Catequista, guardião do Amor

(Vandeia Ramos)

“SE me amas, guardará a minha Palavra…” A relação entre nós e Jesus é uma relação de amor. E, quem ama, ouve o que o Amado diz, confia, se enamora, sabe-se cuidado e bem orientado. Quem ama, guarda. E o Amado permanece em quem ama. E a vida ganha uma luz própria, de quem traz em si um segredo que só compreende quem também o tem.
Deus não se dá em partes, Ele se doa totalmente, enquanto Trindade: o Pai que envia o Filho e ambos, o Espírito. Primeiro vivemos nesta realidade, e só depois vamos compreender. Com auxílio do Espírito, recordando toda a ação de Deus em nossa vida. Iluminados no Amor, vamos aprendendo como não só a sermos amados, mas também a amar. E este amor vai sendo dirigido aos que estão à nossa volta.
Entre ser amado e amar, encontramos a paz. Não a paz de quem acumula coisas, de quem acredita ter tudo o que deseja, de quem sustenta relações com pessoas queridas. A paz que vem do céu envolve a tranquilidade de quem se sabe cuidado e que traz a presença de Deus em si. E isso é algo que nada nem ninguém pode retirar, perturbar, intimidar, sendo fonte permanente de uma alegria que enfrenta as dificuldades e os dramas da vida.
Nesta relação de ternura, ao se revelar, Jesus revela seus segredos. Ele conta para nós o que devemos esperar em sermos seus discípulos. Que sua retirada temporária significa um Dom maior para nós. Assim, podemos sustentar sua ausência em alguns momentos, como na Noite Escura, de São João da Cruz, pois é o caminho para a alegria do retorno. O amor faz com que possamos ouvir sobre o afastamento e esperar confiantes pelo retorno.
Aqui encontramos muitos que não se encontram nesta relação, alguns com uma concepção legalista do certo ou errado, na lei ou fora, que ficam impondo fardos pesados aos demais. O amor confiante é distorcido em uma série de preceitos com fim em si mesmos. A orientação terna para a Civilização do Amor se torna rígida e moralizante. Assim, a confusão entre orientações cresce e ameaça a unidade da Igreja. Uma rápida pesquisa na internet podemos identificar várias situações como esta.
Aqui também encontramos a referência à unidade e a centralidade da fé. Paulo e Barnabé, como nossos bispos, ao encontrarem situações controversas, não tomam a si mesmos como referências. Eles vão aos demais e, juntos, com auxílio do Espírito Santo, fazem o devido discernimento sobre a questão apresentada. É bonito o encontro e as deliberações, como a resposta que o Concílio de Jerusalém oferece para os cristãos de todos os tempos: frente ao transtorno que orientações indevidas suscitou, em unidade, valorizando o serviço dos discípulos que verdadeiramente atuam em nome de Jesus, enviam outros dois discípulos, afirmando a fé única, não como um fardo, mas como uma relação coerente de amor.
Na vivência desta realidade tão comum em nossas comunidades, em que elaboramos instrumentos como reunião de catequistas, Conselho Paroquial, além de inúmeras formações específicas que podemos fazer entre as foranias, vicariatos, arquidioceses, vamos buscando elementos comuns na caminhada, discernindo os pontos de unidade, a doutrina que perpassa a história… A fé vai se encarnando nas situações cotidianas.
No encontro semanal da Celebração Dominical, reunidos na Missa, nossa atenção se volta para o altar. Ao redor das Mesas da Palavra e da Eucaristia, o Reino nos é apresentado: primeiro através das palavras que apresentam a Palavra, na qual ouvimos com atenção e o ministro atualiza em nossa vida; no ouvir confiante, podemos acompanhar o momento em que Jesus se faz presente na Eucaristia. Nossa vida ganha sentido toda vez que estamos ali e, aprendemos a ler nossa vida à luz da Palavra, somos preparados para receber Jesus.
É o Reino que se faz presente entre nós, em nós. Vamos ao encontro da Jerusalém celeste, junto com nossa comunidade. A Igreja padecente e gloriosa encontra-se entre nós, para que vivamos de modo antecipado o encontro final.
A Igreja não é limitada a paredes ou uma a instituição humana. A Igreja é o próprio Corpo de Cristo, que nos torna participantes Dele. Não somente à nossa comunidade, ou arquidiocese. A Igreja perpassa o tempo e o espaço, reunindo no Reino as pessoas de todas as épocas, que glorificam o Senhor por toda a eternidade.

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