Catequista, fonte de amor

(Vandeia Ramos)

João, o discípulo amado, apresenta a ternura de Jesus por nós. A palavra “filhinhos” nos coloca como direção de um carinho especial, tornando-nos suas crianças. A cruz é eminente, o afastamento já dá um tom de saudade. E Jesus quer aproveitar cada momento com os seus.
Esta mesma ternura é o que torna o sofrimento lugar de amor, de associação entre o Filho e o Pai, o lugar de manifestação da glória de Deus. Os braços estendidos abraçam toda a humanidade e a humanidade toda, fazendo com que nossos olhos saiam das situações cotidianas, muitas vezes esmagadoras, e se levantem para o Crucificado, no diálogo entre a miséria a que chegamos e o infinito de Deus.
Nesta intimidade, em que os amigos recebem todo o carinho do Mestre, eles se associam entre si. E Jesus apresenta um novo mandamento: amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. É aqui que se reconhece quem de verdade é amigo de Jesus.
Lembramos do “amai ao próximo como a ti mesmo” das multidões. Para uma humanidade melhor, em uma cultura de paz, Jesus oferece o mandamento das relações interpessoais. Mas Ele quer mais dos seus amigos mais íntimos. É o Seu amor por nós que será a medida de todas as medidas, é o cuidado especial que nos faz sermos cristãos.
Quando entramos no círculo mais íntimo, vamos nos tornando mais próximos ao coração de Jesus, direção de sua ternura. Mergulhados em seu carinho, vamos aprendendo a sermos mais junto aos outros. Nossos catecúmenos vão se tornando um pouquinho de nós e vamos nos tornando modelos de vida. E não é somente na Igreja, mas em uma espiral que vai alcançando todas as nossas relações. É este o caminho que vão nos identificando com o Mestre, pelo amor com que vamos testemunhando nos lugares em que atuamos.
Amar nunca é algo isolado. Se não doer na carne, não é amor. Dispor de si para que o outro tenha vida, meu trabalho para que outro descanse, deixar-se humilhar para que o outro possa entender a disponibilidade imerecida do amor… é uma aventura que abre as portas do céu, do seguir o caminho do próprio Jesus. Não é uma alegria quando identificamos a mudança de vida de nossos catecúmenos? Não é uma sensação de que tudo tenha valido a pena no dia da Primeira Eucaristia? Não é um sentimento de entrega na celebração do Crisma?
Depois da travessia do “sim” que damos, há a promessa de uma relação nova, de habitar em Deus e Deus em nós, início de uma aventura eterna que nos apresenta uma realidade que nossos olhos ainda não são capazes de ver, nem nosso coração alcançar totalmente. Uma realidade que, por mais difícil que seja nossa dor, somos acolhidos no colo de Deus, que nos aconchega e secará toda nossa lágrima com um simples estar conosco e nós Nele. Experiência que nos torna plenamente humanos e de sermos capazes de fazer o mesmo entre nós.
Ser acolhido e acolher torna a aventura humana na terra sinal de vida, presença de Deus entre nós. A experiência de sermos os “filhinhos”, do acolhimento nos dramas humanos, do olhar que tudo supera, de um novo ver e um novo modo de ser junto aos demais, faz com que vivamos com um toque de eternidade. É nesta percepção que podemos bendizer todos juntos, o nome de nosso Deus, Senhor e rei para sempre!

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Catequista: missão sem mimimi

(Vandeia Ramos)

Jesus Ressuscitou! E, aos poucos, a compreensão de tudo vai se fazendo, bem como o peso da posição que cada um assumiu. Jesus nos envia e continuamente percebemos que não sabemos por onde começar, além do peso de nossa incapacidade ser grande. Os apóstolos fugiram, um traiu, outro negou… Somos muito pequenos diante da cruz. A realidade da ressurreição é como um mar que aponta para um horizonte infinito, que nossa vista não consegue alcançar.
Jesus não desiste de nós e vai atrás dos seus. Quando não sabemos o que fazer, acabamos por escolher o que nos é mais comum, aquilo que nos dá segurança. É assim com o modo que damos catequese, a ênfase em determinados conteúdos, a resistência a novidades… Os apóstolos foram pescar, atividade de toda uma vida. Só que desta vez não conseguiram nada. Não dava mais para continuar na rotina de sempre. E é aí que Jesus recomeça e, em sua companhia, a rede enche. Com Ele, nossas atividades ganham sentido, dão frutos. E, depois de muito trabalho, é o próprio Cristo que se dá a nós como alimento.
Mas também é preciso refazer o que não ficou bom, os erros, as acomodações, a preguiça, a displicência… Jesus pergunta: Catequista, você me ama? Precisamos afirmar nosso amor por todas as vezes que não o fizemos. E apascentar carneiros e ovelhas. Nossa missão não é somente na turminha de catequese, junto às ovelhas, mas também em todos os lugares em que estamos, sendo testemunhas junto aos carneiros. Não é uma tarefa simples ou fácil. Ela exige se deixar guiar através das circunstâncias, deixar-se crucificar. O sofrimento por ser quem somos não é algo procurado, e sim aceito, testemunho de quem somos na cruz que nos é oferecida.
Por isso, não tem sentido o mimimi constante, as frequentes reclamações que vemos pessoalmente e em diferentes mídias sociais quando somos perseguidos por sermos cristãos. A própria história, desde a Páscoa, nos apresenta não seremos aceitos, sofreremos perseguições, tapas, apedrejamento, conflitos na família, desconforto no trabalho… Qual é a novidade?!
A Cultura da Morte se dissemina na sociedade, leis são feitas que afrontam quem somos e o que acreditamos, conflitos são suscitados com a intenção de divisão entre nós e com outros. Fato. E nós nos perdemos frente a tanto ruído. Na mesma situação, qual o modelo que os apóstolos nos oferecem? Sem medo, eles testemunham Jesus Cristo. Enviados para o açoite, seguem felizes por terem sido considerados fieis a quem acreditam.
Com os apóstolos, milhares de milhares se unem ao longo do tempo. Suas histórias nos convidam a nos juntarmos a este canto que permanece para sempre, de proclamar com todo o ser, nas alegrias e tristezas, nas dores, na perseguição, no sofrimento, quem é o Nosso Senhor.
Ser catequista vai se tornando um chamado a ser arauto, a ser testemunha do evangelho encarnado na própria vida. Através das fraquezas, dificuldades, situações adversas, Jesus vem continuamente ao nosso encontro para nos alimentar e fazer de nossa vida um serviço que dê frutos, em um constante dar graças e glorificar seu Nome.
Afinal, no fim de nossa história, temos um encontro marcado no céu. Quem vai querer ficar de fora?

Eis-me aqui, Senhor!

(Vandeia Ramos)

A dinâmica do Evangelho de hoje é muito bonita. Pedro parece muito conosco, ou somos nós que nos parecemos com Pedro? Sabe “aquele” grupo que parece o “terror” da catequese? Aquele que faz a gente respirar mais fundo e achar difícil algum resultado positivo? Talvez pelo cansaço da messe, pela falta de confiança em nós ou em Deus, acabamos por nos afastar. Aí vem Jesus e diz que precisamos ir a águas mais profundas… Lá no fundo sabemos muito bem a que Ele se refere. Aos que nós marginalizamos e mesmo excluímos. Aqui é o momento catequista. Não por nós, mas em consideração Àquele que nos chama, respondemos com Pedro: “Em atenção à tua palavra, vou lançar as redes”. E vemos a riqueza do que vem, dos catecúmenos que ninguém acreditava, que não se dava nada por eles. Sabemos que não foi pela nossa capacidade e ante a consciência de nossa incapacidade, dizemos com Pedro: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou pecador”.
Mas Deus é muito esperto. Antes de ele nos enviar à messe, Ele nos leva ao céu. Sua presença em nossa vida é uma realidade. Agradecemos diariamente todas as graças que recebemos. Vemos suas maravilhas. Exclamamos com os anjos que Deus é presente em sua Criação. Entre a Confissão e a Eucaristia, somos perdoados para que possamos participar de sua glória. Aí é que vem Deus e mostra para nós o quanto o mundo padece por se afastar, por negar, por não conhecer. Nós, olhando a tudo na perspectiva do céu, com Deus nos ensinando a olhar como Ele vê, caímos no seu Amor. Não um amor que força, com uma ordem “eu te mando fazer isso”. Mas, com uma leve insinuação, Ele diz que não há semeadores, não há operários para a messe. Através de Isaías, Deus desperta em nós a necessidade da catequese e de nosso envolvimento pessoal, tão irresistível que nos entregamos: “Eis-me aqui, Senhor. Envia-me”.
São Paulo continua nos ensinando os caminhos pedagógicos: sua própria experiência com o Ressuscitado que se torna o início. Ele continua aprendendo com os apóstolos, que lhes transmitiram a própria experiência, ajudando-o a entender e aprofundar seu conhecimento. Não há catequista sem envolvimento pessoal com o próprio Cristo. E não é um momento único, mas um constante aprofundar no conhecimento do seu amor, com os irmãos. Ser modelo de fé é um compromisso permanente. É pelo exemplo que jogamos as redes, que nos aventuramos a ir em águas mais profundas, a estar com os demais reunidos. Sabemos que constantemente nos vem à consciência de que é muito para nós. Somos fracos, pequenos, “servos inúteis”. No entanto, reconhecemos que é a graça que age e configura a nós e o nosso servir. O trabalho pesado não é nosso, mas do Espírito que habita em nós.
Só então podemos nos juntar aos catecúmenos, aos anjos e, juntos, participarmos do Banquete do Cordeiro, cantar as maravilhas do Senhor em sua Igreja, agora e para todo o sempre!

Jesus chama os Apóstolos

A amizade é um bem que não tem preço. A história de uma amizade começa sempre de um encontro. Um gesto de atenção, um esforço de estar sempre junto dos amigos pode ser o primeiro passo de um longo caminho a percorrerem juntos.

Assim acontece com Jesus. Toda a sua vida é uma oferta contínua de amizade a todos que O encontram. Quem acolhe seu convite, descobre pouco a pouco nos seus gestos e nas suas palavras os sinais do verdadeiro amigo: generoso e forte, compreensivo, mas também exigente, intolerante diante de toda hipocrisia, fiel até à morte.

Jesus começou sua vida pública anunciando a Boa Nova do Reino de Deus e ensinando as verdades de Deus. E muitas pessoas começaram a segui-lo e tornaram-se seus discípulos. Dentre estes discípulos, Jesus escolheu 12 que se tornaram APÓSTOLOS. Estavam sempre juntos e aprenderam tudo o que Jesus ensinava (Mc 3,13-19).

Os 12 Apóstolos foram escolhidos para conviver com Jesus, aprender o que Ele ensinava e continuar a sua missão na Terra. Apóstolo significa ENVIADO. Sempre que Jesus chama alguém é para dar-lhe uma missão.

Os primeiros a serem chamados foram Simão e André, seu irmão. Depois Jesus foi chamando outros para seguí-lo. Um era cobrador de impostos, mas a maioria era pescador, profissão comum naquela época. Aproveitando esta situação, Jesus os convidou dizendo: “Vinde após mim e vos farei pescadores de homens” (Mc 1,17)

Foi com este grupo de Apóstolos que Jesus começou a formar a sua IGREJA. Igreja é uma palavra de origem grega que significa assembléia ou reunião. Nós nos acostumamos a chamar de “igreja” um prédio (templo), mas o prédio é apenas o lugar da reunião. A verdadeira Igreja de Jesus é feita de pedras vivas que são os cristãos (1Pd 2,4-10)

Todos nós, em todos os tempos, em qualquer idade, cultura e condição social somos chamados a nos integrar no Povo de Deus, a Igreja de Jesus. A missão divina confiada por Cristo aos Apóstolos deverá durar até o final dos tempos (Mt 28, 20)

A amizade que Jesus oferece é para todas as pessoas e Ele pede de nós uma resposta pessoal e firme.

TODA VOCAÇÃO É UM CHAMADO DE DEUS PARA A REALIZAÇÃO DE ALGUMA COISA.
VOCÊ TAMBÉM É CHAMADO A SER AMIGO DE JESUS, A FAZER PARTE DE SUA IGREJA.
QUAL SERÁ SUA RESPOSTA?

Vamos celebrar:

Catequista: Todos nós somos chamados à vida. Todos nós temos a felicidade de ser cristãos. Jesus nos convida a participarmos ativamente de sua Igreja, por isso vamos perguntar com toda sinceridade, dispostos a ouvir o que Jesus nos responder:

Todos: Senhor, o que queres que eu faça? Quero conhecer o vosso plano de amor para a minha vida. Me ensina a fazer a Vossa vontade.
Rezemos por todas as vocações, pelos sacerdotes, pelos religiosos e religiosas que ouviram o chamado de Jesus e se decidiram segui-lo mais de perto:

ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

Senhor da messe e pastor do rebanho,
faz ressoar em nossos ouvidos
o teu forte e suave convite:
“Vem e segue-me”!
Derrama sobre nós o teu Espírito,
que Ele nos dê sabedoria para ver o caminho
e generosidade para seguir a tua voz.

Senhor,
que a messe não se perca por falta de operários.
Desperta as nossas comunidades para a missão.
Ensina a nossa vida a ser serviço.
Fortalece os que querem dedicar-se ao Reino,
na vida consagrada e religiosa.

Senhor,
que o rebanho não pereça por falta de pastores.
Sustenta a fidelidade dos nossos bispos,
padres e ministros.
Dá perseverança aos nossos seminaristas.
Desperta o coração dos nossos jovens
para o ministério pastoral na tua Igreja.

Senhor da messe e pastor do rebanho,
chama-nos para o serviço do teu povo.
Maria, Mãe da Igreja,
modelo dos servidores do Evangelho,
ajuda-nos a responder “SIM”.
Amém.

Atividades:

1) Leia a Bíblia, em MT 4,18-22 e complete o texto a seguir sobre os primeiros Apóstolos escolhidos por Jesus:

Caminhando ao longo do Mar da Galiléia, viu dois irmãos: __________ (que se chama _________) e ____________, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. E disse-lhes: “Vinde após mim e vos farei _________________________” Passando adiante, viu outros dois irmãos: ____________ filho de Zebedeu e seu irmão _______________ que estavam com seu pai Zebedeu consertando as redes.

2) Em nossas comunidades existem vários movimento e pastorais que dinamizam a ação do Evangelho. Procure no caça-palavras e depois complete nas frases abaixo, de acordo com o trabalho que fazem:

________________ prepara os catequizandos para participarem dos Sacramentos de Iniciação Cristã.

________________ prepara os jovens para receberem o Sacramento da Confirmação.

________________ prepara pais e padrinhos para assumirem o compromisso junto às crianças, jovens e adultos que serão batizados.

________________ leva os jovens a participarem ativamente de suas comunidades.

________________ chama a família cristã a viver como a família de Nazaré.

3) Escreva o nome de alguns dos Apóstolos de Jesus hoje:

Papa: ________________________________

Bispo: _______________________________

Padre: _______________________________

4) Todos somos chamados a ser apóstolos de Jesus. Então, que tal montarmos um cartaz, em grupo, aproveitando reportagens de revistas e jornais, convidando outras pessoas a participarem de nossa comunidade?

5) Pesquise o nome dos 12 Apóstolos de Jesus e escreva em seu caderno.