As 12 atitudes que me ajudaram a superar a Depressão

(Carolina Santos)

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Ao longo de muitas conversas com pessoas que também sofrem de Depressão, assim como eu, achei pertinente compartilhar com vocês, como estou fazendo para lidar com a doença. Como já disse em um dos meus posts, sofro de Depressão severa e no último 24 de março tentei suicídio. Sair dessa crise foi extremamente difícil, pois a tentativa de suicídio me causou ainda mais problemas, tais como a fobia social.

Passei cerca de quatro meses completamente trancada e isolada do mundo. Não queria contato com ninguém. Só ia para o médico se alguém fosse comigo. Aos poucos fui descobrindo métodos que foram me ajudando a “desapegar” da crise e hoje me sinto bem melhor e graças a Deus consegui sair dela por completo (nota: superei a crise de Depressão, não encontrei a cura para a doença, pois a mesma não existe).

Primeiramente, lidar com pensamentos suicidas era completamente complicado. Para mim conseguir superar esses pensamentos, eu passei semanas ligada direto ao computador e jogando jogos que me prendessem a atenção. Apenas nesses momentos que eu conseguia esquecer dos meus medos, das minhas dores, dos meus problemas e consequentemente não pensava na morte. O jogo era uma espécie de fuga que ajudou muito. E foi a primeira coisa que fiz para tentar sair daquela vida que se resumia em cama e dormir. Depois disso, aos poucos fui tentando retomar minha vida normal. Voltar a estudar e a trabalhar. Voltar a assistir filmes, séries e animes (coisa que eu não fazia, pois não conseguia me concentrar em nada devido aos pensamentos negativos). Enfim, voltar a fazer as coisas que coloriam mais a minha vida. Vou listar a seguir tudo aquilo que faço e que me ajuda completamente a lidar com a Depressão e a inclusive identificar a chegada de uma possível crise:

1. Exercício físico: voltei a correr, pois me faz muito bem. A maioria dos médicos ressaltam a importância de se exercitar. Mas você deve escolher algo que realmente goste e que faça por prazer, não por obrigação. Nada que é uma obrigação te ajuda em períodos de crise.

2. Escrever: Amo escrever e isso me alivia quando estou triste demais, cansada demais, feliz demais, ou qualquer coisa demais. Ajuda a esvaziar o copo que as vezes fica tão cheio que chega a transbordar. Então voltei a publicar meus sentimentos no meu blog que se chama Confusão de Pensamentos.

3. Ler: Assim como escrever, amo ler. Passei a ler muitas matérias sobre a Depressão e afins. Leio tudo que pode me ajudar a obter mais conhecimento. Leio livros. Enfim, o que dá para ler, eu leio. Rsrs

4. Youtube: Num certo dia tentei gravar um vídeo como forma de um desabafo, e isso foi algo muito difícil. Não sabia que não conseguia falar do assunto nem comigo mesma. E foi aí que resolvi quebrar essa barreira. Passei a gravar vídeos sobre minha experiência e a postá-los no meu canal no Youtube. Isso me fez muito bem e me ajudou a encarar a Depressão de frente e a perder o medo de falar sobre ela com as pessoas.

5. Estudar: Voltei para a Universidade, e a me dedicar ao TCC (trabalho de conclusão de curso). E comecei um curso de bombeiro civil, pois meu sonho é poder ajudar as pessoas de todas as formas. A responsabilidade me deu mais autoconfiança e esperança.

6. Trabalhar: Voltei a trabalhar em casa por enquanto, já que estou me dedicando exclusivamente ao término da Graduação. Mas mesmo assim, passei a me sentir mais útil, e hoje em dia estou me candidatando a vários empregos.

7. Enfrentar medos: Quanto mais medo eu tiver de algo, mais impulso eu darei para derrotá-lo. Minha fobia social estava me impedindo de sair sozinha. Não conseguia de jeito nenhum. Mas foi num belo dia que eu decidi quebrar esse medo e sai de casa para andar sozinha. No começo fiquei muito tensa e com vontade de chorar, mas com o passar do tempo percebi que meus medos eram apenas imaginação da minha cabeça. Hoje me sinto mais forte para encarar qualquer coisa. E não há medo que me impeça de tentar.

8. Desabafo: Hoje todos à minha volta sabem do que passei. Não tenho mais vergonha nem medo de assumir minha doença. Essa exposição me permitiu conhecer pessoas maravilhosas que também passam pelo que eu passo. Então eu já não consigo mais saber o que é sentir-se completamente só. Compartilhar histórias, dividir experiências, dar e receber apoio, é algo que ajuda e muito o meu bem-estar.

9. Amor-próprio: Nunca tive amor próprio e sempre me subestimei. A partir do momento que decidi que nada nem ninguém mais pisaria em mim, minha autoestima cresceu e hoje EU estou em primeiro lugar na minha vida. Não é egoísmo. É que se não estivermos bem, como poderemos ajudar os que estão do nosso lado?

10. Terapia: A psicóloga abriu minha mente. E foi a primeira pessoa pela qual eu desabafei e realmente senti que não estava sendo julgada. Tive apenas cinco sessões que contribuíram muito a minha melhora. E daqui um tempinho começarei uma terapia intensiva, que será de extremo proveito para a minha pessoa.

11. Remédios: Superar uma crise não é assim tão fácil, e sim, no começo eu precisei de remédios. Tomava três, onde dois cortavam meus pensamentos suicidas e o outro era um antidepressivo. Atualmente não me medico mais, porém não descarto a possibilidade de ter que voltar a tomá-los.

12. Mudança de visual: Esse item talvez seja bobo, mas foi algo que aumentou muita minha autoestima e me ajudou a superar mais a tricotilomania. Eu olhava para o espelho e tinha desprezo por quem via. Não conseguia me reconhecer mais. Foi quando realizei meu sonho e virei ruiva. Meus dias se tornaram mais coloridos depois disso.

Enfim, essas foram apenas algumas das várias coisas que passei a fazer para superar a depressão. Passei a viver o meu presente, em vez de ficar remoendo o passado ou me preocupando demais com o meu futuro. Viva o agora. O que passou passou e o que está por vir, ninguém sabe ao certo. Pois nada é imutável. Sofrer antecipadamente é um veneno para a alma. E você, o que tem feito para se sentir melhor e sair da crise de Depressão?

(Fonte)

Eu me viro sozinho

downloadVocê precisa dos outros? Você valoriza o auxílio do próximo? A auto-suficiência gera em todo ser humano um sentimento de onipotência que é falso e pode levá-lo a crer que não precisa de mais ninguém para fazer e acontecer.

Li certa vez a história de um menino de 3 anos que caminhava ao lado de seu pai. Ele carregava um cantil cheio de água mesmo contra a vontade do seu pai.

Já cansado de tanto andar ele lutava para não entregar os pontos pois dissera ao pai que aquele cantil não iria fazê-lo cansar mais rápido e que ele o carregaria até o destino final. Depois de mais alguns metros de caminhada ele finalmente disse:

– Papai, me dá colo por favor!

Então com um sorriso o pai colocou o menino nos ombros e o carregou até o destino. No exato momento em que o garoto foi colocado no chão ele exclamou: Viu só papai, eu consegui carregar o cantil até aqui!

Talvez a sua primeira reação seja de sorrir ao perceber a
ingenuidade daquele garoto. Mas não é exatamente assim que tantas vezes nós nos comportamos?

É claro que em sociedade organizada podemos nos precaver e planejar algumas coisas, mas que ironia pensarmos que carregamos o “cantil” durante toda a viagem sozinhos…

História de uma mesa

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Eu era uma mesa novinha. Bonita. Feita pelas mãos do melhor carpinteiro do mundo…
Fui entalhada com amor, com matéria prima de qualidade. Nasci forte. Meus detalhes foram esculpidos com sentimento, com o carinho das mãos do meu pai. Não há outra mesa como eu em toda Terra.
Participei de bons momentos. Ajudei muito. Estive presente nos tempos de alegria e nos tempos de dificuldade. Sempre firme, segurando tudo e a todos. Jamais rejeitei uma carga, mesmo que estivesse acima da minha capacidade…
Quanto significado tive na vida dos que me rodeiam! Participei do progresso, da luta. Recebi lágrimas e risos. Sempre me doei e sei que se não estivesse ali, faria muita falta. Mas, como sempre estava, quase nunca era notada.
E assim transcorreu minha vida. Como a vida da maioria das mesas: sempre muito participante, cooperando, mas sem reclamar muitos cuidados. Afinal a função da mesa é servir.
Mas o tempo passou, e com ele, e a falta de cuidado, fui me desgastando. Minhas quinas um pouco rachadas tornaram-se ásperas. Às vezes, acabava ferindo alguém, mas não era de propósito.
Talvez, se tivessem me restaurado no início, eu voltasse a ser bela e útil como antes. Mas a vida é tão corrida e não há tempo a perder com restaurações…
Mesmo apesar do desgaste, do mau uso e da falta de cuidado, prossegui em minha missão, doando o melhor de mim.
As pessoas ao redor acostumaram-se com minhas arestas e, para evitar um ferimento, desviavam-se de mim.
Quando necessitavam, chegavam com cautela para que não houvesse atrito entre nós.
Apesar do meu esforço em resistir, pude perceber que algo me roía por dentro. Já não tinha a mesma força de antes. Sentia minhas pernas fraquejarem ao menor peso. Meu tampão antes tão belo e forte, agora cheio de manchas e rabiscos, parecia afundar em si mesmo.
Senti medo, pois não sabia o que estava acontecendo, mas ainda queria servir e estar presente.
Um dia, quase sem perceber, desmoronei.
Todos dão uma desmoronada, um dia.
O peso era pequeno, mas para mim parecia uma tonelada!
Quebrei o que estava sobre mim e também algumas coisas à minha volta.
Feri os que eu mais amava, pois estavam mais próximos na hora da queda.
Todos me olharam com espanto, alguns com indignação, outros com raiva.
Ninguém esperava aquilo. Nem eu. Mas já havia sido devorada, em meu interior, por bichinhos rápidos e silenciosos chamados “cupins”.
Os cupins costumam deixar uma “sujeirinha”, mas a pressa, às vezes, nos impede de parar e socorrer a mesa antes que ela desabe. Afinal ela ainda está servindo para a sua finalidade…

Sabe, gente, esse cupim se chama DEPRESSÃO.
A mesa sou eu. A mesa é você. É sua mãe que lhe importuna. É seu avô que reclama demais. É seu filho rebelde. É seu namorado ciumento e estressado. É o desemprego. O marido ausente e pessimista. É a esposa impaciente.
Relendo a história da mesa, você poderá considerar sua própria vida, e a vida daqueles que a cercam.
Estamos caminhando para o mesmo fim?
Eu lhe digo.
Mesmo que sua mesa tenha caído, mesmo que ela tenha quebrado muitas coisas e pareça imprestável; mesmo que vá dar muito trabalho consertá-la, CONSERTE-A!
Não descarte seus pais, seus filhos, seu cônjuge, seus amigos.
Não descarte a si mesma!
É possível a restauração!
A pessoa deprimida é aquela que doou tudo de si, que esvaziou-se por completo para alcançar algo que ela considerava um bem…
A pessoa deprimida precisa de companhia. Alguém que ajude a encontrar o melhor material para preencher os vazios que a depressão causou. Que ajude a aparar as arestas. Alguém que a queira nova outra vez.
Se, para todo bem, há uma participação Divina, Deus neste momento está providenciando o necessário para que você encontre forças e alternativas para ajudar.
Se você está em depressão, erga os olhos.
A ajuda vem do alto.
Mas também vem dos lados: de um abraço, uma conversa, uma carta, um e-mail.
Lembre-se de que, para Deus, tudo é possível.
É POSSÍVEL SER UMA MESA NOVA!

A depressão é uma travessia..Um estado de espírito.. Um momento…
Ela pode durar muito ou pouco. Mas, em qualquer das hipóteses, fica mais fácil na companhia de Deus, da família,e dos amigos verdadeiros. Confie!

Texto: “Depressão, onde está?”
Enviado pelo Pe. João de Deus
Colaboração: Marcelo Fiolo P. de C. Ferreira