É tempo de Cumprir a Promessa!

(Vandeia Ramos)


Podemos dizer que entre João Batista e Jesus Cristo percebemos a passagem da Antiga Aliança para a Nova, o que é destacado por Mateus. Entre a genealogia e os discursos do Reino, nosso evangelista prepara o contexto, fazendo a passagem da Promessa para o Cumprimento.
A Palavra não é apenas para os hebreus, e sim para todos. Assim, Jesus vai para a Galileia, geograficamente com múltiplas influências por ser território de passagem em direção a outras terras. Também é lugar em que a cultura grega penetrou e se constituiu em cidades, como a Decápole. Para Mateus, é nesta perspectiva de universalidade que a Boa Nova é anunciada, para os que estavam mais afastados de Jerusalém, tanto em práticas religiosas como na distância física: eis que o Reino de Deus está chegando a vocês!
Mas antes, a chamada dos que seriam os Apóstolos. Dentre diversos afazeres, Jesus começa com os irmãos André e Simão, e continua com Tiago e João. Da fraternidade doméstica temos a semente da família humana, pois vão aprender para viver como irmãos em Cristo.
Jesus parte do mais íntimo deles, do que fazem com perfeição: pescar. Mas não se limita ao trivial, ao cotidiano. Ele quer que “pescar” seja mais do que jogar redes no mar para pegar peixes. Jesus quer que comecemos a entender que o mais simples gesto é para se tornar espiritual. O ato de jogar a rede para pegar peixes irá se tornar o anúncio da Boa Nova para levar luz a tantos pelo mundo, a formar discípulos para compor o Corpo de Cristo, a Igreja, para que possa chegar a todas as nações, e o Reino se manifeste ao mundo.
Como discípulos, nossa prioridade é a resposta ao chamado. Neste ouvir, deixamos nossas tarefas diárias, nossa família, nossas coisas e vamos, na compreensão de que não importa a quantidade de atos que temos, e sim do amor e da entrega que fazemos que torna nosso dia importante. Fazer as coisas por amor a Deus através das pessoas, desde lavar um copo a arrumar uma roupa, preparar uma catequese e aprender o mais que puder na escola, tratar as pessoas como abertura para o céu a uma postura profissional em que o Espírito esteja presente através de nós.
Na presença de Deus, a superação das dificuldades, a construção de pontes, o modelo de agir em serviço ao próximo, o tornar a realidade como um espaço espiritual em que a família de Deus conviva em paz.
Os que sequer possam ter ouvido falar de Deus, através de cada um de nós, passa a se encontrar na sua presença e a ser iluminado. A alegria e o carinho se tornam parte do cotidiano, a dificuldade é partilhada, a boa vontade cresce em frequência.
Conflitos, divisões, contendas, partidarismo… vão perdendo o sentido em prol de um objetivo em comum: fazer o melhor possível com o que temos, respeitando os dons de cada um na contribuição. E a nós é exigido a entrega de discípulos, no serviço a Deus através de cada momento.
Não somos a Luz, e sim portadores da Luz. É nesta realidade de sermos iluminados que podemos ser portadores de Deus, contemplá-lo mesmo nas dificuldades, viver sua bondade com coragem de sabermos que, quanto mais doer, mais difícil for, mais seremos cuidados e amparados por Jesus.
Junto com São Mateus, o Profeta Isaías e São Paulo, poderemos anunciar que o Senhor é a nossa luz e salvação!

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