Ir aonde Jesus deve ir

(Vandeia Ramos)

Dentre tantos, Jesus nos escolheu. Não para ficarmos na arquibancada ou no banco da Igreja, e sim para nos enviar à sua frente. Muitas vezes somos os primeiros a anunciar a Boa Nova a nossos catecúmenos. Sabemos que é uma missão grandiosa, o quão inútil e insuficientes somos, que é preciso muito mais para a centralidade do Evangelho: a vida em comunidade a partir de Jesus Cristo. Somos chamados a sermos discípulos que apontam para esta realidade, de inserir os que nos são colocados sob nossa responsabilidade no cotidiano da vida da Igreja, com tudo o que isso significa.
Formar novos discípulos não termina com nossa ação. É preciso que eles sejam acolhidos e orientados, dando continuidade à sua caminhada. Pastorais e movimentos precisam estar em diálogo com a catequese para abrirem-se aos novos, continuando a própria formação de acordo com seu servir na Igreja.
Também precisamos ter a sensibilidade de compreendermos que o anúncio é exigente, permeando a vida e formando uma nova pessoa em Jesus Cristo. Isso vai configurando a cada um de nós e aos nossos de um sentido de vida que frequentemente vai contrastar com uma cultura estruturada pelo pecado. E a luz vai incomodar as trevas… Isso é só um chamado à realidade, não ameaça ou para termos medo. É preciso saber que incômodos, perseguições e adversidades são comuns a quem segue o Evangelho. Justamente assim que temos o discernimento de percebermos quem somos e o que fazemos.
Somos portadores da paz. Não precisamos ir armados, esperando o pior, com resposta pronta para tudo. Lidamos com pessoas, muitas vezes de coração ferido, magoadas, com uma história em que o problema cresceu tanto que escravizou, viciando a vida. Nossa presença precisa iluminar, nosso olhar perpassar a superfície, nossa fala alcançar o íntimo, o silêncio ser amoroso. Muitas barreiras podem ser derrubadas com um sorriso e um abraço. Outras, levam tempo. Ainda outras, não nos cabem. Façamos o nosso melhor e sigamos em frente com a consciência de sermos guiados pelo Espírito, retornando a Deus todo o nosso viver.
Sem pressa, é importante vivermos o momento que nos é oferecido como presente. Estejamos com as pessoas sem nos preocuparmos com a quantidade e com a missão seguinte. Aprendamos a receber tudo que nos cabe em uma situação, sejam coisas boas ou mesmo humilhações, aprendendo a calar e a humildade, rezar e seguir nos passos de Jesus. Se Ele passou momentos difíceis por aqui, não esperemos que conosco seja diferente. Mas também teve encontros com pessoas que o amam e morrem por Ele. Sejamos um destes.
Fazer-nos outros cristos na terra é a missão de discípulo. Na catequese, como nas demais atividades de nossa vida, somos nós que recebemos primeiro o aprendizado: identificamos os pontos importantes do encontro, pensamos como melhor desenvolver, os instrumentos necessários e acompanhamos se os mesmos foram bem recebidos. Neste movimento, reservamos um tempo para repensar a vida à luz da Boa Nova, muitas vezes citando situações pessoais para ilustrar. Vamos percebendo o quanto vencemos grandes batalhas por não estarmos sozinhos. A realidade do céu é cada dia mais firme.
Ser Igreja no mundo é ser permanentemente alimentados por esta Mãe, que nos forma desde o batismo e nos acompanha até o último respiro. Nosso cansaço é depositado em cada Eucaristia, a partir da qual somos enviados como mensageiros da caridade ao mundo. Pela Igreja somos cuidados por Deus, em tudo que precisamos, desde o Pão ao Amigo, da família de Nazaré ao trabalho nosso de cada dia. Não estamos sozinhos! Jerusalém se torna nossa casa.
Somos todos irmãos, unidade que abrange a diversidade de povos, raças, culturas, idades, nem sempre fácil de conviver, mas com a certeza de que não estamos ali por nós mesmos. A paz e a misericórdia que recebemos com nossas próprias dificuldades são a cura de nossas feridas, que também são oferecidas através de nós. Como Cristo crucificado, chegamos flagelados, cansados, machucados. Carregamos as cicatrizes como parte de quem somos, bem como sinal do cuidado que recebemos. Aprendemos que nossa dor é instrumento de proximidade com muitos e que, cuidando dos demais, a nossa ferida é cuidada.
Assim, nosso canto não é solitário, mas em família. Juntos, podemos proclamar as maravilhas que nos faz o Senhor através uns dos outros, anunciando a grandiosidade de sua obra através de Jerusalém, a Mãe Igreja que reúne, cuida e prepara a cada um de nós para o Céu.

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