fazer entre as foranias, vicariatos, arquidioceses, vamos buscando elementos comuns na caminhada, discernindo os pontos de unidade, a doutrina que perpassa a história… A fé vai se encarnando nas situações cotidianas.
No encontro semanal da Celebração Dominical, reunidos na Missa, nossa atenção se volta para o altar. Ao redor das Mesas da Palavra e da Eucaristia, o Reino nos é apresentado: primeiro através das palavras que apresentam a Palavra, na qual ouvimos com atenção e o ministro atualiza em nossa vida; no ouvir confiante, podemos acompanhar o momento em que Jesus se faz presente na Eucaristia. Nossa vida ganha sentido toda vez que estamos ali e, aprendemos a ler nossa vida à luz da Palavra, somos preparados para receber Jesus.
É o Reino que se faz presente entre nós, em nós. Vamos ao encontro da Jerusalém celeste, junto com nossa comunidade. A Igreja padecente e gloriosa encontra-se entre nós, para que vivamos de modo antecipado o encontro final.
A Igreja não é limitada a paredes ou uma a instituição humana. A Igreja é o próprio Corpo de Cristo, que nos torna participantes Dele. Não somente à nossa comunidade, ou arquidiocese. A Igreja perpassa o tempo e o espaço, reunindo no Reino as pessoas de todas as épocas, que glorificam o Senhor por toda a eternidade.

A Pedagogia da Catequese

(Vandeia Ramos)

Interessante para nós são os textos da liturgia de hoje, pois trazem em si o modo de ensinar próprio do cristão. Vejamos: reunidos em torno de uma pessoa (Esdras, Paulo, Jesus, catequista), o povo se põe em audição. Lucas lembra que o que escreve é fruto de estudo anterior, de pesquisa, do testemunho de quem viveu a experiência com Jesus Cristo antes dele, do mesmo modo que Esdras recebe os escritos recolhidos e organizados após a libertação de Israel da Babilônia. A única novidade que temos a apresentar, a Boa Nova, é a que a Igreja em seus membros nos passam pela história. Nós também precisamos nos preparar para fazer o mesmo antes de nos apresentarmos aos nossos catecúmenos.
Tanto Jesus como Esdras não vão a um povo estranho, mas aos seus, como Paulo começa sua evangelização. Em Nazaré, onde foi criado, Jesus vai à Sinagoga. Aquele que é a Palavra encarnada, o Verbo de Deus, vai como um de nós guardar o Sabath. Em pé, com a autoridade que a Palavra traz, faz a leitura do livro que lhe passam, o de Isaías. O Povo se reúne em torno da Palavra, seja em Nazaré, seja “em frente à porta das Águas”, seja nos nossos círculos de Iniciação Cristã.
Após a leitura, vem a ajuda para compreensão. Escribas, sinagogos, catequistas… Aqui temos nossa responsabilidade de apresentar não uma palavra qualquer escrita num livro. E sim a Palavra viva, de como Ela se encontra em nós, como tudo o que lemos se realiza em nossa vida. O nosso testemunho anuncia que esta mesma Palavra pode se encontrar também na vida de nossos catecúmenos, desde que eles estejam atentos a ouvir, abertos à compreensão e a deixar que se realize em sua vida o que lhes foi anunciado. Pelo nosso testemunho afirmamos que Cristo não é um personagem de uma historinha muito bonita, mas Aquele que nos dá uma vida plena.
Paulo nos apresenta uma sistematização desta catequese, com três pontos importantes:
– nós, que anunciamos o que vivemos;
– nossos catecúmenos, em atenção para nós e Àquile que vamos anunciar;
– Jesus Cristo, o conteúdo que anunciamos, a Palavra que se realiza na vida de cada um de nós, configurando-nos filhos no Filho.
Assim, mesmo que estejamos em um lugar mais alto para o anúncio, como Esdras, ou em pé como Jesus, sabemos que não somos o centro da Iniciação Cristã. Não é para nós que os olhares estão verdadeiramente voltados. Sabemos que Aquele que anunciamos que é o mais importante e que a Ele servimos. Somos somente um membro de seu Corpo, a Igreja, voltada para assistir os que mais precisam, a começar por nós mesmos.
Neste encontro entre nós e nossos catecúmenos em torno da Palavra, podemos juntos terminar no reconhecimento de que “Vossas palavras, Senhor, são espírito e vida!”.

Fazei-nos, Senhor, mestres em tua Sabedoria

(Vandeia Ramos)

Estamos começando a Semana Bíblica em muitas paróquias. O livro de estudo proposto é o da Sabedoria, trecho da primeira leitura deste domingo. Ele nos lembra que precisamos ser sábios. Mas o que significa a sabedoria? De modo geral, ela passa pela observação da realidade, da criação, a reflexão tentando entender como esta realidade se dá e uma ação a partir deste conhecimento.
Não é o que acontece conosco nas turmas de catequese? Primeiro observamos nossos catecúmenos, suas famílias, o que ajuda e o que atrapalha nos ensinamentos. Depois procuramos entender porque seus comportamentos e atitudes são como são. Assim podemos elaborar as atividades e as falas que melhor possam apresentar a fé para eles.
Esta sabedoria, também presente no mundo, começa assim em Israel e vai amadurecendo de acordo com as dificuldades que o Povo de Deus enfrenta. Quando chegamos nos livros sapienciais, o contato maduro com outros povos ajuda o sábio a entender que a sabedoria é fruto do amor de Deus e que se pode chegar a Ele através tanto da reflexão da fé como da compreensão de como a criação se organiza. Aqui temos a razão como acesso ao diálogo com os diferentes de nossa fé.
No Novo Testamento, temos as parábolas sapienciais de Jesus. São Paulo (1Cor 1, 20-21) contrapõe a sabedoria da cruz à sabedoria do mundo. Mateus identifica Jesus com a sabedoria (Mt 11, 19). Só que aí vem Tiago e expõe nossas feridas: há inveja e rivalidades entre nós, em nós. Ele questiona nossa atitude de cristãos, portadores da Sabedoria Encarnada, que, em vez de aprendermos a testemunhar esta nossa identidade, ficamos desconfiados de quem ocupa posição de coordenação e de autoridade. Queremos posições de liderança, mas não queremos assumir a responsabilidade nem do que nos cabe, quanto mais de uma situação que mais exigente.
Somos pessoas privilegiadas. Deus nos chamou para sermos sua voz junto às nossas crianças, jovens e adultos, a sermos mestres em sua sabedoria. Pela responsabilidade com nosso serviço, somos impelidos a aprender para melhor ensinar. E também aprendemos a nos mantermos na infância espiritual, que garante a entrada do céu, a sustentarmos nossa juventude por mais tempo, a percebermos as dores, alegrias e sofrimentos que os adultos trazem consigo e que não desistem de continuar.
Na sequência de nossas catequeses, vamos aprendendo o que precisamos ensinar e a ser gente com outras gentes. A sermos os que servem à nova geração. A acolher a todos, independente das dificuldades que trazem. A ficarmos atentos ao que é necessário e ao que nos cabe intervir para que tudo dê certo. Assim, ser catequista é alguém que frequenta a escola de Sabedoria de Deus.
Entre os orgulhosos e violentos, muitas vezes nós entre eles, vamos aprendendo no cotidiano de nosso servir a fazê-lo muitas vezes com o sacrifício de nosso coração, nosso tempo, nossas dificuldades, aprendendo a testemunhar que “é o Senhor que sustenta minha vida!”.

E você, catequista, quem dizes que sou?

(Vandeia Ramos)

Sabemos que uns dos maiores desafios que a Igreja tem hoje é que o Evangelho seja anunciado com a nossa vida. Assim, considerar o mês de setembro como o mês da Bíblia é buscar entender com a nossa vida o que Deus quer falar a nós e através de nós. E voltamos à pergunta de Jesus: e nós, quem dizemos que Jesus é? A continuação do evangelho destaca que não podemos dissociar a Pessoa de Jesus com sua obra, culminada na cruz e na ressurreição.
Escutar a Palavra de Deus é deixar que ela caia em nosso coração e modifique quem somos. Ter fé é associar o que acreditamos ao que fazemos. Ser cristão é ser outro Cristo. E isso envolve o catequista de modo especial, principalmente no anúncio do que seja Verdade. Não a minha ou a sua. Não o que achamos que seja. Anunciar a Verdade é anunciar Jesus Cristo. E com toda a nossa pessoa.
Ser cristão é carregar a própria cruz, e não arrastá-la. É saber que precisamos estar prontos para ser sovado como pão, para que o fermento possa agir e sermos alimento para os nossos. E, no momento das dificuldades estarmos prontos para dizer: Eis-me aqui, Senhor, envia-me (Is 6, 8). Isso significa que, em nossas atividades diárias vamos ser confrontados em nossa pessoa, em nossa fé. Aqui temos duas questões importantes:
– o martírio e a perseguição: pelas pessoas próximas, mídias sociais, diferentes âmbitos… Papa Francisco nos lembra que cristão se faz humilde nas humilhações, que nos faz parecer com Jesus em sua cruz. Aqui está o salto de fé: aceitar-se ou não ser moldado. Sabemos que é este o anúncio evangélico, mas o quanto somos surpreendidos com esta simples ideia? Quem achamos que Jesus é? O que vai formar um governo na terra como Reino de Deus? Esperamos uma teocracia em que os cristãos vão assumir, por serem cristãos, posições no governo? Ou já conseguimos ver que o Caminho Jesus é o que Deus se manifesta em nós e através de nós em nossa capacidade de suportar as dores e sofrimentos do mundo? Precisamos aprender a ouvir seus dramas dos nossos catecúmenos e, através deles, ver o sentido da ação de Deus – aqui está o anúncio do Evangelho.
– Deus é meu Auxílio: diante de tantas questões que enfrentamos, quem dizeis que sou? Isaías e Marcos colocam esta relação de Deus que se revela justamente nos que sofrem sua cruz sabendo que há alguém que sustenta. Não precisamos discutir, rebater, brigar, agredir. Temos um Auxiliador que é por nós. Daí o silêncio. Nele, é Ele quem fala através de nós, em nós.
Só então vamos poder anunciar com o testemunho de nossa vida que andamos na presença de Deus, que não temos medo de enfrentar a vida com toda a sua beleza e dificuldades. Em um mundo perdido em si, em que nossas crianças e jovens buscam sentido no que lhes esvazia, é preciso anunciar: “Eu amo o Senhor, porque ouve o grito da minha oração”.

Jesus Cristo: Palavra humana que responde a Deus

(Vandeia Ramos)

No mês de setembro estamos acompanhando a importância da Sagrada Escritura na nossa vida. Semana passada vimos que, da primeira à última página, Deus nos chama a ouvi-lo. E hoje vamos refletir sobre nossa resposta.
Muitas vezes vivemos como surdos a Deus. Discordamos de várias de suas orientações, queremos que as coisas se realizem como acreditamos, como se nós pudéssemos ser referência para toda a humanidade. Não é que não acreditemos, mas que não conseguimos entender o alcance do que nos pede, da beleza de todo seu plano de amor, tão envolvidos estamos nos problemas nossos de cada dia. E, se vivemos realmente buscando, começamos a entender que sozinhos não conseguimos. Precisamos de ajuda. E começamos a pedir a Ele.
E nossos catecúmenos nos são apresentados. Cada um traz dramas próprios de sua condição, natureza, família. Temos a tendência a não querer ouvir, a sermos guias cegos de outros cegos, que devem confiar no que nós falamos. Quantas vezes temos dificuldades com os que nos apresentam problemas que não conseguimos sequer parar para ouvir? Quantas vezes algum comportamento específico nos causa resistência? Quantas vezes queremos escolher o que consideramos melhor, mais fácil ou mais simples? Mas foi isso que fomos chamados a fazer? E o que devemos então fazer?
Enquanto equipe de iniciação cristã, cabe a nós reunirmo-nos com os demais e partilhar nossas dificuldades. O trabalho se faz em comunidade e em comunhão. E, como equipe que traz junta a responsabilidade de todos, irmos ao encontro de Jesus. Fico pensando sobre o Evangelho de hoje se, ao curar o homem surdo, o quanto Jesus também não está nos curando quanto às suas palavras. E o “ouve, Israel” ressoa em nosso coração, como o chamado permanente a ouvir a Palavra.
A língua do homem também é solta. Não para ficar reclamando, vendo a dificuldade acima da graça, o pecado acima da benção. Também aqui, quando os amigos o levam a Jesus, não poderia ser nós levando nossos catecúmenos? Quem é que sai bendizendo a Deus depois, não são todos?
No fundo, ser catequista não é testemunhar não só a experiência que trazemos com Deus como acompanharmos dando graças o que Ele faz na vida daqueles que nos são postos sob nossa responsabilidade? Acho muito bonito como Deus, para fazer sua obra, quer não só que participemos dela, mas que, de algum modo, ainda sejamos vistos através dela.
Assim, podemos cantar juntos, catequistas e catecúmenos: “Bendize minha alma, ao Senhor. Bendirei ao Senhor toda a vida!”