Chamados a Ser Povo Eleito

(Vandeia Ramos)

5ae44ed6516e0049bddb57370c75487a
O Evangelho de Mateus, escrito para cristãos vindos do judaísmo, chama à abertura do coração para todos os povos. Daí temos uma preocupação teológica, de apresentar o Filho de Deus vindo para a salvação de todos, não somente de Israel. O Povo Eleito, pelo qual Deus se revela, precisa se abrir para o Novo Povo Eleito, com a marca do espírito que paira sobre cada um.
Jesus não nasce em Jerusalém nem vem da terra de Israel, e sim da Galileia das nações, como o próprio Mateus vai identificar, lugar de passagem e de miscigenação histórica de vários povos. E vai para o Jordão, vai procurar seu primo, João Batista, fazendo a passagem da Antiga Aliança para a Nova, assumindo a Promessa em Si mesmo, iluminando seus seguidores para que continuem o Caminho.
O batismo de João é de arrependimento do pecado, de busca de remissão, de abertura do coração para Deus – é nosso primeiro passo na adesão a Cristo. Como Cabeça do Corpo Místico, Jesus nasce sob a Lei para dar testemunho da Lei. Ele é o Filho, semelhante a nós em tudo, menos no pecado. E seguiu os passos da humanidade para nos ensinar que Deus é maior que tudo e que devemos seguir confiando e esperando.
Batista identifica em Jesus o Cordeiro de Deus sem pecado e fica desconcertado. Jesus o tranquiliza e o incentiva a seguir, pois é preciso mostrar-se como Caminho da Verdade e da Vida. E temos uma das mais bonitas teofanias, em que a Santíssima Trindade se manifesta à humanidade através do Filho, com o Espírito pairando, como para Moisés no Sinai e em Nossa Senhora na Encarnação, e o Pai anunciando Jesus. É um sinal do que será nosso batismo, em que seremos inseridos no Corpo Místico pela água e pelo sangue da cruz, de sermos Templos da Trindade.
Somos os Eleitos do Senhor para manifestar Sua presença ao mundo, o que nos exige uma vida de testemunho, de deixar que o próprio Deus fale em nós, através de nós. Ou seja, a presença do Espírito nos silencia, pois reconhecemos nossa imperfeição e, por misericórdia, não denunciamos o pecado do irmão que briga consigo para sustentar a fé e a esperança; somos sustentados na catequese, em que, através de cada encontro, revemos nossa vida à luz do amor de Deus; iluminamos a cegueira espiritual que não nos permite ver a ação divina através dos acontecimentos; libertamo-nos dos vícios que nos escravizam e nos afastam do Reino; saímos das trevas da ignorância, que não deixam ver além de nós mesmos e de necessidades que nos limitam.
Justiça e Boa Nova se entrelaçam. Através do anúncio de João Batista, do nosso, a Trindade se faz presente aos que buscam a Deus. Através do Filho, a Igreja se torna critério de justiça, dos que se abrem ao Espírito, dos que são eleitos pelo Pai.
Que o Senhor nos sustente na Paz, na Sua Paz, para que possamos ser Seu Povo Eleito, luz das nações, testemunho da esperança no Reino.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s