Catequista: missão sem mimimi

(Vandeia Ramos)

Jesus Ressuscitou! E, aos poucos, a compreensão de tudo vai se fazendo, bem como o peso da posição que cada um assumiu. Jesus nos envia e continuamente percebemos que não sabemos por onde começar, além do peso de nossa incapacidade ser grande. Os apóstolos fugiram, um traiu, outro negou… Somos muito pequenos diante da cruz. A realidade da ressurreição é como um mar que aponta para um horizonte infinito, que nossa vista não consegue alcançar.
Jesus não desiste de nós e vai atrás dos seus. Quando não sabemos o que fazer, acabamos por escolher o que nos é mais comum, aquilo que nos dá segurança. É assim com o modo que damos catequese, a ênfase em determinados conteúdos, a resistência a novidades… Os apóstolos foram pescar, atividade de toda uma vida. Só que desta vez não conseguiram nada. Não dava mais para continuar na rotina de sempre. E é aí que Jesus recomeça e, em sua companhia, a rede enche. Com Ele, nossas atividades ganham sentido, dão frutos. E, depois de muito trabalho, é o próprio Cristo que se dá a nós como alimento.
Mas também é preciso refazer o que não ficou bom, os erros, as acomodações, a preguiça, a displicência… Jesus pergunta: Catequista, você me ama? Precisamos afirmar nosso amor por todas as vezes que não o fizemos. E apascentar carneiros e ovelhas. Nossa missão não é somente na turminha de catequese, junto às ovelhas, mas também em todos os lugares em que estamos, sendo testemunhas junto aos carneiros. Não é uma tarefa simples ou fácil. Ela exige se deixar guiar através das circunstâncias, deixar-se crucificar. O sofrimento por ser quem somos não é algo procurado, e sim aceito, testemunho de quem somos na cruz que nos é oferecida.
Por isso, não tem sentido o mimimi constante, as frequentes reclamações que vemos pessoalmente e em diferentes mídias sociais quando somos perseguidos por sermos cristãos. A própria história, desde a Páscoa, nos apresenta não seremos aceitos, sofreremos perseguições, tapas, apedrejamento, conflitos na família, desconforto no trabalho… Qual é a novidade?!
A Cultura da Morte se dissemina na sociedade, leis são feitas que afrontam quem somos e o que acreditamos, conflitos são suscitados com a intenção de divisão entre nós e com outros. Fato. E nós nos perdemos frente a tanto ruído. Na mesma situação, qual o modelo que os apóstolos nos oferecem? Sem medo, eles testemunham Jesus Cristo. Enviados para o açoite, seguem felizes por terem sido considerados fieis a quem acreditam.
Com os apóstolos, milhares de milhares se unem ao longo do tempo. Suas histórias nos convidam a nos juntarmos a este canto que permanece para sempre, de proclamar com todo o ser, nas alegrias e tristezas, nas dores, na perseguição, no sofrimento, quem é o Nosso Senhor.
Ser catequista vai se tornando um chamado a ser arauto, a ser testemunha do evangelho encarnado na própria vida. Através das fraquezas, dificuldades, situações adversas, Jesus vem continuamente ao nosso encontro para nos alimentar e fazer de nossa vida um serviço que dê frutos, em um constante dar graças e glorificar seu Nome.
Afinal, no fim de nossa história, temos um encontro marcado no céu. Quem vai querer ficar de fora?

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