No colo de Maria, protegidos por José

(Vandeia Ramos)


A Festa da Purificação é uma festa dupla, em que a mãe se purifica do parto, o que hoje chamamos de resguardo, e os pais ofertam a criança a Deus. Aqui já se manifesta o Mistério de Deus, pois Maria não precisava de purificação, já que ela é a “cheia de graça”. No entanto, como veremos seu Filho, ao longo da vida, submete-se à Lei. E ela faz sua oferta, mais que as duas rolinhas ou dois pombinhos (Lv 12), Maria sustenta sua oferta de si mesma.
Na Antiga Aliança, o primogênito deveria ser ofertado a Deus e, em seguida, resgatado (Ex 13, 1-2.12-14; Nm 18, 15-18), o que não aconteceu. Maria e José sabiam que, antes de Jesus ser seu Filho, era Filho de Deus. E os santos pais oferecem o Filho e não O resgatam.
Podemos identificar este despojamento quando Simeão chega e pega o Menino no colo, sem resistência de Maria e de José. Recebemos uma das mais belas orações de nossa fé, inserida na Liturgia das Horas quando vamos nos recolher. Simeão sabe que seu tempo está acabando e recebe o carinho de Deus ao estender os braços para o Bebê, alcançando a plenitude de sua vida. Jesus não veio somente para Simeão, e este fica feliz pela esperança que vem até o seu povo e a todos. Possamos também nós, ao nos deitarmos, também poder entregar toda a vida do dia nas mãos de Deus.
Tal sacrifício de Maria lhe valerá uma dor tal, pois seu Amado será rejeitado. E ela trará a dor do Filho, calando em seu coração nossa resistência e violência, ainda que não saiba o que isso significa. Guarda em seu íntimo, acolhe a mensagem, sem desviar-se da ternura de sua família. No amor da Mãe, Jesus recebe o amor humano que se torna divino.
Ana, profetisa que dedicava sua vida a Deus, identifica na Família de Nazaré Aquele que vem para cumprir a Promessa. A dedicação ao serviço do Templo é coroada quando vê o Cumprimento. Assim, ela nos ensina a esperar em Deus, sem desistir.
O Bebê seguiu o Caminho de um Filho, como todos nós, crescendo em tamanho, sabedoria e graça, na casa de seus pais, envolvido de cuidado e ternura, como somos nos braços de Deus, de modo especial a partir do Batismo.
Jesus segue uma vida ordinária, sem destaque no Egito e/ou em Nazaré. Um entre tantos meninos. Quem poderia dizer quem Ele é? É na vida pública que sua firmeza vai atrair atenção, por Palavra e Atos. Ele faz o que diz e diz o que faz. Os que buscam verdadeiramente o Senhor logo O identificam e O seguem. Os que apresentam incoerências entre o que diz e o que faz serão chamados a se converterem e, muitas vezes, não aceitarão, causando dor e rejeitando o Amor, escolhendo viver como escravo do orgulho, da vaidade, da super valorização de si mesmo, colocando-se como definidor do certo e errado.
Vivemos em constante tentação desta incoerência, resistindo à santidade e ficando afastados de Jesus, argumentando que, por Ele ser Misericordioso, tudo perdoa. Só que realmente queremos Seu perdão? Não é um modo de esvaziar Sua justiça?
Na Festa da Purificação temos o Rei da Glória indo ao Templo de Jerusalém no colo de Maria que, junto com José, apresentam-no ao Pai. O Deus se faz Menino e se deixa conduzir pelos pais, mostrando como quer ser acolhido pela humanidade. Vindo a nós, chama-nos a ir com Ele para purificar-nos e ofertar o que o ser humano tem de mais precioso: o Verbo de Deus.
Sigamos nós com Maria e com José, tornando-nos seus filhos no Filho, pedindo que a Família de Nazaré nos apresente também ao Pai!

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