Catequistas, servos de Cristo!

(Vandeia Ramos)

Para um católico que vive a fé, impossível não se emocionar com o canto de hoje da Igreja. Já vamos chegando e agitando nossos ramos num único “Hosana, hey!”. É a Semana Santa que começa, o centro e ápice do Cristianismo, o conteúdo do kerygma apostólico, a primeira mensagem a ser anunciada, em um único mistério: amar como Ele nos ama. Para os cristãos, não basta amar ao próximo como a si mesmo. Para quem vive o mistério de amor velado da cruz, é preciso mais. Se não doer, não é amor.
Juntamo-nos com nossos catecúmenos ao movimento da Igreja que recebe o Rei, vindo em um burrinho, entrando em Jerusalém. Fico pensando no que Pilatos e Herodes, que andam com toda a pompa, não teria pensado da cena… E os apóstolos cantando vitória, súditos do Messias que viria estabelecer o Reino de Deus. Na ideia de que bastaria um levantar de braços para formar um exército e derrubar o Império Romano, a alegria do dia anuncia Jesus Cristo, Rei do Universo, mas, para muitos de nós, a ideia de uma possível vitória política e militar não consegue ser superada.
Não é nosso impulso que todos se convertam ao Catolicismo? Não é uma frustração constante que muitos da nossa família ofereçam resistência às escolhas de fé que assumimos? Não reclamamos com frequência de políticos, de personagens da história, muitas vezes com a sensação de que, se fizessem o que eu acho melhor, daria certo? Parece tão simples derrubar o Imperador, Herodes, presidente, prefeito… E estabelecer o Reino de Cristo, uma nova Cristandade…
Teremos uma longa semana, intensa, em que tudo que significa ser cristão receberá graças especiais. Toda nossa atenção estará dirigida para o Tríduo Pascal, em que toda e falsa concepção de Messias e Reino caem… E nem todos suportam ver tudo que desejaram e imaginaram cair… Jesus vai se revelar totalmente na cruz, como nos apresentará João.
A Missa do Crisma, na quinta-feira pela manhã, reunirá toda a Igreja local em torno da memória da instituição da Eucaristia e do sacerdócio ministerial. A unidade de toda a Igreja, unida a seu bispo, em comunhão com Roma, é celebrada. Em torno da mesa eucarística, a Igreja se oferece com Cristo, por Cristo e em Cristo, dando ao Pai toda honra e toda a glória, em um movimento ascendente no Espírito. Do mesmo modo que Jesus veio até nós, aqui nós somos levados por Ele ao Pai.
De noite, a missa nas comunidades. Jesus nos convida a nos despojarmos para que possa lavar nossos pés. Gesto de servo que, recebendo seu senhor que vem da poeira da rua, prepara-o para entrar em casa. Nós, que andamos pelas estradas do mundo para testemunhar Cristo, somos por Ele preparados para a Ceia. É o ensinamento do ser Igreja e do que significa uma hierarquia. A responsabilidade, o cuidado, a atenção com os demais crescem quando assumimos responsabilidades maiores. Mesmo com os que partilham o prato conosco e nos vendem.
O Jardim do Getsêmani é um momento único. Primeiro penso nos amigos, que esperam a glória desde a entrada em Jerusalém, que partilham a Ceia Judaica, que passam pela Nova e Eterna Aliança, mas que não conseguem ficar acordados nos momentos de angústia. Penso na Igreja, em tantos momentos difíceis, em que Jesus só nos pede para permanecer com Ele, mas que acabamos nos inebriando entre a taça de vinho e o sono. Antes de qualquer missão, a Paixão, a Morte e a Ressurreição, o aprender a permanecer.
Também lembro de Maria. Se uma mãe sabe tudo que acontece com um filho, que dirá a Mãe. Se os amigos mais íntimos dormiram, como teria ficado Nossa Senhora? Quando nós não conseguimos permanecer, é Ela que permanece velando, em vigília, por nós.
Para Lucas, médico, o suar sangue é uma referência do sofrimento a que Jesus chega. Fico pensando em sua dor: a traição do amigo, o abandono dos seus, em tudo que sua Esposa, a Igreja, teria que passar na história a partir da cruz, quantos não usariam sua posição privilegiada e, por interesses pessoais, usariam a Igreja para benefício próprio, vendendo por 30 moedas… Jesus não recua, Ele segue e se entrega aos soldados, para que os seus vivam, para que possamos ir para o Céu.
Tanto significado tem o silêncio da sexta-feira e do sábado: dor, vergonha, solidão, remorso, medo…
Possamos ter a coragem de nos colocarmos ao lado de Nossa Senhora, que, mesmo com toda a dor de Mãe, acompanha seu Filho em sua Paixão, permanecendo em pé até o último suspiro de Jesus, e esperando a alegria da Ressurreição na manhã de domingo.
Que esta Semana nos faça pelas expectativas deste domingo de Ramos e aprendamos a reconhecer a cruz como único caminho para o Reino.

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