O Bem-Aventurado Catequista

(Vandeia Ramos)

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A imagem do Evangelho de hoje nos remete à função de ensinar. A Igreja coloca o processo educativo como um dos maiores atos de amor, pois é anunciar o Reino que é em nós. E Jesus, o Catequista, olha a multidão de pessoas e se compadece. Quantos ainda não vivem a alegria de Deus? Quantos ainda vagam sem sentido na vida, buscando a felicidade sem saber onde encontrá-la?
Como Mestre, Jesus busca um lugar alto, remetendo seu ensinamento a Deus. E senta-se. Para escutarmos Jesus, precisamos nos aproximar e olhar para o alto. Somente na posição de discípulos podemos compreender Seus ensinamentos.
A partir de Si, Jesus é o Bem-Aventurado e apresenta-se como modelo dos que são chamados ao Reino, ao Céu. Não segundo a compreensão do mundo, mas conforme a vida em Deus. Assim, os pobres, os aflitos, os mansos, os que têm fome de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz, os perseguidos, os que insistem em viver segundo o mandamento do amor a Deus e ao próximo, sentindo a dor do irmão, suas necessidades, e colocando-se em seu favor, como o Filho faz com a humanidade ao se encarnar – são os que se configuram a Jesus Cristo que são também os que se tornam presença filial entre os demais.
Naturalmente que esta escolha de vida tem um preço – e alto. Se um dia alguém anunciar o Evangelho como algo fácil, em acordo com o mundo, é para se desconfiar. Desconforto, incômodo, “pedra de contradição”… os que vivem segundo o Evangelho suscitam reações muitas vezes contraditórias nos demais, levando-os a precisarem fazer uma escolha de vida: questionar-se e pensar em possível mudança, ou tentar acabar com o que incomoda – e isso significa muitas vezes perseguições e situações não agradáveis. Não somos nós que somos diretamente atacados, mas o que significa o que somos, nossa relação com Deus.
Só que aqui tem um critério para nos associarmos ao Cristo: a relação entre a verdade e a mentira. O que traz a responsabilidade de nossa conduta justa e íntegra, que expõe a contradição de quem ataca. E esta conduta só tem sentido se a Verdade é a causa. Sustentar uma posição em Jesus, independente do que possa nos acontecer, enche-nos da verdadeira alegria.
É nesta perseverança que nos tornamos santos no Santo, testemunhando com nossa vida quem é o Bem Aventurado Catequista. Não anunciamos nossos achismos e nosso entendimento, muito menos nosso saber. Anunciamos uma Pessoa, que vive em nós, e escolhe a cada um de nós para chegar aos demais.
No sustentar a fé nas adversidades que nos purificamos de nossos pecados, limitações e contradições. Nas dificuldades é que afirmamos nossa filiação divina. E este processo faz com que manifestemos a Salvação no mundo, em que nada nem ninguém pode abalar, e sim agir como preparação para o Céu.
Ser semelhante a Jesus é a meta de vida de todo cristão. Sermos chamados de filhos é o desejo mais íntimo. E isso envolve a dor de abrir mão do que não pertence ao Céu pelo Bem Maior. Assim Jesus se manifesta através de nós, em nós.
Só então poderemos “amar como Jesus amou”, compreendendo seu coração de ternura e misericórdia pelos mais esquecidos e sofridos. Por eles, nossa sensibilidade se manifesta, nos mais difíceis, com histórias mais complicadas, com o comportamento que expõe problemas nem sempre evidentes.
Sermos outro Cristo, bem-aventurados ao fazer nossa opção de vida não por bens ou prestígio, e sim pelo Céu; viver a aflição de nem sempre poder fazer algo pelos que precisam, entendendo que a oração é deixar espaço para que Deus possa agir; sustentar a mansidão frente às contradições e agressões, para não sair da presença do Filho; manter a fome de justiça pelos que não a têm e buscar o mínimo de dignidade para eles; considerar falhas e erros como limitações pessoais e de compreensão; desenvolver o olhar a partir da Salvação da humanidade; manter o encontro de todos em torno da Mesa Eucarística, como família em que cada um é único em sua diferença; e, por tudo isso, ser fraterno mesmo quando os demais agridem e perseguem.
Só assim, poderemos participar plenamente da Comunhão dos Santos, participantes da Jerusalém Celeste, pelos Séculos dos Séculos.

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