O Senhor cuida de nós

(Vandeia Ramos)

“… ficai satisfeitos com o vosso salário” (Lc 3, 14).

No mundo capitalista em que vivemos, cheios de conta para pagarmos, como ficar satisfeitos com o nosso salário? Quero fazer uma provocação para nesta caminhada do Advento podermos crescer na confiança de que o Senhor nos proporciona o que nos é necessário
Está chegando o Natal e as vitrines das lojas estão repletas de sugestões de consumo. Já estamos pensando na roupa que vamos usar para ficarmos sentados em frente à televisão. E os presentes? Paremos para pensar em que realmente precisamos. Quantas peças de roupa nos são necessárias? Compramos calçados por que queremos ou por que realmente está fazendo falta? A lixeira de nossa casa, o que estamos jogando no lixo? Quantos objetos temos que compramos por impulso de consumo e estão tomando espaço pelos cômodos, enchendo de poeira, dando trabalho na limpeza e na arrumação?
Maria e José já saíram de Nazaré rumo a Belém e estão levando somente o básico em um burrinho. Lembremos que é com este básico que irão para o Egito e viverão os primeiros anos de Jesus. Se precisássemos fazer a mesma experiência, o que levaríamos?
Precisamos mudar a pergunta de “temos tudo o que precisamos” para “precisamos de tudo o que temos?” É final de ano e sabemos que muitos não têm o mínimo para viver. Estas necessidades não estariam em nossa casa, entulhando e dificultando nossa vida? Será que muito das nossas contas não são por coisas que estão entre o lixo e os cantos, ou mesmo em armários?
Estamos no domingo gaudete, o domingo da alegria, em que já começamos a sentir a proximidade do Menino que chega. Sejamos valentes para aquela faxina de fim de ano. Arrastemos não somente os móveis para tirar a poeira de trás, mas também tudo aquilo que está sobrando e que tem os que esperam em suas necessidades. Aprendamos a sermos heroicos em nossas idas ao mercado, aos diferentes lugares, para que nos libertemos na escravidão do consumismo e comprarmos somente o que realmente nos é necessário.
Pensemos em nossas contas e sejamos sinceros conosco: o quanto gastamos sem real necessidade? O quanto já podemos mudar no próximo mês? Era realmente preciso aquilo, por aquele valor? Este testemunho de consciência de quem se é ajuda a lembrarmos que estamos aqui de passagem. A qualquer momento podemos ser chamados a ir à Belém e deixarmos tudo para trás. No fundo, nada é nosso. Só estamos aqui usufruindo do que Deus nos dá. Façamos com a consciência de que o mais importante nos é dado, e não comprado ou consumido. Deixemos espaço para a Grande Alegria tomar o espaço que lhe cabe em nossa casa e em nosso coração.

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