A Pedagogia da Catequese

(Vandeia Ramos)

Interessante para nós são os textos da liturgia de hoje, pois trazem em si o modo de ensinar próprio do cristão. Vejamos: reunidos em torno de uma pessoa (Esdras, Paulo, Jesus, catequista), o povo se põe em audição. Lucas lembra que o que escreve é fruto de estudo anterior, de pesquisa, do testemunho de quem viveu a experiência com Jesus Cristo antes dele, do mesmo modo que Esdras recebe os escritos recolhidos e organizados após a libertação de Israel da Babilônia. A única novidade que temos a apresentar, a Boa Nova, é a que a Igreja em seus membros nos passam pela história. Nós também precisamos nos preparar para fazer o mesmo antes de nos apresentarmos aos nossos catecúmenos.
Tanto Jesus como Esdras não vão a um povo estranho, mas aos seus, como Paulo começa sua evangelização. Em Nazaré, onde foi criado, Jesus vai à Sinagoga. Aquele que é a Palavra encarnada, o Verbo de Deus, vai como um de nós guardar o Sabath. Em pé, com a autoridade que a Palavra traz, faz a leitura do livro que lhe passam, o de Isaías. O Povo se reúne em torno da Palavra, seja em Nazaré, seja “em frente à porta das Águas”, seja nos nossos círculos de Iniciação Cristã.
Após a leitura, vem a ajuda para compreensão. Escribas, sinagogos, catequistas… Aqui temos nossa responsabilidade de apresentar não uma palavra qualquer escrita num livro. E sim a Palavra viva, de como Ela se encontra em nós, como tudo o que lemos se realiza em nossa vida. O nosso testemunho anuncia que esta mesma Palavra pode se encontrar também na vida de nossos catecúmenos, desde que eles estejam atentos a ouvir, abertos à compreensão e a deixar que se realize em sua vida o que lhes foi anunciado. Pelo nosso testemunho afirmamos que Cristo não é um personagem de uma historinha muito bonita, mas Aquele que nos dá uma vida plena.
Paulo nos apresenta uma sistematização desta catequese, com três pontos importantes:
– nós, que anunciamos o que vivemos;
– nossos catecúmenos, em atenção para nós e Àquile que vamos anunciar;
– Jesus Cristo, o conteúdo que anunciamos, a Palavra que se realiza na vida de cada um de nós, configurando-nos filhos no Filho.
Assim, mesmo que estejamos em um lugar mais alto para o anúncio, como Esdras, ou em pé como Jesus, sabemos que não somos o centro da Iniciação Cristã. Não é para nós que os olhares estão verdadeiramente voltados. Sabemos que Aquele que anunciamos que é o mais importante e que a Ele servimos. Somos somente um membro de seu Corpo, a Igreja, voltada para assistir os que mais precisam, a começar por nós mesmos.
Neste encontro entre nós e nossos catecúmenos em torno da Palavra, podemos juntos terminar no reconhecimento de que “Vossas palavras, Senhor, são espírito e vida!”.

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