Devolva o peixe

(Uma reflexão sobre ética)

A nossa sociedade passa por uma crise moral e ética. Assistimos a todo momento escândalos na política, nas relações interpessoais e na convivência em sociedade como um todo.

As coisas seriam bem diferentes se as pessoas tivessem uma boa conduta ética e moral. Sinteticamente, a moral está na esfera dos costumes culturalmente aprendidos que guiam as pessoas através de seus valores e crenças e a ética seria uma reflexão crítica da moral.

Seria um clichê falar aqui do “jeitinho brasileiro”, o qual o nosso povo se vangloria sempre de conseguir “burlar” uma norma, uma regra.

Hoje colhemos os frutos desse jeitinho. Uma sociedade caótica com dirigentes mais caóticos ainda. Para continuar essa reflexão segue uma pequena parábola:

pescaria

Jorge tinha onze anos e sempre ia pescar no cais próximo ao chalé da família.
A temporada de pesca só começaria no dia seguinte, mas Jorge e seu pai saíram no fim da tarde para pegar apenas peixes cuja captura estava liberada.
O menino amarrou uma isca e começou a arremessar. Logo o caniço vergou, e ele se deu conta que havia algo enorme na ponta da linha.
O pai olhava com admiração, enquanto Jorge habilmente e com muito cuidado, retirava o peixe exausto da água. Era o maior que já tinha visto, porém sua pesca só era permitida na temporada, que ainda não havia começado.
Enquanto apreciavam aquela beleza de peixe, o pai acendeu um fósforo e olhou para o relógio. Pouco mais de dez da noite – Ainda faltavam quase duas horas para a abertura da temporada.
Seu pai então olhou para o peixe e depois para Jorge, e disse:
– Filho, você tem que devolvê-lo!
– Mas papai! – reclamou o menino.
– Vai aparecer outro – insistiu o pai.
– Não tão grande quanto este – choramingou Jorge.
Jorge olhou à volta do lago. Não havia outros pescadores ou embarcações à vista. Voltou novamente o triste olhar para o pai, porém ele sabia, pela firmeza em sua voz, que a decisão era inegociável. Mesmo não havendo ninguém por perto.
Com cuidado, tirou o anzol da boca do enorme peixe e o devolveu à água escura. O peixe rapidamente desapareceu.
Naquele momento, Jorge teve a certeza de que jamais pegaria novamente um peixe tão grande quanto aquele.
Trinta anos depois, o Chalé continua lá, e Jorge, um bem-sucedido arquiteto, leva seus filhos pra pescar no mesmo cais.
Sua intuição estava correta. Nunca mais conseguiu pescar um peixe tão maravilhoso como o daquela noite, porém, vê o mesmo peixe todas as vezes que se depara com uma questão ética.
Como seu pai lhe ensinou, a ética é simplesmente uma questão de CERTO e ERRADO.

Se desejo o melhor para mim, é isto que devo oferecer aos outros. Agir corretamente quando se está sendo observado, é uma coisa. A ética, porém, se revela quando agimos corretamente enquanto ninguém está nos observando.

(Fonte)

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