Bem-aventurados somos nós, que cremos!

(Vandeia Ramos)

Estamos em oitava pascal e no domingo da misericórdia, dia em que os discípulos estão reunidos no cenáculo, em que nós nos reunimos na santa missa. Jesus ressuscitou e não aparece mais para a multidão. Ele aparece para seus discípulos, para Santa Faustina, para inúmeros santos ao longo da história e, hoje, de modo especial, Ele está conosco nas leituras, na hóstia consagrada e em cada um de nós. Já podemos celebrar com São Paulo: “não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim!” (Gl 2, 20)
Tomé não estava na primeira vez que Jesus esteve com os seus após a ressurreição e não acreditou. Quantos não estão conosco no domingo? Quantos já passaram pela iniciação cristã e acabaram se afastando? Sempre precisamos nos perguntar se nosso testemunho é convincente, se buscamos acolher nossos irmãos, se a nossa comunidade está consciente de suas limitações e trabalha para superá-las.
Na Igreja nascente, após a superação das primeiras dificuldades, temos a comunidade cristã em uma atividade intensa de serviço aos demais. Encontravam-se unidos e, com os dons recebidos, atraíam multidões. Muitos vinham para receber e alguns ficavam tão encantados com tamanha graça que Deus derrama através dos seus que se juntavam aos discípulos. Unidade e serviço se apresentam como seguimento do Cristo.
Não significa que a vida do discípulo é simples e fácil. Ao contrário. Todos os apóstolos morreram martirizados, com exceção de João. Este, além de ver seus amigos irem, é preso por assumir a Palavra em sua vida. Não existe vida humana sem sacrifício, dor e sofrimento. Todos nós estamos sujeitos às questões próprias da existência. Só que, ao assumirmos nossa cruz, o morrer em cada dia, deixamos de lutar contra a morte e entregamos tudo o que temos e o que somos aos cuidados de Deus. Ele sabe de todas as coisas e cuida de nós.
Ao assumirmos o sofrimento inerente à condição humana e ofertarmos, em Cristo, ao Pai, recebemos a misericórdia como dom. É a imagem pintada por Santa Faustina, a secretária da Divina Misericórdia. Quem conhece sua história lembra que Deus escolhe os menores para seus maiores favores. Por isso que estamos aqui na catequese. De uma simples pessoa, Ele nos torna arautos, mensageiros da Boa Nova.
Na imagem original, temos um fundo escuro. A memória do túmulo, da morte, da escuridão, de nossas dificuldades e sofrimentos. No centro, irrompe Jesus iluminado, com seu coração transpassado pela lança. Não há um retorno à condição anterior. Vencer a morte não é voltar à existência que se tinha antes. No entanto, Jesus nos apresenta seu coração aberto à humanidade, a cada um de nós, do qual sai raios de misericórdia, o sangue e a água do batismo tornados acessíveis e dirigidos aos que O contemplam.
A partir de tudo que passou, das chagas abertas em suas mãos e pés, de seu coração transpassado, é que derrama sobre nós sua misericórdia. Na Encíclica Deus Carita Est, Bento XVI nos lembra que justiça é garantir ao outro o que lhe é direito, amor é dar o que é seu, e misericórdia é dar-se a si mesmo. E Jesus se entrega totalmente a nós na Páscoa, ressuscitando-nos em sua humanidade transpassada pela dor, tornando-se acessível a nós.
No Ressuscitado, Deus não está mais atrás do véu do templo. Na face do Misericordioso, podemos contemplá-lo, aproximar-nos, colocar-nos em sua presença, deixar-nos envolver e tornar-nos seus filhos. A dor não é mais a última palavra. A morte não venceu. Nas diversas situações da vida, aprendemos a entregar e deixar-nos conduzir. Sabemos o fim da história. João é o nosso spoiler.
Com o tempo, os problemas do mundo se agravam, a capacidade de auto destruição cresce, muito concorre para que enfraqueçamos e nos afastemos de nossa esperança. No entanto, é justamente na comunidade reunida no domingo que temos um encontro marcado com Jesus. É na confissão que temos rios de misericórdia sendo constantemente derramados sobre nós. É no caminhar juntos que podemos testemunhar e cantar juntos o quanto o Senhor é bom, eterna é a sua misericórdia!

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