A maturidade afetiva

A afetividade não está por assim dizer encerrada no coração, nos sentimentos, mas permeia toda a personalidade.
Estamos continuamente sentindo aquilo que pensamos e fazemos. Por isso, qualquer distúrbio da vida afetiva acaba por impedir ou pelo menos entravar o amadurecimento da personalidade como um todo.
Observamos isto claramente no fenômeno de “fixação na adolescência” ou na “adolescência retardada”. Como já anotamos, o adolescente caracteriza-se por uma afetividade egocêntrica e instável; essa característica, quando não superada na natural evolução da personalidade, pode sofrer uma “fixação”, permanecendo no adulto: este é um dos sintomas da imaturidade afetiva.
É significativo verificar como essa imaturidade parece ser uma característica da atual geração. No nosso mundo altamente técnico e cheio de avanços científicos, pouco se tem progredido no conhecimento das profundezas do coração, e daí resulta aquilo que Alexis Carrel, prêmio Nobel de Medicina, apontava no seu célebre trabalho – O homem, esse desconhecido: “vivemos hoje o drama de um desnível gritante entre o fabuloso progresso técnico e científico e a imaturidade quase infantil no que diz respeito aos sentimentos humanos”.

Mesmo em pessoas de alto nível intelectual, ocorre um autêntico analfabetismo afetivo: são indivíduos truncados, incompletos, mal-formados, imaturos; estão preparados para trabalhar de forma eficiente, mas são absolutamente incapazes de amar. Esta desproporção tem conseqüências devastadoras: basta reparar na facilidade com que as pessoas se casam e se “descasam”, se “juntam” e se separam. Dão a impressão de reparar apenas na camada epidérmica do amor e de não aprofundar nos valores do coração humano e nas leis do verdadeiro amor.

Quais são, então, os valores do verdadeiro amor? Que significado tem essa palavra?

O amor, na realidade, tem um significado polivalente, tão dificil de definir que já houve quem dissesse que o amor é aquilo que se sente quando se ama, e, se perguntássemos o que se sente quando se ama, só seria possível responder simplesmente: “Amor”. Este círculo vicioso deve-se ao que o insigne médico e pensador Gregório Marañon descrevia com precisão: “O amor é algo muito complexo e variado; chama-se amor a muitas coisas que são muito diferentes, mesmo que a sua raiz seja a mesma”.

A MATURIDADE NO AMOR

Hoje, considera-se a satisfação sexual autocentrada como a expressão mais importante do amor. Não o entendia assim o pensamento clássico, que considerava o amor da mãe pelos filhos como o paradigma de todos os tipos de amor: o amor que prefere o bem da pessoa amada ao próprio. Este conceito, perpassando os séculos, permitiu que até um pensador como Hegel, que tem pouco de cristão, afirmasse que “a verdadeira essência do amor consiste em esquecer-se no outro”.
Bem diferente é o conceito de amor que se cultua na nossa época. Parece que se retrocedeu a uma espécie de adolescência da humanidade, onde o que mais conta é o prazer. Este fenômeno tem inúmeras manifestações. Referir-nos-emos apenas a algumas delas:

– Edifica-se a vida sentimental sobre uma base pouco sólida: confunde-se amor com namoricos, atração sexual com enamoramento profundo. Todos conhecemos algum “don Juan”: um mestre na arte de conquistar e um fracassado à hora da abnegação que todo o amor exige. Incapazes de um amor maduro, essas pessoas nunca chegam a assimilar aquilo que afirmava Montesquieu: “É mais fácil conquistar do que manter a conquista”.

– Diviniza-se o amor: “A pessoa imatura – escreve Enrique Rojas – idealiza a vida afetiva e exalta o amor conjugal como algo extraordinário e maravilhoso. Isto constitui um erro, porque não aprofunda na análise. O amor é uma tarefa esforçada de melhora pessoal durante a qual se burilam os defeitos próprios e os que afetam o outro cônjuge <…>. A pessoa imatura converte o outro num absoluto. Isto costuma pagar-se caro. É natural que ao longo do namoro exista um deslumbramento que impede de reparar na realidade, fenômeno que Ortega y Gasset designou por “doença da atenção”, mas também é verdade que o difícil convívio diário coloca cada qual no seu lugar; a verdade aflora sem máscaras, e, à medida que se desenvolve a vida ordinária, vai aparecendo a imagem real”.(E. Rojas)

– No imaturo, o amor fica “cristalizado”, como diz Stendhal, nessa fase de deslumbramento, e não aprofunda na “versão real” que o convívio conjugal vai desvendando. Quando o amor é profundo, as divergências que se descobrem acabam por superar-se; quando é superficial, por ser imaturo, provocam conflitos e freqüentemente rupturas.

– A pessoa afetivamente imatura desconhece que os sentimentos não são estáticos, mas dinâmicos. São suscetíveis de melhora e devem ser cultivados no viver quotidiano. São como plantas delicadas que precisam ser regadas diariamente. “O amor inteligente exige o cuidado dos detalhes pequenos e uma alta porcentagem de artesanato psicológico “.(E.Rojas)
A pessoa consciente, madura, sabe que o amor se constrói dia após dia, lutando por corrigir defeitos, contornar dificuldades, evitar atritos e manifestar sempre afeição e carinho.

– Os imaturos querem antes receber do que dar. Quem é imaturo quer que todos sejam como uma peça integrante da máquina da sua felicidade. Ama somente para que os outros o realizem. Amar para ele é uma forma de satisfazer uma necessidade afetiva, sexual, ou uma forma de auto-afirmação. O amor acaba por tornar-se uma espécie de “grude” que prende os outros ao próprio “eu” para completá-lo ou engrandecê-lo.

Mas esse amor, que não deixa de ser uma forma transferida de egoísmo, desemboca na frustração. Procura cada vez mais atrair os outros para si e os outros vão progressivamente afastando-se dele. Acaba abandonado por todos, porque ninguém quer submeter-se ao seu pegajoso egocentrismo; ninguém quer ser apenas um instrumento da felicidade alheia.

Os sentimentos são caminho de ida e volta; deve haver reciprocidade. A pessoa imatura acaba sempre queixando-se da solidão que ela mesma provocou por falta de espírito de renúncia. A nossa sociedade esqueceu quase tudo sobre o que é o amor. Como diz Enrique Rojas: “Não há felicidade se não há amor e não há amor sem renúncia. Um segmento essencial da afetividade está tecido de sacrifício. Algo que não está na moda, que não é popular, mas que acaba por ser fundamental”.

Há pouco, um amigo, professor de uma Faculdade de Jornalismo, referiu-me um episódio relacionado com um seu primo – extremamente egoísta – que se tinha casado e separado três vezes. No cartão de Natal, após desejar-lhe boas festas, esse professor perguntava-lhe em que situação afetiva se encontrava. Recebeu uma resposta chocante: “Assino eu e a minha gata. Como ela não sabe assinar, o faz estampando a sua pata no cartão: são as suas marcas digitais. Este animalzinho é o único que quer permanecer ao meu lado. É o único que me ama”.

O imaturo pretende introduzir o outro no seu projeto pessoal de vida, em vez de tentar contribuir com o outro num projeto construído em comum. A felicidade do cônjuge, da família e dos filhos: esse é o projeto comum do verdadeiro amor. As pessoas imaturas não compreendem que a dedicação aos filhos constitui um fator importante para a estabilidade afetiva dos pais. Também não assimilaram a idéia de que, para se realizarem a si mesmos, têm de se empenhar na realização do cônjuge. Quem não é solidário termina solitário. Ou juntando-se a uma “gatinha”, seja de que espécie for.

EDUCAR A AFETIVIDADE

Mais do que nunca, é preciso prestar atenção hoje à educação da afetividade dos filhos e à reeducação da afetividade dos adultos. Uma educação e uma reeducação que devem ter como base esse conceito mais nobre do amor que acabamos de formular: aquele que vai superando o estágio do amor de apetência – que apetece e dá prazer – para passar ao amor de complacência – que compraz afetivamente – e abrir-se ao amor oblativo de benevolência – que sabe renunciar e entregar-se para conseguir o bem do outro.
O amor maduro exige domínio próprio: ir ascendendo do mundo elementar – imaturo – do mero prazer, até o mundo racional e espiritual em que o homem encontra a sua plena dignidade. Reclama que se canalizem as inclinações naturais sensitivas para pô-las ao serviço da totalidade da pessoa humana, com as suas exigências racionais e espirituais. Requer que se conceda à vontade o seu papel reitor, livre e responsável. Pede que, por cima dos gostos e sentimentos pessoais, se valorizem os compromissos sérios reciprocamente assumidos… Aaron Beek, no seu livro Só o amor não basta, insiste repetidamente em que é necessária a determinação da vontade para dar consistência aos movimentos intermitentes do coração: o mero sentimento não basta.

O “amor como dom de si comporta – diz o Catecismo da Igreja Católica – uma aprendizagem do domínio de si <…>. As alternativas são claras: ou o homem comanda e domina as suas paixões e obtém a paz, ou se deixa subjugar por elas e se torna infeliz. Esse domínio de si mesmo é um trabalho a longo prazo. Nunca deve ser considerado definitivamente adquirido. Supõe um esforço a ser retomado em todas as idades da vida””.

Isto significa cultivar o amor. O maior de todos os amores desmoronar-se-á se não for aperfeiçoado diariamente. Empenho este que, na vida diária, se traduz no esforço por esmerar-se na realização das pequenas coisas, à semelhança do trabalho do ourives, feito com filigranas delicadamente entrelaçadas cada dia, na tarefa de aprimorar o trato mútuo, evitando os pormenores que prejudicam a convivência.

A convivência é uma arte preciosa. Exige uma série de diligências: prestar atenção habitual às necessidades do outro; corrigir os defeitos; superar os pequenos conflitos para que não gerem os grandes; aprender a escutar mais do que a falar; vencer o cansaço provocado pela rotina; retribuir com gratidão os esforços feitos pelo outro… e, especialmente, renovar, no pequeno e no grande, o compromisso de uma mútua fidelidade que exige perseverança nas menores exigências do amor…, uma perseverança que não goza dos favores de uma sociedade hedonista e permissivista, inclinada sempre ao mais gostoso e prazeroso.

O coração não foi feito para amoricos, dizíamos, mas para amores fortes. O sentimentalismo é para o amor o que a caricatura é para o rosto. Alguns parecem ter o coração de chiclete: apegam-se a tudo. Uns olhos bonitos, uma voz meiga, um caminhar charmoso, podem fazer-lhes tremer os fundamentos da fidelidade. Outros parecem inveterados novelistas: sentem sempre a necessidade de estar envolvidos em algum romance, real ou imaginário, sendo eles os eternos protagonistas: dão a impressão de que a televisão mental lhes absorve todos os pensamentos.

Precisamos educar o nosso coração para a fidelidade. Amores maduros são sempre amores fiéis. Não podemos ter um coração de bailarina. A guarda dos sentidos – especialmente da vista – e da imaginação há de proteger-nos da inconstância sentimental, do comportamento volátil de um “beija-flor”…

Tudo isto faz parte do que denominávamos a educação afetiva dos jovens e a reeducação afetiva dos adultos. João Paulo II a chama “a educação para o amor como dom de si: diante de uma cultura que «banaliza» em grande parte a sexualidade humana, porque a interpreta e vive de maneira limitada e empobrecida, ligando-a exclusivamente ao corpo e ao prazer egoístico, a tarefa educativa deve dirigir-se com firmeza para uma cultura sexual verdadeira e plenamente pessoal. A sexualidade, de fato, é uma riqueza da pessoa toda – corpo, sentimento e alma -, e manifesta o seu significado íntimo ao levar a pessoa ao dom de si no amor”.

Rafael Llano Cifuentes
Licenciado em Direito Civil pela Universidade de Salamanca e Doutor em Direito Canônico pela Universidade Pontifícia de São Tomás de Roma. Professor de Direito Matrimonial no Instituto Superior de Direito Canônico do Rio de Janeiro, é Bispo Auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro e Coordenador da Pastoral Familiar, da Pastoral da Juventude e da Pastoral Universitária. Publicou diversas obras sobre Direito Canônico e, nesta coleção, os cadernos A constância, Otimismo, Egoísmo e amor, Fortaleza, Vidas sinceras, A alegria de viver e Grandeza de coração, bem como o livro 270 perguntas e respostas sobre amor
Texto do Livro A Maturidade, de Rafael Llano Cifuentes, Editora Quadrante, São Paulo 2003

(Fonte)

Anúncios

A Vocação Cristã

Vocação e missão

Primeiramente Deus nos chama a vida – dom gratuito e proposital. Depois somos chamados a filiação divina, tornando-nos filhos adotivos de Deus através do sacramento do Batismo: num primeiro momento nossos pais e padrinhos assumem o compromisso por nós, depois quando jovens assumimos no sacramento da Crisma –
onde confirmamos as promessas do Batismo.
Somos também chamados a santidade (cf. Ef 1,4-5 e Mt 5,48) e a escolha de um estado de vida (cf. CIC 1603-1604 Sobre o Casamento e CIC 1583 Sobre a Ordem).
A busca da santidade acontece no dia a dia: nos trabalhos comunitários da Igreja (cf. CIC 863), na vida em sociedade e na família, onde nos colocamos a serviço dos outros estando atentos as suas necessidades.
Quando escolhemos um estado de vida, o fazemos a partir das nossas aptidões pessoais: os nossos dons, temperamento, habilidades e a nossa personalidade. O homem e a mulher devem ter em si a propensão para constituir família ao assumir o estado de vida “casado”, Já de um seminarista ou aspirante a vida religiosa espera-se o desejo de servir exclusivamente uma comunidade em suas mais diversas pastorais, movimentos, ministérios; estando ciente da exigência dos trabalhos, da vida de oração e partilha. Assim também com os leigos consagrados que são celibatários, vivendo a vocação de cristão sem constituir família, servindo exclusivamente a Igreja.
É importante destacar que o estado de vida é escolhido livremente, sem que ninguém obrigue. Neste sentido se escolhe um estado de vida consciente das suas responsabilidades. O estado de vida casado é o mais conturbado neste sentido, pois muitos escolhem se casar sem ter a certeza de sua vocação; daí as escolhas erradas conduzem a frustração, a decepção, a rejeição dos filhos, do cônjuge e a separação do casal com dolorosas conseqüências para todos.
O sacerdócio, a vida religiosa e a condição de leigo consagrado são estados onde a formação é mais intensa, conduzindo o vocacionado a uma escolha consciente e frutuosa; já o chamado a vida matrimonial não é muitas vezes amadurecido e acompanhado, por isso há maiores problemas em relação a escolha acertada.

O mês de agosto é dedicado as vocações: sacerdotal (1° Domingo); religiosos (as) no 2° Domingo; Leigos (3° Domingo) e aos catequistas (4° Domingo).
Em todos as vocações Deus chama através de fatos, acontecimentos ou
pessoas . Escolhe livremente e permite total liberdade de resposta. Deus chama para uma missão de serviço ao povo.
Vocação é o encontro de duas liberdades: a de Deus que chama e a do homem que responde.

VOCAÇÃO E PROFISSÃO

Vocação é diferente de profissão! Na primeira descobre-se a condição do servir já latente no íntimo da pessoa, ou seja, a escolha é uma resposta permanente ao chamado de Deus, é uma espécie de “cumprimento do destino para que fomos criados”. Já em relação a profissão não, pois podemos mudar de profissão quando quisermos ou permanecer num cargo pensando exclusivamente nos seus benefícios.
Outra diferença entre vocação e profissão é a natureza do servir: na primeira a atividade é focada nas pessoas, no bem comum e na construção do Reino de Deus, já na segunda o foco é a carreira profissional, a eficiência, a competência, o aperfeiçoamento, o salário, os benefícios e o bem das pessoas também; porém, as
pessoas ficam muitas vezes em último lugar, já que, atualmente, a sociedade em que vivemos centra sua atenção no indivíduo (não nos outros), nos bens materiais e no dinheiro.

SUGESTÕES DE DEBATE:
– O que preciso fazer para descobrir minha vocação?
– Como posso saber se acertei na escolha de minha vocação?
– Quais as conseqüências de uma vocação mal escolhida?
– Se todos os cristãos batizados são chamados a servir o próximo por que poucos correspondem a esse chamado de Jesus?

(Fonte: Apostila Catequese de Adultos)

Exame de consciência para adultos

Exame de consciência é fazer os esforços necessários para lembrar-se, um a um, dos pecados não confessados, percorrendo os Mandamentos de Deus e da Igreja, os lugares por onde andou e ocupações que teve, depois de haver pedido a Deus luz para conhecer suas culpas.

perdão

a. PECADOS EM RELAÇÃO AOS DEVERES PARA COM DEUS:

• O Senhor disse: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração” (Dt 6,5).
• Não amar a Deus sobre todas as coisas.
• Preocupar-se demais com as coisas terrenas.
• Usar o nome de Deus sem respeito. Blasfemar contra Deus.
• Não participar da Missa ou das Celebrações aos domingos e Dias de Guarda.
• Não participar da Missa piedosa, atenciosa e ativamente.
• Receber indignamente qualquer um dos Sacramentos.
• Não rezar todos os dias. Rezar de qualquer jeito, com pressa, sem pensar.
• Não aprofundar a fé através da catequese, da participação dos cursos, retiros, seminários, do estudo da Bíblia e Catecismo.
• Ler livros contra a religião.
• Ter vergonha de ser cristão-católico.
• Não ter confiança em Deus e na sua misericórdia.
• Duvidar de verdades reveladas por Deus e ensinadas pela Igreja.
• Jurar falso ou sem necessidade.
• Não cumprir votos e promessas feitas a Deus. Ser supersticioso.
• Consultar espíritos, feiticeiros, benzedores, pais de santos, cartomantes, etc.
• Abandonar a Igreja para se tornar indiferente ou adepto de uma seita.
• Falar mal de Deus, de Nossa Senhora, dos santos, da Igreja ou de seus ministros.
• Trabalhar sem necessidade aos domingos e dias santos ou mandar os outros trabalharem.
• Não se confessar ao menos uma vez ao ano.
• Ocultar por qualquer motivo algum pecado durante a confissão.
• Não jejuar nos dias e nos tempos de penitência.
• Não guardar jejum eucarístico, uma hora antes da Comunhão.
• Não ajudar a Igreja nas suas despesas e necessidades.
• Não participar dos eventos, das obras de apostolado e de caridade promovidos pela Igreja.
• Não pagar o dízimo de acordo com a posição econômica.
• Vestir-se indecentemente (roupa curta, transparente, imprópria em geral), principalmente nas celebrações da Igreja.
• Portar-se indevidamente na Igreja (conversar, distrair-se voluntariamente, não prestar atenção…).
• Não se comportar como cristão na vida pública e particular.

b. PECADOS EM RELAÇÃO AO PRÓXIMO:

• O Senhor disse: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei” (J 13,34).
• Não amar o próximo verdadeiramente.
• Utilizá-lo para o proveito próprio, fazendo-lhe o que não se deseja para si mesmo.
• Escandalizar o próximo com palavras ou ações.
• Julgar e falar mal dos outros (até mesmo a verdade).
• Falar mal das pessoas ou das instituições, baseando-se apenas nos boatos ou suspeitas.
• Revelar, sem motivo justo, graves defeitos alheios.
• Caluniar.
• Atribuir ao próximo defeitos que não eram verdadeiros.
• Não reparar os prejuízos que isso causou.
• Ter ódio.
• Afastar-se do próximo por qualquer desentendimento, inimizade ou injúria.
• Não querer perdoar.
• Não aceitar o perdão.
• Deixar-se levar pela ira, magoando ou humilhando os outros.
• Não procurar a reparação dos danos.
• Fazer distinção entre as pessoas.
• Ter inveja.
• Ter ciúmes.
• Não querer que os outros estejam bem.
• Desejar mal aos outros.
• Maltratar alguém com palavras ou ações.
• Brigar.
• Xingar.
• Vingar-se.
• Rogar praga.
• Desprezar.
• Zombar, principalmente os pobres, velhos, deficientes ou de outra raça.
• Não contribuir para o bem da família pela paciência, tolerância, solidariedade.
• Não obedecer e não respeitar os pais, superiores, autoridades constituídas.
• Ter vergonha dos pais.
• Não ajudar os pais quando velhos, doentes, necessitados.
• Não criar e não cuidar devidamente da educação religiosa dos filhos.
• Desleixar a obrigação de ajudar aos filhos cumprirem os seus deveres religiosos.
• Ser autoritário e não buscar o diálogo com os filhos.
• Dar mau exemplo aos filhos ou subordinados, não cumprindo os seus deveres religiosos, familiares, sociais ou profissionais.
• Opor-se à vocação do filho (ou a dos outros).
• Não ser fiel ao marido (à esposa) em desejos e relacionamentos com os outros.
• Não cumprir os deveres conjugais de marido (de esposa).
• Desperdiçar o dinheiro no jogo, na bebida etc.
• Dar mais atenção aos amigos do que à própria família.
• Não socorrer os necessitados e pobres. Explorar o outro.
• Não pagar o salário justo ao empregado. Ser egoísta.
• Prejudicar o outro usando de peso e medidas falsas, enganando nas mercadorias e nos negócios.
• Roubar.
• Furtar ou ser cúmplice.
• Reter a propriedade alheia contra a vontade do dono. Aceitar ou comprar as coisas roubadas.
• Não pagar impostos. Estragar as coisas dos outros.
• Ficar com coisas emprestadas.
• Não ser honesto e responsável no emprego.
• Deixar de pagar as dívidas. Ser desleal.
• Violar segredos.
• Mentir.
• Levantar calúnia e não reparar os danos.
• Deixar de advertir o próximo de algum perigo material ou espiritual, ou de corrigi-lo, como exige a caridade cristã.
• Prestar falso testemunho.
• Ser orgulhoso.
• Não impedir ou levar outros ao pecado.
• Matar.
• Ferir ou espancar alguém.
• Praticar o aborto, aconselhar ou ajudar na sua realização.
• Provocar o acidente ou um mal qualquer pela imprudência ou negligência.
• Não respeitar as leis do trânsito.
• Não respeitar os direitos dos outros.
• Usar o cargo ou autoridade para o interesse pessoal ou para dominar os outros.
• Abusar da confiança dos superiores.
• Prejudicar os superiores, subordinados ou colegas, causando-lhes um dano.
• Tolerar abusos ou injustiças que tinha obrigação de impedir.
• Deixar que pela preguiça acontecessem prejuízos no trabalho.
• Calar diante da injustiça e da falsidade.
• Recusar a dar testemunho de inocência do próximo.
• Trabalhar exageradamente, sem ter tempo para Deus, família e lazer.
• Não dedicar o tempo para o estudo, trabalho, oração, lazer. Não respeitar a intimidade e a privacidade dos outros (vida familiar, correspondência, mídia, telefone).
• Perturbar os outros pelo som alto, vida noturna barulhenta, etc.

c. PECADOS EM RELAÇÃO A SI MESMO:

• O Senhor disse: “Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48).
• Viver ignorando a Deus e os seus mandamentos.
• Não se esforçar para progredir na vida espiritual por meio da oração, da leitura da Palavra de Deus, da participação dos sacramentos e da mortificação.
• Não se esforçar pela própria santificação.
• Não praticar a abstinência e o jejum conforme manda a Igreja.
• Não usar devidamente o tempo e os dons recebidos de Deus.
• Prejudicar a saúde por excesso de comida e bebida; pelo fumo, álcool, drogas.
• Arriscar a vida sem necessidade.
• Desejar ou tentar suicidar-se. Fazer chantagem.
• Ser avarento, acumulando para si mesmo.
• Ser preguiçoso, vaidoso, sensual.
• Ter pensamentos e desejos impuros voluntariamente.
• Praticar atos contra a castidade (carícias, relações sexuais fora ou antes do casamento, masturbação, homossexualismo).
• Entreter-se com os olhares impuros ou aceitar sensações impuras.
• Seduzir as pessoas a pecarem contra a castidade.
• Usar os produtos anticoncepcionais.
• Tomar os “remédios” para evitar os filhos.
• Aconselhar os outros a tomá-los. Praticar danças eróticas.
• Ler livros e olhar revistas pornográficas. Assistir filmes pornográficos e imorais.
• Escandalizar no modo de se vestir e brincar.
• Ser malicioso.
• Dar apoio aos programas de ação social e à política imoral ou anticristã.
• Dizer palavrões.
• Ser ocioso e não cumprir as suas obrigações.
• Ser irresponsável.
• Não evitar as ocasiões do pecado.
• Subornar e receber o suborno.
• Ser omisso em procurar evitar, na medida do possível, as injustiças, subornos, escândalos, roubos, fraudes e outros abusos que prejudicam a convivência social.
• Sempre impor a própria vontade sem respeitar a liberdade e direito alheios.
• Não aceitar com paciência as dores e contrariedades da vida.
• Agir contra a própria consciência por temor ou hipocrisia.

DEUS AMA O PECADOR. Esta é uma verdade fundamental do Evangelho. “Eis aqui uma prova brilhante do amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós” (Rom 5,8). A parábola sobre cem ovelhas (Mt 18,11-14) e a do “filho pródigo” (Lc 15,11-32) devem nos encorajar a lançar-nos no braços de Deus. Sem Ele não há vida e não é possível ser feliz afastando se da fonte de felicidade.

(Fonte)

Se for para amar que seja de verdade

amar de verdadeAlgumas mulheres acusam os homens de insensíveis, incapazes de se entregar por inteiro numa relação a dois. Dizem até que as mulheres amam e os homens se amam. Levando em conta a capacidade que todo ser humano tem de amar e ser amado, não podemos nos esquecer de que somos aquilo que aprendemos a ser. Diferente dos homens, as mulheres aprenderam, desde o berço, a não terem medo de demonstrar seu amor. Foram até estimuladas a sentir medo e expressar suas emoções sem receio. Sem querer ser pessimista, penso que o processo de educar um homem, muitas vezes, o torna insensível à necessidade de demonstrar que ama alguém.

Independente da maneira como fomos criados, todos nós sentimos um “friozinho” na barriga quando a paixão por alguém se intensifica. Isso significa que todo mundo ama, mas nem todo mundo tem coragem de confessar tal sentimento. Preferimos manter uma relação fria, regada a boas noites de prazer, mas sem nos envolvermos emocionalmente, a ponto de não conseguirmos viver mais sem aquela pessoa. É hora de revermos nossos conceitos. Sem amor não há relação que perdure por muito tempo.

Qual o mal que existe em dizer (e demonstrar) que se ama alguém? Para muitos, é sinal de coração mole, pessoa fraca, carente. Os homens têm medo de serem taxados assim. Preferem ostentar a agressividade (que remete ao ser macho) e viver na ilusão do “quanto mais, melhor!”. Vamos vivendo a vida para colecionar números de relacionamentos vazios. Chegamos ao fim dos nossos dias sem uma pessoa ao nosso lado, com um grande estoque de amor dentro da gente, que agora não servirá para mais nada. O medo de amar torna o homem pequeno.

Muitos homens aprendem com seus pais que só o prazer importa. São levados por estes, ainda jovens, aos prostíbulos da vida; lá, aprendem a maneira mais baixa de relacionarem-se com alguém. Eles obtêm o prazer do corpo e a insatisfação da alma. São felizes enquanto o momento dura e insatisfeitos quando este passa. Isso não é amor. Amor de verdade produz alegria nos bons e nos maus momentos. Só aprendeu a amar de verdade quem conseguiu compreender as necessidades do coração da outra pessoa.

“Só aprendeu a amar de verdade quem conseguiu compreender as necessidades do coração da outra pessoa”

Quem não acredita no amor que não diga que ama alguém. Se for para amar, que seja de verdade. Talvez a pior dor que o ser humano possa sentir é saber-se amado por alguém que, na verdade, não ama ninguém. Falsidade e amor não combinam. O relacionamento só cresce onde há partilha de sentimentos, onde os dois, de mãos dadas, compartilham os bons e os maus momentos em nome de um verdadeiro amor.

Amor também se aprende. É uma decisão. Basta começar e colocar amor em tudo o que formos fazer. Quem experimentou viver assim, viu que amar não é coisa de covarde, ao contrário, só os corajosos têm coragem de reconhecer-se amável e amado. A nossa educação pode até ter nos mostrado o contrário, mas a vida nos ensina que só quem ama consegue se destacar num mundo tão mesquinho. Quem ama de verdade encontra a verdadeira felicidade.

(Fonte)

Como tratar uma paixão proibida?

(Prof. Felipe Aquino/via Facebook)

erva daninhaRecebo alguns e-mails de pessoas vivendo uma “paixão proibida”; isto é, se encantaram, apaixonaram, por uma pessoa com quem não podem um dia se casar. Há muito, os filósofos já diziam que “o coração tem razões que a própria razão desconhece”. Como explicar para a razão que o coração de uma mulher casada se apaixonou pelo colega de trabalho ou vice-versa? Certamente há razões para isso, mas a razão fica perdida, ela não entende essa “lógica”.

Uma moça escreveu- me dizendo que há anos é apaixonada por um padre. Ela sabe que não pode namorar com ele, e muito menos se casar com ele; é até catequista na igreja dele; mas a paixão persiste teimosa, fazendo doer a alma. Está “doente de amor”.

Um rapaz me escreveu que ama a esposa, tem dois belos filhos, mas agora ficou apaixonado pela colega de trabalho, e agora? O que fazer? Ele me diz que a moça não sai da cabeça dele, mesmo quando está abraçado à esposa. É o amor proibido! O que fazer? Certamente muitos “chutam o pau da barraca” da razão e se jogam no abismo do coração… E o prejuízo é grande. Qual a saída? Não há outra. Incontinente, “cortar o mal pela raiz”; sem dó nem piedade dos gemidos do coração; se a paixão é proibida tem de ser cortada na raiz, por mais que doa na alma. A erva daninha não pode crescer porque senão mata a boa árvore.

É claro que não é fácil “cortar” uma paixão proibida, pois é uma decisão da razão que o coração não acompanha; ele continua a gemer como o gato no telhado abandonado pela gata. Jesus deu o remédio: “vigiar e orar”, o espírito é forte, mas a carne é fraca. Então o jeito é “fugir”. Se a paixão é proibida, é veneno; e de veneno se foge. Muitos chegam à extremidade do abismo para depois tentar voltar; é um risco muito grande. É verdade que a melhor paisagem é aquela que a gente vê “no limite do abismo”; mas, um passo em falso… tudo destrói.

Então, a solução é, mesmo em lágrimas, “fugir”; rezar, implorar a graça de Deus para “cortar na raiz o relacionamento”. Nada de conversas, cartas, e-mails proibidos e “afagos lights”… O que os olhos não veem, os ouvidos não ouvem, e as mãos não tocam, o coração não sente. De um amor proibido só temos uma saída, fugir, como se foge de qualquer perigo. Mesmo que se tenha de fazer como o filósofo grego Ulisses, que precisou ser amarrado na barca para não se entregar aos braços tentadores e mortais da sereia encantada da Odisseia.

Certamente você está dizendo: “mas isso é muito difícil!”. Sim, eu diria, é quase impossível sem a graça de Deus, sem a oração e a “fuga heroica”; mas é um belo presente que você dá a Deus; porque quanto mais difícil é para você fazer a vontade Dele, mais Ele se alegra; mais mérito você tem.

Quanto mais for difícil dizer “NÃO!” a uma paixão proibida, mais se agrada a Deus e se livra do perigo. Mesmo que os espinhos das rosas firam sua alma, ofereça a Deus flores puras e perfumadas de um coração que lhe pertence.

Católico divorciado pode namorar?

“Em primeiro lugar, confie na misericórdia infinita de Deus…”

divorcio

O matrimônio cristão:

O matrimônio é uma aliança ou contrato pelo qual o homem e a mulher aderem a uma instituição natural que origina uma comunhão de vida para sempre.;

A instituição natural do casamento apresenta três elementos essenciais: a unidade ou monogamia, isto é, a fidelidade a um só cônjuge ou a exclusividade da união matrimonial, o vínculo de “um com uma”; a indissolubilidade, isto é, a permanência do vínculo matrimonial através do tempo, “até que a morte os separe”; e a fecundidade, isto é, os filhos, os frutos dessa união

O matrimônio cristão não é apenas uma instituição natural, porque Jesus Cristo elevou essa instituição à dignidade de sacramento.

No Evangelho: Os fariseus vieram perguntar-lhe para pô-lo à prova: “É permitido a um homem rejeitar a sua mulher por qualquer motivo?” Respondeu-lhes Jesus: “Não lestes que o Criador no começo fez o homem e a mulher e disse: «Por isso o homem deixará seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne? Portanto, não separe o homem o que Deus uniu».” (Mat 19, 3-9)

unidade significa que o casamento se realiza entre um só homem e uma só mulher. É o que se chama também união monogâmica.

Em si mesma, a palavra indissolubilidade significa apenas que o matrimônio não pode ser dissolvido pelo divórcio; mas para além desse sentido meramente negativo, vimos já que significa principalmente algo mais profundo: a fidelidade conjugal, salvaguarda da unidade entre os esposos. O novo Catecismo frisa precisamente esta relação entre indissolubilidade e fidelidade: O casal de cônjuges forma «uma íntima comunhão de vida e de amor que o Criador fundou e dotou com leis próprias.

É instaurada pelo pacto conjugal, ou seja, pelo consentimento pessoal irrevogável» (Gaudium et spes 48, 1). Os dois entregam-se definitiva e totalmente um ao outro. Já não são dois, mas formam doravante uma só carne. A aliança livremente contraída pelos esposos impõe-lhes a obrigação de a manter una e indissolúvel (cf. Codex Iuris Canonici [CIC], cân. 1056). O que Deus uniu, o homem não separe (Mc 10, 9). “A fidelidade exprime a constância em manter a palavra dada. Deus é fiel. O sacramento do Matrimônio fez o homem e a mulher entrarem no âmbito da fidelidade de Cristo à Sua Igreja. Pela castidade conjugal, eles dão testemunho deste mistério perante o mundo” (n. 2365).”

O namoro cristão:

A idéia fundamental que deve presidir o namoro é esta: é preciso namorar sempre com o intuito de encontrar o futuro cônjuge.

Não se namora porque “todos têm” um namorado ou uma namorada, ou para ter alguém com quem passar o tempo, ou para satisfazer necessidades afetivas ou sexuais. O namoro encarado seriamente deve ter em vista o grande ideal de construir uma família perfeita que torne feliz a união conjugal.

O desquite e o divórcio:

Desquite é a separação dos cônjuges sem que exista ruptura do vínculo: as pessoas separam-se, mas continuam casadas.

O divórcio é a separação acompanhada de ruptura do vínculo, e, segundo a legislação brasileira, permite contrair novo matrimônio civil.

Uma pessoa católica desquitada pode comungar?

– Só o fato de estar desquitada não impede a pessoa de receber o Sacramento da Eucaristia. O que importa é que não se junte a outra pessoa para viver maritalmente. Se for este o caso, não poderá receber a Eucaristia enquanto não se separar e fizer a confissão oportuna.

A Igreja permite a separação [desquite]?

– A Igreja só permite a separação [desquite] quando não há outro meio de solucionar uma desavença matrimonial, a fim de evitar males maiores como os maus-tratos de um dos cônjuges e os maus exemplos para os filhos. O novo Catecismo diz a este respeito: «A separação dos esposos com a manutenção do vínculo matrimonial pode ser legítima em certos casos previstos pelo Direito Canônico» (cf. CIC, cân. 1151-1155)” (n. 2383)

A Igreja não aceita o divórcio por dois motivos:

1) porque contraria o Direito natural, que é plano de Deus;

2) porque contraria os mandamentos explícitos e positivos de Deus Criador e de Jesus Cristo.

Quando um católico se divorcia, pode casar-se pela segunda vez?

– Quando um católico se divorcia, não pode voltar a casar-se, nem pelo civil nem pelo religioso. Se o fizer pelo civil, por ser permitido pela lei, comete pecado grave. Isto vale também, apesar de sua aparente dureza, para o cônjuge injustamente abandonado. É precisamente porque está em jogo um valor socialmente importantíssimo – a fidelidade – que não se podem admitir exceções nesta matéria

A pessoa divorciada e “recasada” pode confessar-se e comungar?

– Esse pecado cria um estado de irregularidade que – segundo determina a Igreja – impede a pessoa de confessar-se (enquanto não se separar do seu companheiro ou viver com ele sem ter relações sexuais nem causar escândalo), bem como de comungar, porque não está em estado de graça, condição indispensável para se receber a Eucaristia. Como é evidente, a pessoa que se encontra civilmente divorciada sem culpa própria, ou que foi abandonada pelo cônjuge, pode confessar-se e comungar regularmente, como qualquer católico, se está em graça de Deus. Só deixaria de poder fazê-lo se contraísse uma nova união, pois estaria assim demonstrando com a sua atitude que ratifica a separação da qual, até então, foi apenas uma vítima inocente. 

O adultério:

O adultério é a relação sexual entre parceiros dos quais pelo menos um é casado. O adultério é um pecado grave por duas razões:

1) peca-se gravemente contra a castidade, já que o ato sexual realiza-se fora do matrimônio;

2) peca-se também gravemente contra a justiça, porque se lesam os direitos do outro cônjuge, que tem um direito exclusivo sobre o corpo do marido ou da esposa nos atos próprios da vida conjugal

A virtude da castidade:

Pode-se definir a castidade como a virtude que inclina a submeter prontamente e com alegria o uso da faculdade sexual aos ditames da razão iluminada pela fé. É preciso insistir que a castidade não é repressão, mas virtude que canaliza e conduz o amor, como as artérias conduzem o sangue ao coração. Neste sentido, Santo Agostinho diz que a castidade é um «amor ordenado que não subordina o maior ao menor».

Dom Rafael Llano Cifuentes, bispo de Nova Friburgo, licencidado em Direito Civil pela Universidade de Salamanca e Doutor em Direito Canônico pela Universidade Pontifícia de Santo Tomás de Roma, no livro “270 Perguntas e Respostas sobre Sexo e Amor“, Quadrante, Sociedade de Publicações Culturais, São Paulo, SP, 1995.

Baseando-se na explicação acima, podemos concluir que:

Uma pessoa católica casada pelo sacramento do matrimônio, separada (desquitada ou divorciada), independente do modo de separação, não deve namorar, porque ao namorar, quer castamente quer não-castamente, tem o intuito de encontrar o futuro cônjuge, se coloca em um estado de pecado grave de infidelidade matrimonial, perde a graça santificante, ficando assim impossibilitada de receber a comunhão sacramental. Pode, neste caso, realizar apenas a comunhão espiritual(*).

(*) Comunhão espiritual:

A Comunhão espiritual é um desejo ardente de receber Nosso Senhor Jesus Cristo presente na Eucaristia, sem que, todavia, se realize este desejo. Consta, a comunhão espiritual, de três atos:

a) ato de fé na Presença real,

b) recordação dos benefícios espirituais que Nosso Senhor Jesus Cristo nos grangeou por sua paixão, e que nos concede na santa comunhão,

 c) ato de caridade, unido à vontade de recebê-lo na comunhão sacramental.

 Pode-se fazer a comunhão espiritual a qualquer hora. Mas o momento mais oportuno, é o da comunhão do sacerdote, no sacrifício da missa.

Os efeitos da comunhão espiritual são da mesma natureza que os da comunhão sacramental, porém, de grau menor, e variáveis conforme os sentimentos de quem a faz. Seja qual for, o resultado da comunhão espiritual, é sempre muito boa, e sempre foi altamente preconizada e encarecida pela Igreja.

Boulenger,Doutrina Católica, Terceira Parte, Meios de Santificação, Liturgia, Livraria Francisco Alves, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Nihil Obstat – São Paulo, 1927 (Can. Dor. Martins Ladeira, censor)

 Exemplo de oração de comunhão espiritual: “Eu quisera , Senhor, receber-Vos com aquela pureza, humildade e devoção com que Vos recebeu a vossa Santíssima Mãe, com o espírito e o fervor dos santos”.

(Fonte)