Santidade, perfeição e sabedoria, assim é o Catequista

(Vandeia Ramos)


Último domingo antes da quaresma e a Liturgia se antecede, anuncia nossa santidade enquanto configuração a Cristo, fim de nossa caminhada. E Jesus anuncia a Si mesmo como chegada, a Antiga Aliança como preparação para sua vinda, o Novo Testamento como realização do Reino através da Igreja.
E tal realidade exige de nós uma mudança radical, já que somos testemunhas junto aos nossos catecúmenos. As inscrições para a Iniciação Cristã estão se aproximando do início de uma nova turma e precisamos repensar se nossas palavras estão coerentes com nossas ações, se nossos atos anunciam e nossos silêncios não são omissões.
Pelo Batismo somos chamados à santidade e, no mundo em que vivemos, sentimos falta de modelos que nos ajudem a compreender o Evangelho. O desafio da catequese está justamente neste ponto: aprendermos diretamente com o Mestre, através da Igreja, a sermos este modelo. E isso leva à ressignificação de nossa vida: a abertura do coração ao próximo, principalmente aos mais difíceis, aos que precisam ser amados, que gritam esta carência com atitudes para chamar nossa atenção – o amor não é mérito, senão não é gratuito e dom. E isso envolve não entrar em discussões, que não levam a nenhum lugar e acumulam rancor e mágoa; a não revidar agressões e resistência de crianças e jovens, que ainda não conseguem expressar suas necessidades através de argumentos; à disponibilidade do ouvido e do coração na paciência com quem tem mais dificuldade, precisando repetir o ensinamento ou mesmo elaborá-lo de outro modo; permanecer em oração pelos que estão sendo colocados sob nossa responsabilidade, para orientar nos caminhos da fé.
Jesus, nosso Mestre, é nossa maior referência, e toda a Igreja lhe é testemunha. Nossa comunidade se torna modelo à medida em que conseguimos observar sua direção ao Senhor. Assim temos duas dimensões da santidade a que somos configurados: a pessoal, no compromisso de cada um em se tornar imagem e semelhança de Deus, e a comunitária, em que uns são modelos e auxílio aos demais. Santidade se relaciona intrinsecamente com o amor-dom.
A perfeição não é um elemento individual, pois não somos sozinhos. Somos enquanto plural, em uma Igreja que se apresenta ao mundo através de diferentes rostos. O que nos é limitado, difícil, temos um irmão próximo que pode nos ajudar e iluminar aspectos que sozinhos não conseguiríamos sequer perceber. Somos mais porque somos diversos, enriquecidos como membros de um único Corpo. Não é a toa que somos vários catequistas, em faixas etárias distintas, com grupos específicos, em tantos lugares e tempos…
A sabedoria nos é dada enquanto percebemos e vivemos a dinâmica da fé. Nossa razão é transpassada pela graça, que ilumina e dirige nosso olhar, nosso coração, e vemos o que outros não conseguem: a intimidade do coração humano que se inclina para Deus. Distinguir o melhor caminho para dar a mão aos nossos catecúmenos é nossa tarefa de todo dia, sermos mediadores no Mediador.
Comecemos nossa quaresma na conversão de nosso ser e pedindo a Deus que nos guie em sua bondade, para que, a catequese possa bendizer ao Senhor, que nos cerca com sua compaixão e ternura.

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