Fazei-nos, Senhor, mestres em tua Sabedoria

(Vandeia Ramos)

Estamos começando a Semana Bíblica em muitas paróquias. O livro de estudo proposto é o da Sabedoria, trecho da primeira leitura deste domingo. Ele nos lembra que precisamos ser sábios. Mas o que significa a sabedoria? De modo geral, ela passa pela observação da realidade, da criação, a reflexão tentando entender como esta realidade se dá e uma ação a partir deste conhecimento.
Não é o que acontece conosco nas turmas de catequese? Primeiro observamos nossos catecúmenos, suas famílias, o que ajuda e o que atrapalha nos ensinamentos. Depois procuramos entender porque seus comportamentos e atitudes são como são. Assim podemos elaborar as atividades e as falas que melhor possam apresentar a fé para eles.
Esta sabedoria, também presente no mundo, começa assim em Israel e vai amadurecendo de acordo com as dificuldades que o Povo de Deus enfrenta. Quando chegamos nos livros sapienciais, o contato maduro com outros povos ajuda o sábio a entender que a sabedoria é fruto do amor de Deus e que se pode chegar a Ele através tanto da reflexão da fé como da compreensão de como a criação se organiza. Aqui temos a razão como acesso ao diálogo com os diferentes de nossa fé.
No Novo Testamento, temos as parábolas sapienciais de Jesus. São Paulo (1Cor 1, 20-21) contrapõe a sabedoria da cruz à sabedoria do mundo. Mateus identifica Jesus com a sabedoria (Mt 11, 19). Só que aí vem Tiago e expõe nossas feridas: há inveja e rivalidades entre nós, em nós. Ele questiona nossa atitude de cristãos, portadores da Sabedoria Encarnada, que, em vez de aprendermos a testemunhar esta nossa identidade, ficamos desconfiados de quem ocupa posição de coordenação e de autoridade. Queremos posições de liderança, mas não queremos assumir a responsabilidade nem do que nos cabe, quanto mais de uma situação que mais exigente.
Somos pessoas privilegiadas. Deus nos chamou para sermos sua voz junto às nossas crianças, jovens e adultos, a sermos mestres em sua sabedoria. Pela responsabilidade com nosso serviço, somos impelidos a aprender para melhor ensinar. E também aprendemos a nos mantermos na infância espiritual, que garante a entrada do céu, a sustentarmos nossa juventude por mais tempo, a percebermos as dores, alegrias e sofrimentos que os adultos trazem consigo e que não desistem de continuar.
Na sequência de nossas catequeses, vamos aprendendo o que precisamos ensinar e a ser gente com outras gentes. A sermos os que servem à nova geração. A acolher a todos, independente das dificuldades que trazem. A ficarmos atentos ao que é necessário e ao que nos cabe intervir para que tudo dê certo. Assim, ser catequista é alguém que frequenta a escola de Sabedoria de Deus.
Entre os orgulhosos e violentos, muitas vezes nós entre eles, vamos aprendendo no cotidiano de nosso servir a fazê-lo muitas vezes com o sacrifício de nosso coração, nosso tempo, nossas dificuldades, aprendendo a testemunhar que “é o Senhor que sustenta minha vida!”.

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