Pequeno Rebanho

(Vandeia Ramos)

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A expressão de Jesus no início do Evangelho é de ternura. Somos as ovelhas do Senhor, unidas em um pequeno rebanho muito querido. Nós nos sentimos como se estivéssemos sendo acarinhados… Ele quer nos mostrar seu cuidado para conosco, para que confiemos e não tenhamos medo das situações em que vivemos, de atender ao seu chamado, de olhar reto para o Céu, para o Reino de Deus. Não é uma simples promessa a se realizar em um futuro incerto. O Reino já acontece em nós!
Não é por mérito, por algo que tenhamos feito, mas simplesmente porque o Pai quis! É gratuito, é por amor! Deus nos quer com Ele, fazendo parte de sua vida já aqui, até chegarmos à plenitude do Céu. Esta fé elimina muitos possíveis fardos que possamos acreditar que tenhamos que carregar… E chama somente para que estendamos a mão e aceitemos sermos conduzidos.
Isso significa que precisamos nos desapegar de tudo que possa atrapalhar nossa caminhada, que possa nos reter. E isso só acontece na confiança plena de quem nos chama, à medida em que vamos nos conformando, tomando a forma de cristãos, deixando a graça agir em nós e a partir de nós.
Envolve prontidão para a ação, para atender aos que precisam, a estarmos atentos aos sinais que nossos catecúmenos apresentam, de problemas que possamos ajudar; de desenvolver a sensibilidade de ver as necessidades dos que estão à nossa volta, de trabalhar para que os demais descansem. Seguindo o modelo do lava-pés, nossa casa é sempre a primeira referência, da pia de louça ao quarto, da roupa para lavar e passar a colocar as coisas no lugar. Este testemunho silencioso nos forma para a atenção aos demais.
Somos pessoas cheias de dons. Eles nos foram dados por Deus para que façamos uso em prol dos demais. Ele nos tornou Seus arautos, anunciadores da Boa Nova com nossa própria vida. Dia a dia, inúmeros bens são nos confiados, da crescente compreensão da Mensagem Evangélica ao suspiro de cada instante. Sempre para aprendermos a fazer de nossa vida uma oferta de amor e sacrifício.
Quando chegar o momento em que Jesus virá nos chamar, e não sabemos quando será, podendo mesmo ser agora, o que temos para apresentar? O que fizemos com tanto que recebemos? Todo o tempo que recebemos, todo o acesso a bens espirituais, a vida em comunidade na Igreja, a família que nos cuida e somos chamados a cuidar, nossos estudos e trabalhos?… Como nos apresentaremos diante dEle?
Participamos dos bens celestes através dos dons que recebemos. Isso envolve testemunho e anúncio, antecipação do Reino, iluminar o mundo, receber resistência das trevas.
A fé que sustentou gerações é nossa base. Nela descansamos no Senhor frente às dificuldades e alegrias, apelos, acomodações e certezas. Conforme afirmamos a fé frente às adversidades, crescemos na certeza de que nosso lugar é o céu. Aqui é somente um lugar de passagem, para que possamos crescer em Deus e aprendermos a conviver com os demais, preparando-nos para o Reino definitivo.
Assim, na herança que recebemos da Igreja, podemos cantarmos juntos com os nossos que “feliz é o povo que o Senhor escolheu por sua herança!”
Somos muito felizes por ter nossa vida como a vinha do Senhor. Que Ele ao voltar nos encontre “em paz, puros e santos”.

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