Pecado contra o Espírito Santo

Antes de sua volta para o Pai, Jesus prometeu um novo Consolador, um Advogado. Trata-se do Espírito Santo que viria para apanhar aquilo que é de Jesus e interpretar para os seus discípulos, para assim convencer o mundo “quanto ao pecado, quanto à justiça e quanto ao juízo”(Jo 16,8.).

Diante disso, nos ensinou o Santo Padre João Paulo II que “a blasfêmia (contra o Espírito Santo) não consiste propriamente em ofender o Espírito Santo com palavras; consiste, antes, na recusa de aceitar a salvação que Deus oferece ao homem, mediante o mesmo Espírito Santo agindo em virtude do sacrifício da cruz. Se o homem rejeita o deixar-se ‘convencer quanto ao pecado’, que provém do Espírito Santo e tem caráter salvífico, ele rejeita ao mesmo tempo a ‘vinda’ do Consolador: aquela ‘vinda’ que se efetuou no mistério da Páscoa, em união com o poder redentor do sangue de Cristo que ‘purifica a consciência das obras mortas’. Sabemos que o fruto desta purificação é a remissão dos pecados. Por conseguinte, quem rejeita o Espírito Santo e o sangue, permanece nas ‘obras mortas’, no pecado. E a ‘blasfêmia contra o Espírito Santo’ consiste exatamente na recusa radical de aceitar esta remissão, de que ele é dispensador íntimo e que pressupõe a conversão verdadeira, por ele operada na consciência (…) Ora, a blasfêmia contra o Espírito Santo é o pecado cometido pelo homem, que reivindica seu pretenso ‘direito’ de perseverar no mal – em qualquer pecado – e recusa por isso mesmo a Redenção. O homem fica fechado no seu pecado, tornando impossível da sua parte a própria conversão e também, conseqüentemente, a remissão dos pecados, que considera não essencial ou não importante para a sua vida”(Carta Encíclica Dominum Vivificantem, 46). Como Deus poderá perdoar alguém que não quer ser perdoado?

Para que o nosso entendimento ficasse mais claro acerca deste terrível pecado, o Papa São Pio X, que governou a Igreja de 1903 a 1914, no seu Catechismo Maggiore, ensinou que seis são os pecados contra o Espírito Santo:

1º – Desesperação da salvação, ou seja, quando a pessoa perde as esperanças na salvação de Deus, achando que sua vida já está perdida. Julga, assim, que a misericórdia de Deus é mesquinha e por isso não se preocupa em orientar sua vida para o bem. Perdeu as esperanças em Deus.

2º – Presunção de salvação sem merecimento, ou seja, a pessoa cultiva em sua alma uma vaidade egoísta, achando-se já salva, quando na verdade nada fez para que merecesse a salvação. Isso cria uma fácil acomodação a ponto da pessoa não se mover em nenhum aspecto para que melhore. Se já está salva para que melhorar? – pode perguntar-se. Assim, a pessoa torna-se seu próprio juiz, abandonando o Juízo Absoluto que pertence somente a Deus.

3º – Negar a verdade conhecida como tal, ou seja, quando a pessoa percebe que está errada, mas por uma questão meramente orgulhosa, não aceita: prefere persistir no erro do que reconhecer-se errada. Nega-se assim a Verdade que é o próprio Deus.

4º – Inveja da graça que Deus dá a outrem, ou seja, a inveja é um sentimento que consiste primeiramente em entristecer-se porque o outro conseguiu algo de bom, independentemente se eu já possua aquilo ou não. É o não querer que a pessoa fique bem. Ora, se eu me invejo da graça que Deus dá alguém, estou dizendo que aquela pessoa não merece tal graça, me tornando assim o regulador do mundo, inclusive de Deus, determinando a quem deve ser dada tal ou tal coisa.

5º – Obstinação no pecado, ou seja, é a teimosia, a firmeza, a relutância de permanecer no erro por qualquer motivo. Como o Papa João Paulo II disse, é quando o homem “reivindica seu pretenso ‘direito’ de perseverar no mal – em qualquer pecado – e recusa por isso mesmo a Redenção”.

6º – Impenitência final, ou seja, é o resultado de toda uma vida que rejeita a ação de Deus: persiste no erro até o final e recusa arrepender-se e penitenciar-se.

O pecado contra o Espírito Santo consiste na rejeição consciente da graça de Deus; é a recusa da salvação que, conseqüentemente, impede Deus de agir, pois Ele está à porta e bate, e a abre quem quiser. A persistência neste pecado, que é contra o Espírito Santo, pois este tem a missão de mostrar a Verdade, levará o pecador para longe de Deus, para onde ele escolheu estar. Apesar disso, o Senhor continuará a amá-lo com o mesmo amor de Pai que tem para com todos, porém respeitando a decisão de seu filho que é inteligente e livre.

(Fonte)

Tudo concorre para o bem

“Sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados para a salvação, de acordo com o projeto de Deus.” (Rm 8, 28)
No fundo, o que é certo 100% em nossos planos, humanamente falando?
Nem a certeza de que teremos um novo amanhecer é 100%. Ninguém pode afirmar ao certo quanto a estrela Sol ainda durará. A ciência estima, mas certeza mesmo, não tem.  Quanto tempo a terra ainda durará antes de um colapso meteorológico que tornará a vida quase impossível? Ninguém sabe com certeza quando…
Quando perguntam a Jesus quando será o final dos tempos, também Ele diz que só o Pai sabe…
Então, porque continuamos dormindo fazendo planos e confiando que acordaremos no dia seguinte? E porque isso acontece com ateus e também crentes em Deus?
Porque Deus nos fez seres humanos com capacidades e, entre elas,  confiar em uma esperança. E na esperança de um novo dia, queremos tentar fazer o melhor possível. Isso gera confiança, mas também preocupações  (pré ocupar-se com algo que nem sabemos se acontecerá).
Então, certeza mesmo, os crentes em Deus só tem uma: que se confiarmos e procurarmos fazer Sua vontade, se O amarmos, tudo concorrerá para o nosso bem. E por quê? 2 motivos: Ele é 100% amor e conhece todos os desdobramentos por ser omniciente. Logo, no que depender d’Ele, confiamos no melhor.
Portanto, viva na incerteza do “como”, “da forma” que será, mas na certeza de que o amanhã nos conduzirá para o bem se amarmos a Deus e tentarmos cumprir suas orientações.
Sei que nas horas em que os problemas vêm, a razão tem que fazer muita força para vencer a emoção e que não é fácil, mas Deus sabe de quê somos feitos e nos ajudará.
Continue confiando em Deus e pedindo Sua orientação.
Certeza? Só duas: Que Deus existe e que Ele nos ama. E como diz Santa Teresa d’Ávila: Só Deus basta…
(Antônio José – Fundador da Comunidade Filhos da Redenção)

Amar os inimigos

«Ouvistes o que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, digo-vos: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem» (Mt 5,43-44)

Claro que no Carmelo não se encontram inimigos mas, enfim, há simpatias; sentimo-nos mais atraídas por esta irmã, enquanto aquela nos levaria até a fazer um desvio para não deparar com ela. Assim, sem mesmo o saber, ela torna-se objeto de perseguição.

Pois bem, Jesus diz-me que é preciso amar essa irmã, rezar por ela, mesmo que a sua conduta me leve a crer que ela não gosta de mim: «Se amais os que vos amam, que agradecimento mereceis? Os pecadores também amam aqueles que os amam.»

E não basta amar, é preciso demonstrá-lo. Ficamos naturalmente felizes por dar um presente a um amigo, gostamos muito de fazer surpresas, mas a caridade não é isso, pois os pecadores também o fazem.

Eis que Jesus continua a ensinar-me: «Dá a todo aquele que te pede, e a quem se apoderar do que é teu, não lho reclames». Dar a todas as que pedem é menos doce que oferecer-se a si mesma num movimento amoroso. Se é difícil dar a quem nos pede, ainda o é mais deixar alguém apoderar-se do que é nosso sem o reclamar.

Oh minha Mãe, digo que é difícil, mas deveria antes dizer que parece ser difícil, pois o jugo do Senhor é leve e suave (Mt 11,30). Quando o aceitamos, sentimos logo a sua doçura e clamamos como o salmista: «Correrei pelo caminho dos Teus mandamentos, porque deste largas ao meu coração» (Sl 118,32).

Não há como a caridade para dilatar o meu coração, oh Jesus. Desde que essa doce chama o consome, corro com alegria no caminho do Vosso mandamento novo (Jo 13,34).

Por Santa Teresinha do Menino Jesus
(1873-1897), Carmelita, Doutora da Igreja
Manuscrito autobiográfico C 15v°-16r°